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Zulu
Em campos de concentração,
o respeito é tido como óbvio.
Pois aqui acontecerá a mesma coisa.
Vocês vão cavar o túnel...
até que suas mãos sangrem!
À noite,
podem chorar de dor em seu catre,
mas continuarão cavando!
Trabalharão em turnos, sem descanso.
Se não, um castigo épico os espera.
Como a seu líder.
Um homem que, se nos trair de novo, matará.
Se voltar a ter ânsia de liberdade, matará!
Se transpirar demais...
matará.
Um homem com um caráter explosivo.
Agora, ficarão com medo de você, Arturo.
Embora todos sempre soubéssemos que você é a "bomba".
Já que é um pária, ficará aqui, isolado.
Helsinque e os demais, ao túnel!
Venham! Vamos.
Vamos, rápido!
Os sismógrafos registraram abalo incomum no subsolo da Casa da Moeda.
Parece que aumentaram o ritmo da escavação do túnel.
Estão prestes a sair.
TERÇA-FEIRA 17H41
Quanto ainda falta?
103 HORAS DE ROUBO
-Pelo geo-radar, dois metros, dois e meio. -Por onde vão sair?
Achamos que aqui.
Na tubulação de esgoto, uns 15 m atrás do prédio.
Atenção. Quero todos preparados. Avise o subsolo para estarem alertas.
Quero 20 homens vigiando a tubulação agora.
Sabe o que fazem os culpados quando levados à cena do crime?
Não param de falar.
Sobre o tempo, sobre política.
Fazem piadas.
Porque estão nervosos.
Não suportam o silêncio.
Mas você...
Você não diz nada.
De que quer que eu fale, Raquel?
Quem é você?
Sergio Marquina.
Sergio?
Salva?
O Professor?
A pessoa que manteve em xeque toda a polícia, o CNI
e os Corpos Especiais?
O homem com quem falei por telefone durante cinco dias,
a quem contava que roupa eu usava
e até de que cor são meus orgasmos?
Qual deles é você?
Por que suas digitais não estão no banco nacional de dados?
Não renovei a identidade quando a tornaram digitalizada.
Quando?
Há mais de 20 anos.
Isso abre um mundo de possibilidades, não é?
Ninguém reportará o desaparecimento de um homem
que simplesmente não existe.
Nem terei de me esforçar para queimar seu cadáver.
É isso que você quer?
Quer me matar e queimar?
Sim.
Garanto que sim.
Ouça...
talvez, como inspetora,
eu não devesse contar isto àquele que organizou o assalto
à Casa da Moeda.
Mas, como mulher...
como mulher que passou anos tendo medo de tudo...
De tudo!
E que confiou em alguém...
alguém que, sabendo que ela era frágil e vulnerável,
a estava enganando desde o começo! Desde o maldito começo!
Então, não acho que seria tão improvável, não é?
Você poderia...
ter se aproximado de mim.
E me seduzido.
Plantar um chip em mim! A porra de um chip , cacete!
Mas não. Não pôde.
Ontem, estávamos sonhando juntos.
Cacete.
Falando do futuro. Do futuro!
Quem é você, porra?
O quê? A porra de um perturbado?
Tudo estava planejado.
Tudo. Tudo estava...
Sinto muito. Tudo estava planejado, menos o que houve entre nós.
-Não sei. Violei minhas regras. -O quê?
Não considerei essa variável.
-O que está dizendo? Que variável? -Apaixonar-me por você.
Acha que vou deixá-lo se livrar com essa merda?
Filho da puta!
Que vou ficar de braços cruzados enquanto mente para mim,
-como se eu tivesse 15 anos? -Não estou mentindo, Raquel.
Apaixonei-me por você.
Diga de novo.
Diga de novo. Atreva-se a dizer de novo! Diga!
Raquel.
Eu me apaixonei por você.
Sinto muito.
Está bem.
Está bem.
17H46
POLÍCIA
Berlim, quero falar com você.
Claro. Voltei a ser o chefe.
Meus filhotes precisam me alimentar.
O que o Professor disse, exatamente, sobre Tóquio?
Disse que tentaria libertá-la.
Como vai libertá-la sozinho?
Rio!
Não será ele a fazê-lo.
Quem?
Os quatro sérvios que cavaram o túnel há cinco anos.
São o coringa para extremos reveses.
-Quando? -Não sei.
Sente falta dela, não é?
Os que ficam sempre sofrem mais.
Ela, por sua vez, estará...
ampliando sua experiência,
desenvolvendo suas sensações,
divertindo-se.
Faria um acordo com a polícia?
Claro.
O que acontece se saírmos daqui? Continuaremos juntos?
-Seria trair seus amigos. -Meus amigos com nomes de cidades?
Tóquio, Berlim, Moscou, Denver.
Pois acho legais meus amigos com nome de cidade.
E digo uma coisa.
Procure se esconder, se fizer acordo.
Porque, se eu o vir, dou-lhe um tiro.
As mulheres superam rápido. É bom estar prevenido, por precaução.
Tóquio é impulsiva.
Mas vai voltar. E vamos acabar juntos.
Eu sei.
Claro.
Sem dúvida.
Sempre achei isso, também.
Se nos trair e sair,
vai me ligar, quando se arrepender.
Porque, acredite...
vai se arrepender.
Pode me ligar no número de Alison. Vou mantê-lo.
A polícia vai ouvir, mas e daí?
REPETIDOR DE SINAL ATIVO
Suárez! O celular de Alison Parker foi ligado.
Tente haquear.
Câmera selada, senhor.
Não estão chamando nem enviando nada.
-Que merda é essa? -Maldição!
Aqui é o Comboio 727.
-Há um assalto. - Central ao comboio.
Não copiamos. Repita, por favor.
Eles têm jammers.
Puta merda!
Meu anjo da guarda não me abandonara.
E eu me sentia como no trem-fantasma.
É uma bomba. Que porra acontece aí na frente?
-Têm um explosivo. - Em um túnel escuro,
no qual não se sabe quando acontecerá o susto.
-Estamos fodidos! -Cale-se!
Mas que divertido.
O que acontece? Que porra está acontecendo?
-Vamos sair! Estão nos matando! -Cale-se!
-Estamos fodidos, Perez! -Calado, porra! Deixe-me pensar!
Zero!
Fique atento.
Está bem. Não!
Larguem as armas, ou a mato.
Larguem as armas, ou a mato.
Se atirar na garota, você morre.
Se atirar em mim, você morre.
Se soltar a garota, você vive.
Se todas as decisões deste mundo fossem fáceis assim.
Não é?
Rio.
Rio.
Lá embaixo, notei que não concorda com o que Helsinque está fazendo.
Você não é como eles.
É um bom rapaz.
Tenho um filho de sua idade.
O mais velho.
Também é um bom rapaz.
Ajude-me, por favor.
Quero ver meu filho.
Achei esta máquina de fazer passaportes.
-Não. -Monica...
ouça.
Pode fazer o que quiser. Mas e se mudar de ideia?
Seria ótimo para você ter um novo. E este...
-Este é de verdade. Coisa boa. -Eu sei. Trabalho aqui.
-Não custará nada. Vamos fazer. -Não.
Se não quiser, jogue fora, guarde de recordação, como quiser.
São só dois minutos.
-Fazemos? -Está bem.
-Está ligado? -Sim.
Está bem.
Que nome devo usar?
-Ágata. -Ágata?
-Por quê? -É nome de atriz de pornô.
Ágata é nome de mulher bonita. Se você fosse feia, eu diria,
-sei lá, Felisa ou Maricruz, mas... -María.
-María Fernandez. -Não é um nome. Ninguém vai acreditar.
-Eu entendo dessas coisas. -É mais discreto.
Ágata parece caro. Tem classe. Use Ágata.
-Tome. -Obrigado.
Ponha "nascida em Madri"...
e no ano que quiser.
-Estamos fazendo um passaporte. -Sei.
Se, no final, ela fugir, ou...
se vier conosco.
Quem acha que roubou sua arma?
Vamos lá fora.
Suárez.
Senhor, estou ligando do Tribunal Nacional.
O comboio que levava Silene Oliveira era esperado 15 minutos atrás
e ainda não chegou. Não temos notícias.
Siga informando.
Gómez! Quero duas unidades no percurso de Silene Oliveira até o tribunal.
-Ela não chegou. Quero saber por quê. -Entendido.
Ponha isto.
Único contato, o Professor.
Ele diz o que fazer.
Nunca na vida me sentira tão livre.
Mas, daquela vez, o plano do Professor não daria certo.
Sei que cedi à pressão,
que me enganei, mas...
por favor...
não mereço isto.
Por favor.
Eu lhe peço,
se resta alguma dignidade em você, por favor,
não consigo respirar. Não consigo respirar. Ajude-me.
Ajude-me, por favor.
Estamos entrando.
Peguem a comida e sentem-se.
Cada um a um metro do outro. Vamos!
Isso mesmo. Assim. Alegres.
Helsinque, diga olá a Arturito. Arturito.
Algo aqui não faz sentido.
Disseram que, se transpirasse, eu iria pelos ares.
No entanto estou aqui, trancado neste calor insuportável.
-Neste calor horrível... -É melhor ficar calmo e calado.
-Não faz sentido. -O quê?
A bomba não faz sentido.
Acham que se arriscariam a que eu tropeçasse, ou transpirasse,
para lançar tudo pelos ares? Não.
Não. Seria muita loucura. Essa gente não pensa assim.
Cale a boca.
Estão tentando fazer terrorismo psicológico.
Estão tentando nos amedrontar. Isto não é real. É um blefe.
Não faço ideia e não quero saber. Cale-se.
Vou tirar. Resolvi. Vou tirar, não aguento mais.
Não vai acontecer nada. Não nos colocariam próximos.
-Fique quieto. Sente-se. -Quem é você para dizer o que fazer?
É culpa sua estarmos aqui trancados.
-Minha culpa? -Sim, sua culpa.
Você é o diretor deste lugar.
Oito malucos conseguiram entrar como se estivessem em casa.
Alguma casa da moeda no mundo já foi roubada?
Só esta, não é?
Parabéns.
Você fez história.
Agora, por favor, não nos lance todos pelos ares. E sente-se.
Sente-se.
Central, está copiando? O furgão foi sequestrado.
- Sem sinal de Silene Oliveira. -Copiei. Aguarde instruções.
Atenção! Temos uma fugitiva.
Ativar Operação Jaula.
Ele não estava.
Não estava.
Tinha organizado tudo.
Tinha me salvado.
Como ele não estava ali?
Naquela tarde de outubro, com minha fuga, iniciaram a Operação Jaula.
Usavam-na quando havia atentados.
A polícia fecha imediatamente todas as saídas da cidade.
Tudo entra em colapso,
e você fica encurralada. Só pode se esconder.
Meu problema era que o esconderijo era o hangar.
E o Professor teria de me deixar entrar.
Mas na verdade nunca gostei de esperar.
O que é isso?
Só o que sei é que é um mentiroso profissional.
Chamam-me paranoica, mas não voltará a mentir de novo.
Eu lhe garanto.
Pensa que não sei? Que sou idiota?
Claro que ela roubou a pistola. Mas ela mudou de ideia,
ou já estaria em uma caixa de papelão com Oslo.
Ela o ajudou. Ainda bem.
Mas não tem de fazer um passaporte para ela, ou levá-la...
E se eu quiser ficar com ela e cuidar de seu filho? O que tem?
Você já estará bastante fodido para carregar a mochila de outro.
Não é mochila. É uma garota que me ama e o filho dela, que não tem culpa.
-É uma encrenca em que não se entra. -É opção, não obrigação.
Às vezes, tentamos ajudar alguém e somos os primeiros a afundar.
Se eu afundar, nado,
-como fizemos a vida toda, pai. -Não é assim, porra. Eu sei.
Tentei ajudar sua mãe todos os dias da vida.
De onde vem essa merda agora?
Mamãe nos abandonou.
Por que essa merda agora?
Nós a abandonamos.
Ela seria o nosso fim.
Eu a internei em uma clínica de Barcelona.
Custou 200.000 pesetas.
E, em menos de 24 horas, ela apareceu no hotel,
-chapada de heroína. -O que você fez?
Era a quarta vez.
Perdi as economias.
Que porra você fez?
Ela queria comprar mais.
Eu a coloquei no carro...
e a deixei em Martorell,
perto de um lugar onde vendiam.
Não esperei.
Fui buscar você...
para mudarmos.
Deixou minha mãe em uma rotatória?
Por isso eu o envolvi nesta confusão.
Não quero que tenha a vida que tive. Quero que seja livre.
-Que comece do zero. -Não se abandona uma mãe.
Você a desintoxica.
Minha vida toda, acreditei que ela fosse uma puta.
Pensei que talvez tivesse sido por minha culpa.
Era ela, ou nós.
Cale-se.
Não abro sua cabeça porque precisamos de você para sair.
Quando sairmos,
nós não seremos nada.
Dois desconhecidos.
Denver...
e Moscou.
Terminou o passaporte?
Sim.
Denver, você está bem?
Está tudo bem.
No fim, usei Ágata.
Eu dirigia como louca para lugar nenhum.
Em uma fração de segundo, eu soube aonde ir.
O único problema...
é que era o ponto mais fortemente vigiado da Espanha.
Respire fundo.
Está nervoso?
Não, estou bem.
Está vendo essas linhas?
Cada mentira sua se traduzirá em curvas muito feias,
por alteração da pressão, ritmo cardíaco, frequência respiratória.
Por isso, não minta. Ou já sabe.
Nome.
Sergio Marquina.
Onde nasceu?
San Sebastián.
Sabia que ia destruir Ángel?
Sim.
Foi você quem provocou o acidente?
Não.
Foi ideia sua roubar a Casa da Moeda?
Não.
De quem foi?
De meu pai.
Morreu antes de poder fazê-lo. Isto é uma homenagem.
A história das porras das maçãs.
A história da cidra ecológica...
que me contou na cama, ontem, era a história do roubo?
E eu, ouvindo como uma idiota!
Está rindo de mim desde o começo, desde o primeiro momento.
Não estava rindo de você. Veja o polígrafo, por favor.
Olhe.
Meu pai tinha um filho doente.
e nem um centavo.
O que você teria feito?
Ele passava o tempo pensando em roubos
para pagar por um hospital nos Estados Unidos.
Por desespero.
Para salvar minha vida.
A mim.
Porque ninguém...
ninguém o ajudou.
Quando tentou, foi morto a tiros...
nas portas de um...
de um banco.
Essa é a verdade.
Há muitas formas de entender o que é justo.
Achou que eu fosse alvo fácil, por ser uma mulher maltratada?
Pensei, sim.
Quando vazou para a imprensa
minha recusa de liberar oito reféns em favor de Alison Parker,
sabia que eu seria publicamente linchada?
Que destruiria minha carreira, na frente de minha mãe e minha filha?
Sim.
Certo.
Dormiu comigo só porque...
-sou a inspetora encarregada? -Não.
-Dormiu comigo porque sou a inspetora... -Não.
Pare de mentir, porra!
-Não estou mentindo. -Espera que eu acredite
-que sente algo por mim? -Não espero que acredite.
Raquel, é o que sinto. Eu não esperava.
Mas aconteceu. Comigo e com você.
Aconteceu com você, também, Raquel. Por que estamos aqui?
Por que não estou em uma cela? Que porra é essa?
Você é a louca de Misery? É algo que ambos sentimos.
Nós dois, entende? Aconteceu com os dois.
Sim, Suárez.
- Inspetora, Silene Oliveira escapou. -O quê?
Estava indo para o tribunal para depor para o juiz.
O comboio foi assaltado por um grupo da Europa Oriental.
Ativei a Operação Jaula. Espero que não tenham saído de Madri.
Peça imediatamente ao juiz um mandado de busca internacional.
Quero que bloqueiem estradas, portos e aeroportos.
Patrulhas em todas as fronteiras.
Tóquio escapou.
Foi você que libertou uma assassina de uma prisão de máxima segurança,
estando detido aqui?
Deixei tudo preparado antes de ir encontrá-la no café.
Desculpe por recebê-lo assim, mas acabo de chegar.
Radko, sinto muito por seu irmão.
Tinha tudo calculado até os detalhes?
Eu lhe contei tudo.
Vim aqui sem opor qualquer resistência.
E, se deixei que me interrogasse, é...
porque...
quero ser honesto. Não aguento mais.
-Esta mentira. -Cale-se.
-Não queria magoá-la. -Cale-se!
-Tudo isto é um alívio. -Cale-se de uma vez, porra!
Não vou continuar a ouvir. Ouça.
De agora em diante, vai falar diretamente com o juiz.
Levante-se.
Levante-se, droga!
Vire-se.
Ande!
Continue.
-Sinto muito, Raquel. -Continue andando.
Vou atirar em você. Vou...
Já ouviram a expressão: "entrar na toca do leão"?
Um telefonema para Alison Parker de um número desconhecido. Localize.
-Sim? -Rio?
É Tóquio.
É Silene Oliveira.
Grave! Localizem a chamada.
Onde está? Espere.
- Estão nos ouvindo. -Não importa.
É uma chamada de amor.
E a polícia adora o amor.
Ouça.
Lembra-se da porta
aonde me levava mamãe, quando eu tinha medo?
-De que porta está falando? - Sim, amor.
Claro que me lembro.
-O que tem? -Vou entrar por ela.
Vou entrar pela porta do céu, pois meu anjo da guarda não está aqui.
Em um minuto.
-Amo você. -Também amo você.
Que porra de chamada é essa?
Pareceu uma despedida.
Senhor, veículo não autorizado entrando no perímetro.
Todos a seus postos!
Ei! Você!
É ela.
A porta.
A porta.
Merda, a porta!
Atenção! É Silene Oliveira.
Tóquio voltou!
Tóquio voltou!
No chão!
Temos de abrir a porta, droga!
Atirem no alvo. Atirem no motociclista.
Atenção, fogo.
Vamos.
Não! Temos de dar cobertura, porra!
Sequestrador na mira. Fogo.
Papai, cuidado!
Cubram-se. Atrás.
Porra!
Porra!
Moscou.
Moscou.
Legendas: Marcia V. A. Torres
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