All language subtitles for Katharine Hepburn - A.Delicate.Balance.1973

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Original subtitles

Merda!

Um Equilíbrio Delicado

CASA SUBURBANA, NEW ENGLAND. SEXTA-FEIRA A NOITE

O... O que mais me surpreende...

Além da idéia,

Que nunca deixa de me surpreender...

Por sua surpreendente falta de repulsa...

A idéia de que é possível, como dizem...

Que um dia perca a cabeça.

Não que eu acredite que esteja a ponto...

Ou nem sequer próximo.

Não há mulher mais lúcida, Agnes.

Porque não sou desse tipo, mas tudo é possível...

Das que estão um pouco destrambelhadas.

Das que têm um parafuso solto.

E eu acho que isso é o mais importante

Ficar à deriva, ser um desconhecido no mundo...

Pouco envolvido...

Mas isso não é nada violento, é só perder-se.

O que está procurando, Tobias?

Enlouqueceremos todos antes de você. O Anis.

Obrigada, querido.

O que mais me surpreende, além desta especulação...

E talvez só queira que admita...

Não que fique louca...

Senão que pense que pode acontecer.

- Por que você quer anis? - Eu gosto.

Muito doce. Para mim, conhaque, que é mais saudável.

A especulação...

Ou a assunção, suponho, do que acontecer a você...

Não é muito reconfortante.

E como especulo, minha mente, um dia...

Ou talvez um entardecer de Outono...

Eu fico louca, e é muito possível.

Um entardecer de outono, Tobias...

Em sua mesa, levanta os olhos da papelada...

E vê Agnes, como uma destrambelhada...

- Mordendo os laços do vestido. - Conhaque.

Agnes ao lado fogo, com a boca cheia de laços...

A mente à deriva...

Nada a fazer com ela, exceto deixá-la em um canto...

Vender a casa, ir para Tucson, consumir-se ao sol...

E viver até os 104 anos.

Obrigada, querido.

Conhaque também é doce.

Mas mais saboroso. Sente-se ao meu lado.

Para minha louca de laços pendurados.

Eu não uso esse vestido desde o casamento de Julia.

O segundo?

Não, não o primeiro. Tom, não...

Não... Charlie.

- Você está confortável? - Por enquanto.

O que mais me surpreende...

Além do meu teórico medo lúcido...

Não, não é medo, como idiota...

Especulações de que algum dia você possa se envergonhar de mim...

O mais surpreendente deste mundo

E com todos os meus anos, é Claire.

Que alguém, seja irmã de um ou não...

Não vou dizer palavrões porque somos...

Educados, certo?

Talvez.

Como se costuma dizer, a ingratidão de uma irmã...

É mais afiada que um dente de uma serpente.

- O ditado não é assim. - Pois deveria.

Por que levantou?

Estava desconfortável.

O assunto te incomoda e você sai.

Já não sou tão jovem como era.

Eu sou tão jovem como o dia que nos casamos...

Porque você é um bom marido...

Quase sempre.

Mas eu estava falando sobre Claire, ou começando.

Se tivesse que fazer uma lista de todos os meus pesos...

Se tivesse um livro grosso e um mês livre...

O que mais me sobrecarrega...

Possivelmente exceto o problema do casamento de Julia...

Seria...

Deve ser instintivo, eu acho, ou talvez um reflexo, sim, é isso...

Seria sua defesa de tudo o que Claire...

- Pare com isso, Agnes. - Vai atirar alguma coisa? O copo?

Meu Deus, espero que não, anis em toda parte.

- Não. - Então o que?

- Vou ficar sentado em silêncio. - Como sempre.

Sim, e para falar a verdade, espero que peça desculpas à sua irmã...

Desculpas a Claire?

Eu passei minha vida inteira desculpando-me por ela...

Não me humilharia ainda mais desculpando-me com ela.

Não deve se desculpar quando necessário?

Muito hábil.

Sucinto. Mas uma das regras de um aforismo é...

Pensava que era um epigrama.

Uma epigrama normalmente é satírico, e você...

Falei muito sério, sim.

É meu receio.

Seguindo em frente...

Especificamente de Claire...

Ao efeito que ela me causa,

O que você faria se eu ficasse louca?

Colocaria você em um canto, venderia a casa e iria para Tucson...

Consumir-me ao sol e viver para sempre.

Aposto que sim.

- Mas depressa. - Vou tentar.

Mas não será uma simples paranóia, Eu sei, eu tentei...

Você sabe que mudo um pouco.

Eu não posso nem levantar a voz se não for uma ocasião especial...

E eu acho que...

Tanto...

A alegria e a tristeza me afetam...

Por igual, lentamente...

Por dentro...

Como um bronzeado que queima a pele.

Sem picos nem abismos na minha vida.

É uma terra...

Ondulante e pacífica

Verde, querido.

Obrigada.

Fazemos o nosso melhor.

O nosso lema.

Se formos para outro bairro, devemos escrever em latim.

O nosso lema: "Fazemos o nosso melhor."

Nos seus casacos, sua capa, nas roupas de cama...

Devo ir ver Claire?

Não.

Ou desce ou não.

Achei que estava melhor essa noite.

Eu não sei por que não a deixa em paz.

Claire não está melhor esta noite, falando honestamente, Tobias.

Eu achei que sim.

Pois não está.

Ainda assim...

Decidi...

Considerando tudo...

Que não induzirei nada

Que depois de suportamos tanto, ganhamos nossa companhia.

E prometo que terei bons pensamentos, saudáveis, positivos...

Para me proteger da loucura caso apareça sem ser convidada.

Ou seja, que eu esqueça Tucson.

- Sim. - Uau.

Você só pode esperar envelhecer mais...

Ao lado de sua firme esposa...

Sua cunhada alcoólatra...

E visitas ocasionais de nossa melancólica Julia.

Isso é tudo, querido Tobias.

Serve?

Eu aceito.

Eu nunca duvidei.

Ouça.

Ouvi alguma coisa?

Aí está você. Agora mesmo estava dizendo a Agnes para...

Peço desculpas, Agnes.

Lamento muito.

Mas o que lamenta, Claire?

Que minha natureza faça sair sua brutalidade com força total.

- Acho que podemos... - Se você cambaleia...

Se ao tentar dizer "Boa noite" não pronuncia nada além das vogais...

Se faz sentir o cheiro da vodka mesmo do outro lado...

E não me diga outra vez que vodka não se nota...

Se espera, se tristemente você realmente espera...

Se essa condição existe...

A reação do que tem o peso do seu amor não é brutalidade...

Embora pudesse desculpar-me, acredite...

Não é brutalidade, e sim a parte que dói do amor.

Se eu a repreendo, é porque gostaria de não precisar fazer isso.

Se sou seca, não é porque seja mais ou menos humana...

E se me acusar outra vez de exagerar as coisas...

Gostaria de lembrar que é como e não o quê.

Peço desculpas por ser tão clara.

Tobias, vou ligar para Julia.

É uma ou duas horas de diferença? Nunca consigo saber.

Três.

Ah, sim. Seja amável com Claire, querido. Ela está magoada.

Muito bem.

Eu nunca sei se devo aplaudir ou chorar...

Ou o que seria mais apreciado...

Mais esperado.

- É irremediavelmente tola. - Sim

Por que ela vai ligar para Julia?

Um conhaque rápido antes que ela volte?

De forma alguma. Publicamente.

Meio cheio, e eu vou beber saboreando como uma dama...

E quando ela voltar, eu me jogo no chão sacudindo o copo sobre a cabeça...

Que dará inicio a outro discurso e seus inúteis "pare já"

Você é realmente tola.

- Julia voltou a se divorciar? - Eu não sei.

É a sua filha.

Obrigada.

Imagino, pelo que eu vi, que é hora de voltar para casa.

Por que não mata Agnes?

Eu não poderia fazer isso.

Ou melhor, espere que Julia se separe e volte para casa...

Magoada e confusa, e mata todos nós.

Primeiro a Agnes, por respeito, depois a pobre Julia...

E se é tão gentil, a mim.

Você realmente quer que eu te mate?

Primeiro mate Agnes e eu penso sobre isso.

Mas deveria ser um ato passional, um arroubo e tudo isso.

Duvido que possa estar aqui com a arma, fumando um cigarro...

Julia gritando em seu quarto enquanto você decide se quer ou não.

Mas se não matar Agnes, como vou saber se quero viver?

"Um ato de passional"

Que divertido.

Lamento.

Não, eu lamento...

Querido Tobias.

Não o vejo nesse papel, só isso.

Fora de si, como um furacão...

Agindo por instinto...

E logo, de pé diante do juiz...

O previsível Tobias.

"Me deu um branco, Meritíssimo. Eu estava na minha cadeira, bebendo...''

O que está bebendo?

- Anis. - Anis? Anis mesmo?

- Eu gosto. - Muito doce.

''Eu estava ali, Meritíssimo, sentado na minha cadeira bebendo anis...

E tudo que me lembro é de vê-las com um tiro na cabeça.

Não lembro de absolutamente nada"

Você pode imaginar, Tobias?

Mas se estão todas mortas, com os cérebros no chão...

Ninguém poderia negar que foi um crime passional.

Deixe-me ser a última.

Pode ser que sopre uma brisa e remova as cinzas.

De quem?

De ninguém, suponho, mas deveria.

Por que não volta para seu... Essa coisa de alcoólatras?

- Eu não gosto das pessoas. - Como se chama?

- Anônimos. - Isso. Por que não volta?

Porque não cuida da sua vida?

Sinto muito, Claire.

É isso aí.

Era melhor.

Seja um bom cunhado.

É só o primeiro que não deveria tomar.

- Achei que era melhor. - Obrigada.

Você quer dizer que Agnes achou que era melhor.

Não, eu também pensei que poderia ser.

Eu disse que não tinha nada em comum com eles.

Você lembra de quando trabalhava antes de se tornar um cavalheiro...

Com calças de montar incomodando o jardineiro?

Eu nunca fiz nada assim.

Quando você passava o seu tempo na cidade, com os amigos do trabalho...

Seus amigos indistinguíveis não necessariamente semelhantes...

- O que tinha em comum com eles? - Tudo.

O trabalho, éramos amigos, nos dávamos bem...

Os clubes, suponho que era o ambiente.

Mas o que vocês tinham em comum?

Mesmo Harry...

Seu melhor amigo no mundo...

Que você saiba, porque não conheceu outro, quer me dar o anis?

Cansa logo...

Certo?

Eu não me importo.

Mesmo seu amigo querido Harry.

Diga-me, querido Tobias,

O que vocês tinham em comum?

- Por favor, Claire. - O que vocês tinham em comum?

Além da coincidência de terem enganado suas esposas...

No mesmo verão, com a mesma mulher. Menina? Mulher?

Fora isso, apenas diferença.

Acredito que ela passou todo o mês de julho arrebentada.

- Se me der licença, Claire, esta... - Pobre menina...

Ou o que quer que seja, todo o quente e úmido mês de julho arrebentada.

A diferença teria sido não fazer.

Ter sido o único...

Entre tantos semelhantes, por Deus...

Que não arrebentou aquela pobre menina...

Naquele seco mês de julho tão úmido.

- Por favor. - Mas você só fez isso uma vez.

Enquanto para um amigo Harry, e eu sei de boa fonte...

Houve uma segunda vez

E até mesmo uma terceira tentativa que não deu certo no casebre do jardineiro,

- Entre sacos e não sei o que... - Cale a boca.

Qual era o nome dela?

Eu não me lembro.

Não importa.

Ela se foi.

Você daria...

A seu querido amigo Harry um rim?

Acho que sim. É o meu melhor amigo.

O quanto isso deixa você triste?

Não muito, um pouco.

Não muito.

Ninguém com quem ouvir Bruckner, para lhe chamar para jogar golfe...

Ninguém que te diga que às vezes...

Tem...

Medo, sem saber por quê.

Medo?

Não.

Certo.

Quero lhe dizer...

O que aconteceu da última vez qu eu...

Que subi as escadas do clube de alcoólatras...

Por que não voltei, e porque não tenho nada em comum com aquelas pessoas?

- Claro. - Pobre Tobias,''claro''.

Me dá um cigarro.

E terei tudo que preciso...

Uma bebida...

Um cigarro...

E uma boa superfície dura.

Você está confortável?

Muito.

Lembra o verão que me fui...

Quando estava tão mal...

Bêbada como um gambá, envergonhando a todos...

E que você e Agnes me levaram à estação?

E que Agnes parecia tão bem ao me ver indo?

Lamento.

Quando isso fará parte do passado? Esqueça!

Quando tenhamos superado tudo...

Admitido tudo...

Quando a memória tornar os fatos toleráveis...

Quando Agnes morrer.

Agnes tem um controle extraordinário.

Eu não a vejo chorar há muito tempo, aconteça o que acontecer.

Avise-me quando ela chegar. Vou me fazer de bêbada.

Finja que está muito doente, como se estivesse com dor no estômago...

Mas finja que por dentro está verde, confuso e fedendo...

Que seus olhos estão doendo...

Que está meio surdo...

Que o cérebro está desligado...

E que tem neurite periférica...

Que mal consegue andar, que odeia...

Odeia com a mesma força doente...

Das suas próprias entranhas...

A você e a todos...

Odeia!

Mas quer amor...

Tanto amor...

Carinho e conforto é o que você busca, claro...

Mas você odeia...

E você percebe...

Com certa distância que te diverte...

Que a cada dia você parece mais com um animal.

Grunhindo...

Levando coisas...

Escondendo...

E logo não lembra onde, como cachorros burros.

Você se lava menos... prefere ser lavado.

E inclusive suja a cama algumas vezes.

E continua nela porque não pode se mover...

Imagine tudo isso.

- Não gosta disso, não é? - Não sei o que você quer...

Quer saber como é ser um alcoólatra, não quer?

- Sim - Pois imagine tudo isso.

Então...

O cara com quem você bebe...

Fala sobre ir aos alcoólicos anônimos.

E você está lá, ouvindo os que estão melhores, não recuperados.

Um alcoólatra, é sempre um alcoólatra, é melhor lembrar disso...

Ou você está perdido quando entrar em um bar.

Aqueles que estão melhores levantam e contam suas histórias.

Uma vez que é um bêbado, pode recuperar-se bastante...

Mas nunca completamente.

Sempre descendo.

A vida é assim, queridinho.

Que grande idiota você é.

Mas não sou alcoólatra.

Eu não sou agora, nem nunca fui.

Tudo é promessa e oportunidade.

Seria muito mais fácil se fosse...

Uma alcoólatra.

Uma noite...

Em um mês qualquer...

Eu bebi um martini, para provar se era mesmo bom...

E graças à minha grande auto-disciplina...

Tranformaram-se em três...

E eu me sentia bem, independente...

Maior que a vida...

Ainda sem grunhir...

E avancei...

Mais ou menos em linha reta...

Direto para a frente à sala...

E olhei para todos eles.

Eu os olhava...

Para todos eles...

Eu tentei...

Tanto...

Me falavam o valor e o sentimento de culpa...

Eu tentei de novo e mais...

E nesse momento...

Fui invadida...

A pena e o desgosto...

Eu quase chorei, mas não...

Como minha irmã, meu Deus...

E ouvi a mim mesma dizendo com voz de criança...

Havia muitas de mim na ocasião...

"Eu sou uma alcoólatra."

"Meu nome é Claire e eu sou alcoólatra." Tente você.

O meu nome é...

Meu nome é Claire e eu sou alcoólatra.

Uma alcoólatra!

Uma alcoólatra.

"Meu nome é Claire e sou uma alcoólatra"

E supostamente tinha que continuar...

E dizer-lhes o quanto eu era ruim e não queria ser...

E o que eu havia passado e não queria passar...

E que me ajudassem...

A ajudar a mim mesma.

Mas fiquei ali...

Talvez dez segundos...

E então fiz uma reverencia.

Fiz uma pequena reverencia de criança...

E depois com os meus pés de criança...

Voltei para minha cadeira.

Eles riram de você?

Um agnóstico em um lugar sagrado não é muito bem-vindo.

Um pouco condescendente, mas ficaram impressionados com o show.

Uma mulher foi muito simpática.

Veio até mim e disse:

"Você deu o primeiro passo, querida"

- Que amável. - Ele não disse para onde dei o primeiro passo.

Sanidade, loucura, revelação, decepção?

Mudança, às vezes não importa qual.

Conto com você, sempre tem uma frase para cada ocasião.

Mas me seduziu...

Os aplausos, o cenário...

Este princípio...

Ninguém tinha mais estrelas do que eu por não perder uma aula.

Eu sempre ia, de fato.

- Mas você parou. - Até que aprendi...

Sendo uma estudante lenta em minha tardia e jovem meia-idade...

Que não era uma alcoólatra e nunca tinha sido.

E...

Não tinha nada em comum com aquelas pessoas.

Eles estavam doentes, e eu fazia porque queria.

- Falei com Julia. - Como está?

Que copo mais engraçado para beber refresco, Tobias.

Tem senso de humor e tudo o mais.

- Vamos, Agnes. - Não tem não.

Não pode ser conhaque.

- Tobias é adulto e sabe... - Brindemos por você, irmãzinha.

Não à sua saúde, mas à sua persistência...

Com este bom conhaque de não sei que ano.

É bem merecido, meu querido Tobias. Se eu me fosse...

Teria apenas Claire e Julia, que nem pessoas são.

Assim, aprenderia.

- Eu não sou alcoólatra. - Ela pode beber um pouco.

Não vou tolerar.

Não permito.

Encha a banheira de álcool e se afogue nela.

Pelo menos você saberia que está fazendo algo certo.

Se você quer se matar, então faça certo.

- Por favor, Agnes. - Eu não suporto o egoísmo.

Ambos querem morrer e passaram a vida tentando.

Ela é uma perfeccionista. É muito difícil viver com gente assim.

Ela disse que não é alcoólatra. Pode beber um pouco.

Eu não sou alcoólatra.

Então está ótimo!

Que tranqüilidade saber que faz conscientemente...

Os vômitos e lágrimas...

A mente turva, as quedas, as ausências...

Os cigarros sobre a mesa...

Os clubes onde vamos buscá-la...

Tudo isso é conscientemente.

Se você não é alcoólatra, não tem perdão.

Eu nunca tive.

Se pioramos com a bebida, somos alcoólatras, pura e simples.

- Quem disse? - Eu.

Se vivemos da caridade de Tobias...

Temos que aceitar a vontade de sua esposa.

Se tivessem nos perguntado quando nosso pai morreu...

Essas são as regras.

Tobias? Nada?

São essas as regras? Nada?

Cansado, acostumado?

Muito bem.

Muito bem, Agnes, você ganhou. Serei uma alcoólatra.

E o que vai fazer sobre isso?

Tobias...

Você não vai gostar de ouvir isso, suponho...

Ou talvez, em parte, sim...

Mas Julia está voltando para casa.

Naturalmente.

Deixou Doug, coisa que não me surpreende.

- Mas Julia não estava feliz? - Se estivesse feliz, não voltaria para casa.

- É bem-vinda... - A cada três anos.

Somos seus pais, temos obrigações...

E eu cheguei a uma idade...

Que gostaria de ficar sozinha com você.

- Sem ninguém mais. - Bem, eu não me vou.

Mas se terminou com Doug...

E não estou sugerindo que fez bem, seu lugar é aqui.

- Como para outros não. - 1, 2, 3, 4 se foram.

- Gostaria de falar com o Doug. - Eu gostaria que você falasse.

Se tivesse falado com Tom ou Charlie... Sim, inclusive Charlie, ou...

- Phil. - Phil, poderia ter feito bem.

Se decidir se impor, é claro.

- Tarde demais, suponho. - Ruim se o fizer, e se não fizer.

Bem, pelo menos Julia pensará que o pai se importa...

E isso pode ajudar a consolá-la.

- Bem, falarei com Doug. - Por que não o convida para vir aqui?

E já que começamos, traga os outros.

E poderia falar com Julia também.

- Não fale muito. - Sim

Philip é um jogador, Charlie gosta de rapazes...

Tom gosta de mulheres...

- Douglas... - Quer parar?

Estou aqui, enfim existo!

Por que não sai de férias, Claire, agora que Julia está voltando?

Por que não vai a Kentucky ou Tennessee visitar destilarias?

Ou por que não se tranca no seu quarto, ou procura um apartamento com um bar embaixo?

Agnes, por que você não morre?

Se tiver algum sentido, motivo ou oportunidade...

Eu me aproximaria dela e diria: "Julia"...

Mas e depois o que diria? "Julia" e nada mais.

Se não amamos alguém...

Nunca chegamos a amar.

Não.

Pode haver silêncio, mesmo amando.

Você realmente quer que eu morra, Claire?

Espero, sim.

Querer, não sei. Provavelmente.

Ainda que talvez me arrependa.

Lembre-se dos dentes das cobras, Tobias.

Tinha uma gata!

A gata que tinha quando era...

Um ano antes de conhecê-la.

Era muito velha, eu a tinha desde criança...

Tinha 15 anos ou mais, era uma gata de rua.

Não gostava muita de gente, eu acho.

Quando alguém chegava, ela saia.

Gostava de mim, pelo menos quando estávamos sozinhos, ela ficava contente...

Eu não sei se feliz, mas contente.

Eu não sei como aconteceu.

Um dia, ela...

Um dia percebi que ela já não gostava de mim.

Não, não foi assim.

Um dia percebi que ela deixou de gostar de mim já havia algum tempo...

E uma noite...

Eu estava sentado sozinho em casa...

E percebi que ela não estava...

Não só naquele momento, mas não havia estado comigo...

Olhando enquanto eu fazia a barba, não sabia desde quando.

Ela não tinha ido embora, teria sido até melhor...

Não tinha escapado, estava por ali.

Lembro-me que às vezes eu a via...

Debaixo de uma cadeira, saindo de um cômodo...

E só quando me dei conta de tudo isso...

Eu entendi...

Que não gostava mais de mim. É simples assim.

Mas era velha.

Não, não era isso. Não gostava mais de mim.

Eu tentei...

Forçá-la.

O que quer dizer?

Eu a trancava em um quarto comigo.

Eu a colocava em meu colo, mesmo que ela não quisesse.

Não funcionou, ela agüentava...

Mas quando podia, ela descia e ia embora.

- Talvez estivesse doente. - Não. Eu a levei ao veterinário.

Ela não gostava mais de mim.

E uma noite, eu estava obcecado.

Eu a coloquei sentada no meu colo pela quinta vez naquela noite.

Estava lá, de costas para mim...

E ronronou...

E eu sabia...

Que estava esperando para sair, e disse: "Droga, você gostava de mim"

"Droga, pare com isso, eu não fiz nada contra você"

E eu a sacudi.

Eu a agarrei pelas patas e sacudi.

Ela me mordeu e bufou.

Então bati nela.

Bati com a mão em toda a cabeça.

Eu a odiava.

Você machucou ela muito?

Sim, bem, não muito.

Na orelha, sacudiu a cabeça por alguns dias.

E não havia razão.

Tínhamos vivido juntos, tínhamos sido amigos...

Não havia nenhuma razão, e eu a odiava por isso.

Eu acho que a odiava porque me acusava de algo...

De fracassar.

Não tinha sido cruel com ela...

E se não dei atenção o suficiente... Bem, minha vida era...

E fiquei ofendido...

Fiquei ofendido...

Senti-me julgado...

E traído.

O que você fez?

Fiz com que a matassem.

Você faria com que anestesiassem. Ela era velha. Anestesiaram.

Fiz com que a matassem.

Eu a levei ao veterinário.

Ele a pegou...

Agarrou-a por trás, aplicou uma injeção e a matou.

Fiz com que a matasse.

O que mais você poderia fazer?

Você não podia fazer nada.

Poderia ter tentado mais.

Poderia ter continuado assim toda a sua vida...

Vestir uma camisa peluda...

Trancar-me em casa com ela, fazer penitência por algo...

Pelo que, só Deus sabe.

Provavelmente fez a coisa certa.

Alternativas horríveis...

A opção pela menos desagradável.

Foi?

É um carro?

"Se não amamos alguém..."

- "Nunca chegamos a amar." - Pare com isso!

O amor não é o problema.

Você ama Agnes, Agnes ama Julia, Julia ama a mim, e eu... amo você.

Todos nos amamos. De verdade, todos nos amamos.

- Sim? - Sim

No fundo...

Da nossa auto-piedade e ganância.

O que é senão o amor?

Erro.

Muito possível.

Amor e erro.

Edna, Harry, que surpresa.

Tirem seus casacos. Entrem.

Tobias, é Harry e Edna.

Harry e Edna.

- Bem, Edna. - Olá, Tobias.

Harry.

- Oi, Edna. - Oi, Claire.

- Olá, Harry. - Boa noite, Claire.

Estávamos conversando. Sentem-se. Vocês saíram? Ao clube?

- Eu gosto deste cômodo. - Ao clube?

Como está, Harry?

Muito bem. Não tanto quanto gostaria, mas...

Harry está com problemas para respirar novamente.

- Às vezes tenho dificuldade para respirar. - Muito tênis.

O que você fez nesse cômodo?

- Tirei as coisas do verão. - Claro.

Vocês foram ao clube?

Disse a Edna para forrar todos os nossos livros com pele.

Sim, sim.

A questão é, se o álcool não me deixou surda...

- Vocês foram ao clube? - Estava me perguntando.

- Não, não. - Não.

Eu pensei que sim, porque costumam passar por aqui.

Não, não.

Ou talvez tenham dado uma festa e me esqueceram.

Não, estávamos em casa.

- Agnes... - Só em casa.

Bem.

Fico feliz que estejam aqui.

Fico feliz em vê-lo também.

- Como está Julia? - Pergunta errada.

Pode me servir um conhaque, Tobias?

Ela está voltando para casa.

- De novo não. - Não consegue ser casada.

- Que pena. - Sim, muito ruim.

Por que vocês vieram?

Por favor, Claire.

Estamos felizes que estejam aqui, ficamos felizes com a surpresa.

Sim.

- Estávamos em casa... Só em casa. - Estamos contentes em vê-los.

- O que aconteceu, Harry? - Claire, por favor.

Não sei porque fica interrogando se vieram tão gentilmente...

Harry quer dizer alguma coisa.

Harry...

Nós...

Estávamos...

Sentados em casa.

Quer uma bebida, Harry?

Nós pensamos em ir ao clube...

Mas está muito cheio nas sextas à noite.

Sim, com a festa da canastra e o baile.

E não queríamos fazer isso, estou cansado...

E não queríamos fazer isso.

Harry tem estado cansado a semana inteira.

Então jantamos em casa e pensamos em ficar...

- Descansar. - Claro.

- Não vou ficar quieta. - Eu posso?

Continue, Harry.

Então estávamos sentados...

Edna ocupada em seu trabalho.

Ponto-cruz.

E eu lia em francês.

Eu melhorei, não o sotaque, mas o léxico.

E depois?

E depois?

Eu não sei o que aconteceu exatamente.

Tudo estava em silêncio...

Estávamos sozinhos.

Nada aconteceu, mas...

Nada aconteceu mesmo, mas...

- Estamos com medo. - Estávamos assustados.

Estamos com medo.

Não foi nada, mas nos assustou muito...

- Ficamos aterrorizados. - Assustados.

Era como estar perdidos, muito jovens, no escuro e perdidos...

Não havia nada a temer, mas...

Estávamos com medo, e não havia nada.

Não conseguimos ficar lá.

Então viemos. Vocês são nossos melhores amigos.

- No mundo todo. - Vamos, Edna.

Não tínhamos para onde ir, então viemos para cá.

Bem, fizeram a coisa certa, naturalmente.

É claro.

Posso ir para a cama agora, por favor?

- Cama? - Não podemos voltar.

Por favor.

Cama?

- Estou muito cansada. - Vocês são nossos melhores amigos.

Tobias?

É claro, Harry.

- Por favor. - Claro que podem.

No quarto de Julia. Venha comigo, querida.

Tobias?

Edna?

Harry?

Não poderíamos pedir socorro a mais ninguém.

Eu me perguntava quando começaria.

Quando iria começar.

Começar?

Começar?

O quê?

Você ainda não sabe?

Você vai descobrir.

No dia seguinte, ao anoitecer...

- Acha que gosta de mim? - Julia, por favor.

- Acha que gosta de mim? - Julia.

Acha que tenho algum prazer de Mártir?

- Quer calar a boca? - Bem?

- A casa está cheia de gente. - Sim. E isso?

Venho para casa e Harry e Edna estão no meu quarto.

Vão para o quarto de Tobias. Ele vai dormir comigo.

Isso seria uma mudança.

O que você disse, mocinha?

Eu disse que seria ótimo.

Você não disse isso.

- Você disse... - O que estão fazendo aqui?

Não têm mais uma casa? O mercado quebrou?

- Estive por fora, mas... - Vamos.

Por que eles estão aqui?

Eles estão com medo.

Você não ouviu?

Estão o que?

Assustados. Agora deixará isso?

Porque estão com medo?

Harry e Edna, com medo?

Ainda não sei.

Não perguntou a eles? Pelo amor de Deus!

Não.

E o que fazem o dia todo? Trancam-se no meu quarto?

- Sim - Sim, o quê?

Sim, se trancam no seu quarto.

- Meu quarto. - O seu quarto. Agora chega.

- Não. - Por favor.

Desculpe, mãe, sinto insistir...

Estou muito velha para lembrar o que é ser uma filha...

Que meus pais em seus céus separados, me perdoem...

Mas com certeza é mais fácil que ser mãe.

Disse que sinto muito.

Não lembro se perguntei isso para minha mãe.

Às vezes gostaria de ter nascido homem.

Não exagere.

Suas preocupações são simples: Dinheiro e morte.

Tentam chegar ao final do mês até que chega seu fim.

Se soubessem o que significa ser uma esposa...

Mãe, amante, dona de casa...

Enfermeira, anfitriã, agitada...

Pacificadora, mentirosa, honesta...

Há um novo livro...

De um dos milhares de psiquiatras que agora trabalham neste país...

Que diz que os sexos estão mudando...

Ou que se parecem muito.

É um livro para ler e não acreditar mas altera o nosso bem-estar

Se o livro estiver certo...

E eu acho que sim...

Não será melhor ainda homem, certo?

Não, de forma alguma.

Não há forma de um descansar.

- Como você está, querida? - O quê?

Como você está, querida?

Como estou?

Tentava dizer-lhe e mandou eu me calar.

- Com Harry e Edna lá em cima... - Oh, Deus!

Vou tentar repetir, mãe, mais uma vez... Antes que se torne um homem...

Tentarei escutar...

Mas se eu perceber que minha voz está mudando de repente...

Vai ter que perdoar se acabar incomodando...

Olho meu relógio ou brinco com... Onde pensa que vai?

Pode ir para o inferno!

Então, o que está acontecendo aqui?

Diga-lhe para calar a boca!

- O quê? - Você vê, Julia?

Agora seu pai pode ir tranqüilo.

Oi, querido.

Chegou sua mãe. Fale com ela.

Sua filha precisa de consolo ou de dois tabefes bem dados.

Eu não sei o que é melhor.

Harry e Edna já...

Não.

Eu pensei que talvez...

- Mas o que se passava aqui? - Como se costuma dizer, não faço idéia.

O jornal?

- Sim, você quer? - Alguma coisa feliz?

- Minha filha está em casa. - Mais alguma coisa?

Não, pequenas guerras, muita ansiedade...

Republicanos chatos como sempre.

Um cultivo de maconha próximo.

Eu nunca experimentei maconha...

Em toda minha vida.

Quer um pouco?

Não estava na moda.

O que diabos Harry e Edna querem?

Deixe como está.

Você já falou com eles hoje?

Não, eles não haviam descido quando fui ao clube e...

- Sempre o golfe. - Não me provoque, Julia. Estou avisando.

Eu também não provei maconha. Não sou boa garota?

Ou isso, ou você é estúpida.

O que encontro em casa, por que voltei? Rabugento.

Olhe!

Às vezes tudo vem junto e é demais.

Claro, claro.

Às vezes, se trata de Agnes e Tobias, não apenas de mamãe e papai.

Às vezes, não fazem concessões. O que está fazendo? Roendo as unhas?

Elas quebraram.

Há momentos em que não podemos mais.

Não sei o que diabos Harry e Edna fazem naquele quarto.

Claire bebe.

Agnes e ela estão todos os dias como duas...

- Irmãs? - O quê?

A merda do governo me perturba com os impostos.

E você.

E eu, sim?

Não é a primeira vez...

Que volta com seu casamento arrasado. É a quarta.

Eu sei quantas vezes me casei.

Quatro!

Espera voltar e se comportar como se tivesse 15 anos.

Tem 36 anos, por Deus.

E você, pelo menos, 100.

36, e cada vez arrasta... Ia dizer seu orgulho...

Seu casamento como se fosse uma pesada corrente.

E enche essa casa com suas queixas.

Eu não pedi para voltar!

Você pertence a esse lugar!

Agora que me desafoguei com minha filha sobre meus problemas da velhice...

Vou preparar um bom e muito forte martini.

Junta-se a mim?

Quando eu era muito pequena, Bem, quando eu era pequena...

Quando superei o fato de ter um irmão, de repente...

Quando eu era pequena, pensava que você era incrível...

Santo, sábio, pai, tudo.

E ao longo dos anos, ao chegar à difícil adolescência...

Cinco a um, ou mais?

E ao longo dos anos, pobre velho, você se transformou em nada...

Continua aí, suponho. Muito bom, mas totalmente inútil...

Necessário, mas imperceptível, cinzento, inexistente.

E você mudou novamente.

Monstro marinho, malvado, violento...

Um homem absolutamente humano.

- Como queira, 5 para 1. - Eu acho que é sete.

Suas transformações me surpreendem.

Como mudou tanto? Ou na verdade fui eu?

Eu disse a Agnes que falaria com Doug se fizesse algum bem.

Deus, esse é realmente um bom martini.

- Quer falar com Doug? - Esqueça isso.

Com os compulsivos podemos chegar a um lugar...

- Jogadores, homossexuais, libertinos... - Neste mundo.

Podem ter a ilusão porque perseguem uma coisa: O bote.

Roubar um banco, encontrar um garoto, ligar-se a uma beleza...

E você os escolhe.

Eu faço isso?

Eu escolho?

Talvez tenha sido um pouco pressionada com Charlie.

Oh, pobre Charlie.

Meu Deus, se você sente tanto...

Não sinto falta dele.

Bem, eu sinto. Mas não dessa forma.

Porque ele parecia tanto com o que Teddy teria sido.

Seu irmão não seria homossexual.

Quem pode dizer?

Eu.

Sinto cheiro de gin?

Minha doce Claire.

Oh, Julia, Julia.

As boas-vindas foram muito pobres, sem papai e sem você.

Perguntei se sinto cheiro de gin?

Sim.

Não parece tão mal para quem sofreu a quarta amputação.

Pode preparar algo pra mim, Tobias?

Além disso, querida, está se transformando em costume, certo?

Sim, eu suponho.

Bem... Eu mesma preparo algo para mim.

Sente-se, Claire. Eu preparo.

Eu não gostaria de abusar.

Bem...

Hoje eu tive uma aventura.

Fui para a cidade...

Queria navegar um pouco

Então pedi uma roupa de banho sem a parte de cima.

- Não. - Sim

Eu fui à... Como se chama? diretamente para a seção de banho,

Uma mulher tipo diretora de escola do ano de 1890

Perguntou-me o que podia fazer por mim...

E eu respondi: ''Não muito, querida.''

- Certeza que você não prefere... - Muita!

Mas eu disse: "Olá, querida. Quero uma roupa de banho sem a parte de cima"

Sério, Claire?

"Não sei a que se refere", ela disse.

Eu disse: "Claro que sabe! Sem top, apenas na cintura, com muita liberdade"

Ela disse: "Ah, sim"

"Receio que não tenha"

Eu disse: "Nesse caso, vocês têm biquínis?"

"Isso nós temos"

- Levo ou você vem? - Traga.

Eu disse: "Pois eu quero a parte de baixo de um biquíni."

Ela pensou por um momento, e depois disse com uma voz fria:

"O que fazemos com a parte de cima?"

"Bem", eu disse...

"Talvez no próximo ano fabriquem sem a calcinha."

E a pobre me dá uma olhada... Não sei se era de reprovação...

Ou de quem ia mandar um bilhete para minha mãe...

E diz em tom distante:

"Acho que precisa do gerente" e saiu!

Mas o que fazia comprando uma roupa de banho em outubro?

- Pai. - Não, é uma pergunta de homem.

- É um bom martini. - Não mude de assunto. Por quê?

Por quê?

Talvez eu vá viajar para algum lugar.

Isso deixaria Agnes encantada.

Como poucas outras coisas.

Pensei que talvez um dia Tobias traria folhetos de viagem...

Tiraria a gravata e diria que está cansado...

Da urbanização, da vida cinza e ordenada que leva...

E que comprou uma ilha no Paraguai.

- Que não tem litoral. - Sim, mar adentro.

Que comprou a ilha e vai levar a todos...

Para dar umas machadadas, e construir um enorme alpendre...

E somos levadas...

A um lugar sempre...

Bom e feliz.

Você faria isso, pai?

É tarde demais.

Ou algo assim.

Bem, talvez apenas...

Queria uma roupa de banho sem a parte de cima. Não?

Pode ser mais complicado.

Quero dizer, não há nenhuma maneira de que Claire encontre um homem

E Julia chega da guerra.

Você pode encontrar um homem.

Sim, encontrei vários, temporariamente, e não eram meus.

Julia, você não acha que sua tia Claire poderia encontrar um homem?

Eu não gosto do assunto.

E vêm Julia, após a guerra, quatro corações roxos.

Beba outro drink e pare com isso, Claire.

Certo.

Eu deixei Doug. Não estamos divorciados.

Ainda.

Pode preparar outro, Tobias?

Mas voltou para casa, certo?

- Como aconteceu com os outros. - Para onde deveria ir?

O mundo é grande, hotéis, novas cidades.

A casa é o caminho mais rápido até Reno.

Você é especialista nestas coisas.

Via secundária, bons lugares, observadores objetivos.

Se não amasse tanto minha irmã...

Diria que casou você para tê-la de volta aqui.

Certo.

- Já basta. - Desculpe.

Disseram na cozinha que jantaremos em breve.

Estão tomando um drinque? Eu gostaria de uma bebida.

É um daqueles dias quando tudo dá errado...

Mas pelo menos estamos juntos.

- Alguns de nós. - Alguma noticia de cima?

Não. Eu caí lá em cima...

Bem, isso não faz sentido.

Estava lá em cima e chamei Edna e Harry no quarto de Julia...

E Harry disse: ''Está tudo bem. Nós estamos bem.''

Senti uma mistura vergonha, irritação e apreensão, e, suponho...

Cansaço, que não insisti.

Mas eles não saíram? Não comeram?

Faça-me um martini.

Disseram-me que enquanto estivemos fora, cuidando das nossas coisas...

Edna pediu uns sanduíches, subiu e trancou a porta de novo.

Meu Deus, quer dizer...

Não adianta pressioná-los.

Eles são nossos amigos, já falaram.

Eu tive uma visão disso à noite.

A do fundo do copo são sedimentos.

Realmente?

Vamos repartir o dividendo?

- Todas as famílias felizes são iguais. - Bem...

Olhe quem está aqui.

Harry, a tempo para um martini.

- Não, não, Julia, você está aqui. - Oh, Julia.

Há tempo para uma bebida antes do jantar.

Não, estamos indo para casa.

Ah, é?

Sim.

Bem, se tivermos sido de alguma ajuda...

- Para buscar nossas coisas, roupas. - Sim

Voltaremos após o jantar...

Dentro de algumas horas. Vamos demorar um pouco.

Entraremos, não se preocupem.

Eu quero o meu quarto de volta.

Acho que o jantar está servido.

Sim.

Se alguém tiver estômago.

Foi a pior refeição da minha vida.

O que disse?

O que quer dizer?

O guisado não estava bom?

Cuidado com o que você diz...

Seu pai está muito orgulhoso de seus vinhos.

Não, você, ali, uma combinação entre o Papa e...

"Não vamos discutir, Claire, quieta. Tobias, a mesa, não é um lugar apropriado."

- "Julia". Como uma babá... - Ao lidar com crianças...

Um dia eu vou descobrir quem você acha que é.

Um dia você vai saber.

Um sargento, "Faça isso", "não faça isso."

Para ficar em forma. Você já ouviu a expressão?

Muitas pessoas não entendem...

Acham que isso significa alteração e não é.

Manutenção: Quando estamos em forma, mantemos a forma.

Se estamos orgulhosos dela não importa.

Não deixamos que venha abaixo.

Não buscamos o impossível, mantemos.

Manterei esta família em forma. Devo mantê-la.

Sim, senhor.

E se eu grito, é para que eu ouça. Acima de todas as suas queixas.

Eu não estou sendo um monstro, certo?

Não. Não, muito razoável.

Se sou minuciosa em certas coisas estritas, Julia diria, certo?

Se sou exigente com maneiras, pontualidade, o tato, elegância, eu quase ruborizo.

Simplesmente porque sou o único membro desta feliz família...

Que tem a capacidade de ver uma situação objetivamente.

Que horas são?

E se devo ser a base...

Acho que vou me divorciar.

O quê? O quê?

Não se agite, era apenas um teste.

Tudo é dado como certo e ninguém escuta.

Divórcio?

Não, Julia tem para todos. Nem mesmo nos separaremos.

Isso já está resolvido...

E na vida, a morte gradual da intensidade...

As preocupações intimas, as substituições...

Tornam-se alegóricas à medida que envelhecemos.

A individualidade se transforma em capricho.

Nos vemos refletidos naqueles que trazemos...

Por reflexão ou rejeição

Honra ou estupidez.

Eu não sou estúpida, realmente não.

O que Claire faz?

Na verdade, de forma alguma.

Claro que não.

Como quer que eu saiba?

Você é a base, a visão, o equilíbrio e tudo isso.

Eu diria que está em seu quarto.

Pelo menos tem um.

Por que você não sobe e recupera seu quarto?

Tranca-se, escora a porta com a escrivanhia...

E pegue a pistola de Tobias. Arme-se!

Barricadas, armas, tão cedo?

Claire, largue essa droga!

Riram quando eu comecei com o acordeão.

Largar? Não. Será uma noite festiva...

E Claire quer desempenhar seu papel, justificar-se.

Você não vai tocar esse instrumento horrível.

Tobias, faça alguma coisa.

Mamãe dizia: "Claire, menina"...

Eu tinha um tio chamado Claire, então ela dizia: "Claire, menina"

Não era assim.

Ela dizia: "Claire, menina, quando sair para o mundo...

Quando for colocada para fora do ninho...

Quando sua irmã te empurrar... "

Mentiras. Mesmo adolescente...

Sua tia Claire já tinha suas especialidades.

Estava muito avançada.

Ele era grande, como você.

Sua mãe arranjou as partes intimas...

Porque ficava com Tobias ali.

Mas eu não me incomodava com remorsos sociais.

Seus o quê?

Minhas partes íntimas.

Você pode fingir que com sua idade tenha esquecido, mas lembre-se...

Eu não sou velha.

Sou?

Você é minha grande dama.

O que será?

Guarde para Harry e Edna.

Guardar para Harry e Edna? Para eles?

Por favor.

Certo.

Eu parei.

Estamos esperando, certo?

Esperando. A sala, a consulta do médico, a indiferença...

O estudo intenso das cortinas, a absorção do papel de parede...

Esperando a biópsia...

Não?

Preciso explicar?

- O que aconteceu com Harry e Edna? - Não falemos sobre isso.

- Se eles voltarem... - Se?

Se eles voltarem, nós o faremos.

Você só tem duas opções. Acolhe-los ou jogá-los para fora.

Que fácil é quando está de fora.

Não vamos fazer nada, suponho, acolhe-los, jogá-los para fora.

Bem, é só...

Estão só de passagem.

Como todos estes anos.

- Saberemos em breve. Eles voltaram. - Sim?

Vou subir.

- Vai ficar aqui. - Eu quero o meu quarto.

Por agora é o quarto deles.

Doug pensa que quando os da sua laia...

Desaparecerem, o mundo será melhor.

- Que palavra ótima. "Laia"... - Vamos, agora.

Haveria menos pessoas.

- Escolha bem, Julia. - É o que ele diz.

Sempre disse. Você está incluída no nosso grupo?

Estará conosco quando chegar a bomba fatal?

Será que vamos ter este prazer?

- Eu estarei bem aqui. - Agnes.

Quero saber outra coisa que ele diz?

Não, Julia.

Pai?

Não agora, Julia.

Claire, você.

Sabe que eu adoraria, mas Toby e Ag têm uma invasão nas mãos.

- Nós não temos nada disso. - Talvez seja melhor esperar Harry e Edna.

- Não coloque Harry e Edna. - Melhores amigos.

Tobias?

- O que devo fazer com tudo? - Eu mesma faço.

O que Harry e Edna querem?

Vai enlouquecer minha mãe.

Harry e Edna, o que querem?

- Socorro. - Como?

Conforto.

Calor.

Um quarto com a luz da noite...

Ou uma porta aberta para ver da cama que mamãe deixou a porta aberta...

É o meu quarto.

É um quarto. Você usava ele.

Agora você é uma visitante.

Conheço esse quarto.

Voltou para casa para sempre?

Você está de volta do mundo para a segurança dos seus pais?

Vai tirar meu lugar?

Esta é a minha casa.

Esta não é uma nação comum.

Damos, mas não compartilhamos, abertos, mas não simpáticos.

Olá.

Olá.

Banhamos nossas verdades e a colocamos ao sol...

Em águas calmas.

- Entre, Edna. - Sim

Acha que podemos andar sobre a água?

Ou acha que íamos afundar?

Afundaríamos.

E é melhor que tenhamos brânquias, certo?

Sim.

- Eu não os vi entrar. - Entramos pelos fundos.

Harry está ajudando Agnes Tobias a subir as malas.

Não acha que Agnes e Tobias é que estão ajudando Harry?

Como quiser.

O que está fazendo?

Eu acho que Julia veio para ficar dessa vez.

Por Deus, Claire.

Chegamos a isso? Sempre disse que aconteceria.

É um assunto de família.

Sim, mas Agnes e Tobias não consideram assim.

Gostaria que Agnes forrasse essas cadeiras.

Chame os tapeceiros, agora que vive aqui.

- Uma grande família. - Você não é mais uma menina.

Está caminhando para os 40...

E não ajudou a imagem do casamento.

Você é uma convidada nessa casa.

E se você decidiu ficar...

Diz respeito a alguns.

Você é uma convidada.

Como você.

Pelas vidas das pessoas que altera...

Ou as que afeta com suas ações.

Claire, onde forram os móveis de Agnes?

Não!

Modos, mocinha.

Julia, pergunte a Edna se ela precisa de alguma coisa.

Não.

Vocês não têm direitos aqui.

Vou tomar um conhaque.

Somos os melhores amigos de seus pais e somos seus padrinhos.

- E lhe dá direitos? - Alguns.

Alguns.

Direitos e responsabilidades.

Alguns.

Olá, Harry. Entre.

Julia vai preparar algo. O que quer?

Eu preparo. Não se preocupe.

Não, não se aproxime. Não dê um único passo.

Julia.

Não!

Deixe que ela faça. Ela quer.

Não quero.

Então, eu faço.

Mãe? Mãe?

Por favor.

Mãe!

Julia?

Pode me deixar fazer as bebidas?

Afastem-se. Todos vocês.

Vamos lá, Julia.

Mãe?

Venha, venha.

Julia...

Não, não.

- Deixe-a, Harry. - Mãe. Pai. Ajude-me.

- Julia. Você está gritando. - Ajude-me. Mãe.

O que aconteceu, querida?

Eles querem...

- Esqueça, Julia. - Sim, por Deus, esqueça.

Eles querem...

- É melhor você subir. - Sim, para qual quarto?

Venha para o meu quarto e deite-se.

Seu quarto.

Deite-se no nosso.

Seu quarto? Meu! É meu!

Não se aproxime daí!

Julia.

- Eu quero... - O que quer, Julia?

Meu Deus.

Eu quero o que é meu.

Então você deve decidir o que é isso, certo?

Pai. Pai

Pai!

Pai!

Pai!

Eu acho que é a primeira vez que chama o pai desde...

A infância.

- Quando ralava os joelhos? - Sim

E vinha sangrando para casa.

Acho que era desajeitada, mas...

Pensei algumas vezes se era religiosa.

Orando no cascalho? Penitência?

Sim.

Teddy tinha acabado de morrer, eu acho...

E foi um tempo irreal para todos.

Para mim.

- Pobrezinho. - Sim

Foi um tempo irreal.

Eu pensei que...

Tobias já não me amava...

Ou que tinha cansado...

A morte de Teddy...

Como se fosse o limite.

Você quer algo, Edna?

Coisas que duvidava...

Se me amavam, se amavam.

Se Teddy tivesse vivido.

Se Julia estaria conosco por muito tempo.

Eu acho...

Acho que Tobias foi infiel na época. Ele foi, Harry?

- Oh, Agnes. - Vamos, Agnes. Claro que não.

Foi, Claire?

Aquele verão quente quando Julia machucou os joelhos...

E Teddy morreu... Meu marido me enganou?

Não faço idéia, irmã.

E isso vai ter que servir.

Pobre Julia.

Julia é uma tola.

Sirva-me uma bebida, Harry, já que faz o Tobias, um uísque?

- Claro. Claire? - Por que não?

Claire poderia nos dizer tanto se quisesse, não é mesmo?

Claire que observa à distância...

Viu tanto e tão claro, não é, Claire?

- Não mencionei você por nada. - Deixe isso.

O que vocês querem?

Não sei o que quer dizer.

- O que querem realmente? - Vai dizer, Harry?

Não sei o que quer dizer, Claire.

- Era Uísque, não, Agnes? - Eu disse...

- Eu não me lembro. - Não fale assim com Harry.

Desculpe, Edna, eu esqueci...

Que são pessoas muito assustadas.

Não zombe de nós.

- Querida Edna, não estou zombando... - Sim, está zombando.

- Eu lhe garanto. - O seu copo.

Eu garanto.

Acho que é hora de ouvirmos um pouco de música, não acham?

Nós não queremos música.

Também canto à Tirolesa...

- À Tirolesa? - Sim

Está cantando à Tirolesa.

Quer uma estrofe de leve-me para casa e me faça sua?

Antes do concerto...

Digam porque minha filha está lá em cima histérica.

Inveja. Ela não canta nem nada.

Por favor.

Digam porquê.

- O que ela fez? - Está histérica.

Eu perguntei o que ela faz.

- Pobre Julia. - Não entendo essa menina.

O que fez? Certo, vamos assim...

Contra a parede, braços abertos, olhos esbugalhados?

Tirando as roupas do armário de Harry e Edna, e das cômodas.

- Mais? - Certo.

No seu quarto, respiração acelerada, olhos fora de órbita...

Abraçando seu travesseiro como a um amante.

Com olhos abertos, sem chorar.

Se alguém se aproxima, emite um ruído e parece que vai gritar.

- O que acha? - Muito bom.

- E preciso, suponho. - Sim. Por quê?

Eu estava apenas me servindo de uma bebida, pelo amor de Deus.

- Eu pedi uma. - Vamos!

Parece incompleto para você?

Um pouco.

Julia está em um mal momento, Tobias.

Acho que nós a incomodamos.

Não acha que deve ir vê-la?

Não.

Vai descer ou não. Vai parar ou continuar.

- Deus, Agnes. - Eu não tenho tempo.

Não tenho tempo para uma conversa de quatro horas.

Você não tem que passar por isso.

Não se contenta com um tapinha, um carinho ou um cafuné no cabelo.

A história: O nascimento de Teddy, sentia-se pouco amada.

Ele morte Sente alivio ou perda?

E nas escolas, fracassava por ódio ou amor?

E se falarmos em casamento...

O medo, a felicidade.

- Sexo, infidelidade... - Certo, Agnes.

A volta para casa, as novas idéias, as etapas.

Minha vida passou mais coisas do que a sua.

Eu me vejo envelhecendo, minha vida passando.

Não tenho tempo para isso agora.

Talvez à meia-noite...

Quando todos estiverem na cama, dormindo tranqüilos.

Então poderei confortar Julia e me perder novamente.

Há muito martírio por aqui.

- Um por pessoa. - É o normal.

Embora eu acredite que alguns não tenham...

E outros conhecem trabalho.

Os desvalidos são os mais cruéis, livram-se de suas cargas fácil.

Um camelo admitiria que adora sua carga.

- Acho que chega disso. - Vamos tomar algo. Tobias?

O que preparo para você, parceiro?

Edna, você disse o que pensa.

O que pode preparar para mim?

Às vezes eu faço.

Com certeza. Eu estou aqui.

Quando o ambiente não é como deveria ser.

Oh, sim, uísque.

- Você é a mais indicada para dizer? - Aqui vamos nós.

Pare, Claire. Eu disse: Você é a mais indicada para dizer?

Devemos ajudar quando podemos.

É a responsabilidade a dupla demanda da amizade.

Mas quando pedimos.

Não. Não só.

Eu pensei, nós dois, já que vivemos aqui...

Vivem?

Vivem aqui?

- Vivem aqui? - É a minha entrada.

Que se vão, papai. Expulse-os! Expulse-os! Expulse-os!

Expulse-os! Expulse-os!

Julia.

Expulse-os, pai.

Certo...

Julia, querida...

Chega agora.

Faça-os ir, pai.

Vamos lá.

Faça-os ir, pai.

Você merece uma surra.

Vamos lá.

Faça, pai. Ou devolva-me.

Como você se atreve a nos envergonhar?

- Vocês vão? - Julia.

Vão?

Ir? Não, não vamos.

Não.

- Está vendo? - Desce com uma arma...

Volta ao ninho após seu último desastre, pobre e dando ordens.

- Você grita, estraga a ordem... - Pare!

- Teimosa, perversa e infeliz! - Você não tem direito.

Nós temos direitos. Pertencemos a esse lugar.

Nós pertencemos a esse lugar.

Para sempre? Vão ficar aqui para sempre?

Se necessário.

Sinto muito. É dever de uma madrinha.

Se chegamos ao ponto...

Se estamos uma noite em casa...

E chegamos a esse terror...

Se de repente precisamos...

Viemos onde somos queridos, onde nos esperam...

Não apenas onde queremos...

E sim onde a mesa está posta para nós...

Onde a cama foi preparada caso precisássemos.

Nós não estamos...

De passagem, como outros.

Não.

Vocês vieram morar conosco.

É claro.

Sim.

Bem...

Então talvez seja a hora de ir deitar.

- Julia? - Mãe?

Vamos subir comigo.

Deixe-me pentear seu cabelo...

Tranqüilizá-la...

E vamos nos tranqüilizar, vamos nos acalmar...

E vamos dormir.

Tobias?

É hora de dormir.

Sim, sim, é claro.

Sabemos o caminho.

A amizade é algo como um casamento, não é?

Para melhor e para pior.

Com certeza.

Nós não viemos ao lugar errado.

Verdade, Toby?

Não, não, claro que não.

Boa noite.

- Boa noite, Claire. - Boa noite.

- Boa noite, meu velho. - Boa noite.

Casa cheia, Tobias.

Camas, guarda-roupas.

Boa noite, Claire.

Você vai ficar acordado? Ficará de guarda? Eu ficaria.

A respiração lenta e pesada...

Especialmente o calor de uma casa adormecida...

Quando a casa dorme e todos dormem.

Boa noite, Claire.

E a diferença...

A respiração diferente e o frio...

Quando se fica acordado a noite inteira...

Com olhos abertos, olhando para a escuridão.

Você sabe disso?

Boa noite, Claire.

Boa noite, Tobias.

Cedo na manhã seguinte...

Aí está você.

Às sete e meia. Tudo vai bem, suponho.

Que estranho.

Havia um estranho no meu quarto ontem à noite.

- Quem? - Você.

Foi bom tê-lo lá.

Le temps perdu.

Eu nunca entendi que "perdu" significa perdido, não só passado.

Mas foi bom ter você lá...

Ainda lembro quando era habitual.

A facilidade com que eu dormia, nossa respiração coordenada...

E se nos tocávamos...

Como era esplêndido.

Mas ontem à noite...

Que pena, que triste...

Você era um estranho e eu fiquei acordada.

- Sinto muito. - Você dormiu?

Não.

Eu dormia um pouco e logo acordava.

A sua presença pouco familiar, senhor.

Eu poderia me acostumar novamente.

- Sim? - Acho que sim.

Você não falou com Julia.

- Não. - O sossego de toda a noite.

Não me deixou. "Cuide de sua casa", ela disse.

Você ficar muito tempo?

- Quando? - Antes de vir para a cama.

Um pouco.

Eu quase fui para meu quarto por costume ou por engano...

E então lembrei que seu quarto é o meu...

Porque o meu é de Julia porque o de Julia...

Sim, e eu estava acordada quando você saiu do quarto.

Você poderia ter dito.

Não ousei.

Foi ver Claire?

Nunca vou ver Claire.

Você foi falar com Claire?

Nunca vou ver Claire.

Sempre invejamos a quem não devemos.

Sentimos ciúmes daqueles que têm menos.

Você e Claire ficam bem juntos, falam tão bem.

Nunca vou com Claire à noite nem falo com ela sozinho...

Exceto em público.

Em salas públicas como esta.

Sim.

Nunca?

Por favor.

Vou sentir saudades quando mudar do meu quarto de novo...

Se você mudar.

Devo parar, eu acho.

- Você é uma mulher sincera. - Sim, bem...

Precisamos de uma em toda casa.

É estranho estar em um quarto onde todos tenham estado...

E se foram, é tarde demais, e o calor se foi...

O forno, os corpos.

Uma hora antes do amanhecer, o forno começa novamente.

É um pouco divino, se posso supor...

Olhar para tudo com tal distância...

Ver a si mesmo, você, Julia, olhar tudo, começar de novo.

Olhar.

Julgar.

Não, não é isso. Olhar.

E se tomar um ou dois drinques...

Você tomou?

Se tomar algumas bebidas, em silêncio...

A mente se solta.

E a vê enquanto razão...

Com certo prazer e tristeza ao mesmo tempo.

Porque sabe que ao amanhecer, a pressão vai começar...

E tudo o que tem dentro não vai valer.

O que você decidiu?

Você pode olhar e ter assim uma imagem clara...

Ver todos movendo-se em sua própria selva...

Uma visão sobre as razões, as necessidades...

Bom. O que você decidiu?

Por que essa sala está tão suja?

Não podemos ter melhores empregados?

Uma ajuda que ajude?

Eles têm melhor horário que nós.

São um comentário em nossos hábitos...

Um lembrete da nossa discordância.

É por isso que pagamos tanto. Sem servo nem senhor, lembra-se?

- Eu me lembro quando... - Você era muito jovem e vivia em casa.

Os empregados estavam sempre acordados.

Às seis horas para o café da manhã.

Às cinco quando chegava bêbado.

Limpavam o vômito do carro.

Roubavam o justo a cada mês...

Para manter um salário decente...

Gerações de empregados...

A lavadeira cega meio enfermeira...

O chef que cozinhava melhor bêbado do que sóbrio...

Esses empregados, esses dias...

Quando você era jovem e vivia em casa.

Bem, querido, você não é mais jovem, e não vive mais em casa.

Onde eu vivo?

Na escura tristeza, sim.

O que devemos fazer?

O que você decidiu?

- Nada. - Decida-se

Sua casa está em ordem, senhor. E está prestes a explodir.

- Sim, e você tem que me ajudar. - Não, eu não.

- Não? - Não.

Eu também pensei um pouco essa noite...

Enquanto você via tudo tão claramente...

Deitada no escuro, repassei nossas vidas...

Anos e anos.

Uma mulher faz muitas coisas.

Ter filhos, se tiver sorte.

Sorte, apesar da tristeza.

Cuida da casa, garante que tenha comida, e não qualquer coisa...

E roupas limpas, um bom aspecto...

E assume qualquer obrigação se estiver apaixonada...

Ou se ama, e faz planos.

Eu sei, eu sei.

Mas há coisas que não fazemos.

- Sim? - Sim

Nós não decidimos o caminho.

- Evita sua responsabilidade... - Não.

- Sim, evita. - Não grite comigo.

- Evita sua responsabilidade. - Seguimos.

Deixamos os nossos homens decidirem questões morais.

Nunca. Você nunca fez isso na vida.

Sempre, querido. O que decidir, eu farei funcionar...

Vou colocar em prática, para que não perceba que houve mudança.

Não, não.

Então deixe-me saber.

Eu sei que estou cansado

Que quase não dormi...

E que sentei aqui e pensei...

E tomou decisões.

Mas não julguei. Eu disse a você.

- Quando fizer isso, me diga. - Não!

- Vai acordar a casa inteira. - Eu vou acordar a casa inteira!

Este não é o momento para perder o controle.

Eu vou perder o controle!

Eu sentei aqui, no frio...

Eu fiquei sozinho...

E considerei tudo...

Pensei em você, Julia, Claire...

- E Edna e Harry. - Claro, o que você achou?

Eu não sei. Estou ouvindo você.

Bom dia.

Acho que... Eu preparo café?

Sim, por que não prepara, querida?

Bom dia, Julia.

Desculpe por ontem à noite, pai.

Está tudo bem.

Quero dizer que sinto muito por tê-los envergonhado.

Café.

Você sente por ter me envergonhado também?

Que bom que Julia vai fazer o café.

Se não há empregados...

É muito bom ter uma filha para fazer alguma coisa.

"Você sente por ter me envergonhado também?"

Tem um problema com Julia.

Eu tenho um problema?

Pelo menos você tem suas mulheres ao redor, firmes, um apoio.

Deve ser um conforto.

A maioria dos exploradores andam sozinhos, sem família com eles...

Montam as tendas, acendem o fogo, espantam os ursos...

"Você sente por ter me envergonhado também?"

- Está repetindo as palavras? - Sim

Depois minha irmãzinha vai descer, outra transmissora em viagem.

Claire nunca perde a oportunidade de olhar todos nós.

Vão sentar e me observar...

Fumando um cachimbo e retirando a caldeira.

Você que toma as decisões, é quem conduz o jogo.

Isso é uma ilusão sua.

Vai sentá-los muito cedo para qualquer coisa nesse estúpido domingo...

Todos vocês... E vai me desafiar, mesmo que sua escolha seja a mesma que a minha.

Toda vez que Julia vem...

Toda santa vez...

Você a manda voltar para casa?

Você diz: "Julia, volte para seu marido. Tente novamente"?

Você faz isso? Não. Você deixa como está.

- É sua decisão, senhor. - Não.

E devo viver com ela, resignar-me...

Outro casamento, e desejar que Julia seja mãe algum dia.

Estou quase velha demais para ser avó...

Para ser uma avó jovem.

Eu queria ser a mulher mais velha mais jovem do condomínio.

Julia é quase velha demais para ter filho e provavelmente mesmo assim terá...

Se voltar a casar.

Você poderia ter mandado ela voltar para casa.

É muito cedo para um discurso que eu nunca tinha escutado.

O Teddy, certo?

Não gagueja? Deixa passar?

Por favor.

Quando Teddy morreu...

Poderíamos ter tido outro filho...

Ter tentado...

Mas não, aqueles meses...

- Ou foi um ano? - Não continue.

Um ano se derramando na minha barriga.

"Por favor, Tobias", mas não.

Nem mesmo disse: "Não quero outro filho, outra perda."

"Por favor, Tobias", guiando você, tentando mantê-lo dentro.

Agnes...

"Não me deixe assim, outra vez não, por favor"

"Eu posso cuidar disso, não vamos ter outro filho..."

"Mas não me deixe desta maneira."

Silêncio...

Triste e enojado amor.

- Não quero que tenha... - Senhor?

- Não quero que tenha... - Muita consideração.

Como um casal de adolescentes no carro.

- Não é de admirar que se odiasse. - Sim

- Mas não me deixava ajudá-lo. - Não.

E por isso você se recolheu em seu próprio quarto.

Sim.

Uma teoria muito oportuna: Meia ração é pior do que nada...

Atormentado pela culpa...

E eu devo sofrer por isso.

Sim.

Foi uma decisão sua, não é?

Sim.

E eu tenho levado o melhor que posso...

Tenho vivido com isso...

Certo?

O que fazemos com tudo?

- O que você quiser, é claro. - Bom dia, crianças.

Eu só posso dirigir tudo e adverti-lo.

Bom dia, Claire.

Julia está na cozinha fazendo café, Claire.

O que significa que devo vigiar seus movimentos.

É uma verdadeira pioneira, essa garota. Cafeteira em uma mão e uma pistola na outra.

Claire é um conforto de bom dia, me disseram.

- Sim? - É o que me disseram.

Devo pedir para irem?

- Quem? - Harry e Edna.

Achei que se referia a Julia e Claire.

Não, Harry e Edna. Devo?

- Harry é seu melhor amigo... - Sim, e Edna a sua. Bem?

Terá que viver com isso.

Por que não mando Julia e Claire?

Porque não me livro de todos?

Ou se livra de mim. Seria fácil.

Livrar-se da bruxa...

E dirige uma missão alcançando a santidade.

Expressa uma opinião, uma preferência.

Mas se você se livrar de mim...

Já não terá a vida que deseja.

Mas isso não é uma opção.

Eu não me importo muito se for...

Mas...

Eu me importo com a opção que você escolher.

Pronto!

Aqui estão as empregadas. O que seria de nós sem elas?

É café instantâneo. Eu não conseguia encontrar o outro.

Trancaram a chave.

Recolhemos tudo isso, não, pa?

"Papa"?

Verdade, não podemos tomar café com os copos da noite passada.

Tobias, ajude.

Graças a Deus pelos sucos enlatado.

- Muito melhor assim. - Como queira, Julia.

Agora serei a garçonete.

Obrigada, Claire.

Pequena Julia.

Deixe ao meu lado, Claire. Estou servindo.

- Papa? - Obrigado, Claire.

Aqui deixo o seu, filha para quando terminar seu trabalho.

Obrigada, Claire.

Um para a pequena Claire.

Porque não coloca vodka? Para começar bem o domingo.

Sentem-se todas, caladas.

Quero falar com vocês.

- Eu lhe dei açúcar? - Cale a boca, Julia.

- Sim - Eu quero falar.

Vá em frente, Tobias.

Você também, Claire.

Algo aconteceu aqui ontem à noite, e não me refiro a Julia...

- Se... - Cale a boca, Julia.

Embora, em parte, sim.

É sobre Harry e Edna.

Quer dizer algo, Julia?

Fiquei sentado aqui a noite toda...

E fiz algo raro para esta família, pensei.

Sinto muito, Tobias, mas isso não é justo.

Pensei.

Pensei em tudo e em todos nós.

Harry e Edna vieram aqui e pediram-nos ajuda.

- Isso não é verdade. - Cale a boca, Julia.

Não é verdade. Eles não pediram nada.

Por favor, Julia.

- Vieram e ordenaram. - Como a família.

Pediram. Se pede e tem seu orgulho...

Se pedem, talvez não tenham orgulho.

- Eu não acho que isso seja verdade. - Pergunte a mim.

Eles não têm direito.

Não têm direito? Todos estes anos.

Nós os conhecemos desde... Eles são nossos amigos.

Então os acolheu.

Acolheu esses intrusos.

Você não entendeu os direitos noite passada?

Você não ouviu o resultado? Quem ganhou?

Se ficarem aqui, eu vou.

Sim?

Quero dizer, como uma família.

Harry e Edna são nossos amigos.

Eles são intrusos.

A crise traz o melhor de nós.

O círculo familiar.

Julia fazendo-se valer, uma cria...

Talvez pronta para irritar Claire.

A pobre Claire que não é de muita ajuda.

E Agnes, a falante Agnes, que dirige o show, a esposa...

Calma, modesta, com o café...

Pensando no cardápio para a semana, planejando.

Só estava esperando ouvir a todos para depois pensar.

Achei que alguém deveria relaxar, especialmente eu...

Que dirijo o show.

Esposa, enfermeira da noite...

E eu estive pensado sobre Harry e Edna...

E sobre a doença.

Sobre o quê?

- Doença. - Meu Deus.

- Na doença e no terror. - Terror?

Sim, terror, ou praga. É a mesma coisa.

Deixe-me dizer algo sobre a doença mortal.

Ou você é imune ou a combate.

10 séculos atrás e até menos, o tratamento era muito fácil...

Queimar.

Queimar os corpos, queimar as casas, as roupas...

E mudar para outra cidade se fosse inteligente.

Mas com a medicina moderna, só colocamos em quarentena...

Condenamos ao ostracismo se não somos imunes ou saudáveis.

Então sua vigília essa noite...

Sua reflexão nas horas frias...

Foram sobre o paciente e não sobre a doença.

Não chegou a Harry e Edna, nossos queridos amigos.

- Nada mais que a doença. - Pelo amor de Deus, Agnes, são amigos.

O que espera que eu diga? "Vocês não podem ficar aqui..."

"Vocês tem problemas, são amigos, mas precisam vir limpos."

Eu não posso.

Pelo amor de Deus, se é Harry e Edna, e quanto a nós?

Nós falamos com o coração?

Quando nos tocamos, prometemos, dizemos "sim" ou "por favor"

Queremos dizer "sim" mas só "se"?

Se há condições, Agnes, então tudo está vazio.

Talvez.

Mas o sangue nos une...

O sangue nos mantêm juntos quando não há mais afeto.

Eu não digo para escolher entre os amigos e a família.

Sim, você diz.

Só estou dizendo aqui há uma doença...

E quem é imune nesta família?

Eu sou. Eu passei tudo e ainda estou viva.

Claire é a mais forte, os feridos são os menos suscetíveis...

Mas pense no resto.

Estamos imunes?

A peste, o terror, sentados no quarto de cima.

Se somos, vamos em frente.

E se não somos, porque não nos infectarmos?

Por que não morrer disso? Todos morremos de alguma coisa.

Ou deveríamos queimá-los?

Nos livrarmos deles e esperar outra invasão?

Você decide, querido.

Bom dia.

Vocês levantaram.

Bom dia, Harry, Edna.

Harry quer falar com Tobias. Deveríamos deixá-los sozinhos.

Com certeza.

Vamos preparar um bom café da manhã.

- Não, não precisa... - Sim, nós queremos que conversem.

- Tobias. - Sim

Estaremos por aqui.

Dormiu bem, Edna? Você dormiu?

Não dormi naquela cama, mas eu sei...

Olhe para elas, saíram voando.

Alguém poderia pensar...

Bom dia, Tobias.

- Bom dia, Harry. - Sabe o que eu gostaria?

Algo que eu nunca fiz na vida, exceto uma vez quando tinha 24 anos.

Não, o quê?

Tomar uma bebida antes do café.

- Você concorda? - Claro.

Aceita?

Acho que sim.

Não há gelo.

Bem...

Só uísque.

- Um conhaque? - Não, não, por Deus.

- Um uísque , então. - Sim, obrigado.

- Pela juventude. - Sim

- Não foi realmente ruim, certo? - Não, mas...

- Eu já tinha bebido antes. - Quando?

Antes. Às três, às quatro, enquanto dormia, ou o que seja.

- Você ficou acordado? - Sim

Dormi um pouco.

Meu Deus.

- O quê? - Sabe o que eu fiz ontem à noite?

Não.

Fiquei na cama com Edna.

Ela me abraçou e me deixou ficar algum tempo.

Então eu vi que ela queria e eu não, então eu me afastei.

Foi engraçado.

Sim.

Você...

- Você gosta de Edna, Tobias? - Claro que sim, Harry.

Tobias.

Sobre a noite passada...

E a outra noite quando vim aqui...

- Falei com... - Eu sentei aqui na noite passada e...

Desculpe.

Eu sentei aqui pensando, e falei com Agnes antes.

Meu Deus, eu não sei, Harry...

Podemos fazer se quiser, eu posso, quero dizer, eu acho.

Não.

Estamos indo.

- Eu não sei como ajudar... - Eu disse que estamos indo.

Sim, mas...

- Estão indo? - Sim

Mas...

Podemos tentar, nós podemos.

Você não pode voltar... Você deve...

Vender a casa, comprar outra, mudar para o clube?

Vocês vieram aqui.

Vocês nos querem aqui?

Vocês vieram aqui.

Vocês nos querem aqui?

Vocês vieram aqui.

Vocês nos querem aqui?

Edna e eu...

Há tantas coisas...

Tantas decepções, evasões, suponho que mentiras...

Queríamos tantas coisas ao mesmo tempo...

E nos contentamos com tão poucas...

Conversamos, as vezes, normalmente não.

Não gostamos, bem, sim, mas...

Eu sempre fui um pouco tímido, brusco...

Você sabe, tímido.

Edna não está feliz. Acho que é isso.

Nós gostamos de você, e Agnes, e Claire e Julia também, mas...

Eu acho que...

Eu gosto de você e você gosta de mim, acho...

E são nossos melhores amigos.

Mas eu disse a Edna, lá em cima...

Edna, e se eles tivesse ido para nossa casa?

Ela não respondeu.

E eu disse: "Edna..."

"Se eles fizessem o mesmo..."

"E supondo que nós não tivéssemos uma Julia..."

"Edna..."

"Eu não os acolheria..."

"Eu não os acolheria, Edna"

"Eles não teriam nenhum direito."

Ela disse:

"Sim, eu sei..."

"Eles não teriam nenhum direito."

Toby...

Eu não deixaria que ficassem.

Vocês...

Não nos querem aqui, certo?

Não nos querem aqui.

Se eu quero?

Se eu quero?

Se eu quero?

Se eu os quero aqui?

Você vem aqui com sua esposa e seu medo...

E me pergunta se quero vocês aqui.

Sim. Claro que quero.

Eu fiz essa casa...

Quero vocês nela.

Eu quero sua peste.

Vocês têm medo? Tragam.

Tragam.

Vocês tem entrada livre. Não precisam de chave.

Têm entrada livre, parceiro. 40 anos.

Não precisam pedir permissão.

Gostaria de pedir?

Vocês vem jantar, beber, nos vemos no clube...

Falam, mentem e riem conosco, dão uma tapinha Agnes...

E dizem: ''Não sei o que Tobias faria sem você"

E faz anos que nos conhecemos e nos amamos, certo?

Nós nos amamos, certo?

A amizade não se transforma em amor?

40 anos não significam nada?

Nós nos unimos, somos amigos.

Passamos muitas coisas juntos.

O quê? Bom ou ruim?

Seja como for, passamos juntos.

Não precisam pedir.

Eu gosto de você, Harry.

Realmente.

Não gosto tanto de Edna, mas não é esse o ponto, gosto de você.

Minha amizade tem seus limites...

Mas eles são meus...

Limites, não seus.

O fato de gostar de você mas não o suficiente...

Que ser meu melhor amigo deveria ser algo mais...

Isso é problema meu, então...

Traga sua esposa, seu medo...

Traga sua peste.

Traga sua peste!

Não quero vocês aqui.

Você me perguntou.

Não, eu não quero.

Mas ficarão aqui. Vocês tem o direito.

Conhece a palavra? Direito.

São 40 anos, amigo...

E isso é algo.

Você ganhou o direito de estar aqui.

E por Deus, vai usá-lo. Você me ouviu?

Traga seu medo e venha morar conosco.

Traga a peste e fique aqui.

Não quero vocês aqui.

Não quero.

Mas por Deus, fiquem.

Fiquem.

Fiquem.

Fiquem.

Por favor, fiquem.

Fiquem.

Por favor...

Fiquem.

Harry, pode descer nossas malas? Talvez Tobias queira ajudá-lo, se pedir.

Claro.

Você pode me ajudar a descer as malas?

Harry não é cruel, apesar da sua rudeza.

Noite passada ele veio para minha cama, ao meu lado.

Deixei-o ficar e falar.

Deixei que pensasse que eu queria fazer amor.

Gostaria de saber que seria correspondido se...

Eu me disse...

Ele estava deitado no escuro comigo...

E me disse com suavidade, como uma criança:

"Eles nos amam? Nos amam, Edna?"

Fiquei em silêncio.

"Tanto quanto nós a eles, eu acho."

Tem o cabelo do peito cinza e suave...

"Deixaríamos que ficassem, Edna?"

Quase um sussurro, e mais silêncio.

Espero que tenha dito a Tobias algo fácil, algo que ajude.

Não devemos abusar da sorte.

Testá-la.

É triste chegar ao fim, não é?

Perto do fim.

Muito desapareceu...

E até mesmo sem saber...

Sem aprender os limites, o que não podemos fazer...

Não perguntar por medo de olhar-se no espelho.

- Não devíamos ter vindo. - Oh, Edna.

Bem, por nós mesmos.

É triste saber que passou por tudo ou quase tudo, sem...

E que o único corpo que abraçou...

A única pele que conheceu, é a sua...

E está seca...

E fria.

O que você vai fazer, Julia? Vai ver Douglas?

Não pensei sobre isso. Eu não sei.

Duvido muito.

Tempo.

O tempo passa para as pessoas.

Tudo acontece muito tarde, no final.

Você sabe que está acontecendo...

Vê a poeira e ouve os gritos...

Mas espera...

E o tempo passa.

Quando finalmente vai, com escudo e espada...

Não há mais nada...

Que corrosão, ossos...

E vento.

Lamento sobre o café, Edna.

Os empregados devem ter roubado...

Ou levam quando vão para a cama.

Café e vinho, não distingo o melhor do pior.

Alguém além de Claire quer uma bebida?

Ah, Claire, realmente.

- Edna? - Claire, não, obrigado.

Julia.

Sim, obrigada.

Eu ouço os homens.

Levamos ao carro.

Obrigada, Agnes. Você foi...

Bem, obrigada.

Nos vemos.

- Sim, dê sinais de vida. - Nossas vidas são iguais.

Julia, pense um pouco.

Eu vou. Gosto de casamentos.

- Claire, querida, seja boa. - Tentarei ficar quieta.

Quinta-feira vou para a cidade. Quer vir?

Bem, acho que não, Edna. Eu tenho muito a fazer.

Bem, talvez na outra semana?

Sim, iremos.

- Tudo está pronto. - Tudo pronto.

- Harry, querido, tome cuidado. - Obrigado, Agnes.

Você também, Julia.

Seja agradável.

Adeus, Harry.

- Adeus, Harry. Nos vemos. - Claro, Claire.

Tchau, Tobias. Obrigada.

Adeus, Edna.

Obrigado, meu velho.

Fique, por favor.

Nos vemos no clube.

Edna?

Dirija com cuidado. É domingo.

- Tchau! - Obrigado!

Bem, aqui estamos nós.

Você está bem, querido?

Sim.

Sua filha bebendo em plena manhã. Você deve ter notado.

Eu estava tomando um com Harry, aqui está.

Eu tenho três bebedores matutinos.

Se se tornasse um clube, precisaria de uma licença.

- Pense nisso durante a noite. - Certo

Eu tentei.

Fui sincero.

Não?

Não?

Você foi muito sincero e tentou.

Não tentei, Claire? Não fui sincero?

Claro que tentou.

Desculpe.

Peço desculpas.

O que mais me surpreende...

Além da idéia que um dia perderei a cabeça...

Mas quando? Nunca, eu começo a acreditar.

Ou talvez não saiba se acontecer, ou se já aconteceu.

O que mais me surpreende, eu acho...

É a maravilha da luz do dia...

O sol, os séculos milênios de história.

Eu me pergunto se dormimos à noite...

Porque o escuro ainda nos assusta.

Dizem que dormimos para deixar os demônios de fora...

Para deixar que a mente enlouqueça...

Entre sonhos e pesadelos sem lógica, o lado negro da razão...

E quando a luz do dia volta, a ordem vem com ela.

Pobres Edna e Harry.

Bem, foram tranqüilos...

E logo vamos esquecer isso.

Vamos...

Vamos começar o dia.

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