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Acho que foi a Katarina que partiu a janela.
Discutimos na escola por causa do vídeo do Oscar.
- Posso vê-lo? - Claro.
- Vamos para ali. - Sim.
O Oscar partilhou-o num chat com uns rapazes e o meu filho.
Suspeito que instalou um monitor de bebé para espiar a Ruby e a filmar.
Conversei com o Viggo ontem.
Ele disse-me que o Oscar lhe mostrou um vídeo ainda pior do que esse.
- Também o posso ver? - Não. Não foi partilhado no chat.
O Oscar mostrou-o ao Viggo no telefone dele.
Pelos vistos, ameaçou o Viggo
para ele não dizer nada.
Eu não o quis pressionar até agora.
Com tudo o que se passa… Ele tem muito medo.
Se denunciar o Oscar por partilhar com menores material de abuso sexual,
arranjo um mandado de busca para apanhar o monitor e o telefone dele.
- O vídeo deve estar aí. - Tenho de denunciar o Oscar?
Sim.
RESERVADO
Sim?
Recebemos uma queixa, o seu filho
partilhou material de abuso sexual de Ruby Tan com outros menores.
Quem apresentou a queixa?
Queremos aceder à casa e aos dispositivos do Oscar.
Isto é uma caça às bruxas!
Denunciar só um quando há cinco rapazes no chat.
Recusa-se a deixar-nos entrar?
- Tem um mandado? - Sim, claro.
Amor, eles voltaram.
Vejam o quarto dele. Vou ver a cave.
Anda para casa.
Porque tenho de ser sempre eu a fazer tudo?
Grande merda.
Havia uma câmara no quarto da Ruby?
Foi a Cecilie que o denunciou? Foi?
Havia uma câmara no quarto da Ruby?
Uma câmara?
Livrámo-nos dessa tralha quando arrumámos as coisas da Ruby.
Porque agem assim? Como se ele fosse um criminoso?
Foi só uma partida de miúdos idiota.
Os rapazes sempre espreitaram miúdas nos balneários.
Ele é só um miúdo!
Viram o que os outros partilharam? Não é muito melhor.
Porque denunciaste o Oscar à Polícia, raios?
Então?
Foste tu, certo? Não foste?
Fiz o que tinha de fazer.
Tinhas de fazer? Está bem…
O que sabes tu de ter de fazer o que seja?
Katarina, o Oscar não tem limites.
O quê?
Ele precisa de ajuda.
Estás a dizer que sou má mãe?
Não acredito que me estás a julgar.
Que mãe serias tu sem uma au pair nem comprimidos para dormir?
Katarina.
Não te deves lembrar, mas deixaste um bebé de oito semanas sozinho em casa.
Se eu não desse com o Viggo…
- Para! - Julguei-te por isso?
Não, consolei-te na tua sala de estar
enquanto choravas. "Não sou boa mãe."
Não te atrevas a julgar-me! Sou uma mãe excelente, porra!
O que se via ao certo no vídeo que o Oscar te mostrou?
Diz-me já, Viggo.
Isto é muito grave.
Revistámos tudo. Não há nada.
Não pode ser. Alguma coisa te escapou.
- Analisámos tudo. - Está bem.
Olá, Ella.
O exame de ADN do Rasmus Hoffman deu correspondência.
Fantástico, porra.
Então, ele é o pai do bebé?
Não.
Há uma correspondência de 24,1 % com o feto.
De 24,1 %? Como assim, porra?
A cerimónia pela Ruby é amanhã às 12h. Se calhar, devíamos…
O que foi?
É o Oscar.
A Ruby matou-se por causa do Oscar.
Ele violou-a.
Não.
Mike.
O que foi?
Tens de vir para casa.
O que aconteceu?
Não podes estar aqui agora, Oscar.
Dizem que cometi um crime.
É verdade.
Mas ela tem de fazer o que mando.
Tem de ser. Ela não pode recusar.
Não pode.
O quê?
Foi contratada para gostar de mim.
Ela tem de gostar de mim!
Oscar, tens de ir já para casa!
Vai para casa.
Posso ficar cá, por favor?
- Tens de ir para casa. - Por favor.
Por favor.
- Mike? - Sim.
- O que fazes aqui, Oscar? - Não.
- Posso ficar cá? - Anda lá.
Vai com o Mike, sim?
Eu levo-te a casa, sim? Anda.
Rasmus?
O Oscar apareceu sem contarmos lá em casa. Logo…
A Polícia acha que o Oscar violou a Ruby.
Dizem que pode ter sido ele a engravidá-la.
Querem levá-lo para a esquadra e chamar os serviços sociais.
O que?…
O que fazemos?
- Ele está lá fora. Tem medo de entrar. - Como solicitador, o que sugeres?
- Devias ir lá fora. - O que sugeres que faça?
Tu, mais do que ninguém, sabes que isto lhe dá cabo da vida.
O que devo fazer?
És meu amigo, não és?
Sim.
Nem acredito, era isto que ela me ia contar.
Desculpa não ter acreditado em ti.
Pois.
Vai correr tudo bem, amor.
Não sei o que me deu.
Desculpa.
Não faz mal.
Anda cá. Anda.
Vai correr tudo bem.
- Não o farei. Não me peças isso. - Vamos à cerimónia, sim. Anda.
Porque és assim? Porquê?
Porque andas sempre tão zangado comigo?
Vá, diz-me o que pensas.
Como raio não reparaste no que o nosso filho fez?
- Eu sabia! - Só tens uma função nesta casa.
- Criar o meu filho. - É o que faço.
- Não. - Sim.
Esmurraste o professor dele.
Não ouviste o que disse do nosso filho. Não estavas lá. Eu estava!
- Eu faço tudo cá. - Vai ser assim.
Liguei para Herlufsholm. Há vaga para ele.
- Não falas a sério. - Falo.
- Ele tem o direito de andar nesta escola. - Mas não vai.
Ele tem de recomeçar do zero. Ponto final.
- Vais deixá-los ganhar? - Basta!
Veste o vestido.
O que estás a dizer?
Então, amor?
O que?…
Amor.
Se achas que é o melhor, então, é o que faremos.
Desculpa, amor.
Lamento desiludir-te tanto.
Certo.
Parece que o meu trabalho é invisível. Que tu não me vês.
Vais tirar-me o meu filho,
tens de me dar algo em troca.
Dá-me algo em troca.
Não posso vaguear sozinha nesta casa vazia. Não posso.
Olá, querido.
Seu tonto.
Anda cá.
Anda cá, querido. Anda.
Tudo o que faço é por vocês os dois.
Olá.
Obrigada.
Darna, ponha-as aí, para já.
Obrigada.
Meu Deus! O que fazem eles aqui?
O que faz aqui?
Trouxe isto.
Não são bem-vindos cá.
- Como assim? - Saiam.
Vão-se embora.
Eu mandei-vos sair!
Kat.
Kat.
Anda.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Sentem-se.
Ele tem menos de 15 anos e não pode ir a tribunal,
mas se a Polícia o considerar culpado,
a Comissão para o Crime Juvenil decidirá a sentença.
- A inspetora é que decide? - É uma medida social, mas sim.
- Em último caso… - Olá.
- Olá. - O que fazem?
Estamos a tentar perceber a situação legal do Oscar.
Situação legal?
Achamos que a Polícia não tem razões para suspeitar de violação.
Temos de deixar bem claro que vamos contestar a alegação
de que o Oscar violou a Ruby com base num vídeo que ele partilhou.
Mas ele violou-a.
Não sabemos. Não sabemos o que andaram a fazer.
O Oscar mostrou um vídeo ao Viggo.
Que vídeo?
Onde está?
É verdade. O Viggo diz que o Óscar lhe mostrou um vídeo dele a violar a Ruby…
A Polícia só falou no vídeo do chat.
- O Viggo pode estar a mentir. - Não está.
Vamos cingir-nos ao que diz a Polícia.
O Oscar engravidou a Ruby, Rasmus.
Se a Ruby quis fazer sexo com um menor, quem cometeu um crime foi ela.
Em termos legais.
Podemos ter responsabilidade moral, já que foi nas nossas barbas,
mas o Oscar é uma vítima neste caso.
Ser visto como criminoso é o pior destino para um rapaz.
Os Hoffman ficaram abalados com o resultado do exame de ADN.
Estão preocupados se a Ruby abusou sexualmente do Oscar.
- Filhos da mãe. - Aicha, tenho de te dizer…
Ele violou-a e os pais apagaram as provas.
É muito difícil levar a tribunal casos de violação.
Mesmo com a vítima viva e disposta a testemunhar.
É um rapaz com menos de 15 anos,
será sempre um caso para os serviços sociais.
Não acredito que ela se tenha suicidado.
Ela era tão religiosa que não quis fazer um aborto,
jamais se suicidaria.
Acreditas nisso?
Acreditas?
Ela não é ninguém no mundo deles, porra! Ninguém a vai ajudar!
E eles vão escapar impunes.
Estão a distorcer tudo.
Podes dizer isso, mas o Rasmus tem razão.
- Se não foi violação, então… - Mas foi.
Foi violação.
- Se o Oscar negar, acabou-se. - O Oscar admitiu.
À Polícia, não.
O Rasmus vai ser duro. Vai negar a violação e dizer que o Viggo mente.
Eu acredito no Viggo.
Também eu.
Mas não o podemos sujeitar a isto.
Querida?
Diz logo a verdade.
Não confrontas o Rasmus porque é o teu maior cliente.
Não é verdade.
E o que achamos é totalmente irrelevante.
Sabes?
Se não há provas da violação, será a Ruby que…
Eu compreendo os aspetos legais, está bem?
Importa o que nós devíamos fazer.
Sim.
Querida.
O Viggo não devia passar pelo trauma de testemunhar contra o amigo
só para ser acusado de mentir.
Isto vai ficar mesmo muito feio
sem provas da violação e sem a Ruby se poder defender.
Ele é uma criança.
Precisa dos pais, não de um crime que tem dificuldade em compreender.
Bom dia.
Pronto, Angel.
Ouve…
Preciso de passar mais tempo com os meus filhos.
Quero passar.
Eles iriam adorar.
Olha…
Tens sido uma ajuda fantástica.
Mas acho que nesta altura
é melhor para nós estarmos cada uma com os seus filhos.
O que está a dizer, Cecilie?
Bem…
Como é óbvio, vou pagar-te os próximos três meses.
E o teu voo para casa.
E também pus algum dinheiro para o teu negócio.
Assim podes ficar com o teu filho.
Está a despedir-me?
É melhor para o teu filho que vás para casa.
Sabe lá o que é melhor para o meu filho, Cecilie.
Sabe lá.
O meu filho está a crescer…
Depois do que se passou com o Oscar, deves compreender…
Está a despedir-me por causa do que o Oscar fez?
Não quero que o Viggo fique confuso quanto à relação que tem contigo.
Vocês são muito chegados e…
Ele está numa idade estranha no que toca à sexualidade.
De que está a falar?
O Viggo ainda nem se masturba.
Não sei se é adequado que saibas isso.
Claro. Eu lavo-lhe os lençóis.
- Se fizesse isso, também saberia. - Só te quero salvar, Angel.
Salvar-me de quê?
Não preciso que me salve, Cecilie. Preciso do meu emprego.
Não devias ter mentido na tua candidatura.
E aceitaste dinheiro do meu filho. Aceitaste o dinheiro.
Não posso ter alguém na família que faça isso. Tu…
Lamento, mas eu…
É por isso que te vou despedir, sim?
Cecilie…
Não conhece o meu mundo.
Não sabe nada do meu mundo.
Tem sorte, só isso.
Muita sorte, sabe?
Muita sorte.
Só quero ajudar.
Angel?
Olá.
Adoro-te, Angel.
Usas estes pés para marcar golo na baliza dos outros.
És tu? O das riscas?
- Sim, podemos ser esse. - Está bem.
- Olá. - Ela adormeceu?
- Sim, finalmente. - Está bem.
Parece divertido.
O Rasmus ligou para nos irmos despedir.
Despedir?
Sim, do Oscar. Ele vai para Herluf na segunda.
Vais ficar bem?
Também queres vir, querido?
Acho que o Viggo não devia ir.
Então, não vamos?
Não os podemos ignorar. Vamos encontrá-los na rua.
Tenho uma reunião com o Rasmus daqui a dois dias.
É só um copo de vinho.
Está bem, só um copo?
Um copo.
Pode ser?
Nós despedimo-nos por ti.
O Oscar vai ficar bem.
- Tomas conta da Vera. - Ótima ideia.
Pode ser, querido? Boa.
Amor.
- Vou atender. Já te apanho. - Vou andando.
Claro.
Fala Cecilie.
Fala Aicha.
Cecilie, tenho de lhe pedir que deixe o Viggo prestar depoimento.
Certo. Lamento.
Sem vídeo, é a palavra dele contra a do Oscar.
Não queremos que passe por isso.
- Então, o meu chefe encerra o caso hoje. - Eu sei. É o que é.
Se os seus vizinhos destroem provas para encobrir o crime cometido pelo filho,
de que mais serão capazes?
Não a posso ajudar. Já decidimos.
Adeus.
Sabes que vou para um colégio interno?
Sim. Sim, já soube.
Sei que me odeias.
Não, Oscar. Não te odeio.
És uma criança, está bem? São…
São os teus pais. Eu…
A culpa não é da minha mãe.
Discutiram por minha causa.
Quem? Os teus pais?
A minha mãe e a Ruby.
Ela desapareceu na manhã seguinte.
Sim.
Herlufsholm.
Camaradagem…
Portanto…
Vai correr tudo bem. Eu andei lá e não morri.
- Olá! - Olá, amor.
Olá.
Bebe um copo.
Olá, querida!
- Vou falar com ela. - Está bem.
O que achas?…
- Olá, amor. - Olá.
Olá. Que bom ver-te.
Ainda bem que vieste.
Desculpa tudo o que eu disse.
Não devíamos apontar o dedo ao que fazemos como mães.
Somos as duas ótimas mães.
Como estás?
Pensei…
Disseste que não falaste com a Ruby
na noite em que desapareceu.
Desculpa.
- O que foi? - Já não importa, pois não?
Ela contou-te da violação?
Tu e eu…
Somos mães muito diferentes.
Para ti, é muito importante que os miúdos aprendam a levantar a mesa…
Eu quero que aprendam a lutar.
A lutar por isto tudo.
Eles tomam isto por certo, mas eu sei que pode desaparecer tudo num instante.
Como morreu a Ruby?
Como achas que morreu?
- O quê? - Como achas que foi?
Estás a perguntar porque achas que fui eu?
E se tiver sido?
Desculpem, mas temos saudades das nossas mulheres!
Querida.
Aqueles homens…
Acham que tudo se resolve sozinho.
Qual é o grande segredo?
Estamos a discutir o trabalho invisível que nós, mulheres, fazemos pelos homens.
Mas eu estou a ver-te agora, amor.
Não me refiro a isso.
- Estávamos a falar da carga mental. - Tu és a minha carga mental, amor.
Amor, vens?
RESERVADO
Legendas: Marta Gama
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