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CASA DA KAREN READ MANSFIELD, MASSACHUSETTS
Recebi isto por e-mail em uma manh� de domingo.
Acho que era 5 de mar�o.
O e-mail veio do nosso especialista em celulares,
o Rick Greene, �s 5hs.
Ele ficou acordado a noite toda.
Ele viu isto que ele chama de artefato, que �...
a pegada digital de uma pesquisa feita no Google
pelo celular da Jennifer McCabe.
Est� escrito: 29 de janeiro de 2022,
�s 02:27:40 segundos.
"Quanto tempo leva para morrer no frio?"
E se essa pesquisa foi apagada pelo usu�rio,
aparece um "sim" em vermelho nesta coluna.
E esta indicando que ela foi apagada.
Esta � uma foto da...
Estou lutando pela minha vida.
Querem que voc�s acreditem que eu matei o John,
mas a pressa deles em me processar, vai se voltar contra eles.
Se a Jen McCabe sabia �s 02h27
que o John estava para ser colocado ou j� estava na neve,
isso � incriminador.
- Percebe que estou irritada? - Sim.
MIST�RIO NA NEVE: O CASO KAREN READ
Chegamos � pergunta de 1 milh�o de d�lares,
que �: "Essa pesquisa aconteceu mesmo �s 02h27?"
A pesquisa na internet feita pela Jennifer McCabe �s 02h27
foi uma informa��o bomb�stica.
Ent�o, j� no come�o,
t�nhamos a esperan�a de que a m�dia pegaria
a hist�ria da Karen e a divulgaria, mas n�o.
A cobertura basicamente morreu.
E n�o foi por escolha nossa.
Preferiamos que a m�dia voltasse seus holofotes para hist�ria.
Bem-vindos ao nosso programa, senhoras e senhores.
Sou o seu destemido apresentador, Tio Turtleboy.
No Twitter, o Turtleboy se chama de "jornalista premiado."
N�o sei de onde v�m esses pr�mios,
mas o nome verdadeiro dele � Aidan Kearney.
Ele era professor de hist�ria no Condado de Worcester.
Depois largou tudo e virou blogueiro.
Esta noite, nosso convidado especial
� o blogueiro e personalidade das redes sociais
Aidan Kearney, tamb�m conhecido como Turtleboy.
O caso da Karen Read come�ou a ganhar aten��o
quando o Turtleboy destacou a inoc�ncia dela.
O que sabemos � que se trata de um acobertamento.
Isso � ultrajante...
Sou f� do Turtleboy h� muitos anos.
E eu e a Karen conversamos sobre a possibilidade de procur�-lo,
porque j� vimos ele revelar alguns grandes esc�ndalos.
O que chamou a minha aten��o
foi um documento judicial de abril sobre uma pesquisa no Google.
E quanto mais eu lia, mais o meu queixo ca�a.
Aquela pesquisa no Google �s 02h27
foi algo que o Turtleboy divulgou logo no in�cio do caso,
e as pessoas que apoiam a Karen Read
viram nisso a prova de um encobrimento.
Documentos do tribunal parecem mostrar uma liga��o
entre a acusada de assassinato Karen Read
e o blogueiro conhecido como Turtleboy.
De acordo com a promotoria, a defesa vazava seletivamente dados
e informa��es para o Turtleboy
e guiando-o sobre qual deveria ser a pr�xima mat�ria
ou dando informa��es para novas mat�rias.
Advogados de defesa usam a m�dia
desde o in�cio dos tempos para contar sua vers�o da hist�ria.
N�o estar�amos nesse ramo se n�o houvesse vazamentos
e n�o tiv�ssemos fontes an�nimas.
Ent�o, � uma estrat�gia de m�dia.
Meus advogados disseram
que pod�amos passar informa��es para o Turtleboy
desde que fossem p�blicas, e para n�o fazer isso diretamente,
mas por meio de um terceiro.
Mas fiquei nervosa sobre quem usaria como intermedi�rio.
E acabei enviando para ele.
Come�amos a conversar sobre o caso,
provavelmente uma vez por dia,
quase todos os dias, 5 ou 6 vezes por semana.
Ele atraiu muita gente.
Ningu�m ligava para o caso
at� ele come�ar a escrever e falar a respeito.
Eu abracei a causa de algu�m preso por assassinato.
Quando ele come�ou a postar as hist�rias, comecei a assistir.
E fui me envolvendo mais. Come�amos a fazer manifesta��es.
�amos para viadutos na rodovia com placas.
A ideia era fazer com que o maior n�mero de pessoas
soubesse do caso da Karen Read.
Para mim, parece que n�o h� meio-termo.
Ou voc� apoia a Karen Read
ou voc� apoia a promotoria e a pol�cia.
Ficou realmente virulento, ao ponto de amigos e vizinhos,
pararem de se falar devido a esse caso.
TURTLEBOY ESTAVA CERTO
O Turtleboy � o motivo
para as pessoas irem ao tribunal todos os dias.
KAREN READ LIVRE
Libertem a Karen Read!
O problema � que ele passou dos limites
em rela��o a sele��o do j�ri
e contamina��o dos jurados.
Continuem divulgando a palavra!
Todos no Condado de Norfolk precisa saber.
E ele disse, no megafone,
que esse era o seu prop�sito.
Estamos tentando influenciar o j�ri,
� exatamente o que eu...
Libertem a Karen Read!
O clima ao redor do tribunal mudou rapidamente.
Teve um dia em que havia v�rias pessoas
na escadaria do tribunal
e elas vaiaram a fam�lia do John
enquanto eles entravam no tribunal.
No come�o, tive dificuldade para processar isso.
Como? Por qu�?
Mas ficou claro que hav�amos
subestimado a for�a da campanha
"Libertem a Karen Read."
Acabou para voc�!
O motivo para a comunidade estar inflamada
� porque ela lida com isso h� gera��es,
o que considera um clubinho exclusivo de apoio
h� policiais, que sempre saem impunes.
Todo mundo se conhece, todos est�o conectados,
e isso cria problemas.
Isso leva a corrup��o.
Isso n�o � exclusivo de Massachusetts,
e certamente h� uma longa e tortuosa hist�ria
envolvendo e incluindo corrup��o policial,
falta de presta��o de contas para os policiais,
policiais que foram pegos plantando provas,
policiais que foram pegos mentindo.
Muitos est�o dizendo: "Isso acaba agora."
N�s te amamos, Karen!
Estamos a poucas semanas do julgamento
de homic�dio contra Karen Read.
Haver� uma zona de exclus�o de 60 metros
ao redor do tribunal em Dedham.
Ningu�m poder� usar roupas ou portar placas
no tribunal que apoiem um lado ou outro.
Semana que vem, n�o poderemos usar nada que diga "Karen Read."
Basicamente, vamos fechar a boca com fita adesiva.
A ju�za Cannone n�o quer influ�ncias ou distra��es externas.
Para garantir que o caso seja julgado dentro do tribunal.
Pela minha experi�ncia com essa comunidade,
posso dizer que eles n�o ser�o silenciados.
KAREN READ LIVRE
Tent�vamos descobrir como contornar aquela restri��o,
ent�o algu�m disse que dev�amos usar uma cor espec�fica.
A Karen Read disse "Eu amo rosa" ou algo assim,
e se espalhou a partir da�.
Rosa, porque � a cor favorita da Karen.
REN� ROSE APOIADORA DA KAREN READ
N�s amamos ela!
Libertem a Karen Read! Que a liberdade ven�a!
Queria que fosse algo feminino,
para que n�o confundissem com "Justi�a para John"
e pensassem que somos a favor da acusa��o.
- Voc� est� elegante! - Agrade�o, obrigado.
Voc�s ficam �timos de rosa, adorei.
Eu gosto da cor rosa. Nunca uso, mas gosto.
Ent�o, eu disse: Rosa.
- Isso � ao vivo? - �.
D� uma olhada.
Libertem a Karen Read!
Libertem a Karen Read!
Eles adoram o rosa. Adoram o rosa.
JULGAMENTO DE KAREN ZONA DE EXCLUS�O NO TRIBUNAL
Os apoiadores aplaudiram quando a Karen e a equipe de defesa
chegaram para o primeiro dia do julgamento:
A sele��o do J�ri.
Sinceramente, n�o t�nhamos ideia
de quantos jurados �amos encontrar que fossem justos e neutros.
Todos leram sobre o caso, sabem o que est� acontecendo.
Dos 88 membros do primeiro grupo,
69 indicaram que sabiam sobre o caso,
incluindo 24 que disseram j� ter opini�o formada
sobre a culpa ou a inoc�ncia de Read.
- O que acham da sele��o do j�ri? - Estamos satisfeitos.
Felizes por termos um j�ri e ansiosos pelo in�cio do julgamento.
� realmente bizarro.
Enfrento uma senten�a de pris�o perp�tua
e esses estranhos v�o decidir
como vou viver o resto da vida.
De certo modo, j� disse isso muitas vezes,
a sele��o do j�ri � o seu julgamento.
"Voc�s ir�o questionar a investiga��o prec�ria
e tendenciosa que foi feita.
Uma investiga��o falha que levou Karen Read a estar aqui."
Estamos trabalhando em nossa declara��o inicial
e estamos todos tensos agora.
� hora do show.
"Voc�s ter�o d�vidas sobre o caso da promotoria,
porque ela foi incriminada, os ind�cios mostrar�o isso."
De cara, sem pensar muito, n�o quero que voc�, eu,
a Liza ou qualquer um diga "tendem a provar" que ela n�o fez.
Vamos com tudo.
N�o apresentamos o caso para que termine em impasse.
- Nosso objetivo � a absolvi��o. - Isso.
Voc� dormiu bem?
Sim. Voc� conseguiu dormir?
Dormi, sim.
Assisti TV e relaxei.
Da� levantei �s 4hs.
- Voc� acordou �s 4hs? - Estava!
- Jesus Cristo! - � um grande dia.
N�o tem como estarmos mais preparados!
Estou emocionalmente preparada.
N�o estou ansiosa para que comece
e sei que sentirei coisas que n�o espero sentir.
N�s te amamos, Karen!
Acaba com eles, Karen!
Mas me preparei para isso,
os �ltimos 2 anos e meio me prepararam para isso.
KAREN READ LIVRE.
Libertem a Karen Read!
Dizem que virou um circo,
a quest�o n�o � mais justi�a para o John,
� o caso da Karen Read.
Libertem a Karen Read!
� a minha vida e o meu julgamento.
Prendam ela!
Mas o caso da Karen quer conseguir justi�a para o John,
o caso trata de como ele morreu.
Amamos voc�, Karen!
Muitos v�o ficar chocados quando descobrir a verdade.
22-117, o Estado contra Karen Read.
� hora das declara��es iniciais, quando estiver pronto, Sr. Lally.
Bom dia. John O'Keefe,
cresceu em Braintree.
Ele tinha 46 anos quando faleceu.
Era filho de John O'Keefe Jr. E Margaret ou Peggy O'Keefe.
Ele era...
O Adam Lally tem a reputa��o de ser met�dico
e focado em provas s�lidas
e de n�o ser espalhafatoso.
Eles tinham 2 filhos que eram jovens.
N�o � trabalho do promotor ser chamativo ou interessante.
Eles acabaram convencendo outro amigo deles, o Sr. Curt Roberts,
a ir para o bar e se juntar a eles,
e havia outras pessoas l�,
incluindo o Sr. James Sullivan, de quem voc�s ouvir�o.
A declara��o inicial do Adam foi dispersa.
"Voc�s ouvir�o essa pessoa..."
S�o testemunhas incidentais,
eles tomaram uma cerveja conosco e depois sa�ram.
Voc�s ouvir�o o depoimento da Sra. Roberts, da Sra. McCabe,
dos bombeiros e dos policiais de Canton que atenderam o chamado.
N�o sou advogada mas ele,
basicamente jogou 27 nomes.
A r�, depois, saiu dirigindo,
conforme outros depoimentos,
depoimentos relacionados � situa��o.
Muito obrigado pela aten��o.
Muito bem, obrigado, Sr. Lally. Sr. Yannetti?
Obrigado, merit�ssima, com a permiss�o do tribunal.
FAM�LIA E AMIGOS DA KAREN
Karen Read foi incriminada.
O carro dela n�o atingiu o John O'Keefe.
Ela n�o causou a morte dele,
o que significa que outra pessoa causou.
Voc�s descobrir�o que naquela casa
morava uma fam�lia conhecida e conectada
de agentes da lei de Canton.
Descobrir�o, que a pol�cia n�o fez
uma investiga��o real sobre o caso, e v�o questionar o porqu�.
Mostra para eles, Yannetti!
Eu j� tinha ouvido a abertura do David.
Ele ensaiou conosco.
Mas quando ouvi no tribunal, na frente das c�meras,
da minha fam�lia e dos meus amigos,
na frente dos jurados,
pareceu que eu ouvia pela primeira vez,
que eu n�o tinha ouvido na noite anterior.
Estaremos diante de voc�s novamente
no final do julgamento
e pediremos que declarem a Karen Read inocente.
Excelente trabalho, arrasou na abertura.
- David? - David!
Quanto amadorismo!
- David, eu tenho certeza... - Karen...
Foi fenomenal. Eu adorei.
Voc� fez um trabalho incr�vel,
e o contraste entre o que a Promotoria fez,
despejando 50 nomes.
- Verdade. - Nossa! Divagando.
Sem dar contexto nenhum, foi s� um nome depois do outro.
Eu conhe�o o caso e nem eu consegui acompanhar.
Eu estava com medo das declara��es iniciais.
Me disseram que iam me chamar...
de tudo, menos,
de humana,
mas foi um bom dia.
Foi um dia realmente bom.
Uma coisa eu digo, se esse foi o "tiro de largada" da Promotoria.
Sabe.
A sua pr�xima testemunha, por favor, Sr. Lally.
Merit�ssima, a promotoria chama Jennifer McCabe para depor.
Chamaram uma mulher envolvida na �ltima noite do John O'Keefe,
algu�m que estava bebendo com a Karen Read e o John O'Keefe,
a pessoa que depois os convidou
para irem at� o n�mero 34 da Fairview
para continuar o encontro.
Jura solenemente dizer a verdade, somente a verdade,
com a ajuda de Deus?
- Eu juro. - Obrigado. Pode se sentar.
� �bvio que a Jen McCabe
ser� uma testemunha central para n�s.
Era uma das mulheres na casa naquela noite.
� a mulher que pesquisou no Google
quanto tempo demoraria para algu�m morrer no frio.
Um ponto de virada importante no julgamento da Karen Read
foi quando a Jennifer McCabe deu seu depoimento.
Foi a� que percebemos,
"Agora vem a artilharia pesada."
A Jen McCabe estava na cena do crime
e algo aconteceu.
O John foi assassinado.
Ent�o, a Jen McCabe, sou eu ou ela.
Eu vou cair, Jen, ou voc� vai.
Como voc� descreveria o seu relacionamento com o John O'Keefe?
Ele era meu amigo.
Eu adorava o John, era um cara incr�vel.
A Karen e o John come�aram a noite do dia 28 no bar CF McCarthy's.
Eles tomaram uma bebidas com amigos.
Estavam de bom humor, pelos relatos.
Depois decidiram se encontrar com mais algumas pessoas
no Waterfall Bar and Grille.
No Waterfall, naquela noite,
estavam todos os McCabes e os Alberts.
Tinha o Brian Albert, um policial de Boston,
Nicole Albert, Julie Albert, Chris Albert.
Jennifer McCabe, Matt McCabe e Brian Higgins,
um agente federal da ATF.
Todos bebiam juntos naquele bar.
Com rela��o � senhorita Read, falou com ela no bar?
Sim.
Voc� se lembra sobre o que conversaram?
Ela compartilhou a frustra��o sobre aquela manh�
e depois discutimos como � desafiador lidar com crian�as.
Ela mencionou que era por isso que eles mais discutiam, e eu disse:
"�, bem-vinda � maternidade."
Mas foi s� um desabafo entre amigas.
A Karen e o John entraram no bar.
E n�o h� uma �nica pessoa l� que diria
que eles n�o estavam de bom humor.
Vemos a intera��o entre eles.
Eles se abra�avam, estavam se dando bem.
Voc� deixou o Waterfall por volta da meia-noite.
- Correto? - Sim.
A Jennifer McCabe convidou o John e a Karen
para ir na casa do cunhado dela, o Brian Albert,
para mais drinques.
Ent�o, depois do Waterfall,
a Karen e o John se dirigiram � casa dos Alberts.
Eles nunca tinham estado l�.
Os Alberts eram pessoas que eles conheciam por alto,
nunca tinham ido na casa deles.
Quando o John e a Karen chegaram na casa dos Alberts,
a Jennifer McCabe j� estava l� e olhou pela porta da frente
e viu o ve�culo da Karen estacionado na rua,
em frente da casa dos Alberts.
Quando voc� foi at� a porta e olhou, o que foi que viu?
Eu vi um SUV escuro. E mandei uma mensagem:
"Chegaram? Parem atr�s do meu."
� 00h31.
Em algum momento, o John O'Keefe respondeu �s suas mensagens?
N�o.
Alguns minutos depois, � 00h40,
quando escrevi "Oi,"
n�o tenho certeza se estavam l� ou se tinham ido embora.
Naquele momento,
o que pensou sobre onde ele estava ou para onde teria ido?
�quela altura, pensei que pudessem
ter decidido n�o entrar, talvez tivessem discutido.
- Achou que era algo mais s�rio? - N�o.
Em algum momento, voc� foi embora de l�.
Foi para casa por volta de que horas?
Por volta de 01h30, 01h45.
Depois que sa� de l�,
eu estava brava com o John,
ent�o fiquei ligando enquanto dirigia,
mas ele n�o atendeu.
CASA DO JOHN O'KEEFE CANTON
Quando cheguei na casa dele, continuei ligando.
John, eu te odeio!
Eu tinha bebido, estava xingando.
� horr�vel.
John, estou aqui com os seus filhos.
Ningu�m sabe onde voc� foi parar, seu maldito pervertido.
Eu me convenci de que ele estava dormindo com algu�m.
O John j� havia ficado com v�rias mulheres no bairro de Fairview.
John, voc� est� me usando.
Voc� est� com outra garota.
Voc� � um maldito de um fracassado.
V� se ferrar!
Sim, � 01hs, e estou com os seus sobrinhos.
Seu pervertido!
Voc� � um maldito pervertido!
E pela sua an�lise do celular, foi poss�vel determinar
quantas chamadas foram feitas do celular da r�
para o do Sr. O'Keefe, no per�odo logo ap�s 00h30
at� logo ap�s 06hs?
Foram mais de 50, umas 53 ou 55.
Acabei adormecendo no sof� da casa do John,
de 01h30 at� 04h30.
Da� eu acordei.
E dormi no sof� para ver quando ele chegasse.
Quando acordei, sabia que n�o tinha voltado.
Liguei para ele de novo, mas ele n�o atendeu.
A minha voz estava tremendo.
John, onde diabo voc� est�?
Comecei a ligar para os amigos dele.
Mas ningu�m sabia dele, ningu�m o tinha visto.
Da� liguei para Jen McCabe,
�s 04h53, e disse:
"Estou procurando o John."
Ela come�ou a gritar o meu nome v�rias vezes,
e me disse que o John n�o tinha voltado para casa,
que eles tinham brigado e que ela o deixou no Waterfall.
Eu disse: "Karen, n�s te vimos na frente da casa da minha irm�."
E qual foi a resposta dela?
Ela me disse que n�o se lembrava de ter ido l�
e depois come�ou a gritar,
"Jen, Jen"
e ficou dizendo: "Ser� que eu bati nele?
Ser� que atropelei ele?"
E isso tudo enquanto voc� estava na sua casa, no seu quarto, correto?
Correto.
E ela disse que a lanterna traseira do carro estava quebrada.
C�MERA DE SEGURAN�A DA CASA DO JOHN
Por algum motivo, naquela manh�,
come�ou a passar pela cabe�a da Karen Read
que algo de ruim havia acontecido com o John O'Keefe.
A acusa��o argumentou:
"Como ela saberia que aconteceu alguma coisa com o John O'Keefe,
se � inocente?"
A Karen fez d�zias de liga��es naquela manh�.
Nenhuma para pol�cia.
Se uma das liga��es fosse para pol�cia,
talvez o Johnny ainda estivesse vivo.
� perturbador pensar nisso.
Ent�o, a Jen disse: "Voc� est� hist�rica.
Venha me pegar
que vou procurar o John com voc�."
Ao mesmo tempo, eu ligava para Kerry Roberts.
Ela n�o esteve no bar nem na casa de Fairview,
mas era amiga do John,
conhecia ele h� muito tempo, estava sempre falando com ele.
A Karen me ligou �s 05hs.
Atendi o telefone e ela disse:
"O John t� morto. Kerry."
E ela desligou.
Eu posso ter dito para Kerry:
"Estou preocupada que ele esteja morto."
Mas n�o disse de forma categ�rica, em uma declara��o afirmativa:
"Kerry, o John est� morto."
Se eu o tivesse matado, por que diria isso?
N�o faz sentido algum.
Finalmente, ela me ligou de novo e disse:
"Receio que o John possa estar morto,
atingido por um caminh�o limpa-neve,
n�o voltou para casa ontem � noite.
Aconteceu alguma coisa."
E eu disse: "Kerry,
estou chegando na casa da Jen McCabe,
vem para c� que seguimos em um carro s�."
A Kerry disse para ela se acalmar,
que precis�vamos voltar para casa do John,
que ir�amos em um carro s�.
Talvez ele estivesse l�,
dormindo para curar a bebedeira e ela n�o tinha visto.
Ent�o, voltamos para casa do John.
Isso uma hora depois que liguei para Jen McCabe.
Liguei �s 04h53 e j� eram 05h45.
E est�vamos de volta onde tinha passado a noite.
Naquele momento, a Karen apontou para entrada da garagem e disse:
"A minha lanterna, olha a lanterna traseira."
Olhei para ela e disse:
"Voc� me disse que n�o lembrava de nada de ontem � noite."
Ela disse: "Acha que bati nele? Que atropelei ele?"
Eu disse: "N�o acho. Acho que bateu em alguma coisa,
mas vamos entrar na casa e procurar por ele."
N�s checamos toda a casa,
e n�s vasculhamos a casa toda at� que eu disse:
"Jen, precisamos voltar para o n�mero 34 da Fairview.
Ele n�o est� em nenhum desses lugares."
N�s entramos no carro e fomos para Fairview.
A Karen ficou entre n�s,
sentada no banco de tr�s,
inclinada para frente, entre a Kerry e eu,
e ficava gritando: "Kerry, Kerry!"
o nome dela v�rias vezes, o meu nome v�rias vezes,
e repetindo algumas frases.
"Ser� que acertei ele? Eu acertei ele?"
Ent�o a Kerry gritou para ela se calar, se acalmar,
colocar o cinto e procurar pelo John.
E assim que nos aproximamos da casa, ele estava bem ali.
Ele estava no limite da propriedade,
e eu disse: "Ali est� ele" e elas disseram: "Onde?"
Eu disse: "Ele est� ali. Para o carro."
CORPO DO JOHN
No momento em que ela disse isso,
conseguia ver algo fora do ve�culo?
Eu n�o via nada.
Olhei e n�o vi nada, olhei para Jen e disse:
"Ela est� louca."
Destravei a porta e fiquei sentada, olhando,
e ela correu at� um monte de neve.
Elas chegaram na casa da Fairview e a Jen McCabe
disse que a Karen saiu correndo do carro,
antes mesmo do carro parar, e disse: "Olha o John ali."
De alguma forma, naquela escurid�o,
estava escuro e em plena nevasca,
a Karen conseguiu ver o corpo do John e correr para ele.
A Karen saltou do carro
e pulou sobre o que a Kerry
descreveu como um mont�culo de neve,
quando chegaram l�.
Mas a partir do carro,
a Kerry dep�s que n�o dava para ver
nada a mais de 2 metros de dist�ncia.
Ent�o, esse foi o momento para mim.
A primeira pergunta que eu fiz foi:
Como a Karen sabia onde estava o corpo?
FOTO DA PROVA
Eu corri at� ele, e o John estava im�vel.
A boca estava aberta, tinha cortes e sangue no rosto,
e estava com as roupas leves que usava na noite anterior.
E tinha um peda�o de vidro,
encaixado no nariz dele, como um espinho ficaria preso,
e eu simplesmente puxei.
E assim que eu puxei,
o sangue come�ou a escorrer pelo rosto dele,
e ele tinha
os olhos estavam roxos, mas este olho estava cortado
e gotejava sangue de um corte, pelo rosto dele.
Tentei fazer ressuscita��o boca a boca.
N�o sei nem se estava fazendo certo.
Mas quando apertei o nariz e soprei na boca,
ouvi como um engasgo, e o meu primeiro pensamento foi:
Ele saiu b�bado,
caiu e est� engasgando com o v�mito.
Eu disse: "Kerry, vira ele."
E ela disse: "N�o vira ele! Ele pode ter..."
Ela queria dizer que ele podia ter uma fratura no pesco�o, algo assim.
Come�amos a gritar uma com a outra, e ela disse:
"Cala a boca, Karen. Deixa ele como est�."
Isso continuou e eu pensei:
"O que h� de errado com todo mundo?
Por que voc� grita comigo assim?
E onde est� a Jen?"
A Karen gritava: "Ele est� morto?"
E eu tentava me acalmar
e conseguir ajuda para o John o mais r�pido poss�vel.
Pol�cia, qual � a emerg�ncia?
Preciso que venham at� a Rua Fairview 34, em Canton.
O que est� acontecendo?
Tem um homem inconsciente na neve.
- Na neve na Fairview n�mero 34? - Ele desmaiou.
�, n�mero 34, resid�ncia dos Alberts, isso.
Ent�o os param�dicos chegaram.
C�MERA DA VIATURA DA POL�CIA
Eu estava gritando e chorando. Eu disse: "� o meu namorado.
Eu o deixei e ele n�o voltou para casa!
Ele est� morto?"
Kerry! Jen!
Ele est� morto!
Caramba!
Ele est� morto. Ele est� congelando.
Temos um policial de Boston
que foi encontrado na neve.
Ele apresenta algum tipo de trauma na cabe�a.
N�o sei se esteve em uma briga ou algo assim.
N�o!
N�o!
Eu fiquei louca, d� para ver no v�deo,
gritando sem parar.
Estava realmente confusa.
N�o!
Alguns minutos depois que os param�dicos chegaram,
eles o colocaram na maca e o levaram na ambul�ncia.
Enquanto ele era levantado, observou algo no local?
O celular estava embaixo dele e havia grama.
Todo o resto estava coberto de neve.
E quando ele foi levantado, embaixo havia grama?
Sim.
Mais policiais come�aram a chegar.
E a senhorita Read continuava correndo e gritando.
N�o!
Um dos param�dicos perguntou o nome dele, a idade,
coisas assim, e se ela sabia o que tinha acontecido.
E a senhorita Read disse que ela bateu nele.
Foi algo que ela disse uma vez ou mais de uma?
3 vezes: "Eu bati nele."
Na primeira semana do julgamento,
um dos elementos centrais em rela��o
� culpa ou inoc�ncia da Karen Read
surgiu em m�ltiplos depoimentos.
Os primeiros socorristas, as pessoas que estavam l�,
v�rios deles declararam que Karen Read disse coisas como:
"Eu bati nele."
Como se ela estivesse assumindo alguma responsabilidade.
Enquanto eu o atendia, perguntei:
"Algu�m viu alguma coisa? O que aconteceu?"
E houve uma pessoa que respondeu v�rias vezes:
"Eu bati nele."
"Eu bati nele. Meu deus, eu bati nele."
Ela disse: "Eu bati nele."
Ela repetiu isso.
E havia um policial que estava perto,
que perguntou: "Voc� o qu�?"
E ela repetiu mais uma vez.
Antes era "Ser� que fiz isso?"
Mas quando falou com o param�dico, ficou claro: "Eu bati nele."
Eu me lembro de tudo.
Eu disse: "Ser� que eu o atingi, que bati nele?"
Eu n�o fui clara como seria se n�o tivesse bebido.
Eu bebi, sim...
e isso me fez questionar, ser� que eu o atingi?
Passei por cima do p� dele ou acertei ele no joelho?
Eu o incapacitei?
Sem d�vida alguma,
o �lcool desempenhou um papel nos eventos de 29 de janeiro de 2022.
E Adam Lally forneceu a contagem dos drinques
que a Karen tomou naquela noite.
�s 20h58, a r� recebeu o primeiro drinque.
�s 21h57, o quinto drinque.
�s 22h29, o s�timo drinque.
�s 22h54, a r� e o Sr. O'Keefe chegaram ao The Waterfall,
e durante a hora em que estiveram l�,
a r� consumiu o oitavo e o nono drinque.
Os 2 primeiros drinques que eu tomei no McCarthy's
foram uma vodca com soda e um shot.
Eram drinques duplos, que tecnicamente s�o 2 drinques.
Os 2, o drinque e o shot, contam como 4.
3 drinques foram pedidos para mim
no C.F.McCarthy's, mas eu n�o bebi.
Algu�m me comprou um drinque duplo,
e eu fiquei segurando, mas fiquei conversando e n�o bebi.
Depois, me compraram uma rodada de shots,
e coloquei isso na bebida.
Ent�o, aquela bebida tem 3.
Ent�o, tomei 5 drinques
e um shot em 3 horas.
Isso d� 6.
Naquela noite, todos beberam bastante, inclusive o John O'Keefe.
Ent�o, esse julgamento,
em que os presentes naquela noite dep�em sobre o que lembram,
com a quantidade de �lcool que elas consumiram,
� dif�cil acreditar que as mem�rias estejam claras.
CENTRO DE OPERA��ES
Podemos ir para o "Eu bati nele?"
Quero saber onde ela disse que estava quando ouviu.
- Porque acho... - �, ser� que?
- 2 ou 3 minutos antes disso. - �.
Um dos grandes pontos durante a nossa investiga��o
com todos os policiais no local, e com os bombeiros,
� essa suposta declara��o: "Eu bati nele"
que eles transformam em uma admiss�o de culpa,
que ela o matou.
Esse deve ser o ponto em que ela est� � esquerda, voc� � direita.
Bem a�. Ent�o, se pararmos aqui,
em frente a ela tem um oficial da pol�cia, certo?
Ela n�o sabia o nome dele, mas era Saraf.
Em algum momento, quando voc� estava l�,
ouviu a minha cliente repetir a frase:
"Eu bati nele, eu bati nele?"
Ela disse.
STEVEN SARAF OFICIAL DA POL�CIA DE CANTON
"Eu bati nele?" Eu n�o ouvi essa parte.
A acusa��o acredita que a Karen dizer a uma ou mais pessoas:
"Eu bati nele" � uma prova importante para eles.
Mas, ao mesmo tempo,
vimos como a defesa confrontou
cuidadosamente cada pessoa que afirma ter ouvido a Karen dizer:
"Eu bati nele."
Viu o momento no v�deo em que interagiu com a r� e perguntou:
"Como voc� chegou aqui? O que aconteceu?"
e ela disse: "Eu bati nele."
E voc� perguntou: "Como voc� bateu nele?"
Tudo o que voc� dep�s anteriormente?
Eu n�o vi isso no v�deo, n�o.
Podemos dizer que a sua mem�ria � meio falha
sobre a esse per�odo de tempo?
Com certeza.
Pode mostrar a parte do seu relat�rio em que declara
que a minha cliente disse as palavras: "Eu bati nele."
N�o est� escrito isso.
Dado o que sabemos, ningu�m anotou essa declara��o.
A declara��o n�o aparece em nenhuma das grava��es.
O que aparece �: "Ele est� morto?"
Ele est� morto?
Outra declara��o que aparece �:
"Meu namorado.
Eu o deixei e ele n�o voltou para casa."
Meu namorado!
Eu o deixei e ele n�o voltou para casa!
D� para ouvir isso, mas em nenhum momento se ouve "Eu bati nele."
Ou qualquer varia��o disso.
Se ela tivesse dito isso,
e algu�m tivesse ouvido essa declara��o no local,
ela n�o sairia de l�.
Teria sido presa na hora.
Chega ao ponto em que eu at� me pergunto
se disse a palavra "bati" alguma vez.
Fui informada disso desde o come�o,
eu pensei: "Ser� que sou a respons�vel?"
Porque n�o sei que diabo aconteceu.
E se eu disse algo foi: "Ser� que fiz isso?"
- Porque me questionei no in�cio. - Sim, � claro.
Mas agora �: "Meu Deus, eu realmente disse 'bati'?"
No local, eu liguei para minha m�e,
para o meu pai, para o meu irm�o e para minha melhor amiga.
Mas ningu�m atendeu, ent�o mandei mensagem.
Eu escrevi: "O John est� morto."
E meu pai me ligou de volta.
E eu disse:
"Pai, eu n�o quero viver, s� quero morrer."
Controle Canton para 682.
682.
Est� ciente de uma pessoa no local,
ou de algu�m chamada Karen?
Afirmativo.
Estou com o pai dela na linha.
Ela tem feito coment�rios suicidas.
Ela estava em tal estado emocional,
que a palavra "choque" � a �nica maneira de descrever.
Eu senti
que ela podia atentar contra a pr�pria vida.
Agora que temos os v�deos da viatura da pol�cia,
consigo ouvir um dos policiais de Canton dizer:
"Vamos intern�-la."
Eu vou intern�-la, para sabermos onde ela est�.
Nesse caso,
o internamento � feito
quando se acha que a pessoa pode se machucar.
Eu dei entrada no hospital,
e estava no PS, em uma extens�o da emerg�ncia,
mas o corpo do John estava a apenas 2 portas de mim.
Algumas horas depois,
o meu pai foi me buscar no hospital.
Fui recebido por um dos atendentes m�dicos,
que disse que a minha filha perguntava, v�rias vezes:
"O John O'Keefe, ele est� bem?
Ele est� morto? Qual � a situa��o?"
E esse m�dico disse: "N�o contamos a ela.
Voc� quer que contemos? Quer fazer isso?
Ou prefere que fa�amos isso juntos?"
Eu disse: "N�o, eu sou pai dela, eu conto."
Ela estava na beira da cama.
Quando contei, eu a segurei e ela deslizou da cama
para os meus bra�os e para o ch�o.
Ele s� disse: "Ele se foi."
Ela perdeu o controle mas logo se recuperou e disse:
"Pai, o que vamos fazer? Qual � o plano?"
Ela n�o se deixa dominar pela dor da perda.
Ela encontra uma sa�da.
Quando eu finalmente sa� do hospital,
pouco antes do meio-dia, eu disse: "Pai, quero ir ver as crian�as."
C�MERA DE SEGURAN�A DO JOHN
E fomos direto para casa do John.
Os pais dele, o irm�o, o pai e a sobrinha estavam l�.
O sobrinho chegou da casa de um amigo
e eu abracei o pai do John e a sobrinha.
Eu cumprimentei o irm�o e a m�e dele.
Sabia que eles tinham identificado o corpo, vi quando foram l�.
Perguntei para o irm�o dele, o Paul:
"Paul, como ele estava? O que aconteceu?"
E ele disse: "O meu irm�o parecia ter lutado 5 rounds com o Tyson."
E a m�e dele se inclinou sobre a ilha da cozinha e disse:
"Parece que ele foi atropelado por um carro!
Eu disse: "Espera, voc�s viram o mesmo corpo?"
Depois de alguns minutos, o celular do Paul tocou, e ele saiu da sala.
E a maneira como ele olhou para Karen quando voltou,
foi como se o tempo tivesse parado.
O oxig�nio foi sugado daquela sala
e v�rios olhares acusat�rios foram lan�ados para Karen,
para o meu pai e para mim.
Ficou �bvio para mim: Eu n�o era bem-vinda.
Olhei para o meu pai, e disse:
"Preciso sair daqui. Eles acham que eu o matei."
As pessoas que mais se importavam e amavam o Johnny
est�o seguindo as provas.
O comportamento dela, em conjunto com as provas concretas
e a prova circunstancial apresentada no julgamento,
apontam em uma dire��o.
Que � que a Karen Read matou o Johnny.
Dizem que sou uma namorada alco�latra e vingativa,
uma amante rejeitada.
Mas eu sou inocente.
Est�o armando para mim e essas testemunhas,
est�o mentindo.
Mal posso esperar para ter a nossa vez com elas.
Vai ser a virada do jogo.
Karen!
NINGU�M AL�M DE KAREN READ
FOI ACUSADO DA MORTE DE JOHN O'KEEFE
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