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Apresentam
Uma produção romana-alemã-francesa
Com o apoio de:
Um filme de Peter Calin Netzer
MARlA
Baseado numa história verídica
Os meus olhos... melancólicos...
... choram... saudosos...
E aspiram... lá em cima...
... aos céus.
Os meus pensamentos...
... entre as estrelas...
... voam alto...
Mãe, olha, o meu irmão!
É um coelho, não o teu irmão!
Porque diz a senhora do 1 º andar que nos procriamos como coelhos, então?
Nicolae, pergunta algo de jeito, para variar. Melhor ainda, cala-te!
Como posso eu perguntar alguma coisa, se me calar?
Mãe... vamos embora.
1 , 2, 3, 4...
- Mãe, a seguir ao 4 o que é? - ldiota!
1 , 2, 3, 4, idiota, 6...
Eu disse-te para falares bem.
Mãe, pega-me ao colo! Estou cansado!
Não posso pegar em nada. Dá-me a mão.
Não! Quero ir ao teu colo. Eu dou-te um beijinho...
Prometo falar bem.
- Queria mostrar-te que sei contar. - Por amor de Deus, cala-te!
Criancas!
- O bebé vai nascer! - Mãe!
O bebé vai nascer!
- Anda, Costin! - É o 7º, o 7º...
- Quem é que me vai levar? - Anda, parvo, tens pés.
Não posso. São muito pequeninos.
O pai pode trazer-me outro. Ele é o rei dos balões!
Este é bom para o Nicolae.
Oucam!
Há más notícias e boas notícias.
A má notícia é que...
... a fábrica vai fechar.
Vão ter de deixar o local. O novo serviço de segurança está cá.
E os salários em atraso?
O novo dono, o Sr. Americano, não reconhece nenhuma dívida.
Ele prometeu que, depois de renovar a fábrica e pôr tudo a funcionar,
contrataria alguns de nós.
Alguns? E os outros?
A boa notícia é que ele autoriza
que todos levem 2 caixas de balões, em troca dos salários em atraso.
- Balões, outra vez? - Balões? lsso não!
- 5 Kg por pessoa. - Não preciso de nenhum balão.
- E vendemo-los? Você compra? - Vão para uma feira!
As nossas casas estão cheias de balões.
Pessoal, peguem nas vossas caixas e deixem o local.
- Salários, não balões! - Silêncio!
Peguem nas caixas e saiam pacificamente.
Producão
Realizacão
- Vá lá, não é a primeira vez! - Ajude-me, Mala!
Sê corajosa, que diabo!
Faz mais forca!
Agora! Vá lá, Maria.
Respira fundo!
Está quase. Muito bem!
Faz força agora, Maria!
Mais uma vez! Respira fundo!
Vá lá, Maria!
É um rapaz, Maria! Abençoado seja!
Viva o Primeiro de Maio!
Viva o Primeiro de Maio!
Quem construiu o bar no meu caminho Sabia que era lá que eu ficaria
Não estejas triste. O americano acabou com a nossa miséria.
Devíamos erigir-lhe uma estátua. Agora podemos abrir um negócio nosso.
Tenho mil ideias!
Por exemplo, cortamos pneus de carros velhos
e vendemos o produto para pistas de desporto, campos de ténis...
Deixa-te de disparates!
Que se lixem as pistas de desporto!
Ouve isto! E para isto não precisamos de carros.
A irmã da tia do meu padrasto, esta não, a outra...
No entanto, ela vende QuicK Slim. 50%%% de comissão. Parece-me óptimo.
Ela anda à procura de vendedores.
Que dizes?
Tens razão, é disparate.
Se não comeres, não precisas de produtos para emagrecer.
Meu Deus, acho que o pessoal nos pôs na rua!
Cala a boca!
Mata-me, mas tenho de dizer-te isto. lsto é mesmo uma ideia excelente.
Espera! Olha para elas: elas ganham 30 dólares por dia.
No mínimo 1 0, de certeza. Todos os dias.
E não fazem nada.
Despem apenas as cuecas, se as usarem.
O homem é maluco!
Vejo as coisas num ápice e tenho imensas ideias originais!
Não estava a pensar em aborrecer os condutores.
Mas em aborrecer as... Espera, homem!
Espera, seu idiota!
Estava a pensar em aborrecer as condutoras...
Vi muitas mulheres a guiar camiões.
Viagens grandes, e o corpo tem as suas necessidades.
Dinamarquesas, suecas, alemãs, mulheres modernas.
Só aqui as nossas vacas pensam que é um trabalho apenas para homens.
Calem-se!
Olha! Olha para ela!
Esta é fufa.
Esquece. A próxima será normal.
Ele é um vagabundo Mas eu gosto mesmo dele
Homem Tu cheiras a perfume
Sei que estiveste com outra Não mintas
Obrigada, Mala.
- Estou em dívida consigo. - Deixa lá isso.
É melhor desfrutares do teu lindo bebé.
- Onde poderá estar o lon? - loana, vai procurar o teu pai.
Aonde é que vais?
Se o lon convidar pessoas, tenho de tratar delas, certo?
Eu trouxe salame e queijo.
O Nicolae devorou isso.
Tudo aqui é nosso!
Nosso, homem, nosso!
Nosso, nosso, nosso!
lsto é meu. Larga!
Pai!
Pai, vem para casa! A mãe teve o bebé.
Tens mais um filho.
Não saímos daqui até nos aceitarem de volta. Luta de classe!
A polícia! A polícia!
Seus cobardes, é tudo nosso!
Pai, desce! Eles vão apanhar-te! Peço-te!
Não fujam! Cobardolas! E tudo nosso!
Ela é alemã. Chama-se Gertrude.
Parece a traseira de um autocarro, não sabemos se é homem ou mulher,
mas tem um grande coração.
Ela deu o dinheiro.
Nem sequer lhe saltei para cima. Ela precisava apenas de carinho.
Apenas cantámos na cama.
Vê o que ela me deu: dez cassetes de vídeo.
Aprender a jogar golfe... Ela foi porteira num clube de golfe.
Pai, pai!
É o mais novo?
Vou-me embora. Ele sai daqui a 4 dias, não te preocupes.
Falei com o chefe.
A cunhada dele trabalha com a minha mulher na fábrica de leite.
Olha, pai, que rapaz bonito!
Estamos a pensar dar-lhe o teu nome: lon Júnior.
Também posso ser Júnior, pai?
Aceita isto para o bebé.
É a coisa apropriada.
Não se vá embora. Porque não fala ele?
Caiu-lhe qualquer coisa na cabeça. Ele teve uma comocão. Vai ficar bom.
Fica calma.
Põe-lhe gelo.
A Mala arranjou-me trabalho na lavandaria.
Ela também arranjará alguma coisa para ti.
Ele era o melhor trabalhador na fábrica.
O Estado devia dar-lhe um emprego.
- Que Estado? - E quem tomará conta das crianças?
A Mala.
Porque não está ele barbeado? Não há um barbeiro aqui?
- Está com sarampo. - Só as crianças têm sarampo.
Regra geral. Mas os adultos também podem apanhar.
Até que idade?
Seu estúpido! Visitas o teu pai uma vez e só fazes perguntas parvas.
- Pergunta algo de inteligente. - A visita acabou.
- Nós acabámos de chegar... - São as regras. Venha.
Tem cuidado. Não fales de política, não vão eles castigar-te.
Venha, lon!
Não estás na avenida! Eu conheco-te.
Desde os teus 1 6 anos, e fazias olhinhos a toda a gente.
Este é o teu local de trabalho, mulher! Repete o que eu digo!
- O quê? - O local onde...
- ... eu trabalho. - Então trabalha e não abanes o rabo!
Ele nunca se cansa, o animal!
Gina! Pára com a conversa e volta ao trabalho.
lsto não é um lar de idosos.
Tu! Vem comigo ao meu gabinete.
Entra.
Fecha a porta.
Fecha essa porta.
Chega aqui.
Olha, miúda. Não estou nada satisfeito com o teu trabalho aqui.
És lenta, tropeças em toda a gente,
estragas a roupa, desperdiças água...
Tira esse vestido, deixa-o secar um pouco.
Despe-o e deixa-o secar.
- Mas não tenho nada por baixo. - Não tens soutien, cuecas?
- Tenho. - Despe tudo senão és despedida.
Espera! Aonde é que vais? Não te vás embora.
Estou apaixonado por ti. Pago-te o dobro.
A minha mulher já não me dá nada.
- Seu idiota! - É só uma pila, como outra qualquer.
Quero pô-la em acção, percebes?
O parvo é você! Seu traste! Largue-me!
É a velha história de sempre até deixares cair as cuecas.
Pensa!
Farei de ti uma senhora, dar-te-ei dinheiro.
Moraru, Stanescu, Dumitrache, Enescu...
Camataru...
- Moraru, Stanescu... - Que se passa?
Está sempre a dizer estes nomes. Depois pára e resmunga...
- Não faz mais nada. - Camataru...
Chamaste o médico que o tratou na prisão?
Ele disse que foi a pancada, mas que passaria.
- Quando? - Não sei. Chamámos o tio Milco.
Vaiscovici...
Deixa-o estar. Acontece após tais pancadas.
Camataru...
Por favor, dá-me outro balão.
- Como foi o trabalho? - Despedi-me.
O quê?
Eu conto-lhe, mas não à frente dos miúdos.
Olá.
O que é?
Como está ele? Mal?
- Ele ficou maluco. - Maluco?
- Sim. - Tudo bem, amigo?
Conta-me, lon.
- Acabou o tempo. - Que tempo?
-Que tempo, amigo? -A bicicleta, o porco, a bicicleta...
O porco?
Acabou o tempo, homem.
- Já sei! - O que é?
O médico disse-me que a memória volta,
se despoletada por algo. Mas quando?
Mas e os nomes que ele diz?
Aos 1 6 anos ele entrou num concurso sobre questões de futebol.
Ele chegou à final.
Exactamente! O prémio era um porco e uma bicicleta.
Na última pergunta sobre os jogadores do Dinamo em 1 97 6,
ele falhou um nome.
- E perdeu o prémio. - Então, é isso!
E agora ele vai repetir esses nomes o tempo todo?
Vou dizer-lhe o nome que falhou e ele fica bom outra vez.
Talnar!
Talnar.
- E se não foi Talnar? - Era o famoso avancado.
Quando eles jogaram contra...
Talnar!
Que fazemos? Existe outro método popular.
O meu avô perdeu a memória quando um cavalo lhe deu um coice.
A avó Milco lembrou-se que se um coice o deixou confuso,
então outro coice o poria bom.
Queres que lhe bata?
Dá-lhe um murro.
Afasta-te.
Vão para trás.
Porque me bateste? Porquê?
Pára, lon! Pára! Está tudo bem.
Está tudo bem, homem...
Está tudo bem, rapaz.
Não é nada. Vamos comer qualquer coisa.
Deus te abencoe.
- Que se lixe o teu Talnar. - O jantar está pronto. Vem!
- Obrigado. Eu já comi. - Eu comi na prisão.
Deixem os miúdos comer.
- Dá-nos algo que se beba. - Tenho aqui a minha bebida.
- Dá-me a minha. - Não há nada para beber.
Devias deixar de beber. Fá-los sofrer a todos.
- Põe um ponto final nisso. - Eu sei como o fazer.
Assim!
Mas agora merecemos um brinde ao novo rapaz, certo?
Que estás a fazer? Os miúdos estão a ver.
- E as reservas? - Não há nada aí.
Não há reservas?
E o que é isto?
- Vamos ao bar. - lon, por favor, não. Não vás, lon.
lon, fica um pouco connosco.
Pela tua saúde e felicidade.
- Fica connosco, só um bocadinho. - Milco!
- Papá! - Trago-o dentro de meia hora.
Espera, lon!
Pelo menos, promete-lhes que voltas daqui a meia hora.
- É o pai! - O pai nunca bate à porta.
Vê quem é.
Brincalhão! Sou melhor do que tu.
A Sra. Maria está em casa? Aceita isto.
- Quem é? - Acho que é para ti.
Vim pedir desculpa. Comportei-me como um porco.
Por favor, deixe-me acabar. Chegue aqui um segundo.
Não quero que os miúdos oucam isto.
- Permita-me que aja com decência. - O que deseja?
Compreenda, eu pago, seja o que for...
Quando os miúdos estiverem a dormir. Tenho o dinheiro pronto.
Vá para o inferno, garanhão velho! Aquelas galdérias não lhe chegam?
Eu chamo a Polícia! Faco-o comer essas flores!
- Cale-se, bruxa velha! - Gordo! Peido velho!
- O lon não voltou? - Não.
- Vou atrás dele. - Vá para casa, está doente. Eu vou.
Tu aí!
Vem cá!
- Quem? Eu? - Sim, tu. Vem cá!
- O que é? - Tu por baixo, eu por cima.
50 dólares.
- Está bem. Entra. - 50 dólares.
Três noves.
Oito mamas, quatro damas, lon.
- lon, vem para casa. - Vamos jogar outro.
- Não. Primeiro, vejo o dinheiro. - Pago, quando terminarmos.
Ouve-o! Dá-nos a tua mulher.
Ainda nem sequer viste o teu bebé.
-lon, vem para casa. -lonica, vai para casa. A mamã chama.
- Vamos jogar outro. - Mostra o dinheiro!
Não acreditas em mim? Quem era o teu capataz na fundição?
Quem te ensinou os truques?
Quem te protegeu? Andas a investigar-me?
Juntaste-te a esses mafiosos e pensas...
lsso são águas passadas.
Agora ou tens o dinheiro ou não tens.
lon, há homens a irem a tua casa à noite
para se deitarem com a tua mulher, à frente dos miúdos.
Talvez queiras que eu traga o dinheiro para tu o gastares?
É por ti que eu jogo! Para sairmos desta porcaria.
Se não tens o dinheiro, não faz mal.
Dás-nos a tua mulher.
Vai-te lixar!
Se lhe bates, eu mato-te! Se te metes com ela, eu mato-te!
Outro?
Vens?
- Aonde vais, mulher? - Porque choras?
-Põe o teu nome na lista de levianas. -Ainda há lugar.
Vai-te lixar!
Milco!
Milco!
Estás a dormir?
- Acorda! Dá-me dinheiro. - Não tenho nenhum.
- Por favor. - Não tenho nenhum.
Vai-te lixar mais a tua família. Onde está o subsídio do miúdo?
- Dá-me da reserva, estás a ouvir? - A reserva é para o pão.
Dá-me o dinheiro!
Dá-me o dinheiro! Eu vou ganhar e reponho-o.
Pai, deixa-a em paz!
Dá-mo!
Dá-me o dinheiro ou mato-te!
Pára, idiota!
Na cabeça, não!
Eu mato-vos a todos!
Não, lon!
Não!
- Que se passa? - Ela partiu-me os ossos...
- Quem? - A holandesa.
- Tens algum dinheiro? - Aquilo não é uma mulher.
1 50 Kg em cima de mim... Não fui feito para isto...
Por 50 dólares...
- Dá-me o dinheiro, lon! - Eu devolvo-to.
lon, dá-me o dinheiro!
Esse é o dinheiro que mais me custou a ganhar na vida.
- Abram, ou arraso com isto! - Podia ter ficado inválido.
Um homem deficiente. lon, meu amigo!
Aonde vais, pateta? Tu estás em liberdade condicional.
Tenho o dinheiro!
Tenho o dinheiro! Dá as cartas!
Para onde estão a olhar? Dá as cartas.
lon, meu bom rapaz...
- Corta. - Está tudo bem.
- Uma. - Uma...
- Duas. - Duas...
- Três. - Três...
- Quatro. - Quatro...
- Cinco. - E cinco...
- De quantas precisas? - De nenhuma.
- Nem eu. O que é que tens? - Oito mamas. Quatro damas.
- É tudo? Nada mais? - Quatro rainhas, Pentagon.
Quatro áses, meu lon!
- Dá-me as cartas! - Dá-lhe!
Dá-me as cartas! Seu bandido, mostra as cartas.
Dá-me o dinheiro ou rebento contigo!
Está? Polícia? Está a ouvir-me?
Sr. Milco!
- Boa noite. - Boa noite. Quem é você?
Brunhilda, a minha amiga recomendou-o.
Está livre agora?
- Está a trabalhar? - Não, estou a fazer uma pausa.
- Um intervalo. Mais tarde. - Espere, espere.
Você por baixo, eu por cima.
Muito obrigado.
Espera um minuto. E o lon?
- Está com os mais novos. - A sério? Ou não está em casa?
- Vamos? - Sim.
Eu é que falo na Câmara.
Tenho uma boa história. Eu sei o que lhes contar.
Venham depressa.
Meu Deus, estás horrível. Que te fez ele?
- Fez o 8º bebé no corredor. - Cala-te, estúpido.
Terminamos aqui e vamos directas à Polícia.
Não te preocupes. Cá nos arranjaremos.
Melhores tempos virão.
- Esperem! - O que é agora?
Esqueci-me do meu balão!
Eu compro-te um. Raios partam o teu balão!
Anda!
Mentirosos! Todos os dias...
Deixe-me, não ouve?
O Presidente está à minha espera! Estou com os miúdos, não vê?
O pequenino com o balão! Faz um grande plano dele!
Não o filmem porque ele é doente!
Ladrões!
Sr. Presidente, nós deitamo-nos fogo,
se não nos der uma casa!
- Um grande plano dele! - Onde vamos viver nós?
Verá o que vamos fazer...
Lá em cima, o Presidente da Câmara...
Assassinos!
Vai ver! Criminosos!
Chega! Põe-te a arder! Coragem!
Caros telespectadores, são imagens arrepiantes.
Venham cá!
lsto é o resultado da pobreza,
da necessidade de ter uma casa onde viver.
Leve-os para casa, tia Mala. Eu não demoro.
Vai directa à Polícia.
lrei assim que puder. Tenho de dar-lhe uma lição. Vamos, crianças.
Ela não queria vir, mas desta vez ele exagerou.
Está a partir-me as pernas!
Desculpe.
Cale-se! Vemo-nos de manhã.
A velha história de sempre. Elas estão nos cruzamentos, nos parques,
e quando lhes chamamos galdérias sentem-se ofendidas.
Qual é o problema?
Fala, Maria!
Ele maltratou-me, gritando como um louco.
Ele nem sempre foi assim.
Ele ficou desempregado 3 vezes.
Agora, até a viola!
Viola-a? Ela não é a mulher dele?
Não sei o que fazer.
Tenho 7 filhos em casa e não tenho dinheiro.
Ele anda com más companhias, joga, perde tudo
e chega a casa bêbedo.
Se quer um certificado médico tem de o processar,
e isso pode levar anos. Não a aconselharia.
Dinheiro gasto, advogados... Mas há uma maneira.
- Qual? - Não compreendo.
Temos de o apanhar em flagrante.
Espere até ele chegar a casa e depois ligue para nós.
Esta senhora podia informar-nos e nós chegaríamos depressa.
Assim teríamos provas de que ele a violou.
Tecnicamente, chama-se armadilha.
Quer que ele a viole outra vez?
Espere, senhora! Tem de fazer o depoimento.
Maria, não fujas assim.
Os medicamentos! Cuidado, são pesados.
Pronto...
Maria, eu sei que é difícil para ti.
Mas aqui, muitas pessoas infelizes encontraram um telhado.
Minha filha, Deus está sempre a testar-nos.
Só através da fé podemos salvar a nossa alma.
Jesus Cristo sofreu por nós.
Tu, Maria, tens de sofrer pelos teus filhos.
Já não me restam forças, padre.
Bom dia, padre! Somos da Direct TV e gostaríamos de filmar...
- Não precisamos de publicidade. - A ajuda de França...
- Por favor, não filme isso. - Porquê, irmã?
O nosso benfeitor não quer. Por favor, vão-se embora.
São notícias...
Não temos nada a dizer sem a autorizacão do Patriarcado.
- Espere, irmã... - Por favor, vão-se embora.
Por que razão é tão inflexível? E só uma reportagem...
- Obrigada, padre. - Deus nos ajude!
- Apanhaste o tipo francês? - Sim, sim.
Anda! Anda!
Presentes!
Prenderam o lon. Vai à Polícia e vê o que fazes.
Sr. Agente! Por favor, ajude-me.
Ele só faz disparates quando está bêbedo. Por favor, solte-o!
Ora ele a viola, ora é um bom homem.
Goza com a Polícia romena, mulher?
Quem pagará os prejuízos? Ele destruiu o bar.
Não o quero ver à frente durante uns tempos. Diga-lhe para sair da cidade.
É tudo o que posso fazer por ele. Estamos entendidos?
Eu, desaparecer?
Eu fui um herói da classe trabalhadora.
Quase morri queimado naquela maldita fundição.
Prometeram-me uma casa,
e eu aceitei encher aqueles estúpidos balões.
Fizeste com que corressem comigo!
- Eu?! - Sim! Tu!
Tive 7 filhos contigo...
... e aturei a tua histeria e bebedeiras.
Tornaste-me objecto de ridículo, seu animal!
Eu?
lrei para casa dos meus pais, até estar tudo acabado.
Põe-me alguma roupa num saco.
Fazes isso ou não?
lncomodo?
Que se passa?
Vou para o campo.
A minha mulher também me pôs na rua. As galdérias denunciaram-me.
Sobre a holandesa e a alemã.
Também posso ir?
É a vida, no campo. Já tenho uma ideia.
Está quase pronto. Olha!
Eu espero lá fora.
- Perguntei-te o que era isto. - Coca-Colas vazias.
Cada garrafa pode render-nos 1 00 dólares.
ldiota! Como poderia uma garrafa vazia valer 1 00 dólares?
- Sabes o que são trufas? - Não.
São cogumelos especiais que crescem no subsolo
e que são muito difíceis de encontrar.
Um quilo custa 3000 dólares. 3000 dólares!
Os cães são especialmente treinados para os cheirarem.
- O problema é arranjar esses cães. - Eu mato este tipo!
Ficarás grato até ao fim dos teus dias.
Um tipo no meu quarteirão inventou isto.
Ele levou 9 anos a descobrir como os cultivar na cave.
9 anos! Ele quase cegou, mas conseguiu.
- Conseguiu o quê: cegar? - Cultivar os cogumelos, pateta!
E exactamente quando conseguiu, esticou o pernil.
Espera!
Primeiro, ele disse-me o segredo.
As trufas precisam de um local quente, escuro e húmido.
Então, pintamos de preto estas garrafas, pomos terra e sementes
e colocamo-las ao sol. E já está.
Há 1 5 anos que não vejo os meus pais
e agora chego a casa com essa história estúpida,
e um saco de garrafas vazias?
Espera, por favor!
Sra. Maria! Tem o condomínio em atraso. Pelo menos, parte dele.
Ainda bem que o arruaceiro do seu marido se foi embora.
Eu compreendo-a, mas está em dívida.
Que lhe posso dizer?
Nós vivemos na cave. Não num apartamento!
Não posso pagar. Não pode pôr-nos na rua.
Não posso mesmo.
- Senhora! - Ponha-a na rua!
É bem feito para mim por a tratar bem.
- Fora com ela! - Quero o dinheiro até amanhã.
- Entendido? Se não pagar, rua! - Pronto!
Não há mais conversa!
Sr. Petrica!
Deixe a mulher em paz, ela já tem problemas que cheguem.
Não pode viver sem o dinheiro da cave?
E os ciganos do 2º andar?
Tem medo de pedir a eles, mas a ela não?
Nós somos romenos, não ciganos, velha!
Tem alguma coisa contra a nossa comunidade?
Fica do lado dela quando a manutenção nos custa os olhos da cara.
Meu Deus!
Ao paxá chega um ossudo árabe,
de olhos pequenos e muito sujo.
- Meu paxá, sou apenas um beduíno... - Quem é este senhor?
É meu colega de trabalho.
Partiste há 1 5 anos e nunca te deste ao trabalho de vires visitar-nos.
O pai ficou maluco e a mãe come que nem um cavalo.
Cala-te! Não tens vergonha?
Ainda bem que vieste. Vou preparar algo para comerem.
Ele está senil.
Engole tudo o que encontra na barraca ao virar da esquina.
Coca-Cola, pastilhas, Marlboro, velas...
Até as surpresas nos pacotes das pastilhas.
E depois fica com prisão de ventre. Deus me livre!
- Tem muita terra? - Terra?
- O justo seria ser tudo meu. - Cala a boca.
- Não preciso da tua terra. - Não, viemos apenas descansar.
- Descansar? - Claro.
Há tantos citadinos como vocês que vêm descansar...
Em vez disso, comem a nossa comida, como se tivessem lombrigas.
- O quê? - Temos a ideia de um óptimo negócio.
Precisamos apenas de garrafas vazias de Coca-Cola.
O que é? Está bem.
Não precisamos de nada. Viemos só para descansar.
Maria! Maria!
Olha, reconheces o nosso benfeitor, de França?
Eu falei-lhe de ti e das criancas.
Acho que ele...
Eu falei-lhe do bebé. Ele gostaria de ajudar.
Não compreendo.
Minha filha,
tu não consegues, por isso o senhor quer educar o teu bebé.
- O pequenino. - Porquê?
Primeiro, ele vai levá-lo ao médico para ver se é saudável e depois...
Ele quer ajudar, quer comprar o teu bebé.
Comprar o meu bebé?
Adoptá-lo. Levá-lo para França.
É para o teu próprio bem e o da crianca.
Ele levará uma vida com que nunca sonhaste.
O homem dar-te-á dinheiro suficiente
para te tirar da miséria.
Diga-lhe que o educarei como se fosse meu filho.
É uma oportunidade única. Além do mais, com 5 mil dólares...
poderá comprar uma casa, um apartamento.
Não vou dar os meus filhos a ninguém.
Apanhei-as nos caixotes do lixo perto dos bares.
Este homem é maluco ou quê? Para que são as garrafas vazias?
Deixa-me dormir.
Ele disse qualquer coisa sobre esporos. O que é isso?
- Quero lá saber. - Fui ao notário.
Este foi o documento que ele redigiu. Só tens de assiná-lo.
- Uma declaracão? - Prescindes da terra a meu favor.
- Já te disse que não quero nada. - Es meu irmão...
Mas e se os teus filhos reclamarem alguma coisa?
Assina, por favor.
Não é aí! Em baixo!
Na segunda página também.
lsso mesmo.
Dou-te 300 dólares. É tudo o que tenho.
Vou deixar em cima da mesa.
- Gostas? - Sim.
Que aconteceu? Onde está a Mala?
Chamaram-na?
Acho que ela está paralisada.
Tem os olhos abertos mas não se mexe.
Meu Deus!
Para onde vais, minha querida?!
Senhor! Minha Milica!
Partiste e deixaste-nos...
Chegaram tarde, outra vez.
Que ela descanse em paz.
Desta vez, ela pagou o condomínio por si.
Daqui para a frente, não a vou tolerar.
Que Deus a tenha.
Esperem! Estou a ir.
Gatinha!
Esse vestido é da tua avó?
És nova? Já te vi algures.
Hoje o negócio está fraco. Está muito calor e eles ficam moles.
Pára de lhe dar dicas! As novatas não começam aqui.
Primeiro, vai para os arbustos, vai picar o rabo, para começar.
Vá lá, miúda, lembra-te da tua primeira vez.
Não. Lembro-me que te chamavam: "A NicKie assusta os picos."
Repete isso e dou cabo de ti.
Calma, meninas!
A Polícia!
A Polícia!
Anda para aqui!
7 dólares.
1 0 dólares!
É bom, mas é uma loucura
gastares o dinheiro todo que o teu irmão te deu, numa noite, no hotel.
E depois?
Podíamos investi-lo numa avestruz.
Tudo no negócio das avestruzes é rentável.
Quero lá saber disso.
Pelo menos, tenho algo para recordar.
Algo de bom, nesta vida merdosa.
De onde é isto? Da lgreja ou da Cruz Vermelha?
- Também vamos ter roupa? - Vão ter!
- Sapatos, talvez... - Quero um par de botas cardadas.
Quero T-shirts. Fico sempre com as da loana.
- E eu quero... como se chama? - Balões?
Tens 250 para encher até seres velhinho.
Não são balões. Como é que se chama... Uma televisão!
- Nada mais nada menos que uma TV. - Compraremos uma.
E muitos balões!
- Eu ter dois filhos. - Eu tenho sete.
Não compreendo. Sete o quê?
Sete filhos.
Filho, filho, filho, filho, filho, filho, filho.
Tenho vergonha. Sete filhos!
Eu ser pai. Eu ajudar-te.
Tu ter problema.
Eu já não ter mulher.
Alá quis assim.
Porque é que me deste um pontapé, seu filho da puta?
- O que foi que disseste? - A tua mãe é uma cabra!
- Repete lá isso! - A tua mãe é uma prostituta!
A tua é que é!
Vai-te lixar!
Acho que devíamos pendurar uma lâmpada vermelha na porta.
lsto não é nada bom!
A tua mãe é uma prostituta!
A tua mãe é uma prostituta!
É verdade, mãe? É verdade?
Já te disse mil vezes para não brincares com eles!
Que podia ele fazer? Ficava aqui a ver o que fazes?
É isso que ele devia fazer?
Mala!
Mala!
Abre, por favor.
Mala!
Deixa a minha Mona dancar
E a minha madrinha saltitar...
Que se passa contigo, Maria?
Vem para aqui.
O que é que ela tem?
- Não sei. Aguenta-se? - Veremos.
Dana! Chega aqui!
Eu sou boazinha, até tu me chateares.
Ou trabalhas connosco ou vais para onde te queiram.
És esquisita? Se ele diz para ires com ele, tu vais!
Não penses que és melhor que nós!
Fica em casa com os estúpidos dos teus filhos! Quem te mandou tê-los?
Parece que vamos divertir-nos!
Meninas!
- Olá. - Afasta-te, eles não me vêem.
Somos da Direct TV e gostaríamos de filmar a vossa história.
Muita gente pensa que os bordéis deviam ser oficializados...
- Sim, isso seria bom! Silêncio! - ... quando a lei for alterada.
É humilhante vocês trabalharem na rua.
- E arriscar tanto. - Sim, é um pouco humilhante...
Gostaríamos de fazer uma transmissão em directo,
como um apelo humanitário.
- Que é isso de "humanitário"? - Cala-te! Diz "humanitário"?
Mas quando aquele homem se incendiou e ninguém interveio?
- lsso também foi humanitário? - Vá lá, meninas.
Podemos fazer um filme para ver à noite, e abanar o pífaro.
Esperem!
O homem a arder já tinha tido um apartamento e vendeu-o,
e agora ele queria outro à borla! A sério!
Quero lá saber da sua sinceridade! O homem morreu! A verdade é essa!
Turco.
Camião turco aqui.
Muitos balões coloridos na Turquia.
Maria! Gzel!
Obrigada, mas não precisamos deles. Todos para a cama!
Que faz aqui? Por favor, vá-se embora.
Não quero incomodar. Rapariga no parque dar-me morada.
Não te querer zangada.
Aqui, não! Leve-me para algum lado.
Porque é que veio?
Pensar muito em ti. Querer vir ter contigo.
Eu querer...
Eu querer que venhas comigo.
Deixe estar...
Que fazes por estas bandas?
- Quem é? - A que me deu cabo dos tomates.
O que se passa? Anda daí!
Pare de abanar o pífaro! Engorda! Venha aqui dar uma queca!
É melhor pedir-nos com jeitinho... e nós vamos todas contentes.
Vem cá, boca grande!
Estou habituada a carros bons. Não viu os carros em que ando?
Quando querem coçar os tomates, também vêm ter connosco.
- Toca a mexer! - Não me empurre, sua besta!
Cuidado!
Sacana!
Não te preocupes. Ficamos só uma noite na esquadra,
para eles mostrarem trabalho.
- O teu amigo é muito calado. - Pois é.
Não, ele fala. Ele gosta de falar,
mas agora está com um problema nos dentes.
Normalmente, ele fala muito.
Moraru, Camataru, Georgescu, Vaiscovici...
Olha, ele está a falar! O que está ele a dizer?
Ele diz que és uma mulher bonita.
Ele também é jeitoso.
Estou um bocado cansada, sabes?
Vamos parar um bocado.
Há um motel excelente no caminho. Está bem?
Espera um segundo.
A balofa quer que bebamos um copo com ela.
Ele também está com sede.
- Sr. Comandante... - "Declaracão" ou "Sr. Comandante"?
Ela sabe, ela estudou três anos.
- A abaixo assinada... - Com um "s" ou dois "s"?
- É como te soa, estúpida! - Com dois "s", de "massa"!
- A NicKie assusta os picos... - Tu aí!
Não és tu a da violacão? Pelo teu marido, certo?
- Parece que isso te iniciou. - Fale com decência, homem!
- Porquê pressionar a pobre coitada? - Seu salsicha!
- Falem como deve ser connosco! - Sim! Conheco as da vossa laia!
Deste-me dinheiro?
Aí vem ele!
O Chefe!
Já nos conhecemos.
Vem comigo.
Vem!
Tem alguma coisa contra ela? Deixe-a. E a primeira vez dela.
Até amanhã de manhã.
Paguem a multa, é inevitável.
Calem a boca ou ficam aqui mais tempo.
- Chefe! Porque a leva para ali? - E mau?
Caros telespectadores, estamos em directo, de uma esquadra,
onde uma jovem mulher detida por prostituição
decidiu contar a história dela.
Maria, estamos a ouvi-la.
Quantos anos tem a sua filha mais velha?
- 1 6. - Ela vai à escola?
Não vai desde o 6º ano.
O que pensa ela da sua vida?
Ela não tem coragem para me dizer.
Maria, permita-nos que filmemos em sua casa,
para que os telespectadores percebam o que a fez iniciar-se nesta vida.
Está bem.
Obrigada.
Caros telespectadores, dentro de 45 minutos
trazemos-lhe mais pormenores sobre esta dramática história verídica.
Fique com a Direct TV.
Querido, ainda estás vestido?
Pronto, esquece. Por mim, tudo bem.
Constou-me que és um verdadeiro vulcão na cama.
Mas eu também sou safada.
É melhor ligar a televisão, para não sermos ouvidos.
- E agora? - Traz-se água da bomba do cemitério.
- Certo. - Ontem fui ao médico.
Passou-me uma receita, mas os medicamentos eram muito caros.
- Têm electricidade? - Nunca tivemos.
Traz clientes para aqui?
Às vezes.
Quanto é que ganha por sessão?
5, 1 0 dólares.
Se fizermos um cálculo, então num mês ganha...
Que se passa, homem?
Não vou dia e noite, só quando não tenho dinheiro.
Compreendo. Quero perguntar-lhe uma coisa.
Porque escolheu a prostituição?
Caros telespectadores...
lon, que estás a fazer?
- O que se passa? - Envergonhaste-nos.
Somos o falatório da cidade. Todos te viram na TV.
Compreenderão quando crescerem.
- Se eu crescer. - Eu compreendo.
Os meus cumprimentos, Maria! Sou eu!
Vim dar-lhe a grande notícia. Tivemos um grande sucesso.
A reportagem foi passada duas vezes na TV nacional.
E o Presidente da Câmara decidiu dar-lhe um apartamento com 3 quartos.
- Não estamos interessados! Baze! - Costin!
Tem de ir à estacão de televisão. Vão dar-lhe uma casa!
Mandaram o carro para si. A nossa equipa está à espera.
É um grande acontecimento.
Não quero. Como poderia manter um apartamento?
lndo 3 vezes mais para a rua?
Seu idiota!
Também lhe vão dar um emprego. Vai ver.
"Os meus olhos melancólicos choram saudosos
e aspiram aos céus, lá no alto.
Os meus pensamentos voam alto entre as estrelas,
enquanto para lá deles tudo é terrível.
Vejo-me em nuvens de gelo,
a flutuar e a mover-me em estradas desconhecidas.
É bom abandonar-me para lá disso tudo.
As criancas que deixei sozinhas...
Da minha viagem entre as estrelas,
mais uma vez volto aqui
com o coração atormentado, cheio de cicatrizes,
para abraçar com força os meus filhos adoráveis."
Em memória de
Tradução do lnglês e Legendagem Carmen Cabrita
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