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Original subtitles

Miguel!

-Miguel! -O que você quer?

-Suba. -Para quê?

-Suba, droga. -Você é um porre, cara.

Suba, cara, quero falar com você.

-O que você quer? -Suba!

O que você quer?

-O que você tem, cara? -Por que o que eu tenho?

Não encha, cara. Parece velha.

-Por que me trata assim? -Como assim?

-Você é um porre, cara. -Que porra, cara. Não encha.

Para quem mais você contou?

Desse lance nosso, cara.

-Para quem mais contei o quê? -Sobre nós.

-Quer que eu vá embora? -Você quer ir?

Sem brincadeira, se não, vou mesmo.

Eu também saio com outras pessoas.

Isso é problema seu.

-Poderia ser. -Vá embora.

Tudo isso por causa dessa garota?

Você não se importa, cara.

Se transa com ela como joga, ela tem razão para estar dormindo.

E por que você está aqui, cara?

Porque como você, cara.

Sem essa.

-Não como você? -Não.

Eu como você.

-Eu como você, cara. -Sem essa. Eu como você.

-Não? -Está bancando o chato.

-Qual é. -Vamos ver.

-Espere. A Adri está aqui. -E daí?

Não encha.

Pare. Espere.

Está bem.

Miguel.

-O que foi? -O que manda, cara? Sou eu.

-O que foi? -Sem essa, cretino.

-Estou tomando café da manhã, cara, -Tomando café da manhã, tonto?

O que está comendo, cara?

Ovos.

-Com salsicha, não é, veado? -Com sua mulher.

Que veado!

-Ouça, cara... -O que você quer?

Tenho uma grande para hoje, cara. Acha que pode conseguir?

O positivo. Preciso de vários, cara.

-Legal. -Combinado?

Vou fazer umas chamadas. Sem problema.

Como?

Alô?

-O que foi? Como vai? -Bem. E você?

-Bem, aqui. Como acordou? -Alguém ligou.

-Está cansado ou o quê? -É isso aí, cara.

Tudo bem? Como vai?

Bem.

-Ouça. -Fale.

Gabriel me ligou. Precisamos conseguir O positivo.

-Certo. Está bem. -Fale com Safari.

-Temos que juntar todos, não é? -Sim, todos.

Ouça, cara, não seja chato. Onde pôs a calça e a roupa de Adri?

Estou usando, cara.

Vou ter que lhe dar a calça que você me deu de presente.

Comprei toda sua roupa, veado.

Tanto faz, cara. Por que levou a roupa da garota?

Porque me irrita, cara.

Bem.

-Vejo você daqui a pouco, então. -Ouça.

-Fale. -Amo você.

Eu, também.

Está bem.

-Tchau. -Até logo.

Como vai, cara?

-Tudo bem? -Sim, cara.

-Ouça, temos negócios. -Legal, cara.

Assim, compro um skate novo.

Veja só. Está super detonado, cara.

Eu tenho um, em casa. Eu lhe dou.

Posso quebrar este?

Sim?

-Com um pulo ou assim? -Como quiser.

-Não dá. -Já está quebrado, não está?

Só som de cumbia, a dez. Levem o melhor, em MP3.

Só som de cumbia. A dez.

Compre cumbia, a dez.

Sem essa, imbecil.

Techno. Techno, cara.

Maldito Techno, cara.

Por que não se alimenta bem, cara?

Maldito Techno, cara.

Está bem. Ele desmaiou.

E ele? Achou nos Objetos Esquecidos, ou já vendem com o skate?

Não encha. Ele desmaiou no metrô.

Ajudem a pôr na mesa.

Pronto.

Maldito Techno, cara.

-Maldito pirralho. -E então?

Vai entrar com sua parte para as outras rampas?

Bem, vamos ver. Fale como é.

O que acha?

Bem, sim. Podemos começar com a primeira etapa,

com uma rampa lá no canto e outra, aqui.

-Perfeito. -Uns 50, colega.

Aí, fazemos a segunda etapa.

A soma não tem de ser de uma só vez, não é?

Veja como está relaxado.

Ele tem só cumbia.

-Bem, desde que seja algo. -Ele vai acordar.

Não tem nada, cara.

Bem, seja como for, de todo modo, é sua vez de dobrar essas duas, colega.

Já sabe. Sete camadas de bordo, canadense, grampos originais.

-Nem Percata tem, cara. -Nem o gordo.

Falou. Bem, então, fazemos assim, certo?

Agora, já vou.

-Vá, Nito. Legal. -Cuide-se, Nito.

Você também vai entrar nessa?

Como não?

-Para que sirvo, certo? -Meu amor.

-Vou encontrar Gabriel em uma hora. -Já? Tão rápido?

Tenho que esperar que terminem o jogo.

Sem essa. Mexa-se.

Diga que sua avó ficou doente, sei lá, e que você vai doar.

Um pouquinho, não? Um pouquinho.

Vai ver, chefe, tenho um lance.

Minha tia ficou muito doente, e tenho de ir doar sangue.

Precisamos de mais doadores.

É urgente. Queria ver

se podem ficar um pouquinho. Bem, queríamos... queria ver se se podia

-parar o jogo um pouquinho, sabe? -Bem.

-Quer que vamos com você? -Sim. Seria demais.

Está bem. Pode deixar, eu aviso. Muito obrigado.

Combinado, cara. E agora?

Dois deles vão conosco.

Houve um lance com Johnny.

Que porra tem a ver comigo?

Ele tem hepatite C, cara. Sem brincadeira.

E daí, cara?

Miguel, sem essa. Não sei se você também tem, cara.

Está dizendo que sou veado?

-Pergunte a sua mulher. -Pouco me importa, cara.

Mas o maldito sangue tem de estar limpo.

-Você sabe, cara. -São vacas, Gabriel. Estão aí.

Isto é um negócio, cara.

Sem essa. Não podemos brincar com isso. Se o sangue não está limpo...

não cola, cara. Tudo vem abaixo, cara. Você sabe disso.

Sem essa. O maldito Techno já está com anemia, cara.

Vem fazer a ordenha a cada quatro dias. Assim não dá, cara.

Sem mim?

De onde vieram esses caras? Foi demais, sabe, cara?

Johnny trouxe os caras. Serviram?

-Perfeito. -Então.

Cara, sem essa. Acontece que o maldito Johnny

faz as coisas melhor que você, não é?

-Você sabe que não. -Cara, fique esperto.

Se não, você vai mal, cara.

Está bem, cara!

-Ouça, cara. -O quê?

Deixe que me ordenhem.

Apoia... depois, depois os pés vão junto.

Quem é o próximo?

Outro movimento seria para frente. Escorrega o é que está atrás

para frente. Agora, os quadris, para trás, e abaixa os braços.

Inspirando e expirando.

Aperte a mão.

Pode me conseguir 50 para amanhã?

-Quanto vai pagar? -O triplo, cara.

-O triplo? -Topa ou não, veado?

Demais.

Legal. Já vem com ele. Por esse são 800, cara.

Ouça, viu Johnny, por acaso?

Não, cara. Faz um tempo que não o vejo.

Desde aquela vez...

Falou, cara.

Voltamos ao que éramos Um pedaço de carne

Uma promessa de um pileque Os tênis rasgados do colegial

A TV, seu primeiro sutiã Meu primeiro sabonete com cabelos

A pele entrando e saindo Subindo e descendo

Desejando e esquecendo

Crescemos tanto Cavalgamos camas

Destruímos amanheceres E agora estamos só, inseguros

Com o tempo devorando nossos ossos

Somos uma geração de doentes

Às vezes, felizes Às vezes, com ódio

Às vezes, olhando para o céu

Esperando que chegue um raio Um Deus

Um avião cheio de amor verdadeiro

Esperando que alguém Não resolva o século

Sem viver um inferno

De cigarro na mão, conversamos Choramos, nos beijamos

Com a fumaça do futuro

O líquido do futuro

O último suspiro Que nossos pais chamaram futuro

E que, na realidade, vem vestido De presente e não se sente

Não é complacente É o único que se atreve

A nos enfrentar Um espelho às cinco da manhã

Olheiras, golpes Traços de velhice em seu rosto

Os anos em que tanto sorriu As tardes que imaginou eternas

Fugindo, vivendo Voando para o sol

Como gaivotas Quebrando este sistema

Nascer e devorar Devorar e pagar

Pagar e matar Matar e dançar, dançar e voar

Vamos voar até nos caírem as pernas

Vamos reinar nos céus E na janela quebrada

Vamos nos beijar Antes que se destrua a era

Um edifício em sua cabeça Um avião em meus lábios

Fogo, gritos

Tantas mortes E toda sexta-feira à noite

Voltamos a combinar Para nos dizer mentiras vivas

Pedem leite, pedem pão Pedem que as agrade

Até adormecerem

Somos nossa própria geração

Somos nosso próprio monstro

Somos nosso próprio agora E mesmo assim

Estamos nos amando

-Oi, Brenda. -Oi.

Como vai?

E seu filho?

Não sei dele desde domingo.

Se o vir, diga que estou com a grana dele, de um lance que fizemos.

Não?

Ligue para o celular dele.

Sem essa, Brenda. Nunca me atende.

Nem a mim.

Deveria ter-lhe dado umas palmadas, quando criança.

Como quando ficava sacana.

O que está pensando? Nunca bati nele, quando pequeno.

Dá para notar.

Quem o ensinou a ser bandido foi você.

O que está pensando, Brenda?

Quem o ensinou a jogar ranho nas paredes e a cuspir?

Isso não é verdade.

Como não?

-Quer que eu faça para você? -Não, obrigado.

Vou matar você!

Juanito!

Vai matá-lo! O que está fazendo?

E você, Don Moy?

-Só estamos brincando. -Não são compadres?

Todos já sabemos que são campeões de boxe, mas parem com isso.

E vocês? Por que os deixam lutar?

Jorge.

Bem, e você?

Cuidado.

Tudo bem?

Tudo bem?

Tudo bem?

Juanito.

Oi, como vai? Que milagre.

Por quê? Acabamos de nos ver. Está esquecendo as coisas?

Não. Para falar a verdade, estou um pouco cansado.

Depois do boxe, é claro.

É. Aquilo sempre cansa.

-Quase o matou. -Menos, pois é que...

de repente, chega alguém.

-Preciso que me faça um favor. -Sim. É só dizer.

Preciso conseguir umas vacas para ordenhar.

Claro.

-Sim? Pode reunir todos? -Sim, todos.

Vou dar mil pesos, e vamos nos encontrar na casa de Johnny.

-Sim? -Sim, é dinheiro.

Perfeito.

Bem, rapazes. Temos mais negócio.

Vou pegar mil pesos a cada um.

Mas os caras vão cobrar na marra, então, tem de sair tudo bem. Certo?

Certo.

São mil pesos para cada um, a cada 15 dias.

-É legal, certo? -Sim.

Então, nos encontramos na casa de Johnny.

Maldito o veado que abra o bico para contar a minha chefe.

-O que houve? Não. -Entende? Sem brincadeira.

Legal.

Vamos nessa. Fechem tudo.

-Por que não atende? -Estava ocupado.

-Ocupado fazendo o quê? -Ora, fazendo o quê?

Com Adri, cara.

-Gosta bastante de um pau, não é? -Cara.

Você está mal, cara. Calma.

É, estou mal, cara. Você não me atende.

Não estou a fim, cara.

O que você tem?

Idiota, levou minha roupa, não foi?

Calma, cara. Calma.

Fiquem calmos. Não encham.

-Você é um porre, cara. -O quê?

Não provoque.

-Qual é a sua? -Calma.

Provavelmente, provavelmente.

Já chega, está bem?

Calma. Não fique zangado.

O quê, cara? Por que está me olhando assim?

-Você está com muito tesão. -Que tesão?

Não vou mais levá-la a sua casa.

Sem essa. Então, por que essa brincadeira, cara?

Porque não há outra, tonto.

-Como não há outra? -O que eu faço?

Diga que não e pronto, cara.

-Pague seus táxis. -Está bem, cara.

Esse cretino está bom.

Aqui, à direita. Sabe sair, ou quer que eu diga?

Contente, contente, não estou, cara.

Qual é o lance com essa garota, cara?

-Que lance como, cara? -Como "como", cara?

Cara, não encha o saco. Mude o disco, Miguel. Não encha.

Dane-se.

O que acha de vender sangue para os narcos?

-Tudo bem. -Valeu.

Metade do maldito México é narcotraficante.

Como se não soubéssemos.

Gabriel me contou umas coisas loucas.

O que ele disse?

Está arranjando ambulâncias. Está trabalhando para eles.

-Sem essa. Certeza? -Certeza.

E querem 50.

-50 vacas? -Pagam o triplo para cada uma.

Boa! O que estava esperando?

Que você crie gosto pela vida, cara.

Que pare de tirar meleca do nariz,

que pare com as brincadeiras e se empenhe, cara.

Não enche, cara.

Se você não é o ativo, é uma velha.

-Cara! -E você tem hepatite C?

Uma ova, Miguel. Não tenho hepatite C, cara.

-Tem, sim. -Não tenho, cara.

-Tem. -Não tenho. Você também teria.

Gabriel me mostrou os malditos exames.

Dane-se sua mãe, você e Gabriel. Com quem eu transo, imbecil?

Não tenho mais a menor ideia.

-Sem essa, Miguel. -E adoraria saber,

-mas a verdade é que não sei mais. -Dane-se sua mãe, cara.

-Dane-se a puta da sua mãe. -E você acredita nesse cretino?

Mas ele é paramédico.

Você não tem nada, cara.

-Nada? -Sim. Você.

Vamos fazer o negócio, ou não?

Vamos, não é?

É uma grana, cara.

Boa.

Cara idiota.

-Esse canalha... -Ouça, cara.

Nito me disse que, se o negócio sair,

ele me dá um quarto para morar aqui, cara.

-É? -Simón.

Está gostoso, não está? Aproveite.

Você moraria comigo, cara?

-Ali? -Sim.

-Sem essa. -O que tem?

Não saio de minha casa por nada.

Cara, é de morrer de rir. Vou contar para Adri.

Boa.

A garota vai adorar a ideia.

Assim dá um pouco por mês.

Um pouco.

Porque minha mãe trabalha com vocês, tenho de sair com domésticas?

Tudo seu, cara.

Não se ofenda.

Não faça eu me sentir mal, cara.

-Não seja idiota. -Não seja idiota?

-Você está muito frio. Sem essa! -Não fez escola primária?

-Fez a escola primária? -Não me lembro do molho.

Sem essa. Não me lembro, cara.

Você está muito frio. Vou lhe mostrar uma coisa.

O quê, cara?

Uma técnica. Pare. Molinho. É uma técnica.

Uma técnica para quê?

-Sem essa! -Gosta?

Vai gostar demais, cara.

-Por que isso, cara? -Só por brincadeira. Algum problema?

Machuquei você?

Não olhe feio para mim!

Está bem. Entre em ativo, cara.

Na outra cidade, me mostraram a comer de várias formas.

Adivinha?

La Jordan, cara.

Você sente que voa.

Não? La Nike.

Just do it. Está vendo?

Você já está ficando meio idiota, cara.

Bem, assim você vai gostar.

Acho que não. Vai? La Playboy.

Like this.

O quê? Não gostou?

Sim, legal. Não sabe outra?

-La Louis Vuitton? -Não.

Sei a do vídeo.

É assim.

Não sou sacana.

Você está muito louco.

Ouça, Nito.

Topa ser ordenhado?

-O quê? Tirar meu sangue? -Boa.

São mil pesos.

-Fechado? -Simón.

Tudo bem?

Tudo bem?

Por que subiu aqui, cara?

É mais legal, aqui. Pega mais ar e sol.

Não estava se sentindo mal?

Por isso, cara. Aqui tem mais ar.

Aí, a gente se recupera mais rápido.

Lá embaixo, você começa a sentir calor com tanta gente.

Vai ficar tudo bem.

Quintana.

Quintana!

-O que manda? -O que há, maluco?

Tudo bem. Você é Quintana?

Sim, cara. Diga, para que me quer?

Quero propor um negócio.

De que se trata?

Eu vendo sangue

e quero tirar sangue de todos. Pago mil pesos.

-O que acham, pessoal? -Para cada um.

-Dez minutos e pronto? Mil pesos? -Mil pesos.

Mas é para ir agora.

Espere um instante. Só vamos pegar nossas coisas.

-Legal, Techno. -Sim, cara.

As vendas estão muito fracas, cara.

Quintana!

-Ouça, ponha um do Tree. -Sim, cara.

Como vai?

Boa, cara.

-Certeza? -Sim. Por quê?

Como por quê, cara?

Como está cretino, Techno?

-Aqui? -Sim. Na boa. Aqui em cima.

Aqui em cima? O piso não é muito estranho para fazer algo?

Aqui?

Johnny!

O que foi? Tudo bem?

-Como vai? -Legal. Você? Como foi?

Foi bem, cara.

Há dois-dois.

O que acha?

Quantos são?

Com Techno, são 52.

Por que trouxe esse cretina?

Não encha, cara. Precisamos de gente.

Não. É tudo meu, cara.

Sem essa. Uma ova. É meu, também, cara.

Estou pouco ligando.

Porra, cara. Você parece uma maldita princesinha.

-Tanto faz. -Você era old school, cara.

Dane-se.

Fale com o cara. Diga algo. Vai ficar muito mal.

Ele não me ouve, malandro.

Eu? Está bem.

Quanto vamos fazer?

-Ande. -Vamos ver as contas, papai.

-Quanto é? -Três mil por 52.

-Dá uns 1.001 paus, não é? -Não. São mais de 150.000 pesos.

Mas tire os mil pesos de cada um,

e os mil que prometi a Juanito. Restam quase cem mil.

Sacou?

-Vá. Vou falar com o cara. -Vou ligar para Gabriel.

Maldito imbecil, cara. O que deu em você?

Não pode ficar só vendendo sangue, cara.

Você está muito mal. Vai morrer, cara.

Você vai morrer, não entende?

Dane-se, cara. O lance é seu.

Dane-se, cara.

Vejamos. Qual de vocês é Miguel?

Aqui.

Miguelito, como vai?

-Você é David? -Isso mesmo.

O que manda, Miguel? São eles, ou o quê?

Sim. Os 50 que Gabriel me pediu.

Certo. Quem são?

Conhecidos, cara.

Estão na pior, Miguel.

Mas é gente, cara. Não sei.

Está bem. Bem, então, vamos lá, certo?

-Está bem. -Parece nervoso.

Três mil por cabeça, certo?

-Sim, Miguel. Três mil por cabeça. -Por que está rindo?

Uma coisa que lembrei. Antes desse negócio,

de quem é essa perua?

-Por quê? -Gostei. Está bonita.

-É minha, cara. -E aí?

Ru lhe dou seis mil dólares. Se eu a levar comigo.

O quê?

Não. Não estou vendendo.

Por que não, Miguel? Vai topar, ou não??

Não sei, cara. Meu pai a comprou faz tempo.

Com certeza, foi onde fizeram você. Mostre.

Ela vem comigo.

Mostre o motor.

-Quantos cilindros? -Seis.

Está emperrada.

-O que foi? Está nervoso? -Não.

Parece. Calma.

Legal.

Um clássico.

Está vendo? Nem quer saber de você. É melhor vender para mim.

Passe para outro.

Deixe-me ver. Abra o motor.

Dê partida, para eu ouvir.

O motor está bem mal.

Dê partida.

Quero ver quanto ruído faz.

Está muito boa, cara.

Sim. Gostei.

Deixe-me ver. É seu pé, cara.

Sem essa. Está muito boa, cara.

Só falta um som estéreo e um bom baixo. E está pronta.

Imagino que seja tudo de fábrica. Está inteirinha.

O quê, cara? Não fique nervoso.

Nunca tinha visto uma pistola de verdade?

Não. Sim.

Vou lhe dizer como vamos fazer.

Vou falar com Thriller. Ele me traz seis mil dólares,

e nós lhe damos. Certo?

Não seja covarde, cara.

Como é, cara? Está querendo me irritar?

Ouça, Thriller, traga o dinheiro para a perua.

Gabrielito me disse que está velha, mas não pensei que estivesse tão boa.

Aqui está. Pegue o dinheiro.

Posso pagar para eles, antes?

Esse lance é seu. Como quiser.

Mas vamos.

Amanhã, informe ao seguro, e não haverá nenhum problema.

Eu cuido do resto.

Como disse que se chamava?

-Como disse que se chamava? -Miguel.

Calma, está tudo bem. Depois, compre outra mais legal.

E vai arrasar. Tudo bem.

Nito, venham para cá.

Aproximem-se mais.

Não encha, cara.

O caminhão em que vamos embarcar chegou.

Já me pagaram, cara.

Sempre faço este negócio com Gabriel, vários já o conhecem.

É a primeira vez que trabalho com essa gente.

Não sei, cara. Vamos, sei lá, em hora e meia...

e voltamos com a grana. O que acham?

Sem essa. Olhe esse caminhão, cara.

É de verdura, de porcos. De que é isso?

Cara, estou dizendo que eu nunca tinha trabalhado assim.

Mas, cara, sem essa. Vamos lá. Veja com quem você faz negócios.

-Eu também vou embarcar. -Cara.

Esses sujeitos estão armados.

Não sei. É a segurança deles.

-E nossa segurança? -Não era esse o trato.

Nessa, eu não entro.

Bem, levante a mão quem vai.

Vou falar com ele.

O que foi agora?

Cara, não podemos fazer de outro jeito?

Já está levando minha perua, cara. Eu devolvo sua grana.

-Cara, já era. Você é um imbecil. -Eles não querem subir, cara.

Ouça, é bom convencê-los.

É melhor subirem, porque não há outro jeito. Sim ou não, eles vão.

Já me deram o que precisam.

Você não quer arranjar encrenca com o pessoal de cima.

Entendeu? Então, vá e lhes diga que está tudo bem,

e que eles voltam em uma hora, hora e meia. Mais nada.

-Ajude, cara. -Ajudo o que der.

Não torne o lance maior do que é.

-O que houve? -E aí, cara?

Bem, se não subirem...

eu me meto, e nós nos metemos em mais encrenca.

Na verdade, não sei. Nunca tinha tratado com gente assim.

Não sei o que fazer.

Sem essa, Miguel. Como se chama esse cara?

-Vou falar com ele. -Nito, não, cara.

-O que manda, cara? -O que manda?

Ouça, a questão é que não sei como é o negócio,

mas eu não vou, cara.

Então, é melhor ficar assim mesmo.

Não sei como explicar que aqui não há opção.

Ou você sobe, ou meus dois amigos vão fazer você subir.

Então, é melhor que seja exemplo. Ponha seu skate aí

e vá lá para cima. Está bem?

-E é isso? -Vá.

Cara, Nito subiu.

Desculpem, pessoal. Príncipe, desculpe.

Ajude-me com Juanito.

Telefones. Celulares.

Safari. Quintana.

-O quê? -Ajude-me com Juanito.

Celulares.

Desculpe.

Senhora, desculpe.

Cara, dê o celular para ele. Sem essa.

Cara? Umas águas, que tal?

Faz muito calor aqui em cima.

Sim. Vou buscar.

Cara, vou até a mercearia. Vou trazer água.

E uma água mineral para mim.

-Vá. -Cuide deles.

Já volto.

-Que seja rápido. -Traga meu skate.

Obrigado, cara. Já, já vamos acertar isso.

-Não é? -Sim.

Fechem isso.

Pode abrir as duas, por favor? Obrigado.

Sem essa, Miguel!

Sem essa, Miguel. Não estão aqui!

Não estão. A perua não está, cara. Não está...

-o maldito caminhão. -Calma, cara.

Relaxe!

Como relaxar, cara? Adri, o Príncipe...

Onde estão? Sem essa!

Maldição, Miguel, cara! Onde eles estão, cara?

Adri, por favor, quando ouvir esta mensagem, me chame, por favor.

Onde você está?

Nada, cara.

Vim ver Gabriel Casanova.

Onde ele trabalha?

Está fazendo um comercial aqui.

Com que produtora?

Não sei.

Verifique, depois vemos se podem entrar.

Está bem.

Vamos ligar para esse veado.

O que foi, Miguel? Como vamos?

Como assim, como vamos? Onde você está, maldito?

Por que essa ligação, cretino? Que droga! Como foi tudo?

Cara, acabam de roubar todo mundo.

-O quê? -Roubaram todos, cara.

O maldito David levou todos eles.

Sem essa, Miguel.

Como assim, sem essa? O que vamos fazer? Onde você está?

Estou aqui nos estúdios. Onde você está, cara?

Do lado de fora de seu maldito estúdio.

Sem essa, maldito Miguel. Não sai daí. Vou encontrar você.

-O filho da mãe está vindo. -Certo.

O que houve, cara?

-E essa roupa, veado? -É um anúncio de praia.

De sapato, cara?

-Eu estava de chinelo. -É comercial para veado.

Veja só quem fala, idiota.

Vá para o inferno, cara. Qual é?

Onde está minha menina e os outros?

Chega. Gabriel, chega, cara!

Sem essa! Este idiota está me mordendo.

Que bom, veado! Que bom.

-Você é bem cretino! -Filho da mãe, cara.

-Vai se acalmar, cara? -Sem essa, estou trabalhando, idiota.

Vai se acalmar?

-O que foi, Miguel? -Como o que foi, cretino?

Sabe com quem estamos fazendo negócio?

Levaram a perua de minha mãe, cara.

Levaram os trabalhadores de minha mãe, meus amigos, maldição.

-Techno é um moribundo. -Já falou com o cara?

Falei. Não me responde, nem ele, nem você, idiotas.

-Estava em uma ligação... -Não sei que porra é uma ligação!

-Dane-se! -Vou falar com David agora mesmo.

Vamos falar com David, cara.

Pode entrar, cara. Esses caras são bem sacanas. O pessoal do cinema...

Pouco me importa o maldito cinema, entendeu, cara?

Puta merda! Vou partir sua cara, cretino!

Com sua sainha de veado. Maldito veado.

Pouco me importa seu trabalho. Maldita atriz de quarta!

Não se meta a besta que acabo com você.

Não entrem. Vão para o inferno.

-Maldito. -Até daqui a pouco, veado!

São gente, cara! São gente!

Havaiano veado!

Não entende que ele tem de nos dizer o que aconteceu?

Maldição!

Oi. Uma pergunta. Conhece Gabriel?

-Que Gabriel? -Gabriel, o ator.

Um, que anda por aí vestido de havaiano.

-Ah, si. Venham, eu os levo. -Muito obrigado.

-Vejam. Ali está ele. -Obrigado.

Não venha me enrolando.

Onde eles estão?

Sim, cara. Temos de falar, antes que...

Sem essa, cara. Se tivesse visto como o negócio estava, cara.

Não encha, cara.

Vai ter de ficar com um bando de gente, cretino. Vou ter que...

Vou ter de largar isto aqui.

Não se faça de mau.

Deveria ter me dito, maldito!

Não se mexa, cretino. Vou para lá.

O que vamos fazer, cara?

Vamos dar no pé.

Falo sério, cara.

Temos um monte de dinheiro. Podemos ir para onde você quiser.

Vamos para Timbuktu.

Onde ficar Timbuktu?

Na África, acho.

Não tem nenhuma ideia.

Você tem de inalar com o nariz e com a boca.

Ao mesmo tempo.

Você vai sentir um ardor na garganta,

enquanto isso chega ao cérebro.

Tem de ficar inalando o tempo todo.

Lembra-se de Cucú?

Sempre que transava, esquecia os rolos um tempo.

Não quero me esquecer desse rolo. Quero resolvê-lo.

Um instantinho.

Agora.

Hoje você não tem de trabalhar na casa de Miguel.

Tenho dinheiro. Podemos pôr o que você quiser.

Um negócio. O que quiser.

Vai ser só um instante, mãe.

Está bem.

O que você fez, meu filho?

Por quê?

Maldição, veado. Sem essa.

E agora?

Oi, mamãe. Brenda está?

Aonde ela foi?

Com Johnny?

E aonde o quê?

Sem essa.

Mamãe, preciso que venha me buscar.

Por favor. Estou em um hotel.

Brenda!

É bem legal aqui, dona.

Não há nada.

Sabe que posso apoiar você no que quiser, mas...

preciso andar de skate, e aqui não dá.

Está com seu telefone?

Para dizer para Miguel vir me buscar e me levar embora.

Qual é?

Se vai me bater, bata com força. Bata aqui, na outra.

Vou à merda.

-Espere. -Não! Vou embora!

-Fique! -O que deu em você? Não!

Puta merda, não! Vou embora.

Quer minhas coisas? Olhe, tome meu moletom

e minha maldita camiseta. Fique com tudo!

Esqueci o dinheiro.

Já vou.

Deixo um pouco para você.

Maldito Miguel!

Onde está Juanito?

Se continuar me batendo, não posso dizer.

-Foi Johnny, não é? -Não.

Por que continua saindo com Johnny?

E daí? Você o pôs para fora de casa.

Na verdade, eu não vou.

-Vai, sim. -que merda existe no Texas?

Não estamos indo de férias.

Há um amigo de seu pai, lá. Ele é o único que pode nos ajudar.

E com Johnny?

Com Johnny, não sei.

Obrigado.

Playboy.

-Que formação você tem? -Como?

-Formação? -Nível intermediário.

Só o colegial?

Porque muitos aqui são universitários.

Estudei com o pai de Miguel na universidade.

Está bem.

Poderíamos experimentar pôr você em um nível inicial.

Como não tem as mesmas habilidades que os outros, começa pelo começo.

Limpar banheiros, varrer...

Veremos o que poderá fazer. Talvez regar plantas...

-Como se diz trator? -É igual. Trator.

Não há um trator que eu possa dirigir? Adoro dirigir.

-Acho que não é possível. -Não?

Os tratores já estão designados aos trabalhadores.

Talvez quando já estiver aqui há mais tempo.

Bem, devo dizer que não permitimos que fume aqui,

nem que masque chiclete, nem que suje.

-De acordo? -Entende?

Como é seu inglês?

-É bom. -Bom?

Poderá se entender?

-Eu a entendo agora. -Há quanto tempo está nos EUA?

Ele acabou de chegar, faz uns dois dias.

Estudou inglês na escola?

Um pouco, sim.

Cuidado com essas. Obrigada.

Bem, Miguel. Fantástico. Quando quiser limpar isto,

o barro e o resto, você pega isto e vai por ali.

Sim, por aqui. Tenha cuidado, porque tem muita pressão.

Você vem por aqui e limpa as folhas e o barro.

-Está pronto, senhor? -Sim.

Certo. Em frente.

Bem. Leva alguns minutos.

Lá vai. Vou inclinar um pouco, se conseguir.

Assim está bem, não é? Isso mesmo.

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