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POLÔNIA INVADIDA

LONDRES BOMBARDEADA

RECRUTAMENTO OBRIGATÓRIO

PERIGO DE ATAQUE AÉREO

A GUERRA ACABOU

Crescendo na Inglaterra,

vivíamos à sombra da 2a Guerra Mundial.

Nossos pais e avós passaram

por duas grandes guerras.

E, depois da 2a Guerra Mundial,

havia um sentimento de esperança em relação ao futuro.

Em Londres,

havia muitos prédios em ruínas,

crateras e...

Era uma zona de guerra.

Ainda havia racionamento.

Eu me lembro de comprar ovos, leite, manteiga

com um livro com cupons.

Estavam todos se recompondo.

Fora de Londres, nas Midlands Ocidentais,

vivíamos uma vida pós-guerra tranquila

e semissuburbana.

EUA eram um sonho,

porque era um mundo diferente

do nosso.

Eu ouvia aquele rock and roll incrível

que vinha dos EUA.

E tinha aquela guitarra elétrica.

Parecia que aquilo vinha de Marte,

apesar de estar vindo de Memphis.

Mas, aqui na Grã-Bretanha,

os músicos não se arriscavam.

Até que essa força da natureza chamada Lonnie Donegan apareceu.

Eu fiquei fascinado

depois de ver Lonnie Donegan tocando.

Era como um portal.

Ele dava acesso

ao tipo de liberdade que não tínhamos na Inglaterra.

Vamos lá, Jimmy!

Um dia, eu vi na escola

um cara no meio do campo,

cercado de pessoas.

Escola de Jimmy Page

Era o Rod Wyatt.

Ele estava tocando músicas do Lonnie Donegan

em um violão.

Jimmy Page e Rod Wyatt

Então fui até ele e falei: "Tenho um igual em casa."

E ele: "Se quiser,

eu te ensino a afinar."

E ele me mostrou alguns acordes também.

Eu não me desgrudava do violão.

Tocava antes do café da manhã

e tocava no caminho pra escola.

Eu queria tocar na escola,

mas ele seria confiscado

e só o devolveriam no fim do dia.

Meu pai falava:

"Eu não entendo nada de violão,

Patricia e James Page

mas vou te apoiar.

Desde que você não deixe de estudar."

Mas minha mãe apoiava a ideia

de eu continuar e tocar numa banda.

Ela acreditava em mim.

Isso foi muito importante.

Meus pais eram do teatro.

Minha mãe era a cantora de vestido.

Margie Castle e Joe Baldwin

E meu pai, comediante.

Ele tocava piano.

E eu viajava com eles

pra todas as bases

onde eles tocavam pras tropas.

Havia um show internacional atrás do outro.

Acordeonistas e banjoístas.

Eu absorvi tudo isso.

Eu vim dessa tradição musical.

E essa foi a fundação

de tudo que eu fiz depois.

Annie, Robert e Robert Plant Sr.

Cresci nas Midlands Ocidentais.

A família do meu pai vem de lá.

E o lado materno da família é cigano.

Tive uma infância resguardada,

até meus pais me enviarem pra uma escola na cidade grande.

Eu estudei pra ser contador.

Desfile da escola de Robert Plant

Eu até gostava da escola.

Mas Little Richard era

tão provocante, avassalador

e hipnótico,

que todo o resto parecia irrelevante.

Naquele momento eu soube que queria ser um cantor.

Foi isso.

Eu fui fisgado. Pra sempre.

John Bonham raramente dava entrevistas e morreu em 1980

Esta entrevista nunca havia sido ouvida

Bem, eu sou John Bonham.

Sempre gostei de fazer sons de bateria.

Ganhei uma bateria aos dez anos.

Fomos ver um filme com Gene Krupa,

e aquilo foi incrível.

Aqui em Midlands,

eu comprava discos muito diversos.

Johnny Kidd & the Pirates eram muito influentes.

Tocava em todas as jukeboxes.

Elas tinham alto-falantes enormes.

Tudo que você ouvia era o baixo.

Ouvi aquilo e pensei:

"Quero muito fazer esse som."

Quando contei pro meu pai, ele falou:

"O baixo é uma moda passageira.

Daqui a dois anos, ninguém mais vai tocar isso.

Com saxofone, terá trabalho garantido."

Falei: "Não. Quero um baixo."

Ele me ouviu tocando e falou: "Venha comigo.

Observe minha mão esquerda."

No piano. Então...

Aprendi todos os clássicos assim.

'Shadows' Ao Vivo...

Eu tinha uma banda.

A gente tocava no clube de jovens.

Eles tinham um padre jovem e de cabeça aberta.

Eles precisavam de um organista.

Falei: "Posso tocar órgão, se você quiser."

Não pensei muito. Ele concordou.

Igreja St. Aidens New Eltham

Na igreja, você tem que improvisar.

Mas como eu não era muito bom tocando com partitura,

eu sempre improvisava.

Eu aprendi os cânticos.

Eu identificava os cânticos.

Não sou muito religioso, mas era um bom emprego.

E ele era um padre muito legal.

Então, aos 14 anos, eu me tornei organista e regente de coro.

Eu recebia 25 libras por ano,

e pude comprar um baixo Fender.

Eu costumava tocar toda quinta-feira

no Marquee Club.

Depois de um tempo fazendo isso,

Carter-Lewis and the Southerners

me chamaram

pra gravar com eles.

Eu topei na hora.

Então levei meu equipamento.

Pedal Dearmond, amplificador

e minha Gibson Les Paul nova em folha.

E eles falaram:

"Crie algo pro solo."

No segundo ensaio, eu já tinha bolado algo.

E a notícia se espalhou sobre

esse novo guitarrista.

PARABÉNS À BANDA!

E eu comecei a receber convites do estúdio.

Quando entrei nesse mundo,

eu era sete anos mais novo do que os outros.

E não havia ninguém da velha guarda

ou que já tocava lá,

que conhecia as influências

e as mesmas referências das bandas mais jovens.

E claro que eu conhecia tudo.

R&B, blues,

rock, ou seja lá o que fosse.

Todos compravam os discos

que vinham originalmente

nos navios mercantes americanos.

A febre do R&B tinha começado.

Fui ver o Sonny Boy Williamson

no American Folk Blues Festival.

Nessa época, eu estava aprendendo a tocar gaita.

Então foi uma avalanche enorme

de música de sabe-se lá onde.

Sonny Boy representava quase toda

a influência musical que corre em minhas veias.

Mas eu também tinha um herói na minha cidade.

Ele se chamava Perry Foster.

Ele tinha um grupo chamado Delta Blues Band.

E, de alguma forma, consegui dar um jeito

de entrar nessa banda.

Eu seria um mod, rocker, beatnik,

qualquer coisa, desde que eu pudesse cantar

e ser visto,

tentando fazer isso dar certo.

Eu tocava e tinha um emprego.

John e Jack Bonham

Eu trabalhava com meu pai com construção.

Éramos bons construtores.

Mas o trabalho perdeu lugar

pra música. Era o que acontecia.

voz de John Bonham

Largamos a escola e formamos bandas,

e coisas do tipo.

Tocávamos em clubes locais.

Pra mim, a maior influência foi o soul.

Eu adorava James Brown,

porque a bateria era sensacional.

Pensei: "Ainda vou tocar assim."

Aos 16 anos,

fui ver um show da banda do Robert.

O show foi ótimo, porque ele cantava muito bem.

Na plateia

havia um cara imponente com uma namorada linda.

John Bonham e Pat Phillips

Depois do show, ele me procurou e falou:

"Até que você é bom,

mas seria melhor com um baterista de verdade."

Pensei: "Caramba. Lá vamos nós."

Na primeira vez que tocamos juntos,

tínhamos 16 anos.

E foi muito bom.

John era incrível.

Ele era um baterista habilidoso.

Eu ficava encantado olhando pra ele.

Ele era fantástico.

Mas a competição era acirrada.

A gente saía em turnê,

e tudo corria bem,

e, quando voltava, não tinha mais trabalho.

A gente voltava pro início.

Uma vez, ficamos sem combustível,

e tive que roubar gasolina de outro carro.

Fui pego pela polícia no meio da noite,

sugando um tubo de borracha.

E ele ficou sentado lá atrás, com medo:

"O que a Pat vai dizer?"

Pat se tornou a esposa dele. Ela costumava dizer:

"Não se atreva a tocar com aquele Planty.

Ele é um desastre."

Larguei a escola aos 16 anos.

Eu ia mal nas provas,

porque passava a noite tocando

antes das provas finais.

Meu pai falava:

"Vou arranjar um emprego pra você."

"Não, pai. Vou arrumar uma banda."

Tinha um lugar em Londres

chamado Archer Street.

E, toda segunda-feira de manhã,

os músicos locais iam lá atrás de trabalho.

Então, eu ia lá, ainda adolescente.

Toda segunda, eu estava lá.

E comecei a ser contratado por bandas

e por estúdios.

Lá vem Jimmy Page com a guitarra dele.

É minha Les Paul, minha Beleza Negra.

E essa foi a guitarra que eu usei

na maioria das sessões.

Aí está. Estou indo ver

o que me aguarda no estúdio.

As sessões eram muito divertidas.

No início, eu fazia muitas sessões

com o Jimmy.

Jimmy Page - Guitarra John Paul Jones - Baixo

Goldfinger foi em Abbey Road.

Jimmy e eu éramos da seção rítmica.

Havia uma orquestra

e Shirley Bassey.

Aquela energia... Só de estar lá...

Eu ainda era um adolescente.

"Uau. É a Shirley Bassey."

Eu podia vê-la enquanto tocava.

E ela fez aquilo tudo.

Era maravilhoso de se ver.

Os estúdios exigiam muita eficiência.

Se você errasse,

tinham que fazer hora extra.

Então, se você errasse,

nunca mais seria chamado.

Eu tinha um diário de bolso

que eu levava comigo.

Eu toquei em sessões com os Rolling Stones,

David Bowie, Petula Clark...

Gravei com os Kinks.

No primeiro disco do Who.

Era muito variado.

Mas não fiz nada com os Beatles.

Jimmy Page - Violão

Trabalhei muito com o Donovan

e gostei muito de trabalhar com ele.

Mickie Most era o produtor dele.

As sessões foram ótimas, porque eu podia observar

e podia fazer perguntas,

e foi o que eu fiz.

Eu perguntava aos engenheiros

como os efeitos eram criados, tipo eco e reverb.

E pude ver como eles gravavam

diferentes instrumentos.

E isso era o que eu podia fazer.

Eles me deixavam fazer isso.

E também tive a chance de tocar um solo.

E isso foi legal.

Falei pro Mickie:

"Precisa de arranjador?"

"Você sabe..." "Sim, faço arranjos.

Faço isso o tempo todo."

Eu nunca tinha feito isso.

Mas meu pai tinha me ensinado a nunca recusar trabalho.

E eu me dava muito bem com ele.

Ele passava de Rolls-Royce amarelo

e deixava um disco na minha casa:

"Você sabe o que queremos. É pra sexta-feira." E era isso.

Eu passava o dia no estúdio tocando baixo.

E compunha os arranjos de noite.

Então, às 9h,

eu ia pro estúdio e tocava as músicas.

Fiz todos os arranjos pro Herman's Hermits

e pro Donovan.

E trabalhei muito com a Lulu.

Fiz os arranjos dela

com Mickie Most.

John Paul Jones - Arranjos e Baixo

Trabalhei até em filmes com ela,

como Ao Mestre, com Carinho, que fez sucesso nos EUA.

Isso era considerado o ápice do mundo da música.

O MÚSICO DE ESTÚDIO

Meu pai ficava orgulhoso

quando pessoas que ele respeitava

falavam: "Vi seu filho no estúdio.

Ele é bom."

E ele ficava...

Ficava todo orgulhoso.

Nessa época, eu cantava em várias bandas.

Sr. Plant, cantor de baladas

Eu já tinha me aventurado no estúdio.

Mas meus pais não gostavam muito disso.

Na verdade, quando gravei meu primeiro single na CBS,

eles não ficaram sabendo, porque eu...

Eu tinha a alternativa de continuar

no mundo acadêmico...

estudando pras minhas monografias

pra me tornar um contador ou...

sair por aí e fazer o que tinha que fazer.

E foi o que eu fiz.

Dei adeus pra todo mundo.

Eu sabia que havia cantores mais talentosos,

mas eu estava fazendo o melhor que eu podia.

Não Plante, Fume

Eu tinha túnicas, cara pintada, sinos tocando, incenso queimando...

Era...

voz de John Bonham

O Robert se metia em mais confusão

do que qualquer outro amigo meu.

Era insano.

LEGALIZE MACONHA

John me perguntou: "O que você está fazendo?"

Hippies protestam

Falei: "Você tem razão. O que estou fazendo?"

Era o final de 1967.

Nós nos encontramos pra tocar,

e o resultado foi incrível.

Então formamos a Band of Joy.

Queríamos misturar blues com psicodelia.

Queríamos fazer parte desse movimento.

Tocamos no Frank Freeman's.

No Middle Earth, em Londres.

Fomos à Tin Pan Alley e gravamos Memory Lane,

que era minha primeira composição.

Infelizmente, nunca foi lançada.

Pouca gente gostava da gente.

Mas a gente gostava.

Lembrem-se da última apresentação deles

A Pat gritava com o John:

"Falei pra ficar longe dele.

Ele é um inútil."

E então ele foi tocar com Tim Rose

e tocou em I Got a Loneliness e em Morning Dew.

Era assim.

John e Jason Bonham

Tivemos um filho. Então tive que tocar

numa banda profissional

pra poder sobreviver.

Eu estava totalmente perdido.

Estava muito difícil para mim.

Eu tinha uma mala marrom, penicilina

e não tinha onde morar.

Então eu...

fiz um show com a banda Obs-Tweedle.

Eu tinha sido totalmente aceito

como músico de estúdio.

Eu estava ocupado fazendo as coisas

que os veteranos estavam fazendo quando eu comecei.

Como Muzak.

Muzak é o que chamam de música de elevador.

Sabe como é?

É muito difícil tocar

numa sessão de Muzak,

porque eles te dão as partituras,

e você fica passando e tocando,

passando e tocando.

Se você chegasse à metade da sessão

sem se sentir exausto, era um milagre.

Então eu sabia

que era hora de sair de lá.

Todos os meus amigos, como Eric e Jeff, tinham bandas

e estavam se divertindo muito.

E eu pensei: "Tenho muito

pra oferecer."

E Jeff Beck falou:

"Seria muito legal se você viesse pros Yardbirds."

Então pensei: "Como eu tocaria

se tivesse a chance de tocar?

Certo. Faça isso. Essa é sua oportunidade."

Tocando nos Yardbirds com o Jeff,

eu podia viajar

e me divertir pra valer.

Mas, no meio de uma turnê americana,

ele saiu da banda, e eu fiquei surpreso.

Mas isso me deu a oportunidade de tomar uma direção totalmente nova.

Então eu assumi a guitarra principal.

Ninguém estava mais interessado nos Yardbirds

aqui na Inglaterra.

Então começamos a atrair uma pequena audiência

nos EUA.

E foi muito empolgante

poder conhecer a cena musical da Costa Oeste.

Mas havia o Mickie Most,

nosso produtor.

Tínhamos que gravar singles horríveis

pra rádio AM, que era a rádio pop.

E eu não queria mais fazer singles.

Estando nos EUA

e vendo o surgimento da rádio underground FM,

que tocava lados inteiros de álbuns...

eu sabia que esse seria o caminho a ser tomado no futuro.

Então esse era o meu plano.

Fazer álbuns que seriam tocados,

lados inteiros, nas estações FM.

Eu já tinha um som novo pros Yardbirds

na minha cabeça.

Eu já sabia exatamente o que queria fazer com a guitarra

nas músicas que eu tinha em mente,

como Dazed and Confused,

que foi inspirado por Jake Holmes.

Essa guitarra foi presente do Jeff Beck.

Eu a pintei. Eu consagrei a guitarra.

Essa guitarra faria uma jornada completa,

como a Excalibur, a espada mítica.

Fui a uma quiromante em LA.

E ela falou:

"Muito em breve, você vai tomar uma decisão

que vai mudar a sua vida."

Dois ou três dias depois, fizemos uma reunião,

e a banda falou:

"Queremos parar."

Foi uma surpresa.

Pensei: "Agora sei o que vou fazer.

Vou formar uma banda

e sei exatamente o que quero fazer."

Eu só precisava encontrar um vocalista potente.

Havia um cantor chamado Terry Reid.

Eu simpatizava com ele.

Pensei: "Vou atrás dele."

Pedi pro Peter Grant rastreá-lo.

Peter Grant era empresário dos Yardbirds

e ele acreditava muito em mim.

Quando os Yardbirds acabaram,

e eu resolvi formar uma banda,

ele me apoiou. Ele falou: "Ótimo.

Vou ajudar como puder."

Peter Grant e Mickie Most trabalhavam na mesma sala,

e havia duas mesas,

e eles podiam se ver do outro lado da sala.

De repente, eu ouvi:

"Infelizmente, Terry Reid assinou um contrato

com Mickie Most."

Falei: "É mesmo?"

- É novo? - Conheço esse.

- Pra você. - Isso.

Achei uma crueldade.

Mesmo assim, Terry Reid indicou

o cantor da banda Obs-Tweedle.

E eu pensei:

"Que nome mais estranho."

Ele e Peter Grant vieram me ver.

Ele perguntou se eu sabia onde Robert Plant estava.

Falei: "Sim, bem aqui."

Ele estava fazendo improvisações vocais maravilhosas.

Achei aquilo muito bonito.

Então eu o convidei pra minha casa.

Eu ainda não tinha onde morar.

Então peguei minha mala, entrei num trem pra Pangbourne

e bati em mais uma porta.

Sim. A gente se deu muito bem.

Ele estava mexendo nos meus discos...

"Eu tenho esse." Sabe?

E eu mostrei pra ele a versão da Joan Baez

de Babe I'm Gonna Leave You

e falei: "Se você conseguir cantar esse trecho,

tenho um arranjo que combina."

E tudo se encaixou perfeitamente.

Foi lindo.

Ele cantou lindamente.

Sabíamos que havia algo no ar.

Eu podia sentir ao meu redor.

A guitarra do Jimmy era fantástica.

O Jimmy me falou:

"Já temos um baterista..."

E eu o interrompi e falei: "Calma aí.

Não existe baterista no planeta

que chegue aos pés de John Bonham.

Ele é magnífico."

Ele estava com Tim Rose.

Jimmy falou: "Se for o caso,

vamos vê-lo."

Falei: "John, você tem que ouvir o Jimmy tocar.

Ele é demais." John falou: "Sem chance."

Falei: "Você está maluco?

Você não quer continuar tocando folk elétrico.

Venha comigo." Ele falou: "Pat me mataria."

"Não diga isso."

Falei: "Falo com ela e com sua mãe."

Minha esposa Mo falou: "Jimmy está formando uma banda.

Devia ligar pra ele e ver

se precisam de baixista."

Falei: "Não posso...

Tenho muita coisa pra fazer.

Tenho álbuns pra..."

Mas ela insistiu.

"Ligue pra ele, por favor." Então eu liguei.

E falei: "Alô, Jim. Está formando uma banda?"

Ele falou que sim.

Falei: "Precisa de baixista?"

Ele falou: "Na verdade, sim.

Mas tem um problema." Falei: "O quê?"

Ele falou: "O baterista está tocando com Tim Rose

e recebe 40 libras por semana. Podemos fazer melhor?"

Chegamos à conclusão de que poderíamos.

Peter Grant arrumou um lugar pra gente ensaiar

em Gerrard Street.

Porão de ensaios

Então fomos até lá, e eu liguei meu equipamento.

John Paul Jones estava lá com o equipamento dele,

e John levou a bateria dele.

Havia amplificadores de parede a parede,

e nós pegamos um e...

"Olá. Como vai?" "Bem." Sabe como é?

"Sou fulano. Ele é sicrano."

voz de John Bonham

Foi estranho conhecer John e Jimmy.

Vindo de onde eu vinha,

achei que aqueles telegramas

fossem uma piada.

Eu podia entrar pros Yardbirds.

É um presente dos céus, não é?

A primeira música que eu quis tocar

foi Train Kept A-Rollin'.

Train Kept A-Rollin'. "Conhece?"

Falei: "Não." Ele falou: "Tem 12 compassos."

"O riff é assim." "Tá, vamos começar."

E foi isso.

Foi uma loucura.

Tocamos sem parar, fizemos solos

e tudo mais, com Robert improvisando.

Nunca tinha ouvido nada parecido.

Eu esperava um cantor de soul,

mas era um maníaco gritando

com uma voz fantástica e um alcance fantástico.

"O que está fazendo aí em cima?

Você vai se machucar, cara."

Foi devastador, porque parecia

que era o que eu estava esperando.

Eu era muito tímido.

A melhor coisa a se fazer nessa situação

é não falar muito, seguir em frente

e ir pegando o jeito.

Bem, sendo baixista,

e ele devia pensar a mesma coisa,

porque na seção rítmica

somos criaturas muito sensíveis.

Eu precisava ter certeza de que poderíamos trabalhar juntos.

Na primeira vez que tocamos juntos,

deu pra ver que seria um boa banda.

Não quero me gabar.

Mas estou.

Maravilhoso.

No fim, eu estava totalmente convencido

de que todos sabiam que havia sido uma experiência transformadora.

E acho que havia muito energia

que precisava ser colocada pra fora.

"Próxima etapa,

vamos pra Pangbourne."

Pangbourne fica no rio Tâmisa.

Quando me deparei com essa casa-barco,

pensei: "É um lugar mágico."

Tinha uma energia boa.

Era um caldeirão de criatividade.

E eu morei nessa casa

de 1967 até 1970.

Inicialmente, instalamos tudo no andar de cima da casa.

Ali onde estão as janelas,

havia uma sala grande,

e era onde a gente ensaiava.

A gente podia ver o rio. Era lindo.

E pudemos nos conhecer melhor

e trabalhamos duro.

Não éramos ociosos.

Não queríamos aparecer na TV.

Tudo que queríamos era tocar música.

Estávamos trabalhando nas músicas pro álbum,

e também ensaiamos músicas

que tocaríamos ao vivo.

Passamos dias ensaiando,

e tocávamos muito alto.

Dava pra ouvir daqui.

E eu esperava que alguém fosse bater na porta

pra reclamar, mas ninguém veio.

Foi tudo muito rápido,

porque já havia uma turnê

marcada pros Yardbirds,

que eram alguns shows na Escandinávia.

E o fato de já haver essa turnê

era conveniente.

Então poderíamos ir lá

e tocar pra uma plateia

longe de Londres e todo o resto.

Fomos pra Escandinávia,

pro nosso primeiro show como Yardbirds.

Setembro de 1968

Entramos no avião,

eu estava ao lado do John,

fumando um cigarro,

e havia muitos talheres,

facas e garfos na nossa frente.

Coisas que teríamos roubado,

havia aos montes lá.

Não daria pra esconder nas malas

sem a ajuda de alguém.

Foi ótimo. Estava tudo lá.

Gim, tônica, pessoas.

Pessoas sendo gentis e charmosas.

Ar-condicionado. E lá fomos nós.

O que eu podia fazer?

Voltar pra casa da mamãe?

TEEN CLUB GLADSAXE - DINAMARCA

Quando falei pros meus colegas e pros meus empregadores

que eu ia largar o estúdio

e ia tocar numa banda de rock,

todos disseram que eu estava maluco.

No baixo, John Paul Jones.

John Paul Jones.

Na bateria, John Bonham.

Na guitarra, Jimmy Page.

E eu sou Robert Plant.

É! Isso aí!

É!

É!

É!

Correu tudo tão bem,

que a banda começou a gravar o álbum

assim que voltou da Escandinávia.

Há quanto tempo estávamos juntos? Um mês?

Fomos ao Olympic Studios à noite por algumas semanas.

Fomos pela primeira vez em 25 de setembro

de 1968.

"Hora de chegada, das 23h em diante."

Tomada um.

Está bem.

Aí está Glyn Johns, o grande Glyn,

no comando da mesa Helios,

feita sob medida pro Olympic Studios.

E ele era o engenheiro de som.

Bateria, tomada um.

John, Jimmy e John Paul

estavam muito mais entrosados nas sessões do que eu,

porque estavam gravando ao vivo.

Eles tinham que ser impecáveis.

E não perder takes.

Então era uma atmosfera elétrica.

E eu tentava pairar por cima de tudo.

John Paul Jones era um baixista fantástico.

Ele era uma força a ser respeitada musicalmente.

Eu estava apaixonado pelo pé direito do John.

Tinha muito respeito por ele.

E eu tentava destacá-lo,

e ajudá-lo

e dar espaço pra ele.

Tomada três.

Eu fazia um riff, e deixava uma nota de fora

e o som dele aparecia

e, de repente, o ritmo ganhava vida.

SET - OUT DE 1968

Polícia atira em estudantes

BLACK POWER AGITA JOGOS OLÍMPICOS

VEJA BARBARELLA EM AÇÃO!

"Hair" desafia censura nos teatros

MARCHA DOS DIREITOS CIVIS

Guerra em Biafra se intensifica

Vietnã do Sul EUA enviam 24 mil tropas

René Cassin recebe Nobel da Paz

Guiné Equatorial declara independência da Espanha

A batida: o estado O distintivo: Havaí 5.0

NOITE DOS MORTOS-VIVOS

Boeing revela Jumbo Jet 747

Beatle e Garota Processados por Porte de Maconha

Nevada, USA Teste nuclear subterrâneo

APOLLO 7 HORA DE DECOLAR

Apollo 7 Primeira transmissão ao vivo do espaço

Eu ia dar tudo de mim.

Eu ia tocar violão,

toquei pedal steel,

toquei guitarra slide, guitarra elétrica.

Fita original danificada

Eu queria ter muitas texturas

e climas diferentes, pra que o álbum

prendesse totalmente os ouvintes

e os levasse a um reino em que nunca haviam estado antes.

A afinação é diferente

em Black Mountain Side.

É uma afinação de cítara.

Jimmy e John Paul estavam no auge.

Eles haviam tocado em tantos projetos diferentes

que podiam encarar qualquer coisa

sem o menor esforço.

Então isso nos deu uma quantidade magnífica de paletas

pra usarmos.

Jimmy produziu o álbum.

O que foi ótimo.

Tem um som diferente,

e eu gosto disso.

Ele sabia onde queria pôr os microfones

e sabia o que ele queria ouvir.

Fizemos coisas muito complexas

durante a mixagem,

como o reverb invertido que usamos em You Shook Me.

Quando você inverte a fita e aplica o reverb,

e depois vira de volta,

você tem um reverb invertido.

Eu usava crossfading pra fazer transições

e todos esses truques

e, quando as pessoas ouvissem o álbum,

isso exigiria atenção absoluta.

Bem, foi incrível.

Eu tinha alto-falantes eletrostáticos

na minha sala.

Ficavam bem na sua cara.

E eu costumava ouvir alto.

Se foi você quem financiou o álbum,

está numa posição muito melhor

do que se tivesse chegado com uma fita demo.

Se sabia o que estava fazendo,

fazia sentido finalizar o álbum

e depois ir atrás de um contrato.

O produtor americano Bert Berns

tinha feito um ótimo trabalho pra mim na Atlantic Records.

OS HITS ESTÃO NA ATLANTIC

Quando fui lá em 1964,

eu disse pra procurarmos a Atlantic...

E foi o que fizemos.

MEMORANDO DO S. WEISS PARA: JERRY WEXLER

Jimmy Page virá a Nova York

para assinar o contrato no dia 11 de novembro.

Sim, nós fizemos nossa parte,

e Jimmy e Peter iam convencer as pessoas

de que elas precisavam disso.

Jimmy tinha as chaves pra abrir as portas de um reino.

E ele foi pra Nova York com Peter,

e conseguiram falar com Jerry Wexler.

Aeroporto Kennedy

Outubro de 1968

Tocamos o disco, e foi um grande momento.

Não importava o que iam achar,

desde de que pudéssemos tocá-lo pro Jerry Wexler.

A Atlantic não podia remixar nada.

Estava perfeito.

A sequência era perfeita. Não havia nada...

Não íamos lançar nenhum single.

Já tendo visto uma situação em que os singles

abalaram o espírito de uma banda,

eu não queria abalar o espírito dessa banda.

E fiz questão de dizer: "Somos uma banda de álbuns.

Não vamos lançar singles."

Podíamos decidir, porque o álbum era nosso.

E aí estou eu, assinando um contrato.

E o Peter, muito descolado.

Parecendo um chefão da máfia.

ATLANTIC ASSINA COM A SENSAÇÃO LED ZEPPELIN

EM UM DOS MAIORES ACORDOS DO ANO

Peter Grant e Jimmy garantiram

que a Atlantic não ia se meter no que estávamos fazendo.

Chegaram dizendo: "Vocês querem essa banda,

e vocês vão ter a música." Mas...

Peter Grant não deixaria nenhum executivo

chegar perto do estúdio.

Nem da banda.

Eles morriam de medo dele, o que era ótimo.

Ter essa liberdade era algo inédito.

Em vez de manter o nome dos Yardbirds,

tínhamos confiança pra começar do zero

e decidimos mudar o nome.

ESTREIA DE LED ZEPPELIN

Keith Moon sugeriu Led Zeppelin.

Achei que seria um ótimo nome.

Pensei: "É, que nome horrível.

Ninguém vai se lembrar disso."

Mas não pensei em nada melhor,

então foi Led Zeppelin.

De repente, eu era pai e ia me casar.

Robert Plant e Maureen Wilson

Eu estava numa banda que agora se chamava

Led Zeppelin.

Então procurei meus pais de coração aberto.

Liguei pros meus pais e falei:

"Acho que vocês vão querer conhecer

sua possível, mais do que provável, futura nora."

E então, claro,

eles abriram a porta.

No dia 9 de novembro de 1968, tocamos no Middle Earth.

E só pra comemorar o fato de que faríamos esse show,

eu me casei no mesmo dia.

Tentei fazer o máximo de coisas no mesmo dia.

O carro quebrou a caminho do show.

Esse tipo de coisa.

Decidimos o que tocaríamos

e como tocaríamos.

E as três primeiras músicas foram...

Dava pra ver as pessoas falando: "O que está acontecendo?"

É engraçado. Não dava

pra tocar na Inglaterra.

Você perguntava:

"Quer um show do Led Zeppelin?"

e esse tipo de coisa.

As pessoas não chamavam a gente.

Então a Atlantic decidiu

que o disco seria lançado no dia 12 de janeiro,

mas só nos EUA.

Então Peter organizou uma turnê pra gente.

ÁLBUM SERÁ LANÇADO EM JANEIRO

Era véspera de Natal.

Disseram que o álbum ia ser lançado,

então tivemos que ir pros EUA tocar.

Eu tinha medo de não me sentir em casa lá.

Pat ficava repetindo: "Falei pra não trabalhar com ele."

Mas ela e minha esposa Maureen eram muito amigas,

e as duas estavam muito felizes

com o que eu e John estávamos fazendo.

E nós entramos na onda.

Dezembro de 1968

Ir pros EUA era um sonho, por vários motivos.

O MÊS DO LED

O grupo que saiu das cinzas

dos Yardbirds

começa uma turnê nos EUA.

Íamos abrir pro Vanilla Fudge.

Foi a única banda que nos acolheu.

Eram nossos amigos

quando não tínhamos nada.

voz de John Bonham

Carmine e John Bonham

se deram muito bem.

Um assistia ao outro

e imitava o outro.

Havia uma bela troca de energia.

O primeiro show foi em Denver.

Parecia um hangar de aeroporto.

Não tinha muita gente.

Pensei: "Caramba."

Mas falei: "Olha, vamos nos agrupar

como se estivéssemos numa boate,

e tocar um pros outros.

Não se preocupem

que esteja vazio.

Vamos tocar e ver no que dá."

Depois dos shows com o Fudge,

fomos pro Whisky a Go Go, em LA.

E depois fomos pra São Francisco.

9 de janeiro de 1969

O álbum estava sendo tocado

nas rádios underground,

e as pessoas estavam muito curiosas

pra ver a banda que estavam ouvindo.

Então íamos chegar destruindo tudo

e tocar como nunca tínhamos tocado.

Chegar com tudo que tínhamos a oferecer.

Estávamos nos bastidores do Fillmore, e Peter Grant falou:

"Aconteça o que acontecer,

se não fizerem sucesso aqui, acabou."

Depois daquilo, sabíamos que estávamos no caminho certo.

VAI

Tudo se espalhou muito depressa.

A coisa toda estava crescendo.

As pessoas tentaram entrar à força

quando tocamos no Boston Tea Party,

porque atravessamos o país

da costa Oeste para a Leste.

As rádios FM tocavam

um lado do disco, falavam sobre a música,

uma mensagem do patrocinador, e tocavam o outro lado.

As pessoas ouviam,

e eles falavam: "Vão tocar na sua cidade."

E todo mundo aparecia.

NO AR

Rock com Led Zeppelin.

Robert Plant está aqui, e sei que está feliz.

Vamos falar com mais um ouvinte.

- Você está no ar. - É o Robert Plant?

- Às vezes, sim. - Nossa.

Saiba que estou tendo um infarte.

Caramba.

Chame um médico.

Quero dizer que você é muito sexy.

- É inacreditável. - Certo.

- Obrigado. - Obrigado.

- Próximo? - Alô?

Eu queria ter visto vocês ontem,

mas não tinha ingresso.

Ontem foi ótimo.

Qual é o seu nome? Esquece.

- Alô? - Oi.

Oi.

Adivinha. Acho você um gato.

O que quer dizer?

Que você é muito bonito.

Maneiro.

Ameio o show. Gostei muito.

Acho que você é um gato,

continue o que está fazendo.

É muita gentileza sua.

Led Zeppelin - página 6 IRMÃOS E IRMÃS

A expectativa era avassaladora.

Muito avassaladora.

Banda Impressionante

se tornando os reis o próximo supergrupo

De volta à Inglaterra depois do que vivenciamos,

eu tive que ficar quieto.

Aqui, o disco não tinha sido lançado.

Março de 1969

Eu não tinha nada a dizer.

As pessoas teriam rido de mim.

Bonzo e eu nos encontramos e falamos...

"O que foi aquilo?" "Não sei."

"O que aconteceu?" "Não sei."

Caramba. Foi incrível. Foi insano.

Nós voltamos dos EUA

totalmente transformados.

Estávamos nos sentindo bem.

Mas isso afeta você.

Pense bem. Tínhamos 20 anos

e, de repente, havia drogas,

e havia muitas garotas

e muitas pessoas que de repente apareceram em cena.

Essa enorme subcultura que gira em torno da fama.

Ainda mais nos estágios iniciais.

Porque é onde você pode sentir

que algo novo virá.

Foi ótimo.

Ainda mais sem a imprensa.

Não gostaram da gente,

pelas poucas resenhas que vimos.

A mais óbvia sendo a da Rolling Stone.

egocentrismo e rigidez...

Lembro de ler a crítica

e pensar: "De quem estão falando?"

Page é um produtor limitado

e compõe músicas fracas.

Os jornalistas na época,

não sei se eles estudavam a música

pra criticar ou se estavam preocupados

com as atividades sociais.

Músicas chatas e redundantes

Mas você liga pra opinião dos outros

quando toca daquele jeito?

Infelizmente, a resposta é sim.

É onde você pode se perder.

Felizmente, nós quatro não ligávamos muito pra isso.

Estávamos mais preocupados com nossa apresentação.

O primeiro álbum foi muito criticado.

Muitos diziam: "Não gosto

da música do Zeppelin",

por algum motivo.

Então não levamos a sério.

Nós trabalhamos muito duro,

e as pessoas entenderam. Nós podíamos ver isso.

E eles contavam pros amigos.

"Ouça também."

Os shows estavam lotados, então é o que as pessoas ouvem,

e não o que elas leem,

que faz uma banda.

Foi empolgante fazer esses shows

e poder ter essa comunhão

entre nós quatro

e poder mudar as coisas

com senso de humor, intensidade

ou um pouco de agressão, sei lá.

Estávamos tão conectados,

que podíamos seguir em qualquer direção,

e todos acompanhavam.

Se a guitarra lidera, todos vão atrás.

Posso me segurar e mudar isso.

As improvisações eram extraordinárias.

Com Dazed and Confused,

a intensidade crescia. Chegava a ser maligno.

Ei!

Eu sabia o potencial

e queria deixar todos de queixo caído.

Eu já sabia como seria o próximo álbum.

Ele seria muito cinematográfico

ao abordar, em primeiro lugar, como a música era feita,

sem falar no que os overdubs e as camadas podem fazer.

Então marquei um ensaio em casa,

e ensaiamos duas músicas novas,

Whole Lotta Love

e What Is and What Should Never Be.

Jimmy sentou com um violão,

e nós desenvolvemos as músicas.

Ele chegava e tocava o que tinha escrito.

E todos nós resolvíamos o resto.

Fomos ao Olympic Studios em abril,

e estávamos animados pra voltar ao estúdio.

Abril de 1969

Meu talento como compositor estava florescendo

por causa das paletas da música que me cercava.

Com Whole Lotta Love,

Jimmy tinha trabalhado no refrão.

Ele me mostrou o riff, que era incrível.

E, pro verso, eu cantei uma letra do Willie Dixon.

E foi tipo...

Eu pegava as melhores partes da música negra

e as esmiuçava,

de algum modo.

Acho que não faz sentido ter Whole Lotta Love

e depois ter outro riff

que era basicamente o mesmo tipo de som.

E What Is and What Should Never Be

tem esses versos mais descontraídos e suaves,

e depois nós temos...

Não era um acorde forte,

mas tinha mais intensidade,

pra podermos mostrar

a força de John Bonham e a força da banda também,

como um todo.

Marcamos uma turnê,

e ia ser muito bacana

poder gravar em vários locais dos EUA.

De volta aos EUA

A ideia era ser inspirado pelo amor das pessoas

e ver a reação do público.

Foi uma alegria poder gravar em estúdios nos EUA.

Tínhamos a energia da turnê

e podíamos documentar isso

no que estávamos gravando.

A bateria do John Bonham seria distribuída

através da imagem estéreo.

Então teríamos a posição

dos instrumentos e as camadas também.

Ele sabia como afinar.

Ele sabia afinar a bateria.

Pra que, quando ele tocasse,

aquilo ressoasse do topo.

Se projetava.

E ele tocava com os pulsos.

Ele não batia com os braços.

Mas ele também destacava o bumbo,

e você quase podia sentir a pancada.

Ele era muito criativo.

Era inspirador tocar com ele.

Eu ouvia aquilo e... Bem, eu não queria ficar só...

acompanhando.

Eu queria fazer algo que combinasse com isso.

O que eu mais gostava de fazer era me encaixar.

Pra que todos fossem ouvidos.

Pra mim, o mais importante

era todos serem ouvidos

nos discos do Zeppelin.

SHOW DO LED ZEPPELIN 9 DE MAIO, 1969

VALE UMA VIAGEM NO GRANDE BALLROOM

MERRIWEATHER POST PAVILION THE WHO e LEAD ZEPPELIN

Só gravávamos o que gostávamos.

O Zeppelin sempre teve influências diversas.

Todos ouvíamos coisas diferentes.

E eu sempre dizia

que o Led Zeppelin era a interseção.

Entre todos nós.

Foi muito encorajador descobrir

as vulnerabilidades

ao começar uma parceria com Jimmy,

em que dividíamos as sensibilidades

e os constrangimentos.

Compor é algo muito íntimo.

Você se expõe.

Escrevi algumas letras pro primeiro álbum,

e também pro segundo,

mas eu não era tão confiante com as letras

como eu era com a guitarra.

Tive que começar a pensar

sobre o que quero fazer como cantor

e como o cara que traria a melodia,

ou até mesmo uma história.

A ideia era inspirá-lo através da música,

ser inspirado liricamente.

E então ele apareceu com a letra de Ramble On.

Sim, isso é...

um esboço de Ramble On.

"As folhas estão caindo. Hora de ir embora."

Essa é a história da minha vida.

Eu queria muito ter várias texturas e camadas,

certamente em benefício da guitarra, em Ramble On.

Tem vários trechos de guitarra.

Tem a guitarra tocando

que se move sobre alguns versos.

E tem a textura do solo.

Foi uma alegria poder fazer essas faixas,

e cada um fazer sua parte, e então voltar

e dizer: "Uau. O que ele fez com isso?"

Havia tantos lugares

de onde isso vinha.

O fato de podermos nos abrir ao escrever as letras,

esse foi o grande avanço,

porque estávamos expostos.

Quando criança, meus pais me levaram a todas as montanhas místicas

e às mais belas ruínas e...

todo aquele eco de pessoas que viveram vidas passadas.

Bem,

essa música é sobre isso.

Eu, você e as outras pessoas.

O SENHOR DOS ANÉIS

Maio de 1969

Show após show, noite após noite,

acho que já tínhamos umas 20 músicas pra escolher.

Em pouco tempo, tínhamos 40.

Abrimos uma porta pros EUA, e havia um vestígio de luz,

e, claro, íamos chutar a porta,

e entrar e realmente...

É um continente enorme.

Queríamos divulgar a palavra

com nossos shows.

Viajamos extensivamente no começo.

Fizemos turnês por meses a fio.

Três deles já tinham famílias

naquela época,

e era nossa quinta turnê em sete meses,

Robert e Carmen Plant

e eles passavam muito tempo longe dos filhos.

É difícil quando você tem família.

Minha esposa Mo ia às melhores cidades.

John Paul e Maureen Jones

Ela foi a Nova York.

Ela levou as crianças às compras.

Ia aos shows, e era ótimo.

Mas depois eles iam pra casa,

e nós seguíamos em turnê pelo resto do país.

Naquela época, não havia ônibus de turnê nem amenidades.

Você entrava no transporte que conseguia,

ia pro show, tocava, e depois mandava Richard Cole

marcar o próximo show, às vezes, nem sabíamos onde.

Dava pra saber, quando ele ficava...

Chegava num cruzamento e ficava...

Você falava: "Estamos perdidos de novo."

É muito mais fácil viajar pela Inglaterra.

Se você está nos EUA, passa o dia todo num hotel

discutindo com algum idiota

e coisas do tipo.

E essas coisas acabam

afetando você.

Viajávamos em voos comerciais,

então tínhamos que acordar cedo

e esperar um voo no aeroporto.

Mas era assim que éramos ouvidos nos EUA.

Junho de 1969

BEM-VINDOS A LONDRES

LED ZEPPELIN ATERRIZA... VENHA E DECOLE

Voltamos dos EUA

e todos queriam um show.

Foi uma grande mudança.

Não havia publicidade,

e quando tocávamos na Inglaterra...

"Como eles sabiam que viríamos?"

Descobrimos que era de boca em boca.

Eu gostava da ideia do estímulo

da viagem e da atenção.

O que descobre quando não procura?

Tem que sair e procurar.

Tocamos em festivais nos EUA

dois anos depois do Verão do Amor.

Sei que isso não quer dizer muita coisa,

mas pra mim era importante,

porque eu estava num lugar em que queria muito estar,

emocionalmente.

Atlanta International Pop Festival 5 de julho de 1969

Lembro do John fazendo passagem de som

no Newport Jazz Festival,

e eu vi os bateristas do James Brown

aparecendo de portas diferentes

e falando: "Mas que... O que está acontecendo?"

E ele ficava...

"É, eu sei. Sei quem está me observando."

Mas era muito legal.

Era o que tornava o Zeppelin único nesse sentido.

A forma como ele abordava o ritmo

e o que ele fazia.

PONTE DE NEWPORT

BEM-VINDOS AO NEWPORT FESTIVAL

Gravamos todas as músicas pro Led Zeppelin II naquela turnê.

Foi meio como um furacão.

Um redemoinho de energia e libertação.

Claro que não tivemos a chance,

com o tempo que passamos nos EUA,

de nos concentrarmos tanto em casa.

Então voltamos e tocamos

num festival britânico.

Recebam Led Zeppelin.

Nós ainda nos perguntávamos

se aquilo ressoaria de algum modo.

Vamos ser bem-sucedidos?

Nossa.

Eu já vi uma foto do primeiro Bath Festival,

mas ver imagens em movimento é incrível.

Foi nosso primeiro festival

na Grã-Bretanha.

E não choveu, então foi ótimo.

E foi divertido.

Mas quanto tempo ficaríamos parados entre turnês?

Não muito.

A gente não se cansava.

Era só energia e força.

Às 13h32, a Apollo 11 é lançada.

20 DE JULHO DE 1969

É um pequeno passo para o homem,

e um salto enorme para a humanidade.

Estávamos numa tenda,

e alguém tinha pousado na Lua.

Consegue imaginar como é estar nos EUA,

ainda jovem, e olhar pro céu...

Você está tocando sua música,

e tem um homem na Lua.

O mundo é enorme,

tenho certeza de que 99% das pessoas estavam mais interessadas

no fato de que eles voltaram em segurança da Lua.

BEM-VINDOS ASTRONAUTAS DA APOLLO 11

Mas, o dia em que eles voltaram, também foi um grande dia pra nós.

Isso é o mais importante

pra uma criança que quer ser cantor.

Receber um disco de ouro. O que vem depois disso?

Não importa, não é?

Eu só queria ter certeza

de que o álbum deixaria todo mundo empolgado.

Eu queria que fosse algo que ninguém tivesse ouvido.

A parte acústica, a parte elétrica e a parte mais radical

e até vanguardista.

Então, na hora de mixar

o Led Zeppelin II,

eu mixei junto com Eddie Kramer no A&R Studios em Nova York.

Ele fez um trabalho incrível.

E como não era incomum,

havia mais de duas mãos na mesa.

Eu queria fazer algo com Whole Lotta Love

pra não ser um single.

Então ia ter uma parte radical na metade

que começava com uma onda sônica.

E quando criei os overdubs

pro que ia ter no meio,

desafinei totalmente a guitarra

e fiquei só puxando as cordas.

E tinha a panorâmica.

Sons se movendo da esquerda pra direita.

E foi isso.

Led Zeppelin II estava finalizado

e pronto pra ser entregue.

LED ZEPPELIN II Lado Um - 1. WHOLE LOTTA LOVE

Texas International Pop Festival 31 de agosto de 1969

LED ZEPPELIN AO VIVO

22 de outubro de 1969

Resenhas de Álbuns

'Led Zeppelin II' Cria Vibrações Pesadas

Sucesso Imediato

Led Zeppelin reina

Como ganharam US$ 37 mil em uma noite

LED ZEPPELIN 2... DECOLANDO!

MAIS VENDIDOS

Um Milhão de LPs Vendidos

US$ 5 milhões em vendas

1° LUGAR NOS EUA

MAIOR BANDA DO MUNDO NA ATLANTIC

Zeppelin ultrapassa os Beatles

CORRIDA PELO OURO!

AO VIVO

Em 9 de janeiro de 1970,

tocamos no Royal Albert Hall em Londres,

e, se voltarmos um ano,

dia 9 de janeiro de 1969,

tínhamos tocado em São Francisco.

Então esse é o progresso de um ano inteiro.

Foi demais.

Eu estava me divertindo muito.

Eu não era um contador.

Era um show em Londres, então, claro,

as famílias iam comparecer.

É como uma reunião de clãs.

Poder subir naquele palco

foi sensacional. Foi fabuloso.

E era nosso show,

então subimos lá e tocamos.

Led Zep!

Led Zep!

Led Zep!

Led Zep!

Led Zep!

Muito obrigado.

Led Zep!

Led Zep!

Led Zep!

Led Zep!

Meu pai foi ver esse show.

Ele ficou orgulhoso, o que foi ótimo.

Falou: "Ele tem muita paixão, fogo e tudo mais."

Foi muito legal.

John Paul e eu nos damos muito bem.

Todos se dão bem.

Cada membro do grupo é único.

As personalidades. Mas são bons rapazes.

São uma categoria à parte.

Foi só no meio de 1969

que realmente conheci cada um deles.

É algo gradual, não é?

Posso falar muito sobre Robert,

porque o conheço muito bem.

E o Jimmy, na verdade, é muito tímido.

Mas eu o conheço bem, e ele é ótimo.

Gosto de cada um pelo que estão fazendo.

Adoro tocar com a banda,

não preciso de mais nada.

Chegamos lá no primeiro dia

e tocamos Train Kept A Rollin',

porque fomos atraídos pra lá,

e deu certo.

Mas houve um prelúdio para aquilo,

não aconteceu do nada.

Então por que isso deveria parar?

Se você tem algo que você sabe

que é diferente,

então precisa se esforçar.

Tem que trabalhar duro.

Mas também tem que acreditar.

Mas se você for verdadeiro,

manter-se focado, pode realizar seus sonhos.

Acredito nisso.

Isso pode ser feito, porque é o que acontece.

DEDICATÓRIA Este filme é dedicado a

Tradução: Pedro R.

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