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Bem-vinda.
Já discutimos os pormenores.
Se tiveres perguntas, estou ao dispor.
Vamos começar com calma.
Não é necessário.
Muito bem. Há duas noites, desapareceu uma au pair da casa da família anfitriã.
Ligou o marido, Rasmus Hoffman.
És capaz de o conhecer.
É CEO da Turbinas Hafnia, há quatro gerações na família.
Um grande mandachuva. Não se mostrou preocupado com o desaparecimento.
É um caso simples. Declara o desaparecimento e apresenta queixa.
Trata tu do caso, mas vai-me dando notícias.
- Sim, claro. - Ótimo.
Muito bem.
RASMUS HOFFMAN RECEBE AUMENTO DE 24 % E PASSA PARA 31 MILHÕES
TURBINAS HAFNIA TRAVAM RECESSÃO NA DINAMARCA?
MULTIMILIONÁRIO DE ZELÂNDIA DO NORTE NÃO COMENTA PRESENÇA NA RÚSSIA
RESERVADO
Olá. Sou Aicha Petersen, da Polícia de Zelândia do Norte.
Comunicou o desaparecimento da sua au pair.
Faça o favor de se descalçar.
Com certeza.
Venha, vamos conversar aqui.
És tão lindo. Tão lindo.
- Quando é que ela saiu de casa? - Não sei, mas…
Chegámos a casa cerca das 21h.
Só a fui procurar às 7h do dia seguinte, porque ela ainda não tinha acordado.
Como estava ela na véspera?
Calma, amorzinho. Tens medo da senhora polícia?
- Como lhe pareceu ela naquela noite? - Normal.
Talvez um pouco triste.
- Sim. - Triste.
Quem me dera ter percebido isso.
Tenho de lhe perguntar se um conflito entre vocês a poderia levar a partir.
Não. De todo.
- Tem a certeza? - Sim.
Muito bem. Vamos localizar o telefone dela
e anunciar o desaparecimento nas redes sociais.
Ainda hoje.
- Só preciso do nome completo da Ruby. - O apelido dela é… É…
… curto.
Começa com um A…
Deve estar no passaporte.
É a Ruby?
Sim.
- Verifiquei as chamadas dela. - Algo de interesse?
A última chamada foi às 16h54 do dia em que desapareceu.
Para o 112.
Vou reencaminhar.
Já está.
Central, Polícia de Zelândia do Norte.
Estou, é da Polícia?
Sim, é da Polícia. Em que posso ajudar?
- Quero denunciar algo. - Corre perigo?
Minha senhora? Pode dizer-me o nome?
Estou em apuros.
Pode dizer-me o seu nome e localização?
Não estou em minha casa.
Não a posso ajudar se não me der informações.
É demasiado tarde.
OLÁ, KAT. HÁ NOVIDADES?
… visível para o cliente.
Ouviste, Cecilie?
Desculpem. A au pair dos meus vizinhos desapareceu, estou um pouco…
- Pois. - Sim.
Ter uma au pair não é um bocado colonial?
Não sei. Eu tenho uma au pair.
- Está bem. - Isso faz de mim colonial?
Não…
Como funciona?
Ela faz parte da família e os miúdos adoram-na.
Sou uma mãe melhor do que quando fiquei em casa com o Viggo.
- Parece um bocado antiquado. - Sim, mas ouve.
Queremos que as mulheres trabalhem.
No entanto, os homens ainda não ajudam a garantir que tudo funciona em casa…
- Temos de delegar tarefas. - Pois.
Achas que o Mike costuma ter de se defender na firma dele?
- Pronto, está bem. - Então?
- Não creio. - Exato.
Tem o telefone desligado.
Ela não está online.
A Katarina foi mesmo má. Disse que a Ruby podia estar a trabalhar num bordel.
- Que estranho. - Sim.
Esperem, meninas.
Vi a Darna a falar com a Ruby quando estávamos na igreja.
A Darna pode ter-lhe proposto outro emprego.
O que vos parece?
Olha! Como vai a tua vida amorosa, já agora?
Tenho mais em que pensar neste momento.
Não culpes a Ruby pela tua vida amorosa da treta.
Às vezes, tens de pensar em ti.
- A sério? - Sim.
Para!
Vamos bazar.
Ainda não.
Anda.
A Katarina não me responde às mensagens. O teste de gravidez não me sai da cabeça.
O Rasmus veio cá assinar.
- Deram-na como desaparecida. - Está bem. Como está ele?
Amor, esquece isto…
- O teste pode ser de qualquer uma. - Pois.
Não te preocupes, amor, ela aparece.
Adeus.
- Angel. - Sim.
Sabes se a Ruby andava com alguém cá na Dinamarca?
- Não, está noiva do Yuan. - Sim, eu sei. Claro.
Mas pode ter conhecido alguém.
Isso acontece.
Não me parece.
Angel, tu dizias-me se não fosses feliz cá, não dizias?
Claro. Eu sou muito feliz cá.
Está bem.
Posso ajudar-te?
Podemos voltar a ver o teu plano de negócios.
Não enviaste o…
Para o restaurante, ainda não. Para já, para o hotel e…
Também devias enviar a candidatura para o restaurante.
Está bem.
Senão, arriscas a que não seja aceite e não queres isso.
- É importante. - É boa ideia.
E…
A Cecilie está bem?
Desculpa.
Não faz mal.
- O que foi? - Emociono-me tanto. Não sei porquê.
O que foi?
O que se passa?
Tive uma grande depressão quando tive o Viggo.
- Não sei se já te tinha contado. - Não.
É que, às vezes, eu não…
… não sei como me ligar a ele…
- A que horas te levantas de manhã? - Às 6h30.
De certeza? Costumas dormir mais.
Está bem. E…
A que horas tomas o pequeno-almoço?
- Às 7h20. - Está bem.
Como dizes isso em filipino?
13 DE JUNHO DE 2024
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA RESIDÊNCIA DOS HOFFMAN
… se há objetos mecânicos, há licenças a considerar.
Entre.
Ela adormeceu.
Obrigada.
O Viggo quer dar-te as boas-noites.
Sim, claro.
RAPAZES, VEJAM SÓ ISTO…
OS RAPAZES RICOS
Para já com isso. Para. Vai-te embora.
Para!
É PARA ELA APRENDER!
QUE CENA MARADA!
Um, dois, três e já está!
Ela desapareceu de noite.
Não levou o passaporte nem dinheiro,
mas ligou para o 112 horas antes. Não faz sentido.
E ninguém com menos de 70 anos desliga o telefone ou sai de casa sem ele.
Só se não quiser que a encontrem.
Pronto. Verifiquei a família anfitriã.
Recebemos um relatório.
Uma denúncia de violência doméstica feita em junho.
Vou conversar com eles.
- O que é isso? - Dá cá mais cinco.
Está bem.
Chamo-me Aicha Petersen. Sou da Polícia de Zelândia do Norte.
É a Cecilie Winther-Jensen?
Sim.
Comunicou um caso de violência doméstica a 19 de junho.
Desculpe, o quê?
Posso entrar?
Sim, com certeza.
Chamou a Polícia a 19 de junho
por um caso de violência doméstica em Sundbyvaenget 8.
- Em casa do Rasmus e da Katarina? - Sim, dos Hoffmann.
Não chamei a Polícia.
A chamada veio do seu telefone. 81 92 06 09.
Não é o meu número.
- A assinatura está em seu nome. - Deve ser da Angel. A minha au pair.
Ela está no plano familiar. Posso perguntar do que se trata?
Gostaria de falar com a Angel, se possível.
- Sim, claro. Vou chamá-la. - Obrigada.
Contactou a Polícia a 19 de junho?
Sim.
Porquê?
A Ruby mandou-me uma mensagem a dizer que os Hoffman se estavam a matar.
Ela pediu-lhe para ligar à Polícia?
- Não, mas eu não sabia que mais fazer. - Angel, porque não nos contaste?
Não queria meter a Ruby em apuros.
É a primeira vez que ela está no estrangeiro e depois disse-me
que só os ouvia a discutir a partir da cave.
A última chamada da Ruby antes de desaparecer foi para o 112 às 16h54.
- Ela jantou connosco nessa noite. - Certo.
- A que horas ela se foi embora? - Por volta das 20h.
Como estava ela durante o jantar?
Achei-a com saudades de casa.
Perguntei-lhe se ia à aula de dinamarquês no dia seguinte.
- Ela confirmou que iria? - Sim.
É tudo o que sei.
Ela pediu-me ajuda nessa noite.
Perguntou-me se a podia ajudar se ela não pudesse ficar com os Hoffman.
Porque não poderia?
Eu disse-lhe para falar com a Katarina. Mas não o fez, pelos vistos.
- Ela não disse do que se tratava? - Não.
Muito bem.
Sabe com quem a Ruby esteve durante o verão?
Com uma amiga nossa.
- Sim? - A Kim Flores.
Ela não sabe de nada. Já lhe perguntei.
Quero falar com ela na mesma.
Às vezes, um pormenor insignificante pode ser importante.
Está bem.
Se se lembrarem de algo mais que eu deva saber…
TESTE DE GRAVIDEZ
… liguem-me, sim?
- Sim. - Está bem.
POLÍCIA - INSPETORA
Seja o que for.
Sim, com certeza.
Não diga à Katarina que chamei a Polícia, por favor.
Claro que não, Angel.
VEIO CÁ A POLÍCIA. O QUE SE PASSA, KAT?
ALINHAS NUM ALMOÇO MAROTO HOJE?
NUM DIA DE SEMANA? É PARA JÁ, QUERIDA!
Ainda bem que sugeriste isto. Eu precisava de sair.
Também eu.
A Polícia foi lá a casa de manhã.
A tua casa? Porquê?
Por causa de um caso de violência doméstica no início do verão.
O que se passou?
- Querida… - Aquele monte de merda!
- O Rasmus? - Foi a mulatinha?
Quem disse isso?
Ela acha mesmo que a culpa é nossa?
Não se pode meter na nossa vida privada só porque uma au pair se pirou.
- Podemos processá-la por calúnias? - Calúnias?
Ou difamação. Não acredito nisto!
Sinto-me violada.
Querida, anda cá.
- O que se passa? - Não sei…
O Rasmus fez-te mal?
Então?
Não, não fez.
- De certeza? - Sim.
Para, querida.
Tu conheces-nos.
Foi só uma briga idiota…
Discutimos, fizemos sexo e ficou tudo bem.
- Tu contavas-me, certo? - Para. Não te preocupes.
É só o maldito negócio do spa que põe o Rasmus doido.
Ele não quer investir na importação de mobiliário. Ele…
Acha que perdi o dinheiro por culpa minha.
A viagem a Paris ajudou. Os homens são fáceis.
Vim falar com o seu marido. Ele está?
Não se demore. Temos um jantar de negócios.
Não aguento mais isto.
Olá.
Aicha Petersen, da Polícia de Zelândia do Norte.
- Hoffmann. - Queria fazer algumas perguntas.
Algumas perguntas? Isto já é perseguição. Assédio flagrante.
Têm sido dias muito difíceis.
Mas ela tem razão.
Veio cá porque eu e a minha mulher tivemos uma discussão feia.
Estamos juntos há… Já fez 15 anos?
Sim e agora os vizinhos todos sabem disto.
Certo… O que quer saber?
A Ruby sofreu ameaças ou foi violentada cá?
- Basta! - E decidiu ir-se embora?
Por favor, amor, a inspetora só faz o que lhe compete.
- Pois, o que lhe compete. - Como vê, somos uma família normal.
Quando viu a Ruby pela última vez?
Vi-a por breves momentos de manhã antes de ir para o escritório.
Tive um jantar de negócios depois.
Doze homens de camisa azul podem confirmá-lo.
Cheguei por volta da uma e tentei fazer sexo com a minha mulher,
mas não consegui, estava demasiado inebriado.
Aponte isto.
Estas mulheres vieram do outro lado do mundo
só para ganhar dinheiro e arranjar um marido.
Não lhes interessa mais nada.
O que disse a Ruby quando pediu férias?
"Tenho de ir à missa."
Ninguém vai tanta vez à missa. Muito menos com isto vestido.
Não me admirava que ela se prostituísse.
Que tal investigar como essas mulheres ganham dinheiro fácil
em vez de assediar o meu marido?
Certo. Amor…
- Só faz o que lhe compete. - É assédio!
Sim.
A VIVER NA DINAMARCA
Lembra-te de que descansar faz bem. Tal como dormir.
Tens alguém em casa?
Um parceiro ou um cão ou?…
Pai, mãe, irmã ou irmão?
Um peixinho?
Não.
Arranja um. Todos precisamos de alguém.
ENDEREÇO DE KIM FLORES
Não arranjo esse dinheiro tão depressa.
Só me pagam uma vez por mês cá.
Não posso pedir à Cecilie.
Não quero que ela saiba para que é o dinheiro.
Está bem. Eu arranjo o dinheiro.
ESTOU CÁ FORA COM O MOTORISTA. DEMORAS MUITO, LINDA?
JÁ ESTOU A IR…
Olá, Oscar, pronto para o filme?
A minha mãe diz que a Ruby é uma puta.
O que disseste?
Ela foi-se embora porque ganha mais a ser puta.
Oscar! Não digas essa palavra!
Está bem.
Cecilie?
Posso pedir-lhe duas mesadas adiantadas?
Porquê?
Eu não pediria se não fosse importante.
- Tem que ver com a Ruby? - Não. De todo.
Angel, não me sinto à vontade para te adiantar dinheiro, está bem?
- Eu percebo, mas… - Agora não. O Mike está à espera.
- Está bem. - Meninos, vou-me embora.
- Adeus. - Divirtam-se.
O Oscar disse que a Katarina acha que a Ruby é prostituta
e foi por isso que se foi embora.
Donde raio veio isso?
Prostituta?
Algumas até devem ser, mas a Ruby?
Eu devia ter falado à Polícia do teste de gravidez.
- Não devias nada. - Sim, ligo amanhã.
Ouve, Miss Marple, não ligas nada.
Para. Deixa a Polícia trabalhar. Não sejas a vizinha doida e metediça.
Esta pode ser a última noite de verão.
O meu plano é embebedar-te e seduzir-te.
Portanto…
Hoje é a tua noite, amor.
É bom que te portes bem.
Posso ajudá-la?
Não, obrigada.
Esta estrada é privada.
Já me queixei várias vezes, mas vocês nunca aparecem.
- Do seu vizinho? - Sim.
Ele dá sempre festas barulhentas.
Sabe se há uma mulher a viver ali? Kim Flores?
Vive lá uma mulher asiática. Ele diz que é a au pair.
Está bem.
Viu esta mulher nas festas?
Claro, ela está lá agora.
Está bem. Obrigada.
- Olá. - Olá.
Sou Aicha Petersen, da Polícia de Zelândia do Norte.
A Ruby Tan está cá?
Não.
- Também é au pair? - Sou.
Posso falar com a família anfitriã?
O Saad viajou em trabalho e é divorciado. É tudo?
Ruby?
Oiça lá! O que está a fazer?
- Saia daqui! - Ruby?
Pare. Esta casa é minha.
- Saia já daqui! - Olha!
Não pode entrar assim!
Kim, quem é ela? O que se passa?
Polícia, esta casa é minha. A Ruby não está cá.
Polícia.
- Para trás. - O que vem a ser isto?
Calma. Está tudo bem.
Para trás.
Para trás.
Diga-nos o que se passa.
Minhas senhoras, mostrem as autorizações de residência.
Tenham calma! Para trás!
- É uma festa privada. - Calma, sim?
Tenham calma!
Enviem reforços para I.P. Reffensvej 8.
Querida?
Querida?
Certo…
… Mike.
Está na hora de te agradecer.
Quando se é a quarta geração a assumir uma empresa,
temos os antepassados todos em cima de nós.
O meu pai dar-me-ia uma valente bofetada
se eu sugerisse que arranjássemos um investidor estrangeiro.
Mas, felizmente, esses tempos já lá vão e o meu pai já não está cá,
portanto tomei uma decisão adulta e sinto que foi o mais correto.
Não teria conseguido sem ti e a tua equipa fantástica.
- Obrigado, meus senhores. - De nada.
Com pulso firme, concretizaram o negócio, portanto posso dormir descansado.
Sou-te grato por isso. Não és só o meu solicitador.
Também és meu amigo.
Obrigado.
- És meu amigo. - A sério?
Quer dizer, quem cobra a um amigo 11 milhões de coroas em despesas legais?
Devia contratar um advogado para vigiar os meus solicitadores.
À tua. A sério.
- Saúde. - Saúde.
Obrigado por um jantar incrível.
- Saúde. - Saúde. E parabéns.
O que é isto?
É de quando fiz anos.
Não preciso.
Não, Viggo, querido.
Os teus pais não o permitiriam.
Não temos de lhes dizer. Mas promete-me que não te vais embora.
Viggo…
- Não permitem ecrãs. - Está bem.
Também não há relógios na escola.
Um segundo.
Não têm noção do tempo. O dia passa mais rápido, ele está feliz.
Majse, querida. Posso falar com a Cecilie? Obrigado.
Olá! Tens um marido incrível. Inteligente.
Ele tem razão quando diz que não devias falar à Polícia do teste de gravidez.
Cecilie, escuta…
Sei muito bem que não vais muito à bola comigo.
Mas sei desde pequeno que temos de nos manter unidos.
Vimos do mesmo mundo, Cecilie.
Somos leais entre nós.
Mas o teste de gravidez?…
- Não tens nada que ver com isso, tens? - Claro que não.
Nesse caso, não te importas que eu ajude a Polícia.
Mas tem tudo que ver comigo.
A Ruby vivia em nossa casa.
A Polícia está interessada no que eu e a Kat fazemos no quarto.
Se não te calas, isto vira um circo mediático
e uma verdadeira caça aos sacanas ricos.
Não será bom para ninguém.
Certo?
Querido?
Sim.
Pronto para ir para casa?
Christian, acho que temos de nos ir embora.
- Obrigado por uma noite incrível. - Excelente.
Obrigado por hoje.
Adeus, querida. Até logo.
Legendas: Marta Gama
RESERVADO
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