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Original subtitles

SOB SUSPEITA

- Aonde � que julgas que vais? - Vou s� apanhar ar.

- Tony... - Ele s� volta daqui a horas.

Tony!

Brighton - Inglaterra 1957

Tony! Tony!

N�o quer fazer isso!

Estavas � espera da tua vez, chui?

V�o morrer os dois.

Tony!

Colin, n�o!

Dois Anos Depois

Nos anos 50, em Brighton, surgiu uma fraude para fugir �s r�gidas leis do div�rcio

Para provar o adult�rio, os maridos fingiam um caso com uma estranha

Bastava uma mulher, uma fotografia e um detective privado...

- Sr. Aaron? - Sou eu, sim. Entre.

Acho que n�o tenho muito jeito para isto.

Ningu�m tem. O importante � que a fotografia fique bem.

- J� conhecia Brighton? - N�o.

- Tive de mudar de hotel. - Porqu�, que aconteceu?

H� dois dias fizeram uma rusga no outro.

- Uma rusga? - Mas n�o h� problema.

Estamos no Radley Hotel. � muito melhor.

� um bocado mais caro, s� isso.

Primeiro vamos ao meu escrit�rio para lhe explicar como funciona.

N�o esteja preocupado, vai correr tudo bem.

Est� tudo bem?

Parece que n�o levaram nada.

Posso perguntar-lhe qual � a sua profiss�o?

Profiss�o? Sou advogado.

Advogado... Bem me parecia que devia ser isso.

Est� a v�-la? � a sua mulher.

N�o posso ir para um hotel com ela!

Fui mal informado sobre o tipo de pessoa que o senhor �.

N�o, n�o posso.

Talvez eu possa falar com a minha mulher.

- A sua mulher?! - Sim. � actriz.

- Nunca fez nada disto. - Acha que ela aceita?

Quer dizer, se...

Posso pagar mais...

Boa noite. O meu nome �... tenho um quarto reservado.

Em que nome?

Franklin. Um duplo. Reservei-o h� dois dias.

- Assine aqui, por favor. - Tem mesmo que ser?

Muito obrigado.

Agora interessas-te por arquitectura de hot�is?

Espero que n�o estejas a tratar de div�rcios ilegais.

Estou a seguir um suspeito.

Muitos b�fias gostariam de te ver na pris�o.

Parece que n�o t�m mais nada em que pensar.

Est�s sozinho? Vai jantar l� a casa.

- Eu estou bem, Frank. - � Natal, desgra�ado! Aparece.

Quer beber alguma coisa?

Beber? N�o...

Para mim n�o. Quer beber alguma coisa?

O costume, querido.

- Champanhe. - Sim, champanhe.

Champanhe.

Pode sorrir. Pe�a um cocktail de camar�o, para "me impressionar".

Impression�-la, sim...

� que n�o gosto muito de champanhe.

Denny! O homem que eu queria ver.

- D�-me a chave do carro. - O Bob n�o te pagou?

N�o comeces. D�-me as chaves.

- � de boa f�, n�o �? - Sim, sim...

T�nhamos um neg�cio e eu n�o vi nada.

O Bob deve-me 200 lilbras. Ficou de te trazer 20...

- Deves meses de pagamentos. - Eu sei, desculpa.

Ouve, n�s concord�mos nas condi��es, n�o foi?

N�o me fa�as sentir culpado.

Ouve, Denny. Se n�o tiveres o dinheiro amanh� �s 9 da manh�,

ficas com o carro para sempre. - �s nove.

Ent�o o que � que... O que � que eu fa�o agora?

Eu vou � casa de banho mudar-me.

- Quando estiver pronto bata � porta. - Bato � porta quando estiver...

... pronto.

Desculpe, pode abrir-me o 46? Esqueci-me da chave.

� testemunha.

Deviam ter vergonha!

Por favor!

Por favor!

Lembre-se do que viu.

- Quanto � que conseguiste? - Vinte e cinco.

- Mostra-me. - Tinha umas d�vidas.

E pagaste a renda, foi? Aldrab�o!

- Quanto � que devemos agora? - N�o me chateies.

Eu n�o casei contigo para viver num escrit�rio.

Fecha a porta.

De quem � isto?

O qu�?

Estiveste com outra, n�o foi?

- P�ra com isso! N�o. - Mentiroso!

Uma cliente deve t�-la deixado cair. �s t�o desconfiada.

Porque tu nunca mudas.

Tu � que quiseste casar, querida, n�o fui eu.

Agora fecha a porta.

Sai da�!

Mas que medo...

- Onde � que arranjaste isto? - Um amigo meu trouxe de It�lia.

V� l�, d� c� isso.

Disse que pertenceu ao Mussolini.

- Est� carregada? - Est�, claro que est�.

N�o se preocupe com o tribunal, isso � f�cil.

S� precisamos da fotografia e de algu�m do hotel

para servir de testemunha. Podem vir investigar.

- Mas n�o vai haver problemas. - Espero bem que n�o.

Esse � o meu carro, filho da m�e! Sai!

Sai do carro, Tony! Sai!

Ganhei o carro ao p�quer. Este tipo n�o sabe perder.

S�o horas de ir trabalhar.

� o do fundo.

Lembre-se, � testemunha.

Deviam ter vergonha!

Assente os nomes de toda a gente. Os h�spedes n�o saem dos quartos.

Ningu�m pode sair.

Est�s bem?

Bebe um caf�. Preciso de falar contigo.

Estiveste no bar a noite toda?

Viste alguma coisa?

N�o acredito que isto aconteceu!

O que � que est�s a fazer?

- Tocaste na ma�aneta da porta. - Desculpa, esqueci-me.

Tudo bem. Faz tu isso.

N�o, faz tu, Frank. Tenho as m�os a tremer.

- Tu � que reservaste o quarto? - Sim.

- Porqu� no �ltimo andar? - N�o sei.

Se querias que os vissem, primeiro andar era melhor.

N�o sei, Frank. Desculpa.

Tudo bem, n�o te preocupes. Fica contact�vel.

E tu fica contact�vel. Quero deitar, as m�os a quem fez isto.

� s� uma fotografia. Apenas isso.

Que tipo de caix�o quer?

Caix�o?

Tenho pouco dinheiro. � melhor ser o mais barato.

Porqu� tanta formalidade? Podia faz�-lo no escrit�rio.

Estou sob grande press�o. Tem de ser tudo bem feito.

Conheces o Dave Waterston, trabalha comigo.

Era parceiro do Colin.

- Lembras-te do Colin, Tony? - Lembro-me do Colin, sim.

N�o estamos aqui para discutir isso.

- J� expliquei... - N�o � preciso voltar a isso.

Temos o teu depoimento.

Sabes quem � que foi morto com a tua mulher, Tony?

Chamava-se Padoan, era um vendedor italiano. N�o sei muito mais.

Vejo que n�o leste os jornais.

O nome dele era Carlo Stasio, um pintor famoso. Rico.

- Muito rico, mesmo. - Como � que o conheceste?

S� o conheci naquele dia.

O advogado dele foi ao meu escrit�rio aqui h� um m�s.

Disse que queriam ser discretos.

Disse at� que o Padoan, ou Stasio, queria usar um nome falso no hotel.

Eu disse que sim, desde que houvesse testemunhas que o identificassem.

E porque � que um milion�rio foi a uma ag�ncia de merda como a tua?

Se calhar queria manter-se inc�gnito, sendo quem era.

E as grandes ag�ncias n�o tratam de adult�rios.

- � proibido. - Pois �, Tony.

N�o vamos poder encobrir isso.

Sim, eu sei.

Dizes que estiveste a noite toda no hotel?

- Desde as 10, mais ou menos. - N�o sa�ste do teu lugar?

A empregada diz que sa�ste por 10 minutos, antes de ir l� acima.

Fui � casa de banho!

Foste l� acima mat�-los. Deixaste impress�es digitais na cama.

Vai-te lixar! � o melhor que arranjas?

- Deves muito dinheiro. - E depois? N�o � crime, pois n�o?

� um incentivo para cometer um.

- Vou fingir que n�o disseste isso. - Finge o que quiseres.

N�o te voltas a safar de um homic�dio.

Chega! Chega!

Dave, cala-te!

Deixa-o em paz.

- Pergunta-lhe, Frank. - Pergunta-me o qu�?

Tens pistola?

O qu�? N�o.

O qu�, julgas que matei a minha mulher?! E um estranho?

Isso faz sentido? Mesmo para um atrasado mental como tu?

Ningu�m pensa nada disso.

Se n�o � preciso mais nada, posso-me ir embora?

H� mais uma coisa. Falaste com algu�m na esquadra sobre a aut�psia?

Quem os matou cortou o polegar do Stasio como recorda��o.

Tony...

Feliz Natal.

- O que est�s aqui a fazer? - O mesmo que tu.

- Ent�o, novidades? - Nada.

Algu�m viu um carro encarnado, bom, nas traseiras do hotel.

A mulher do Stasio.

- Quem � aquela?! - N�o fa�o ideia.

- Interessante. - Lembra-te de quem � a investiga��o.

- Com certeza. - A s�rio. N�o podes andar comigo.

Mrs. Stasio? Frank Vance, detective. Estou encarregado da investiga��o.

Os meus sentimentos. Se puder fazer alguma coisa...

Eu digo-lhe o que pode fazer. V� a minha casa, minha,

e ponha a cabra da Angeline na rua.

Quando � que posso falar consigo, Mrs. Stasio?

Fale.

- Venho entregar flores. - Traga o carro at� � porta.

Traga o carro, diz ela...

Obrigada. Eu levo.

Tenho de entregar � dona da casa.

A senhora n�o est� para visitas.

Mas est� em casa. Eu vi-a entrar.

- Lamento. - Espere. Por favor.

Importa-se de lhe dar isto?

Obrigado.

Anthony Aaron Investigador Privado

A Minha Mulher Tamb�m Foi Assassinada

Lamento, mas n�o posso ajud�-lo.

Ainda n�o lhe pedi nada.

- Tony. Tony Aaron. - Angeline White.

Esperava ver a mulher dele. Esta n�o � a casa da fam�lia?

J� n�o mora c�. Lamento ter vindo em v�o.

N�o quer saber quem o matou?

- O senhor sabe? - Ainda n�o.

Ent�o vamos deixar isso para a pol�cia. Bom dia, Mr. Aaron.

N�o, n�o � um bom dia. Para nenhum de n�s.

N�o tem medo de ficar sozinha numa casa destas?

S� quando pessoas como o senhor dizem essas coisas.

Chegou um detective inspector Vance.

Talvez fosse melhor ele n�o me ver. Tem porta das traseiras?

N�o temos necessidade de ter porta das traseiras.

Se n�o � preciso mais nada...

O ordenado est� num envelope na entrada.

Para que � que o Stasio precisava de oxig�nio?

Estava doente?

Achava que estava. N�o tinha nada.

Adeus.

Onde � que est�o os quadros dele?

O que est�s aqui a fazer?

Importa-se de pedir a este homem que saia e n�o volte, detective?

Vai-te embora, como a senhora diz.

- Eu avisei-te! N�o te metas nisto. - Ela era amante dele?

O velho n�o se safava nada mal. Se calhar vou come�ar a pintar.

Vou dar-lhe protec��o nos pr�ximos dias

e digo aos meus homens para te prenderem se voltares c�.

Nunca me ofereceste protec��o.

V� l�, Frank. � �bvio! Tem de ser a Selina, a mulher.

� trocada por uma mulher mais nova, � expulsa de casa.

N�o quer que o Stasio se divorcie, por isso mata-o.

Claro. S� h� um problema. N�o foi ela.

- Como � que sabes? - Estava numa festa em Londres.

H� pelo menos 20 testemunhas. N�o foi ela.

Ent�o e a Angeline? Onde � que ela estava?

V� l�, Frank. Sei que perguntaste. Eu n�o tive tempo.

Diz que estava com o advogado da fam�lia.

� meia noite?!

- N�o te quero atr�s de mim. - V� l�, Frank.

N�o me obrigues a zangar-me.

- Ent�o posso levar o carro? - N�o, n�o podes.

Vai-te embora.

- Stasio era seu cliente? - Exacto.

Porque � que escolheu a ag�ncia do Tony... de Mr. Aaron

para encenar o adult�rio? - N�o digo que encenei...

N�o faz mal, isso n�o me interessa.

Porqu� o Mr. Aaron?

J� tinha feito uns trabalhos para mim.

Matrimonial. Deste g�nero.

- N�o o conhecia bem. - Percebo.

Como � que era o Stasio enquanto cliente?

Muito dif�cil. Estava sempre a mudar de ideias.

Mas pagava bem?

Isso � uma pergunta?

Porque esteve com a Angeline na noite do crime? E � uma pergunta.

Mr. Stasio deu-me instru��es para a convidar a vir c�

para lhe explicar o "adult�rio" quando j� era tarde para o impedir.

Ele n�o sabia? Porque � que ele n�o lhe disse?

- Ter� de perguntar a ela. - A que horas saiu ela?

Muito tarde, por volta das 10.

- E que fez o senhor depois? - Fui para casa.

Mr. Aaron!

Mr. Aaron?

A culpa � sua. Disse-lhe para n�o voltar c�.

Desculpe.

N�o queria assust�-la.

N�o me assustou. Eu � que o assustei.

N�o � tarde para fazer bolos?

Acho que vai ficar bom. Pode-se ir embora.

N�o quero ir embora.

Se eu apitar, os dois pol�cias l� fora entram aqui num instante.

Devia dar-me isso a mim. Corro um risco maior do que voc�.

� voc�?

Tem o curioso efeito de fazer os estranho julgar que me conhecem.

- Onde � que conheceu o Stasio? - Numa exposi��o em Miami.

Admirei-lhe os quadros. Convidou-me para posar para ele.

E a� est�.

Era estudante de Belas Artes. Decidi abandonar a pintura

quando vi o que ele era capaz de fazer de olhos fechados.

A obra de um artista sobe de valor quando ele morre, n�o �?

Sempre.

Deve ter aqui uma mina de ouro.

Acha que o matei para ganhar dinheiro?

Estava s� a pensar alto.

Posso levar este quadro a qualquer galeria do mundo

que me d�o 20 mil d�lares por ele. Provavelmente mais.

Se o tirar da lareira, pode ficar com ele.

O que � que quer provar?

� uma proposta s�ria.

Queria provar que voc� liga mais ao dinheiro do que eu.

Pois, voc� tem mais para n�o lhe dar valor.

Est� assinado!

Estes quadros est�o todos assinados.

Julgava que os pintores famosos s� assinam um quadro quando o vendem,

para evitar que os roubem. - As pessoas podem roubar quadros,

ou falsificar assinaturas. Por isso, o Stasio foi muito esperto.

P�s a impress�o digital ao lado do nome.

S� os que est�o na parede � que t�m a impress�o digital.

Os outros n�o valem nada.

Foi muito esperto, n�o foi?

Muito esperto, mesmo.

Agora que j� viu a casa...

- Voc� odiava-o, n�o odiava? - Porque � que diz isso?

Era um homem espantoso. O homem mais poderoso que eu conheci.

Mas era t�o... obsessivo...

E ficou obcecado por mim.

P�s a Selina fora de casa, disse que se ia divorciar para casar comigo.

Embora lhe dissesse que ia voltar para a Am�rica.

N�o pretendia ficar com ele, mas as coisas...

descontrolaram-se. E depois ele n�o me deixou ir.

Dizia que se matava se eu o deixasse.

Se calhar foi isso. Matou a sua mulher e suicidou-se.

E o que � que fez � arma?

Ent�o? O que � que eu estou a ver?

Tu n�o estavas l�, Frank. Olha com aten��o.

O Tony fez um concurso de tiro.

- Lembran�a? - Uma lembran�a da guerra!

- Porque � que me mentiste?! - N�o tenho licen�a.

J� tenho problemas de sobra, est� bem?

N�o, n�o est� bem!

Vai buscar.

Tinha-me esquecido completamente dela. N�o � grave.

Estava aqui.

Juro que estava aqui.

Desapareceu. Tenho a certeza que estava aqui.

Levaram-na.

A Hazel mexeu nela na semana passada, deve t�-la guardado.

Falas da pistola de que te tinhas esquecido?

Bom dia.

O que � que est� a fazer?

Posso perguntar aonde foi depois de estar com o advogado naquela noite?

- Para casa! Que est� a fazer? - Directamente para casa?

Posso ter dado uma volta. Estava muito irritada.

Vai ter de arranjar melhor.

Bebi uns copos. N�o me lembro ao certo onde.

- De que est� � procura? - De muita coisa.

Como por exemplo?

Isto � um mandado de busca.

Importa-se que demos uma vista de olhos pela casa?

Disse alguma coisa � pol�cia para desfazerem o meu carro?

- N�o. - N�o?

N�o.

� que eu fui ao hotel nessa noite.

O Dr. Roscoe contou-me o que o Carlo ia fazer

e queria impedi-lo. Eu n�o ia casar com ele.

Mas sabia que ele ia ficar furioso.

Por isso, fiquei no carro.

Ficou no carro? N�o entrou?

Devia ter dito � pol�cia, mas estava t�o assustada...

Parece comprometedor, n�o �?

- Acho que foi a mulher que o matou. - Estava a 80 km de dist�ncia.

Se calhar contratou um assassino.

V� falar com ela.

Ou�a, estou a fazer a minha investiga��o, n�o a sua.

Eu pago-lhe.

Para descobrir o assassino da minha mulher? Quem julga que sou?

Algu�m que precisa de dinheiro.

Podia aproveitar para mudar de bairro.

A minha m�e era prostituta. Gosto de viver aqui.

Pois, oh.

Conheceu o seu pai?

Conheci. Conheci os meus pais todos.

A que horas � que o seu marido chegou a casa na noite do crime?

Pensa que o meu marido est� envolvido?

Santo Deus, n�o! S� quero esclarecer a sequ�ncia dos acontecimentos.

Por volta da meia noite. Ultimamente tem trabalhado at� tarde.

Eu estava quase a adormecer quando ouvi o carro.

- Porque molesta a minha mulher? - Desculpe?

Se tem perguntas, v� ao meu escrit�rio faz�-las.

Tenho uma pergunta. Se saiu do escrit�rio �s 10,

porque � que levou duas horas a guiar cinco quil�metros?

- Foi ao hotel com a Angeline? - N�o tenho que falar consigo.

Tem, sim. Mais tarde ou mais cedo.

Sou o inspector Vance Vimo-nos no enterro do seu marido.

Mas j� falei com o inspector Aaron.

Inspector?! Vou ter de o p�r na ordem.

Tem um minuto?

Ele j� tinha tido outros casos.

T�nhamos um acordo. Ele jurou que n�o significavam nada

e que nunca me deixaria. - At� � Angeline...

Quando voltou de Miami, vinha diferente.

Estava completamente dominado por ela. Fazia tudo o que ela dizia.

Ela � uma mulher muito persuasiva, muito esperta.

De certeza que n�o tem � ci�mes?

Claro que tenho ci�mes.

Fiquei doente de ci�mes.

Esta foi a primeira exposi��o americana dele, em Miami.

Eu era galerista. Foi assim que nos conhecemos.

Tive de abdicar disso tudo quando nos cas�mos.

A mulher dele nunca poderia trabalhar.

Quero l� saber que tenha morrido.

Podia mentir, mas n�o me importo.

Deixei de o amar antes de ele... me p�r fora de casa.

P�ra de andar por a� a dizer que �s pol�cia.

Ali�s, p�ra de todo. Fazes-me passar por parvo.

Chego sempre cinco minutos depois de ti.

N�o tenho culpa se estou � tua frente.

- Achas que ela est� metida? - N�o.

� uma mulher amarga que queria deitar as m�os aos quadros.

Mas est� inocente. Foi a Angeline.

O carro n�o tinha nada. E a casa tamb�m.

Ela n�o se descose. Ainda hoje veio aqui tentar contratar-me

para investigar os crimes que ela cometeu.

N�o quero que voltes a v�-la.

Sei porque � que lhe cortaram o dedo. Para autenticar os quadros.

Muito bem, detective. N�o �s o �nico que trabalha.

O Stasio tinha casas na Am�rica e em It�lia.

Imagina centenas de quadros espalhados pelo mundo,

que n�o valem nada sem a impress�o digital.

Foi ela, Frank. Tenho a certeza.

Toda a gente acha que fui eu, n�o �?

N�o...

Vi um homem na escada de inc�ndio, enquanto estava no carro.

- Como � que ele era? - Estava escuro. N�o deu para ver.

Que altura tinha... E n�o diga que era da minha altura!

N�o consegui ver.

- Contou � pol�cia? - Eles acham que eu inventei.

Era feliz com a Hazel?

N�o sei, n�o sou perito em casamentos.

Quando estava com ela, queria estar com outras?

Sim, sempre. Adoro mulheres. Perco a cabe�a.

Acha quedas pessoas sabem o que fazem?

Ou acha que somos levados por coisas que n�o controlamos?

As pessoas s�o capazes de tudo.

Quando um barco naufraga, mulheres e crian�as n�o s�o as primeiras a sair,

s�o os que est�o dispostos a espezinhar os outros.

- Voc� � t�o parecido comigo. - Sou?

N�o gosta muito de si pr�prio, pois n�o?

Seria muito diferente se estivesse na Am�rica.

Seria uma pessoa diferente. Um novo come�o.

Compreendo a Selina. � mais parecida comigo do que eu gosto de aceitar.

Ningu�m gosta de ser usado e deitado fora.

Ent�o porque ficou com ele?

Porque precisava que me dissessem que me amavam.

E quando dizem fico assustada e s� quero fugir.

N�o respondeu. Se ele era assim t�o horr�vel, porque...

Esta algu�m ali fora. Vamos para dentro de casa.

Est� a brincar?!

Est� tudo fechado?

Enquanto estiver c� sinto-me segura.

N�o posso ficar.

N�o tem para onde ir. Pois n�o?

N�o me posso envolver.

N�o quer ir � adega escolher um vinho?

� tarde. N�o percebo nada de vinhos.

Ent�o escolha uma garrafa com um r�tulo bonito!

Que piada...

Angeline?

Acho que o Bordeaux n�o se serve assim.

Vou para casa.

Ent�o vai.

- Porque � que ficaste com ele? - O qu�?

O Stasio. Se ele era t�o horr�vel, porque � que ficaste com ele?

N�o acredito! A interrogar-me enquanto fazemos amor.

Sabes quem eu sou, Tony?

Ningu�m.

Mas conheci o Picasso, o Braque, o Matisse...

Estive no M�xico, em Paris, nos mares do sul,

s�tios com que os outros sonham. Quando morrer, continuarei a existir.

V�o ver-me em galerias de todo o mundo.

N�s n�o somos nada. S� sa�mos da sarjeta �s costas de outros.

Nem toda a gente pode ser especial.

Tu e eu desejamos ardentemente ser o que n�o somos.

Temos de ser especiais. E faremos tudo para isso.

- N�o farias tudo para isso? - Faria, sim.

Frank, espera. Espera. N�o posso fazer isto.

�s o assassino.

Est� bem, entro pela porta...

... mato-os com tiros.

Corto-lhe o polegar, aqui,

e vou-me embora. - N�o.

Porque � que eles nem tentaram levantar-se?

Porque � que ficaram quietos, e te deixaram pegar na almofada?

Est� bem. N�o est�o com medo.

- Porque me conhecem. - Exacto.

Um deles conhece-me.

E assassino n�o entrou por essa porta.

V� a orienta��o do sangue na parede.

Viraram-se os dois para a casa de banho. Est�s a ser muito lento.

- A casa de banho tem uma varanda. - Um trinco simples.

N�o h� janela mais f�cil de abrir.

N�o h� escada de inc�ndio.

N�o ia arriscar fugir por aqui. Principalmente de noite.

Porque pensas que o assassino saiu do hotel depois do crime?

Foi pelo telhado, merda!

Esta janela d� para a cozinha. Est� fechada � noite, no inverno.

Daqui ningu�m te v� se desceres a escada para a recep��o.

- Boa, Frank. - S� h� uma coisa que me chateia.

Onde � que est� a pistola?

Toda a gente no hotel foi revistada. Os quartos tamb�m,

caixotes do lixo, tudo. E a pistola, nada.

Volta atr�s. Repete tudo.

O que fizeram com a arma?!

Espera a�! Aonde � que isso vai dar?

Aquece a �gua para o hotel todo.

Encho-a � noite e logo de manh�.

- Quantas vezes � que � desligada? - Nunca.

Est� feita de maneira a que as cinzas caiam para o tabuleiro, em baixo.

O que � que procura?

Est� uma coisa l� atr�s. Est� a ver?

Acha que consegue l� chegar?

- De que marca � a tua pistola? - Ent�o, Frank?

De que marca � a tua pistola?

Beretta.

- Tenho de te prender. Tem de ser. - Querem tramar-me, Frank.

N�o te contei isto, mas h� dias assaltaram o meu escrit�rio.

- N�o faltava nada... - N�o comeces!

- � verdade! - Se der isto ao Waterston,

� o suficiente para te condenar. - Foi a Angeline!

Estava � porta do hotel nessa noite.

- E qual era o motivo?! - Odiava-o.

- Tony, tenho a tua pistola na m�o, - Tens de me dar dois dias.

Conseguimos apanh�-la. 24 horas.

- E se descobrem? - O que � mais importante?

- amizade ou procedimentos? - N�o uses a nossa amizade!

Porqu� Que mais � que eu tenho?!

Foste o �nico que me defendeu.

Apoia-me agora.

Posso meter-me num sarilho.

Nenhum detalhe do testamento foi ainda tornado p�blico.

Era esse o desejo de Mr. Stasio, que eu respeitei, claro.

Mrs. Stasio... Bem, j� se conhecem, claro. Podemos come�ar?

O testamento � um documento bastante longo,

e o autor nomeia v�rias funda��es e bibliotecas

que dever�o ficar com os seus di�rios, cadernos de desenho, etc.,

mas vou concentrar-me primeiro na divis�o principal do patrim�nio

e dos quadros, que � bastante mais simples.

"� minha querida Angeline deixo tudo o que possuo,

para ela dispor como entender."

Ent�o e n�s?

� um esc�ndalo!

S� isso?!

Mas... � isso?! Ela fica com os quadros?!

A senhora n�o � mencionada no testamento, Mrs. Stasio.

Mas eu estava com ele quando fez o testamento...

Quando � que este foi feito?

- Quando � que foi feito? - 21 de Dezembro de 1959.

No dia em que morreu. Ele muda o testamento,

deixa tudo a ela, e nesse mesmo dia � assassinado?!

Cabra! N�o p�de esperar.

Assim que ele assinou viu-se livre dele, n�o foi?

Eu bem disse, Frank!

Assim que tinha a assinatura dele, pronto. O testamento � legal.

- Ela vai ficar com tudo. - Eu desconfio do Roscoe.

Se calhar est�o juntos nisto. Vou segui-lo.

O que � preciso para te convencer? N�o tem nada a ver com o Roscoe.

Foi a Angeline. Eu consigo apanh�-la. Confia em mim.

- N�o voltes l�. Deixa-a comigo! - Vou s� falar com ela.

S� quero falar contigo.

O que est�s a fazer?

- Desculpa. Desculpa. - Estavas � procura de alguma coisa.

Achas que os matei?! Vai-te embora. Sai!

- Desculpa, tinha de saber. - Larga-me!

N�o consigo ficar longe de ti!

Pensam que o matei por dinheiro! N�o o quero, nem aos quadros!

- Sei que n�o foste tu! - Como podes saber?

Como podes dizer isso se te apanhei a revistar tudo?!

- Como � que posso confiar em ti? - Temos de confiar um no outro.

Vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa.

Tem um minuto?

V�-se embora, estamos ocupados!

Pol�cia!

Ser� que me enganei?

- O que � que se passa? - � melhor esperares na cozinha.

Est� metido num sarilho Escuso de lhe lembrar a lei...

- Posso vestir-me? - N�o.

Tiveram problemas em vender isto.

Fiquei com a chave que a Hazel me deu. Venho aqui muitas vezes.

N�o, n�o h� luz.

Vivia aqui o dono de um clube que estava a planear um assalto.

S� t�nhamos que vigiar a casa. N�o era perigoso.

Estavam dois outros pol�cias a vigiar o clube.

Conheci a mulher dele, Hazel. E vinha v�-la todas as noites.

O Frank disse-me para parar com aquilo, mas eu nada.

N�o conseguia resistir. E, uma noite, um pol�cia, o Colin...

teve problemas por minha causa. Mataram-no por minha culpa.

�s vezes, penso que a minha vida � a mesma coisa m�.

Isto n�o � a mesma coisa! Est�s inocente. Nada tens que temer.

Mas n�o estou inocente. Nunca fui inocente.

E o homem que matou o Colin? Se calhar quer vingan�a.

Duvido.

Foi enforcado no ano passado.

As pessoas acham sempre que s�o melhores do que eu. E s�o.

- N�s somos iguais. - N�o, n�o somos iguais.

Compra um bilhete e volta para a Am�rica.

Porqu�?!

Porque v�o acontecer coisas muito m�s.

Tem Sorte.

Foi o Frank que me deu, quando me formei na Academia.

Um cami�o passou-lhe por cima, e nunca mais funcionou bem.

O que foi? Est�s bem?

Angeline?

Angeline!

�s mesmo tarado, sacana!

O que fazias aqui? Comia-la, como ontem?

- Est�o juntos nisto, n�o est�o? - Pois, claro.

- Quero uma confiss�o. - Pronto, eu confesso.

- Ouviste isto, Paul? - N�o, n�o est� certo.

Cala-te!

V� l�, bate-me.

Pois, pelo Colin.

Que quer que eu diga? Digo-lhe o que quiser. N�o posso ir preso.

N�o posso ir para a pris�o.

Planeou tudo com a Angeline, n�o foi?

Avisou-a assim que o Stasio alterou o testamento.

Eu disse-lhe, mas juro que n�o fazia ideia do que ia acontecer.

Mas sabe quem � que os matou, n�o sabe?

Foi a Angeline, n�o foi?

N�o atendo telefonemas!

Tony? Onde?

Est� bem, espera a�.

Espera a�!

V� para o seu escrit�rio buscar o testamento antigo,

re�na os dossiers da fam�lia Stasio, as cartas,

os apontamentos de todas as reuni�es. Quero tudo, ouviu?

N�o me engane. Tudo! Vou la ter daqui a 20 minutos.

- Desculpa, Frank. - Mas o que � que aconteceu?

Bati numa porta!

Deu-me c� um enxerto!

- Qual � a piada? - J� resolvi o caso.

O Roscoe est� disposto a contar-nos tudo.

Tony, goza o final da d�cada velha.

Feliz Ano Novo, Roscoe!

Temos de chamar algu�m, Frank!

H� um bilhete. Deixou um bilhete.

Ajuda-me a vir�-lo.

Meu Deus! O que � isso? Pega nisso.

O que � que diz?

V� l�, o que � que diz?

N�o posso ir para a pris�o.

A Angeline n�o teve nada a ver com os crimes.

Foi o Tony Aaron que os matou.

- Qual � a sua profiss�o actual? - Detective privado.

E em que consiste a maior parte do seu trabalho?

Varia.

- Parece que tem uma especialidade. - Fa�o muito trabalho conjugal.

Falsifica adult�rios para permitir �s pessoas pedirem o div�rcio.

Gosto de pensar que ajudo pessoas infelizes a reconstru�rem a vida.

At� parece que � caridade. Mas n�o � caridade, pois n�o?

Ganha dinheiro � custa da infelicidade dos outros.

Como os advogados?

Dizem que obrigava a sua mulher a ir para a cama com estes homens

e depois ia a tribunal testemunhar o adult�rio.

- Era mais ou menos isso? - Mais ou menos.

E quantos destes fins de semana 'sujos' organizou?

N�o sei, talvez uma d�zia.

N�o vamos discutir o n�mero por agora. Uma d�zia.

Quer dizer que pelo menos doze vezes mentiu em tribunal.

Mentiu, e voltou a mentir.

N�o podemos dar muito cr�dito ao que diz agora, pois n�o?

Porque � que saiu da pol�cia?

Um amigo meu foi morto e...

E o qu�, Mr. Aaron?

N�o aguentei a press�o. Tive de sair.

N�o o for�aram a demitir-se em troca da retirada da queixa contra si?

Basta, Dr. Jenkins.

O j�ri dever� ignorar o �ltimo coment�rio.

Mr. Aaron, porque � que se casou com a sua mulher?

Isso � uma pergunta est�pida!

Est�pida ou n�o, porque se casou com a sua mulher?

Pela mesma raz�o de toda a gente, porque a amava.

N�o acredito.

O Tony comprou-me um carro h� uns anos e fic�mos amigos.

Na altura, ele andava com uma mulher casada.

- Refere-se a Hazel Powers? - Sim.

Depois o Powers matou o chui

e foi julgado e enforcado.

Uma noite, o Tony e eu est�vamos a beber uns copos

e ele disse que ia casar com a Hazel. Eu nem queria acreditar!

At� a�, ele s� dizia que ela era uma boa...

Sim?

Boa na cama.

Nunca pensei que gostasse dela. Disse-lhe isso e ele riu-se.

E disse: "J� viste a casa dela? Sabes quanto dinheiro � que ela tem?"

N�o deixou d�vidas quanto � raz�o por que se ia casar.

Continuou a ver Mr. Aaron depois do casamento?

Depois de casarem, o Tony descobriu que o Powers tinha d�vidas,

estava praticamente falido. Venderam o clube,

puseram a casa � venda e a Hazel ficou sem nada.

Quando ele soube, ficou furioso.

Disse que tinha feito o maior erro da vida dele.

Mr. Aaron, sabia que a sua mulher tinha um seguro

atrav�s do Sindicato dos Actores? - N�o.

S� soube quando arrumei as coisas dela depois...

- Lembra-se das condi��es da ap�lice? - S� li uma vez.

O senhor receberia mil libras pela morte dela.

- � uma ap�lice normal... - Obrigado. � tudo por agora.

Posso dizer com certeza que esta � a arma que os matou.

Pergunt�mos-lhe duas vezes se ele tinha uma arma.

E ele negou das duas vezes.

Esta arma � sua?

Perguntei se esta arma � sua, Mr. Aaron?

Parece a minha arma.

Como � que foi parar � caldeira do hotel?

Foi roubada. O meu escrit�rio foi assaltado.

E quando � que participou o roubo?

N�o sabia que faltava alguma coisa. S� reparei depois dos crimes.

E houve testemunhas desse alegado assalto?

Sim, eu estava com um cliente.

- Quem � esse homem? - � um advogado.

E vamos poder falar com esse advogado?

N�o quer comparecer em tribunal.

� o primeiro advogado que eu ou�o dizer que n�o quer ir a tribunal.

Quer dizer que ningu�m pode provar esse alegado assalto?

O advogado pode.

Porque � que tinha uma arma?

Usava-a para amea�ar pessoas?

- Tenho de protestar! - Estou s� a tentar perceber.

- Porque tinha uma arma? - N�o sei. Tinha-a, pronto.

E quando � que pediu a licen�a de porte de arma?

N�o tinha licen�a.

- Tens de trazer c� o advogado. - Ele n�o quer. J� tentei.

Entregue isto ao Frank.

Ajuda-me

Foi dif�cil encontr�-lo.

Est� a perder o seu tempo, detective.

Ele est� a a dizer a verdade quanto ao assalto?

Lamento, mas n�o posso ajud�-lo. Est� em causa a minha reputa��o.

Que se lixe a sua reputa��o. O que ele diz � verdade?!

N�o tenho nada a dizer. Deixe-me em paz, por favor.

H� lugar para mim?

Quero recordar-lhe quem eu sou, detective.

- N�o me deixarei intimidar... - N�o lhe dei op��o.

Falo da vida de um homem.

Ou quer que diga aos seus amigos finos que tipo de pessoa �?

Este � o seu casaco?

Tinha pagado a Mr. Aaron para encenar um encontro com uma mulher

para ele nos fotografar e assim conseguir o div�rcio.

Encontr�mo-nos na esta��o de Brighton

e fomos ao escrit�rio dele assinar pap�is.

Reparei logo que havia qualquer coisa. A porta tinha sido arrombada.

Mr. Aaron foi ver � secret�ria e � volta,

e n�o deu pela falta de nada. E continu�mos com o nosso assunto.

Mas havia sinais claros de arrombamento?

Sim. Havia, sim.

- Fazes parte da acusa��o. - N�o acredito que foi ele.

Da acusa��o, Frank!

N�o podes ir � procura de provas da defesa!

J� n�o tenho a certeza.

Tens a arma, que mais queres?

Sabes que foi ele. N�o queres � acreditar.

O Waterston sabe qualquer coisa. O que tem ele na manga?

H� a pistola, sim, e mesmo o bilhete de suic�dio.

S�o graves, mas circunstanciais.

N�o h� nada que o ligue directamente. N�o h� testemunhas...

- Ele tem que ter mais alguma coisa. - Mas n�o h� mais nada.

Fui ao hotel nessa noite buscar o Carlo.

Ia lev�-lo para casa depois da...

... fotografia.

Estava l� h� uma meia hora quando vi uma coisa.

O que � que viu?

Vi algu�m a subir ao telhado do hotel.

Depois parou e entrou por uma janela.

A janela da cozinha,

no terceiro andar da parte da frente do hotel.

Sim.

Viu quem era?

Era um homem, pela roupa. Mas estava escuro, n�o se via bem.

Ent�o n�o faz ideia de quem era?

Sei perfeitamente quem era.

Se diz que estava escuro, como pode ter a certeza?

Antes de voltar a entrar, parou para acender um cigarro.

E viu a cara dele � luz? A essa dist�ncia?

N�o.

Mas ele tinha um isqueiro.

Que n�o funcionava bem. Por isso bateu com ele na m�o,

abanou-o duas vezes e tentou acender.

Era uma maneira muito espec�fica de acender um cigarro.

Nunca mais me lembrei, at� ver Tony Aaron fazer a mesma coisa.

Mentirosa! � uma mentirosa!

- Est� a inventar tudo! - Sente-se, Mr. Aaron.

O que � que a senhora que acabou de sair comprou?

Um bilhete de avi�o para a Am�rica. Porque � que pergunta?

- S� de ida? - Sim.

Viram as provas,

a carta do advogado, a arma,

viram as chocantes fotografias das v�timas.

Devem estar a pensar

que tipo de pessoa � capaz de cometer esta atrocidade.

Um homem expulso da pol�cia

e que, como ele pr�prio confessa, agora vive de fraudes e mentiras.

Um homem que h� dois anos comete repetidamente perj�rio em tribunal.

Um homem desesperado por dinheiro,

e que estava disposto a tudo para o conseguir.

Eu sei que as coisas est�o feias, e n�o sou nenhum santo.

Mas n�o fiz isto.

Roubaram a minha pistola e tentaram tramar-me.

Para que e que eu ia matar a minha mulher? Podia divorciar-me.

Eles dizem que matei a minha mulher por mil libras,

e depois matei o homem tamb�m para que n�o suspeitassem de mim?!

� doentio, �...

N�o era capaz de fazer uma coisa dessas.

N�o nego que menti, que fiz muitas coisas erradas na vida.

Mas isto n�o. Isto n�o, meu Deus!

Um dos jurados est� a sorrir. Vai correr bem.

J� chegaram a um veredicto un�nime?

J�.

E, quanto � acusa��o de homic�dio,

consideram o arguido culpado ou inocente?

Culpado.

N�o, estou inocente!

N�o, larguem-me!

Estou inocente! N�o fui eu!

Estou inocente, juro!

Ela est� limpa. Eu segui-a, tudo.

Indeferiram o meu recurso.

Foi ela, Frank. Foi ela.

O que posso fazer? N�o posso fazer mais...

Sabes o que � que eu tenho aqui? Estes dois a vigiarem-me noite e dia,

a perguntar se quero jogar domin�.

Se eu quero jogar domin�! Vou ser enforcado amanh�, Frank,

n�o me digas que n�o podes fazer nada. Volta a revistar a casa!

N�o arranjo outro mandado sem novas provas!

Quando ela me apanhou no est�dio do Stasio ficou furiosa. Revista a casa!

Coma o bife antes que arrefe�a, Tony.

Imploro-te, encontra qualquer coisa! Revista a casa outra vez.

Paul, sou eu. Liga para os aeroportos.

Se ela aparecer, pede � alf�ndega que a retenha.

Inventa uma desculpa qualquer! Tens de fazer isso!

N�o posso responder. N�o foi anunciado nenhum perd�o.

Lamento, ter� de perguntar ao oficial de imprensa.

Isso tamb�m.

Desculpe, n�o posso ajud�-lo.

Est� na hora.

N�o, o governador n�o tem nada a comentar.

N�o vou conseguir! N�o vou conseguir!

N�o, por favor, esperem! N�o fui eu!

Por favor, n�o fui eu! Eu n�o fiz isso!

Juro que n�o fui eu.

Estou inocente, meu Deus! N�o fui eu!

Por favor, juro que n�o fui eu!

N�o quero isso!

N�o se v� embora, por favor. Espere! N�o fui eu!

Onde pensa que vai?

Por favor, estou inocente!

Estou inocente!

Que foi? N�o quer sair?

Adeus.

Vais deixar Brighton?

Isso parece uma ordem.

- N�o queria... - Eu sei.

Ainda deves dinheiro a muita gente.

N�o, Frank. N�o.

V� l�. Compra um fato e faz a barba.

Desculpa n�o ter acreditado em ti.

A vida � muito curta.

A gente v�-se.

N�o creio.

- Hoje n�o � dia de visita. - O Frank organizou-o.

Achei que ias gostar de apanhar ar.

Ent�o para onde vais?

Para a Am�rica.

Eu ia para l�. Mas n�o consegui l� chegar.

- Quanto � que ela te pagou? - O qu�?!

- A Selina. - N�o comeces.

Ficou rica. Devias ficar com metade, pelo menos. Correste muitos riscos.

Tinhas de ir preso por tratar dos div�rcios. Essa foi boa,

desviou as aten��es. Seis meses por dois homic�dios, nada mau.

N�o vim c� para isto.

A revistar as minhas coisas � procura de provas...

- Lembras-te? - Claro que me lembro.

Mas n�o estavas � procura de provas, pois n�o?

Estavas a coloc�-las, para o Frank as encontrar.

Quiseste conhecer-me s� para me tramar.

Adeus, Angeline.

Ent�o quem � que os matou, se n�o foste tu?

Tu!

E continuas a tentar arrastar mais algu�m contigo.

Mataste-os e apanhaste perp�tua.

Se fosses homem, tinhas sido enforcada.

Sou uma sortuda...

- N�o te v�s embora. - Tenho que apanhar um barco.

Senti a tua falta.

Sinto a tua falta todos os dias.

Tenho pena que nada tenha corrido bem.

Tens de me dizer, Tony. Dou em doida aqui fechada,

sem ter a certeza. Por favor, diz-me.

Ningu�m vai acreditar em mim, diga o que disser. Preciso de saber.

Diz-me s� uma vez.

Foste tu?

Foste?

Murmura. Foste tu?

Foste tu?

Ele est�?

S� pus 30 quadros � venda, mas podia vender todos.

Tudo. Quero esperar uns tempos,

para os pre�os subirem.

Vamos ficar muito ricos.

Sou capaz de aceitar a tua proposta pelo teu Stasio, um dia.

Disseste que ela s� queria o dinheiro, mas enganas-te.

Ela s� queria ser algu�m.

Que interessa isso? J� est� fora do caminho.

Apaixonaste-te por ela, n�o foi?

Por isso demoraste tanto a colocar as provas!

N�o, era apenas trabalho.

V� l�, Tony. Tens tudo o que sempre quiseste.

Tradu��o e legendagem MIGUEL VASCONCELLOS

Transcritas por: CtrlAltDel Sincronizadas por: RicardoB/2020

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