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Original subtitles

Culpa,

complexos de inferioridade.

Em tempos, as mulheres debateram-se com estas coisas, mas atualmente nós também.

Fala por ti.

Estamos perdidos. Olhem só para essas caras.

Olhem para a vossa cara.

- A culpa não é nossa. - Olha para a tua.

Já não sabemos como nos comportar.

Vou matar este sacana. Estás a ouvi-lo?

Mas ele tem aí algo.

É bonito, determinado, um pouco controverso…

Não, é um otário.

Vai dar ao mesmo. As pessoas nas redes sociais adoram quem possam odiar.

Desculpa, não disseste que adoram pessoas que usam a autoironia, como eu?

Sim, mas no Instagram o ódio triunfa sobre a autoironia.

É uma loucura. Ele tem mais seguidores do que tu.

É incrível.

- Ele precisa de um agente? - Lodovico, para!

Sempre que ele abre a boca, perco mil seguidores.

Ouve, o que faço?

Quanto a ti, não sei, Dani. Eu vou procurar outro cliente.

- O quê? - Nada de pessoal.

"Isto é assédio. Sinto-me discriminada. Estás a objetificar-me."

Já chega desta estupidez.

Sim.

Bravo. Ele é que é estúpido. Tornou-se falocêntrico, a sério.

Esperem. Temos de voltar a comportar-nos como homens de verdade.

Porque, sejamos sinceros,

um elogio a um rabo bonito

nunca matou ninguém, certo?

- Que se lixe. - Vá lá, não tem mal nenhum.

Sim, a sede é a mesma.

HOMENS DE VERDADE

- Que alfa. - Perfeito.

- Voltou ao que era. - Adeus, obrigado.

Não me pareceu um elogio.

Sinto-me incrível. O curso está ao rubro. Tive de adicionar um dia.

- É incrível o que as pessoas engolem. - As pessoas engolem o que anseiam.

Os homens procuram a redenção, e nós, todos nós, temos de ser uma equipa.

Concordo.

A ti.

- Esta piscina é linda, sabes? - Sim.

Não é?

Na verdade, estava a pensar que…

… seria perfeita para a festa do meu filho, na sexta.

Não.

Vou assinar os papéis do divórcio. Eu venho e festejamos juntos.

- Boa! - Seria bom.

O futuro.

Não.

Vá lá, Massi. Ouve, a sério. Tem sido uma fase difícil.

- Sobretudo para os miúdos. - Desculpa. Eu sei.

Queria fazer algo de que o Francesco se lembrará.

A mãe dele nunca arranjará um sítio assim.

Seria bom, só isso.

Não. Não sejam assim. Os miúdos vão estragar-me o relvado.

Não são cabras, são crianças! Não percebo.

Interessante.

Não podes alugar um espaço com palhaços e piscinas de bolas?

É isso que a Tiziana está a fazer, mas temos de superá-la.

Temos? O que tenho eu que ver com isso?

Há 40 segundos, disseste que tínhamos de ser uma equipa. Disseste. Certo?

Disseste.

Odeio-vos.

Não valem nada. Não mais de 20 miúdos.

Aos homens de verdade!

- Homens de verdade. - Otário.

- Bom dia! - Que entusiasmo é esse?

Sempre carrancudo. Porque estás sempre triste?

Porque não me aumentas há dois anos.

Só pensas em dinheiro. Isso é problema teu.

- Riccà. - Olá, Carlo.

Vou buscar o peixe. Vou levar o Marietto comigo.

Sim, leva-o. Está um pouco sensível, hoje.

- E tu? - Tenho pilates. Vou ficar aqui.

- Podes abrir? - Foi para isso que vim.

Adeus, amor. Vamos.

- Liga se precisares. - Sim.

Então? Estás outra vez alegre. Resolveste tudo com a Ilenia?

Sem dúvida.

Ele tem uma casa linda com uma piscina enorme,

novinha em folha e maravilhosa.

Não como essa. Essa mais parece uma poça.

O que foi? Não é um feijão. É uma piscina retangular enorme.

- Obrigado, papá, isso é ótimo! - Pronto.

- Olá, mamã. - Olá.

O que é ótimo?

Estava a dizer-lhe onde podia fazer a festa dele.

- No domingo, claro. - Não.

- No sábado? - Não.

- Não, na sexta. - Sim, exatamente.

- Também há piscina. - A sério?

O Massimo insistiu que usássemos a casa dele e…

Mas se já planeaste alguma coisa, diz.

Estava a pensar no oratório.

Com um mágico.

E quem é esse mágico?

O colega de casa de um conhecido.

Ignoremos isso do… É melhor.

Amor, decide tu.

Preferias fazer a tua festa nesta vivenda maravilhosa com piscina,

bisnagas, música e um castelo insuflável

ou no oratório com um mágico amador?

A piscina.

É óbvio.

- A piscina! - Sim!

A piscina!

A piscina. Ele prefere a piscina.

Mas, pensando bem, também gostava de ter o mágico.

Podemos fazer isso.

- Sim. - Vamos a isso.

Vamos fazer uma festa na piscina com um mágico.

Sim!

- Obrigado, papá. - Vem cá. Meu Deus.

Fez-te bem não me veres por uns tempos.

Como dizia Oscar Wilde:

"A espera é melhor do que…" - O quê?

A própria foda.

Merda.

Carlo…

- Não é o que parece. Não. - Não, Carlo.

Pensei…

Carlo.

Não me batas, Carlo! Por favor, não me batas!

Vai-te embora. Vai.

Todos disseram para não confiar em ti.

E tinham razão.

- Desculpa, eu percebo. - Tens de ir.

- Eu percebo… - Não.

Vais vender-me todas as tuas ações e pôr-te a andar.

Não és só um sócio burro, também és um homem de merda. Vai.

Vai!

Aí estás tu. Estou a chamar-te há meia hora. Está tudo bem?

Não, não estou bem.

Por tua culpa, fiquei sem patrocinadores.

E, ainda por cima, já não tenho um agente.

Tinhas razão. Ele não passava de um mero chupista.

Talvez estejas a exagerar.

- No fundo, o Lodovico é bom no que faz. - Ele já te ligou?

Desculpa,

finalmente arranjo forma de ganhar dinheiro e tu é que me impedes?

O que te incomoda no meu sucesso?

O que te incomoda no meu?

Não posso acreditar que penses mesmo essas coisas.

Tu própria o disseste uma vez:

"Não sou eu, é o meu avatar." Aprendi contigo, amor.

- Não. - Sim.

Só queres provar que ainda és capaz de ter sucesso.

Não, eu tive sucesso. É diferente. E não me interessa como o alcanço.

Ouve, amor, nós os dois somos iguais.

Fazemos a mesma coisa. Vendemos idiotices a idiotas.

Chama-se a isso capitalismo.

Amas-me?

Claro, amor. Estás a brincar?

Então, para com isto do curso.

Desculpa, porquê? Para tu.

Além disso, tu já lá chegaste. Eu ainda em ascensão.

Devias estar feliz por mim.

- Em ascensão? - Sim.

Sabes quem é?

A Selvaggia Lucarelli.

Volto já.

Estou?

Olá, Selvaggia.

Sim. Para a semana?

Claro.

Está bem.

Sim, adeus.

Quer entrevistar-me.

Também deve achar que estou em ascensão.

Adeus, amor.

Esqueci-me totalmente.

Totalmente. Como é possível? O Francesco faz anos no dia um.

Não é um número difícil, é no dia um.

Eu percebo. Está tudo bem. Acho que ele não ficaria ofendido.

Ele é o teu ex e estão a separar-se.

Estás… O Francesco é o meu filho, o meu ex chama-se Luigi.

Desculpa, nunca falas deles. É difícil lembrar-me dos nomes.

Estás a ver? Sou horrível. Sou uma mãe horrível.

O quê? Não. A minha mãe diz sempre…

Não, desculpa,

mas isto de comparares a mulher que fodes com a tua mãe é estranho.

Não o digo por mim, digo-o pela tua psique…

Está bem. Estamos bastante nervosos, certo?

Acho que tenho algo que te vai ajudar a acalmar um pouco.

Descontrai.

- Arrumei tudo! - O que foi?

Tem cuidado!

Não aguento mais isto. Não aguento.

Porquê?

Porque o sexo é ótimo, mas o sexo não é tudo.

Diz-me, o que faço eu aqui contigo e com aqueles dois colegas de casa anómalos?

Não. Essa treta de sermos maldotados

começou por uma aluna de Direito e é mentira.

Apoia-me nisto. Vá lá, a sério.

Desculpa.

- Desculpa. - Não…

Desculpa.

- Desculpa. - Não, desculpa-me a mim.

Tem sido bom, mas…

Está tudo errado.

Desculpa, sim?

Decidi vender o restaurante.

Porquê? Agora que começava a dar.

Sim, mas quero mais da restauração. Aquela porcaria não me chega.

Não exageres.

Porque estás a rir?

Ter um restaurante elegante, só meu, é o meu sonho.

Sabes quando um miúdo está a sonhar e a mãe o acorda para ir para a escola?

Desta vez, não é um sonho, é real.

Quero crescer como empresário.

Diz-me que não estás a citar o discurso de despedida do Totti do futebol.

Claro que estou. É o Totti.

Já decidi.

Vendo as ações ao Carlo e lanço-me numa nova aventura.

Preciso disso, enquanto homem.

Certo. Não concordo, mas se é isso que queres,

amanhã vamos ao notário e vemos o que podemos fazer.

Vamos? Vais comigo? Posso ir sozinho.

As ações estão em meu nome, lembras-te?

Para termos o financiamento para empreendedoras.

Claro que me lembro.

Odeio fazer-te faltar ao trabalho. Tens muito para fazer.

- Passa-me uma procuração. - Podia passar,

mas amor, és tão ingénuo. O Carlo vai aproveitar-se de ti.

É melhor vires.

Acho que das dez raparigas

já só falta uma.

Pumba!

Dá-me vontade de continuar até às 13, às 15, mesmo que…

O que se passa?

Então?

O que se passa, amor? Então?

O Gustav.

Aconteceu uma coisa.

- Estás grávida? Não? - Não.

- De certeza? - Não, pai.

Desculpa.

Estou a ouvir, desculpa.

Hoje, voltámos a encontrar-nos com os ativistas

e, quando cheguei ao ponto de encontro, ele…

… tinha a mão no ombro da Francesca e pôs-se a tocar-lhe no cabelo.

Pronto. É um gesto inocente, não é?

Ele disse-me que sou só uma amiga colorida.

Está bem.

E tu, quero dizer, como…

- Mandei-o para o caralho. - Claro.

Depois, fomos atirar tinta sobre a Invocação de São Mateus.

Como está ele?

- O Gustav? - Não. Preocupo-me é com o Caravaggio.

E ainda mais contigo.

Vem cá.

Amor, é um dia importante, porque…

Hoje, a vida mostrou-te que nem todos os homens são sensíveis,

extraordinários e esplêndidos como o teu pai.

E…

A culpa é minha, porque elevei muito a fasquia, por isso…

Descansa, não foi assim tanto.

Então?

Então?

Calma.

Ouve lá! Ainda te expulso daqui!

- Os homens de verdade criticam miúdos? - Estava a mijar na piscina.

- Tu fazes o mesmo. - Só quando estou bêbedo.

- Maria! - Meninos.

- Calma. - Meninos!

- Maria, o meu fato azul? Preciso dele. - Está onde o deixou.

- Basta! - Sim. Boa. Obrigado.

- Quanto te custou esta festa? - Menos do que pensas.

Como se chama o mágico?

- Sabonetezinho. - Sabonetezinho…

- Mas é bom. - Sobretudo o nome.

Partilhaste a casa

com o Sabonetezinho?

- Não me julgues. - De todo.

Muito bem.

- O acordo não era não ter miúdos na casa? - Porquê?

Porque estão lá dentro!

- Eu vou lá. - Não te preocupes.

- Tenho de ir. Ouve-me. - Sim.

Não me faças arrepender de te ter cedido… Baixa as mãos.

Não me faças arrepender de te ter cedido a casa.

Tens de descontrair e…

- Deixar-me beijar-te. Obrigado. Vai. - Odeio-te.

Baguette! O que estás a fazer?

Olá, Carlo.

Despachemos isto para que desapareças.

- Posso falar contigo? Imploro-te. - Não.

Esta…

Ainda precisamos de uma cópia do registo na Câmara do Comércio.

Vou imprimi-la e estamos prontos.

- Fazes-me uma cópia? Obrigada. - Claro.

As ações estão em nome da Ilenia. Ela tem de assinar.

E então? É-me igual, desde que desapareças.

Ela não pode saber de nada.

Fica com as ações, mas omite os assuntos pessoais.

Foderes a Valentina há anos é um assunto pessoal?

Tens razão, mas imploro-te.

Tira-me o restaurante, o dinheiro, mas a Ilenia não.

- Vá, vamos assinar. - Obrigado.

Desculpa. Fiz-te vir demasiado cedo. Ainda faltam 20 minutos.

Não querias era continuar casado nem mais um minuto.

Como estava a Emma, de manhã? Triste?

Muito.

Não por causa de nós.

O alemão deixou-a.

Então, estavam juntos.

Segundo ele, não. Para ele, eram só amigos coloridos.

Mas a Emma apaixonou-se.

- Meu Deus, coitadinha. Lamento. - Eu não.

É bom passar por isto, mesmo que sejam experiências negativas.

Dizes isso porque ele atirou tinta contra quadros e odiava-lo.

Não, ainda o odeio, profundamente. Muito mesmo.

Andar com as pessoas erradas faz-te perceber quem amas.

Desde quando és perito em relações românticas?

Saio com as mulheres erradas. Não sei se reparaste.

Sim, reparei.

E leio o que escrevem por baixo da foto de perfil do Tinder.

É inspirador.

Imagino.

- Começámos. - Sim, vamos.

Massimo. Boa!

Eu disse-te que era asneira despedires-me.

- Roberta, estás bem? - Feliz.

É curioso chamarem-me de volta pela razão por que me despediste.

É de loucos. Toda a gente te odeia.

Vais aumentar as audiências.

Sinceramente, os meus fãs também.

A Selvaggia está ansiosa por te entrevistar. Estás nervoso?

- Devia estar? - De todo. Porque haveria de estar?

Vai à maquilhagem, estão à tua espera.

Sabes o caminho. Vemo-nos depois. Parte uma perna.

O COMBATE DA SELVAGGIA

- Obrigada por ter vindo. - Obrigado.

Vou apresentá-lo ao público.

Massimo Cravoni, empresário televisivo, editor, e podemos dizer influencer?

Não, criador de conteúdos.

De conteúdos. Meu Deus, tantos títulos.

Com mais de 670 mil seguidores,

o seu perfil celebra o machismo com frases como:

"A virilidade é um direito nosso" e, passo a citar literalmente:

"Para nós, os homens de verdade, o pénis é o nosso melhor amigo." E ainda é poeta.

Já se perguntou se ostentar o machismo nesta altura não será enganador?

- Para quem? - Para os jovens?

De todo. Não, a sociedade está a mudar.

Surgem novos problemas que exigem novas soluções.

A emancipação feminina é um problema?

De todo, e eu nunca disse isso.

Mas a criminalização dos homens é, sem dúvida.

- A sério? - Sim, a sério.

Hoje em dia, se somos cisgénero, hétero, homem, branco…

Senhora, andam aqui crianças a brincar às escondidas.

- E? - Têm os fatos de banho molhados.

Sabe que o Sr. Massimo disse para não as deixar entrar.

O Sr. Massimo diz muita merda. Ele e a casa dele que se fodam.

- Meninos! - Foram lá para cima.

- Nós tratamos disto, descansa. - Vai.

Matteo, não és bom a jogar isto. Matteo, isto não é a tua cena.

- Letizia, sai já daqui. - Vai.

Não, estás toda molhada!

Quantos estão ali?

- Vá lá, saiam já daqui! - Diego!

- Está bêbedo? Sim? - Acho que sim.

Já foram todos, certo?

Lembras-te quando neste quarto…

Quando já tinhas bebido um pouco e disseste: "Quero foder…"

- Eu não falo assim. - Não?

Desculpa, eu não…

Devíamos tê-lo feito.

Sim.

Desculpa se…

Negligenciei-te ao longo dos anos.

Desculpa. Lamento imenso.

Desculpa-me tu.

És linda.

No seu curso para homens de verdade,

diz: "Temos de voltar a comportar-nos como homens de verdade,

não para nos agradarmos a nós, mas às nossas mulheres."

A sua mulher gosta de ouvir estas frases?

A minha mulher?

Acho que sim.

Diz que acha porque imagina que sim, ou porque também lhe perguntou?

- Não, ela demonstrou-me. - Como?

Ficando ao meu lado, ao apoiar-me.

Sabe melhor do que eu que as relações também dependem do que não é dito.

De coisas que interpretamos como nos é mais conveniente.

Não acha que o debate sobre o consentimento consiste nisto?

Finalmente, disse a palavra certa, debate. Há demasiado debate.

- Demasiado. - Sim.

Estamos a perder a parte instintiva do sexo.

- Do amor. - Claro.

Vocês, mulheres, querem que nós antecipemos os vossos desejos,

mas esperam que perguntemos primeiro.

Pense no quão bizarro isso é.

Não é preciso perguntar à sua mulher se ela aceita,

porque já sabe que ela aceita, certo?

Não, não exatamente.

Não? Que tal perguntarmos diretamente à sua mulher?

- Desculpe? - Olá, Daniela?

- Olá, Selvaggia. Boa noite. - Boa noite, Daniela.

Concorda com o que o Massimo está a dizer?

Não, de todo. Na verdade, Massimo, não te atrevas a falar em meu nome.

Daniela, como se sente quando ouve o seu marido a dizer estas coisas?

Não é meu marido, é meu parceiro, porque nem teve coragem de casar comigo.

Então, o que dizer, Selvaggia?

Sinto-me envergonhada e enojada com tudo o que ele diz.

Mas, sobretudo, com a sua falsa atitude machista tóxica.

Quer dizer que ele não é exatamente assim em casa?

Massimo, estou farta.

Entre a nossa relação e o teu ego, escolheste o teu ego.

Desculpa, mas acabou.

Já respondemos à pergunta sobre se a sua mulher concorda consigo.

Podemos avançar.

Falemos do seu despedimento.

Pai?

- Pai, cheguei. - Sim.

Desculpa, sim, eu vi-te. Está bem. Não devias estar a falar com o Gustav?

Sim, esquece isso. Quem está no duche?

Queria falar contigo sobre isso. Mas… Não.

Sim! Conseguiste! Dez raparigas para ti, conseguiste.

Estou orgulhosa. Agora já seguiste em frente.

Se quisermos ver isso assim, mas…

É na boa.

Descansa. Vou para casa da Agatha para vocês curtirem a noite. Boa, pai.

Muito bem. Agora, quem lhe vai dizer?

Foi a melhor festa do mundo.

Mas lamento que tenham discutido.

- Quem? - Quem?

Tu e a mamã.

Nós não discutimos.

Quem te disse?

A Caterina.

Ela ouviu-te a ti a bater na mamã e a ti a gritar muito.

Ela é ótima a jogar às escondidas.

Amor…

Onde estava escondida a Caterina?

Lá em cima, no armário.

Temos mesmo de dizer à Caterina que não se deve mentir.

É uma coisa má.

Magoaste a mamã?

Amor, estávamos a brincar.

Quem brinca assim?

Tiziana!

Tenho de te dizer uma coisa.

Mas…

- É verdade que me bateste. - Mereceste.

E eu gostei.

Foi bom, sim.

Sinto que estes dias, este tempo que passámos separados,

reacendeu tudo em mim…

- E em mim. - A sério?

É esta coisa de vivermos juntos. Os miúdos…

Sim, se voltássemos a viver juntos, acho que acabávamos ao fim de um mês.

- Sem dúvida. - Também tens esta…

Sem dúvida.

Estamos tramados.

Não há solução.

Tenho uma ideia…

Olá, amor.

O que estás a fazer?

São as tuas coisas.

Leva-as, vai-te embora e manda alguém vir buscar o resto.

- Que se passa? - Sou uma idiota.

Há quanto tempo andas a comer a Valentina?

Não. Espera.

Mas o problema era a relação aberta. Claro.

Deixa-me explicar…

Não. Riccardo, não precisas de explicar nada.

O que se diz nestas circunstâncias? O problema sou eu, não tu.

Eu é que passei demasiado tempo com um homem egoísta e infantil.

Agora, vai.

- Por favor. - Vai!

Espera.

Toma o dinheiro da venda do restaurante.

- Não é preciso, podes transferir… - Não, eu insisto. Aqui está.

O que é isto?

Vendi as tuas ações por um euro.

Para a próxima, lê o que assinas.

Vai-te embora, Riccardo!

O homem patriarcal, forte, duro, inabalável nas suas decisões,

é um homem doente.

Amor, a tua ideia de ligares em direto foi genial!

Somos os assuntos mais falados.

Um evento?

A evolução e o autoquestionamento são fundamentais.

Não, vou-me embora, Massimo.

Não percebo.

Temos de perceber o que realmente queremos.

Nestes meses, percebi que me safo bem sozinha.

Já não quero ser apenas a namorada de alguém.

Estás a deixar-me.

Não acredito. E comprei esta casa para nós.

- Não. - Sim.

Não, compraste-a para ti. É tua.

Eu sempre quis viver no centro.

Adoro-te.

A nossa geração tomou tudo como certo.

Foi isso que os nossos pais fizeram, e nós fizemos o mesmo.

Também vais embora?

Sim. Adeus, senhor.

Deixei-lhe refeições individuais para um mês no congelador.

E deixei-lhe um desenho na mesa a mostrar como o micro-ondas funciona.

É melhor que isto, senhor.

Adeus, Sr. Massimo.

Os jovens de hoje, por outro lado, sabem voltar atrás nas suas decisões.

E nós devíamos fazer o mesmo.

Abdicar da nossa ambição e da nossa agressividade.

Aceitar a nossa vulnerabilidade,

aprender a perdoar,

e dedicar-nos a cuidar das nossas famílias,

dos nossos filhos e das tarefas domésticas.

Nós, os homens obcecados pelo sucesso,

pelo poder e pela força,

suprimimos o nosso lado feminino.

É importante aceitar comportamentos tradicionalmente considerados femininos.

Mas estes comportamentos fazem parte de nós.

Só assim conseguiremos acabar com a misoginia e a homofobia.

Somos homens em evolução,

a meio caminho entre o homem duro e insensível do passado

e um homem novo.

Firme, mas meigo.

Viril, mas sensível.

É esse o nosso objetivo.

Boa sorte a todos.

Obrigado.

DOIS MESES DEPOIS

Estão a ver? Os cães são os novos restaurantes.

Quando falas, não te percebo.

Negócio. Após a pandemia, o pessoal com cães triplicou.

Talvez entre nesse ramo com um spa para cães.

Pede conselhos à minha ex.

- Podia. - O que raio estás a dizer?

- Estou a brincar. - Não percebes.

A Daniela enviou algum sinal de paz?

- Não. - Não?

- Há compradores para a vivenda? - Alguns. Sim. Mas não a quero vender.

Nem a mim?

Nem para os meus cinzeiros tens dinheiro.

- És uma pessoa horrível. - Já arranjaste casa?

Não estou à procura.

Ficar na casa da minha mãe funciona para mim e para a Tiziana.

Estou bem assim.

- A tia Emilia morreu? - Infelizmente, não.

- Lamento. - Sim, é dura. Estamos a tratar disso.

E tu? Quando é que vais viver com a Federica?

- Só quando contarmos à Emma. - Ainda não contaram?

Cá estamos nós.

- É linda. - Que tristeza.

Pago eu o café, como antes.

- Nunca pagaste nada. - Nunca pagaram.

- Nunca nos pagaste nada. A sério. - Nunca pagaram.

Fecharam o bar da universidade.

- Tristeza. - O bar onde nos conhecemos.

Estamos velhos. As coisas mudam.

Eu percebo, mas as nossas memórias desapareceram.

Bola!

- Não. - Sim.

- Não. - Bola!

- Não. - Sim, vamos lá!

Aí vêm eles.

- Desculpem. - Veteranos a entrar no campo.

- Dribla! - Podemos fazer um torneio. Quatro.

- Santo Deus! - Credo!

Falhou!

- Credo! - Não festejem já!

Legendas: Ana Moura

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