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UM FILME ORIGINAL NETFLIX
�s perfeita. � imposs�vel deixar-te mais bonita.
Tenho o vestido, mas a princesa est� doente.
- N�o acredito. - O que podemos fazer?
D�-lo a outra crian�a.
Quem quer usar o fato de Branca de Neve?
Eu!
Tinha cinco anos
e a rapariga mais bonita da turma nunca tinha reparado em mim.
Salvaste-nos.
Finalmente senti que olhava para mim.
Vai.
Foi maravilhoso.
Chamava-se Aurora. Eu pensei que morria.
Mas n�o morreu.
O que significa isso?
- O amor � perigoso? - N�o tenho medo das mulheres.
A quest�o n�o � essa. Elas gostam de mim, isso n�o � problema.
- Ent�o, porque est� aqui? - J� lhe disse.
Eu... demoro muito tempo a lavar os dentes.
Costumava demorar tr�s minutos, como recomendado pelos dentistas.
Agora, posso demorar meia hora. Se n�o o fizer, sinto-me mal.
Apresento-vos... o Pil�metro!
� uma aplica��o que regista com que frequ�ncia fa�o sexo num ano
e que compara os resultados de um ano para o outro.
A n�vel gr�fico, � muito divertido.
Se o sexo for frequente, o p�nis cresce, como o nariz do Pin�quio.
Uma, duas, tr�s... at� 25 vezes.
Vejam aqui.
H� uma pequena descida, mas volta a crescer em 2016.
- E qual � o papel das mulheres? - Boa pergunta. Sophie, n�o �?
- Sim. - As mulheres t�m um papel importante.
Clica-se num separador para definir os perfis e escolher um.
Loira, asi�tica, morena...
- � uma piada? - Mais ou menos. Chama-se humor.
Posso explicar-te melhor ao jantar, se estiveres livre.
Adorei! � divertida, est� na moda... Podemos lan�ar uma vers�o gay.
- Vamos brindar. Vai ser um sucesso. - Obrigado, chefe.
- Posso oferecer-lhe um copo? - � muito direta.
� a sess�o de aut�grafos do novo livro do Christophe Lamy.
- � o gordo que est� ali? - �.
Champanhe? Sumo de laranja?
- � mesmo alta. - Tem algum problema com isso?
Champanhe. Sabe o nome do cocktail com champanhe e sumo de laranja?
Sim, chama-se mimosa. Com licen�a.
Ao diz�-lo, a sua boca forma um cora��o. � muito bonito. Diga outra vez.
- Tudo bem, Christophe? - Sim, e consigo? Vi-a a namoriscar.
- Poupe-me! - Ele estava a incomod�-la?
- Nem parece dele. - Conhece-o?
Conhe�o-o h� 20 anos. � encantador.
- Mimosa. - Outra vez.
Mimo... j� chega!
- O azul fica-te bem, Sybille. - Sim?
D�-te um ar s�rio.
- Vim agora do trabalho. - O que � que fazes? Esque�o-me sempre.
- Sou advogada... - Desculpa. Anda c�, n�o olhes para tr�s.
- Quem � a morena dos l�bios sensuais? - Esquece, j� todos tent�mos.
- Deve gostar de mulheres. - Diz l�, quem � ela?
A minha assistente, Alexandra. � um pesadelo.
Damien!
Ol�, princesa! Est�s boa? Est�s t�o bonita.
- Onde estiveram? - No recital de ballet da Suzanne.
- O meu livro n�o � importante? - Sim, mas a vida tem de continuar.
Bem, o que vamos fazer?
- Tenho fome. Posso ir a vossa casa? - Boa ideia.
Hoje, n�o. Os mi�dos t�m de comer, fazer os trabalhos de casa...
N�o sejas desmancha-prazeres, Lolo.
Ele � t�o engra�ado. N�o fazes a m�nima ideia, Damien.
N�o admira, n�o tens de pensar em mais ningu�m.
Enfias-te na nossa casa cinco dias por semana. � bom, n�o �?
Depois do trabalho, vou �s compras, cozinho e lavo a lou�a dia sim, dia n�o.
- N�s levantamos a mesa. - � verdade, s�o muito simp�ticos.
Mas gostava de inverter os pap�is no dia do meu anivers�rio.
Boa ideia, vamos fazer isso. Quando fazes anos?
Pergunta ao Christophe.
- Vamos, meninos. Vens, Sybille? - � hoje?
- Vou pagar caro por isto. - Merda!
Faz um esfor�o. Vamos a uma florista. Anda l�. Ela est� danada.
- Obrigado, Alexandra. Pode ir. - Est� bem.
- At� amanh�. Parab�ns, mais uma vez. - Ent�o, e n�s?
- Quando nos vemos de novo? - Noutra vida.
Nega. Ela suspeita que a trais?
- Nega. Ela n�o tem provas. - Pois.
- Ol�, Erica. - Ol�, Damien.
- Vai uma bebida r�pida? - Tentadora. Malandra.
Damien? Ent�o?
CEMIT�RIO DO PADRE LACHAISE
Damien?
A ambul�ncia vem a caminho. Consegues ver-me? Estou aqui.
CEMIT�RIO DA MADRE LACHAISE
Ol�. Afaste-se, por favor. Consegue ouvir-me?
- Sim. - Abra bem os olhos.
- � bonita. - O que aconteceu?
Duas mulheres come�aram a perseguir-nos.
Fugimos e ele foi contra um poste. Apanhei um susto valente.
- Que idade tem? - Uma idade que mata.
Est� ferido? Esteve a beber?
- Uma mimosa conta? - Cala-te!
Toma alguma medica��o?
- A p�lula, n�o �? - N�o gozes, Christophe.
N�o lhe ligue. Estou bem.
- Vou j� para casa. - Est� bem. Vive longe?
A duas ruas daqui. E a menina?
- V�, apoie-se em mim. - Estou bem, a s�rio.
- Muito obrigado. - Continua��o de bom dia.
- Obrigado. Est�s bem? - Estou.
Pregaste-me um susto.
Andam a passear?
- V�o sair sem n�s? - Encomendei pizas.
- Os mi�dos est�o � espera. - Certo.
At� logo.
H� qualquer coisa na Sybille. Gosto dela.
N�o � muito avantajada, mas � porreira. Seria um bom partido.
N�o estou a pensar em casamento. As cal�as est�o a esmagar-me os tomates.
Ser� que engordei? Se calhar, encolheram.
- � um modelo push-up? - O qu�?
- Porque levantas o que est� desca�do? - Est�s maluco?
Tens raz�o. Ia ficar feio.
Tenho frio. Bebemos demasiado?
Toma, p�e o meu len�o.
- Se precisares, liga-me. - Est� bem.
Levanta o tampo da sanita.
Pai, podes ensinar a tua filha a n�o salpicar a sanita toda?
- Chega! - Fizeram os trabalhos de casa?
Como est� o Rocco lindo do pap�? Anda c�.
� imposs�vel pensar.
�s insuport�vel.
Ap�s a revela��o de testemunhos de v�rios homens
por jornalistas da Mediapart e da France Inter,
diversos pol�ticos apelaram � demiss�o da deputada por Paris esta segunda-feira.
As revela��es sucedem-se e esperam-se outros testemunhos.
O que nos leva a perguntar: porqu� hoje?
O que � isto?
Que roupas s�o estas? Quem p�s isto aqui?
Ter� sido a dinamarquesa marada?
Onde est�o as minhas cal�as?
Merda.
Cal�as de treino cinzentas. T-shirt branca?
- Ol�. - Ol�.
Belo sorriso. Charmoso.
BONZ�O
- O que fazes aqui? Onde est� a Gladys? - Ol�. Est� no escrit�rio.
No escrit�rio? Que fina...
- Cuidado, a t-shirt � transparente. - Deixa-te excitado?
- N�o � comigo que tens de te preocupar. - Cala-te.
- Ol�. - Ol�.
Ol�. Bom dia.
Ol�.
Est� bem.
Que conjunto de beldades.
- Onde est�o os homens? - Fazemos o que podemos. Temos de falar.
- Bela t-shirt. Muito sexy. - Obrigado.
- Sou todo teu. - Vai � frente.
N�o vou estar com rodeios. N�o aprovei o teu projeto.
Senta-te.
Trabalhaste muito, como � habitual. � inteligente, mas talvez em demasia.
- Foi isso que o Marco disse? - O Marco?
Que indelicadeza. Bebes um caf�? Marco, dois caf�s, por favor.
- Sophie, n�o brinques. - S� realista, Damien.
As nossas clientes procuram um humor feminino, um pouco vulgar, mas eficaz.
O que tu prop�es � muito rebuscado. N�o admira que uma mulher te ofusque.
Uso Super Plus. Tenho per�odos abundantes.
- Sabes que gosto muito de ti. - Tamb�m gosto de ti, mais do que julgas.
N�o falta muito para os teus projetos serem aprovados.
- A s�rio? - Sim.
Gosto da ideia da Fabienne por ser divertida e atual.
Lan�aremos uma vers�o l�sbica. Vai ser um sucesso.
- Est�s bom, Marco? - Sim, e tu? Almo�a comigo.
- Trouxe tabouleh. - Mostras-me o projeto que escolheste?
Toma.
Vulv�metro?
- N�o podem fazer isto. � nojento. - Vou deixar-vos a s�s.
Eu...
N�o sei que brincadeira � esta, mas vais arrepender-te.
Vou dar-te um conselho. Tira uns dias, descansa um pouco.
Esfor�aste-te muito, precisas de tempo para ti.
Sai com os amigos, vai ao spa, diverte-te ou fica em casa com o gato.
- Mas volta com a anima��o do costume. - Calas-te? � o meu projeto.
Ouviste? N�o brinques comigo.
Vai-te embora e n�o voltes.
Chanfrado. Tarado.
Uma cerveja, por favor.
- Bom dia. - Bom dia.
- Obrigado. - Podemos fazer o pedido?
Podemos fazer o pedido?
- N�o ou�o homens que usam len�os. - Porque n�o? O que lhe fizemos?
S� queremos um caf�. Que mal tem isso?
Eu digo o que me apetece. O caf� � meu e fa�o o que quero.
� sempre a mesma coisa.
Seja por cobrirmos a cabe�a
ou por vestirmos roupa curta, chateiam sempre os homens.
Ningu�m chama a aten��o �s mulheres.
J� reparou?
- Pai? M�e? - Ol�, querido. Que cara � essa?
Pareces um veado encandeado.
Aqui est�.
Ora, vinte. Tenho de lhe dar doze de troco.
- Obrigado. - Obrigado, Sr. Fernandez.
Como est� o seu pai?
Mais ou menos. � igual a si, sempre pronto para arranjar as unhas.
- Os pormenores fazem a diferen�a. - � verdade.
- At� � pr�xima. - Adeus, Sr. Fernandez.
Est� tudo bem, filho? Problemas no trabalho outra vez?
- Se tivesses algu�m para te apoiar... - N�o comeces, Alain.
O que foi? Estou desejoso de ter netos.
O que foi que disse agora?
J� leu o relat�rio do neurologista. O exame mostra que est� tudo bem.
- N�o preciso de ver as radiografias. - Algo se passa. N�o � normal.
Dois tipos expulsos de um bar por usarem len�os floridos.
O mundo est� perdido, ou ent�o ca� num buraco negro e...
- Vim parar a um universo paralelo. - Acha que sim?
- Ou isso ou estou louco. - Pelo contr�rio, parece bastante l�cido.
Se lhe perguntar quem � a Presidente da Rep�blica... Desculpe...
Saber� a resposta.
Se n�o souber, prometo que o reencaminho para uma psiquiatra
ou que o mando internar, mas n�o creio que seja necess�rio.
Cuidado!
CEMIT�RIO DA MADRE LACHAISE
CEMIT�RIO DA MADRE LACHAISE
CEMIT�RIO DA MADRE LACHAISE
- Ol�, Sybille. - Damien.
- Como est�s? - Bem, e tu?
- Queres ir beber um copo logo � noite? - Logo � noite?
Ol�.
N�o � o que pensava.
Disseram-me que era perfeito para um primeiro encontro,
mas deviam estar a gozar.
N�o faz mal. Adoro o var�o.
Bem, n�o tinha reparado.
Se n�o te sentires � vontade, podemos ir a outro lado.
N�o h� problema.
Vejo que optaste pelo visual de lenhador.
- Sim, gosto de camisas de xadrez. - Espera. N�o tenhas medo.
- J� est�. - O que bebes? Champanhe?
- N�o, o vinho branco provoca-me azia. - O qu�?
Provoca-me azia. Bebo uma cerveja. Faz barriga, mas estou com sede.
Desculpa.
Tens um sorriso bonito.
- Sim? - Nunca te disseram?
N�o, mas obrigado.
- Est�s sob o efeito de alguma coisa? - Talvez, n�o sei.
- Cogumelos m�gicos, talvez. - Desculpa.
Desculpa.
O meu namorado deixou-me porque eu n�o queria ter filhos
e o rel�gio biol�gico dele estava a dar sinal.
- Tens filhos? - N�o.
- N�o tens pena? - N�o tenho porque n�o quero.
�s corajoso. � bom haver homens como tu.
- Espera. Onde est� o interruptor? - Ali.
- Desculpa, mas n�o posso. - N�o podes, o qu�?
- �s peludo como um macaco. - E ent�o? Qual � o problema?
N�o consigo tocar-te. Fico bloqueada.
V� l�, Sybille. Testa os teus limites.
- Acho repugnante. - Fecha os olhos.
Ouve... Sou um macaco. Eu...
Passa a bola, ela est� sozinha.
D�s-me dinheiro para toalhetes desodorizantes para as cuecas?
- As coisas de homem s�o com o pai. - � uma coisa natural.
- Leva os meus. Depois compro mais. - Adeus, Damien.
- Vou para a aula de dan�a. - At� logo.
Talvez tenhas um problema hormonal. Andas nervoso, est�s a perder cabelo.
Precisas de fazer alguma coisa. Ser atraente d� trabalho.
Sei que � dif�cil, mas o que se passou pode ser um sinal.
J� n�o temos 20 anos. Antes, fic�vamos bem de jeans e t-shirt.
Agora, j� n�o � assim. O que decidiste quanto ao teu trabalho?
O que est� a �rbitra a fazer? Aquela placagem � para cart�o amarelo.
- Amor, os teus queques est�o deliciosos. - Acaba com eles para eu n�o comer.
Ser despedido por neglig�ncia � mau. Se n�o contestares, lixam-te.
Falei sobre isso com a Lolo. Querida, explica-lhe como recorrer.
Podes ir ao tribunal de trabalho, mas � um processo demorado.
Precisas do apoio de uma associa��o masculinista
que combata a discrimina��o dos homens no emprego.
As cabras das inglesas est�o fora de jogo!
Olha para aquilo. Vai! Ela est� sozinha.
Espetacular, acho que vou chorar. Vai, querida. Ensaio!
- Foi t�o bom! - Est�s a mijar-te?
Lolo, mijaste-te.
Rebentaram-me as �guas. Traz as chaves.
- N�o queres que conduza? - N�o, eu fico bem.
Respire fundo e fa�a for�a.
Pare de fazer for�a. Os ombros est�o a sair.
Isso, muito bem.
- Parab�ns. - Lamento.
- Nasceu antes do previsto. - � a chefe dele.
Ent�o?
Ele antecipou a licen�a de paternidade e ela est� desesperada.
- Quem? - A Alexandra.
A Alexandra.
- A Alexandra? - Alexandra Lamour. Quem havia de ser?
Sim, claro.
Se quiser, eu informo a pessoa escolhida por si para me substituir.
N�o sei quem ser�. Havemos de encontrar algu�m.
- N�o � m� ideia. - N�o me importo de ajudar.
Alexandra, posso ter uma solu��o.
TORNAR-SE ADULTO
Est� aberta.
Entre. N�o se importa de descal�ar os sapatos?
Claro que n�o. Desculpe.
O azul fica-lhe bem. D�-lhe um ar s�rio.
Venha, Fabien. N�o tenha medo.
- Chamo-me Damien. Ol�. - Sim.
- � mesmo alto. - Tem algum problema com isso?
N�o, problema nenhum.
- O que � isso? - � a Ziggy, o meu camale�o-f�mea.
Veja como ignora as visitas.
O que se passa? Os meus abdominais deixaram-no sem palavras?
Pode tocar. S�o duros como pedra.
Com mais for�a.
- Vou mago�-la. - Duvido.
Estou com pressa, mas devo mostrar-lhe os cantos da casa.
Quer caf�? N�o, fa�a-me um enquanto me preparo.
Gosto de caf� forte.
E eu gosto de ti.
- � o carro do Mollino? - Como sabe isso?
Pela silhueta. � impressionante.
- Conduzi-o. - O Nardi Bisiluro?
- O Nardi Bisiluro. - Motor Giannini.
- Com 735 cent�metros c�bicos. - E 62 cavalos.
- 7000 rota��es por minuto. - 450 kg.
- Vinte e quatro horas de Le Mans. - 1955.
Esta secret�ria � sua. A minha est� ali.
N�o lhe toque. Vai tratar da papelada e do livro de cheques.
� uma tarefa ingrata, mas poupa-me tempo. Adoro post-its.
Vai conhecer o zelador, Sr. Martel. Faz a limpeza de manh�.
- Tenho de escrever, mas noutro s�tio. - Hoje n�o voltamos a ver-nos?
- Porte-se bem. - Posso saber o que est� a escrever?
N�o, n�o pode.
RATOS E MULHERES SENHOR BOVARY
- Leu os livros da Sra. Lamour? - N�o.
Mas devia. N�o digo isto por serem �xitos de vendas.
As hist�rias dela fazem-me viajar.
V�-se que s�o de uma mulher. S�o poderosas.
Poderosas por ela ser mulher?
- Que coisa parva para dizer. - Tem raz�o.
Quero dizer que n�o s�o lamechas, t�m suspense,
t�m... Adoro-as, � isso.
Gostaria de reservar uma mesa em nome da Sra. Lamour,
duas pessoas para amanh� � noite.
Sim, no exterior � mais agrad�vel, porque n�o?
Sabe com quem ela vai jantar?
N�o ando a cont�-los. N�o conseguiria acompanhar.
- Quer ajuda? - N�o, obrigado. Est� quase.
D�-me isso. Ainda magoa as suas lindas costas.
- Esteve a observar-me? - Estive, Damien.
N�o fique ofendido, s� queria ajudar. Venha.
N�o � preciso, j� disse. Al�m disso, vamos ficar por aqui.
J� fiz o que tinha a fazer. Tem aqui a �gua e as suas chaves.
- O que quer dizer? - Sejamos honestos.
- N�o tenho perfil para este trabalho. - O que se passa? Est� nervoso?
Vai ter um esgotamento?
Quer saber o que se passa, Alexandra? Eu n�o perten�o aqui.
Acordei uma bela manh� num mundo onde as mulheres me d�o ordens.
- N�o me venha com tiradas masculinistas. - N�o percebe. Como hei de explicar?
Imagine um mundo onde as mulheres se p�em bonitas para mim, onde as elogio.
Se forem especialmente sensuais, at� lhes assobio.
- Que horror. - Que felicidade, quer dizer.
Acordo num mundo encantado onde n�o sou secret�rio de ningu�m.
Crio aplica��es para uma ag�ncia de marketing m�vel.
Tirei um curso de engenharia e o meu chefe acha que sou um g�nio.
Pe�o desculpa. Esta manh�, esqueci-me de lhe pedir o seu curr�culo.
Mas a culpa tamb�m � sua. Distraiu-me.
Com o Christophe n�o tenho esse problema. � f�cil ignorar aquele monte de banhas.
- A Alexandra n�o tem salva��o. - N�o fique assim. Venha passear comigo.
- Vai ver. Este b�lide n�o � mau. - Estou-me nas tintas para o seu carro.
Acha que me impressiona? As jantes em alum�nio s�o foleiras.
Anda ver a minha pista de aterragem
Est�s a sentir?
- Est�s a sentir? - O qu�?
Toma.
N�o.
Sybille, est�s bem?
Sybille? Ainda n�o acab�mos.
Sybille!
N�o. Passaste dos limites.
O que foi isso?
- O qu�? - O que foi isso?
Foi o Rocco, o meu gato. N�o gosta que durmam na minha cama.
N�o te importas de ir embora?
Est� a arder.
Hoje estiveste em grande forma.
Voltaste ao mundo dos vivos?
- Obrigado, mas � demasiado. - Mereceste.
- Recebeste o teu adiantamento? - Em breve.
Gastadora. N�o sei como podes gastar dinheiro que n�o tens.
Pe�o emprestado a uns e a outros.
Tem cuidado. Um dia destes, ainda te rebentam a cara.
Jantas comigo? Encomendo alguma coisa?
N�o.
- Tenho uma cliente � espera. - N�o te esque�as disto.
N�o � minha. Ainda n�o deixo a escova de dentes na tua casa.
Annabelle fodia por Paris sem prazer.
Annabelle fodia por Paris.
N�O SOU UM HOMEM F�CIL
OLHO POR OLHO, MAMA POR MAMA
- N�o sei se isto faz o meu g�nero. - Nem o meu.
Quando a Lolo falou nisto, pensei que fosse uma sex shop.
Ol�. Christophe, muito gosto.
As start-ups geridas por jovens s�o t�o sexistas como as outras empresas.
�s vezes, � mais amb�guo, mais insidioso.
Infelizmente, a tua hist�ria n�o � nova. Vamos ajudar-te como pudermos.
Saibam que somos, acima de tudo, um grupo de a��o.
Aparecemos com mamas em locais dominados por mulheres:
conselhos de administra��o, Academia de Medicina, festivais...
Fazemos como se f�ssemos uma delas. Quantos mais, melhor.
� uma troca, como o sexo.
- Certo. - Estou a ver.
- Dar e receber. - Somos tr�s. Dois mais uma.
- Ela � o futuro. - Tens raz�o. � simp�tico dizeres isso.
Sim.
O que t�m os meus ombros?
Gostas deles?
Gosto.
N�o os acho suficientemente redondos.
N�o sei onde guardas a saladeira.
- Deixo c� fora. - Obrigado, pai.
Foste simp�tico em convidar-nos, querido.
Deves ter coisas melhores para fazer.
- E as minhas coxas? - Tamb�m gosto delas.
- Devo ser adivinho. - V� o meu rabo ao espelho.
V� quem �. N�o te incomodes connosco.
- Pode ser um convite para sair. - Achas que tenho um rabo bonito?
� saindo com pessoas que se encontra a alma g�mea, sabes?
- Sim, muito. - Tens namorada?
E os meus mamilos? Gostas deles?
Nunca nos apresentaste ningu�m.
N�o percebo. �s giro, aparentas ser mais novo...
N�o devias viver sozinho com um gato.
- Deve haver uma mulher solteira... - O que � que n�o percebes?
N�o h� s� uma mulher, pai! H� tr�s mil!
Tenho a maior cole��o de preservativos de Paris!
A �nica raz�o por que n�o vos apresento ningu�m
� porque no dia a seguir n�o me lembro dos nomes.
"�s 23h no bar Le Normandy." Nem sei quem ela �.
Tenho mulheres como tu tens salsichas. Qual � o mal de ser solteiro?
- Porra! - Fazer uma boa salsicha leva tempo.
- Onde fica o bar? - Ao fundo, do lado esquerdo.
O lenhador ataca de novo.
- N�o era mau de todo. - N�o, mas...
Ele veio.
N�o lhe chegou? N�o fui suficientemente claro?
Sim, foi bastante claro. N�o tenciono voltar a contrat�-lo.
- Champanhe? - Bruto ou ros�?
- Os senhores costumam preferir ros�. - Bruto.
Bruto, ent�o.
Sabe o nome do cocktail com champanhe e sumo de laranja?
- N�o. - Mimosa.
A sua hist�ria do mundo ao contr�rio n�o deixa de ser interessante.
- Deixou-me a pensar. - A s�rio?
Sim. As mulheres n�o se saem mal no seu mundo.
Os homens d�o-lhes presentes, ficam a segurar as portas...
- Faz isso de prop�sito? - N�o, porqu�?
Claro. N�o podia saber.
De manh�, estava muito masculino. Agora, parece uma adolescente.
- N�o devia ter usado suspens�rios. - E se parasse? Deve ser cansativo.
- Esquece-se de que � mulher? - N�o vivo obcecada com isso.
Mentirosa.
Quando acorda, vai mijar, toma um duche, faz o seu boxe,
assina livros para os seus admiradores, cruza-se com um homem, observa-o,
olha para as pernas, o pesco�o, o rabo, leva-o para a cama, f�-lo vir-se...
E esquece-se de quem faz tudo isso?
V�-se que a psicologia feminina n�o � o seu forte.
Somos iguais, Alexandra.
Tamb�m marco encontros em bares de hotel. O quarto � confort�vel?
Portanto...
Se bem percebi, no seu mundo,
as mulheres defendem a partilha de tarefas dom�sticas.
Como � um preservativo masculino? Uma coisa apertada?
� muito f�cil de colocar. Quer que lhe mostre?
No meu mundo, os femininos n�o tiveram sucesso.
Tiveram de repavimentar a estrada ap�s a sua nave aterrar?
Acha que estou b�bedo? E estou.
Mas se continuar a gozar, calo-me.
Deu-me uma nova raz�o para viver. Podia ficar horas a ouvi-lo.
Sim? O que foi? N�o te posso beijar?
N�o. Vai portar-se bem e apanhar um t�xi para casa.
N�o gostas de mim?
� lindo como tudo, mas nunca me aproveito de um homem b�bedo.
O que � isso? Amabilidade?
Como quiser: boas maneiras, cortesia. Vai agradecer-me de manh�.
N�o percebes. Se n�o me beijares hoje, perdes a tua oportunidade.
- V�. - N�o te fa�as dif�cil.
Sabes que �s bonita.
Da pr�xima vez, n�o o deixo beber u�sque.
N�o haver� pr�xima vez, ouviste? � pegar ou largar. Ent�o?
Boa noite. N�o se v� embora enquanto ele n�o entrar no pr�dio.
N�o, leve-me a uma discoteca nos Campos El�sios.
N�o preciso de uma gaja daquelas. Tenho as mulheres que quiser.
Pretas, brancas, verdes, todas.
Que fun��es desempenham?
Empregadas de limpeza, educadoras, enfermeiras, secret�rias.
- Seria incapaz de ter uma secret�ria. - Mas podia ser uma, Alexandra.
Trabalharia para mim. N�o seria como � agora.
Um masculinista? Faltava na tua lista de conquistas?
Desta vez, � diferente. O Damien ser� o meu pr�ximo livro.
Passaram-se tr�s anos desde o �ltimo. Conta-me mais.
Tenciono mostrar que estes tipos s�o iguais aos outros.
Qual � o seu sonho? Assentar.
� humano. Querem que os amemos,
que os seguremos nos bra�os e os tranquilizemos.
Quando se apaixonar por mim,
est� lixado, por muito construtivo que seja o seu discurso.
E quando eu o deixar, vai chorar para os bra�os do pap�,
enquanto lhe dou umas palmadas com o meu livro.
O melhor � que n�o passar� despercebido.
Viste que a deputada teve de se demitir?
A testosterona dos masculinistas est� ao rubro.
- � corajoso ir atr�s deles. - A prop�sito, quero um adiantamento.
Alex, tens a mem�ria curta.
Nunca concordar�o em dar-te mais. Escreve qualquer coisa e eu conven�o-os.
Annie, estou na merda.
As coisas v�o mudar.
Dormiu bem?
Gostava de ir a um cocktail esta noite?
- Gostava de lhe apresentar uma amiga. - Verei o que posso fazer.
A sua ideia foi boa, Damien.
As flores que lhe dei v�o murchar,
enquanto o seu cato grande chamar� sempre a aten��o.
- Vim ver a minha afilhada. - Est� a dormir.
Vamos convidar o meu irm�o para ser o padrinho.
A s�rio? Voc�s � que sabem. Posso entrar?
Eu sei, eu sei. Queria ter-te contado, mas fiz merda.
N�o quero trabalhar para uma gaja daquelas. Ela curte-me.
Estragas-nos as noites porque n�o engatas ningu�m.
- Eu? - Ou ent�o atiras-te a trambolhos.
Agora todas te querem? Desculpa, isso � pat�tico.
- Viste o que fizeste � Sybille? - O teu mal � seres intransigente.
Vindo de ti, � um elogio.
�s intransigente e agarrado � tua vidinha e aos teus h�bitos.
Nem v�s como a tua mulher te trata. Aceitas tudo.
E tu n�o aceitas nada.
Est�s desempregado e vives com o teu gato.
O que tem o meu gato?
A vida � feita de compromissos. E se a tua asneira me custasse o emprego?
Escrevias sobre queques.
Que maldade.
Digo isto para o teu bem, porque gosto de ti. Percebes isso?
N�o tinha problemas com a Alexandra at� tu apareceres. Tratou-me sempre bem.
Sabes como te chama? Monte de banhas. Simp�tica, n�o �?
- Sai. Nunca mais te quero ver. - Melhor assim.
Tu assustas-me, Christophe.
O que achas?
Tens raz�o.
Sim.
Na semana passada, estive em Seattle. A seguir, tenho uma reuni�o em Marselha.
- O teu marido est� radioso. - Obrigado. Ela nunca me elogia.
Ainda bem que est�s aqui.
- Deixa-te de lam�rias. - Alexandra. J� se conhecem?
- Ol�. - Viva.
Alexandra Lamour. Brigitte Magre e o marido.
- Boa tarde. - O meu marido � um admirador seu.
- Boa tarde. - Os seus livros s�o inspiradores.
- Obrigada. - Ela est� a escrever uma obra pol�mica.
Que bom. Qual � o tema?
Fala sobre o mito da domina��o feminina. Podemos descrev�-lo assim?
- Com licen�a. � ele. - Agora seduzes maiores de 26 anos?
N�o estou a seduzir, estou a estudar, lembras-te?
Assim est� bem.
- Como est� o Jean-Pierre? - �timo.
- Boa tarde. - Boa tarde, Damien.
Annie Meyer, a editora. Posso dar-lhe um beijo?
Nunca perco a oportunidade de beijar um homem bonito.
- J� bebia qualquer coisa. E voc�s? - Eu vou buscar.
Ouvi dizer que defende a causa do masculininismo.
Quando vier a revolu��o, planeia cortar-nos as cabe�as?
- N�o � uma guerra. - O que reivindica, ent�o?
Para al�m do direito a usar fato?
Boxers para homem. J� usou fio dental? � uma verdadeira injusti�a.
Acho que � imposs�vel saber sem experimentar.
O que o incomoda? Elogiarem-no, trazerem-lhe bebidas?
N�o � muito coerente.
Ao eterno masculino.
� um enorme choque cultural, Alexandra. Sinto falta de ver mulheres de saia.
Pernas, coxas, saltos altos, meias de rede, cuecas de renda.
- Mas a mala tem dado jeito. - Eu fa�o isso.
Se soubessem como � atraente um decote com o soutien � mostra.
Admira-me que goste disso.
Uma mulher a caminhar...
Ouvir o ro�ar dos collants e da gabardina a cada passo que d�...
O som do soutien e de um fecho a serem desapertados.
Creio que isso se pode arranjar. Venha. Venha comigo.
- RV, de "rendez-vous"? - N�o, "retaguarda e vanguarda".
- Boa noite. - Boa noite.
Boa noite.
Isto � o para�so.
- � gay? - O qu�?
- � homossexual, n�o �? - Claro que n�o.
� �bvio que sim, tal como a maioria destas pessoas. Descontraia.
Superioridade f�sica. N�o podes fazer nada, � natural.
No meu mundo, os homens pr�-hist�ricos faziam as mulheres passar fome,
deixando-lhes apenas os restos da ca�ada.
Foi isso que as tornou fr�geis.
Durante milhares de anos.
No meu, as mulheres eram o sexo forte e foram escolhidas para ter filhos.
Iam ca�ar no ver�o e no inverno, enquanto os homens cuidavam dos filhos.
No meu, s�o os homens que lutam, que se enfrentam e travam guerras.
No meu, as mulheres ficam por cima. Onde pensas que est�s?
Na minha casa.
Espera.
O que est�s a fazer? Anda.
- Tens um nariz bonito, sabias? - Beija-me.
- O que est�s a fazer? - Tenho de ir.
- Tenho um jogo de p�quer. - Essa mentira � verdade?
Volta a dormir.
Gosto de ti.
Eu tamb�m gosto de ti, mas n�o sou boa pessoa.
Nem eu. Posso desaparecer e nunca voltar a ligar-te.
Experimenta.
PORCA
Alonga, olha para cima.
Estica os bra�os e cruza-os.
Outra vez.
Isso.Failli para fora.
E...
Um, dois, tr�s.
Mant�m.
Isso. Est� muito bonito.
- Erica, traz-nos mousse de chocolate. - N�o, vou engordar.
- N�o digas disparates. - Tenho cuidado, s� isso.
Como est� o teu pai? Disse-te que discutimos?
Sim, mas acho que lhe devias ligar.
Mas agrade�o-te por vires.
- O que se passa? - H� uma rapariga... na escola.
- Estou apaixonado. - Que bom.
Chama-se Sarah. � linda.
Acontece que, no outro dia, eu estava na casa de banho...
- Ela entrou e pediu-me para a lamber. - Estou a ver.
Certo.
- E eu obedeci. - Est� bem. E ela fez-te...?
N�o me fez nada. Acariciou-me aqui, mas foi tudo.
Que simp�tico da tua parte. Sam, olha para mim.
Fizeste-o porque quiseste?
- N�o tive grande escolha. - H� sempre escolha.
As raparigas n�o te podem obrigar a fazer um minete. N�o � assim.
- N�o sei o que fazer. - Esquece-a. H� outras raparigas.
� o que mais h�.
J�?
- Pensei que n�o te veria outra vez. - Finge que n�o estou aqui.
Isto � mau. Algu�m te anda a incomodar?
O teu bairro � perigoso.
Podia aproveitar que est�s aqui para chamar uma pintora.
Tenho uma reuni�o. N�o te importas de esperar por ela?
N�o.
Se te aborreceres, o teu cargo continua dispon�vel.
- Sabes que n�o passo sem ti. - Sem sal�rio? Vai sonhando.
- Quanto queres? - Ganhas assim tanto?
Devo-te isto...
- Posso dar-te... - N�o.
E se te pedir para me engomares umas camisas?
Esta semana, o Sr. Martel fica a tomar conta dos sobrinhos.
- N�o sabes engomar? - N�o.
Tenho uma ideia. Vamos sair � tarde. Levo-te �s compras, queres?
Quero mimar-te, devo-te isso. Meu amuleto da sorte.
Vire a sua camisa. Humede�a o colarinho, se necess�rio.
Passe-o pelo direito. Aperte os dois bot�es de cima.
- Fala uma l�ngua bonita. - Obrigada.
O que � uma porca?
� um animal, a mulher do porco.
Mas tamb�m � um insulto.
Significa "badalhoca".
- Tarada sexual, gald�ria. - Gald�ria? Ela � uma gald�ria?
Conhe�o essa palavra. Filha da puta, bastarda, cretina!
- Cabrona! - Pronto, j� percebeu a ideia.
- Com ele, ir�s lembrar-te sempre de mim. - N�o posso aceitar.
Porqu�? N�o gostas?
� bonito, talvez um pouco pequeno.
� muito masculino. Se for grande, n�o fica bem.
- Prefiro que seja grande. - N�o �s como os outros homens.
Vamos?
Em Paris, os apaixonados s�o como turistas, n�o achas?
- O que nos chamaste? - O qu�? O que � que eu disse?
Colegas em Paris?
- Vamos? - Est�s sempre a fugir.
- N�o. - Sim.
N�o, estou aqui.
Estou aqui.
Christophe.
Chris.
Desculpa, passei das marcas.
Por favor, diz alguma coisa. N�o amues.
Desculpa.
N�o se diz "desculpa", mas sim "pe�o desculpa."
Geralmente, fa�o tudo para me livrar das mulheres,
mas com ela, tenho medo que desapare�a.
- Est�s apaixonado. - N�o.
- Seja como for, vai acabar mal. - Porqu�?
Ou decidem acabar ou s�o separados pela morte.
- Sim. - Aproveita ao m�ximo.
- Est� tudo bem contigo? - A Lolo anda a trair-me.
- A s�rio? - Vi uma conta de hotel no bolso dela.
- Confrontaste-a? - Negou tudo.
Talvez estejas preocupado sem raz�o.
Pois, mas aqui o gordo ainda n�o disse a �ltima palavra.
Vou dar cabo do gajo que anda a rond�-la.
Christophe.
- Hoje tens de ir trabalhar? - Tenho.
- Onde costumas escrever? - Depende.
- Deixas-me ler um dia destes? - O que est�s a pensar fazer?
- Tenho uma entrevista para um bar. - Isso � rid�culo.
- � um trabalho provis�rio. - Eu pagava-te o dobro.
N�o quero depender de ti. Detesto que me d�s ordens.
Que discurso masculinista gasto � esse?
- N�o � masculinista. - �, sim.
- Quero que sejamos iguais. - Que parvo�ce.
- Porqu�? - � absurdo.
Talvez seja masculinista. E se for masculinista? N�o me chateies.
Porque te zangas? Estou a dizer que gostava de nos dar uma oportunidade.
N�o sei se te posso dar o que queres.
Nem eu.
Talvez isso te tranquilize. Estamos no mesmo comprimento de onda.
� raro.
- Ol�. - Ol�.
- A Alexandra est�? - N�o. Tem marca��o?
- Quem � o senhor? - Damien, amigo da Alexandra.
Sou o Muguet. Posso? Deixei um anel no quarto.
Amigo? Deve ser, deve!
O Muguet est� aqui...
- Est� tudo bem? - Est�.
Chama a pol�cia.
O que est� a fazer? N�o!
- N�o � razo�vel. - Razo�vel?
Queres saber o que � a tua amiga? Uma tarada narcisista.
� razo�vel colecionar homens como se fossem objetos?
Cada nova conquista significa um novo berlinde.
- O qu�? - N�o viste os frascos nas prateleiras?
S�o para comparar o seu desempenho de um ano para o outro.
Percebeste agora? Ca�ste na realidade?
Estamos os dois no mesmo barco.
Ela fez-me sentir inteligente.
Senti-me importante quando me escolheu. Como pude ser t�o est�pido?
Olha para mim agora. N�o sou ningu�m. Reduziu-me a um monte de merda.
N�o te aproximes! N�o sabes do que sou capaz!
MAMAS MIN�SCULAS
- Quem � aquele tipo para ti? - Ningu�m, n�o significa nada.
N�o devias deixar entrar qualquer um.
Devo dinheiro a muita gente. H� muitas mulheres tr�s de mim.
Estava uma � minha espera l� em baixo. Dei-lhe uma tareia.
- Podes explicar isto? - O qu�?
- Os frascos nas prateleiras. - Andaste a bisbilhotar.
- � um berlinde por cada conquista? - Aquele tipo � doente.
- Responde. - N�o fa�as uma cena.
- J� puseste l� o meu? - O qu�? N�o.
Sou um pequeno ou um grande?
Achas que te podes livrar de mim sem mais nem menos?
- N�o percebo porque reages assim. - Mas �s uma rapariga inteligente.
O que pensavas? Que era virgem? Que foste o meu primeiro?
Segundo sei, tamb�m andaste bastante ocupado.
- O que queres dizer com isso? - Que n�o tens legitimidade para falar.
Sim, devo comportar-me e manter a boca fechada.
Mas tu n�o tens motivos para mudar. Enganei-me, n�o somos iguais.
- Diverte-te. - Espera.
Estou cansada deste jogo. Sinto-me adulta quando estamos juntos.
Isso n�o funciona comigo, j� o disse demasiadas vezes.
Que grande sandu�che.
Quer? � s� uma sandes de fiambre, n�o precisa de ficar toda h�mida.
Se a quiser, � sua. O que se passa? Volte, est�vamos a conversar.
- Obrigada. - Tornei-me numa v�tima.
- E o que era antes? - Um conquistador.
N�o haver� uma terceira op��o, de entreajuda entre homens e mulheres?
N�o acha que trabalhamos bem juntos?
- Como est� dos dentes? - Melhor.
- Adeus. - Adeus.
Esquerda, direita. Gancho, uppercut. Esquerda.
Esquerda, direita. Gancho, uppercut.
Recua. Se estiveres muito perto, n�o te consegues defender.
- Recua e ataca-me com menos for�a. - Tenho de bater nalguma coisa.
Esquerda. Esquerda, direita. Gancho, uppercut.
- Com menos for�a! Descarrega no saco. - Est� bem.
N�o ser� a Imaculada Concei��o o poder absoluto?
Sim, temos a Virgem Maria, mas o verdadeiro her�i � Jesus.
Gosto do teu sinal.
Gosto de ti.
Eu tamb�m gosto de ti, mas n�o sou boa pessoa.
Mal posso esperar pelo que vem a seguir. � mordaz, sugestivo.
- Sente-se que ela vai massacr�-lo. - Vai a esse ponto?
Sim, e ele nem desconfia. � maravilhoso.
N�o sei.
- O qu�? - N�o sei se �...
Assim t�o intelectualmente pertinente.
- � formid�vel, o mais cruel poss�vel. - Acho que posso ter exagerado.
Os homens n�o s�o tudo na vida. Quem quer saber dos masculinistas?
- Aqui est�o os caf�s. - Obrigada.
Podia escrever sobre uma mulher talib�.
Sobre a nova madrinha da m�fia no M�xico ou no Equador
ou sobre uma religiosa ped�fila no sudoeste ou em B�thune.
- Sei l�, talvez uma hist�ria de amor. - Est�s a meter os p�s pelas m�os.
Bons sentimentos n�o d�o bons romances.
Pensa na tua carreira. Foste sempre uma lutadora.
N�o podes abandonar um �xito garantido por causa de um tipo qualquer.
�s uma autora. Pensa com o c�rebro.
A contabilidade tem um cheque para ti. Tu decides se queres ir l� busc�-lo.
N�o?
- Jogo de treta. - Cinquenta.
- O que vai ser? - As mamas, mas com jeitinho.
- Que classe! - Stef!
- N�o lhe ligue. - Tamb�m bebo um bourbon.
- Anis, fofo, trazes-nos gelo? - Claro.
Quem � o Anis, exatamente?
- �nus. - Anis!
N�o tens emenda!
Trabalha no restaurante h� umas semanas.
Para al�m de ser ador�vel, estuda Ci�ncia Pol�tica.
Merda.
Algu�m tinha de o ensinar a jogar p�quer.
- Bem... - Eu desisto.
- Aposto tudo, 250. - Estou fora.
- Cubro a tua aposta. - Par de reis.
Par de damas.
Sorte ao jogo...
Sou eu.
Sim, sei que estou atrasada.
N�o vou ter contigo.
Liguei para te dizer que est� tudo acabado.
Contigo, Annie. Com o teu dinheiro e as tuas manobras publicit�rias.
Vai-te foder.
Gostas de tudo em mim?
Gosto.
Gosto de tudo em ti,
ternamente,
tragicamente.
Eu tamb�m.
- Quem �? - A Lolo.
- Est� tudo bem? - Sim, e contigo?
� complicado. O Christophe passou-se e expulsou-me de casa.
- O que aconteceu? - Posso entrar?
- Tens cerveja? - Sempre.
- Acompanhas-me? - Claro.
Que quimono chique.
- Fizeste asneira da grossa, Lolo. - Garanto que n�o.
- � tudo imagina��o do Christophe. - N�o mintas.
Juro que n�o te mentiria.
- Est� bem, fiz asneira. - A� est�.
Estava gr�vida, cheia de hormonas. Perdi o controlo.
Tens de falar com ele, por favor.
Lolo.
- � dif�cil. - Sim.
O que correu mal quando est�vamos juntos?
Nada, foi porreiro. E tamb�m nos entend�amos bem na cama.
Pois.
Sim, foi porreiro.
Mas eu tinha medo.
- De qu�? - De ti. Impressionavas-me.
- Sabias o que querias. - Sabia?
Os homens s�o muito mais maduros.
Pod�amos ligar-vos todas as semanas durante anos s� para foder.
Voc�s n�o t�m medo de dizer: "�s o amor da minha vida."
Eu nunca disse isso.
Pois n�o.
O Christophe deixou-me um postal por baixo da porta.
Era aquele quadro de Magritte que diz: "Isto n�o � um cachimbo."
E no verso, escreveu: "Isto n�o � uma declara��o de amor."
� imposs�vel resistir.
Estou?
Bom dia, temos uma reserva. Sr. e Sra. Lamour.
Come�ou!
Est� a fazer um barulho estranho.
Vou encostar.
Queres que fa�a isso?
Acreditas naquilo?
Sim, acredito em Deus.
Sem Ela, n�o seria nada.
Acreditas no pecado, no inferno?
- N�o. - Confessas-te?
- Sim. - A s�rio? O que tens para confessar?
Queres casar comigo?
N�o tens de responder j�. Pensa nisso.
Vou esticar as pernas.
Est� calor, n�o est�? Acho que este casaco me est� grande.
- Sim. - O qu�?
Sim.
Sim?
Sim.
Christophe, a tua mulher � s�ria, tem os p�s bem assentes na terra.
� normal que surjam problemas ao fim de alguns anos.
N�o � nada de especial perderem a cabe�a de vez em quando.
Pai!
Quando percebi que podia dormir em paz, deixei de protestar.
- A s�rio? Que tristeza. - � bom conversar com os amigos.
Al�m disso, as necessidades da Martine diminu�ram com a idade.
Mas antes, dava-lhe a vontade de repente. Sabes o que acontecia?
Ela fechava a loja e era l� que faz�amos.
Quantas vezes a tua m�e me encostou ao balc�o sem me perguntar nada.
Parece impens�vel, mas era assim. Nunca tive coragem de resistir.
- Fazia o que podia, Alain. - Sim.
Al�m disso, as mulheres n�o passam de umas meninas sem n�s.
- Toma, isto � teu. - Fica com ele.
Pai...
Conheci uma pessoa.
- Onde est� a tua alian�a? - A alian�a � um grande passo.
N�o o conhecem, mas vem de muito longe.
- Parab�ns. - Condol�ncias, queres tu dizer.
Antes de nos juntarmos � manifesta��o, paramos na universidade.
- Para qu�? - H� uma cerim�nia de pr�mios.
As clitocratas s�o umas convencidas. Em 44 anos, foram premiados tr�s homens.
- Rufias! Mancham a imagem dos homens! - J� ouviste falar em solidariedade?
Vai para dentro, lambe-cus!
- Estes tipos d�o comigo em maluco. - N�o sejas implicativo.
Porcos.
Qual � o seu problema?
Vamos.
HOMENS ERUDITOS
- Caras colegas. - N�o acredito. Desapare�am daqui.
- A cozinha � por ali. - N�s gostamos de voc�s.
- Tenho marido e quatro filhos. - Ol�.
S� tenho c�es machos. Garanto que n�o sou vossa inimiga.
- Ol�. - J� nos conhecemos.
Cara colega.
Coitados. N�o t�m mais que fazer? As vossas vidas devem ser muito vazias.
A dele, n�o. Vai casar-se.
Que bom! A sortuda sabe das suas atividades militantes?
Pergunte-lhe. � a Alexandra.
Felizmente, algumas mulheres t�m a mente mais aberta do que outras.
Tem a mente t�o aberta que j� � casada. N�o sabia?
Disse mais do que devia?
Est�s bem?
Espera! Damien!
Abre a porta, Alexandra! Abre!
Ol�.
Ol�, Sr. Martel. Esqueci-me das chaves.
- N�o posso dar-lhe a chave assim. - V�-me todos os dias com a Sra. Lamour.
A vida pessoal � com ela. N�o posso dar-lhe a chave.
Sa� para comprar champ�. Deixei a �gua a correr.
N�o fique assim.
N�o se esque�a de a devolver! Temos de ser uns pelos outros.
N�O SOU UM HOMEM F�CIL
CERTID�O DE CASAMENTO
Ol�.
- Cresceste. - Vou buscar o casaco.
Fecha a porta, Alice. Ainda deixas fugir a cadela.
- Deu-te vontade de ver a tua filha? - Ol�, Alexandre.
Digo-te j� que vou pedir o div�rcio e, desta vez, nem penses em recusar.
N�o quero falar contigo.
- N�o me digas. - � uma chatice.
Boa tarde.
Ol�.
Dei a sua chave ao tipo alto e espada�do.
- Espero n�o ter feito mal. - Ao Damien?
Tudo bem, n�o h� problema. N�o te importas que se junte a n�s?
Que bom...
- Vou encomendar uma piza. Espera aqui. - O qu�? Est�s a gozar?
Vou para casa. Tu n�o mudas, �s sempre a mesma coisa.
N�O SOU UM HOMEM F�CIL
- Olha. - Deixem-no, meninas.
- Est�vamos s� a conversar. - N�o quero problemas.
- Temos de o animar, est� triste. - N�o pode ficar sozinho.
O que te leva a crer que n�o quero problemas?
- V�s? - Lembro-me das tuas cuecas com ananases.
Eu tamb�m gosto de problemas.
N�o h� d�vida que lhes falta autoconfian�a.
Estou?
Ol�, Erica.
- De onde vem essa ideia? - Merda.
- N�o sei se concordo. - Est� incontact�vel h� duas horas.
- Quem �? - O que se passa?
Sim, vou j� para a�.
Ela diz que o Damien est� b�bedo e a ser assediado.
- Vou at� l�. - N�o te preocupes.
- Ela est� habituada a b�bedos. - Ent�o, porque ligou?
Eu vou contigo, amor. Vens, Sybille?
N�o quero deixar o Stan sozinho.
- Esquece. - Querem levar o meu g�s pimenta?
- V�o ver quem � a Lolo. - Tem calma. Olha quem est� aqui.
- � preciso ter lata. - Ol�, Laurence.
- O Damien meteu-se em sarilhos num bar. - Que tipo de sarilhos?
N�o sei. Vou partir-lhes a cara toda.
- Cara�as! - O que temos aqui?
Est�s mesmo a pedi-las.
- J� n�o �s nenhum menino. - O que est�s a fazer?
N�o, espera. N�o fa�as isso.
- Est�s a magoar-me! J� chega! - Anda l�.
- Ol�. - Onde est� ele?
- Na casa de banho. N�o parece estar bem. - Qual � a gra�a?
N�o fa�as isso! Lolo!
Lolo, n�o fa�as isso, meu amor!
Tira-lhe as m�os de cima!
- Damien! - Cabra!
Lolo! Chama a Pol�cia!
O que se passou?
- Anda c�. - N�o te aproximes.
- O que tens? - Deixa-me sozinho.
- Est�s doido? Anda. - Deixa-me.
Sou doido, como todos os gajos que tu manipulas. Sei de tudo, cabra.
- Anda comigo, eu explico tudo. - Larga-me!
Ouve. Sim, menti-te.
Gravei as nossas conversas, dia e noite.
- Sim, fiz isso. - O qu�?
Estava a escrever um livro nojento sobre n�s, mas isso acabou.
Espera, fizeste o qu�?
N�o conseguia escrever e tu apareceste na minha vida.
De repente, voltei a escrever, mas confundi tudo. Foi isso.
O que fizeste? O que escreveste? O que escreveste sobre mim?
- O que escreveste sobre mim? - Nada!
- O que fizeste? - Amo-te, Damien! Chega!
- At� pedi o div�rcio por ti! - Cala-te!
BOMBEIROS
Est� a ouvir-me?
D�i-lhe alguma coisa?
Somos bombeiros. Aperte a minha m�o, abra os olhos.
O que aconteceu?
- Est� numa ambul�ncia. - Mantenha-se deitada.
- Tenho de sair daqui. - Por favor, n�o fa�a disparates.
- Deite-se. - Teremos de a prender.
- Abra j� a porta! - Deite-se.
- Abra j� a porta! - Mais uma hist�rica.
- Ol�. - Ol�.
Uma cerveja, por favor.
Solidariedade para com mulheres em todo o mundo!
VIVA A RESIST�NCIA
MULHERES NA RUA O PATRIARCADO VAI MIJAR-SE TODO
MACH�ES, ESTAMOS DE OLHO EM VOC�S TIRA AS M�OS DA MINHA RATA
HOMENS E MULHERES JUNTOS PARA MUDAR AS COISAS
Alexandra!
Legendas: Carla Ara�jo
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