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NÃO VAIS PUBLICAR NADA, VIGGO?
ENTÃO?
Cecilie!
Cille!
- Querida. - O que foi?
É…
A Polícia ligou. Encontraram o corpo de uma mulher.
- Não… - É a Ruby?
Não sei, mas querem
que eu reconheça o cadáver, para ver se é a Ruby, e eu não consigo.
Nem sequer vi a minha mãe.
- Não pode ir o Rasmus? - Está numa reunião em Estocolmo…
- Eu nunca… - Katarina! Calma. Vá.
Não sou capaz.
- Respira fundo. - Eu…
Podemos pedir à Angel para ir lá? Por favor?
- Não. - Porquê?
- Não lhe posso pedir isso. - Porquê? Querida?
- É demasiado. - Também é demasiado para mim.
Está bem?
Não sou capaz.
Querida, ajuda-me, por favor.
Não sou capaz. Por favor?
Está bem. Vou eu.
Obrigada.
RESERVADO
Mãe. Posso contar-te uma coisa?
Tenho de sair. Falamos quando te for buscar à escola.
A avó toma conta da Vera, somos só nós os dois.
- Olá. - Olá.
- O que faz aqui? - A Katarina não pôde vir.
Posso ajudar?
Claro. Pode ser. Por aqui.
Fique aqui.
Está pronta?
Porque está tão inchada?
Por causa da água salgada.
- Quer sentar-se um pouco? - Não. Está tudo bem.
- Sente-se bem? - Sim.
Muito bem.
Adeus.
O que já se sabe?
A causa da morte foi afogamento.
- Ela parecia estar de boa saúde. - Estava grávida?
Sim, estava. Sabias disso?
Era uma possibilidade.
De quantos meses?
Ainda não sei dizer ao certo, mas…
… cinco a oito semanas, diria.
Há quanto tempo morreu?
É difícil dizer, pois esteve debaixo de água.
Mas há uns dias, pelo menos. Talvez uma semana.
Pode ter morrido na mesma noite em que saiu de casa?
- Sim. - Há indícios de violência?
Terás de esperar pelo relatório da autópsia.
Só estará pronto amanhã.
Para já, não há
indícios de violência.
Podemos determinar quem é o pai a partir do ADN do feto?
Claro, se o conseguires achar.
Certo.
Está bem?
Ela estava grávida?
Sim.
Céus…
Não sei a que horas ele chegou a casa.
Eu…
Tomei um comprimido para dormir na noite em que ela desapareceu.
Não sei quando o Mike chegou.
Está a desdizer o álibi dele?
Sim.
Está bem.
Angel?
Angel?
Encontraram-na.
Ela morreu?
Olá.
A Ruby morreu.
Sim.
A mulher, identificada como Ruby Tan, cidadã filipina de 22 anos,
era au pair da família de Rasmus Hoffman, que vive na casa aqui atrás.
Chegou à Dinamarca em abril deste ano.
A Polícia não confirmou se foi vítima de crime.
Ligou para o Mike.
Não posso atender, deixe uma mensagem a seguir ao sinal.
Olá, querido, tudo bem?
Olá, pai. Acho que a mãe se esqueceu de mim.
Desculpa.
Esquecemo-nos de combinar quem te vinha buscar.
Onde dormiste ontem à noite?
Em casa.
Levantei-me cedo.
Queres encomendar comida?
- Que tal? - Sim.
A Angel não devia cozinhar se está triste. Compreendes, não é?
Não há novidades sobre a morte da au pair de Rasmus Hoffman.
O caso lançou o debate sobre se o sistema de au pairs
é usado para explorar mão de obra barata em vez de promover intercâmbio cultural.
Olá.
Um porta-voz social-democrata…
O que fazes aqui?
O Viggo ligou-me, ninguém o foi buscar.
Viggo, desculpa!
Está tudo bem. Já falámos sobre isso.
A mãe tem muito em que pensar.
Comprámos comida a mais porque nos entusiasmámos, não foi?
Viggo, vai lá para cima. Tenho de falar com o pai.
- Claro. - Vai lá para cima.
Fui reconhecer a Ruby.
Eu tinha razão.
Ela estava grávida!
Sabes que a Polícia suspeita de ti.
Ai sim?
O que disseram?
Engravidaste a Ruby?
Cecilie, para.
Está bem?
Responde-me!
Para!
Nunca me respondes, porra!
- Engravidaste-a? - Claro que não!
- Nunca mais acredito em ti. - Cecilie.
- Não dormi com a Ruby. - Quero que te vás embora.
Querida?
Cecilie?
Cecilie?
Olá. Só vim ver como estavas.
Foi horrível, não foi?
Querida, a culpa é minha. Não devia ter-te pedido para a identificares.
Pronto, querida.
A boca dela estava toda… Devias ter visto a boca dela.
Não penses nisso agora, está bem?
Sabes que o Mike não está envolvido nisto.
Certo?
Ele está muito preocupado contigo.
Não a mantivemos segura.
Toma.
Aqui tens.
Vá.
Precisas de dormir.
Foi um dia horrível, mas tens de ultrapassar isto.
Temos de ultrapassar isto juntas. Pelo bem das crianças.
Pelo bem das crianças.
- Certo? - Sim, tens razão.
Muito bem.
Pronto.
Se não formos fortes, elas caem. E não podemos permitir isso, pois não?
- Temos de cuidar de ti. - Obrigada.
PORQUE NÃO ME RESPONDES?
Podemos ir à missa no domingo.
Espere um pouco, Darna.
O que fazes aqui?
Tenho de te contar uma coisa.
Agora não, Viggo. Estou ocupada.
- Tenho mesmo de te contar! - Viggo, agora não.
A cerimónia começa ao meio-dia.
Podemos falar depois.
Éramos chegadas a ela, afinal.
Ligou para o Mike. Não posso atender. Deixe mensagem…
- Olá. - Olá.
Aicha Petersen, Polícia de Zelândia do Norte.
Quero falar com Mike Winther-Jensen.
- Tem marcação? - Não.
Deixe-me ver.
Ele está em reunião. Podem esperar?
- Não. A sala de reuniões é ali? - Sim. Não, desculpe.
- É aqui a sala de reuniões? - Não! Estão em reunião.
Podemos ajudá-la?
Sou Aicha Petersen, da Polícia de Zelândia do Norte.
- Vim falar com Mike Winther-Jensen. - Sobre o quê?
Trata tu disto.
- Está bem. - Já venho.
As minhas desculpas. Trata disto.
Venha comigo.
Que loucura, vir ao meu escritório!
Tinha a opção de atender o telefone.
Onde estava na noite de 6 de agosto, quando a Ruby desapareceu?
Estava aqui.
Certo. No início, a sua mulher disse-nos que estava em casa.
Ela retirou isso.
- Fantástico. Como eu disse, estava aqui. - Claro.
Estava sozinho ou com colegas?
O meu cartão regista tudo. Temos câmaras. Quer essa informação?
- Seria ótimo. - Está bem.
E depois ficamos arrumados?
Não posso prometer isso.
Não fui eu, está bem?
Não engravidei a Ruby.
Para não me voltar a ver, aceite fazer um teste de ADN.
Saberemos os resultados hoje. A decisão é sua.
Vai determinar se nos voltaremos a ver ou não.
O Gabriel está aí?
Não, ainda está na escola.
Claro! Esqueci-me das horas.
Mana?
Sim?
Quando podes mandar mais dinheiro?
O que queres que faça? Que roube?
Achas que o dinheiro cresce nas árvores cá?
O que se passa?
Estás em sarilhos?
É só que…
A minha amiga de cá, a Ruby…
Ela morreu.
A sério?
- Sim. - O que se passou?
Não sei.
Deve custar muito.
Quem me dera estar aí para te abraçar.
Eu adoraria.
Tenho saudades de todos daí.
Aqui tens.
O que é isto?
O resultado do teste de ADN que a Polícia me pediu.
Satisfeita?
Já vês que sou inocente?
Sim.
Achas que é uma piada, porra?
Ela foi ao escritório para me perguntar onde estava quando a Ruby desapareceu.
Achas que os meus sócios não ficaram a pensar? Achas?
- Podemos perder isto tudo! - Tem calma!
Só lhes disse que eu não sabia onde estiveste.
Nunca serei bom o bastante para ti.
Para quando falo contigo.
Acordo todos os dias a sentir vergonha, porra.
Não sei se sou uma pessoa decente.
Mas tu não, claro. A maneira como passas pela vida…
É tudo tão fácil para ti.
Estás convencida de que tu és boa pessoa, porra!
- Uma pessoa decente e com valor. - Cala-te!
A Ruby morreu!
Como é que só pensas em ti, porra?
Sentes-te uma vítima por te enfiarem uma zaragatoa na boca.
Coitadinho do Mike Jensen.
Olá a todos!
Sentem-se. Silêncio. Obrigado.
Guardem os telefones.
Sentem-se. Sofie, guarda o telefone.
Silêncio.
Livros na mesa, se fazem favor.
Viggo, guarda o telefone.
Muito bem.
Viggo, não volto a dizer-te.
Guarda o telefone.
Guarda isso!
O que tens?
Fala Cecilie.
Olá, Cecilie, é o Kalle.
Kalle?
Sim, Kalle Hansen. O diretor de turma do Viggo.
Olá, Kalle.
O teste de ADN foi negativo
e a autópsia não revelou indícios de crime.
- Ela sofreu um ferimento na cabeça. - Sim, vários.
O cabelo ficou preso numa hélice.
- Não foi uma pessoa, de certeza? - Não posso dizer que não.
Não há indícios evidentes.
Certo. Obrigada.
- Vamos ver os Hoffman outra vez. - O relatório não aponta para homicídio.
- Não saberemos até acharmos o violador. - Sabemos, sim.
Carl, olha para isto.
Ela tinha ferimentos na cabeça. Não podemos excluir…
A Ruby estava grávida!
Pode ter pedido ajuda ao pai e ele recusou.
Ela não sabia a quem recorrer.
O padre disse-lhe o que achava do aborto.
Ela não podia voltar para o noivo com um bebé na barriga.
Decidiu sair de casa,
desligou o telefone e afogou-se na praia de Bellevue.
Não creio que seja suicídio.
Todos os investigadores novos sonham com um homicídio sensacional.
Não é por isso.
Mesmo que seja suicídio, um homem foi responsável pela morte dela.
- Não temos de o descobrir? - Temos de evitar um circo mediático.
Vamos dizer à imprensa que a morte da Ruby não levanta suspeitas.
Costumam concluir que foi suicídio.
Em que posso ajudar?
Concluímos a autópsia e já se pode libertar o corpo.
Está bem.
A família quer que ela volte para o país de origem, se o seguro cobrir o voo.
Senão, pagamos nós. A família não tem de pagar por isso.
O ministério dos Negócios Estrangeiros emite o livre-trânsito.
A minha secretária trata de toda a documentação.
Também está a tratar da cerimónia fúnebre com a igreja da Ruby.
Muito bem.
A imprensa não nos larga, portanto…
Espero que deixem bem claro que se tratou de um suicídio.
Nunca o fazemos.
- Certo. - Não podemos.
Claro, mas têm de o fazer. Senão, os rumores não acabam.
Não se preocupa com o impacto que isto teve na nossa família?
- Nunca anunciamos suicídios. - Mas…
Mas eu preciso que deixem bem claro
que não estive envolvido nem na morte nem na gravidez dela.
Não sei se a engravidou.
Nesse caso, deixe-me fazer o teste de ADN.
Tal como o Mike.
- A sério? - Sim.
Quando for óbvio que a morte não foi suspeita,
quero que deixem bem claro
que a família anfitriã da Ruby sente uma grande tristeza pela sua morte
e que pede à imprensa que respeite a privacidade dos que lhe eram próximos.
Obrigado.
O Viggo estava a usar o telefone na aula e,
quando lho tirei,
descobri um vídeo.
Está bem.
Parece que o Viggo filmou a vossa au pair nua.
Desculpe?
O vídeo é de um conjunto de mensagens entre alguns rapazes da turma
e há vários meses que partilham material muito impróprio.
Quem são os rapazes?
Além do Viggo, está lá o Oscar,
o Ferdinand, o Carlo e o Wolfgang. Também falarei com os outros pais.
Chegam daqui a meia hora, mas quis falar consigo primeiro.
- O Mike também vem? - Não.
Está bem.
Quero que saiba que a escola leva isto muito a sério.
Posso ver o vídeo?
Claro.
OS RAPAZES RICOS
Não é a nossa au pair.
Claro. Sim.
Também vais levar o ralhete?
Sim.
Pronto.
Olá, querida.
- Que mensagens são estas? - Partilharam uns vídeos marotos.
- Já os viste? - Não.
Obrigado por virem tão em cima da hora.
Hoje descobri mensagens dos vossos filhos
que andam a partilhar material pornográfico e violento há algum tempo.
Convidei-vos a vocês, pais, a representantes da associação de pais
e à Dorte, mãe da Mille, que foi filmada e teve o vídeo partilhado
para resolvermos isto.
Como assim, "material pornográfico"?
Estamos a falar de material pornográfico, de facto.
- E o vídeo da Mille? - Não é pornográfico, por sorte.
Mas é muito sexual.
Eles filmaram o rabo da Mille e partilharam.
Isso é sexual.
- Claro que é sexual. - Sim.
A associação de pais teve de ser chamada por causa de uns vídeos marotos?
Vi as mensagens no telefone do Carlos e vai além disso.
Os vossos filhos estão a degenerar por andarem sempre agarrados às au pairs.
O Viggo partilhou um vídeo da au pair nua.
Que nojo.
É a do Oscar.
- A que apareceu morta? - Sim.
O Oscar partilhou o vídeo no final de maio.
Que coisa horrorosa.
Posso ver o vídeo?
O quê? Aquele de que falamos?
Posso ver o vídeo, porra? Alguém?…
- Claro. - Tu tens.
Obrigada.
Sabes…
Muito bem.
Não é só ele que partilha vídeos, certo?
É evidente que é o Oscar que os incita.
Quem és tu para dizer isso?
Vê-se bem nas mensagens que é o teu filho.
Se repetem o ano, são crianças com problemas.
- Exato. - Não é…
- Quem são vocês, porra? - Olha a língua, Katarina.
Porque me chamaram cá?
Vou falar com o diretor.
Sugiro que obriguem os vossos filhos a deixarem os telefones em casa.
Tem de se fazer queixa do Oscar à Polícia. É abuso digital.
Oiçam, todos os rapazes estão metidos nisto. Não é só o Oscar.
- Não é preciso chamar a Polícia. - São todos culpados.
O Oscar será expulso, certo?
- Devia ser. - Sim.
Que grandes hipócritas!
São uns cobardes.
- Controla-te. - Têm medo de olhar para os vossos filhos.
- Se te dedicasses a ser mãe… - Estão a culpá-lo!
Katarina, o Oscar partilhou material de abuso sexual!
Haverá consequências. Para o bem dele também…
- Não culpem o meu filho! - Está bem?
Grande merda! Não tenho de aturar isto!
Cecilie?
Cecilie, estou virada do avesso.
Onde tinhas a cabeça?
- O quê? - Não lhe podes bater.
- Ele atacou o Oscar. - Deste-lhe um murro!
Porque não disseste nada?
- O que diria? - Não sei…
O Oscar filmou a Ruby sem ela saber. Não posso defender isso.
Mas não foi só o Oscar.
- Disseste que não usam o monitor de bebé. - E não usamos.
Para! Aquilo foi filmado de cima do armário.
Se calhar, o Oscar e o Viggo mexeram nele…
- O Viggo? - Sim.
Os dois fazem tudo juntos.
Sabes que mais? Eles não deviam andar mais juntos.
Como assim?
- Tu ouviste. - O quê?
Traidor! Para!
Para.
Viggo!
- Não digas nada do vídeo! Percebes? - Sim.
Eu mato-te se abres a boca.
Percebes?
Sim.
Mas que raio?…
Anda cá já.
- Mãe, para. - Não quero saber. Anda!
Entra no carro.
- Não quero! - Entra no carro quando te mando!
Anda.
Entra. A Cecilie não quer que andes mais com o Viggo.
Temos de respeitar isso.
Viggo?
Viggo?
Viggo?
Viggo?
Amor?
O que se passa?
Então?
Viggo?
Tens de me dizer o que se passa.
Então? Temos de falar disto, sim?
Amor. Olha para mim.
Diz-me o que se passa.
O Oscar mostrou-me um vídeo.
Está bem.
O das mensagens?
Não é o das mensagens. Um que ele só mostrou a mim.
Está bem.
Ele disse que me matava, se eu contasse a alguém.
E o que está no vídeo?
Anda cá.
É claro que ele não te mata.
Como sabes?
Abraça-me com muita força, sim?
Claro, amor.
Assim?
Com mais força.
Pronto.
Deixem-no em paz!
Vão-se foder!
Legendas: Marta Gama
RESERVADO
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