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Compramos colch�es
Estrados, refrigeradores
Fog�es, lavadoras, micro-ondas
Compramos...
RITA MORA CASTRO ADVOGADA
- Al�? - Algum progresso?
Quase acabado.
O porteiro n�o quer testemunhar.
- O qu�? - O porteiro n�o quer testemunhar.
O j�ri vai acreditar?
Isso � problema meu, eu me encarrego.
Vamos alegar que foi suic�dio.
- Suic�dio. - Exatamente.
Claro, senhor.
- Conto com voc�. - Pode deixar.
Boa noite.
O desgra�ado mata a mulher, e alegamos suic�dio.
Um caso rotineiro?
ALEGA��ES INICIAIS
Sr. Presidente,
Vossa Excel�ncia,
ilustres advogados da fam�lia da falecida,
ilustres colegas autores da causa,
estimados membros do j�ri, etc.
Estou de acordo com meus colegas da acusa��o.
Este caso � demasiado mundano.
� um caso de viol�ncia.
Obrigada.
De que falamos agora?
Falamos de um casal
O casal formado Por meu cliente e a esposa
Que ele � acusado de matar
Para cima e para baixo
De que falamos agora?
Falamos de viol�ncia
De viol�ncia, de amor, de morte
De um pa�s que sofre
De que falamos agora?
Falamos de um casal
O casal formado Por meu cliente e a esposa
Que ele n�o p�de impedir que se suicidasse
Um casal pr�spero, invejado Mas um casal pr�digo
Quem no M�xico n�o os amava?
Isto n�o � um conto de fadas
� uma hist�ria de amor
Voltando aos fatos
De que falamos agora?
De justi�a que se compra?
Veredictos alterados Vendidos por tabloides
Decapitados pra direita Periguetes pra esquerda
Boatos correndo pelas ruas
Mais caf�?
Sim, por favor.
Venham e abram as portas
Do tribunal de sua consci�ncia
Escutem! Respondam minha pergunta!
Podiam dar a meu cliente O Sr. Gabriel Mendoza
O direito de amar a sua esposa?
Vossa Excel�ncia
Pe�o pelo triunfo do amor
Pela inoc�ncia
E a derrota da m�-f�
Quando falamos de viol�ncia
Falemos de compaix�o
Falemos de nossos mortos Falemos de nossas sombras
Saudemos o nosso mundo
Quando falamos de viol�ncia
Abramos o cora��o
Amemos as mulheres, perdoemos os homens
Abracemos a mis�ria
A mis�ria
Um homem de grande cora��o
agora � v�tima da mesma m�dia encarregada de caluni�-lo.
Pois n�o?
Vai se atrasar.
Tem raz�o, merda!
Gabriel Mendoza n�o matou a esposa!
Ela acabou com a pr�pria vida!
Este � um processo da m�dia que se empenha em caluni�-lo!
Submeteu meu cliente e a esposa ao escrut�nio p�blico.
Hoje todos achamos que devemos acus�-lo
e conden�-lo.
Hoje eu queria... Bem...
Esse idiota esquece tudo.
Eu queria apelar a suas consci�ncias, senhoras e senhores.
Eu queria apelar a suas consci�ncias, senhoras e senhores.
Acham que meu cliente, Gabriel Mendoza...
Ele tem cara de criminoso.
...contra qualquer mulher? Qualquer pessoa?
Contesto n�o apenas uma,
mas todas as alega��es da acusa��o.
Pe�o pura e simplesmente a libera��o de meu cliente
Sr. Gabriel Mendoza.
Muito obrigado.
Quanta baboseira!
Meu cliente e eu jamais duvidamos da Justi�a deste pa�s.
Al�, m�e?
Sim, ganhamos. Ganhamos!
Estou contente, sim. Mas sinto um gosto amargo.
Eu disse... N�o, esquece.
No domingo?
Acontece que tenho muito trabalho.
Eu ligo logo de novo, m�e.
Sua b�n��o.
Com licen�a.
- Voc� tem um absorvente? - Tenho.
- Estou um caco. - N�o se preocupe, tome.
- Obrigada. - De nada.
Este � um caso especial.
Droga.
M�e, posso ligar mais tarde?
Sra. Rita Mora Castro?
Sim. O que �?
O que est� fazendo no banheiro?
Voc� � que merece os aplausos, doutora.
Quem fala?
Quer ficar muito rica?
Tenho uma proposta para voc�.
Esteja em dez minutos na banca de jornal.
Perd�o, mas n�o sei quem...
Al�?
Depois de tudo...
Quanto tempo mais vou abaixar a cabe�a?
Quanto tempo mais Vou lamber as botas deles?
Quanto tempo mais Vou desperdi�ar meu talento?
Quanto tempo mais Vou trabalhar duro por nada?
O que voc� tem a ganhar?
O que tenho a ganhar?
O que voc� tem a perder?
O que tenho a perder?
Eu e meu doutorado
Super, super, superimportante
Eu e meu puto sal�rio
Super, super, superpequeno
Eu e meu cora��o de pedra
Super, super, superduro
Eu e minha bunda grande
Super, super, super
Quanto tempo mais?
O que temos a ganhar?
Quanto tempo mais?
O que temos a perder?
E meus supostos amigos me dizem
"Quando vai se casar? E ter filhos?"
N�o tenho tempo para os fazer
E as garotas no trabalho me dizem
"Quando vai abrir sua pr�pria firma?"
Quem sabe?
Quando eu n�o for "a negra"
Por que ele ligou pra mim? Por que eu?
Por que na banca de jornal?
Por que ele ligou pra mim? Por que eu?
Por que na banca de jornal?
N�o tenho nada a perder
N�o tem nada a perder
Tenho tudo a ganhar
Tem tudo a ganhar
MORTO
V�TIMAS DE ASSASSINATO COM 8 TIROS!
MASSACRADO NO MEIO DA RUA
Senhora?
Sim? Puta merda!
- Todos na picape! - Vamos logo!
Tem algu�m aqui?
Est� com medo?
Deveria estar?
N�o.
Sabe quem sou?
N�o.
Manitas Del Monte. Muito prazer.
Merda.
O que sabe da minha situa��o, Dra. Mora Castro?
Sua situa��o?
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
Seus neg�cios v�o bem.
Seu cartel arrasou o Alianza del Norte,
seu concorrente no mercado de drogas sint�ticas.
Apoiou novos pol�ticos ano passado,
que as elei��es...
As elei��es lhe deram raz�o.
Acertou!
Como posso ajudar, Sr. Del Monte?
Responder essa pergunta significaria
Que j� aceitou a miss�o E ela � secreta
Quando eu disser do que se trata N�o pode voltar atr�s
Ouvir � aceitar
E saiba tamb�m que
Se eu disser do que se trata E voc� aceitar
Consider�veis somas de dinheiro
Ser�o transferidas � Su��a Ilhas Cayman e outros lugares
Contas que s� voc� e eu Saberemos que existem
Cifras e c�digos Contas e milh�es
S� voc�
E eu
Qual � o meu risco?
Enriquecer.
EXTRATO DE CONTA
Est� bem.
Est� bem o qu�?
O que quer que eu fa�a?
Quero ser uma mulher.
N�o entendi.
O que n�o entendeu?
Bem...
quer dizer fisicamente mulher?
- Sim. - Voc� quer...
mudar de vida ou mudar de sexo?
Qual � a diferen�a?
Bem...
Eu sou advogada, Sr. Del Monte. N�o sou cirurgi�.
Por isso acabo de contrat�-la.
Para encontrar um bom cirurgi�o.
Mas, Sr. Del Monte, isso pode levar... anos.
N�o se consegue num piscar de olhos.
Comecei o tratamento h� dois anos.
N�o tem mais volta, menina.
Nem pra voc�, nem pra mim.
Encontre um lugar seguro para me "redefinir".
Distante. Nem aqui, nem nos EUA.
Um lugar onde seja imposs�vel me encontrar.
Encontre algu�m dif�cil de rastrear.
CONFIRMA��O DE G�NERO
Algu�m competente e impec�vel.
Seu antecessor perdeu muito tempo.
Dra. Mora Castro, vai contar com todos os meus recursos.
E, como pode ver, s�o ilimitados.
M�xico-Bangkok, depois Bangkok-Bombay, Bombay-Rio.
Tenho M�xico-Haneda. Conex�o de quatro horas, Haneda-Bangkok.
- Quanto tempo no total? - Vinte e seis horas.
N�o. Tenho de estar de volta na quinta para uma audi�ncia.
N�o chegar� a tempo.
Encontre outra coisa.
Como o qu�? Um foguete?
Outra classe.
Na executiva? � muito mais caro.
- E mais acima? - Acima de qu�?
Da executiva.
Espere, quer que eu encontre voo na primeira classe?
Sim.
Isso est� muito fora do pre�o que combinamos.
- Como vai pagar? - No cart�o.
Que tipo de cart�o?
Rita?
O chefe est� com o cliente. Aguardam voc�.
Senhoras e senhores, aqui fala o comandante.
De acordo com o plano de voo, chegaremos...
Ol�, muito prazer
Quero saber sobre Opera��es de mudan�a de sexo
Entendi, entendi, entendi
Homem para mulher ou mulher para homem?
Homem para mulher
De p�nis para vagina
� para voc�?
Para mim? N�o
O que quer saber, senhora?
Quero saber tudo
Qual � o protocolo? As t�cnicas e os riscos?
Quantas opera��es? De quanto tempo precisa?
- Mamoplastia? - Sim
- Vaginoplastia? - Sim
- Rinoplastia? - Sim
- Laringoplastia? - Sim
- Mamoplastia? - Sim
- Vaginoplastia? - Sim
- Rinoplastia? - Sim
- Laringoplastia? - Sim
Condrolaringoplastia?
O que � isso?
Reduzir pomo-de-ad�o!
Sim!
- Vaginoplastia? - Sim
E penoplastia
Sim
Laringoplastia
Sim
E mamoplastia
Homem para mulher, mulher para homem
Somente o bumbum, quanto custaria?
Para voc�? US$ 4.500.
Vaginoplastia para os homens tamb�m
Vaginoplastia deixa os homens felizes
Vaginoplastia para as mulheres tamb�m
- Vaginoplastia - Homem para mulher
Vaginoplastia
Escute, safada.
Em que ponto est�, Sra. Castro?
Acha que estou pagando pra bancar a gostosa na primeira classe?
Ande mais depressa, caramba. Meu tempo est� acabando.
Ent�o, o seu cliente n�o tem nome?
Por enquanto, ele deseja permanecer an�nimo.
Mexicano como voc�?
Sim. E � riqu�ssimo.
Certo, ent�o?
- Ele j� come�ou a terapia hormonal? - J�.
- Quando? - H� dois anos.
Algum problema m�dico desde ent�o? Som�tico, psiqui�trico?
N�o.
Mo�a, eu modifico apenas os corpos
Pele, ossos
Mas nunca modifico a alma
Se ele � ele, ela ser� ele
Se ele � ela, ela ser� ela
Se ele � um lobo, ela ser� um lobo
Se ele � o lobo, voc� ser� a ovelha dele
Mo�a, sou m�dico desde os 24 anos
Eu luto e remendo Mas nunca vou acabar com a guerra
Minha porta n�o � a porta do Para�so
Mo�a
Diga ao Sr. Misterioso
Que, em vez de fazer cirurgia pl�stica
Ele devia trocar os documentos
Doutor, sei que estudou muito
Doutor, mas eu n�o concordo
Por favor
Mudar o corpo muda a sociedade
Mudar a sociedade muda a alma
Mudar a alma muda a sociedade
Mudar a sociedade muda tudo
Doutor
Confie no meu Sr. Misterioso
Se tivesse visto o que ele me mostrou
Voc� seria um homem melhor
Doutor
N�o sabe O que � ser queen
Quando voc� nasce para lutar E seu destino � matar
Voc� tem de dan�ar ou morrer
Senhoras e senhores
E todos entre os dois extremos
E todos que s�o diferentes de tudo
Nunca vou desapont�-los!
Doutor - Mo�a
- Sou advogada desde os 24 anos - Sou m�dico desde os 24 anos
N�o quero dizer por que estou fazendo isto
- Nunca admitirei a culpa - Minha porta n�o � a do Para�so
Doutor - Mo�a
N�o vim aqui desperdi�ar o seu tempo
Mudar de g�nero n�o � um �libi - Em vez de fazer cirurgia pl�stica
- Voc� devia ter a mente aberta - Ele devia mudar de ideia
- Voc� devia ter a mente aberta - Ele devia mudar
- Voc� devia ter a mente aberta - De ideia
A sua mente.
A sua mente.
Posso conhec�-lo?
Isso depende.
- De qu�? - De voc�.
Se n�o estiver disposto a aceitar, n�o adianta falar com ele.
Escutar � aceitar.
Pode pedir pra diminu�rem essa porra de barulho?
- N�o � boa ideia. - O qu�?
- N�o acho uma boa ideia. - Certo.
Manitas Del Monte, Dr. Wasserman.
Boa noite, professor. Fez boa viagem?
Exceto pela m�sica de merda, foi excelente.
Est� com fome? Quer descansar ou...
N�o, podemos come�ar quando quiser.
Sempre fui duas pessoas.
Meu eu verdadeiro e o animal que me segue como uma sombra.
Sabe o que � vir da pocilga?
Para a minha natureza verdadeira permanecer escondida
e Manitas ser respeitado,
Manitas tem de ser mais cruel
que os outros desgra�ados ao redor dele na pocilga.
Eu n�o aguento mais.
In�meras vezes pensei em me matar,
mas n�o � justo desaparecer sem ter vivido a pr�pria vida.
Me ajude, doutor.
� a �nica esperan�a que tenho de viver minha pr�pria vida.
A vida que a natureza n�o me deu.
O que est� fazendo aqui?
E voc�?
Eu? Sou a mulher dele. Jessi Del Monte.
Rita. Rita Mora Castro, advogada. Trabalho com seu marido.
Eu imaginei, mas o que faz para ele?
Muitas coisas.
- Verdade que vamos sair do pa�s? - Como?
Vamos voltar para os EUA?
Desculpe, n�o estou sabendo disso.
Quem � o cara que veio com voc�?
Ent�o se conheceram?
Sim. Estava perguntando � Rita quem � o cara que est� com voc�.
Neg�cios, querida.
Cad� os meninos?
Dan�ando com os outros.
Vamos ficar com eles.
Voc� tamb�m vem?
N�o, obrigada, eu fico por aqui.
Foi um prazer!
Uma pergunta.
Na sua inf�ncia, voc� j� queria isso?
Sim, a vida inteira.
Desde que comecei a raciocinar,
foi o que sempre quis.
Mas...
no mundo de onde venho, � muito dif�cil.
Muito dif�cil.
Tenho de deixar muitas coisas pra tr�s.
Mas n�o posso fazer outra coisa.
O caderninho.
At� mais, Rita.
At� mais, doutor.
O Manitas falou pra eles da m�sica.
- Isso � necess�rio? - �.
Os passaportes com os nomes novos.
Eles precisam saber de cor.
Aqui est�o as contas banc�rias.
As transfer�ncias est�o programadas e codificadas conforme suas instru��es.
Ser�o ricos.
Aqui onde v�o viver, em Lausanne. � beira de um lago, � grande, tranquilo.
Bem, � a Su��a.
Vou acompanh�-los e ajudar a se estabelecerem.
Imagino que n�o vai ser f�cil a princ�pio,
mas, com o tempo, esquecer�o de voc�.
Esquecer�o.
N�o me falta o c�u
N�o me falta o mar
N�o me falta a voz
Mas me falta cantar
N�o me falta dinheiro
N�o me falta matar
N�o me falta lux�ria
Me falta desejar
Eu quero outra cara
Eu quero outra pele
Quero que o fundo da minha alma
Tenha cheiro de mel
N�o desejo o desejo
Nem ser desejado
Quero que o que foi n�o seja mais
Meu �nico desejo
� ser ela
SU��A
Bem-vinda, senhora.
Boa noite, senhora.
Bem-vinda, senhora.
Aqui n�o estamos em casa! Quero voltar!
Por que ele fez isso comigo? O que fiz para ele?
Nada. � para proteg�-los, Jessi.
Se voltarem, os inimigos do seu marido ir�o atr�s de voc� e seus filhos.
Ele quer mant�-los a salvo, entende?
Por favor, n�o quero isto. N�o tenho nada a fazer aqui.
Por que n�o podemos viver com minha irm� nos EUA?
Eu te pe�o...
- Quanto tempo isto vai durar? - Eu n�o sei.
Meses?
Talvez mais.
Acabou. J� est�o instalados.
Foi muito dif�cil, mas est�o a salvo.
Tudo deve desaparecer.
Agora voc� � rica.
Aproveita.
Sua miss�o acabou.
Certo.
Adeus, Rita.
O DNA dos restos humanos encontrados em Veracruz foi identificado.
Pertence a Manitas Del Monte.
O narcotraficante que parecia ter fugido do pa�s,
havia, na verdade, ca�do nas m�os de seus inimigos.
Emilia...
P�rez.
Sra. Emilia P�rez.
Emilia P�rez.
Sra. Emilia P�rez.
Muito prazer.
Sou a Sra. Emilia P�rez.
Emilia P�rez.
Emilia P�rez.
Emilia P�rez.
QUATRO ANOS DEPOIS
- Rita. - Sim?
Quais as novas sobre o Maxwell?
Ele deve assinar na segunda.
- Ele � meio vol�til, d� um tempo a ele. - Vol�til, como?
Hoje ele diz sim, amanh� diz n�o. At� segunda, deve aceitar.
- Como algu�m que conhe�o. - Ui.
Voc� � inglesa?
- Eu? N�o. - Sim.
N�o sou inglesa, por qu�?
Porque voc� tem algo especial... alguma coisa diferente.
- Voc� � bonita, desculpe. - Sou mexicana.
- S�rio? - Sim.
Eu tamb�m.
N�o brinca!
De onde?
De Monterrey.
- Quer trocar de lugar para conversarem? - Sim.
- Obrigada, amigo. - Tudo bem.
- N�o se fazem mais cavalheiros assim. - Verdade.
Eu sou de Veracruz.
Nasci na Rep�blica Dominicana, mas estudei no M�xico.
Que beleza!
Que bom poder falar espanhol.
- Tem saudade do M�xico? - Eu?
Sabe que n�o? Na verdade, n�o.
�s vezes, mas sempre sonhei em viajar e viver em lugares diferentes.
E voc�?
Estou na estrada h� anos.
At� perdi o sotaque do Norte.
Percebi.
- E com quem voc� veio? - Com o Simon.
Ele cuida de meus assuntos na Europa.
O Simon?
Sabia que o Simon e eu...
� voc�?
Acertou.
Merda.
O que est� fazendo aqui?
Tenho neg�cios em Londres.
N�o me enrola.
Mandou me espionarem?
Nada disso. Fique calma.
N�o reconhe�o sua voz.
Apenas a voz?
N�o me diga que isto � um acaso
Que passava por aqui assim, do nada
N�o me diga que isto � um acaso
N�o me diga que isto � um acaso
Diga que veio para apagar o passado
Para se livrar da �ltima testemunha: Eu!
Por acaso
N�o me diga que isto � um acaso
Diga que veio aqui para me matar
Para fazer a limpeza, para ningu�m saber
Quem voc� foi e o que eu sei
N�o me diga que isto � um acaso
Um acaso
N�o, Rita, isto n�o � um acaso
Tampouco estou aqui por amizade
Para agradecer mais uma vez
E te dar flores
N�o, Rita, isto n�o � um acaso
N�o, Rita, isto n�o � um acaso
N�o vim para olhar nos seus olhos
E ver a maior surpresa da sua vida
"� ela, n�o �, sim, � ela!"
N�o vim para olhar no espelho
Ent�o?
Nem para falar da minha vida
O que est� fazendo aqui?
Que mudei de pele e de corpo Sofri pra cacete!
Mas valeu a pena
Que agora sou feliz, sou eu mesma
N�o, Rita, n�o vim por nada disso
N�o, Rita, isto n�o � um acaso
Pode sair, correr, n�o vou deter voc�
Mas talvez um dia entenda
O que � mudar de vida E deixar tudo para tr�s
- Vim pedir uma coisa - Pedir uma coisa por acaso?
Preciso que leve meus filhos de volta para o M�xico.
N�o posso viver sem eles.
Eu suplico.
Onde vamos viver?
Na casa dela.
Ela tem uma mans�o em Las Lomas.
Voc� conhece essa Emilia P�rez?
O Manitas mencionou uma prima distante
em quem poderiam confiar, se algo acontecesse.
Ela saberia como me localizar.
Chegado o momento, ela me mandou buscar voc�s.
Eu n�o sabia nada disso.
Ningu�m... Ningu�m devia saber.
CIDADE DO M�XICO
Dona Emilia, est�o chegando!
Meus filhos!
Minha fam�lia. Jessi.
Est�o chegando. R�pido!
Ajude-as, depressa!
Bem-vindos.
Bem-vindos � sua casa.
Venham aqui.
N�o nos conhecemos, n�o �, Jessi?
N�o, creio que n�o.
Voc� era a mulher do Manitas.
Ele nos deixou. Que descanse em paz.
Voc� � como minha irm� agora.
Esta � a sua casa. Bem-vindos.
Obrigada, senhora.
Emilia, por favor.
Meninos! Querem ver seus quartos?
Querem?
Cuidado, n�o tem corrim�o.
Rita, voc� fica conosco?
N�o, reservei quarto no Four Seasons.
Essa � minha, obrigada.
Tenho de voltar a Londres.
Espere um minutinho.
O que achou dela?
Totalmente perdida.
Mas voc� a conhece melhor que eu.
Eu a conhecia antes. Agora n�o sei.
N�o vamos pensar em como os outros mudaram.
Tem raz�o.
� um milagre ela n�o ter reconhecido voc�.
Tenha cuidado com os meninos.
Por qu�?
Pare de beij�-los o tempo todo.
Voc� � a tia, n�o a m�e.
Querem outra coisa?
N�o, obrigado.
N�o gostaram?
N�o querem falar?
Precisamos ir � escola?
Sim.
As crian�as v�o para a escola e os pais para o trabalho.
A mam�e n�o trabalha.
- Verdade. - N�o quero ir para a escola aqui.
Nem eu.
Ent�o o que querem fazer?
Podemos ficar com a mam�e.
Quero esquiar como na Su��a.
- Qu�? - Quero esquiar na neve.
Eu tamb�m.
Bom dia, senhora.
Seu caf� da manh�.
N�o!
Que merda.
Bem-vinda a seu amado pa�s Minha linda
� sua suntuosa pris�o, priminha
Onde tudo � caro
Muito prazer! E gra�as � fam�lia
Bem-vinda
Seja am�vel Cumprimente, querida
A sua tia matrona Emilia
E os novos guardas, priminha
De sua pris�o dourada
Bem-vinda � sua armadilha encantadora, priminha
� vida dos seus sonhos, minha linda
Veja s� o varal, crian�a
Com todo o dinheiro lavado secando
Veja suas algemas de ouro, querida
Seus colares de cadeados, priminha
Vai se sentir t�o bem aqui
Tonta
Que nunca vai querer fugir
Bem-vinda
Obedeci a meu homem morto na Su��a
Cuidei de nossos filhos
Basta!
Chorei sem parar
Tonta
Eu cuidei de tudo
Bem-vinda
Estou � sua disposi��o
Vai � merda
Agora n�o mexe comigo
Priminha
Vou subir pela parede, querida
Vou matar minha sede
Bem-vinda
Venerada
Entusiasmada
Admirada
Arrebatada
Adulada
Adorada
Bem-vinda
N�o sei se esse � o n�mero de Gustavo Brun.
Aqui � Jessi.
Se for seu n�mero, Gustavo,
queria dizer que a advogada Rita Mora
me informou que eu j� podia voltar.
Que n�o havia mais perigo de eu levar um tiro ao sair do avi�o.
E eu...
Vou direto ao ponto.
Gustavo, s� voltei por sua causa.
Minha xana ainda d�i quando penso em voc�.
E se eu pagar?
Para qu�?
Para voc� ficar.
Chega dessa hist�ria.
O que eu faria aqui?
Nada, ficar � toa. � legal.
� gentileza sua. Mas n�o, obrigada.
O que tem em Londres? Voc� tem algu�m.
O trabalho � s� o que tenho.
Ofere�o para voc� ficar e n�o fazer nada, e quer ir embora?
- Quer ter filhos? - Sim.
Quero. S� me falta o pai.
Compramos um.
Me diga quem voc� quer e eu compro.
- Aquele ali? - Gostou dele?
DESAPARECIDO: OCTAVIO VARGAS
� Octavio. Meu filho mais velho. Tinha 23 anos.
Desapareceu em 18 de novembro de 2013, em Michoac�n.
Era estudante.
Desapareceu em uma viagem ao Sul.
Ele queria ser professor.
Sinto muito.
Edgar.
Voc� n�o pensa, de vez em quando, em tudo que o Manitas fez?
- Em toda a barbaridade? - Quieta, aqui n�o.
N�o sei quem � Manitas.
E, sim, penso nisso.
E me arrependo de muitas coisas.
Claro que sim.
Tia Emi?
O que faz acordado?
N�o consigo dormir.
Vai acordar seu irm�o.
Feche os olhos.
O que est� fazendo?
� o mesmo cheiro do papai.
Eu adoro.
- Sente falta dele? - Sim.
Papai, papai...
Voc� tem o cheiro do papai
O cheiro das montanhas
Do couro e do caf�
Tem cheiro de comida Picante, picante!
Tem cheiro de a��car
De cordeiro assado na brasa
Do motor do carro
E tamb�m de Coca Cola Light
Com gelo, lim�o e suor
Voc� tem o cheiro do papai
Prefere que eu use perfume?
Tia, gosto do seu cheiro, mas n�o do perfume que usa por cima.
Ele tinha cheiro de pedrinhas Quentes debaixo do sol
Tinha cheiro de hortel� Como mezcal e guacamole
Tinha cheiro de cachorro andando no carro
Tinha cheiro de charuto
Quando nos abra�ou pela �ltima vez
A �ltima vez
CADEIA CENTRAL
Conhece?
Negativo.
N�o reconhe�o o rosto.
Talvez daquela parada com os ref�ns dos Tiburones.
A coisa ficou feia.
Tivemos de nos livrar deles na cidade.
Onde?
Na antiga refinaria de San Crist�bal.
Quando ela beijou minha m�o, senti suas l�grimas
e, pela primeira vez, amei a mim mesma.
Quantos desaparecidos existem no pa�s?
Dezenas de milhares.
� horr�vel.
N�o podemos ficar de bra�os cruzados.
Temos de ajud�-los.
Como?
Conhe�o um bando de arrependidos dispostos a fazer o bem.
Isso seria muito perigoso para voc�.
- Voc� � que vai v�-los. - Eu?
� advogada.
Voc� os convencer�.
N�s os espalhamos por toda a Sinaloa.
N�s os queimamos.
Alguns foram levados para Tierra Caliente, pr�ximo a Guerrero.
Outros para Veracruz.
Para a cidade de San Mart�n.
Em outros casos, eram esquartejados.
Voc�s os enterraram?
Foram desmembrados e deixados na estrada.
H� quanto tempo?
Dois anos atr�s.
Estavam sozinhos?
N�o, com toda a gangue.
- Quantas pessoas? - Quatro.
- Era uma fam�lia? - Sim.
Eram a m�e, dois irm�os e um amigo deles, eu acho.
Pegamos o velho e o pusemos na picape.
Quando chegamos l�, o matamos.
Foram queimados.
N�o deixamos rastros.
Queimamos.
Jogamos no rio.
Percorremos o pa�s todo para destruir as provas.
Ol� a todos.
Sra. P�rez, por que "La Lucecita"?
O nome � o nosso objetivo.
Um raio de esperan�a para quem n�o a tem.
Como sua ONG ser� financiada?
Com meu dinheiro e a ajuda de muitas pessoas generosas.
Muito obrigada.
Todas as informa��es estar�o nos estatutos da associa��o.
Muito obrigada, com licen�a.
Nossa ONG atua de acordo com a lei.
N�o substitu�mos os poderes do Estado.
Trabalhamos com ele para apoiar os que mais necessitam.
Nosso objetivo principal � ajudar as fam�lias a encontrar seus parentes.
Aqui n�o h� culpados.
N�o julgamos ningu�m.
Por uma nova vida, por um novo horizonte,
La Lucecita.
Para saber Onde, quando e como aconteceu
Para contar o final �queles que ele amou
Para que todos os amigos Possam por ele chorar
Para saber Onde os maus a esconderam
Para poder gravar as datas na l�pide
Aqui estou
Para falar da cor de seu rosto
Aqui estou
Para poder me olhar no espelho
Para poder criar meus filhos Com dinheiro limpo
Para que haja uma vida antes E outra depois
Para aprender a calcular Que um mais dois s�o tr�s
Para limpar minha pele das tatuagens
Aqui estou
Para ajudar com meus erros
Aqui estou
Para reaparecerem os desaparecidos
Para que m�e e filho possam estar juntos
Para olhar o pesadelo Cara a cara
Para ter, l� no fundo, for�a e esperan�a
Para superar o esc�rnio da sociedade
Para chegar ao outro lado e encarar o mal
Para que nossos cora��es gritem a verdade
Para caminhar de cabe�a erguida
Para comer, viver e respirar
Aqui estamos
Para pedir perd�o e perdoar
Aqui estamos
Boa noite, minha linda.
- Se divertiu? - Sim.
- Quer? - N�o.
- U�sque? - Claro.
Me responde uma coisa?
Como estava a vida com seu marido?
N�o sei.
Como n�o sabe?
Voc� o amava?
Eu era louca por ele.
Ele te amava?
N�o sei.
Depois que as crian�as nasceram...
Tudo mudou.
Para voc� ou para ele?
Para ele.
Isso te entristecia?
Eu estava sozinha.
Como seria se ele n�o tivesse morrido?
N�o sei.
Ele teria feito como os outros.
Encontrado algu�m mais jovem. Teria tido filhos com ela
e me mandado pro inferno.
Ou talvez eu tivesse encontrado outro.
Voc� o traiu?
Com quem?
Por que me pergunta isso?
Por nada. S� pra saber.
Durou muito tempo?
Por que n�o?
Era intenso demais.
Eu n�o conseguia pensar em nada mais.
Eu nunca tinha vivido nada igual.
E o que houve?
Nada. Eu terminei.
N�o quis mais v�-lo.
N�o pensaram em fugir juntos?
Conhecia o seu primo um pouquinho ou n�o?
N�o importa para onde f�ssemos, ele nos acharia.
Depois nos destro�aria e jogaria os peda�os para os c�es.
Vou dormir. Boa noite.
Boa noite.
Aqui � Antena 3, estamos com a Sra. P�rez.
Trata-se de v�timas assassinadas por Los Globales,
um dos cart�is mais poderosos do M�xico.
O que diz a respeito, Sra. P�rez?
Quero salientar que se calculam quase 100 mil desaparecidos,
v�timas da viol�ncia do narcotr�fico.
Ap�s descobrir o que se chama de cova coletiva,
o Departamento de Seguran�a P�blica
n�o abriu nenhuma investiga��o.
Sequer mandou uma equipe para verificar.
Nesse aspecto, eu gostaria de insistir.
Temos de enviar certas provas a outras cidades.
A pol�cia daqui n�o tem os meios suficientes
para fazer as investiga��es necess�rias.
BAILE BENEFICENTE PELAS FAM�LIAS DOS DESAPARECIDOS
O que espera desta noite?
Empatia e apoio.
- Apoio quer dizer dinheiro? - Grana, sim.
Apoio financeiro. Obrigada.
Vi a lista de convidados. Quem voc� acrescentou?
Chefes do tr�fico, policiais corruptos, meliantes. Voc� se importa?
Se trabalharmos com dinheiro sujo, sim, me importo.
Ainda n�o conhe�o a realeza brit�nica, ent�o convido os ricos que conhe�o.
- Como estou? - Magn�fica.
- E vamos receber... - E eu?
...a Sra. Emilia P�rez!
Vaca de merda.
Rita!
- Berlinger, seu ex-chefe. Lembra? - Sim.
Me ligue quando puder.
Que bonito ver todos aqui reunidos hoje.
Isso me d� orgulho e satisfa��o, de verdade.
Caros ministros, caros deputados,
caros representantes da C�mara de Com�rcio,
ministro do Interior, ministro da Cultura.
Vejam o qu�mico Que virou ministro de alguma coisa
Mandou matar o s�cio E a fam�lia dele tamb�m
E o que fez com os cad�veres?
�cido!
Vejam o juiz Santos
S� se preocupa com as crian�as
Sequestradas pelos cart�is Roubadas de suas cidadezinhas
E Santos arquiva os casos
Por falta de provas
Fala, esta gente fala
Mas agora v�o pagar
Voc�s est�o em vantagem
Todos os conhecem
A mim ningu�m conhece
Ou s� um pouco
Sou Emilia P�rez
Uma mulher mexicana!
Uma mulher como as demais!
Vejam o ministro Da Educa��o P�blica
Especialista em empresas de fachada
Os contratos s�o reais Mas as escolas n�o s�o constru�das
Agora nos conte!
Quem pagou por seu jatinho Sua piscina, seu hotel?
Vejam o governador
Quem votou nele? O cartel?
Comprou os votos dos camponeses um por um
Paga ao cartel
J� est�o sentados Na porra do seu trono
Fala, esta gente fala
Mas agora v�o pagar
Mas, gra�as a Deus,
tenho a meu lado uma mulher excepcional, Rita Mora Castro!
Ela � a intelig�ncia ambulante!
A intelig�ncia ambulante!
� muito dif�cil!
Vejam o manco N�o nasceu com defeito
Mas no pr�ximo atraso de pagamento Vai parar numa cadeira de rodas
Ou como ele, sem m�o
Seja pontual se for corrupto
Vejam o querido Gabriel Mendoza Com sua nova esposa
Muito jovem
Muito loira
Loira!
Fala, esta gente fala
Mas agora v�o pagar
Perder uma pessoa amada � uma trag�dia
Perder seus restos mortais � uma pena de morte!
Uma pena de morte!
Terremoto!
Sa�de!
Pode entrar.
A Sra. Epifan�a Flores.
Mande-a entrar, obrigada.
- Pode entrar. - Obrigada.
Venha, sente-se.
Como posso ajud�-la?
Voc�s encontraram meu marido.
Onde ele est�?
No necrot�rio.
No necrot�rio?
O que est� fazendo l�?
Est� morto.
Tem certeza de que � ele?
Sim, 99,9%. Sinto muito.
Me perdoe.
Eu sinto muito.
Perd�o.
Me desculpe, acho que fui muito brusca.
Achei que ele estaria aqui.
Tive muito medo.
Vivi cinco anos de paz.
E a� recebi esse papel...
Ele me batia, roubava meu dinheiro, me estuprava.
Se n�o estivesse morto, eu...
Eu teria...
At� trouxe uma faca.
Ningu�m mais vai machuc�-la.
Acabou.
Quer alguma coisa? �gua?
Voc� est� bem?
Estou.
Um bom dia, Sra. Flores.
Muito obrigada.
Sra. Flores!
N�o me disse o que fazer com o corpo de seu marido.
Jogue-o fora.
S� isso?
� verdade que trouxe uma faca?
Podemos nos ver de novo?
Para qu�?
S� para nos vermos.
Sim.
Tchau.
- Encontrou tudo? - Sim.
J� vai embora?
Quero chegar antes dos meninos acordarem.
Meninos?
Tem filhos?
Sim.
Bem, n�o. Mas d� no mesmo.
D� no mesmo?
O pai deles morreu. Sou a tia.
Vamos nos ver outra vez?
Voc� quer?
Quero. E voc�?
Me ame, me proteja
Meio ele, meio ela
Meio pai, meio tia
Meio rica, meio pobre
Meio chefe, meio rainha
Meio aqui, meio ali
Meio morto, meio viva
Meio dentro, meio fora
Tudo, nada
Quem sou? Eu n�o sei
Sou o que sinto
E, pela primeira vez
Sinto um sentimento
A vida sem amor Foi como uma queda
Que alegria
Fazer amor com amor
Emilia
Epifan�a
Meio eu, meio ela
Meio juntas, meio sozinha
Meio abaixo, meio acima
No princ�pio e no fim
Quem sou? N�o sei
Faz um instante que nasci
Nasci do desejo dela
Nasci do ventre dela
A vida sem desejo Foi como uma montanha
Agora meu desejo
Me leva at� o rio
Estou apaixonada
Apaixonada
Onde aprendeu isso?
O qu�?
Voc� est� mudando a vida das pessoas.
N�o s� delas. A minha. A de todos.
Passei a vida estudando, e para qu�?
Para os ricos serem mais ricos, e os canalhas mais canalhas.
Voc� est� bem, Rita?
Tenho 40 anos, Emilia.
Minha vida amorosa � um deserto e minha vida profissional, um esgoto.
- O que posso dizer? - Nada.
Nada.
Rita, tudo isto � gra�as a voc�. � a sua vida profissional.
Devia sentir orgulho.
Estou errada?
Obrigada.
Aquele cara se acha o pr�prio rei.
Est� sempre falando de si mesmo. Ser� que n�o pode fechar a matraca?
- Becks... Sabe a Rebecca Blank... - Sei.
Ela foi incr�vel e disse:
"Olha, Jack, se vier ao meu casamento,
eu sou a noiva, me deixe ser a estrela da noite."
"Voc� precisa de um banho gelado..."
Quero amar a mim mesma
Me amar totalmente
N�o, "vida".
Amar o que sinto
Quero amar a mim mesma
Me amar totalmente
Me amar como sou
Quero amar a garotinha
Que n�o me deixaram ser
Quero amar a vovozinha
Que posso vir a ser
Quero me amar a cada dia
A cada hora, a cada segundo
Existo, e isso me basta
Isso � ser uma mulher, n�o?
Quero amar a mim mesma
Como quero que me amem
Am�m
Quero amar a mim mesma
Amar a minha vida
Me amar do jeito que sou
Se despenco de um barranco � meu barranco
Se me dobro de dor � minha dor
Se vou ao s�timo c�u � meu c�u
Se sigo o caminho errado
O que importa? � meu caminho
Endireita o corpo.
Vinte e cinco segundos.
O cheiro dos meus meninos!
- Eu vou busc�-los. - Tchau, tia.
Cuidado com eles, Edgar.
Oi, Jessi.
- Que susto! - Desculpe.
Voc� � livre pra fazer o que quiser, mas...
- Eu sei, os meninos. - Sim.
Tenha cuidado com eles. S�o pequenos.
Disse que j� sei.
Obrigada.
Preciso dizer uma coisa.
�? Diga.
Vou me casar!
Vai se casar? Com quem?
Com o Gustavo.
- Ainda est� saindo com ele? - Sim.
N�o acha um pouco precipitado?
H� cinco anos espero por isso.
Se voc� est� feliz, estou feliz.
Onde v�o viver?
Estamos vendo uma mans�o em Polanco.
- E os meninos? - O que tem eles?
Eles ficam aqui.
N�o. Por qu�? V�o viver com a gente.
E essa mans�o em Polanco tem jardim?
Sim, tem tudo.
E boas escolas por l�?
Ainda n�o vimos isso.
Quando voc� diz...
"Os meninos v�o viver com a gente",
quer dizer voc� e seu cafet�o?
O qu�?
Quando diz: "Os meninos v�o viver com a gente",
quer dizer voc� e o puto do cafet�o?
- Cafet�o? - Sim!
Quem � voc� pra falar, sapatona velha?
Quer que eu fale da tua putinha?
Pode ir foder tua m�e com o puto do cafet�o,
mas meus filhos ficam aqui!
S�o meus filhos.
Seus filhos?
Voc� ficou louca?
S�o meus filhos! Meus filhos!
Aqui tem US$ 100 mil. V� embora da Cidade do M�xico.
Se te vir de novo, te atiro aos c�es.
Entendeu, babaca?
A que horas sa�ram?
N�o sei. Todos estavam dormindo.
N�o deixaram nenhum bilhete?
N�o encontrei nenhum.
Jessi, sou eu, Emilia.
N�o sei por que fez isso.
Me ligue quando puder, por favor.
Ela se foi com os meninos
Com meus filhos e todas as coisas Para Polanco certamente
Com o cafet�o dela
N�o pode fazer isso
Sim, est� bem, � m�e deles
Ent�o o que sou eu? N�o a deixarei fazer isso
Se acalme
Fique tranquila
Calma
Se acalme
Nem posso comprar comida!
Ela cortou todo o meu dinheiro!
Nenhum cart�o funciona!
Todas as contas est�o bloqueadas!
Ela quer roubar meus filhos E agora a minha grana?
Se acalme
Ela quer roubar meus filhos!
- Como me casei com essa vadia? - Vou matar todo mundo!
- Todo mundo! - Como me casei com essa ingrata?
Devia ter pensado antes O que est� achando?
Que pode manipular as pessoas � vontade?
Isso era na outra vida Agora n�o � igual
Como pude morar com essa vaca?
Como pude confiar nela?
N�o sei por que ela fez isso Vou falar com ela
Vou dar um jeito em tudo
� o dinheiro do Manitas, meu marido!
Que ele deixou pra mim quando morreu!
- � meu! - N�o pode fazer isso comigo
Como p�de fazer isso, porra?
Por que n�o me disse antes?
- Como ela tem acesso �s minhas contas? - Calma, fique tranquila
Foi decis�o do seu marido
- Como voc� sabia? - Para te proteger
Quero meus filhos
Se quer seus filhos Tem de apagar o fogo
- Quero meus filhos - Onde est� a grana?
Tem de apagar o fogo
- Quero meus filhos! - Vai � merda!
Boa noite.
Apaguem as luzes antes de sair, por favor.
At� amanh�.
O escrit�rio funciona das 9h �s 17h. Estamos fechando.
- Tinha hora marcada? - Sim.
- Posso ajudar? - N�o muito, vim ver a Sra. P�rez.
Voc� � a Epifan�a?
Voc� � a Rita, n�o?
- Finalmente. - O que foi?
At� que enfim nos conhecemos. J� era hora!
Venha. Vou pegar minhas chaves.
- Boa noite. - Boa noite.
Sou eu. Pode se sentar.
- Posso dizer que est� aqui? - Sim.
A Epifan�a est� aqui. Vamos esperar voc�.
Ligue logo.
Ela fala muito de voc�.
� mesmo?
O que ela diz?
Desde que a conheceu,
ela parece uma adolescente de 15 anos...
Efusiva.
Radiante.
Tamb�m fala muito de voc�.
S�rio?
O que ela diz?
Que voc� � uma irm� pra ela.
Que mudou a vida dela.
Como mudei a vida dela?
Quando? O que ela contou?
Falou da fam�lia,
dos meninos, os sobrinhos que ela adora.
Disse que deve este lugar a voc�.
Que voc� a deixou... mais inteligente e generosa.
Eu disse algo errado?
Nada disso, me perdoe.
A Emilia exagera sempre, mas me comove.
Voc� e eu somos as �nicas amigas dela.
Membros de um maldito f�-clube!
Al�?
Sou eu, sim.
O qu�?
Onde? Est� aqui?
Um minutinho.
Encontramos o carro da Sra. P�rez.
O motorista foi assassinado e a Sra. P�rez, sequestrada.
Sinto muito.
Sinto mesmo.
AGRADECEMOS A PREFER�NCIA
Camisa branca e saia preta...
Srta. Mora Castro?
Com licen�a.
Emilia!
N�o. N�o � ela.
Recebeu o pacote?
Sim.
Sabe contar com os dedos?
Trinta milh�es.
�timo.
Quero falar com ela.
Rita.
Sim, Emilia.
- Fa�a o que eles pedem. - Claro que sim.
Isto n�o � por acaso.
O tempo passou...
Passou muito r�pido.
Acertou.
Essa fala � minha, sua boba.
Vamos, vamos...
Ponchis. Preciso que venha a La Lucecita.
Traga oito ou nove dos grand�es.
Merda.
Que merda!
Rita, continue em frente.
N�s vamos seguir.
Vamos virar na pr�xima.
Jos�, vire � esquerda.
Apague os far�is.
O que vai fazer comigo?
Recuperar o dinheiro que roubou de mim.
E depois?
N�o vale nada pra n�s.
Vai me matar?
Ela est� vindo.
Apague a luz.
Apaga os far�is!
Apaga os far�is, porra!
Levanta e anda.
A m�o esquerda.
N�o! Quero ver a Emilia.
Quero ver a Emilia!
Vaca de merda.
Mostra a m�o esquerda, sua vaca!
Eu j� disse.
Se n�o sair com a Emilia, n�o tem dinheiro!
Est� me ouvindo?
Saia com ela!
Voc�s dois comigo. Nos deem cobertura.
- Entendido. - Amor, prepare-a.
Vem.
N�o se mexa!
Est� me ouvindo?
N�o tem dinheiro se n�o a vir!
Saia com ela!
A filha da puta n�o est� sozinha!
Emilia!
Te conheci quando voc� tinha 17 anos
Na �poca Estava saindo com sua irm� Julianne
Do que est� falando?
Quando estava com Julianne Ficava de olho em voc�
Ent�o, um dia, no Azucena
Te beijei E subimos para fazer o resto
Me beijou?
Subimos para fazer o resto
Quem te contou isso?
Quando nos casamos Te dei dois colares
Voc� me disse...
Cale-se.
Me disse que tinha perdido um
Mas eu sabia que o havia dado � Julianne para ela te perdoar
No dia do casamento Teve tanta vergonha de sua fam�lia
E, para n�o os ver
Voc� os colocou No fundo da igreja
Quem � voc�?
Emilia
Manitas
Meu Deus! O que fizemos?
Jessica
Me perdoe
Me perdoe
Me perdoe
Calada, cachorra, ou te mato aqui!
Jessica.
Entra no carro!
- O que estamos fazendo? - Entra!
Entra na porra do carro!
Filhos da puta!
Para!
- O qu�? - Para!
O que h� com voc�?
Para o carro!
Me larga, desgra�ada!
Voc� � louca!
O que deu em voc�, idiota?
Ele est� no porta-malas.
Manitas.
Est� no porta-malas.
Meu marido!
- O qu�? - No porta-malas!
Para o carro!
Cuidado com isso.
Cuidado com essa coisa.
- Cuidado. - Para o carro!
O que est� fazendo, Jessi?
Por favor!
Calma. Vou parar.
Espera. Calma.
Sra. Rita, eles chegaram.
Sua m�e sofreu um acidente. Ela n�o vai voltar.
Agora cuidarei de voc�s.
Dedico este poema
A ela que foi t�o amada
Por um instante fugaz
� mulher das minhas noites
A que se foi ao amanhecer
Sem nunca falar de si mesma
�quela que bebeu da minha fonte
De cujo mist�rio sinto falta
Como uma estrela distante
�quela que me deixou ser livre
Livre como o ar
Livre como seu aroma
�quela que em um instante
De bra�os abertos
Cruzou nosso caminho
�quela que fez o milagre
De transformar chumbo em ouro
E encantou o mundo
�quela que ergueu a nosso lado
Pela causa dos condenados
A bandeira da verdade
�quela cujo semblante col�rico
Com sua gra�a maravilhosa
Nos encheu de felicidade
�quela que nunca voltar�
�quela que guardou seu segredo
Ofere�o estas flores
EM MEM�RIA DE HENGAMEH PANAHI
Legendas: Rosana Cocink
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