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Ao longo de 20 anos e três aventuras incríveis,
viajámos até aos cantos mais longínquos do mundo.
Estamos na estrada, Charley. Vamos a caminho.
Mas nunca explorámos devidamente os países mais próximos de nós.
- Vamos à Europa. - Sim.
Vamos passar o verão a fazer uma viagem espetacular
por 17 dos nossos vizinhos mais próximos.
Começando na minha casa na Escócia, vamos passar para o continente,
viajar até aos países nórdicos e ao Círculo Polar Ártico
e descer pelos países bálticos até aos Alpes e a França,
voltando para casa cerca de dois meses depois.
Vamos arriscar e fazer a viagem com motas temperamentais com 50 anos
que ganharam uma nova vida.
Que som estranho.
Ao lado deles, numa terceira mota,
vão os operadores de câmara Claudio e Max.
E eles também levarão câmaras pessoais.
REALIZADOR / PRODUTOR
Eu e o Russ vamos com uma equipa e dois carros,
estando com eles só quando necessário.
Este verão, a Europa será o nosso recreio.
E vamos seguir o nosso instinto e ver o que encontramos pelo caminho.
DINAMARCA
Merda!
Estás bem?
Senti a mota instável e achei que a conseguiria controlar,
mas não consegui.
Certo.
Acho que vi a berma e pensei que podia parar lá.
Há combustível e vidros na estrada.
Ouvi os vidros a partir.
Estás bem?
De repente, estava no chão. É uma sensação horrível.
Quando o vi a cair,
pensei: "Meu Deus! Que ele não tenha partido nada."
Pensei logo nisso.
Bati com a anca. Acho que vai ficar negra.
Sim.
A berma não parecia alta. Parecia ter a altura da estrada.
Estou irritado.
Olha! Queres parar naquela oficina?
Mas que dia...
Não vi que era alta.
- Parecia plana. - Sim.
Senão, não teria ido para lá.
Ou teria abrandado mais.
Perdi o controlo.
A mota oscilou e...
É como ficar preso num sulco.
- Sim. - É exatamente assim.
Tive uma pequena...
Tive uma pequena queda.
- Caí. - Teve uma queda.
- Bolas! Mas estás bem? - Sim.
- Sim. Estou ótimo. - Pareces bem.
Como ficou isto assim?
Terá sido o teu pé?
- Sim. - Talvez, não sei.
- Estás bem? - Sim, estou ótimo.
- Estou bem. - Bolas!
- É horrível. - Sim, foi mesmo.
É horrível porque amolguei a mota. Essa é a parte chata.
- Mas tu estás bem, fisicamente? - Sim.
Estava a conduzir e, de repente...
Depois, estava no chão e só pensei: "Caramba!"
E pensei logo que tinha dado cabo da mota.
Pensei que a viagem tinha acabado para ela.
Estou irritado.
Bolas! É sempre mau cair com a mota.
Sinto-me tão estúpido.
É um arrependimento instantâneo.
Mas já passou.
Fiquei impressionado com o Ewan. Voltou à mota e seguiu viagem.
E teve muita sorte.
Há uma semana, saímos da minha casa na Escócia
e, agora, estamos no sul da Dinamarca,
prestes a atravessar para a maior península da Europa,
a Escandinávia.
Vamos passar pela Suécia e Noruega
e tentar acampar nos fiordes.
NORUEGA
Quero apontar a mota numa direção e ver o que acontece.
Acho que me faz pensar em quando era pequeno.
Lembra-me de quando andava de bicicleta, e adorava isso.
Há uma liberdade e uma diversão que não experienciamos muitas vezes.
Antes de sairmos da Dinamarca, vamos aos arredores de Copenhaga.
Vamos visitar os nossos amigos da UNICEF,
que têm aqui o maior centro de distribuição do mundo.
Eu e o Ewan somos embaixadores orgulhosos da UNICEF.
A UNICEF é uma parte importante da minha vida desde o Long Way Round.
Nos últimos 20 anos, estive no mundo inteiro
e visitei projetos apoiados pela UNICEF.
- Olá! - Olá!
Olá!
Bem-vindos ao maior armazém humanitário do mundo.
Fica junto ao porto.
Sim. Não estamos abrangidos por impostos.
- Certo. - Os bens chegam
e não vão para a Europa, mas para o armazém.
E, do armazém, seguem para todo o mundo.
Tudo o que vimos no mundo,
todas aquelas caixas enormes, passa por este centro gigante.
Meu Deus!
Isto é incrível!
- É tão grande. - É gigante!
Temos de estar prontos, numa emergência,
- para enviar bens para as crianças. - Sim.
Isto é incrível. E a escala...
Isto é um presente do governo dinamarquês.
O armazém, as máquinas, a tecnologia.
- Tudo o que veem. - Isso é maravilhoso.
Adoro ver as máquinas.
É estranho vê-las a trabalhar.
Cuidado com as empilhadoras.
Vejam!
- É balé. - Que giro!
Esta é a linha de embalagem.
Hoje, vamos embalar alguns componentes das caixas de desenvolvimento infantil.
Brinquedos de madeira e cadernos.
- E isto vai... - Para aqui.
- Aqui? - Sim.
- Certo. - Ótimo.
É interessante ver de onde vêm as coisas.
É muito giro.
Não parem. Sempre a andar!
Gosto de tarefas repetitivas.
- A sério. - Sim?
Passava horas nisto. Sem problema.
Adoro isto, porque vai ajudar 40 alunos.
- Quarenta crianças vão receber educação. - Sim. É espetacular.
Assim.
É como uma mota. Assim vai para baixo.
Certo. Estamos habituados a que seja acelerar e abrandar.
- Não cima e baixo. - Sim.
- Essa foi boa. - Foi um pouco rápido.
- Isso mesmo. - Muito bem.
- Certo. - Muito obrigado.
- Incrível. - Muito bem.
Algo que me deixa muito orgulhoso é estar ligado à UNICEF.
Foi extraordinário ver como tudo funciona no armazém.
Fiquei maravilhado.
Vamos dar a volta toda à rotunda, Ewan?
Sim.
O descanso central tocou no chão, na rotunda.
Acho que o acidente causou mais danos do que pensámos.
- Já tinhas falado disso. - Sim, deste lado.
- Sim, dá para ver. - Aqui.
Talvez tenhas entortado qualquer coisa.
Pode ser esse o problema.
Temos de a pôr no descanso central
- e virar a mota para a esquerda. - Sim.
A Dinamarca e a Suécia estão unidas pela Ponte de Øresund,
que tem oito quilómetros de comprimento.
COPENHAGA
Vamos passar a ponte.
É a ponte da série The Bridge.
Aqui está a música! Aqui está a ponte!
- Charley! - Não é incrível?
A fronteira é no meio destas duas torres, certo?
A Dinamarca é o primeiro pilar, e a Suécia é o segundo.
Volta ao início
Bem-vindos à Suécia.
Olá, Suécia.
Ouvimos falar de um motoclube local.
Esperemos que nos ajudem a reparar a mota do Ewan.
MOTOCLUBE MALMÖ, SUÉCIA
Como foi passar a ponte?
Passámos a ponte a cantar.
Foi ótimo.
- É tua? - Sim.
É uma 350?
- Não, é uma Moto Guzzi Nevada, de 1996. - Certo.
- É uma 750. Sim. - Uma 750?
- Parece a pequena. - Remodelei-a recentemente.
Parabéns! Está espetacular.
- É linda. - Adoro esta color.
Obrigada.
O CLUBE FAVORECE OS ESTRANHOS
Adoro esta mota.
Só vou conseguir fazer a viagem com ela.
- Tem uns problemas. - Sim?
Parti este farol, e este suporte recuou um pouco.
- Está um pouco torto. - Sim. Podemos usar uma vara.
- E tentar... Sim. - Sim. Endireitá-lo?
Consegues?
Espera. Um, dois, três... Já está.
A mota não é pequena.
- Posso tentar? - Sim.
Se partir algo, não pago.
Dá-lhe umas pancadas. Isso mesmo.
Acho que já está.
- Mais uma para dar sorte. - Sim.
Está melhor. Resultou.
Ótimo.
Obrigado. Só mais uma coisa. Posso encher o pneu traseiro?
- Sim, claro. - E é tudo.
Adoro o que eles fazem. Se alguém tem um problema, eles ajudam.
Incrível! Obrigado.
Também tens de assinar aqui, Ewan.
Fazem imensa coisa. Vão em viagens e aventuras juntos.
LONG WAY 24 VIVA!
Há quem goste de andar a cavalo ou de bicicleta.
Fazem-se essas coisas pela amizade.
E a comunidade dos motociclistas também é assim.
É como qualquer outra comunidade.
Partilha-se algo de que todos gostam.
- Foi divertido. - Pois foi.
Devo dizer que a Suécia é lindíssima.
Gosto de passar pelas quintas.
É muito bonito.
Já arranjámos a mota
e agora vamos focar-nos em nós.
Vamos para o bosque, despir-nos.
Disseram-me que é uma tradição sueca.
Vê isto.
- Sou o Ewan. - Camilla.
Prazer, Camilla.
- Este é o Charley. - Olá.
Há esta tradição. Temos uma panela com água.
- Podem vestir estas roupas... - Certo.
... vão para a floresta e despem-se.
Isto são folhas de bétula frescas.
Tiram uma mão de folhas
e juntam a mesma quantidade de açúcar
- e de óleo. - Certo.
Com a bétula, não precisam de sabão.
- Não? - Certo.
- Vamos lá. - Podes esmagar.
Põe o açúcar.
Misturem bem.
- Ótimo. - Obrigado.
- O segredo está no punho. - Exato.
Quando acabarmos, vamos estar azuis e parecer Estrumpfes com este chapéus.
- A mesma quantidade de óleo. - Está ótimo.
Agora, usamos isto aqui dentro?
- Não, no exterior. - No exterior.
- O sabão está lá dentro. - Certo, eu sabia.
- Perfeito. Sim. - Queria ver se a senhora sabia.
Este saquinho é para o Charley pôr os genitais.
- O genital. - Sim, o genital.
Está muito quente.
Vou lavar-me com sabão.
Acho que não podes ver isto, Claudio.
É privado.
Os teus fãs vão ficar desiludidos.
Isto é uma carraça?
Não.
CÂMARA DA SAUNA
- É bicudo. - Sou tão estúpido.
Porque está tão baixo?
Deixa ver se ficou marcado.
- Sim, ficou marcado. - Vou ficar com um galo.
Agora, vamos molhar-nos com água fria.
Mais uma vez?
Mais uma vez. Certo.
Está ótimo.
- Pronto. - Foi ótimo.
Claudio, peço só alguma...
Vais filmar da cintura para cima?
Vais filmar só isto?
- Sim. - Sim, não te preocupes.
Não!
Basicamente, vamos esfregar açúcar e óleo no corpo.
Então...
Não sai.
Não está mesmo a sair.
Então, e agora?
- Vou já. Espera. - Não, Charley.
Não sai mesmo. Vejam.
De repente, sinto-me nu.
- É porque estás nu. - Céus!
Saímos agora da sauna. Foi divertido, e estamos limpinhos.
Fomos muito masculinos quanto à situação.
Foi ótimo. Sinto-me muito melhor.
Mas estou esfomeado.
Sim, isto é incrível.
ALOJAMENTO STRÖMMA SUÉCIA
Sirvam-se.
É engraçado. Muitas vezes, não sabemos o que vamos encontrar.
Só nos disseram que este sítio era um pouco diferente.
É espetacular.
Vou provar.
É bom?
- Sim? - Perfeito.
CÂMARA-DIÁRIO
- Olá. - Olá.
- Como estás? - Bem, e tu?
- Também. - Estás a fazer mais café?
O último foi feito às três da manhã.
Às 3h30.
Tenho o meu mapa de papel.
Podemos pô-lo lá fora, na mesa.
Sim, vamos.
Claudio! Bom dia. Como estás?
Hoje...
- São 240 km? - Não tanto.
Nós estamos...
Estamos algures por aqui.
Halmstad.
Acho que estamos aqui.
E hoje vamos de Gotemburgo até aqui.
Vamos até à costa conhecer uma senhora.
A senhora das algas e a cantora, acho eu.
Acho que é por ali.
Seria de pensar que em junho estaria sol,
mas o clima está terrível.
A previsão dos próximos dias é péssima.
Numa mota, experienciamos realmente os elementos.
Foi o pior dia de chuva até agora.
Está a chover bastante.
Queres parar?
Vamos procurar um café.
Está bem.
- E ali? - Experimentamos?
Sim. Parece um café.
Espero que haja café.
Parece uma banca de gelados. Não é o que queremos.
- Não há café. - Não.
Morangos.
São bons. Aquele Volvo é teu?
É baixinho.
Voltaram a estar na moda?
Sim, são muito populares entre a juventude.
Sim.
Sim.
Significa que estás a aprender a conduzir?
Sim, anda devagar.
A 30 km/h.
- A 30 km/h? - Sim.
Estou a ver.
E que idade tens?
- Tenho 17 anos. - Dezassete.
Mas podemos começar a guiar aos 15 anos.
- Aos 15 anos? - Sim.
Porque só anda a 30 km/h?
Porque podemos tirar uma licença aos 15 anos.
E restringem o motor.
- Sim. - Tem uma caixinha lá dentro.
- Sim, tem uma caixa à frente. - Para abrandar.
Tem colunas. Já viram o tamanho das colunas?
Só podes levar uma pessoa.
Não podes levar ninguém atrás?
Não.
Vejam isto.
Sinto o corpo todo a vibrar.
- Cuidado. - Cuidado com os ouvidos.
Queres ouvir depois dos 22 anos. Dá jeito.
- Que disseste? - O quê?
Aqui vão dois adolescentes daqueles. Vejam!
Têm autocolantes gigantes atrás.
Que fixe!
Surpreendentemente, a Suécia é o país do mundo com mais ilhas,
e as vidas das pessoas estão interligadas com o mar.
DINAMARCA SUÉCIA
Vamos a uma aldeia piscatória na costa oeste.
Vamos conhecer uma senhora que forrageia no mar.
Recolhe diferentes tipos de algas
e cozinha com elas.
Espero que pare de chover.
Gosto muito de ver as diferentes paisagens e de estar nelas.
Também gosto de ver as pessoas que lá vivem
e que, de outra forma, nunca conheceria.
Acho que ela está aqui.
Está ali. Que bom.
- Isto é lindo. - É incrível.
- Vejo porque gosta disto. - Sim.
Adoro...
É um arquipélago muito bonito.
É muito estreito e protegido.
Não tem marés
nem correntes fortes.
Pensei que podíamos procurar algas
- e forragear. - Sim.
Contêm muitos oligoelementos e antioxidantes.
- A sério? - Sim.
E, depois, podemos cozinhar.
- Então... - Só cozinha com algas?
- Não. - Não.
Não, não só.
Salada de algas.
- Salada de algas. Sim. - Gosto disso.
Vamos lá.
A água está a 15 ou 16 oC.
Esta é uma alga castanha. Podemos comer as pontas.
Certo. Podemos comê-la crua? Diretamente daí?
Sim, pode comê-la crua.
Quero provar.
Sabe a mar.
Esta é outra variedade.
É anti tudo.
Antienvelhecimento, antinflamatória.
Gosto do antienvelhecimento.
Isto é erva-patinha.
E podemos comê-la crua.
Vamos servi-la com bacalhau.
Onde pomos as coisas molhadas? Aqui à frente?
- Aqui? - Podem pendurá-las.
Muito bem.
Vamos cozinhar cá dentro.
- Sim. Lá fora, não. - Não lá fora.
- Acho que lá fora... - Não.
- ... está desagradável. - Sim.
Que bonito.
Fui bibliotecária.
E os bibliotecários gostam muito de aprender coisas sozinhos.
- É uma sereia bibliotecária. - Sim.
- Que maravilha. Sim. - Isso é bonito.
Adoro peixe.
- Na verdade, gosto de tudo. - Eu também.
Qual é a coisa mais estranha que já comeram?
Testículos de carneiro, na Mongólia.
Querem comer testículos?
Testículos?
Meu Deus!
Coziam-nos num grande caldeirão.
- Eu comi. - Pois comeste.
Eu não consegui comer.
Entrou e voltou a sair.
Sim, voltou a sair.
Estou empolgado com a noite de hoje.
Os músicos devem estar a chegar.
Tudo tem de estar pronto ao mesmo tempo,
o peixe e as algas, e nada fica queimado.
Vai ser uma refeição leve, mas saborosa.
Isto é para mim.
A salada é vossa.
- Olá. - Olá!
Sou o Ewan.
- Felicia. Muito prazer. - Prazer.
Olá. Muito prazer.
- Igualmente. - Vivem na caravana?
Sim, começámos agora a nossa aventura,
- para o verão. - Sim.
MÚSICOS ITINERANTES
- Sim. - Sabem aonde vão?
A todo o lado.
Estamos numa aventura musical espontânea.
Vamos tocando por aí.
- Que bom! - Sim.
Também já tivemos aventuras espontâneas.
Têm fome?
- Sim. - Fizemos isto.
- És da Costa Rica? - Sim.
- A sério? - Costa Rica?
E é o teu primeiro dia na Suécia.
É o teu primeiro dia?
- Meu Deus! - Que giro.
- Céus! - É sempre assim.
Já comeram. Agora, vão ter de tocar para nós.
- Ouvi dizer. - Sim, para todos.
Que bom.
É poderoso.
- Cantas muito bem. Tens uma voz linda. - É magnífica.
O Ewan é muito musical.
Eu e a minha mulher tocamos muitas vezes ukulele ao meu filho.
Eu sei, eu sei
Que tu pertences
A alguém novo
Mas esta noite
Pertences-me a mim
Foi ótimo.
- Foi bom. - Foi lindo, Ewan.
- Obrigado. - Lindo.
Estava delicioso.
Ela é muito simpática. Gostei muito de estar com ela.
Cozinha muito bem.
Conhecemos um casal. Ele é da Costa Rica e muito simpático, e ela é daqui.
E cantaram-nos umas canções, em troca do jantar.
Cantaram canções muito bonitas.
E o Ewan tocou ukulele e cantou uma canção linda.
Era muito bonita. Ele é muito talentoso. Adoro a voz dele.
Bom dia. Bom dia a todos.
Ontem tive muitas saudades de casa, das minhas meninas,
da Mary e do meu filho.
Acordei a pensar que estava num barco.
Não me lembrava de para onde íamos ou...
... porque estávamos neste barco, mas não estamos num barco.
Estamos nesta zona.
E hoje vamos para a Noruega.
Vamos subir e atravessar aqui, a sul de Oslo.
Tenho esta mota há 12 anos.
E, nesta viagem, aprendi a cuidar melhor dela.
Vou tirar o descanso central.
Sempre que viro à esquerda,
o descanso raspa no chão.
Não gosto disso e vou tirá-lo.
E eu estou a ajudar.
- O Charley está a ajudar. - Ele não o faria sem mim.
- Está a dar apoio moral. - Apoio moral.
Espera.
Espera.
Abana isso.
Sim.
- Os teus dedos estão bem? - Sim.
Sim, muito bem.
Pronto.
- Merda! Estás bem? - Sim.
- Estás bem? - Sim.
Deves ter tirado uns três quilos da mota.
- Obrigado, Charley. - De nada.
Hoje, é Dia do Pai.
A Mary fez este desenho do Laurie, que está muito bonito.
Tenho muitas saudades do meu filho.
Tenho muitas saudades das minhas filhas.
- É Dia do Pai. - Eu sei.
- Vê aquela ponte. - São duas pontes.
É linda.
Vamos continuar a aventura na Noruega.
Estou empolgado.
A Noruega é o sétimo país na nossa viagem.
HORTEN NORUEGA
E, no porto de Horten, os noruegueses construíram muitos navios de guerra.
Vamos ver submarinos.
Aqui está o submarino.
Acho que devíamos estacionar à frente dele.
Naveguei entre 1977 e 1985. Oito anos.
Fui quatro anos capitão.
- Na Guerra Fria? - Sim.
O submarino combateu no norte,
onde a Noruega partilha fronteira com a Rússia, no Mar de Barents.
É uma zona de água que continua fortemente patrulhada.
MAR DE BARENTS
Esta porta foi adicionada.
Certo.
Cheira a um Lancaster antigo.
Cheira a um avião de guerra antigo.
- Sim. Então... - Sim.
Um periscópio, claro.
Vejo o Richard Harris.
Sim.
"Ninguém..." Não, é o Jack Hawkins.
- "Ninguém odeia esta guerra mais que eu." - "Mais que eu."
É fácil bater com o nariz. Já bati três vezes.
Adeus, periscópio.
Baterias.
Noventa toneladas, de chumbo-ácido.
- Noventa toneladas? - Sim.
- Vão ao longo do submarino todo? - Sim, basicamente.
É elétrico para ser silencioso?
O mais importante é manter o silêncio.
Conseguimos ouvir as outras embarcações...
... e depois a acelerar quando se aproximam.
- Como nos filmes. - Sim, exato.
Falou-nos de patrulhar perto da Rússia.
Isso ainda continua hoje?
Sem dúvida. Os russos precisam, digamos,
de garantir que controlam o que consideram ser o quintal deles.
E nós patrulhamos ativamente nesse quintal.
- É o quintal deles... - Sim.
- ... e o nosso alpendre. - Certo.
Sala dos torpedos.
Isto servia para lançar agentes.
- Entravam aqui? - Entravam aqui dois ou três agentes.
Enchíamos o tubo com água,
nivelávamos a pressão e abríamos a escotilha da frente,
e eles saíam a nadar e faziam o que tinham a fazer.
Posso ver?
Não acredito.
Quer entrar?
Não, obrigado.
Não é aceitável.
Ficavam aqui deitados enquanto se enchia de água?
- Sim. - No escuro.
No escuro.
Começo a ficar um pouco...
- Claustrofóbico? Sim. - Sim, um pouco.
Vamos, capitão.
MUSEU MARÍTIMO
Tenho uma farpa no rabo.
Queres que eu veja?
- Vejo depois. Sim. - Vês depois na tenda, com uma pinça.
- Depois de procurarmos carraças. - Sim, exato.
- É importante. Não é para rir. - Não.
- É como ver os testículos. - Sim.
- Devemos sempre ver os testículos, certo? - Sem dúvida.
A Noruega é muito familiar.
Parece a Escócia.
Vamos tentar acampar aqui.
O Ewan adora acampar.
Não acampar em si,
mas adoro a liberdade que proporciona.
Eu sou o campista mais relutante.
Vou pô-la assim.
Peço desculpa.
Vou pô-la assim, que é o lado bicudo.
Max, podes segurar na minha tenda?
Preciso de mais encorajamento do que o Ewan.
Certo. Sim.
Claudio.
Quando acampamos, é difícil estar molhado e frio.
É a minha almofada, para a minha cabeça cansada.
Já está.
Estou pronto.
Há porco e feijão.
Bolonhesa com orzo.
"Selar e deixar repousar 15 minutos.
Voltar a mexer. Bom proveito."
Muito bem.
É o meu agente a tentar contactar-me, Ewan.
- Sim. - Não estou aqui, está bem?
Relaxem.
Relaxem.
Então...
Vejam.
Olá, Anouk! Como estás?
É uma boa filha a telefonar para desejar...
- Feliz Dia do Pai. - Meu amor!
Estamos a divertir-nos muito.
A minha mulher pôs-me isto na mala.
ABRIR DIA 10 DE JUNHO
Hoje, é Dia do Pai.
"Das tuas filhas mais nova e mais velha favoritas.
Temos muitas saudades tuas e esperamos que te estejas a divertir.
Queremos muito ter-te de volta.
Adoramos-te e sentimos a tua falta. Volta para casa com cuidado.
Beijinhos, Kinvara e Doone."
A minha água está a ferver.
- Olha, Charley. - Sim.
- Tens uma panela. - Foi rápido.
Estamos a fazer o jantar.
Ligas-me quando chegares aonde vais? Onde é?
- Merda! A minha água caiu. Não! - Não!
- Não! - Entornei a água toda. Não!
Não!
Já te ligo, Anouk.
- Está bem. - Adoro-te.
Que irritante! Vou ferver mais água.
Tenho de recomeçar.
- Temos aqui mais água? - Sim.
Quantas garrafas puseste?
Acho que isto é sumo de limão com gás.
Tu é que o compraste.
Sim.
É a primeira noite na Noruega, e vejam onde estamos.
Estamos no paraíso.
O céu estava azul.
Aquelas nuvens vêm nesta direção.
Também há umas naquelas colinas. Não parece...
Não parece muito bom.
Mas este sítio é espetacular.
É uma da manhã.
Está a chover bastante.
Faz muito barulho.
Ouço alguém a ressonar.
Vou tentar dormir.
É mau.
É o motor de arranque.
Às vezes, fica encravado, e temos de lhe bater com um martelo ou uma pedra.
Claro.
Queres bater nele? E eu posso tentar ligá-la.
- Posso? - Sim.
Quando eu e o Charley passamos por dificuldades, apoiamo-nos muito.
Está viva!
Estas motas são incríveis. É tudo mecânico. Dá para arranjar tudo.
Parece que está triste.
Parece que está a dizer: "Hoje, não estou feliz.
Não gostei de acampar. Quero ir para um hotel."
O verão na Escandinávia é cómico.
Já parece uma piada. Começamos a andar, e a chuva aparece.
Vamos para as montanhas norueguesas.
Disseram-nos que a paisagem é linda.
O rio é grande.
Tem imensa água.
Temos mais de 200 quilómetros de estradas montanhosas à nossa frente
até chegarmos à vila isolada de Lysebotn.
Até fazerem esta estrada há 40 anos,
só era possível lá chegar de barco.
Parece a Escócia, mas um pouco melhor.
Como te atreves?
- Não foi isso que quis dizer. - A sugerir que há melhor que a Escócia...
- Enfim... - Deixei-me levar.
Isto é lindíssimo.
Estamos muito alto, e está bastante frio.
Olha para isto.
É lindo.
Foi por isto que viemos.
São 27 curvas.
Vamos lá.
É assustador.
Adoro estradas com curvas.
Sim!
Isso mesmo!
Ainda bem que tirei o descanso.
É lindíssimo.
Os motociclistas adoram isto,
mas ouvi dizer que também é bom para quem gosta de adrenalina, Charley.
Dá para ver de onde se salta.
Céus! Até fico arrepiado.
Pelos vistos, alguém vai saltar daquele penhasco,
voar pelo ar e desfazer o letreiro de esferovite.
Trinta segundos para saltar.
Trinta segundos!
Prepara-te para saltar.
- Consegues vê-lo na borda? - Sim.
Devia ter trazido os óculos. Onde está ele?
- Está no topo? - Sim.
- Não o viste? - Eu disse que sim.
Charley, não...
Está de azul-escuro?
Não faço ideia.
- É agora! - Certo.
Três, dois, um.
Ele saltou. Meu Deus!
- Perdi-o. Está ali. - Está ali.
Não é incrível?
Ele vem aí, Ewan.
Foi tão preciso.
Foi espetacular!
- Meu Deus! - Meu Deus!
É como ver alguém a voar.
- Acabou num instante. - Foi incrível. Sim.
Meu Deus!
- Ficas nervoso por saltar? - Tenho sempre medo.
Sim. E uso esse medo para estar focado e desperto.
A adrenalina permite-me focar-me no que tenho de fazer.
Há um alvo, e eu tenho de o desfazer.
Foi extraordinário.
Quase podíamos levantar a mão e tocar-lhe.
Um ser humano a voar na nossa direção. Foi incrível!
O meu cérebro ficou confuso.
Não vamos voltar pela montanha. A melhor forma de sair daqui é de barco.
Depois, podemos continuar pelo norte da Noruega.
É a nossa primeira viagem de barco num fiorde.
- Vai ser giro. - Sim, vai ser ótimo.
Tiveste a ideia desta viagem há pouco mais de um ano, Ewan.
E agora estás a fazê-la. Era uma linha vermelha num mapa.
A paisagem é absolutamente espetacular.
Nunca tinha feito uma travessia assim.
Adoro ver como o mundo é bonito
e sentir que nos pertence.
Fazemos parte dele e temos o direito de cá estar.
Estás com problemas, Charley?
Vá lá!
As motas molharam-se muito ontem.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO...
Vamos lá. Está a nevar. Está a nevar bastante.
Era o que faltava...
Não sinto o rabo.
Vá lá, Noruega!
Já apanhámos todo o tipo de clima.
Feliz solstício de verão, Charley.
- Igualmente. - Obrigado.
Estás bem, Charley?
Legendas: Lara Kahrel
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