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Quando uma doce menina extrair uma ora��o
dos l�bios do pecado,
quando um menino der de presente l�grimas
e brotar a amendoeira est�ril,
quando surgir do calado campan�rio
o tangido fantasmagl�rico do pecador,
a casa ficar� tranq�ila
e chegar� paz � Canterville.
O FANTASMA DE CANTERVILLE
Suponho que j� teriam voltado para as aulas
depois das f�rias.
E eu aqui presa, em uma nada bela Inglaterra,
com minha m�e e meus irm�os,
a caminho de algum lugar que ningu�m conhece.
Meu pai veio primeiro assumir uma vaga na universidade.
Mam�e diz que lhe deram
uma excelente vaga.
Das que emocionam os f�sicos.
Mas n�o entendo por que temos que vir todos.
- Ginny, n�o fique t�o triste.
Quando se vive em outro pa�s
pode aprender muitas coisas novas.
Se n�o morrer de aborrecimento primeiro.
Pr�xima esta��o, Canterville.
Canterville, pr�xima parada.
Washington, acorda!
J� chegamos!
A� est� papai!
Papai!
Ol�!
Papai, papai!
Hey, meninos, aqui!
Bem-vindos a Inglaterra.
Perd�o pelo clima t�o louco,
as quatro esta��es em um mesmo dia.
Ol�!
Meninos, que tal a viagem?
O avi�o se movia muito, e
Washington vomitou em uma dessas bolsinhas.
Adam, economize os detalhes.
E Londres?
Fomos ao museu de cera.
Na parte de horrores est� Jack o Estripador e tudo.
Vimos Hamlet no West End.
Olhe, apresento o Sr. Umney.
Ele e sua esposa v�o nos atender.
Minha fam�lia: Minha esposa Lucille,
minha filha, Virginia.
E estes s�o meus filhos, Washington e Adam.
Ol�, tudo bem?
Ajudem com as malas, meninos.
Temos serventes?
Nem imagina, vamos.
Ginny, vai se encantar aqui.
Morro de vontade...
Uau! Para n�s? Uau!
Aha.
Vamos, meninos, subam atr�s.
Uh, t�m que ser os novos.
Bom dia.
Bom dia.
� um castelo!
Um aut�ntico castelo!
Que maravilha!
Uau! Meu amor!
Bem-vindos a Canterville Hall,
que ser� nosso lar nos pr�ximos quatro meses.
O que lhe parece, Ginny?
Velho.
Apresento-lhes a Sra. Unmey.
Bem-vindos a Canterville Hall, senhor, senhora.
Ol�.
Vou levar as malas.
E a senhorita, seja bem-vinda.
- "Senhorita"? - Ginny � uma "senhorita"?
E n�s?
Voc�s s�o os jovens amos.
- Amos?
Somos amos!
Meninos!
Uau!
- Uau. Incr�vel. - De luxo!
Tudo bem, n�?
Meninos, j�.
- Uau! - Me d� minha boina!
Meninos, calma!
Quando estiverem acomodados,
serviremos o jantar cedo.
Estes s�o os amos de Canterville Hall.
Esse � Lorde Henry,
Vir� amanh� para assinarmos o contrato.
- Olhe!
Hiram, n�o podemos pagar isto.
E os serventes?
� barato.
As fam�lias aristocr�ticas est�o em apuros
e t�m que alugar estes lugares.
E al�m disso existem as hist�rias.
Hist�rias?
Que hist�rias?
N�o, nada.
Ol�.
O que foi isso?
N�o liguem.
� o vento.
Nestes lugares antigos h� muito ru�do.
Vamos!
Excelente jantar, Sr. Umney.
Muito obrigado.
A voc�, senhor.
Direi � Sra. Umney.
Ginny, quase n�o comeu.
Faz muito frio.
Quando o constru�ram n�o existia a calefa��o,
verdade, Sr. Umney?
Exato, senhor.
- Arghhh.
Vou ver o que est�o fazendo.
Est�o bem. Brincando.
Vai � cama t�o cedo, Ginny?
Sim. Ver se me esquento.
Boa noite, filha.
Boa noite.
Precisa de tempo.
Suponho que sim.
Que est�pida brincadeira, poderia ter quebrado o pesco�o.
Esses dois s�o uns muito peraltas.
N�o t�m disciplina.
N�o se preocupe, n�o durar�o uma noite.
Sim. O tipo come�ou a gemer assim que chegaram.
Quer que algu�m fa�a conta.
Quanto tempo faz dos McKendrik?
Quase dois anos.
Dizem que a pobre mulher ainda est� internada.
Que melhore, o desejo.
O que foi isso?
T�m que ser os Umny fechando tudo.
Sa�de.
Shhh. Escuta.
O que �?
Talvez um fantasma.
Voc�s v�o ver.
A� vai isto!
Que tal passaram sua primeira noite?
Tudo bem meninos?
N�o o ouviram?
Voc�s tamb�m o ouviram?
Esteve pegando na porta.
Pensei que eram voc�s.
Havia ru�dos no corredor,
mas deve ter sido os Umney fechando,
n�o foi, Sr. Umney?
Fechando?
Ah, sim, � prov�vel, senhor.
V�em? N�o se preocupem.
Meninos, que tal se explorarmos o lugar.
Vou lhes mostrar tudo.
- Sim!
Hey, � tudo novidade, ok.
Acostumar�.
Espero que sim.
A biblioteca � meu lugar favorito.
Olhe quantos livros!
Uau, olhe isto!
Com cuidado.
Que sala maravilhosa.
Olhem, neste livro tem toda a hist�ria dos Canterville.
Uau!
Veja, algu�m derramou algo aqui.
Parece sangue.
Por favor!
- Que horror! - Que nojo!
Preciso limpar.
Filho, pode pegar na minha bolsa mi...?
J� sei, o milagroso.
Obrigado.
Lucy, n�o tem que limpar.
Para isso pagamos � Sra. Umney.
Voc� me conhece.
- Umney.
Bom dia, senhor.
Ainda est�o aqui?
Sim, senhor.
Lorde Canterville, os dois meninos me v�o enlouquecer, eu juro.
Sra. Umney, ter� que ser indulgente, como est�o as coisas?
Algum problema?
S� ru�dos, senhor.
Bom, pelo menos duraram uma noite.
Desculpe, senhor, o Lorde Canterville.
A mancha sumiu. Deus!
A mancha, Sra Otis, era o sangue de Lady Eleanor de Canterville,
que morreu a� mesmo em 1584.
Foi um mist�rio durante quatrocentos anos.
E at� agora ningu�m conseguiu limp�-la.
N�o sabia que era t�o especial.
Sra. Umney, est� bem?
Acho que sim.
Sra. Umney, sinto muito.
� um mau press�gio.
Sra. Umney, n�s n�o acreditamos nessas coisas.
Pois ver�o.
Vi coisas com meus pr�prios olhos.
Vi ocorrer coisas nesta casa.
Que o c�u os proteja.
Este � Henry, Lorde Canterville.
Lorde Canterville, minha fam�lia.
Minha esposa, Lucille.
- Muito prazer. - Muito prazer.
Minha filha, Virginia.
Virginia, muito prazer.
E estes dois marotos s�o meus filhos,
Washington e Adam.
Prazer conhec�-lo.
- Como morreu? - A sra, Eleanor. Mataram-na?
Ningu�m sabe.
Seu marido, meu pobre antepassado,
Simon de Canterville, desapareceu misteriosamente
depois de sua morte.
Nunca se encontrou seu corpo.
Uau!
Mas seu esp�rito ronda pela casa.
Sim, foi um fantasma!
Assombroso!
Chega meninos. V�o brincar.
- N�o queremos sair.
Despe�am-se de Lorde Canterville.
Adeus, meninos.
Adeus.
Lorde Canterville, perdoe, mas as leis da f�sica
n�o se podem romper, nem sequer se for aristocrata.
Podem acreditar no que quiserem, Sr. Otis.
S� recordem que os adverti.
O contrato.
Obrigado.
Hiram, antes de assinar, n�o acha que devemos...
Nos damos por advertidos.
Lorde Canterville, nos agrada alugar a casa,
com fantasma e tudo, at� junho.
Obrigado.
Obrigado, Sr. Otis e Sra. Otis.
E Virginia, � obvio.
Ginny, se despe�a de Lorde Canterville.
Adeus.
Adeus.
Os convidarei para jantar uma noite dessas.
Adeus.
Ser� um prazer.
Muito obrigado.
Ah, encontrou a profecia.
� uma profecia?
Do qu�?
N�o sei com certeza.
� sobre o fantasma?
Eu n�o me meto nisso.
N�o tanto como a Sra. Umney.
Parece que a tempestade vai durar a noite toda.
Ele vir� de novo?
J� lhes disse que n�o existem fantasmas.
Mas Lorde Canterville disse...
O universo opera com certos princ�pios imut�veis.
Admito que ainda n�o os compreendemos todos,
e �s vezes o que n�o entendemos
chamamo-lhe "sobrenatural".
Mas para tudo tem uma explica��o natural.
At� ent�o, meninos, confiem na ci�ncia,
n�o nas supersti��es.
Mas todos o ouvimos.
Sei que alguns disseram que ouvimos algo, Ginny.
Tamb�m sei que faria alguns muito felizes
se tiv�ssemos que voltar para casa.
Mas isso n�o vai ocorrer, ok?
Assim, acabe de jantar e deixe de assustar seus irm�os.
Os fantasmas n�o existem.
Ol�, amigos. Necessito ajuda.
Estou presa neste castelo velho que meu papai alugou.
N�o h� nada a fazer,
e n�o h� ningu�m por aqui
mais que dois velhinhos que contratou meu papai
para encarregar-se de tudo.
Al�m disso acredito que est� enfeiti�ado.
A princ�pio pensei que eram meus est�pidos irm�os,
mas agora acredito que h� algo.
Claro que meu pai, o brilhante f�sico,
nega-se a acreditar que pode ser um fantasma,
e me joga a culpa, como sempre.
Washington, Adam,
j� os avisei.
Alto a�, senhor fantasma!
Deixe-os em paz, abusivo!
O que est� acontecendo?
O que est�o fazendo?
� ele.
Quem? Onde?
A� est�!
N�o tem ningu�m aqui.
Voc�s est�o bem?
Estamos bem, Sra. Unmey. � uma brincadeira.
N�o estou t�o segura.
N�o nos metemos, Sra. Umney.
Vamos, querida, para a cama.
Ginny, quero que deixe de assustar a seus irm�ozinhos.
Boa brincadeira, mas agora acabou.
Mas ele estava a�.
Meninos, sei que acreditam que viram algo,
mas pode ter sido os raios
e suas imagina��es, com a ajuda de sua irm�.
Como pode dizer isso?
Virginia, sei que voc� n�o gosta de estar aqui.
Sinto muito, mas n�o posso fazer nada a respeito.
Mas n�o vai estragar a vida de todos.
Agora, todos para a cama.
E voc�s v�o devolver isso � cozinha amanh�.
Hiram.
Lucy, vamos.
Sentimos muito, Ginny.
Est� bem, mam�e, que pense o que quizer.
Possivelmente o vento derrubou algo,
ou havia sombras pelos raios.
� um lugar estranho. Engana os olhos.
Acho que foi isso.
- Lucy, vamos!
Sentir� melhor pela manh�.
Boa noite.
Que sonhe com os anjinhos.
Sim.
Anjinho.
Bom dia.
Bom dia, senhora.
A chuva ajudar� esta pobre �rvore.
N�o tem brotos.
Assim esteve desde...
ningu�m sabe quando.
Por qu� n�o a arrancam?
Por ordem de Lorde Canterville.
Diz que n�o lhe fa�amos nada.
Que estranho.
Sr. Umney, vou ao vilarejo.
Trago-lhe o carro, senhor.
N�o, eu dirijo.
N�o, n�o, n�o, n�o. N�o � inc�modo, senhor.
Antes de que se v�, A Ginny me preocupa.
Talvez de verdade viu algo ontem � noite.
N�o, Lucy. � sua forma de se vingar
porque a afastamos de seus amigos.
� pior deixar que ela pense
que pode nos assustar para voltarmos para casa.
Quem sabe o que faria ent�o.
Talvez. Mas tinha ru�dos estranhos.
Ru�dos! � pura sugest�o.
N�o deixe que a engane.
Recorda, como digo...
- Tudo tem explica��o racional. - Tudo tem explica��o racional.
Sim, j� sei.
Bom. Saiam, conhe�a os vizinhos, fa�a amigos.
Vai ficar bem, ver�.
Tomara que tenha raz�o.
Bom dia, senhorita.
Ol�. Sra, Umney, este � Sir Simon, n�o �?
� sim, um homem bonito.
Sua express�o, o que voc� acha que est� sentindo?
Parece bravo.
Sim. Mas h� outra coisa.
Agora que o diz, sim, talvez um pouco triste.
E solit�rio.
Sim, pode ser.
Arghhhhhhh!
Mam�e!
O que foi meninos?
Olhe!
Eu a vi primeiro!
Oh, n�o, pensei que a t�nhamos eliminado.
Acho que o fantasma se zangou e matou mais algu�m
e atirou o sangue aqui.
Meu amor, n�o h� fantasmas.
Pois algu�m fez que voltasse.
Pois teremos que limp�-la outra vez.
O que �?
N�o � nada. Me traz o limpador?
Sim, mam�e.
Vamos ter que fechar com chave.
... e ent�o ... ... ele disse ...
Ol�.
- Ol�. - Ol�.
Sou Hiram Otis. Minha fam�lia e eu estamos alugando Canterville Hall.
- Oh! - C�us!
Poderiam me dizer onde fica o correio?
Aqui, eu sou o carteiro.
Ah, obrigado. E a delegacia? Para alguma emerg�ncia.
Aqui tamb�m, eu sou o policial, quando ele n�o est�.
Como pol�cia, � melhor carteiro.
Tem telefone para longa dist�ncia?
Aqui.
E algum m�dico?
Eu sou veterin�rio, se lhe servir de algo.
Obrigado, � muito conveniente e sucinto.
Nos veremos em breve.
Com toda certeza.
� simp�tico.
Quanto acham que aguentam?
J� duraram mais que a maioria.
Aposto cinco que se v�o em uma semana no m�ximo.
Que sejam dez.
Cinco, n�?
Aposto vinte.
Ah, vinte!
Ol�.
Ol�.
Posso ver?
Se quiser.
� muito bom!
� um rabisco apenas.
Sou Francis Still. Muito prazer.
Virginia Otis. Estamos alugando Canterville Hall.
Sei, vi no dia que chegaram.
Ah, n�o lembro.
Todo vilarejo est� falando de voc�s.
S�rio? O que dizem?
S� se perguntam quanto tempo v�o ficar aqui na Inglaterra.
At� junho.
Vive por aqui?
Sou seu vizinho mais pr�ximo.
Cheshire Chase do outro lado do bosque.
Est� se adaptando bem?
Na verdade n�o.
Suponho que sente falta dos seus amigos.
Sim, isso mesmo.
Especialmente seu noivo.
N�o tenho noivo especialmente.
Que l�stima.
Digo, me surpreende
que uma garota formosa como voc�...
Voc� gosta de Canterville Hall?
Digamos que � peculiar.
J� esteve aqui?
J� faz muitos anos, quando os Canterville estavam aqui.
Me pergunto se algo mudou.
Por qu� n�o vem ver?
Eu adoraria.
Que tal esta noite?
Claro. Pode jantar? �s sete?
Sim. Nos veremos.
N�o posso acreditar o que acabo de fazer.
At� mais.
Ol�, amor
Ol�, amor.
Que tal o vilarejo?
No pub fazem de tudo menos partos,
embora n�o perguntei.
Tudo bem aqui?
Sim, tudo bem. Os meninos andam explorando
e Ginny saiu para pintar.
Ah, temos tempo sozinhos.
Podemos descansar.
Sim.
Hey.
Conheci um vizinho e convidei para jantar. Tudo bem?
Claro.
Que bom! Direi a Sra. Umney.
Obrigado.
Viu? Disse que ficaria bem.
Hiram, lembra da mancha?
Voltou a aparecer hoje.
Verdade?
E cheirava um pouco tinta a �leo.
Mas est� bem. Tirei-a de novo.
Talvez terei que fechar com chave a noite.
Boa id�ia.
Quando uma doce menina
extrair uma ora��o
dos l�bios do pecado,
quando um menino der de presente l�grimas
e brotar a amendoeira est�ril,
quando surgir do calado campan�rio
o tangido fantasmagl�rico do pecador,
a casa ficar� tranq�ila
e chegar� a paz a Canterville.
S�o iguais.
Quando uma doce menina
extrair uma ora��o
dos l�bios do pecado,
quando um menino der de presente l�grimas
e brotar a amendoeira est�ril,
quando surgir do calado campan�rio
o tangido fantasmagl�rico do pecador,
a casa ficar� tranq�ila
e chegar� a paz a Canterville.
Ou se adapta com o distanciamento a distanciar...
Oh, n�o!, � um farol eternamente fixo
que desafia as tempestades sem nunca se estremecer;
a estrela para todo navio sem rumo,
cuja valia se desconhece, at� tomando sua altura.
N�o � o amor buf�o do Tempo, embora os rosados l�bios
E bochechas curva ceifa sigam...
O amor n�o varia com suas breves horas e semanas,
Mas sim se afian�a inclusive at� no bordo do abismo.
Se isto for err�neo e me pode provar,
Eu nunca escrevi, nem ningu�m nunca amou.
Como se atreve?
Sinto muito, estava somente...
Invasora!
FORA!
Boa noite, Umney
Boa noite, Excel�ncia.
Faz muito que n�o o via.
Muito, Excel�ncia.
Escute: n�o sou duque.
N�o � duque?
S� esta noite.
Muito bem, Excel�ncia.
Senhor, senhora.
Tudo bem?
Sou a mam�e da Virginia.
Muito prazer, senhora Otis.
Sou Francis Still. E este tem que ser o Sr. Otis.
Assim �. Muito prazer.
Nossos filhos, Washington e Adam.
Francis Still.
- Ol�. - Como est�o?
E, suponho que j� conhece nossa filha, Virginia.
Ol�.
Sim. Ol�.
Senhora, o jantar ser� servido em seguida.
Excel�ncia.
Umney.
Disse-lhe "Excel�ncia".
Bem, tecnicamente, isso sou.
Um Lorde?
Na verdade, sou o quarto duque do Cheshire.
Verdade?
N�o � velho.
Bom, � que meus pais morreram em um acidente
quando era muito jovem, e eu herdei o t�tulo.
Sinto muito.
Como lhe trataremos ent�o? Excel�ncia?
Por favor, digam "Francis".
Ou o que queiram.
Senhora, a Sra. Umney informa que o jantar est� preparado.
Obrigado.
Muito bem, o que fazemos aqui
vamos nos sentar.
Meninos.
Francis, certamente conhece bem este lugar.
N�o tinha vindo desde que se foram os Canterville,
mas n�o mudou em nada.
Voc� tamb�m sabe do fantasma?
Adam.
De fato, sim sei sobre o fantasma.
Todos por aqui sabem.
N�s n�o acreditam muito nisso.
Exeto os que o vimos.
Sim.
Ora, n�o vamos aborrecer o Francis.
N�o � nada. De fato, eu tamb�m o vi.
Bom, suponho que em todos os lados h� supersti��es,
alucina��es coletivas.
E a mancha de sangue?
A viu?
Sim, h� alguns anos.
Pois j� n�o est�.
J� n�o est�?
Ningu�m p�de tir�-la nunca.
Mam�e a limpou, com tira-manchas.
Voltou uma vez, mas agora sim a eliminamos.
V�em, ensinamo-lhe.
Meninos!
Um momento, ou�am.
Meninos!
N�o, est� bem. Eu gostaria de v�-la.
Bom.
Vamos.
Deixamos a porta trancada,
se por acaso algu�m queria jogar com a mancha de novo.
Agora � verde!
A porta estava fechada a chave.
Pintura de �leo.
E todos sabemos de onde vem.
O qu�?
Agora n�o, Hiram.
N�o sei como conseguiu entrar, jovenzinha,
mas isto � de muito mau gosto.
Pai...
Melhor falarmos depois.
Francis, sei que tem que voltar para casa.
Sim, claro. J� tenho que ir.
Obrigado pelo delicioso jantar.
Seu casaco.
Sim, obrigado.
V� se despedir.
Para a cama em dez minutos.
Acredita que foi Ginny?
N�o, foi ele.
Sangue verde?
Est� zombando de n�s.
Sim.
Mas desta vez n�o se sair� bem.
Tenho uma id�ia.
Sim!
O que foi isso?
Francis, de verdade viu ao fantasma
ou o disse para me defender?
Realmente o vi. H� uns seis anos.
Est�vamos de visita, jogando croquet no jardim.
Justamente depois do p�r do sol,
apareceu al�, junto � �rvore.
Est�vamos jogando nove pene.
Minha tia desmaiou.
Pois o fantasma nos tem aparecido tamb�m.
Mas meu papai � um grande cientista e se nega
a admitir que � um fantasma.
Ent�o me joga a culpa.
Sinto muito.
Sim, obrigado.
O que vai fazer?
N�o sei, mas farei algo.
Tome cuidado.
Terei.
Virginia!
Que tal manh�?
Pode ser que tenha tempo.
"e brotar a amendoeira est�ril"
Ah, Gabriel, j� se deitaram?
Excelente.
Antes do amanhecer n�s teremos despedido destes "americanos".
Fui acossado por dois meninos arrivistas,
denegrido por uma menina e,
para maior humilha��o,
ignorado por seus pais.
Esta noite farei um esfor�o especial.
Primeiro, o quarto dos pais.
Colocarei a m�o suarenta sobre a fronte da mulher
e lhe sussurrarei tenebroso. Ao ouvido do marido
os terr�veis secretos do oss�rio.
Logo com os meninos,
uivarei e me cravarei uma faca na garganta tr�s vezes.
E logo com a menina.
Para ela que coisas farei, n�o sei ainda,
mas ser�o os terrores do mundo.
O sino me convida.
Gabriel, esqueceu a tormenta.
Soprem, ventos, com grandes bochechas.
Obrigado, meu leal amigo.
Ao trabalho.
Por ventura, uma grandiosa entrada em cena.
Mil perd�es.
Por favor, adiante.
Um fantasma. Outro fantasma!
E que fantasma! Ruge qual colosso.
E em sua m�o uma adaga,
e de seus olhos demoniaca luz.
Gabriel, o que poder�amos tentar fazer?
Tem um efeito do mais horripilante.
Penso que poder�amos aproveit�-lo.
Se unisse a n�s contra estes "americanos".
Com seguran�a, como companheiro fantasma,
sentir� certo parentesco.
O sangue � mais espesso do que a �gua.
Embora isso n�o se aplica a n�s.
Oh! Minha m�e! Apelarei a sua honra de fantasma.
Tem tempo antes do amanhecer.
Salve, senhor fantasma. � um prazer.
Estendo-lhe cordial bem vinda ao Canterville Hall.
Sou Sir Simon de Canterville, espectro residente.
Sem mais rodeios, voc� se uniria a mim em alian�a,
fantasma com fantasma?
FANTASMA OTIS
O �NICO E ORIGINAL
N�O ACEITE IMITA��ES
Me enganaram, riram-se de mim.
Ridicularizaram-me!
Pelos ossos de meus antepassados, juro que
quando o galo tenha chamado duas vezes o sol
feitos de sangue cair�o sobre suas cabe�as.
Canta de novo e l�grimas destruir�o!
A morte andar� solta.
Canta de novo e l�grimas destruir�o!
N�o obedece, ave descarada.
Houve um dia que minha lan�a o teria feito cantar para mim
anunciando a morte.
Tomem isto!
Ei, poderia ter nos machucado!
Ent�o, vamos ver o que sabe fazer
um fantasma grande e valente
a uma mo�a e dois garotinhos.
Por qu� t�m que me afligir estes "americanos"?
Que diabos est� acontecendo?
O qu� � isto?
Est�o bem?
Estamos bem.
Com esta gota se enche o copo.
O qu�?
Algu�m poderia ter se machucado.
Ou provocado um inc�ndio.
J� chega!
Muito bem. Ganhou.
Assim que puder, volta para Indiana
a viver com sua tia Lidia.
Pai...
Contente?
M�e!
Ginny, acho que desta vez seu pai tem raz�o.
N�o quer�amos fazer algo ruim, Ginny.
Est�vamos tentando dar uma colher de sua pr�pria medicina.
Bom, Sir Simon, espero que esteja contente.
Virginia, vai como se o diabo a perseguisse.
Talvez esteja.
Quero lhe mostrar um lugar.
Costumava a vir aqui quando crian�a.
� meu lugar favorito.
Sinto que o conhe�o.
O que acontece?
V�o mandar para casa.
Ah.
Por qu�?
Meus irm�os fizeram zangar ao fantasma esta manh�,
e se deixou levar.
E papai pensa que eu estava tentando estragar o lugar.
Acredita que estive tentando assustar � fam�lia
para voltarmos para casa,
mas...
Mas, o qu�?
Agora n�o quero ir.
� estranho, porque no princ�pio odiava.
Mas agora sinto que perten�o aqui.
Eu tamb�m o sinto.
Talvez possamos convenc�-los de algum jeito.
Talvez se virem o fantasma eles mesmos.
N�o. Eles n�o consegue ver.
Estava al� no corredor e meu pai
caminhou atrav�s dele.
Dizem que para ver os fantasmas
� necess�rio acreditar neles.
Mas todos os daqui o v�em.
Crescemos com fantasmas.
Nossa hist�ria est� infestada de fantasmas.
N�o h� solu��o.
Meus pais n�o acreditam porque n�o o podem ver
e n�o o podem ver porque n�o acreditam.
Temo que sim.
Mas se acreditassem, poderiam v�-lo.
Isso!
Me deseje sorte, Francis.
Virginia!
Preciso falar com voc�.
N�o, n�o tem direito de entrar.
E voc� n�o tem direito de arruinar minha vida.
O qu�?
Seus gemidos, ru�dos e tremores,
meu papai me culpa .
E esteve usando minhas tintas caras para
suas est�pidas manchas de sangue.
E � obvio, me jogam a culpa tamb�m.
E a explos�o nesta manh�.
Quase mata a meus irm�os do susto.
Isso nem o incomoda.
E agora que conheci algu�m que eu gosto
e quero ficar, v�o me mandar para casa.
Por sua culpa vai me mandar de volta.
Eu n�o sabia.
Eu tenho que agitar minhas correntes
e gemer pelos corredores e vagar pelas noites.
N�o tenho op��o.
Por qu� n�o?
N�o � da sua conta.
� sim, se est� arruinando a minha vida.
Sir Simon, tem que me ajudar.
Tem que fazer com que ele creia.
O qu�?
Ele n�o acredita nos fantasmas.
N�o acredita?
Me ignorou.
Em quatro s�culos ningu�m me tratou como seu pai.
Como se nada, caminhou atrav�s de mim.
� que n�o o viu.
Francis diz que como n�o cr� em voc� n�o pode v�-lo.
Gabriel, isso explica tudo.
Temi que estava perdendo meus poderes.
N�o, o fez muito bem.
Verdade?
Sim!
Eu quase nunca grito.
Nem na montanha russa nem nos filmes de medo
Mas quando voc� entrou a primeira vez,
voc� me ouviu.
Um grito do mais assustador.
Ent�o, se conseguir fazer que o veja
vai ter que acreditar.
Fazer um incr�dulo acreditar.
Que um c�nico tenha f�.
Provaria minha for�a, mas como?
Eu sei como.
O apresentarei como um fantasma que acredita.
Ent�o o poder� ver.
Existe tal fantasma?
Sim, vimos uma apresenta��o de Hamlet em Londres
e a todos adoraram o fantasma do pai do Hamlet,
em parte, porque foi no in�cio, antes que dormisse,
mas ficaria muito bem no papel.
Fala mais sabiamente do que sabe.
Dei ao Will minhas id�ias para o papel quando me visitou em 1599.
Voc� conheceu Shakespeare?
Sim, e exceto por meu amigo Gabriel,
suas palavras foram minhas �nicas companheiras
durante quatrocentos anos.
Sabe como o pai do Hamlet tem que estar
encerrado durante o dia e vagar a noite.
De onde acha que Will Shakespeare tirou a id�ia?
De voc�?
V� em mim um g�nio. O original.
Poderia dizer que escreveu o papel para mim.
Sabia que o faria bem.
Mas voc� deve ser o pr�ncipe Hamlet.
Apresentaremos na sala de banquetes.
Gabriel far� os efeitos e, voc� deve vestir uma capa.
Fica perfeita.
E para mim, a armadura que usei pela �ltima vez
diante a rainha virgem, no Kenworth.
At� amanh� a noite?
Oh, Gabriel, apenas me atrevo a pens�-lo.
Poderia ser ela, afinal?
� esperar muito.
Mas, � uma donzela sem igual.
E Hamlet diz: "Oh, mi... o qu�?"
"Alma prof�tica".
Oh, minha alma prof�tica.
Acredito que j� me aprendi isso.
Espero que funcione.
Eu tamb�m.
O que � isso?
A velha capela.
Um dos lugares obrigados.
Voc� gostaria de v�-la?
Claro.
Este � o cemit�rio da fam�lia Canterville.
Data de v�rios s�culos.
Sir Simon e Lady Eleanor est�o aqui?
N�o, acredito que ningu�m saiba onde est�o.
Quando era menino, subia ao campan�rio, at� o topo.
O sino est� rachado, n�o toca.
- O campan�rio calado. - Como?
N�o, nada.
Olhe, est� saindo a lua.
� uma lua azul.
Azul?
A segunda lua cheia do m�s.
Sup�e-se que faz com que se apaixone.
Vamos entrar.
� maravilhoso.
� como se o tempo estivesse parado.
Virginia, sinto que sempre a conheci.
Eu tamb�m sinto.
Mas estou assustada.
Por qu�?
Cedo ou tarde irei voltar a Indiana.
Mas nada pode se interpor entre n�s.
Somos feitos um para o outro.
Parece seguro disso.
Estou.
Acredito nisso.
Nunca senti isto antes.
N�o sei como, mas sei.
Pois �. E se estivermos equivocados?
Ao menos devemos tentar.
N�o acha?
N�o sei... s�... n�o sei.
Entendo. Me perdoe. Sinto muito.
Por qu� amadurecem seu amor com tanta �gua salgada?
Sir Simon, amor?
Nunca havia sentido isso.
N�o sei o que fazer.
Teme � emo��o que te alagou o cora��o
quando beijou a esse mo�o.
D� muito medo.
� amor, que n�o deve ser negado,
pode te dar felicidade inenarr�vel,
mas, se formos fracos,
se sucumbirmos ao medo,
ou ao ci�mes de olhos verdes,
ent�o pode conduzir a grande devasta��o em nossa alma.
Sei bem o que digo.
Mas nunca ter amado...
Mais triste � ter amado e hav�-lo deixado ir
que n�o ter vivido nunca.
E o amor, vale a pena que venha,
n�o pode velar a sorte que um doce minuto te d�.
Vem, v� com o mo�o.
Deixa que o amor te guie.
Oh, Sir Simon, obrigado.
Obrigado!
Doce donzela, despojaste-me de palavras.
Bem, estamos preparados.
Tem tudo?
Sim, meu traje e minhas coisas est�o a�.
Ok
Est�o preparados ambos?
Bem.
Venham todos. Come�a o espet�culo.
Virginia, recorda, "alma prof�tica".
"Alma prof�tica".
Babaca!
Boa sorte.
Por aqui, damas e cavalheiros.
Sr. e Sra. Umney, tomem seus assentos.
Excel�ncia.
A obra se apresentar� na galeria.
Escutem, ele est� nervoso. N�o fa�am ru�do nem brincadeiras, ok?
Prometem?
N�o nos atrever�amos.
Bem.
Agora, recordem, o princ�pio da obra,
o pai do Hamlet morreu.
Seu tio se casou com sua m�e.
Nesta cena, Hamlet enfrenta o fantasma de seu pai,
que lhe diz que seu tio o matou.
Eu sou Hamlet e temos um convidado especial
que ser� o fantasma.
Ei, ter� que contar na escola que tivemos um fantasma
de verdade atuando como fantasma.
� demais.
Raramente se tem oportunidade
de ver o Shakespeare atuado por algu�m
que o conheceu.
Olhem para isso!
Onde me levam?
Falem. N�o irei mais longe.
Me escute.
Estou ouvindo.
Quase chegou minha hora
em que � tortura das chamas de enxofre
devo me entregar.
Pobre espectro.
N�o se compade�a.
Atente ao que vou te revelar.
Fala. Pois estou ouvindo.
Sou o esp�rito de seu pai
condenado a vagar de noite
e de dia a jejuar no fogo
at� purificar as vis ofensas que cometi em vida.
- Uau! - Dobro Uau!
Shhhh.
Escuta, escuta. Oh, escuta,
se alguma vez amou a seu pai
vinga seu assassinato vil e contra natura.
Assassinato?
Assassinato vil, como todos,
mas, este mais vil,
estranho e contra natura.
Me conte logo.
Deve saber, nobre jovem,
que a serpente que matou a seu pai
hoje leva sua coroa.
Oh, minha alma prof�tica.
Meu tio?
Sim, esse incestuoso monstro ad�ltero,
com feiti�o engenhoso e presentes trai�oeiros
ganhou para sua horr�vel lux�ria
a vontade da que sempre pareceu uma rainha virtuosa.
Oh, Hamlet,
que perdida foi aquela
para mim, cujo amor...
cujo amor era de tal dignidade
que ia da m�o inclusa
com a promessa que lhe fiz ao nos casar.
Sir Simon, o que acontece?
Sinto muito, eu... eu... n�o posso.
Me perdoem.
Me perdoem.
Maravilhoso.
- Foi incr�vel! - Sim!
Por favor felicitem � senhorita Virginia
por sua extraordin�ria atua��o.
Me fez tremer, diga-lhe.
Sim, direi-lhe. Obrigado.
Nos desculpem. Excel�ncia.
Venha aqui.
- Foi incr�vel, Ginny! - Sim, papai.
Foi maravilhoso.
Ginny, n�o sei o que dizer.
Est� bem, papai.
Verdade, n�o sei como voc� e seu amigo fizeram,
mas criaram toda uma ilus�o
Hiram, acaba de ver...
Encontarei uma explica��o,
mas foi um efeito de primeira.
Efeito?
� obvio.
Me surpreende que tenha se esfor�ado tanto
para fazer uma brincadeira.
Bom, � tarde, mais vale ir � cama.
Boa noite, Frances.
Nos veremos amanh�.
Sinto muito.
Seu pai parece se negar a acreditar.
Sim. Mas estou preocupada com o Sir Simon.
Podemos nos ver amanh�?
Sim.
Boa noite.
Sinto muito... eu... eu... n�o posso.
Me perdoem.
N�o sei por que a trata assim.
Olhe, Lucy, sei que h� uma explica��o para tudo isto,
s� que n�o a encontrei ainda.
Hi, a explica��o � muito simples.
A casa est� enfeiti�ada.
Acredita nisso?
Claro que sim! Sir Simon � um fantasma.
E quanto a Ginny,
a tratou como uma idiota.
Os �ltimos anos levaram brigando.
Antes se davam muito bem.
Admito que tenho um problema com ela, Ok?
N�o sei. N�o sei.
Ela costumava sentar comigo, falar comigo.
E agora est� crescendo.
Quase nunca tenho id�ia do que sente,
do que pensa.
Amor, quase nunca sabe ela mesma.
� adolescente, � dif�cil.
Suponho que sim.
Mas uma coisa n�o mudou, Luz,
os fantasmas n�o existem.
D� vontade de te chutar.
Onde vai?
Vou com nossa filha.
Ver se est� bem.
Ginny.
Deixa-a dormir.
Prometo que falarei com ela na amanh�.
Sir Simon?
O que aconteceu?
Por qu� se deteve assim?
Tenho lido esse di�logo tantas vezes,
mas desta vez seu significado
impactou-me como nunca antes.
Oh, Virginia,
se lhe contasse os segredos de minha pris�o,
me odiaria como odeio a mim mesmo.
Nada faria que o odiasse.
Pode-me contar o que for.
Quer saber como me converti em fantasma?
O livro dizia que suspeitam que matou a sua esposa
mas eu n�o acreditei.
� verdade.
Verdade?
Durante anos tivemos uma vida doce e plena,
e logo o monstro de olhos verdes
em minha mente plantou uma semente
que como um c�ncer murchou meu amor.
Havia um homem a quem acreditava meu amigo
Um amigo... tomei por verdade o que me disse,
que como a m�e do Hamlet,
minha esposa me tinha sido infiel.
Me deixei levar pela ira do ci�mes.
A tranquei na casa,
lhe proibi de ver as pessoas,
reprovava-lhe constantemente.
Suas negativas inflamavam a minha loucura.
Causei-lhe tal desespero
que com o tempo,
enlouqueceu tamb�m.
E uma terr�vel noite,
al�, junto � chamin�,
tomou minha adaga e se suicidou.
Morreu em meus bra�os.
Minhas l�grimas se misturaram a seu sangue.
Essa � nossa mancha.
Oh, Sir Simon.
A enterrei em segredo
no lugar que mais amava no mundo.
E coloquei um anjo a�, para que a cuidasse.
O jardim.
Estive l�. Francis me levou.
Eu sei.
Depois soube que era inocente.
Meu amigo tinha mentido.
Me queria tirar isso.
Ela me amava .
Era-me fiel.
E cada dia, a cada momento ap�s isto, me corr�i.
E � por isso que n�o pude suportar
quando te vi perder seu amor.
Como voc� morreu?
Eu reuni sua fam�lia aqui
e lhes confessei meus cr�mes.
Pedi-lhes que fizessem comigo
o que quisessem.
Seus irm�os me trouxeram para esta cela,
encadearam-me ao muro.
Aqui morri de fome.
Uma morte lenta.
Que horr�vel.
Morreria mil vezes se pudesse
voltar atr�s no tempo.
Mas h� mais.
Trouxeram para uma bruxa
que fez um feiti�o.
Como o pai do Hamlet,
me condenou a vagar pelas noites
e durante o dia a ficar aqui trancado,
a ruminar sobre meus pecados.
Mas, sobre tudo a record�-la.
Quando dorme?
Me � proibido fechar os olhos.
De dia estou aqui. De noite caminho.
Assim est� decretado.
N�o dormi em mais de quatrocentos anos.
E, para falar a verdade, estou t�o, t�o cansado.
Pobre, pobre Sir Simon.
N�o h� nenhum lugar onde possa dormir?
Ah, sim, esse jardim tranq�ilo.
O anjo da morte poderia me levar ali.
A jazer na suave terra escura,
escutando os sons,
perdoando a vida,
em paz junto a minha Eleanor.
E pode ocorrer isso?
Sim. Voc� pode obt�-lo.
Como?
H� uma profecia.
Eu li.
Mas n�o a entendi.
Vou lhe mostrar.
Vem aqui.
Olhe isto,
leia em voz alta.
Quando uma doce menina extrair uma ora��o
dos l�bios do pecado,
quando um menino der de presente suas l�grimas
Sou uma menina doce?
Oh, sim, �.
E t�o jovem que podem te dizer menina.
O que tenho que fazer?
Chorou por meus pecados.
Eu j� n�o tenho l�grimas.
Agora deve rezar por mim.
Porque eu n�o tive f� no amor.
E depois, se vier comigo
ao reino da escurid�o
e, ante o anjo da morte,
falar a meu favor,
o anjo ter� piedade de mim.
... ent�o a casa ficar� tranq�ila
e chegar� a paz a Canterville...
a voc�...
Oh, sim.
Como � o reino da escurid�o?
Tremo s� de pensar.
H� bruma, e rondam figuras aterradoras
prisioneiras dos ventos sem voz
que sopram com viol�ncia impaciente.
Vozes malignas lhe sussurram ao ouvido.
Mas se mantiver sua confian�a firme
e n�o mostrar temor,
n�o podem te fazer dano.
Contra a pureza da f�
os poderes da escurid�o
n�o podem impor-se.
N�o tenho medo.
Irei com voc� e direi ao anjo
que voc� � um fantasma bom e gentil
que me deu valor para obedecer a meu cora��o.
Agora � minha senhora,
e como um fiel cavalheiro
entrego minha alma por sua seguran�a
e sua felicidade eternamente.
Nesse lugar renunciei a minha alma.
Sou Virginia Otis
e rezo por este pobre fantasma,
Sir Simon de Canterville,
que sente muito o que tem feito.
N�o pode remedi�-lo,
mas levou d�zias de vidas pagando-o.
Tem-no que perdoar,
por que ele n�o se perdoa.
Por favor.
A escutaram!
Estou preparada.
Lembre-se, n�o mostre temor,
manten firme em sua f�.
N�o poderia suportar o peso
de dois amores perdidos.
Estarei bem.
S� podemos passar enquanto soar o rel�gio.
Ginny.
Filhinha, sou eu, seu velho.
Olhe, sei que n�o fui razo�vel nesta noite.
E o sinto. Vou me esfor�ar mais
e tratar de ver as coisas do seu ponto de vista.
Por favor, me perdoe por ser t�o insens�vel.
Gi. Gin?
Lucille!
Algu�m viu a Ginny?
N�o est� em seu quarto.
Talvez levantou cedo.
N�o, n�o dormiu em sua cama.
Vamos nos dividir e procur�-la.
Sr. Umney, voc� conhece melhor o bosque.
O bosque?
Err... sim.
Eu vou com o Sr. Umney.
Eu procuro com a Sra. Umney.
Eu em cima.
Eu vou contigo.
Reunimos depois na biblioteca.
Vamos, senhor Umney!
Excel�ncia, uma emerg�ncia!
N�o encontramos a Ginny!
Poderia procurar no bosque, Excel�ncia?
Nada?
N�o.
Tenho uma id�ia. Venham.
Procuremos na capela.
Precisamos de ajuda!
Por aqui.
N�o viu a uma menina?
Papai.
Papai.
Papai.
Hiram!
Hiram!
� a capa que usava.
E a mancha sumiu.
C�us, est� com ele!
Est� com ele!
Oh, n�o. Oh, Lucille, fui um est�pido.
Se lhe aconteceu algo.
Se lhe aconteceu algo, nunca me perdoarei isso.
N�o tocou sua comida.
N�o temos fome, Sra. Umney.
Sim, n�s tamb�m.
Por favor, estamos exaustos.
Posso levar a comida.
Sim, fa�a isso. Deixe-a para amanh�.
Deus os aben�oe. Boa noite.
Rezaremos por ela.
N�o podemos fazer mais nada hoje.
Vamos dormir e continuamos amanh�.
O que � isso?
Vem da biblioteca.
Vamos.
O que � isso?
Mam�e, papai!
Meninos, venham!
Papai! Onde est�o?
Ginny? Ginny?
N�o posso voltar.
Aqui estou!
Papai, Francis!
Virginia!
Onde est�?
Ginny!
Por aqui!
Papaizinho, n�o te vejo!
Ginny, segue a voz!
Virginia, segue minha voz!
Virgina, onde est�?
N�o os vejo!
Por aqui!
Segue minha voz!
Estou-me escorregando!
Papai!
Papai, onde est�?
Virginia, aqui!
Est� se fechando!
N�o!
Virginia!
Estou aqui, Virginia! Toma minha m�o!
Mam�e, papai, est�-se fechando
Papai, me ajude!
Peguei!
Francis!
Ginny, pensei que a tinha perdido.
Gra�as ao c�u, terminou.
Mam�e.
Papai.
Uau, uma porta secreta.
Venham, temos que ver o que aconteceu Sir Simon.
Pensei que estava aberta.
Papai, temos que entrar.
Lucy, deixe-me tentar.
Temos que procurar seu corpo.
Pobre Sir Simon.
N�s o cuidaremos agora, Gabriel.
Escutem.
O sino da capela!
Olhem!
...quando surgir do calado campan�rio
o tangido fantasmagl�rico do pecador
e brotar a amendoeira est�ril...
Conseguiu o perd�o.
A jazer na suave terra escura
escutando o sil�ncio,
perdoando a vida,
em paz junto a meu Eleanor.
Bem, Lorde Canterville,
agora que Sir Simon foi sepultado,
suponho que sua fam�lia queira voltar para casa.
Talvez, pretendam voltar para os Estados Unidos.
Embora, na realidade, alguns estejam gostando de Londres.
Por qu�? Tem algo em mente?
Pedi na universidade que estendessem minha vaga.
Verdade, papai?
E tem boas escolas aqui.
- Que pai!
Lucille adorou a Inglaterra,
assim, consideraria prolongar o aluguel indefinidamente?
E, � obvio, n�s adorar�amos
que os Umney pudessem ficar.
Prometemos nos comportar bem,
n�o �, Adam?
- � claro.
Estou certo de que a Sra. Unmey far� com gosto.
Claro que n�s adorar�amos.
O que me diz?
Por favor?
N�o me ocorre nada melhor
que voc� e sua fam�lia fiquem aqui
quanto tempo queiram.
Bom, uma coisa mais.
Minha querida menina,
fez a meu infeliz antepassado
um favor enorme.
Minha fam�lia e eu estamos em d�vida contigo
por sua grande valentia.
Nesta caixa, tem um anel
que pertencia a Lady Eleanor.
Em nome da fam�lia Canterville,
meu mais profundo agradecimento.
� uma jovenzinha extraordin�ria.
Uau!
Francis, o jardim voltou a ter vida!
� lindo.
Que isto os re�na como Sir Simon nos reuniu.
E, Lady Eleanor, Sir Simon mostrou-me o que � a vida
e o que � a morte.
E que o amor � mais forte que ambos.
Por favor, perdoe-o.
Adeus, adeus, adeus.
Lembre-se de mim, minha doce menina.
Oh, Simon, me leia outro soneto.
Sim, querida, ser� um prazer.
Oh, n�o se diga que meu cora��o foi falso,
embora a aus�ncia pare�a matizar a chama.
T�o f�cil seria me afastar de mim mesmo
como de minha alma que em seu seio jaz.
� esse meu lar de amor.
Tradu��o e sincronia by luzzinha
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