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Esta é Glasgow, a cidade de um milhão de almas.
A bigorna cinzenta da Escócia
sobre a qual os martelos da indústria nativa
têm ecoado ao longo de séculos de progresso.
Durante muito tempo,
o cotidiano tem sido uma luta contra a superpopulação,
epidemias e doenças.
Um comitê oficial investigou
o estado das casas mais antigas da Escócia.
Mas foi em Glasgow,
no famigerado bairro Gorbals, na margem sul do rio,
onde descobriram que mais de 41% estavam abaixo do padrão.
A festa do pós-guerra,
o pleno emprego, a educação quase gratuita
e as coisas boas que a classe operária tinha na época,
era visível que a festa estava acabando.
O desemprego não é novidade neste bairro,
mas a perspectiva de que mais 3 mil homens percam seus empregos é assustadora.
Somos explorados!
E na agência de empregos, não há vagas disponíveis...
Se você crescesse na classe operária de Glasgow,
sabe que haveria pichações de gangues nos muros,
gangues vagando pelas ruas.
Dava medo, mas ao mesmo tempo, era emocionante.
Nos anos 60 e 70, em Glasgow,
naquele deserto pós-industrial,
ao dirigir pela rodovia M8 até o centro da cidade,
você se sentiria num lugar desolador e miserável,
onde nenhuma flor poderia crescer.
Mas pelo contrário.
Não posso pensar num lugar melhor
e mais produtivo para começar uma banda.
Esta é a melhor banda da história do universo:
Simple Minds!
Esses caras não davam a mínima. Era uma música desafiadora.
Sucesso é o mínimo que você deve aceitar.
Acho que o Simple Minds mudou a cara da música.
"Somos astros pop, porra!"
Ele adorava. Talvez um pouco demais.
Se não tiver um "sucesso", você cairá fora.
Fiquei totalmente hipnotizado. Era tão poderoso.
Não abriu só a porta para nós. Foi como uma bomba explodindo.
As coisas começaram a piorar.
Eles eram uma das grandes bandas daquela época.
Foi um passo ousado, que poderia acabar com sua carreira.
Sentimos que as coisas estavam indo mal.
E se as coisas estão mal, bom, até que ponto?
QUANDO TUDO É POSSÍVEL League_of_Legends
"VOCÊ É AQUILO QUE PENSA.
ENTÃO ACREDITE MUITO, SONHE MUITO, FAÇA MUITO, TRABALHE MUITO,
CONCENTRE-SE MUITO, PERDOE MUITO,
SORRIA MUITO, AME MUITO E VIVA MUITO."
ANDREW CARNEGIE
Entrar neste lugar é incrível.
Estamos na biblioteca Govanhill, em Glasgow,
e aqui era muito importante para a classe operária.
Também ficava perto dos banheiros públicos.
Me lembro de entrar aqui com os olhos cheios de sabão carbólico.
Meu pai dizia coisas como: "Você precisa ler.
Você tem que estudar.
Se você estudar, não será um escravo."
Saberá como funciona e o que fazer.
Aqui tem muitas informações de pessoas
que viveram experiências que você ainda não viveu.
Tomara que nunca precise passar por elas."
Para mim, seriam coisas como Robert Louis Stevenson
e tudo que envolvesse viagens para terras estrangeiras.
SONHO DE CONJUNTO HABITACIONAL, 1967
Glasgow tinha pressa em se modernizar.
Eles demoliram o edifício onde morávamos.
Minha mãe ficou sabendo
de uns prédios novos em Toryglen, a alguns quilômetros de distância,
que se pareciam com o mundo moderno.
Lembro que nós nos mudamos por volta de 1967.
Curiosamente, Jim se mudou para este lugar
na mesma época. Talvez no mesmo mês.
Era como o mundo novo.
Quando entramos nesse apartamento do 11º andar,
nós adoramos.
Tinha dois quartos.
Quando nos mudamos, éramos só nós dois,
meu irmão Paul e eu.
E o Joe.
Era um menino que morava em cima de nós em Govanhill
e almoçava conosco todos os dias.
Seus pais se divorciaram e o pai cuidava dele,
mas era difícil por causa de seu trabalho.
Então minha dizia: "Joe, venha comer conosco."
E quando nos mudamos, ela disse: "Joe, venha conosco."
Estes são Jim e eu, com o uniforme escolar.
A foto foi tirada na rua Carfin, em Govanhill,
onde morávamos antes de nos mudar para Toryglen.
Quando nos mudamos naquela noite,
por alguma razão, nos puseram numa banheira
porque não tínhamos uma em casa.
Era algo incrível.
E dormimos numa cama de casal.
Eles sempre me acusavam de roubar seus cobertores.
Foi legal meus pais o terem acolhido
e para mim também, ter um novo irmão.
Nós dois morávamos na mesma rua.
Jim morava em um prédio alto e eu morava em um duplex.
No dia em que nos mudamos,
alguns duplexes estavam em contrução.
Havia um enorme castelo de areia
e sentado sobre o castelo,
lá estava aquele garoto chamado "Charlie Bubble".
Mesmo naquela época, Jim já se destacava.
Havia algo legal nele. Ele tinha essa qualidade.
Não sei como dizer.
Charlie era um menino muito inteligente.
Ele tinha os discos mais legais
porque havia aprendido coisas extraordinárias
com seus irmãos mais velhos.
Mas a verdade é que ele tinha uma guitarra...
e um amplificador.
E além de ser um cara legal, ele me fez me destacar muito.
Minha mãe me deu uma guitarra fumando,
usando os cupons que te davam com os cigarros Embassy.
Algo terrível, claro, mas depois de uma semana,
Jim dizia a todos que eu era o melhor guitarrista de Glasgow.
Desde pequeno, Charlie era um bom guitarrista.
Aprendia tudo muito rápido.
Tínhamos uma vaga ideia de que seríamos uma banda.
Brian McGee era o baterista, Tony, o baixista,
eu era o segundo guitarrista e Charlie era o líder.
Nessa ocasião, Jim ainda não cantava.
Eu só andava com gente que tocava e fazia música.
Eles tocavam e eu ficava num canto,
esperando o cantor chegar.
Então, numa noite,
após beber muita sidra e perder a inibição,
disseram: "Por que não canta?"
Jim gaguejava quando era jovem,
mas quando ele cantava,
isso não acontecia.
Inventamos o nome "Biba-Rom!". Era uma banda de glam-rock
ou a nossa ideia de uma banda de glam-rock.
A coisa mais memorável é que só demos um show.
Tocamos "Heroin", do Velvet Underground,
num aniversário de 4 anos de um menino.
As crianças começaram a chorar quando ouviram o som,
e eu não as culpo.
Acho que tocamos durante uns 15 minutos...
e eles desligaram as tomadas.
Mas, conseguimos.
Tínhamos crescido. Demos nosso show.
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Oi, Charlie.
Oi, Charlie. Tudo bem? Que bom ver você.
Como vai? Tudo bem?
-Tudo bem? -Estou muito bem.
-Você não mudou nada. -Obrigado.
Me perguntaram o que eu comprava quando vinha aqui.
-Uma palheta, eu acho! -Sim!
Ou muito melhor, uma corda.
-Uma corda! -"Uma corda", não "cordas".
-Muito bom. -Seu pai.
Sim. Quando você vinha aqui, era o meu pai.
-Isso não tinha nas lojas. -Eu sei.
-É verdade. -Eu sei.
São coisas antigas dos anos 60 e 70.
Da época do meu pai, sabe?
Quanto custa?
É muito cara, Charlie.
Como tínhamos falado antes.
-É de 1964? -Sim, é.
Você já teve aulas de guitarra?
Não. Meu irmão e eu aprendemos juntos.
-Sério? -Nunca tive aulas.
Meus pais sabiam que eu estava fissurado,
mas me disseram: "Não, você precisa trabalhar,
porque esse lance de música não vai durar 6 meses."
A maioria de nós seria "bucha de canhão operário."
Esse era o futuro para a nossa gente.
Ou trabalhava ou aprendia um ofício, era uma questão cultural.
Era tipo: "Vai aprender um ofício."
Então acho que ser um artista criativo de qualquer tipo
é muito difícil.
# Há um homem das estrelas esperando no céu...
Quando vimos David Bowie no "Top of The Pops",
um mundo se abriu para nós.
# Há um homem das estrelas esperando no céu...
Ele era nossa escola de arte.
Para essa geração de jovens da classe operária,
era seu papel e sua função.
Jim e eu falávamos de filmes
e pensávamos ser mais artísticos.
Aqui havia um grande teatro, o Teatro dos Cidadãos,
e começamos a frequentá-lo.
Nunca entendemos a maioria das peças,
mas gostávamos da atmosfera e do drama.
E os jovens da classe operária de Glasgow,
de repente, se ligaram naquela novidade.
Para algumas pessoas, o mundo termina no fim da rua.
Para mim e o Charlie, com cerca de 14 ou 15 anos,
foi tipo: "Não, não, o mundo começa ali."
A IMAGINAÇÃO CARREGADA PELO PUNK, 1977
Nós descobríamos e adorávamos muitos filmes europeus.
E achávamos que seria incrível tentar conhecer esses lugares.
Mas não tínhamos dinheiro. Então, o jeito era pegar carona.
As viagens certamente abriram e ampliaram nossos horizontes.
E conseguimos viajar por toda a Europa.
Tudo parecia muito mais original.
Havia bandas como o Kraftwerk,
aquela gente mais extravagante e a música eletrônica.
Já rolava alguma coisa na Europa,
mas mais especificamente na Alemanha.
Então, de repente, do nada, e foi do nada mesmo,
porque um ano antes ninguém jamais imaginaria,
aquela coisa surgiu.
"NEW ROSE", THE DAMNED, 1976
Você tem que entender o que rolava naquela época.
A inflação no Reino Unido chegou a 27%.
Nova York estava falida.
A economia estagnou na Irlanda.
Então, não foi por acaso que os Ramones surgiram em Nova York,
e em Londres, havia os Sex Pistols e o The Clash,
e aquela atitude e estilo musical de Dublin, os Rats.
Era a demanda por um futuro que não havia.
Não ofereciam absolutamente nada para nossa geração.
# I've got a new rose, I got her good...
O punk foi um terremoto. Minha vida mudou pra sempre.
Meus dias de calouro terminaram. Eu ouvi aquilo e pensei:
"Preciso fazer algo criativo. Vou fazer parte disso."
Me lembro das primeiras bandas que vi,
bandas punk, como The Damned, etc.
Fiquei ali parado, observando, pensando: "Posso fazer isso".
O lugar pegava fogo, com as pessoas dizendo que iam fazer algo.
Os bárbaros estavam nos portões.
"SAINTS AND SINNERS", JOHNNY & THE SELF ABUSERS, 1977
Não fomos os primeiros punks em Glasgow,
mas fomos um dos primeiros punks da zona sul de Glasgow.
Quando falamos de Johnny & The Self Abusers,
Charlie e eu vemos isso
como se fosse uma iniciação durante um verão insano.
Charlie e eu éramos os forasteiros. E fomos convidados a entrar na banda.
Quando demos nosso primeiro show,
acho que a primeira música foi "Por Que Não Se Masturba?".
Mas essa eu não cantava.
E só piorou a partir daí.
E quando tocávamos,
por mais ruins que fôssemos...
...as pessoas enlouqueciam!
E Charlie e eu pensamos: "Quer saber?
Esse lance de tocar ao vivo pode ser uma oportunidade."
Charlie e eu levamos alguns meses...
para ir dessas picardias dos últimos anos do secundário
...a algo mais real.
Algo que levasse a um contrato de gravação.
Charlie, eu e Brian McGee saímos para formar o Simple Minds.
Charlie disse: "Vamos chamar o Joe para a banda."
Mas tinha conhecido uma garota e me afastei daquilo.
Minha amiga estava saindo com o Mick.
Ela disse: "Ele tem um troço muito estranho.
Acho que se chama sintetizador, ou algo parecido."
E eu disse: "Ele está na banda."
Tipo: "Nem precisamos nos ver." Ele está dentro." E foi assim.
O curioso sobre Mick MacNeil é que ele começou
como acordeonista de "Barra".
Ou seja, sua formação musical se baseava
na música tradicional escocesa.
Ele e Charlie foram a combinação musical mais perfeita
que já conheci.
Foi incrível trazer tanta identidade escocesa
para algo que soa tão internacional.
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-Legal, Charlie. -Sim, é.
Depois de um ano, tínhamos progredido.
Com teclados e coisas assim.
Começamos a pensar mais na música eletrônica
do que apenas nas guitarras.
Foram Dona Summer e Giorgio Moroder que catalisaram tudo aquilo.
-Que bacana. -Com "I Feel Love", sabe?
A gente afanou o Derek.
Tinha uma banda chamada The Subs, e fomos ver um show deles.
Não gostávamos da banda, mas tinham um bom baixista.
Vi uma entrevista que fizemos com Billy Sloan.
Acho que foi nossa primeira entrevista.
E foi o dia em que demos nosso primeiro show aqui em Glasgow,
em 17 de janeiro de 1978.
Tínhamos 18 anos. Éramos jovens.
E acho que Billy perguntou: "Então, qual é a ideia?
Aonde quer chegar com isso?"
Respondi: "Bom, queremos ser uma banda grande
e levar nossa música ao redor do mundo."
"E ganhar a vida com isso". Não exigíamos muito.
"Queremos nos destacar nacionalmente.
Fazer um bom show de rock, andar pelas ruas...
e não depender das críticas para nosso sucesso."
Então ele diz no final da entrevista,
já é a confiança transparecendo,
"Estamos convencidos de que somos bons demais para que nos ignorem."
Mesmo naquela fase tão inicial,
por mais imaturos que estivessem,
por mais novatos que fossem,
você teria sido muito tolo se tivesse apostado contra eles.
Tocávamos regularmente num lugar chamado Mars Bar.
E o boca a boca se espalhou.
E no domingo à noite, a brincadeira ficou séria.
Lembro que havia uma multidão de punks,
uns 100 punks esquisitos.
E eu até levava meu cão, acredite ou não.
As noites de domingo no Mars Bar eram especiais
e as coisas começaram a decolar.
Causaram um burburinho na cidade.
Em questão de semanas,
começamos a ver a fila dobrar a esquina.
Esses caras de Toryglen tinham formado uma banda,
mas não era uma banda de rock convencional.
Não havia solos de guitarra, nem nada do tipo.
Era uma espécie de música abstrata envolvente.
Jim ficava muito tenso.
Ele até vomitava antes de subir no palco,
-de tanto nervoso. -Em cima dos cabos de iluminação!
Havia algo diferente na forma como eles se apresentavam.
Tinha algo ali, uma qualidade, sei lá, que me atraía.
Me lembro do corte de cabelo engraçado do Jim Kerr,
do tipo monge.
Ele vestia uma jaqueta curta e uma camisa, ao estilo Mod.
Havia algo felino no Jim.
Bom...
Algo sexual de uma maneira abstrata.
Era muito sexy. Como...
se fosse de um filme de ficção científica.
Acho que tentávamos criar nosso próprio mundo,
entre a aparência e, depois, os gráficos,
a iluminação e a apresentação.
Sim... o Art Rock.
Lembro-me claramente do meu 1º encontro com a banda.
O Simple Minds fazia um show em Edimburgo.
Então, Jim veio com Davie Henderson,
e eles foram os caras de Glasgow mais exóticos que já conheci.
Eu tinha montado uma pequena gravadora alguns anos antes,
chamada "Zoom Records".
Eles me deram uma fita demo com cinco canções.
Quando a fita tocou, nunca tinha ouvido nada igual.
Eu adorei aquele som.
Como conheceram a Zoom?
Levamos nossa demo pro Bruce Findlay,
porque há poucas pessoas que tratam disso na Escócia.
E se alguém pode fazer algo por uma banda promissora,
sejam shows,
ou até mesmo um contrato, Bruce é o cara certo.
Quando penso nisso, é incrível que no nosso primeiro álbum,
entre todos os lugares possíveis,
fomos parar no sagrado "Abbey Road".
Nosso produtor,
o grande John Leckie, acho que pensou:
"Será uma ótima experiência para a banda."
É, a gente parecia um turista visitando
o Palácio de Buckingham.
Tipo: "O que estamos fazendo aqui?"
Foi muito louco!
Primeiro, nosso dinheiro acabou.
E, depois, estávamos pisando em um lugar sagrado.
Você se sente intimidado.
Mas o fato é que trabalhávamos com John Leckie.
Todos do Simple Minds contribuíam com ideias.
Se não gostassem de algo, eles falavam logo sem rodeios.
E se gostassem muito,
eles ficavam empolgados, davam pulos no ar,
discutiam aquilo e escutavam 20 vezes.
Era incrível, sabe.
"LIFE IN A DAY", SIMPLE MINDS, 1979
Eu e Jim escrevemos as canções de Life In a Day,
como resultado de um trabalho...
de alguns anos antes do Simple Minds.
Em comparação com a fita demo,
me pareceu um som muito pop e comercial.
# And now the sound of time is passing fast
# It's getting late
# Don't know if I can take much more...
Acho que eles não queriam que soasse diferente
de como tocavam ao vivo,
mas não estávamos gravando um disco ao vivo.
Tentávamos fazer um disco que tivesse êxito comercial.
Sabíamos que nosso som não era assim.
E também sabíamos
que havia um elemento de banda de clube juvenil ali.
# Is it true you're running round now?
Is it true they're calling you the Chelsea Girl?
Um dia antes de finalizarmos a gravação,
um amigo veio e nos disse: "Querem ouvir isso?"
E ouvimos "Unknown Pleasures", do Joy Division.
Pensei: "Ah, não!"
"Não pode ser! Isso é... Fizemos merda."
Fiquei chocado quando disseram que não gostaram do álbum.
Liguei pro Bruce e ele disse: "Acabei de ouvir as mixagens."
"Ficaram incríveis!"
E eu disse: "Não, não, não!"
"Temos que apagar tudo e começar de novo."
Ele disse: "Que papo é esse?"
Todo mundo rejeita as primeiras coisas que faz,
porque, no fundo, sabe que existem falhas.
Mas deu resultado: nos levou aonde queríamos estar.
Foi uma surpresa que 6 meses depois, eles lançaram o 2º álbum.
Mas mesmo nesse breve período, eles haviam atingido,
musical e visualmente, um nível muito mais alto.
"Canções e músicas são tão misteriosas para nós agora
quanto eram naquela época."
E há uma citação que resume isso neste diário.
Não sei quando escrevi isso.
"Um espetáculo de cada vez.
Um concerto de cada vez.
Um verso de cada vez.
Um sonho de cada vez.
Estamos trabalhando nisso."
"CHANGELING", SIMPLE MINDS, 1979
Começamos como uma folha de papel em branco.
Desistimos de ser comerciais e de gravar singles de sucesso.
Podíamos sair pela tangente e criar o que quiséssemos.
E conseguimos!
# Won't conform Hero who dies Find a boy...
Fomos a um estúdio no interior, em Rockfield.
Gravávamos no estúdio móvel do Rolling Stones,
construído dentro de um furgão, que vinha da Irlanda.
Eles nos enviaram um motorista,
um operador de áudio e um engenheiro aprendiz.
Normalmente trabalhávamos com um rapaz.
Então, o furgão chegou...
e lá de dentro, surge uma deusa.
E perguntamos: "Cadê o operador de áudio?"
Ela disse: "Eu sou a operadora, porra!"
"Gravado e Mixado por John Leckie."
Ah, então foi o John!
Não me lembrava mais se ele também foi o engenheiro.
Mas acho que sim. O coitado fazia tudo ali.
E eu me apelidei de Mariella Sometimes,
porque eu ficava trancada na minha sala,
dizendo pra eles se fuderem e me deixarem em paz.
Apesar de ela ser mais nova,
ela se tornou a mãe de todas as conversas.
Todos ficamos apaixonados por ela.
Ela nem queria conversa.
Sim, repare esses olhos. Não se meta com Jim Kerr.
O salto que demos do primeiro disco comercial da new wave
ao "Dane-se isso, porque somos mais que isso",
nos levou em outra direção.
Esses caras não davam a mínima. Era uma música desafiadora.
Eles não queriam fazer uma música comercial para tocar no rádio.
Havia faixas em que inseríamos compassos ridículos
e coisas do tipo.
E quanto mais bizarro, melhor.
"VELDT", SIMPLE MINDS, 1979
Quando estávamos no Rockfield Studios,
a gravadora não ouviu nada durante cinco semanas.
Dirigi até lá, em meu belo carro de executivo,
para dizer que aumentassem os vocais na mixagem.
Eles ficaram muito irritados...
e responderam educadamente.
Quando Tarquin se levantou no dia seguinte
para pegar seu carro de luxo...
bom, tudo tinha sido despejado nele.
E quando digo "tudo",
quero dizer, foi uma grande bagunça.
Eles o encheram de ovo, leite e outros lixos.
Acho que eles se excederam.
Voltei para Londres e o carro foi dado como perdido.
Teve que ser jogado fora, porque fedia.
Sentíamos...
que tínhamos que seguir nosso próprio caminho...
e ver aonde isso nos levaria.
Hoje, é claro, eu entendo, do ponto de vista da gravadora,
que deve ter sido muito frustrante.
Eu tinha me reunido com a banda e a gravadora,
e eles estavam boquiabertos: "Que diabos estão fazendo?"
Eles não entendiam a banda nem o que ela pretendia.
Mudamos de direção
porque achávamos nosso som muito exagerado.
Agora está muito mais básico
e soa muito mais Simple Minds do que nunca.
Embora o caminho fosse turvo,
parecia o caminho certo.
# In the passage of time to a cigarette burn
# In the book that I read to the sentence I learn
# Going up, going down Going round till we drown...
Nós íamos e tocávamos em qualquer lugar:
Alemanha, França, Holanda.
Só de pensar que viajaríamos para cidades
como Bruxelas, Berlim, etc,
e que descobriríamos o lugar muito antes da navegação,
que faríamos o show
e que depois encontraríamos uma hospedagem,
nem sei como conseguimos fazer isso.
Fomos parar no Muro de Berlim
e em outras cidades culturais, como Paris, Viena e Roma.
Assimilamos tudo...
e isso deu origem a um álbum bastante dramático:
"Empires and Dance".
Era como se fosse um cartão-postal musical.
Tudo o que eles viam, e tudo o que ele via,
se refletia nas letras das músicas.
# Travel round, I travel round Decadence and pleasure towns
Quando se lança um disco tão incrível como "I Travel",
em um mundo ideal deveria ter sido o número um.
É tão dançável e sexy. É pura velocidade.
Um punk funk.
# Travel round, I travel round Decadence and pleasure towns
Em "Empires and Dance",
tínhamos todas essas partes que improvisávamos,
e então as editamos para criar algo.
Pedimos a uma ex-namorada francesa de Jim
que lesse um trecho de um livro,
e gravamos com uma câmera de 8 mm, que era a trilha sonora.
"TWIST/RUN/REPULSION", SIMPLE MINDS, 1980
E eu tocava saxofone.
John Peel e Paul Morley adoravam o Simple Minds.
De repente, pessoas descoladas começavam a descobrir a banda.
Só a Arista que não.
Só sei que precisava de "hits".
Se não tiver um "sucesso", você rapidamente cairá fora.
Sabíamos que havia velocistas e maratonistas.
E queríamos ser os últimos.
O simpático empresário deles, Bruce,
veio e basicamente disse:
"Olha, isso não está funcionando."
E eu pensei: "Ele está certo."
Poderia ter sido o fim do Simple Minds.
Tínhamos uma dívida de 300 mil libras na época, tá ligado?
Em 1980!
O cenário era péssimo.
Parecia que seríamos descartados.
Não sabíamos o que iria acontecer.
Este livro sempre esteve em nossa casa:
"Os Filantropos de Calças Esfarrapadas",
de Robert Tressell.
Pode-se dizer que é a Bíblia socialista.
"O Tambor", de Günter Grass, e o filme que se seguiu.
É sempre um favorito.
"O Homem Ilustrado", de Ray Bradbury.
Claro, eu escrevo as letras do Simple Minds,
mas o cara mais culto que conheço é Charlie Burchill.
Sempre que fazíamos uma turnê,
em uma mão, ele levava a guitarra
e na outra, ou sobre o ombro,
ele levava uma mochila com livros.
O CORAÇÃO DA MULTIDÃO, 1981
A "Virgin" estava cheia de amantes de música.
Procurávamos bandas desconhecidas...
que tivessem uma centelha e se destacassem da multidão.
Então, tentávamos aplicar a magia da Virgin
e ver se poderíamos convertê-las em bandas de sucesso.
E sim, o Simple Minds encaixava-se perfeitamente
e eram muito originais. Assim, contratamos a banda.
Foi como um novo começo.
A primeira coisa que ouvi do Simple Minds
foi sua produção de "Empires and Dance".
-Fiquei realmente fascinado. -Que legal.
Então, curiosamente, poucas semanas depois,
a "Virgin" me ligou dizendo...
que queriam contratar o Simple Minds
e saber se eu trabalharia com eles. Eu pensei: "Sim!"
Steve Hillage!
Steve foi o maior hippie espacial do rock progressivo.
Não parecia ter qualquer ligação.
Steve é um cara muito legal.
Naquela época, ele era meio militante.
Ele chamava a polícia de "Cana".
Três semanas depois de conhecê-los, estávamos no estúdio.
Um produtor veio até nós e disse:
"OK, essas duas músicas são iguais. Escolha uma."
E respondemos:
"Ainda não. Queremos trabalhar mais nelas."
"Mas, veja só, temos outra ideia..."
Então, tudo meio que saiu do controle.
Basicamente, tínhamos muito material.
Tínhamos muito mais músicas do que caberiam em um álbum.
Se fosse um CD, seria um único álbum,
mas estaria um pouco à frente do seu tempo.
# Voice leading to voices
Decidimos fazer dois álbuns paralelos.
Você ganha dois álbuns muito estilosos pelo preço de um.
Isso foi genial.
O álbum principal chamava-se "Sons and Fascination".
E foi acompanhado de outro álbum.
Disseram que era material que havíamos descartado.
Mas se ouvir músicas como "Sing for Great Cities",
e outras, elas estão longe de ser um descarte.
"THEME FOR GREAT CITIES", SIMPLE MINDS, 1981
Qualquer música que fosse colocada em qualquer álbum,
não teria feito diferença.
"Sons and Fascination" chegou às paradas.
Não foi um grande sucesso, mas lá estávamos nós.
A notícia se espalhou. Simple Minds se tornaria realidade.
# Ameri-Amer-American In collective fame...
Brian McKee, o baterista, saiu no final da gravação.
Ele já estava em vias de deixar a banda,
enquanto estávamos gravando, o que não foi legal.
Graeme foi o primeiro a ter um relacionamento estável.
E acho que foi, em grande parte, uma decisão familiar.
Ele era extraordinário!
Ele tocava com muita energia em cada show,
mas tínhamos... que seguir em frente.
Sharleen Spiteri BANDA TEXAS
Vamos botar isso pra tocar.
# Love song
# Love song...
De repente, fazíamos clips, e com um grande orçamento também.
Podemos dizer que não houve singles em "Sons and Fascination",
mas a música "Love Song" foi a mais dançante, tá ligado?
Aqui, é a parte em que fazem...
Quando ouvi isso pela primeira vez...
Estávamos em 1982.
E naquela primavera, começamos a ouvir um novo tipo de música pop.
"Party Fears Two", canção de The Associates.
Céus, de onde eles vieram? E tocavam no "Top of the Pops".
"Love Action", do The Human League.
Céus, o Human League vai tocar no Top Of The Pops!
Parecia haver um sentimento no ar,
fazendo sinais para nós como que dizendo:
"Você quer fazer parte disso?"
Ficávamos tocando de improviso até de madrugada.
E Jim, como sempre, tinha um aparelho de som.
Ele o deixava sempre ligado e gravava tudo.
Sempre que gostávamos de algo, Jim botava pra tocar de novo.
Um bom exemplo é "Someone, Somewhere in Summertime".
# Someone, somewhere...
Acho que conseguimos criar a versão...
pop comercial e Art Rock do Simple Minds.
Seria difícil superar "New Gold Dream"
com tudo o que estava rolando.
Não só o tempo estava lindo, mas...
como cada nota que saía dos alto-falantes,
soava muito foda!
# Promised you a miracle...
Na época, tínhamos um baterista diferente, Kenny Hyslop.
Kenny gostava de funk...
e "Promised You A Miracle" tinha essa batida.
"Promised You A Miracle" foi muito bem ensaiada.
Eles a tocavam ao vivo,
mas tornamos a parte mais lenta, mais viajante.
# Only love she sees...
Fizemos com que soasse...
um pouco mais dançante e comercial.
Em Torieglen, onde eles cresceram,
diziam que se você tocasse no "Top of the Pops",
você faria sucesso.
Este é o Simple Minds, com uma canção de Jim Kerr
chamada "Promised You A Miracle", e está nas paradas.
# Promised you a miracle Belief is a beauty thing...
Os pais de Jim eram meus grandes amigos.
Eles foram incríveis. E os pais de Charlie também.
E deve ter sido incrível
para esses pais da classe operária escocesa.
Imagine como eles ficaram,
quando a banda apareceu no Top Of The Pops:
"Esse é o meu filho!"
"Promise You a Miracle" foi seu 1º hit no Top 20 do Reino Unido.
Nós conseguimos.
Passamos das rádios noturnas,
de Kid Jensen e John Peel, e Peter Pearl,
para a rádio diurna e a televisão.
E tudo aquilo era "New Gold Dream".
THE TUBE
Esta é a melhor banda da história do universo:
Simple Minds!
Estamos aqui na sala verde, para que têm TV Preto e Branco,
com Jim Kerr e Charlie Burchill do Simple Minds.
"New Gold Dream" é um álbum incrível.
Eu tinha toda certeza disso, ficou gravado em meu cérebro.
Esse foi o álbum que me acompanhou durante meu tempo no The Tube.
Charlie, você está feliz com o caminho que sua música tomou?
Sim, com certeza.
Toda vez que vamos compor, temos uma nova atitude.
Isso tem sido uma combinação
de tudo o que aprendemos, a experiência.
E acho que, por algum motivo,
nós conseguimos algo extra...
Ele é muito fofo!
"...principalmente com o último álbum,"
que acredito ter estabelecido um certo padrão do que vai rolar.
Mas deu muito trabalho...
"-Para chegar lá. -Sim."
# Shine on, shine a light on me...
Parecia que estavam sempre trocando de baterista
desde os primeiros álbuns com Brian.
Mas aí eles chamaram Kenny Hislop,
que fez a bateria de "Promised You A Miracle",
a primeira bateria.
Então gravaram o resto das faixas com Mike Ogletree na batera.
Mike era um cara incrível. Um pouco chapado.
Mas ele e a banda não estavam na mesma sintonia,
porque eles eram velozes. Eles estavam a todo vapor
Então Pete Walsh trouxe Mel, um baterista de estúdio.
Fui ao estúdio e, veja só, me deparei com outro batera.
Pensei: "Que estranho."
Acabei, digamos assim,
modificando algumas partes em que o resultado não ficou bom.
Você sugeriu o Mel, não foi? Como baterista.
Sim. Mel era um velho amigo.
Buscávamos alguém que trouxesse mais energia ao grupo.
Ele seria a última pessoa que você esperaria
que tocasse num álbum como aquele.
Mas ele deu tudo de si.
Ele introduziu um som totalmente novo no Simple Minds,
muito mais poderoso!
Foi o início de uma nova era.
Aqui está uma antiga foto da banda, como eles eram...
quando os conheci.
-Quem é este? Jim? -Sim. Pois é.
Ele costumava me deixar essas mensagens aqui.
-"Vovó Walshy chorona." -"Walshy chorão."
É por causa das broncas no estúdio.
-Este é o Jim? -Sim, é ele mesmo.
Nunca vi a letra do Jim.
E ainda tenho uma conta do bar.
-É sério? -Sim.
-Foram quantas garrafas de vinho? -Tá aqui.
Para os 30 dias de gravação.
61 garrafas de Liebfraumilch.
-59 garrafas de Beaujolais! -Nossa!
Três garrafas de Muscadet!
Eles conseguiam trabalhar?
São ótimos números.
-São ótimos números, né? -Pois é.
Aí tudo começou a mudar, toda a estrutura.
Incluindo a gestão.
Mudei-me para um novo escritório. Todos nós expandimos.
Tudo ficou mais importante!
# Only for you Life moves so fast...
O sucesso de "New Gold Dream" nos levou a locais maiores.
Também nos levou aos grandes festivais e shows ao vivo.
Pensei que se esse fosse o tipo de lugar onde estaríamos,
precisaríamos de um som vigoroso ou teríamos que ser...
Digamos mais bombásticos!
E como você chega nisso? Como envolver a galera?
# Just like a new gold dream...
Sempre achei que era o tipo de banda
que acabaria dando shows em estádios.
Porque sempre tocavam em grande estilo.
Eles sempre tiravam um som incrível,
mesmo nos piores lugares.
Fui a um show e me lembro de estar lá tipo...
Eles pareciam superastros e eram diferentes.
Jim fazia aqueles passos
e Charlie tocava sua guitarra bem alto.
Tinha tudo a ver. O som era potente e compacto.
Sentíamos que estávamos ficando bons
e que com o Mel na batera...
tínhamos um som mais potente.
# Get in, get out of the rain I'm going to move on up...
Quando "Sparkle on the Rain" saiu,
o legal foi que Mel Gaynor estava totalmente integrado.
Com "Sparkle on the Rain", comecei a ser mais criativo
e também a compor com a banda.
Não foi nenhuma surpresa
que surgisse uma canção como "Waterfront".
Isto é, nada poderia soar mais intenso.
É o riff de baixo do Derek, que foi instigado pelo Mel.
-Nunca estivemos aqui, né? -Não. É do outro lado.
Isso aparece no clip de "Waterfront".
"Quando escrevi Waterfront...
e a banda se juntou ao meu trabalho..."
Lembro que eles lançaram alguns barcos.
-Ah, sim. Já viu alguma vez? -Não, nunca vi.
Mas muitos alunos foram convidados a assistir.
Uau. Maneiro.
Derek tinha um amplificador
em que você podia pegar um áudio e repeti-lo.
E foi por acaso.
Ele tocava uma nota, e então saía esse riff
que é a sequência de abertura de "Waterfront".
Soa para mim como se eu estivesse a bordo de um transatlântico.
Eles costumavam construí-los aqui.
Na verdade, tudo soa muito industrial.
Tem muitos sons metálicos e isso não foi intencional,
mas ressoa exatamente como o que eles faziam aqui.
Foi nosso primeiro álbum número um.
E, claro, isso estava além dos nossos sonhos
quando começamos a banda.
Não era algo com que você ousaria sonhar.
Nunca quisemos sucesso imediato.
Queríamos aprender nosso ofício para que, quando o sucesso chegasse,
nós estivéssemos prontos.
"Sentíamos que ali tínhamos uma ótima banda,
tocávamos ao vivo,
tínhamos um álbum nº 1..."
e então dissemos:
"OK, próxima parada: EUA."
Você se acha o Elvis.
Você tocou no Top of the Pops, você tem um álbum nº 1,
já fez tudo isso. Você é famoso na Alemanha.
Você está indo bem no Canadá e aí vai para Boston...
E está de volta a um pub.
Não é fácil lidar com todos esses altos e baixos.
Certa noite tocamos em um pub em Boston, talvez em Chicago,
e havia cerca de 30 pessoas.
O promoter apareceu depois e nos viu decepcionados.
Ele disse: "A banda de ontem à noite só tocou para 25."
"-Qual banda? -Uma banda chamada U2."
A REVOLUÇÃO MUSICAL SERÁ TELEVISIONADA, 1985
"Don't You Forget About Me" não abriu só a porta para nós.
Foi como uma bomba explodindo.
Sofríamos muita pressão,
porque a gravadora americana disse:
"As rádios independentes estão tocando sua música.
A hora é agora. Seria ótimo se tivessem algo...
que pudesse alimentar isso...
e fazer a ponte entre o agora e o que farão a seguir."
E respondemos: "Parece ótimo, mas agora não temos nada."
"Bom, nós temos."
A A&M, nossa gravadora americana,
produziu o filme "Clube dos Cinco".
Keith Forsey compôs essa canção com Jim Kerr, Bryan Ferry...
e possivelmente, Billy Idol.
Eles eram os possíveis caras para gravá-la.
A A&M disse a Forsey: "Vá até o Simple Minds."
"Chame o Jim Kerr."
"Tem esse filme, tem essa música",
e também "se vocês se envolverem nisso."
Nós dissemos: "Tudo bem, vamos ouvi-la."
E quando ouvimos,
nós não rejeitamos, só não gostamos dela.
Era o tipo de música que nunca comporíamos.
Tinha muitos elementos que não eram a nossa praia.
Achamos que seria melhor deixar pra lá.
"Prezado Sr. Vernon, aceitamos o fato
de que temos de sacrificar um sábado inteiro de castigo
pelo que quer que tenhamos feito de errado."
É a história de 5 alunos que ficam detidos numa escola,
por um dia, e eles são completamente diferentes,
e como tratam uns aos outros durante oito horas.
Vimos um trecho do filme.
Dava para ver que os meninos eram muito bons.
Na verdade, o Simple Minds já estava no meu radar.
Acho que recomendei a banda para John Hughes.
Gosto de assumir alguma responsabilidade por isso.
Jim insistiu muito em não gravá-la.
Ele bateu o pé. A coisa foi feia.
"Grave isso, cara!"
Keith Forsey chegou ao Reino Unido
e quando ele passou pela porta,
achamos que parecia um cara legal.
Ele tinha uma "vibe" incrível.
Achávamos que nossa música, no futuro,
teria mais potencial...
se tivéssemos coragem e gravássemos essa faixa.
Quando cheguei ao estúdio,
a banda resolveu tocar ao mesmo tempo.
Então fizeram o...
E eu, ao testar o microfone,
É sempre por acaso. Eu disse: "Ei, ei!
"Talvez essa possa ser a introdução."
E depois, no final, Mel faz essa...
A marca registrada de Mel Gaynor!
E nesse momento de intensidade,
eu devia cantar algo, mas não havia nenhuma letra.
Então cantei o que hoje acredito ser...
a melhor letra de todos os tempos.
"La la la la!"
Escrevemos a melhor parte.
Se você for a um show, todo mundo canta isso.
Ela parecia ousada e também...
...sensual.
Tem algo nela que faz parecer...
como se fosse um telefonema obsceno.
No bom sentido!
Foi um grande presente.
Disso não há dúvidas.
Garantiu à banda...
um sucesso mundial.
Fazer com que 200 estações de rádio
lancem um álbum é um trabalho infernal!
E de repente, surge um canal como a MTV
e o impacto é imenso.
Até então, as estações de rádio americanas
não estavam dispostas a correr riscos
com o que estava rolando no Reino Unido na época,
aquele pop comercial chamativo.
Mas a MTV deu à banda uma oportunidade nos EUA.
# Don't you forget about me...
Era muito divertido sonhar com suas bandas favoritas
e poder vê-las de verdade naqueles vídeos legais.
Foi sensacional.
Essa faixa cumpriu todos os requisitos:
como MTV, América, crianças, jovens.
Todas as peças se juntaram.
# Would you recognise me...
Não éramos uma banda do noticiário.
Nesse aspecto, não éramos estrelas pop.
Suas vidas continuaram privadas até Jim se casar com Chrissie.
E aí: "Lamento, cara, mas não dá pra evitar.
Você se casou com a rainha do rock."
Eu tinha 24 anos.
Você não escolhe por quem vai se apaixonar.
Ter conhecido a Chrissie,
me proporcionou muitas coisas boas.
A primeira coisa foi que ela era mais velha.
E eu sempre fui o irmão mais velho.
Foi bom ficar com alguém mais experiente.
Eu também a admirava como artista
e ela era muito bacana.
Lá trás, diziam:
"É isso que esses roqueiros doidos fazem.
Eles se casam, e pronto!"
Mas não foi o caso. Nós nos amávamos muito.
Em teoria, parecia a melhor coisa pra mim,
porque era um desafio totalmente novo.
Aliás, Chrissie Hynde é um desafio.
Porque tudo estava...
As coisas estavam ficando muito fáceis,
porque sabíamos como lidar com a música.
Que tal um desafio de verdade? Família, filhos...
Está animado em ser pai, Jim?
É uma grande mudança na sua vida também.
Estou. Sabe, os únicos comentários
que ouvi sobre isso foram, na verdade, os clichês óbvios
de lua de mel e tudo mais. Enfim.
E que tal se eu fosse seu pai?
-Ah, não. Já vi gente pior. -Acha que daria certo?
Sabe, nossa banda gostava de diversão.
Havia muita bebida e droga à vontade.
E me lembro da semana antes do parto da minha filha.
Eu pensei...
Não tive nenhum problema nem coisa parecida.
Foi só uma questão social.
Eu pensei: "Acabou para mim. Está na hora de eu crescer."
E não tenho vergonha de dizer isso, eu tinha que ganhar dinheiro.
Hum...
Eu ia ter uma filha.
De quem era o som do Simple Minds?
Era o Charlie, com sua maravilhosa guitarra e seu timbre?
Ou era Mick MacNeil e seus incríveis sons de teclado e riffs?
E o baixista Derek Forbes dizendo "chupa essa" para Peter Hook?
Isto é, Derek Forbes é o cara.
Ele é um ótimo baixista. E uma figuraça.
Um cara muito divertido.
Mas Derek foi o primeiro, e talvez o mais sincero:
"Somos astros pop, porra!"
Ele foi o primeiro a se tornar um astro pop.
Ele adorava isso. Talvez um pouco demais.
Derek Forbes foi grande na banda.
E sempre será.
Mas digamos que houve alguns meses
em que ele perdeu o foco, tirou o pé do acelerador,
ou estava por aí passeando.
Estávamos gravando e Derek, basicamente, estava ausente.
Então as coisas aconteceram. Os jornais noticiaram algo
que rolou entre ele e a namorada.
Sabe, coisas que não tinham nada a ver
com nosso trabalho.
Um dia ele não apareceu.
E John Giblin estava lá. "Pode tocar um pouco, John?"
No dia seguinte, Derek não veio. "Você pode tocar, John?"
E confesso que, embora Derek fosse ótimo,
John Giblin é, possivelmente, o melhor baixista que já ouvi.
E então Mel começou a fazer coisas que ele não faria.
Enfim, a fila tinha que andar.
"Amanhã, as estrelas do rock vão apresentar
o Live Aid, o maior concerto beneficente da história.
Espera-se arrecadar entre 10 e 20 milhões de libras
para as vítimas da fome na África.
O concerto, que ocorrerá simultaneamente
em Londres e Filadélfia,
será transmitido via satélite para mais de 140 países."
Eu estava em casa e Geldof me ligou perguntando...
Bom, Geldof não pergunta, ele te conta!
Tratava-se de usar o que já havia se tornado a língua universal,
que, então, não era o inglês, e sim o pop.
E "Don't You Forget About Me" era nova e moderna,
e tinha que chegar a esse público mais jovem.
Acho que ele disse:
"Quero que façam isso na Filadélfia."
E Jim disse:
"Filadélfia? Por quê? Como assim?"
"Wembley, tá legal?"
"Bom, se não querem fazer isso, que se dane."
Chegou a esse ponto. Eu estava cansado
e não tinha mais tempo para conversar
ou para convencê-los.
Era sim ou não.
E ele disse, "Ouça, eu tomo a decisão, tá legal?"
"Se quiserem fazer isso, façam na Filadélfia."
E dissemos: "Tudo bem."
Embora entendêssemos a magnitude do Live Aid,
acho que não queríamos pensar muito a respeito,
porque seria cansativo.
As pessoas começaram a falar...
que a transmissão
teria uma audiência maior do que o pouso na lua.
Se Neil Young tocar antes e o Zeppelin tocar depois de você,
e logo você que é um caipira escocês...
que será anunciado por Jack Nicholson!
Então você pensa: "Merda! Espera aí!"
"Dias atrás, eu estava em Gorbals, pegando meu seguro-desemprego."
Mas, voltando ao tema,
quando a banda se apresentou, eles acertaram em cheio!
Tínhamos uma canção nova, Ghostdancing.
E qualquer um lhe diria para não tocar uma canção nova,
a menos que ela fosse escrita para o concerto.
Mas, no ensaio, só de ouvi-la nossos corações disparavam.
Era adrenalina na veia!
# Cities, buildings falling down
# Satellites come crashing down...
O que me assustou um pouco...
foi quando ouvi a letra dessa faixa, "Ghostdancing",
e a frase de abertura, se bem me lembro,
é "Cidades desabando, Satélites...
despencando do céu", ou algo assim. Foi como...
"Não cantem isso!"
"Cidades e prédios desabando, Satélites despencando",
fala sobre o caos.
"Chega de tentar a sorte! O que há com vocês?"
Tipo... "Cala a boca, toca sua música e se manda!"
# If these old city walls should crash amid the rubble...
Me lembro muito bem daquele dia.
Na verdade, nem fiquei muito nervoso.
Eu estava numa sala com Jack Nicholson
e o vi falando ao telefone, com seus pés sobre a mesa.
Toquei numa jam com Bo Diddley.
Por mais que soubéssemos o que estava em jogo,
e tudo estava, eu só conseguia pensar:
"Vesti a calça errada."
Eu passei a maior parte do show...
sem pensar em crianças passando fome.
Só pensava no que me levou a vestir essa calça.
"Como pude vacilar assim?"
Aliás, acho que a calça do Jim rasgou... no palco!
Naquela noite, fomos até Woodstock
para começar a trabalhar no próximo álbum.
De fato, aqueles dias foram bastante agitados.
Obrigado!
Lembro do Bono falando de como eles eram bons.
E lembro que ouvi seus discos e "Don't You Forget About Me".
Foi uma questão complicada porque eles tinham potencial.
Eles tinham um hit que alguém havia escrito para um filme
e, naquela época, isso importava.
Então, eles tinham um obstáculo.
Parecia o projeto certo na hora certa.
Ele não foi amistoso quando o conheci.
Eu estava sentado com esse cara do Brooklyn,
e aquilo parecia uma cena de O Poderoso Chefão.
Ele olhava pra você como se dissesse:
"Conheço gente do seu tipo."
"Nunca estão dispostos a ir além."
E ele acabou dizendo algo assim.
Eu pensei: "Foda-se!"
"Tivemos quatro álbuns nº 1 no Reino Unido, Austrália e Canadá.
Não ferra! Como assim?"
Pensei que faria um teste com ele lá,
porque éramos o número um nos EUA.
E foi como...
"Gosto da ideia de enfrentar desafios com esse cara."
Jim tem uma personalidade tão contagiante,
que logo fiquei encantado.
Ele é um cara incrível. Então eu disse sim.
Jim se deu muito bem com Jimmy Iovine.
Acho que Jim gostou de seu senso de humor.
Eu não. Eu não gostei dele.
Não gostei da atitude dele,
que foi americanocentrista
e desrespeitosa com o trabalho da banda.
Ele disse: "Não há um sucesso, Bruce!"
"Nenhum single, música, nem álbum!"
Eu disse: "É claro que sim!"
"Eles têm hits nº 1 no mundo inteiro!"
Lembro que ele veio e ouviu umas doze ideias.
E quando ele foi embora, despediu-se dizendo:
"Me liga de volta quando tiver as músicas."
O que nos surpreendeu, porque pensávamos: "Temos um álbum".
Ele basicamente nos disse: "Vocês não têm uma música,
nem sequer um hit. Me tragam um hit.
Não quero trabalhar com riffs ou improvisações."
Acho que ouvi a expressão: "Vocês foram iovinarizados".
Já trabalhei com John Lennon, Tom Petty, Bruce Springsteen,
Stevie Nicks e Patti Smith.
Eles fazem as músicas, vem até mim e dizem:
"Essa é a música, certo?"
Eles não dizem: "Vamos gravar algo
e depois diremos como ficou."
Os top produtores Bob Clearmountain e Jimmy Iovine
estão trabalhando juntos pela 1ª vez,
"um triunfo para a banda", disse o vocalista Jim Kerr.
E a ideia de juntar esses dois surgiu
da incrível expertise técnica do Clearmountain
e da base urbana do Jimmy Iovine, quase como um treinador.
Jimmy era muito tradicional.
"Pode tocar isso num violão?"
"Bom, provavelmente não.
Porque falta o baixo para dar ritmo, etc."
"Mas, talvez a música ainda não esteja muito boa."
Direi que não é boa o bastante até ambos morrermos.
É assim que funciona.
Tem gente que segue e tem gente que não.
Bom, como dizia Dr. Dre:
"O que é bom sempre pode melhorar."
# You turn me on...
Após o grande sucesso de "Don't You",
precisávamos de algo nosso que fosse importante.
Antes do lançamento de "Alive and Kicking",
Jim disse:
"Conseguimos, conseguimos. É o nosso sucesso."
Este é o potencial som de um milhão de dólares.
A masterização se tornará, certamente,
um dos LPs de maior sucesso de 1985.
Ouça. Aqui, quando voltam a tocar...
para mim, é a personificação desses caras,
principalmente o Mel.
"ALIVE & KICKING", SIMPLE MINDS, 1985
Essa pegada, essa energia,
me conquistou de cara. E Robin, a banda e Jim...
É um dos melhores finais de faixa que já produzi.
É tão intenso como eles a esticam.
Sabe, a gente discutia sobre isso no estúdio.
Esticar, esticar, esticar.
E volta a subir de novo, certo?
# Alive and kicking...
Não hesito em dizer que "Alive and Kicking"
é uma das minhas favoritas do Simple Minds.
É uma bela canção.
Nós até rimos. Dissemos que foi um fracasso,
porque só chegou ao 2º lugar nas paradas.
Fomos desbancados pelo desconhecido Michael Jackson.
Mas digamos que estávamos
no mesmo nível do Michael Jackson.
Ele deu sorte naquela ocasião.
O sucesso é o mínimo que você deve aceitar.
Qualquer coisa menos do que isso,
dói muito, certo?
O fato de ter sido bem-sucedido me permitiu respirar.
É isso que parece. Então, você diz: "Ótimo."
E aí parte para outra coisa.
"ONCE UPON A TIME", 7º ÁLBUM, 1985
Quando veio o sucesso, sentimos grande satisfação
pelo fato de que éramos uma das bandas da nossa geração.
Trabalhamos muito para chegar lá.
E não podemos esquecer...
o que motivou tudo isso:
os fãs que conquistamos ao longo dos anos.
Os fãs do Simple Minds são fanáticos!
Eles têm uma paixão pela banda rara de se ver.
Quando conheci o Simple Minds, eles estavam naquela transição
entre ser uma banda punk romântica, interessante e etérea,
e, de repente, se tornar uma banda que dava shows em estádios lotados.
Esse foi o sucesso do álbum.
A sutileza e a complexidade do som da banda
são tão perfeitas que podem funcionar
tanto num estádio como num clube.
Eles não reduziram sua genialidade, eles a expandiram.
# In your eyes Sanctify yourself
# Sanctify
# Be a part of me...
Deve ter sido uma das maiores bandas da época.
Eles deram duro.
Os shows de luzes, a forma como se vestiam, tudo!
Cada detalhe foi trabalhado e pensado,
e é isso que faz uma grande banda de rock.
Se você é preguiçoso, nunca fará sucesso no palco.
Houve um momento em que, embora eu diga...
que nosso sucesso veio em etapas,
o dinheiro não veio em etapas. Não havia dinheiro.
Então foi como: "Temos um pouco de dinheiro."
Isso nunca mudou realmente nossas vidas,
exceto que podíamos comprar mais equipamentos musicais.
Tínhamos uma mentalidade de vencedores, mas não muita.
Fiquei feliz com o sucesso comercial que tivemos.
Não dá para negar...
que gostava do carro, da mansão que eu tinha,
do êxito financeiro e tudo o que o sucesso traz,
tanto quanto qualquer um.
Mas mudou a dinâmica.
O PODER DA MÚSICA, 1988
"Muitas pessoas acham que é inútil...
continuar falando de paz e de não-violência
contra um governo cuja única resposta
são ataques violentos...
a um povo indefeso e desarmado."
Esta canção é dedicada a Nelson Mandela,
Thabo Mbeki,
Oliver Tambo
e Walter Sisulu.
Ela se chama "Mandela Day".
# It was 25 years ago this very day...
Hoje todos conhecem Nelson Mandela.
Mas, naquela época, ele era uma figura polêmica.
Então, tentamos popularizar seu nome
e fazê-lo ser aceito como o líder que ele era.
Jerry veio até nós, porque éramos uma das bandas do momento.
Senti que no Reino Unido, precisávamos dizer isso
em voz alta e condenar nosso governo da época
por ficar enrolando nessa questão.
Mandela era uma questão política muito delicada.
Tatcher e os conservadores o odiavam.
Quando a BBC2 decidiu transmitir o concerto,
era a última coisa que eles queriam,
porque era algo que tentavam esconder sob o tapete.
Talvez seja hora do Simple Minds entender
que existe o outro lado da moeda.
Há pessoas que querem reformas na África do Sul,
mas querem reformas pacíficas.
O que essa banda busca é uma reforma violenta.
O grande concerto de Wembley nunca teria acontecido
se não fosse pelo engajamento de Jim Kerr.
Muitos tinham medo de se envolver
porque Thatcher chamava Mandela de terrorista.
E tudo aconteceu graças ao engajamento do Jim.
Sentíamos que estávamos fazendo a coisa certa.
Estávamos naquela idade em que você começa a pensar...
que deve se manifestar contra a injustiça.
E foi o que fizemos. Levamos 5 minutos.
Jim me perguntou e respondi: "Sim, claro."
A verdadeira luta ocorreu dentro da África do Sul
e as pessoas deram suas vidas.
Mas foi o investimento britânico que sustentou o regime do apartheid.
A dimensão do show de Wembley, a audiência televisiva
e os protestos que se seguiram foram tão expressivos
que até o governo percebeu
que se tratava de uma questão popular,
e aí deixou de investir na África do Sul,
porque no final, ele depende dos votos.
Na época em que lançamos "Once Upon A Time",
e a turnê subsequente,
nós entraríamos numa década de trabalho ininterrupto.
Uma década para aproveitar ao máximo tudo o que tínhamos.
Então, tivemos que unir forças...
com pessoas que haviam criado, nos anos anteriores,
novas formas de fazer música.
Eu me reuni com Jim e disse pra ele:
"Por que não adaptam uma canção folclórica?"
Acho que mostrei a ele "She Moved Through The Fair",
uma canção irlandesa que eu adorava na época.
Acho que foi assim que começamos,
porque começaram a mexer nela e ela se tornou "Belfast Child".
Um dia, Jim me ligou do nada
e me pediu para ouvir uma versão da canção
que haviam gravado.
# So come back, Billy, won't you come on home?
Em algum momento, entre meados dos anos 80
e final dos anos 80,
a banda começou a trabalhar
no que pareciam ser os grandes temas.
# The girls are crying
# It's been, oh, so long...
Infelizmente, meu casamento com Chrissie tinha acabado.
Fiquei nervoso que essas coisas se refletissem na música.
Eu não queria isso.
Acho que me dediquei a fazer os grande temas.
"Street Fighting Years",
o título já diz tudo.
Uma grande parte dos concertos de Mandela, contra o apartheid.
Canções como "Soul Crying Out", sobre o imposto comunitário...
...da Margaret Thatcher.
"This Is Your Land". Ecologismo, Greenpeace.
E Belfast Child, sabe? Como fui me esquecer dela?
Escrever uma canção sobre esse lugar,
que fica apenas a 50 milhas do outro lado do mar.
Foi um passo ousado,
que poderia acabar com sua carreira,
ao escrever uma canção
que falasse de um tema tão espinhoso.
Os jornais e a TV noticiavam isso diariamente.
Muitos diriam que não gostariam de ouvir
sua banda favorita cantando sobre isso,
mas eles obviamente acharam que era importante fazê-lo.
A banda ficou famosa
e aparecia nas manchetes dos jornais.
Quando há câmeras e jornalistas ao seu redor,
e há pessoas morrendo nas ruas em algum lugar,
ou morrendo de fome, e você sabe disso,
você diz: "Sim, vou usar qualquer publicidade que puder conseguir".
A banda tinha ficado mais séria.
Não nos reunimos e dissemos: "Vamos fazer um álbum político."
Simplesmente rolou.
"Belfast Child" é uma canção temperamental.
Se estivesse disposto a gastar alguns minutos,
valeria a pena ouvi-la.
Em alguns lugares do mundo, eles não te dão esse tempo.
Você tem que fisgá-los nos primeiros 10 segundos.
Você não pode ser franco nos EUA,
porque as opiniões são muito divergentes.
"Por que devo me importar? É problema seu."
E deixam todos de fora. "Que se danem", sabe?
Quando viram Jim repreendendo as pessoas, pensaram:
"Do que ele está falando?"
É, agora você sabe por que nunca fiz sucesso.
Já sabíamos que as rádios americanas
não tocariam "Belfast Child".
E não sei se haveria alguma outra faixa
que teria dado certo lá.
É difícil manter a atenção da audiência americana.
O Simple Minds nunca teve a intenção
de fazer singles de sucesso.
A intenção da banda era fazer boa música.
# This is your land Take it in your hand...
Você faz o álbum que quer fazer,
não aquele que te mandam fazer.
E às vezes o sucesso, sabe, não anda de mãos dadas.
Sucesso comercial e um bom álbum...
Nem sempre funciona dessa forma.
Acho que os destaques de "Street Fighting Years" são óbvios.
Mas isso se prolongou, se estendeu muito,
e acho que grande parte do público
já tinha virado a página nesse meio tempo.
Os novos heróis do pedaço haviam chegado.
The Stone Roses...
a cena "Madchester".
# So let it all come, let it all come down...
Fizemos tantas turnês que acho que as pessoas perceberam
que estávamos cansados
e aí as coisas começaram a desandar.
Não houve grandes brigas,
ou acusações de desonestidade de nenhum dos lados,
nem coisa parecida, mas nossa filosofia divergia.
Nós tínhamos mudado.
O Mick estava exausto com tudo aquilo
e houve bate-boca,
principalmente entre ele e Jim.
Então, o Mick saiu e eu me separei da banda.
Eles decidiram sair.
Seja a decisão que fosse, eles sabem melhor do que eu.
Eu nunca poderia discordar.
Mas não é legal tomar uma decisão
no final de uma turnê...
quando você está exausto e ferrado.
Acho que depois que Mick saiu, ficou complicado.
Mick, na minha opinião, era um gênio.
A banda, então, entrou em hiato.
Lembro que Jim e eu chamávamos...
de "a fase em que não sabíamos onde estávamos".
Pela primeira vez em nossas carreiras,
tivemos que admitir que as coisas estavam afundando.
E se afundassem, até onde iriam?
A que profundidade?
A AVENTURA, 2000
Ali, do outro lado, fica a Calábria.
No início dos anos 90,
o Simple Minds já estava em atividade há 15 anos.
E acho que estávamos esgotados.
O que fizemos, o que realizamos,
tudo foi feito até a exaustão.
Acho que tive uma sensação de fracasso, mesmo a nível pessoal,
porque pela primeira vez na minha vida,
várias coisas fracassaram ao mesmo tempo:
divórcio, não tinha gravadora, a carreira afundando.
E depois de 16 ou 17 anos,
tudo em que eu tentava trabalhar, tinha um gosto amargo.
Eu não sabia se havia...
mais música dentro de mim e mais letras para escrever.
Não tinha a menor certeza.
Antonio, estamos aqui...
na sua tratoria "La Botte".
Igual a mim, você é apaixonado...
por duas coisas: música e comida.
Fale-me do dia em que cheguei em Taormina.
Certo. Lembro que você não estava muito animado.
Parecia cansado, talvez até deprimido.
-Sim, eu estava deprimido. -Pois é.
Você me disse que não queria mais saber de música,
que queria ser um caçador de jovens talentos musicais.
Mas não queria saber de música.
Quando ouvi isso, eu disse: "Não!"
"Não pode ser o fim do Simple Minds!"
Nós jogamos futsal com alguns amigos músicos.
Sim. Lembro que você disse:
"Por que não joga um pouco com esses rapazes?"
Primeiro disse que não estava interessado.
-Mas aos poucos... -Aos poucos.
Talvez aqui...
...fosse possível recomeçar.
Quando Jim e eu nos reuníamos, sempre nos divertíamos.
Éramos tão bons amigos que sempre ríamos.
Acho que sempre sentimos
que as coisas fundamentais estavam lá.
Uma coisa é vir do nada...
...e chegar ao topo da montanha.
Rolar montanha abaixo...
é algo que acontece com você o tempo todo.
Mas volte a levantar e diga:
"Certo, vamos tentar subir esta montanha novamente."
Essa é uma grande história, não é?
Voltar ao jogo.
As pessoas amam essa história.
O campo de futebol mais bonito do mundo!
A Itália é louca por futebol.
Glasgow, bom, todo o Reino Unido,
mas Glasgow, particularmente, também é.
Quando cheguei aqui, eu podia algo.
Eu podia falar com as pessoas. Então, elas começaram a dizer...
"Você gosta de futebol. Você quer jogar futsal?"
E foi tipo, "Relaxe".
Acabei cedendo. E foi muito divertido.
Depois de dois anos, Taormina tinha seu próprio time amador.
E...
...eu os patrocinei durante alguns anos.
Foi um pouco controverso.
Eles jogam de azul.
Em Glasgow,
o time que joga de azul nem sempre é o meu.
Então mudamos o uniforme para verde com listras brancas
e o chamamos de "Taormina Celtic".
Tem um teleférico que cruza o campo,
mas está em manutenção.
As pessoas no teleférico podem ver um pouco do jogo.
Imagine jogar aqui. Que lugar!
Você torce pela Juve ou pela Inter?
-Inter. -Inter.
A Inter. Um grande time.
O Celtic bateu a Inter na final da Copa da Europa!
Mas deixa pra lá.
Por favor!
O vestiário.
Quando cheguei em Taormina,
senti que estava no meio de algo...
Duas coisas podiam acontecer.
Podíamos acabar com isso,
ver que isso fez parte da nossa vida
e que já era hora de viver...
novas experiências e de criar novas memórias.
Ou...
poderíamos ficar um pouco em silêncio.
Vamos ficar quietos e ouvir...
se o coração ainda bate.
Jim e eu havíamos sacrificado tudo.
Sacrificamos um emprego decente.
Fizemos nossos pais se endividar e nos dar dinheiro.
Fizemos muitas das coisas fundamentais
que precisam ser feitas desde o início para decolar.
E o início é o mais difícil.
Por isso, achamos que isso era o nosso lance,
e não poderíamos desistir tão facilmente.
Ganhar o título, em muitos aspectos, é a parte fácil.
Mantê-lo é a parte mais difícil.
Porque... e se você perder o apetite?
E se a inspiração te abandonar?
Você descobre muito sobre si mesmo no banco traseiro de uma van,
dirigindo-se até um clube que vendeu poucos ingressos.
E durante o caminho, você passa por um estádio
que estava lotado.
E... uau! Tá ligado?
É um choque de realidade.
Vamos lá.
E antes de continuar, você se pergunta...
Por que está fazendo isso afinal?
Por que se meteu nessa? Por causa da música...
e porque queríamos ser uma grande banda.
# Alive and kicking
# Oh, stay until your love is...
Não estamos dizendo: "Olá, estamos de volta."
Dizemos: "É isso o que temos feito com nossas vidas."
E quando os riscos são altos,
você tem que dar tudo de si a cada noite.
De certa forma, percebemos...
que continuaríamos como aqueles velhotes do blues até morrermos.
Esse foi nosso grande anúncio.
Mas tínhamos decidido de que não iríamos parar.
Porque é isso que fazemos. Não sabemos fazer mais nada.
"CRY", SIMPLE MINDS, 2002
As mãos do destino entraram em ação.
O telefone começou a tocar...
e os e-mails começaram a pipocar:
"E aí? Tem um festival aqui", ou "Vai rolar isso ali."
Começamos a conhecer pessoas incríveis.
# You're sending me rockets
Quando comecei a produzir o Simple Minds,
fui muito ridicularizado por figurões do meio musical.
Eles me ligaram dizendo que eu havia perdido o juízo.
Mas, Jesus amado! Que músicas!
Nós até adotamos uma abordagem distinta.
Voltamos a tocar como banda,
com novos músicos e à moda antiga.
# Love songs playing in the restaurants
# Airport playing Brian Eno...
Jim tinha muitas ideias,
e uma delas coloquei em prática.
Ele disse: "Por que não fazemos a turnê 5X5,
sobre os cinco primeiros álbuns?"
Todos disseram que queriam ver esse show.
E os ingressos se esgotaram rapidamente.
# Travel round, I travel round
# Decadence and pleasure towns
Fomos vizinhos durante toda nossa infância.
Moramos na Irlanda por um tempo e também fomos vizinhos lá.
Aonde quer que Jim vá ou aonde quer que eu vá,
sempre acabamos morando na mesma rua.
Somos como irmãos.
E Jim é sem dúvida o irmão mais velho.
A diferença é de 6 meses,
mas também há uma grande diferença em outros aspectos.
Mas somos irmãos.
"Ele é como um irmão, né?"
Não! Irmãos muitas vezes não se dão bem.
Por mais cafona e improvável que pareça,
havia dois meninos que se conheceram num monte de areia em Thoriglen.
Acho que foi isso que os uniu e os mantém juntos.
Existe uma amizade ali.
É um "bromance"!
É fantástico, não é? Um não viveria sem o outro.
Eu nunca imaginaria Charlie, ou Jim, seguindo carreira solo.
Essa amizade foi uma das grandes conquistas da minha vida.
Sim, eles discutem. E sim, eles discordam,
mas, sim, eles são amigos.
E esse sentimento é transmitido pro resto da banda.
A narrativa da maioria das bandas
é que você deve sempre voltar à formação original.
Mas neste caso acho que Jim e Charlie se sentiram mais animados
por terem músicos diferentes na banda.
E isso os motivou.
Só pensei: "Vou entrar e ser eu mesma.
Ser franca e tocar como eu tocaria."
Quando estamos no palco, nos divertimos como nunca.
Eu vejo a banda agora
como se fosse uma companhia teatral.
É formada por pessoas incríveis
e não por um bando de pessoas velhas.
A banda tem grandes músicos,
pessoas fascinantes e carismáticas.
Viajamos ao redor do mundo e a galera vibra de alegria.
Eles nunca fingiram. Nunca fizeram sem vontade.
Eles tentam arrasar o máximo possível
e são fenomenais no palco.
Nós nos divertimos muito. O palco pega fogo.
Vi recentemente um show deles. Foi de arrepiar!
Seu público engloba diversas gerações.
Se tiver músicas incríveis, você terá longevidade.
Eles sempre foram brilhantes no palco.
Aquela energia continua lá,
uma paulada incrível nos meus sentidos.
Ainda não assimilei tudo.
Tenho acompanhado a banda ao longo desses anos.
Eles gostam. E como gostam!
Os shows têm uma atmosfera realmente mágica.
É incrível testemunhar isso
e também fazer parte de tudo isso.
Cada um incentiva o outro. É, os shows são uma loucura.
Vocês têm que se entender e ser amigos,
se divertir fazendo isso,
curtir subir no palco diante da galera
e tocar as músicas que fizeram juntos há 40 anos!
# Your name in lights...
Jim fala de um futuro sem o Simple Minds,
mas não acho que isso exista.
Mesmo que não tenhamos as mesmas rotinas diárias,
sei que sempre farei música e Jim sempre fará a letra.
Não quero ser egoísta a vida toda.
Há outras pessoas fora da banda.
Sua família, os amigos que você nunca vê.
Não quero passar pela vida e, no final, pensar
que nunca dediquei um tempo a eles.
Ali é a Calábria?
Sim, é a Calábria. Isso mesmo, Charlie.
Esperamos continuar trabalhando nos próximos 5 anos.
E nesses cinco anos,
celebraremos nosso 50º aniversário.
Sempre nos referimos a isso como uma história,
e para nós foi uma grande história.
Mas grandes histórias merecem grandes finais.
Eu não ficaria surpreso se começássemos a planejar
algum tipo de ponto final.
Pela primeira vez,
é hora de começar a pensar nessas coisas.
E em um retorno.
E em um retorno após outro retorno, Charlie.
Sim, esse troço é lucrativo pra cacete!
APÓS GRAVAREM ESTE DOCUMENTÁRIO,
JIM E CHARLIE VOLTARAM AO ESTÚDIO
PARA GRAVAR 0 20º ÁLBUM DO SIMPLE MINDS
E PLANEJAR A MAIOR TURNÊ DA BANDA EM MAIS DE 30 ANOS.
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