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Original subtitles

Jacqueline?

Jacqueline.

Jacqueline.

Jacq ...

O senhor é o inquilino deste andar?

Por que?

- É o inquilino? - Nao.

Poderia me dizer o nome do inquilino?

Qual o motivo disso tudo?

Posso lhe perguntar o que faz aqui?

- Posso perguntar o que você faz aqui? - Se importaria de responder minha pergunta?

- Tenho todo o direito de estar aqui. - Foi convidado?

Se importaria de me dizer o nome da pessoa que o convidou, senhor?

Sim, eu me importo. Quem o convidou?

Desculpe-me senhor mas eu faço as perguntas.

Eu não faria isso, senhor.

É sua intenção me manter aqui a força?

Não terei escolha, se necessário.

- Fique onde está! - Por que tenho que fazer isso?

Quer fazer o favor de deitar-se, senhor?

Como, devo me deitar no chão? Para quê?

Porque eu quero ter certeza de que não fará nenhuma bobagem.

Espere um minuto, por acaso estou detido?

Por que acha que pode ser detido?

Porque se não estou, eu quero sair daqui.

Nesse caso, eu vou ter que detê-lo.

E se eu não puder, chamarei meu colega.

Isso chamaria atenção, e creio que ...

não deseja isso, certo?

Não, não muito.

Mas eu não me deitarei no chão por ninguém!

Vamos

Venha, me obrigue!

Não posso tomar um café?

Eu só quero aquecer café.

Vou esquentar. Fique aí.

Muito bem.

Sargento! Corrija-me se eu estiver errado, mas tinha a impressão ...

de que neste país a polícia não entra...

em uma casa sem uma razão.

Sua impressão é exata.

- Olá, sargento. - Inspetor Morgan,

foi informado que o toca-discos estava tocando muito alto?

- Acho que era jazz, senhor. - Sim, me disseram.

- Você é o chefe? - Sim.

Ameaçaram me manter aqui a força, por quê?

- Você não tem idéia? - Deixemos de adivinhações,

lhe fiz uma pergunta, limite-se a responder,

se houver alguma razão para isso, eu quero saber qual é.

Você acha que pode haver uma razão para mantê-lo aqui?

Não sei de nenhuma.

Ouça, estou conduzindo uma investigação que até agora me levou até você.

E você adote a atitude de não saber o que eu pretendo.

Está muito bem, eu não sei o que o senhor pretende.

Essa é a resposta que os criminosos sempre dão.

Ei, meça suas palavras!

O mundo está cheio de bebês inocentes que não sabem ...

de nada.

Este maldito resfriado!

- Inspetor Morgan, como está? - Você realmente quer saber?

Como se um cavalo tivesse acabado de me dar um coice.

- E o senhor, inspetor Westover - Ótimo.

Acaba de chegar do campo? Esse chapéu é bonito.

Ao que parece vamos trabalhar juntos.

Por que a chefia considera este caso especial?

Eu não sabia que o consideravam especial.

E colocam dois de seus melhores homens para trabalhar no mesmo caso?

É como usar um machado para afiar um lápis.

- Me mandaram aqui, e aqui estou. - Claro.

Eu acendi, senhor.

Você não mora aqui. E não quer dizer quem o convidou...

nem porque veio. Como é que se chama?

- Meu nome não lhe dirá muito. - Sua nacionalidade?

Por que me faz essas perguntas?

Inspetor Morgan.

O que você ouviu?

Era bom jazz?

Obrigado, desligue.

Eles ouviram a música, alta e não muito boa.

- Qual de vocês é o chefe? - Nenhum. Compartilhamos a autoridade.

Explique-me então por que ele me detem, eu tenho o direito de saber.

Sim, é verdade.

Ainda não sei o motivo da nossa visita.

Não se preocupe. Seus direitos serão respeitados.

- Sargento! - Senhor.

O que ele estava fazendo aqui?

Oh, obrigado, senhor.

Esperava uma pessoa.

Quem?

Um pouco de luz?

Ok, suponha que eu dissesse que eu vim ver uma senhora.

Você veio ver uma senhora vestido assim?

Vai entender, Inspetor, não é tão estranho. É que não tenho outra roupa.

Isto é dela?

Espanta-me, Inspetor.

Essa pergunta não é digna de um cavalheiro.

- Eu não sou um cavalheiro. - Eu sei, foi uma maneira de falar.

Bem, vamos ver o que descobrimos da inquilina.

Verifiquem o banheiro, armários e veja quem é o seu cabeleireiro

sua costureira, seu joalheiro. - Sim, Inspetor Morgan.

Quem quer que seja, virá e confirmará a sua história, por que está tão nervoso?

Você acha que alguém vai vir, com o exército em volta da casa?

- Sargento! - Senhor?

Retire os carros da frente da casa.

Mande dipersá-los para outro lugar.

Ah, e diga ao cabo para entrar, não quero ninguém visível.

Estamos sitiados, hein?

Você parece ter inteligência normal, deve compreender que se ...

realmente espera que uma mulher venha, é bobagem não me dizer seu nome.

Ah, uma mulher que gosta de violetas.

Eu as comprei.

O que importa não é o preço, são os detalhes, certo?

Têm o direito de me deter sem acusação?

- Isso é permitido? - Está na casa de outra pessoa.

Então me diga que sou acusado de invasão de domicílio...

ou o que lhe pareça.

Está bem, é acusado de ser pessoa suspeita na casa de outra pessoa.

Não deve acrescentar? "Tudo o que disser pode ser usado contra você."

Tudo o que disser será gravado e usado como prova. Assim está bem?

Certo. Agora continue.

- Que horas você chegou aqui? - Por volta das 5h25.

Cinco e vinte e cinco, a que horas foram chamados?

- Às cinco e meia. - Uhm, está atrasado.

- Mas virá. - Você tem certeza?

Completamente.

Você estava só quando o Sargento e o Cabo chegaram,

- Como entrou? - Andando.

A porta estava aberta, tinhamos concordado assim.

- Não estava trancada? - Não, nós marcamos telefone.

- Era a primeira vez. - Sim.

Não achou estranho encontrar a porta aberta e que ela não estivesse?

Eu pensei que ela tivesse saído um momento.

Bem já passa das 05:30, e ainda não chegou.

Mas o que há com o senhor?

Eu pensei que a polícia britânica fosse famosa por suas boas maneiras.

Como se chama a mulher que veio ver?

Sente-se um momento.

Vamos, sente-se.

Ou tem uma explicação lógica para sua presença aqui ...

ou estará em uma situação muito grave.

Qual o nome dela?

Como, uma situação grave?

Muito séria.

Seu nome é Jacqueline Cousteau.

- Com se pronuncia. - Ela não disse?

Não, ela não me disse.

- Onde está? - Aí fora.

Um momento. Você acha que Jacqueline Cousteau confirmará a sua versão?

Não é que eu acredite, eu sei.

Foi ela que o convidou a este apartamento?

- Sim, eu sei o que eu disse. - Você a conhece bem?

Qual é o seu nome?

Van Rooyer, Jan Van Rooyer.

- Como ganha a vida, Sr. Van Rooyer? - Sou pintor.

- Pintor? - Artista. Ouça, quero ver Jacqueline.

Pode entrar.

Jacqueline.

- Ela está morta? - Não sabia?

Sim, ela está morta.

Você é um canalha. Era necessário fazer isso?

Dê um copo de conhaque a ele.

- Obrigado. - Identificaram o corpo?

Sim, pelo conteúdo de sua bolsa e por um vizinho.

Sem dúvida, Jacqueline Cousteau.

- O inquilino do apartamento, certo? - Sim.

Bem, Van Rooyer, quando quiser.

Cale-se, por favor, cale-se. Me dê alguns minutos.

Doutor! Já sabe algo sobre a causa da morte?

Não se preocupe, doutor. Até o momento não lhe escondemos nada.

A morte foi causada por choque precedido por asfixia.

Ela certamente foi sufocada com um travesseiro ou cobertor.

Você deve ter notado que as manchas tardias não estão muito acentuadas,

O que significa que ... ... - Sim. O horário em que aconteceu?

Não está morta há muito tempo, a temperatura do corpo...

caiu apenas um pouco. Embora aguarde a autópsia...

eu diria que estava viva às cinco e meia da tarde.

E você chegou aqui às cinco e vinte e cinco.

Não é verdade, então eles não poderiam.

- Ah, não? Quem? - Quem matou Jacqueline.

Eu estava aqui às cinco e meia. O legista está errado,

- Seus cálculos ... eles estão errados. - Está morta há bem pouco tempo.

Posso ir agora, inspetor?

A autópsia será ainda esta noite.

Sim, obrigado, doutor.

Vejamos...

Não poderiam matá-la sem que você ouvisse, certo?

Nem poderiam arrastar o corpo até ali sem você perceber.

Não é isso?

Se importa de colher suas impressões digitais?

- Por que minhas impressões? - Porque está aqui há algum tempo ...

e terá tocado em muitas coisas.

Temos que conhecê-las para, pelo menos, eliminá-las.

Faça o favor.

A mão morta e os outros dedos dobrados, obrigado.

Você não vai encontrar minhas impressões digitais sobre seu corpo.

Impressões digitais não ficam marcadas na pele ou na roupa.

- Eu não sabia. - Ah, não?

Muitas pessoas sabem.

Por que desperdiçam o seu tempo comigo?

Por que não procuram quem realmente matou Jacqueline?

- Não pode estar muito longe. - Muito bem.

Pronto.

Van Rooyer ...

Você reconhece esse casaco?

Sim, é meu.

Eu o coloquei em cima do sofá quando cheguei.

- No sofá, hein? - Sim.

O corpo da garota estava no sofá.

Vai me dizer que você entrou e deixou o casaco no sofá ...

- sem ver o corpo? - Estava coberto por cortinas.

- Que cortinas? - Sim, havia umas cortinas,

pareciam preparadas para a lavanderia.

Bem, elas não estavam aqui quando encontramos o corpo.

O que você acha que eu fiz? Matei ela, deixei o corpo ...

no sofá e esperei por você para vir me pegar?

Você não sabia que estavamos vindo para cá, achava que tinha mais tempo.

Evidentemente não sabe que recebemos uma chamada a partir daqui alguns minutos ...

antes da hora que você diz que chegou.

Uma voz de mulher disse: Ligue-me com a polícia.

Uma mulher que falava com sotaque.

Francês, talvez.

E depois, silêncio.

Lembra-se de que o telefone estava fora do gancho quando eu cheguei?

Jacqueline Cousteau, sabendo que estava em perigo, fez uma...

chamada de emergência, mas temendo ser surpreendida por esse, digamos,

- desconhecido... - Sim, digamos estranho.

Para que essa pessoa não descobrisse que ela tinha chamado, deixou o telefone...

fora do gancho.

Porque faz barulho, ao voltar a colocá-lo no gancho. Ela temia que ouvisse esse leve ruído.

- Se fez isso. - Ele vai dizer que a pessoa desconhecida ouvira.

Alguém deve ter chegado antes de mim, sem dúvida.

Ouviu o médico dizer que a mataram na hora em que ...

- mais ou menos você chegou. - E você me ouviu dizer que ...

deve estar errado. A mataram, mataram ...

antes de eu chegar.

E deixaram a porta aberta porque estava aberta, certo?

- Sim, aberta. - Então,

a morta se levantou para abrir?

Ou o assassino deixou aberta para sair?

- Bem? - Não sei, não sei.

Só sei que eu estou dizendo a verdade.

Ei, eu tenho provas suficientes para prendê-lo como suspeito de homicídio.

Então por que não tenho nenhuma marca?

- Ela teria me arranhado ou algo assim. - Eu não sei, talvez ele a tenha embebedado...

- para que não pudesse se defender. - Jacqueline não bebeu.

E por que eu iria querer matá-la?

Vamos falar sobre esse ponto.

Eu quero conhecer ambos. Como você a conquistou?

- Ou ela deu o primeiro passo? - Ninguém conquistou ninguém.

Ela está morta. Por que não tenta respeitá-la?

Vamos lá, vamos lá, Van Rooyer, como vocês se conheceram?

- Na galeria de arte, onde eu trabalho. - Ouça, isso era uma mulher muito cara.

Por que você acha que se fixou em você? Como poderia uma mulher de sua classe ...

- pensar que você valeria a pena? - Eu sou contra a violência, Morgan.

Mas eu estou a ponto de abandonar os meus princípios.

Deixe de histórias.

Eu tenho minhas idéias de como tudo começou, devo dizer ou não?

Sim, eu vou dizer.

Foi há pouco mais de um mês atrás.

No meu local de trabalho, em Bond Street.

Ela tinha ido comprar uma pintura.

Eu gostaria de continuar vendo esse quadro.

Venha aqui à luz.

Obrigado.

Sim, é muito interessante. Qual é o preço?

É com o Sr. Desly.

Se não se importa, eu não terminei ainda.

Sim, é interessante. Traços definidos.

É bom, não é?

Eu sou apenas um trabalhador, eu não falo sobre pintura.

- Você não é o Inglês. - Não.

- O que você é? - Holandês.

Fiquei imaginando o que a Holanda exportaria além de tulipas.

Agora eu sei.

Eu lhe fiz uma pergunta. Que tal o quadro?

Que importância tem minha opinião?

- Não gosta? - Não muito.

- Por quê? - Pergunte ao Sr. Desly.

- Pergunto a você. - Eu não tenho permissão ...

De falar sobre pintura, eu sei.

Nem é permitido ser bem educado?

Está bem.

Me parece vazio, infantil.

Superficial.

Uma verdadeira estupidez.

Feito para agradar milhonárias frívolas, sem critério.

Bom para você, não para mim.

O quadro não é ruim.

Hoje lhe aconselho a não ir ao cabeleireiro e vá ver ...

as obras da Galeria Ted, sózinha, se me entende, não para ter uma boa aparência.

Ninguém perdeu o sono por essa porcaria.

Ah, sim, é decorativo, moderno, elegante.

Mas acima de tudo,

está vazio. E frio como gêlo.

Gêlo também queima.

É mesmo?

Isso que está descrevendo não é uma reunião, é uma colisão.

Isso é antigo, não é? Ou você não sabe?

Sim, do século XVII. Um esboço de um grande quadro,

de Van Dyke, certamente.

Fascinante!

E como é lógico, se encontraram novamente.

Sim.

Você viu alguma coisa?

Não.

Bem, me diga o que aconteceu depois disso. Quem deu o primeiro passo?

Não me considere um intrometido. Não estou interessado em sua vida amorosa.

Mas eu tenho que saber o que havia entre você e sua mulher.

No sábado seguinte eu fui por acaso a Galeria Ted.

- Por acaso? - Sim, por acaso.

Eu escutei e cancelinha hora no cabeleireiro.

Meu marido coleciona quadros, e, ocasionalmente, eu compro alguns.

Que sinceramente geralmente não valem a pena.

Fazia não sei quantos anos que não vinha aqui.

Você vem com frequência?

Não, na parte da manhã trabalho na galeria Desly.

E à tarde?

Estou ocupado.

Pintando? Acredita que não sabia?

Um trabalhador teria melhores maneiras.

Não é preciso ser detetive. É muito fácil.

Se um homem usa um boné, provavelmente é um contador.

Se ele se parece com um jogador de futebol, certamente é um pintor que vive em Chelsea.

Com uma centena de obras de arte sob a cama.

Eu moro em um quarto, há espaço apenas para uma cama.

- Muito menos para obras-primas. - Então, onde ...?

Alugo um estúdio por horas. Quando o proprietário vai dar aulas.

Os dias cinzentos quando não há luz, venho aqui.

Só? Eu achava que tinha namorada.

Uma jovem estudante de arte com rabo de cavalo, meias verdes,

E as unhas sujas.

- Está há muito tempo em Londres? - Seis meses.

Gosta?

A cidade é como um espelho.

É como você olha para ele. Se você está feliz, é maravilhosa.

Se você está sozinho ... não é mais maravilhosa.

O que pensa disso?

- Eu já vi isso antes. - Você está triste?

- Deveria? - Olhe bem de perto.

As cores parecem um coquetel.

- Olhe para isso de outra maneira. - Você acha que sou cega?

Algo assim.

Só nos fixamos no que estamos acostumados.

Vamos ver. Você viu meu rosto.

- Diga-me como é. - Não me toque!

Não quero ser tocado.

Tudo bem, vá em frente.

- Não tem importância. - Sim.

Dizia que, seu rosto ...

Como o pintaria? Qual a cor?

Cinzento, escuro ou azul?

E o meu cabelo?

- Isso é fácil: loiro. - Loiro!

Você quer dizer amarelo? Há centenas de amarelos.

Amarelo limão, amarelo palha ...

Você é um homem estranho.

Todos os seus amigos são como você?

Tão sérios e apaixonados?

Sou um estrangeiro neste país, e não tenho amigos.

Dois estrangeiros em um bom país.

Como você conheceu seu companheiro de estudio?

Respondendo a um anúncio no jornal.

Eu só o vi 2 ou 3 vezes. Geralmente não está quando eu chego.

Estou interessado na pintura.

Muitas inglesas pintam porque é chique.

É ridículo, claro.

Com o potencial que arte oferece.

Como comprar o que você gosta.

Ou um holandês.

Espere!

Espere!

Desculpe.

Realmente.

Queria dizer que ... bem, é verdade.

Deve ser maravilhoso pintar.

Era uma desculpa para passar o tempo.

Estava brincando porque eu estava com pressa.

Insegura.

Queria saber se me daria aulas.

Não sou professor.

Poderia usar um canto do seu estudo?

Não vou incomodar, ficarei quieta.

E talvez você possa corrigir algum erro meu.

Talvez me falte talento para... apreciá-lo.

Não? Bem. Eu pensei em pagar pela ajuda.

Serviria para pagar os materiais.

Não é?

Obrigado mesmo assim.

E depois então?

Se divertir? Paquerar?

Uma história para contarna hora do chá?

Ou esquecer a nostalgia de sua adorável Paris?

A pintura é esforço.

Acredita que você pode pintar?

Que sua cabeça quer?

Seus braços estão determinados?

Prove.

Estragar mãos tão bem cuidadas?

Indo de erro em erro ...

até amaldiçoar o dia em que nasceu?

Eu sei.

Você não pode saber. Eu vou ajudar você.

Aqui está o meu endereço.

Estou quase sempre depois das 14:00 h.

Exceto nos dias cinzentos?

Se o que quer é apenas se divertir,

é melhor procurar outro.

"Se você quer apenas se divertir, procure outro"?

O carteiro chegou.

Mande entrar.

Inspetor?

Não leu os jornais?

Ele teve que sair, por causa das manchetes.

Desculpe, dê isso para o meu motorista.

O que está acontecendo? Eu não sei o que houve.

Todo mundo foge.

Como se algo estivesse queimando.

Onde está a garota?

Há muito estava vendo ela.

Você a conhecia?

Bem...

Conversávamos muitas vezes. Era fácil conhecê-la.

Vamos dizer que seu caráter era mais aberto do que o habitual.

Pelo menos eu pensava assim.

Explique como era.

- Você é policial? - Não.

Era encantadora.

Me parecia a mulher mais encantadora que me lembro.

É claro que era um verdadeiro anjo.

Era tão agradável e simpática que parecia indefesa.

Pensando agora nisso creio que não lembro o nome dela.

Eu só posso descrevê-la como uma pessoa maravilhosa.

Me recebia...

como um ser querido. Além disso...

- Você quer fumar? - Obrigado.

Sou o Inspetor Morgan.

Já tinha me visto antes?

Não, nunca.

Conheceu algum dos seus namorados?

Eu teria gostado.

Se tivesse algum,

eu teria reconhecido.

O que você entende por namorados?

Imagine.

Venha, sente-se.

Quando começou a falar com a Srta. Cousteau?

Na véspera do Natal.

Ela esperava no corredor.

Entregou alguma carta para ela antes?

Não era necessário porque tinha uma caixa postal.

Mas eu a tinha visto ...

quando ia a agência do correio.

Era especial.

Seria um perigo para qualquer garota.

Creio que sempre batia à sua porta.

Ah, sabe...

somente se lhe trazia algo diferente.

- Sempre me esperava. - O esperava?

Bem esperava as cartas, do banco.

Você olhava as cartas dela?

Apenas uma vez que chegou uma multa do continente.

Sim,

.

Você disse que ela o esperava?

- Sim - Muitas vezes.

Sim, e me convidava, senhor.

A que horas a viu pela última vez?

Às 16:00, 16:30 h.

Convidava você para beber?

Ela bebia.

O que você chama de beber?

Bem, ela bebia o dela.

Quanto?

- Muito. - É mentira.

Jacqueline não bebia.

Antes você disse algo sobre fogo.

Sim, senhor.

A primeira vez que me convidou para beber...

foi na noite de Natal.

A lareira estava acesa.

Já sabe ...

O que ela estava usando?

Bem, vestia ...

Vestindo um par de roupas ...

muito pequenas e muito transparentes.

Nada mais?

O que você quer?

Eu sabia o tipo de garota que ela era.

Não havia nada entre nós.

Você diria que era uma garota fácil?

Fácil?

Não.

Suponho que sim.

Essas cartas do banco eram freqüentes?

- Uma por semana. - Lembra-se do banco?

Sim. Foi o House bank.

Westover!

Sim, Sr. Bryan.

Seria conveniente que viesse, senhor.

Sim.

Você disse que a Srta. morava há muito tempo aqui?

Tenho que responder?

Sim, por que não, estamos entre amigos.

Que eu saiba, há quatro meses. Desde o Natal, eu acho.

Tinha acabado de se instalar, tenho certeza.

Eu a via com meus próprios olhos desde o Natal.

Não insista, Van Rooyer, estava aqui hjá meses, eu ouvi.

A zeladora vai ratificar e os outros também.

Bem, muito obrigado. Ajudou muito.

Eu tentei.

Espero que peguem o assassino.

- E então, vai mudar a sua declaração? - Eu disse a verdade.

Eu não penso assim.

Sua recusa a dar seu nome teria sido natural ou pelo menos compreensível ...

se ela tivesse sido respeitável, mas não era.

- Não sabe o que diz! - Vamos, Van Rooyer, pare de mentir.

A história de seu caso com essa mulher é uma fantasia.

Olhe para este quarto.

Você descreveu uma senhora. Inteligente, culta, distinta.

Mas que mulher decorou este quarto?

- Eu não sei. - Bem, eu sei.

Uma mulher que muitas vezes acabam no necrotério.

- Ela foi uma vítima típica. - Você está errado, Morgan.

Não, eu não estou errado. Eu as conheço.

Eu sei muito bem como são.

Capaz de enlouquecer um homem até levá-lo ao crime.

O que com você, lhe dão prêmios por soluções rápidas?

Por que eu teria no quarto uma mulher como descreve?

Eu não sei. Para escapar, talvez.

- Eu digo que não era como você pensa. - Não, é claro.

Tudo era muito romântico e elevado.

Bem, continue me contando. Quando a viu novamente?

Depois do museu, ela começou a ir ao estúdio.

- Quantas vezes? - Uma vez por semana.

Eu nunca sabia o dia. Nem sempre era o mesmo.

Eu acho que era quando tinha tempo.

Entre.

Sim, sim, sim. Entre!

Entre!

Não há necessidade de gritar.

Sabe que a porta está sempre aberta. Por que não entra direto?

Porque não tenho o hábito de entrar sem bater.

Creio que conheço você o bastante para lhe contar um segredo.

As mulheres amam as pequenas atenções.

Como remover o casaco.

Obrigado.

Como está frio aqui!

Por que é tão frio?

- O que é isso? - Um ídolo sagrado do Nepal.

- E este? - Mexicano, o deus da fertilidade.

E este é o último Van Rooyer?

Pare de brincar e comece a trabalhar.

- O que eu faço hoje à tarde? - Desenhe.

- O mesmo? - O mesmo.

Outra vez não.

Charles, o decapitado. O nome não é muito apropriado.

Além disso não creio que algum rei tivesse ombros como esses.

Quando poderia pintar a óleo? Estou farta do bem aventurado Carlos.

Michelangelo continuava desenhando aos setenta anos.

Ouviu, Carlos?

Vamos passar juntos mais uma hora inteira.

Vê-se que um dos dois vai morrer de tédio.

E eu duvido que seja você.

O corpo humano é um continente,

Bem, pode-se passar a vida inteira explorando-o.

Oh, que bela maneira de dizer isso.

Obrigado.

Jan, em que parte da Holanda você nasceu?

Perto da fronteira com a Bélgica.

Que há lá? Moinhos de vento e tulipas?

Minas de carvão e silício.

E a sua família? Seu pai?

Meu pai era um mineiro, como meu avô.

E como um filho de mineiros dedicou-se à pintura?

- Quem descobriu que tinha talento? - O mestre da escola.

E quer saber? Ele estava certo.

E quer saber outra coisa? Você fala demais.

Chega de conversa e trabalhe.

Ouça, eu não aceito esse tom.

Eu não sei com que tipo de mulher você tem lidado, mas quando falar comigo seja educado.

Eu não sou uma garçonete de taverna.

Eu não grito com as garçonetes. Garçonetes trabalham e merecem respeito.

Se não quer trabalhar, vá embora. Ninguém lhe pediu para vir aqui.

Já disse isso.

É isso mesmo, eu disse isso.

Você saudades da Holanda?

Das minas, não. Mas de meus companheiros, sim.

Quando subimos para a superfície, bebemos cerveja e conversamos.

Nunca pinta mulheres?

O que e isso?

Um ombro?

Isso é um ombro para você?

Um ombro está vivo, de carne e osso.

Olhe, debaixo da pele existem ossos e nervos, quando se arranha, sangra.

E quando o beija, treme.

De volta ao trabalho, tente novamente.

Agora uma mulher vai posar para você.

Mas hoje não, meu amor.

É tarde e eu tenho que ir.

Uma casa me espera, não se esqueça. E um marido que tem um carinho...

pelo brandy e me bate quando está bêbado.

Sim, a violência não é patrimônio dos pobres.

Não sabe o que acontece nas casas da rua Regent?

Quando verei você novamente?

Virá uma vez por semana.

Se alguém me ver direi que vim para aprender a desenhar.

Fora isso ...

Bem, virei quando puder.

Venha como se fosse à costureira, quando você tem uma hora livre.

Ouça, vamos ser claros.

Eu tenho uma certa posição,

e não vou jogá-la fora. Se você me ama, vai ter que aceitar isso.

Nos veremos onde e quando puder.

Quando?

Quando puder.

Onde?

Existem muitos lugares.

Por favor. Por favor!

Você está amassando meu casaco.

Estive esperando por você há cinco dias.

Vou a um desses cocktails horríveis.

Deveria estar na embaixada francesa a uma hora atrás.

A grande dama se digna a vir!

Renuncia generosamente a um minuto do seu tempo para ...

dar aos pobres. Você é muito gentil.

Não é preciso ficar com raiva.

Alguma vez você jse entregou de verdade?

Você sabe, pelo menos, o que é se abandonar?

Francamente, eu não o entendo.

Os ricos sempre me impressionaram, mesquinhos que são.

Para mim, os pobres sempre me impressionaram, vulgares que são.

Embora eu não possa negá-lo, isso lhes dá um certo encanto misterioso.

É bom.

Não é bom, é uma porcaria.

Não diz nada, absolutamente nada.

Está vazio.

O que há de errado comigo? Eu não consigo!

Uma vez pintei uma velha, feia, repulsiva, e enrrugada.

Estava marcada pela vida.

O resultado foi bom, ótimo, eu gostei. Mas isto...

Talvez seja que eu não sou bonita, não é?

O que acha que aconteceria se você se entregar,

realmente se abandonar?

Você poderia amassar o vestido, estragar sua maquiagem,

descompor o penteado.

Vamos

Vamos!

E então?

- Isso é tudo? - Sim.

E essa foi a última vez que a viu?

Não tem nada a acrescentar?

Nada?

Pois eu tenho algo.

Isto estava...

nessa caixa de marfim. Com outras cartas.

Cara Jacqueline, se não vamos nos encontrar novamente por causa do que aconteceu, me diga.

Vou sofrer, mas continuarei vivendo.

Não posso continuar assim, além do mais, eu não quero.

Nada vale o que eu sofri nesses 10 dias, nem mesmo você.

Eu não tenho sido capaz de trabalhar e estou deprimido.

Se eu não tiver notícias suas em 10 dias, você nunca mais vai me ver.

Se quiser entrar em contato comigo não se preocupe em escrever ou telefonar,

desta vez você vai ter que vir inteira para mim.

Coração, olhos, sonhos, amor, medo, e nunca me deixar.

Jan

Estou enganado se acho que você escreveu esta carta?

Eu a escrevi.

Você sabe quantas cartas como essa encontramos nestes casos de assassinato?

Talvez não tão bem escritas, mas com a mesma ideia.

Então, você quer explicar o seu conteúdo?

Nem tudo foi bom, houve também momentos ruins.

Claro.

Eu vou dizer uma coisa que você pode usar contra mim.

Eu disse que vou usar qualquer prova.

Mas eu acho que é um homem honrado.

Se quer dizer que eu pretendo encontrar o assassino, na verdade.

Isso é o que eu quis dizer.

Não vá. Por favor, não vá.

É isso que você chama de amor?

Meia hora roubada com um despertador!

Eu quero estar com você de manhã. Eu quero ver como acorda.

Ver como você lava a cabeça.

Eu quero ver ...

Como está ao anoitecer.

Depois de ter passado a noite.

Sim, você vai ver. Eu prometo.

Nós estaremos juntos. Eu prometo.

Quando?

Eu não sei quando.

Mas eu vou arrumar uma forma, eu prometo.

Eu não posso ligar para você, nem mesmo escrever.

Isso ajudaria? Eu vou entrar em acordo com o correio.

E eu vou dizer para onde você pode enviar cartas.

Isso tornaria a espera muito mais fácil.

Tudo bem, Jan. Vou procurar não demorar.

Quer me dar alguma coisa?

- Dê-me tempo. - Dê-me você.

Jacqueline.

Sim, Jan?

O que isto significa?

Muito para você, nada para mim.

Eu esqueci que você trabalhou em uma mina.

Uma mulher pode lhe dar tudo, menos dinheiro.

Pegue-o.

Pegue! Leve-o!

- Isso é tudo? - Sim.

E por que acha que posso usar isso contra você?

Não é o chefe?

Agora volto.

Então, Morgan?

Honestamente, eu não entendo, Sir Bryan.

Vamos ver, se pergunta por que eu vim,

e se diz que Westover me ligou. Está furioso com Westover...

e também comigo porque ele acha que deve ser

algo importante para eu vir pessoalmente.

Ele imagina por que acham que você sózinho não pode cuidar de uma questão importante.

Com seu discurso me poupou 10 minutos, Sir Bryan.

Sim, e eu vou economizar mais tempo, Morgan.

As cartas que Jacqueline Cousteau recebia semanalmente eram recibos...

de depóstios feitos a seu favor por Sir Howard Fenton.

Sir Howard Fenton?

Oh, lhe impressiona o nome. Sim, é um homem extraordinário.

- Amigo seu, senhor? - Nos conhecemos.

É um bom amigo.

Não sei como nós vamos fazer para manter o seu nome, especialmente ...

se mantiver essa mulher.

Sir Howard está há uma semana na Alemanha, comemorando...

negociações importantes, que por sinal ainda continuam.

- Volta amanhã de madrugada. - Você já foi informado?

Não se preocupe, você vai ser informado no devido tempo.

Morgan ...

ele não pode estar relacionado com a morte dessa mulher.

Para destruir uma carreira brilhante, afundar um oficial do estado,

e arruinar delicadas negociações, só precisa de uma palavra para a imprensa.

Em relação a este homem, em que ponto estamos?

De acordo com o relatório do legista, a causa da morte poderia ser o choque.

Agora, se pudéssemos fazer a menor acusação

talvez homicídio culposo e não crime.

Talvez o homem confessasse e o caso

estaria resolvido imediatamente. Com o mínimo de publicidade e proteção máxima

para Sir Howard.

É possível que não quisesse matá-la.

Um homem está sobre um abismo e outro atira nele.

Evita o tiro, mas mergulha e morre.

Eu ainda chamo isso de assassínio e a lei também.

- E nós não? - Certamente.

Mas devemos informá-lo sobre o que está em jogo,

as outras considerações.

Sou muito grato.

Veja, Morgan, a decisão está em suas mãos.

Mantenha-me informado.

Muito bem, Senhor.

Era necessário passar por cima de mim e ir direto ao topo?

Por que não me disse que Howard Fenton estava envolvido?

Estou aqui para ajudar, Morgan, o que posso fazer?

Ou é também um colega de escola.

São imperativos da investigação.

Morgan não é confiável, é necessário falar com o Sr. Bryan.

Além de proteger os seus amigos, têm feito outra outra?

Já tentou pesquisar a vida da mulher que foi assassinada?

Pegue-o!

O velho espírito de equipe.

Sim, se passa um pouco de frio, mas também não faz mal.

Não entendo como a juventude de hoje não se inscreve.

A publicidade é equivocada. Toda essa conversa sobre salários e pensões.

Se eu fizesse a publicidade falaria mais de aventuras.

Em qual seção seria incluída os passatempos?

Como? Vejo que você tem senso de humor.

Não, eu acho que ...

Por que não escreveju aqui? Por que pelo correio?

Talvez ...

- por causa de seu marido. - Ah, eu não disse a ele ainda.

- É isso. - Não era casada.

Westover foi à prefeitura e não há nenhum registro de casamento.

Jacqueline mentiu e, como você disse, por que teve que mentir?

Eu não sei

A não ser que a história seja uma mentira, e eu acho que é mentira,

Pura fantasia de uma criança. Misterioso, distinto ...

Eu não sou uma criança e não é mentira.

Ei, Van Rooyer, eu tenho pensado muito, não me custaria nada..

colocá-lo na cadeia pelo resto da vida.

- Existem provas suficientes, sabe? - Se as tivesse, faria isso.

Ouça-me com atenção.

Suponha que você coloque um travesseiro na cara para que...

- não gritasse e sufocou. - Não coloquei um travesseiro no rosto dela.

Suponhamos que fez isso, eu estaria disposto a testemunhar que foi

- um homicídio involuntário. - E deixar livre o verdadeiro assassino?

Sargento!

Você vai me acompanhar até a delegacia.

Por que a delegacia de polícia?

Porque até agora eu lhe dei a chance de contar a sua história.

Já me contou e não acredito nela.

Não quer admitir homicídio culposo, por isso vamos fazer da maneira mais difícil,

Eu vou reunir todas as provas e garanto a você que podem condená-lo.

Sairemos discretamente.

Sargento, a mulher que mora em frente, a senhora Fairy, não deixe que ...

ela olhe na janela.

Mande alguém trazers um carro imediatamente.

Por que tudo isso?

Ela disse que lhe viu ele entrando aqui esta tarde.

- Bem, e daí? - Disse que lhe viu entrar aqui antes.

Isso é impossível, é a primeira vez que venho aqui.

Eu quero falar com ela.

Não, ela terá que identificá-lo entre vários homens.

Para sua própria proteção.

- Quando quiser, Senhor. - Vamos.

Levem isso à delegacia de polícia o mais rápido possível.

Muito bem, Senhor.

Temos que nos apressar.

O assistente-chefe está no escritório, senhor. Ele quer vê-lo..

quando eu um momento.

Bem, obrigado.

Entre e sente-se.

- Alguma novidade? - Do Sargento Farrow, Senhor.

Está bem.

- Quer um pouco? - Não.

Suas impressões digitais estão em toda parte.

É que eu estive especulando...

enquanto esperava.

- Até o banheiro? - Sim.

E se pesou na balança?

Adiante

Coloque lá, por favor.

- Então se pesou. - Sim.

- E ele lavou as mãos? - Sim.

- Estavam sujas? - Não, não. Eu queria saber ...

sentir o cheiro do sabonete.

Bem, Van Rooyer, bolsos vazios. Retire tudo.

O que houve?

Está me tratando como um criminoso.

É que nós acreditamos que seja

Então me diga o que você acha que eu fiz.

Eu posso fazer com que o indiciem de cima abaixo.

Está bem.

Farrow tire as impressões digitais.

Eu encontrei em uma mesa no hall.

- Quanto tem? - Eu não sei.

Aposta que são quinhentos?

Eu ganhei.

Por que achou que era quinhentos?

Uma bonita cifra para saldar uma dívida, certo?

Por que tinham que me pagar?

E por que não?

Se não lhe pagavam, o fazia ali?

Eu tento pensar,

mas não posso explicar isso.

Bem, é simples.

Um bilhete de ida para Amsterdam e £500.

Já tentou dar-lhe dinheiro antes.

Por isso pensou que poderia ser um teste.

E assim é.

Cabo!

Encarregue-se de tudo isso e ...

assegure-se que não tente nada.

Você quer que lhe peça algo para comer, senhor?

Não, obrigado, não estou com fome.

Depois disso, Van Rooyer começou a insistir veementemente

no que para Jacqueline Cousteau havia sido uma simples aventura amorosa,

agora punha em risco seu rentável arranjo com sir Howard.

Ela tentou comprar Van Rooyer, brigaram e...

Bem, você sabe o resto, ela deve ter gritado e ele perdeu o controle.

Não.

Não!

Jacqueline Cousteau não lhe deu o dinheiro, essa mulher não era desse tipo.

- Você parece muito bem preparado. - Meu pai era um simples trabalhador.

Com uma infância como a minha, se conhece muito bem as pessoas.

É uma questão de olfato, e intuição.

E aonde isso nos leva?

Gostaria de falar com Sir Howard.

Você acha que o dinheiro veio dele?

Sim, é possível.

Você está dizendo que Sir Howard é capaz de planejar um crime a sangue frio?

Não, isso é impossível, totalmente impossível.

Devo dizer-lhe por que tenho certeza?

Questão de olfato.

Então devemos seguir a pista do dinheiro.

Está bem. Vamos investigar.

- Cigarro? - Não, obrigado.

Um tempo atrás eu estava pensando em você.

É inteligente, muito inteligente. Do melhor que temos.

Quanta bondade, Sir Bryan.

Sim. Homens como você ou chegam ao topo ou nunca fazem nada.

Mas para chegar ao topo, é preciso mais do que apenas...

mentalidade de funcionário.

É preciso compreender o profundo significado da diplomacia.

Westover!

Não há nenhuma maneira de eu curar este maldito resfriado.

Nada como um ponche de rum e uma aspirina.

Obrigado. Pelo conselho médico, Sir Bryan.

- Você quer cuidar disso, John? - Sim.

- Eu espero vê-lo neste fim de semana. - Sim.

Saia.

Independentemente da forma que se olhe, tudo aponta para você.

Bem, eu sou inocente.

Se ao menos tivesse descoberto alguma coisa, algum detalhe revelador, mas nada.

Absolutamente nada.

Ouça,

vou deixar as coisas bem claras.

Você estava no apartamento quando ocorreu o assassinato ...

Sua história não se encaixa. É absurda.

Por que você insiste em me atacar? O que há com você?

Você não pode provar onde estava na meia hora anterior,

Seu único álibi é uma velha florista de Envirement.

- Você tem pressa para me pendurar? - Eu nunca tinha o visto!

Deve haver algo, tem que haver algo.

E a quem disse que comprou algumas violetas.

O carteiro ...

Comprou algumas violetas para que mais tarde não se surpreendesse que

a florista não se lembrasse dele.

De acordo com o carteiro toda semana recebia uma carta do banco,

cheques, talvez de algum homem. Quem?

Ela marcou outro encontro e você foi ao apartamento.

Quem? Quem?!

Você estava louco por ela, a carta comprova isso.

Quem lhe enviava esses cheques toda semana, quem?

Ela se recusou a fugir com você e você ficou furioso.

Morgan ...

o que você está escondendo?

Quem é? Quem? Quem?

Ela começou a gritar e tentou cobrir sua boca.

- Você deve saber. - Você a matou.

Quem é ?!

Você não me respondeu, Morgan.

Por que a levou comigo?

Eu me encarrego, Van Rooyer.

Eu compreendo que um pintor sem um tostão enlouqueça por uma mulher...

tão elegante e fascinante.

Só que essa parte não era verdade, era uma atriz, uma falsa ...

que sabia como provocar.

Morgan, ainda não me respondeu.

Venha comigo.

- O avião de Dusseldorf? - É esse que está pousando.

Por favor, Sr. Howard, um momento.

Bem, vamos.

Jacqueline!

Jacqueline, é Jacqueline!

Jacqueline!

Ela não está morta. Jacqueline!

- Vai diretamente para o escritório? - Sim.

Nos vemos na hora do almoço.

- Ah, bom dia, senhores. - Sr. Howard, como foi a conferência?

- Jacqueline! - O que disse?

Lady Fenton, sou o inspetor Morgan.

Se me permite, gostaria de lhe fazer uma pergunta.

- A senhora conhece este homem? - Deveria?

Jacqueline, pelo amor de Deus.

Lady Fenton, poderia olhar para ele de novo, por favor?

Ele diz que a conhece como Jacqueline Cousteau.

- É falso? - Não que seja falso. É um absurdo.

- Não pode identificá-lo? - Receio que não.

Nunca havia visto esse homem na minha vida.

Jacqueline é muito importante, por favor.

- Tem certeza que não conhece este homem? - Absoluta.

Jacqueline, diga!

Eu estava lhe esperando no apartamento, a polícia encontrou um cadáver...

E agora suspeitam de mim. Eu sei que é difícil para você,

e eu sinto muito, mas você tem que dizer.

Diga a ele que você me conhece, diga que nos encontrávamos lá.

- Está louco. - Isso não é verdade?

Claro que nao!

A bagagem já está no carro, quando você quiser, Milady.

- Acabou? - Sim, obrigado.

Vamos.

- Você a reconhece? - Não.

Mas é Jacqueline Cousteau, e você identificou seu corpo.

Eu não olhei para o rosto.

- Só vi o tornozelo. - Isso não é possível.

Mas não se lembra? Eu não olhei para o rosto dela.

Morgan ...

não poderia suportar vê-la morta.

Eu fiquei doente, você não se lembra?

Ouça, Morgan,

Eu juro.

essa mulher do aeroporto, Lady Fenton ou o nome que tenha,

- era a minha Jacqueline Cousteau. - E por que usaria um nome falso?

Ele tinha uma família, uma posição, um marido famoso para proteger.

Sim, e por que Jacqueline Cousteau?

Eu não sei. Acaso, coincidência, eu não sei.

Por que abordar uma mulher estranha?

O que eu poderia conseguir com isso? Digo-lhe que eu conheço essa mulher.

Aquele cabelo, aquele rosto, aquelas mãos pequenas.

As roupas que usava. Morgan...

Eu a tive em meus braços, eu a beijei.

Está bem, vamos. Lav-se e penteie um pouco seu cabelo.

Agradeço por ter vindo.

Por favor, sente-se.

- Se importa? - Não.

Eu tenho que fazer algumas perguntas, Lady Fenton.

Vou fazê-las oficialmente porque devem ser colocadas por escrito.

Entendo.

Lady Helen Fenton e marido, Sir Howard Fenton, correto?

Sim.

Uma mulher chamada Jacqueline Cousteau

foi encontrada morta em um apartamento de Clay Mews.

- Conhecia essa mulher? - Não.

Tem certeza?

Sim.

Espere.

A viu alguma vez.

Ela cantava em um cabaré em Montmartre. Sim.

- A conhecia? - Não.

Quantas vezes a viu nesse cabaré?

Eu não sei, duas ou três vezes.

- Estava sozinha? - Sozinha?

Não, meu marido sempre me acompanhava.

Ela cantava canções folclóricas, meu marido gosta de canções folclóricas.

Por quê?

Pura formalidade, Lady Fenton.

Van Rooyer!

Lady Fenton, tinha visto esse homem antes?

Eu sei o que eu disse. Não o tinha visto na minha vida.

Ele estava no andar de Jacqueline Cousteau, quando ela morreu.

Quando lhe disse para explicar sua presença, ele disse que tinha marcado um encontro...

com uma mulher. A senhora.

- Isso é falso? - Totalmente falso.

- Jacqueline, por favor! - Cale-se!

Disse que a conhece há vários meses e tem estado com

a senhora em vários lugares de Londres como a Ted Gallery,

num estédio em Chelsea, etc.

- Também é falso? - Completamente.

E também que uma vez disse a ele que seu marido

é um alcoólatra crônico?

Inspetor, meu marido é uma figura pública, e seus costumes

são bem conhecidos, e não incluem o consumo excessivo de álcool.

Lady Fenton, perdoe a minha franqueza,

mas não seia possível que negue conhecer esse homem, porque

se admitir isso, seu marido

poderia descobrir?

De modo algum.

Nunca usou o nome Jacqueline Cousteau?

Jamais.

- A senhora tem certeza? - Sim.

Van Rooyer, levante-se.

Jan Van Rooyer, eu, inspetor Morgan do departamento de...

Investigação criminal, designado a esta repartição,

Pode vir, inspetor?

Desculpe, Lady Fenton.

Por quê? Por que está fazendo isso?

Ele nos deixou sozinhos.

Você sabe por quê, Jacqueline?

O Inspetor Morgan não tem certeza.

Não sabe em quem acreditar, e está nos observando.

Tenha cuidado, não revele nada.

Nenhum sentimento.

É claro que isso não preocupa você.

Você passou toda a sua vida fingindo,

escondendo seus sentimentos.

Por que está fazendo isso comigo, Jacqueline?

Olhe para mim.

Por que não se atreve a olhar para mim?

Pelo que Morgan possa pensar?

Olhe para mim!

Como você vai esconder

que a tive em meus braços?

Eu beijei você, aqui

e aqui.

- E aqui! - Não me toque.

Eu tenho que suportar isso?

Lady Fenton

durante o interrogatório Van Rooyer descreveu

o que estava vestindo.

Todo mundo tem um traje preto.

Ele descreveu em detalhes.

Esqueceu que eu estou acostumado a me fixar nas cores

e nos trajes.

Sim, lembro-me de suas fantasias!

Um era estampado, um casaco de Chantu com botões muito difíceis

de abrir.

Se ele planejou isso, suponho que me espionou.

Qualquer um poderia descrever as minhas roupas.

Poderia descrever também o que usa por baixo?

Você poderia?

Não conheço esse homem.

Eu não tenho nada a ver com ele.

Não tenha tanta certeza, Lady Fenton.

A vítima era amante de seu marido.

Isso é mentira.

Sabia disso, Lady Fenton?

Eu sabia que meu marido tinha um caso. Claro.

Que mulher não saberia? Isso acontece nas melhores famílias.

Mas eu não sabia que era aquela garota.

Bem Inspetor, o que pretende insinuar?

O que eu matei essa garota porque era um capricho do meu marido?

Um capricho? Não, era algo mais. Muito mais.

Olhe para estas coisas! Não se compram em uma loja. É a coleção

de toda uma vida. Olhe este quadro!

Esta não é como dar um perfume. É dado a alguém que se ama ...

acima de toda a auto-estima e carreira.

Seu marido iria abandoná-la.

Abandoná-la. E você, você não poderia aceitar isso.

Só havia uma solução, uma solução violenta.

- Matá-la. - Van Rooyer!

Suponha que...

suponhamos que fosse isso e que Sir Howard estava indo embora

com Jacqueline Cousteau.

Mas nesse caso a Cousteau iria deixá-lo.

Talvez tenha sido você que não pudesse consentir nisso, e fosse você..

quem recorreu à violência. E também tenha preferido vê-la morta.

Mas eu lhe disse que nunca o tinha visto na minha vida.

Pelo contrário, disse que via Jacqueline Cousteau com freqüência.

Também disse que ninguém os tinha visto juntos, então...

como você vai provar que não era Jacqueline Coustea

com quem se encontrava?

Posso ir, inspetor?

Por que você não veio comigo? Eu teria feito você feliz.

O que você temia? A diferença de idade?

É disso que você estava com medo? Para mim, você é muito jovem.

Eu teria dado qualquer coisa que não teve em sua juventude.

Você me amava, eu sei.

Como nunca antes havia amado.

Sabe que é verdade, você sabe.

Eu não deixaria você nunca.

Porque eu amava.

Jan...

Então conhecia você.

Eu o conhecia.

Lady Fenton...

o que desde o começo me negava acreditar.

Lady Fenton, e eu que acreditava haver perdido minha credibilidade,

eu, o detetive inspetor David Evan Morgan,

mas é claro, era com isso que contava, não é?

Que ninguém poderia acreditar que Lady Fenton pudesse estar...

relacionada com este caso sórdido.

Com o que ele não contou foi que eu tivesse a idéia estúpida ...

de que seu marido teria contratado Van Rooyer para assassiná-la.

Se não fosse por isso, não teria ido para o aeroporto.

Isso quer dizer que vai me prender por conexão com o caso, inspetor?

Isso é exatamente o que significa.

Eu tenho que fazer-lhe uma pergunta Lady Fenton, onde esteve ontem?

Vamos ter de checar as respostas. E depois há esse empregado do correio..

com quem chegou a um acordo. Ele não conheceu a vítima,

mas vai se lembrar de você.

É o tipo de mulher que um homem se lembra.

Tenha certeza de uma coisa, Lady Fenton.

Se cometeu esse crime...

vamos provar.

Apelo ao meu direito de ligar para o meu advogado.

Sim ...

Vai precisar de um advogado.

Sargento!

Sim,

Mas o que eu não planejei...

foi me apaixonar por você.

Eu não queria me apaixonar. Eu não queria!

Maldito!

Droga!

Pt-Br: J. Sampaio-Santos

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