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Central, Polícia de Zelândia do Norte.
Estou, é da Polícia?
Sim, é da Polícia. Em que posso ajudar?
- Quero denunciar algo. Eu… - Diga-me o seu nome e localização.
- A senhora pode dizer-me o nome? - É demasiado tarde.
Estou? Minha senhora? Está aí?
Estou?
RESERVADO
Ligou para o Mike. Não posso atender, deixe uma mensagem.
VENS JANTAR A CASA?
Olá.
NÃO JANTO, MAS QUERO UNS CARINHOS MAIS LOGO.
- Vá lá. - A sério, vais levar.
Tu não paras.
- Olá. - Que sorte.
- Olá. - Passaram o dia a jogar?
Então? Olá.
Amanhã já têm aulas, ainda bem.
- Posso jantar cá? - Perguntaram à Angel?
- Não. - Sabes que tens sempre de lhe perguntar.
- Olá, Cecilie. - Olá. Olá, meu amor.
Olá, meu amor.
É um leão perigoso?
Anda cá à mãe.
Não.
- Há comida que chegue para o Oscar? - Sim.
- Está bem, ótimo. - A Ruby também pode vir?
- Sim, é sempre bem-vinda. - Obrigada.
Anda cá.
Olá, meu amor.
- Fazemos isso depois das aulas. - Sim.
- A minha encomenda chega amanhã. - Encomenda? Os teus sapatos?
Até que enfim, ela adormeceu.
Ruby, não me viste há bocado? Lá fora na rua?
Não, não a vi.
- Não? - Desculpe.
Está bem.
Viggo, comeste cenouras? Come vegetais, não comas só batatas.
- Viggo, fazem os olhos bonitos. - Pois é.
Para leres os trabalhos de casa como deve ser.
Como foi o seu dia, Cecilie?
Muito ocupado. Foi o primeiro dia a seguir às férias.
Queres que te dê tareia no FIFA?
- Está alguém em casa? - Olá.
- Olá. - Estamos aqui.
Ótimo.
Bem me parecia que estavas cá, Ruby.
- Olá, querida. - Que bom ver-te.
- Igualmente. Queres comer? - Prefiro um copo de vinho.
Só meio copo. Senão, não corro.
- Tratam do resto? - Com certeza.
- Os rapazes? - Estão a comer doces lá em baixo.
Espero que se tenham comportado.
- Que dia. - Aqui tens.
- Andas atarefada? - Sim. Passei a semana passada em Paris.
Pois foi.
Encontrei mobiliário incrível para a minha loja nova.
O Rasmus foi comigo.
- E o Oscar? - Não, seria muito aborrecido para ele.
- Ficou cá sozinho? - A Ruby tomou conta dele.
- A sério, Katarina? - Para. Foram só cinco dias.
Deixa-me que te diga, eu e o Rasmus estávamos mesmo a precisar.
Precisávamos mesmo disto depois de fechar o salão.
Tem sido uma chatice. Horrível.
Já chega. E tu?
Tive uma experiência estranha em França.
Ai sim?
Fomos de carro até às montanhas, a uma capela num sítio lindo.
No cume de Moustiers-Sainte-Marie.
Dentro da capela, vi uma luz estonteantemente bela.
O silêncio era total.
De repente, desatei a chorar.
Assim de repente, como se ficasse esmagada pela emoção,
com lágrimas a caírem pela cara.
- Porquê? - Não sei. Foi uma loucura. Eu…
Senti aquilo como se…
Não sei o que foi…
Estou tão feliz por acabarem as férias.
Os miúdos vão para a escola e para a creche,
o Mike e a Cecilie para o emprego.
Estas três semanas sempre com eles puseram-me doida.
E tu? Tiveste tempo livre?
Não.
O que se passa?
Ainda tens saudades de casa?
Vou correr.
- Boa corrida. - Obrigada.
- Oscar, vamos embora. - Só mais um jogo.
Desliga isso. Anda lá.
Cecilie, espere.
Preciso de falar consigo.
Está bem.
Preciso da sua ajuda.
O que se passa?
Acho que não posso ficar mais com o Rasmus e a Katarina.
Porquê?
Ruby, se não és feliz lá, tens de falar com eles, está bem?
Eles farão o que puderem para te deixar à vontade.
Cecilie.
A Cecilie sempre foi tão simpática, trata-me tão bem. Acho que…
Devias falar com eles. Podem ajudar-te.
Sei que a Katarina anda enervada por causa da startup dela.
Tudo se há de resolver, sim?
Por favor, Cecilie.
Não, não posso fazer isso. São meus vizinhos.
Ruby?
- Lamento. - Oscar, vamos.
Anda lá.
- Até logo, querida. - Até logo.
Dorme bem, Viggo.
- Dás-me um abraço apertado? - Dou.
Esta licença é para negócios.
É um dos requisitos para se obter uma autorização total para negócios.
Os requisitos dependem da cidade ou do município onde se habita.
COMPRIMIDOS PARA DORMIR
Assim.
E assim. E depois deitamos ali. Consegues? Muito bem, meu amor.
- Anda, querida. - Bom dia. Olá, meu amor.
- Conseguiste dormir? - Sim, um bocadinho. E tu?
Olá, meu amor.
- Vou ter com o Viggo. - Sim.
Olá.
Vamos mostrar à Angel, sim?
Alguém está com vontade de brincar.
Queres brincar, Vera?
- A noite correu bem? Ela dormiu? - Sim.
- Que bom. - Anda cá, Vera.
Muito bem…
Uma girafa. Olha.
Bom dia, meu amor.
Bom dia.
- Estás pronto? - Acho que sim.
- Tenho de ir. - Sim.
Viram a Ruby?
- Olá, Kat. - Viram a Ruby?
Desde ontem, não.
- Desapareceu. - Como assim?
Desapareceu. Não sei…
- Angel, falaste com a Ruby? - Falaste?
Não, não falei com ela.
- Merda. - O que se passa?
Não faço ideia onde está a Ruby.
- Procuraste bem? - Para, Mike. Ela não é um par de meias.
Vou tentar ligar-lhe.
- Já tentei. Está desligado. - Tenta.
- Liguem-me se souberem de algo. - O que foi?
- Não sei, amor. - Adeus.
- Adeus, pai. - Adeus.
Ela não disse nada ontem depois de se irem embora?
- Não, não percebo. - Pois.
É a pior altura para nos fazer uma destas.
Com o início das aulas e tudo.
- Estou atrasada. Diz-me coisas, sim? - Sim, claro.
- Estás bem? - Sim.
Não te preocupes. Até logo, Viggo.
- Adeus. - Adeus.
Viram a Ruby?
Ainda é cedo. Ela não deve demorar.
- Nem parece coisa da Ruby. - O quê?
A Katarina disse que ela desapareceu de noite.
Desapareceu? Como assim?
Ela tem o telefone desligado.
Angel, tem calma, estás a fazer filmes.
Ela há de voltar não tarda, sim?
No silêncio profundo e tranquilo Da floresta
Onde habitam os exércitos que cantam
Onde a alma repousa para escutar
O canto puro e maravilhoso dos pássaros
Uma paz tão suave e verdadeira
Está ali, na solidão da natureza
Onde os corações desassossegados Encontram a calma
E a paz a sua…
Têm de reconhecer que a sua imagem como pequena marca dinamarquesa
com valores ecológicos tem alcance no mercado internacional.
Têm de estar à altura desses valores se querem continuar a lucrar com isso.
Está ótimo. Daniel, marca uma reunião com o tipo da Fairtrade.
Sim, é para já.
Tenho de atender.
- Há novidades? - Nada. A Angel soube de algo?
Não, ela teria ligado.
Estará aborrecida com alguma coisa?
- Não, isso é… - O que disse o Rasmus?
- Ele espera que eu resolva isto. - Chamaste a Polícia?
Não, estou muito atarefada.
Estou à espera para ver a loja nova e as aulas estão a terminar.
A Angel vai buscar os miúdos e vão para nossa casa.
A sério? Seria uma grande ajuda porque…
Eu mando vir sushi e podemos jantar juntos.
Junto-me a vocês depois de correr.
Parece-me muito bem. Obrigada. És a maior.
- De nada. Adeus. - Adeus.
Está tudo controlado ou estamos só a fazer uma pausa?
O Claes não aceitou a cláusula sobre mudança de controlo
com o teu fornecedor de peças para turbinas.
Está tudo controlado?
Mike?
Pagarão o preço combinado.
Desde que lhes dês mais duas semanas para a entrega.
Trabalhem com quem não nasceu rico. Ganas não lhe faltam.
Jantamos em minha casa.
- Sim. - As mulheres decidiram.
O espaço que vi hoje era perfeito.
Ótimo.
Queria muito ficar com ele, mas o Rasmus anda ocupado.
- Claro. - E sem a Ruby, não é fácil.
Segundo o Rasmus, há au pairs que só vêm para a Europa
para desaparecerem logo a seguir.
- Pois. - Ficam cá ilegalmente.
- Trabalham em bordéis ou assim. - Nunca ouvi nada disso.
Não sei como funciona.
Não arranjam autorização de trabalho.
Meu amorzinho.
Mas ela já está cá há cinco meses, Kat. Não faz sentido desaparecer agora.
Se calhar, ela quis ganhar dinheiro antes…
Não sei.
Ela não roubou nada. Já fui ver.
Angel, precisas de ajuda?
Não, obrigada.
Acho que a Vera tem de ir dormir. Está cansada.
Pronto, meu amor. A Angel vai levar-te para casa.
Dorme bem. Estás cansada. Pois estás.
Obrigada, Angel. Obrigada. Boa noite.
Não notaste nada de estranho na Ruby quando chegaram a casa ontem?
Não. Ela pode ficar à vontade na cave.
Quando chegamos a casa, ela vai lá para baixo. Presumo que vá dormir.
Ela trouxe a mala e as chaves?
Não, Oscar!
Oscar, leva o drone lá para fora!
Oscar!
Oscar! Leva-o lá para fora.
- Ena. - Não queremos…
Olá, querida.
- Tive saudades tuas. - Ai sim?
Eu também. Olá.
Aqui tens, querido.
Ela já voltou?
- Não, ainda não. - Que estranho.
Deviam chamar a Polícia.
Ela é adulta. Só desapareceu há 24 horas, se tanto.
Não será um exagero?
O casal do fundo da rua, sabem?
- Sim. - O casal do dobermann.
A Ruby conhece-os?
Não me parece. São uns idosos ranzinzas.
- Não são? - Porque perguntas?
- Vi-a em frente da casa deles. - Está bem.
Ela deitou qualquer coisa no lixo deles.
Isso parece estranho, querida.
Desculpa.
Serviste um vinho de duas mil coroas?
- Escolhi um fresco, como disseste. - Um fresco?
Ele não sabe distinguir um Bacardi Breezer disto.
Vá lá, cala-te.
Viram se a roupa dela ficou cá? A escova de dentes?
- Viste? Eu não. - Não, claro que não.
Não devíamos?…
- Claro, vamos a isso. - Não sei.
- Não, amor. - Acho que devíamos ver.
Vamos fazer a vontade à Cecilie. Há séculos que não vou à cave.
- Não devíamos ir lá. - Anda.
- Mas eu não quero. - Pode ter-se ido embora sem se despedir.
- Não quero ir lá abaixo. - Para com isso, amor.
- Vamos ver se a roupa dela está lá. - Se calhar, levou a escova de dentes.
Foi a um lado qualquer e a roupa ficou lá em baixo.
- Exato. - Deve estar em casa de uma amiga.
A roupa ainda cá está, ela não a levou.
Desculpem.
Desculpem.
- Querida? - Sim.
- Este vestido não é teu? - Não, não é.
- De certeza? - Isso é mesmo dela?
Deve ser.
Quando é que ela usa isso? Quando vai à igreja?
- É atrevido, não é? - Nunca vimos esse lado dela.
Isso teria sido divertido.
Não é a vossa antiga câmara de vigilância?
Pois é. Temos de nos livrar destas velharias todas.
Não cheira a humidade?
- Tresanda. - Pois é.
Não a podem deixar viver nestas condições.
Estas casas antigas merdosas. Têm sempre problemas.
FILIPINAS PASSAPORTE
Se se fosse embora, não levava o passaporte?
O que estão a fazer?
Viemos só ver.
Olá, querido.
Deixa-me olhar para ti, meu rapaz.
Vamos esperar e ver se ela aparece.
Mike, tens uns minutos depois de jantar?
- Sim. - Temos de falar.
Claro.
O que queria o Rasmus?
Discutir um contrato.
Ele não falou da Ruby?
Nem por isso.
Mas falou dela?
Ele disse que sabe que costumam desconfiar do anfitrião nestas situações.
A sério? Que coisa estranha de dizer.
- Para. Era uma piada. - Dizer uma coisa dessas?
- Não fica nada bem. - Sim. A piada do Rasmus caiu mal.
- Sim. - Claro.
Foi por isso que não te contei. Já sabia que reagirias assim.
Foi ao quarto dela?
Sim.
E então?
O passaporte dela estava lá.
E a roupa dela.
Para onde teria ido?
Também estou preocupada.
Aconteceu-lhe alguma coisa má e ela…
A Katarina e o Rasmus não querem saber.
Isso é injusto, Angel.
Eles preocupam-se.
A sério.
Sei que chamarão a Polícia de manhã se ela não aparecer entretanto.
Espere, o quê?
Não anda ninguém à procura dela?
Não.
Angel, vai correr tudo bem.
Vai correr tudo bem.
- Está bem? - Está bem.
Prometo-te que a encontraremos.
Anda cá.
TESTE DE GRAVIDEZ
Encontraste algo?
- Olá, Rasmus. - Olá.
- Não, infelizmente. Já o despejaram… - Pois.
Aposto que não tinha importância.
- Não! - Anda cá, amorzinho.
Vão chamar a Polícia, certo?
Claro que vamos. A menos que ela apareça entretanto.
Claro.
Está bem.
- Dá cumprimentos à família. - Eu dou.
Cumprimentos ao Mike.
Cecilie?
- Obrigado por esta noite. - Obrigada eu.
Ela devia querer garantir que ninguém o achava.
Encontrei o Rasmus lá fora.
E depois? Ele viu-te a mexer no lixo?
Não estou a dizer que aconteceu alguma coisa,
mas é estranho ele querer ir ver o lixo.
Não achas?
Achas que eles se enrolaram?
Cecilie, para com isso.
Ele divorciou-se da primeira mulher porque dormiu com a ama.
Ela era do ATL.
- Fala com ele, por favor. - Para quê?
Para lhe perguntar se engravidou a Ruby?
Ela pode precisar da nossa ajuda.
Ou pergunto-lhe se a enterrou no quintal.
Em que te baseias? Só porque o viste ao pé do lixo?
Sim!
Não espalhes boatos.
- Não é isso. - É sim!
- Estás a falar comigo, não no tribunal. - São boatos.
- Podemos dizer que é estranho. - Não deixam de ser boatos, amor.
Está bem?
Se o Rasmus a engravidou…
Anda cá, amor.
- Não podemos ignorar. - Não.
Não creio que o Rasmus esteja metido nisto.
Legendas: Marta Gama
RESERVADO
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