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A televisão está cheia de mulheres sempre um passo atrás dos homens.
Antes, chamavam-lhes assistentes, agora, colaboradoras,
mas vai dar ao mesmo… - Quantas usaste nos teus programas?
Alguém tem de trazer as flores para o palco.
A objetificar mulheres. Que vergonha.
Silêncio.
Este imaginário falhado é fruto de uma mentalidade sexista
que objetifica sexualmente o corpo feminino.
Objeti…
- Que estás a fazer? - A tirar apontamentos.
"Mulher" não se escreve assim.
HOMENS DE VERDADE
É uma objetificação sexista do fruto sexual.
- O quê? - Isto.
Primeiro, juro que não te estou a perceber.
Segundo, era uma prenda.
Chamas prenda a um vale para um ménage à trois?
Porque não me dás uma gravata, como as outras mulheres?
Não sou como as outras mulheres, e qualquer outro teria ficado feliz.
Eu também, mas não é fácil.
Porquê? Chamam-se acompanhantes. Há tantas lindas.
Aí está. Isso é objetificar as mulheres, como com as assistentes.
Amor, pagar por uma mulher está errado. Muito errado.
Tens razão. Está errado.
Não lhe devíamos pagar. Encontrarei alguém que venha de graça.
És bom.
Não era bem isso.
Porquê?
Tira uma foto agora. Os fósseis vão embora.
Sim.
Deixa-me ver.
Sim, não está má.
Estou a escrever isto: "A sinceridade é o caminho para o céu."
O que é isso?
É de Confúcio, não de um idiota qualquer. Não concordas?
Claro. Se o Confuso o disse, claro.
Massimo, tens de ser sincero comigo.
O que se passa contigo? Desde manhã que estás…
Que pagamento de 480 euros é este à Bem-Estar do Corpo e da Mente Lda?
Quando tinhas o meu cartão, não te controlava,
e gastaste 600 euros no cão.
- Não me controlavas? - Bem…
Eu gastei esse dinheiro na Baguette, mas tu…
Eu o quê?
Um sítio que dá massagens com final feliz.
- O quê? - Bem-Estar do Corpo e da Mente Lda…
Inscrevi-me num curso.
De quê?
De desconstrução da masculinidade.
Ou seja?
Ou seja, foi recomendado pelo Eugenio, o nosso amigo gay.
- Amigo gay? Tu? - Sim.
Sempre achei que eras homofóbico.
Eu? Porquê?
Porquê? Chamas maricas ao Lodovico Maria.
- Ele é maricas. - Massimo.
Vês? Nem me apercebo. É precisamente isto que quero mudar.
Muito bem.
É admirável que te esforces para superar as limitações e os preconceitos.
- Essa também é do Confuso? - Não, é minha.
Seja como for, se te puder dar um conselho…
… não desconstruas nada da cintura para baixo.
Uma oportunidade para o Instagram. Tira uma foto. Vá.
- Sim. - Vá lá. Obrigada.
De cima, para me apanhares a mim e ao prato.
Deixa-me ver.
Não, só se vê a cabeça. Não, tens de ficar mais alto.
- Como? - Sobe para a cadeira.
Vá lá, o que te interessa? Vá lá.
É só para tirar uma foto.
Vá lá.
Pai, acabaste por fazer sexo com a Gaia47 ou não?
- Não, com ela não. - Sim, foi o que pensei.
Com a Alessia sim, certo?
Sim. Claro, com ela, sim.
- Estamos quase lá. - Emma, já chega.
Não posso continuar com isto. Desculpa.
Ando a sair com a Chiara, gosto muito dela e quero fazer amor com ela.
Pai, não pode ser. É a última coisa de que precisas.
Tens de desfrutar da liberdade sexual, experimentar.
Vou experimentar com a Chiara. Vou vê-la hoje à noite.
Vai ser diferente, mais íntimo, mais exclusivo.
Não. A fidelidade e a monogamia destruíram a vossa geração.
Vai abrir a porta, é o Gustav.
- Entra, por favor. - Olá, Mattio.
Mattia.
Ela vem já.
Sim, bastante, mas… Ei-la.
Olá.
- Vamos? - Está bem.
Falas sempre mal da monogamia,
mas andas sempre com o alemão.
Não te preocupes, não é meu namorado, só fazemos sexo. Adeus.
Tens a certeza disto?
Não temos dinheiro para um psicólogo. Esta é gratuita.
- Conhece-la? - Não.
- O que sabemos? - Que é grátis.
Entrem, por favor.
Os filhos costumam culpar-se pela separação dos pais.
Porquê? A culpa não é deles.
A culpa é dela.
Ninguém tem culpa.
Daí ser importante explicar-lhes
que o vosso amor e o amor que sentem por eles são diferentes.
- E que nunca deixarão de os amar. - Claro que não.
Também me prometeste isso, lembras-te?
- E então? - Estou só a dizer.
- Mudei de ideias, está bem? - Certo.
Têm mesmo de evitar isto à frente deles.
As desavenças, as discussões…
Eles têm de sentir que vocês ainda se amam,
mas de uma forma um pouco diferente.
Meninos, acalmem-se.
Pronto, sentem-se.
Sentem-se. A mamã e o papá vão ler-vos uma história maravilhosa, esta noite.
Tens cancro?
- O quê? Não. - Porque disseste isso?
A mãe da Ilaria contou-lhe uma história por estar a ficar careca.
Amor, eu também sou careca.
Ela é mulher.
Tens razão, mas não é…
Esta é a história de uma família que se ama muito.
- Exatamente. - Que seca.
Não, senta-te e ouve. É uma história importante e bonita.
Obrigada.
- "Era uma vez um camaleão, o Gigiù." - Os camaleões são nojentos, comem moscas.
Ouve, amor. Continua.
"Vivia na sua árvore com a mamã e o papá, e sempre foram felizes.
Mas, um dia, o Gigiù reparou que os pais andavam a discutir muito.
Certa manhã, o Gigiù viu que os pais já não eram verdes,
mas sim cinzentos.
Logo, perguntou-lhes: 'Mamã, papá, porque já não têm as cores do arco-íris?'"
- Deixa o papá ler. Faz vozes cómicas. - Sim, lê tu.
- Está bem, lê tu. - Eu? Está bem.
"'… cores do arco-íris?' E a mamã respondeu:
'Estamos cinzentos porque a tristeza entrou no nosso coração.'
E o papá disse: 'A melhor forma
de recuperarem a alegria é a mamã e o papá viverem separados.'"
É o papá que tem cancro, não é?
Não, amor, não. O papá é muito sensível.
Muito sensível.
- Olá. - Olá.
- Queres jantar? - Não, obrigada. Tomei um aperitivo.
Não ouvia a palavra "aperitivo" desde 2005.
Desaconselho-lhe a usá-la nos hashtags ou nas stories.
Está bem, aceito.
Aceita outro conselho. Talvez esse vestido seja um pouco vulgar.
- Estás louco? Tu é que mo deste. - Sim, mas era só para eu ver,
não milhares de gajos excitados nas redes sociais.
Devias pedir o meu dinheiro de volta. O curso não te está a fazer bem.
Não gosto daquilo em que te estás a tornar.
Porquê? O que me estou a tornar?
Uma pessoa um pouco fútil.
Tu não és cirurgião numa ONG.
Trabalhaste em televisão, danças, concursos, reality shows…
- Reality shows, nunca. Não. - Sim.
Então e tu,
que só pensas na tua aparência, com o cão ao colo? O que é isso?
O que tem isso que ver? Isso é o meu avatar, não eu.
Preferia quando eras menos fabulosa e assistente de loja.
Já percebi, é isso que te está a irritar.
Não ser assistente e ganhar dinheiro?
Mas eu percebo,
porque para estares com uma mulher de sucesso tens de ser um homem forte.
A atenção que tens não te faz bem.
Nem receber nenhuma de ti.
- Tira as meias. - Não se veem.
Tira as meias.
Vá lá.
Muito bem.
- Barriga para dentro. Sorri. - Não tenho barriga.
Muito bem.
- Agora… Meu Deus, o que irá ela dizer? - Nada. Não vai responder.
- Isso seria tolo. Somos lindos. - Talvez demasiado. Está intimidada.
Está a escrever!
"Amanhã, vamos divertir-nos muito."
É a nossa primeira vez. Estou ansiosa.
Já posso calçar as meias? Estou com frio.
Gosto do cheiro a incenso.
Agora, lembrar-me-á sempre de ti.
Cuidado, isso é cancerígeno.
A sério?
Cuidado, estás a fazer-me cócegas.
- A sério? - Sim. Não, isso irrita-me muito.
- Desculpa. - Desculpa…
Não. É querido…
Dormes cá, hoje?
Não.
- Não. - Prometo que não te faço cócegas.
Eu sei.
A minha filha está em casa. Não posso.
A tua filha não tem 17 anos?
Sim.
Então, é um pouco estranho, não é?
Ela é sonâmbula.
A sério?
Sim. Ia mentir-te? Não.
Desde que nos divorciámos, ela tem tido episódios…
Se não estiver lá…
Meu Deus, desculpa.
Colocámos espuma de borracha e está mais segura, mas tenho de ir, sim.
Está bem.
- Podemos voltar a combinar. Sim? - Sim.
Pronto. Vou buscar os sapatos.
Achas que é o melhor sítio para lhes dizer?
Sim, é perfeito. porque é lindo, divertido e sossegado.
Sabes que a mamã e o papá te amam muito, certo?
Este amor nunca acabará.
Estaremos sempre unidos.
Seremos sempre próximos.
Aconteça o que acontecer.
Descontrai, papá, não vamos morrer. Esta atração é segura.
Pedala!
Meninos, a mamã e o papá vão revezar-se em casa por uns tempos.
Sim, uma semana cada um.
Exatamente. O que o papá está a tentar dizer é que…
- Diz-lhes. - Diz-lhes tu. A culpa é tua.
A culpa não é minha nem de ninguém.
Meninos, ouçam. Os pais não querem ficar cinzentos como os camaleões do Gigiù.
Vá lá, eles não vão perceber, assim.
Muito bem, meninos…
Podemos dizer que a mamã e o papá…
A mamã e o papá vão separar-se, está bem? Vão acabar para sempre, está bem?
Papá, esqueceste-te do protetor bucal.
Obrigado, amor. Já não o uso.
Não fiques triste.
Não fiques triste tu. Prometes?
De todo. Agora, na escola, vou finalmente sentir-me como os outros.
Porquê?
Só os meus pais é que ainda eram casados.
Seja como for, o teu quarto continua igual.
Obrigado.
Só há…
Só?
Tia Emilia, vê só quem está aqui. O Luigino voltou.
A cabeça já não está muito boa.
- Onde vou dormir? - Aqui, na cama de lona.
- Com a tia Emilia? - Sim.
- Vou buscar-te uma boa almofada. - Obrigado, mãe.
Cerejas. Temos de apanhar as cerejas.
Com o comboio a fazer aquele barulho.
Apanha o metro.
- Já não precisamos do leque. - Não.
Olá, pessoal. Acabei de chegar a casa da minha mãe.
- Sinto-me um pouco perdido. - Não…
Quem está a cantar é a minha tia Emilia.
Vai ser uma fase difícil para mim, mas sei que estarão lá.
Adoro-vos.
A Lua, a nadar através…
Adeus.
Sim…
A tua mulher anda a pôr-te os cornos com um mais novo, não é?
O Massimo parece estar a sabotar-me no que toca ao trabalho.
Não percebo. Ele piora o teu desempenho?
Sim, é isso. Não me ajuda.
Daniela, quando tens um problema com um empregado, tens de despedi-lo.
Não.
Não, impossível.
- És uma empreendedora. - Uma empreendedora…
És uma empreendedora, não és uma ONG.
Despede-o.
Hoje.
Voltinha…
Mãos.
Voltinha. Vamos lá.
- Volta, cabeça… - Maria.
Maria, o que é isto? Também te tornaste uma influencer?
Sim. Mal a senhora começou a seguir-me, também me tornei uma influencer famosa.
- Desliga já isso. - Sim.
Não podes gravar aqui. Quero privacidade.
Mas a patroa já mostrou tudo.
Ouve, és paga para trabalhar, não para bailar.
- Isto é um trabalho, senhor. - Maria, podes deixar-nos a sós?
Sim, senhora. Com licença.
- Eu não… - Massimo.
- Tenho de falar contigo. - Diz.
Estive a pensar
que quando duas pessoas trabalham juntas num escritório,
e não se dão muito bem,
há uma coisa que ajuda.
Mal o trabalho acaba, cada uma vai para sua casa.
- Certo? - Não percebo.
É algo que não se pode fazer quando trabalham juntas
e vivem na mesma casa.
Logo, nesse caso,
talvez pôr um fim ao lado profissional possa ajudar.
Já percebi!
Queres despedir a Maria? És louca. Não, não concordo.
- Não, Massimo… - Daniela, acabei de ser despedido.
Sei bem o que se sente.
Nunca poderia fazer algo assim a outra pessoa.
Não, a sério, não concordo.
Exatamente.
Não há química. Só queria fugir daquela cama.
- Gostas dela? - Sim.
Mas o problema é esse. O sexo é um desastre.
Dá-lhe tempo.
Elas primeiro retraem-se e depois soltam-se. Confia no perito.
Ouve o perito, o único homem que tem problemas com um ménage à trois.
Dizes isso porque não é contigo. Sim.
Tínhamos uma vida de casal tão tranquila. Porquê comigo?
Era tão boa.
Só tu é que traías, ela só dormia contigo.
Sim, belos tempos, certo?
Queria perguntar… Se começarem a fazer coisas entre si,
e te excluírem, acaricias-te a ti mesmo?
- Paras? - Desculpa…
Estás a rir de quê? A Tiziana já está com o PT dela.
- A Tiziana está em casa. - Com ele.
- Achas? - Na tua cama.
- Vá lá. - Os miúdos ao lado ouvem…
Estás a fazer sons. Mas que raio?
Papá, o que estás a fazer?
O papá chegou.
Sim, mas não…
- O papá está aqui! - Sim!
- Vamos brincar! - Sim!
Está bem, vamos brincar. Sim.
- Então… Olá. Peguem no Lego. - Para a cama.
- Volto em três minutos. - Prometes?
- Prometo. - Sim.
- Adeus. Até já. - O que raio fazes aqui?
- Vim buscar o protetor bucal. - Não o usas há anos.
Mas tenho muitas coisas novas na minha vida. Subestimas-me…
Espero mesmo que sim. És um mentiroso, vieste espiar-me.
- Sim, porque já não confio em ti. - Achas que traria cá alguém?
- Não sei. - És louco.
- Tu é que és, metida com um miúdo! - O miúdo é muito mais maduro do que tu…
Estás a ouvir-te?
- O que estou a dizer? - És patética.
Vou tirar-te tudo, até o protetor bucal. A espiar-me…
Que idiota.
A minha pulsação. Espera.
Divertido?
Muito.
És bom.
És muito bom.
Não fazias sexo há muito tempo?
Não, porquê?
Por nada. Pareceu…
Há muito tempo que não fazia bom sexo.
Não a estou a ver. E tu?
Não, mas acho que não vem. Não vem.
Ei-la.
É linda.
- Tu és mais. - Amor…
- Olá. - Olá.
- Olá. - Olá.
Desculpem, não vos encontrava. São diferentes ao vivo.
Como assim?
São mais bonitos.
Obrigado.
- Bebemos algo leve? - Com todo o gosto.
Vodca.
O autocarro avariou. Têm de ir a pé.
O que raio está a dizer? Tenho de ir a Rieti!
Fiz tombar uma cadeira.
Ela não acorda.
- Porque ficou? - Não sei!
Pensei que a seguir… ela se fosse embora, mas não.
- Talvez queira que a levemos a casa. - Também?
Pagámos as bebidas todas. Pode chamar um táxi!
Então, amor…
Mantém a calma. Amor, passas-me o café?
Porque gritas?
- Sei lá. - Ei-los.
- Olá, meninos. - Olá.
Dormiste bem?
Acho que o colchão era um pouco duro.
É verdade, é desconfortável. Temos de o mudar. Café?
- Não, obrigada. - Chá?
Café de cevada?
É a vossa primeira vez, não é?
Não, a nossa? Estás a brincar? Somos famosos pelos ménages.
Já chegámos a ser cinco.
Está bem.
Meninos, foi um prazer. Obrigada por tudo.
- Podemos repetir. - Obrigado.
Prefiro não repetir.
Caso contrário, há sempre problemas, questões e…
- Certo. Profissional. - Claro.
- Adeus. - Adeus.
Vá lá, o que…
O que disse eu? Foi algo positivo.
Ela não gostou de nós.
- Não. - Não.
Bem, amor… Paciência.
- Se não aguentas muito… - Se não aguento…
Ilenia, não é normal estar ocupado com uma miúda enquanto a minha namorada está ali…
… a ver. Está bem?
Que é isto? Um concurso de talentos? Vá lá.
Esperava algo melhor. Estou um pouco desiludida.
As coisas tradicionais são as melhores.
À antiga.
Tinha razão ou não?
Di-lo.
Devíamos tentar com um homem.
- Foda-se! Não. - Vá lá.
Se nunca provaste, não podes saber se gostas.
Não!
- É o que me dizes sempre. - Não!
- Riccardo. - Não!
- Ricky. - Não!
- Vá lá. - Não!
Não!
Legendas: Ana Moura
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