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APÓS A TRÁGICA GUERRA ENTRE OS ESTADOS
A AMÉRICA VOLTOU-SE PARA CONQUISTAR O OESTE.
O SÍMBOLO DESTA ÉPOCA FOI A CONSTRUÇÃO
DAS FERROVIAS TRANSCONTINENTAIS.
O AVANÇO FOI, EM ALGUNS CASOS, INESCRUPULOSO E PREDATÓRIO.
COMUNIDADES INTEIRAS SE VIRAM VITIMIZADAS
PELO MONSTRO AMEAÇADOR: AS LOCOMOTIVAS.
DATAM DESTA ERA DE INCERTEZAS, FELIZ OU INFELIZMENTE,
DOIS CRIMINOSOS FAMOSOS: OS IRMÃOS FRANK E JESSE JAMES.
Ouça bem, amigo.
A ferrovia vai passar justamente pela sua terra.
E nada pode fazer para impedir.
Mas, US$ 1 por acre? Paguei US$ 15 por acre!
E tem minha casa, o estábulo, a colheita.
É pegar ou largar, amigo.
Mas, se não quer vender, ligaremos para o governo.
Confiscarão sua terra, e não receberá um centavo.
Mas se você prefere assim...
- O que eu faço? - Não sei.
Senhor, senhor!
Aí vem ele.
Senhor...
Já resolveu?
Se é assim que deve ser...
Finalmente nos entendemos. Você sabe escrever?
Não, senhor.
Aqui...
É só colocar sua marca bem aqui.
Se não venderem, o governo tomará de vocês.
Evite problemas. Basta assinar agora.
É tão pouco! US$ 2 por acre.
Mas já que é assim...
Não assine, mãe. Vamos procurar um advogado primeiro.
Está perdendo tempo, rapaz.
Podemos ir à cidade falar com o juiz Harvey.
Ele dirá o que fazer. Espere até falar com ele.
- Assine. - Por favor.
Não há mal em falar com alguém antes.
Não se importa de esperar até amanhã, não é?
Não vai adiantar nada, Mas seja como quiser, dona.
Sem ressentimentos, rapaz.
Claro, senhor.
- Quer criar empecilho para nós? - Deixe-o em paz!
Não, por favor!
Deixe-o! Não bata nele! Eu assino agora, eu assino.
- Não assine, mãe. - Eu assino.
- Bem aqui, senhora. - Mãe...
Olá, rapaz.
Senhor?
Eu disse olá.
Olá.
Como se chama?
James... Jesse James.
É dono desta fazenda?
Não, minha mãe é.
- Onde ela está? - Lá na casa.
Obrigado, rapaz.
Bom dia.
Bom dia, Senhora.
É a dona desta fazenda?
Sou, sim.
Eu me chamo Barshee. Trabalho para a ferrovia.
Vai passar por estas bandas.
Eu ouvi falar.
Quero que assine a escritura. Basta pôr seu nome aqui...
A troco de nada?
Não, pagaremos US$ 1 por acre, para todo mundo. É a lei.
Todos receberão o mesmo, US$ 1 por acre.
Parece muito pouco, não?
Não posso fazer nada. Só ganhará isso. Assine agora.
Agora, neste instante?
Não podemos perder o dia todo.
Ou aceita o que ofereço a todos,
ou fica sem nada, e confiscamos sua terra.
Vai perder tempo com um advogado incompetente?
Sua terra não é diferente das outras.
Não adianta falar. Não vou assinar agora.
Ouça. Não quero ter problemas com a senhora.
Não ouviu ela dizer que não? Não vai assinar.
Quem é você?
É meu filho Frank.
É tão esperto...
Que tal o governo vir condenar esta terra
e tomá-la de graça?
Eu não ia gostar.
Entenda que faço um favor de oferecer US$ 1 por acre.
Não queremos favores.
Talvez prefira ir ao tribunal.
Pode até ser.
Façam como quiserem.
Certo, rapaz. Sem ressentimentos.
Frank!
Velho truque, não?
Peguem ele, rapazes.
- Frank! Frank! - Eu não tenho medo.
Não vai ser todos contra um, vai?
Encostem na parede, com as mãos fora do bolso.
- Quer bater nele, Frank? - Não, Frank!
- Podem atacar pelas costas. - Não vão fazer nada, vão?
- Jesse, pare com isso! - Lamento, mãe. Ele começou.
Por favor, Jesse, não permita isso!
Frank!
Jesse, separe! Separe os dois!
Ele vai se machucar!
Ele já apanhou o bastante.
Quem é o próximo?
Acha que dá conta de todos?
Se vierem todos de uma vez, eu bato e empilho sob a árvore.
Nada disso! Agora vão embora, ouviram?
Jesse!
Outro truque velho.
Agora saiam daqui! Todos!
Vamos logo!
Depressa!
Mesmo assim, vamos tomar esta terra!
Jesse!
- Estou bem, filho. - O que houve?
Não sei. A vista escureceu e fiquei tonta.
- O que houve? - Ela desmaiou.
Não desmaiei. Só fiquei tonta.
- Melhor chamar o Dr. Hall. - Pinkie!
- Pinkie! - Sim, senhor?
Vá ao Dr. Hall! Diga para ele vir logo!
Sim, Senhor.
E Pinkie...
depois, chame todos os fazendeiros.
Sr. Crump, Sr. Clayton, Sr. Thompson, todos.
Faremos uma reunião importante aqui à noite.
- Mande eles virem sem falta. - Sim, senhor.
GAZETA SEMANAL DE LIBERTY
EDITOR: MAJOR RUFUS COBB
e acrescento, inclusive...
que se a Ferrovia St. Louis Midland...
não sabe como seus agentes
estão importunando os fazendeiros...
já está mais do que na hora de eles ficarem sabendo...
Vírgula.
Porque é a pior afronta, a mais vergonhosa e mais humilhante,
já cometida contra os cidadãos em toda a história do mundo.
Parágrafo.
Aí vem encrenca.
Tio Rufe!
Quer que eu tire os termos mais duros, não?
Acho que sim.
Quer um mandado de prisão contra eles?
Acuso Frank e Jesse de agressão e tentativa de homicídio.
Pena que não matou.
- Foi o Jesse? - Ele me atirou pelas costas.
Belo tiro.
Se nos der o mandado, não incomodaremos mais.
Traremos nós mesmos esses arruaceiros, esta noite.
- O Jesse está encrencado! - Não! O que ele fez?
Tio Rufe!
Sabe os termos que ia tirar? Coloque de volta!
Tio Rufe!
Tio Rufe!
Precisamos reunir dinheiro. O que pudermos.
E procurar um advogado.
Compramos nossas terras, construímos casas e plantamos.
- Exigiremos um preço justo. - Apoiado.
- É hora de reagir. - Não queremos problemas.
Só se eles provocarem.
Alguém que conheça a lei, que defenda nossos direitos.
- É, precisamos de advogado. - Jesse! Frank!
Jesse! Frank!
Precisam fugir daqui. Eles já conseguiram mandado de prisão.
E estão vindo pra cá. Precisam fugir.
Pinkie já foi preparar os cavalos.
- Ninguém vai me prender. - Não vou fugir.
- Ouça, Jesse. - Façam o que ele diz, Frank.
Vocês não tem escolha.
A St. Louis Midland domina o estado todo.
A polícia, a justiça, tudo. Uma ação seria inútil.
Eles têm muito em jogo. Vão perder para dois matutos?
Temos direito de nos defender. Sim, mãe?
- Jesse, ele tem razão. - Escondam-se.
Pedirei ao governador que tenham um julgamento justo.
Se fugirmos...
Se não fizer o que ele diz, terão problemas piores, eu sei.
Não suportaria, já estou doente. Por favor, fujam.
Os cavalos já estão prontos.
Sim, mãe. Já que ficará melhor.
- Tome cuidado, filho. - Não se preocupe.
- Cuide dele, Frank. - Sim, mãe.
Adeus, mãe.
Pinkie saberá nosso paradeiro.
- Pinkie. - Sim, eu sei onde é.
Tomem cuidado, rapazes. Tomem cuidado!
Agora, senhoras, vão todas para a estrada e aguardem lá.
Pode haver tumulto. Os homens resolverão.
Vão indo. Vão indo.
Homens, deixem que eu converso com eles.
Sim, major.
Aí vêm eles.
Boa tarde.
- Onde estão os dois? - Trouxemos o mandado.
Sim, major.
Não estão aqui. Já foram. Querem saber quem mandou? Eu!
- Calma, major. - Saia da minha frente.
Sr. Barshee, tem minha palavra. Os dois fugiram.
Sua palavra...
Saiam e entreguem-se, Frank e Jesse James!
A mãe está acamada,
e seu coração não suportará uma invasão.
- Vão acreditar no velho? - Disse que não estão.
- Não estão! - É o que vou descobrir.
Lex, traga minha arma aqui.
Major!
É a verdade!
Se não saírem com as mãos para o alto, vou mandar bala!
Acha que estou mentindo?
Major! Eles podem entrar! Deixe eles...
Tem gente lá! Não falei?
Bombeie!
Não adianta. Ela está morta.
Isso é triste, muito triste.
E eu lamento muito.
Eu também lamento.
Eu não me referia a ela. Ela está morta.
Eu lamento muito é por você.
Zee.
Frank!
- O que é? - É a Zee!
A Zee?
Nem acredito!
Zee!
- Frank! - Como vai, Zee?
- Eu me preocupei tanto! - Conosco?
Como está todo mundo? E lá em casa? E a mamãe?
Jesse...
A mamãe? O que houve com ela?
Barshee...
Ela morreu?
Jesse!
Bem...
Vamos para lá.
Adeus, amor.
Jesse, não vá.
- Preciso ir, - Não, por favor!
Não posso deixar de ir. Preciso ir.
- Deixe o Frank ir. - Sinto muito.
Frank, faça ele ficar!
Cuide dela.
Mas, e eu?
A culpa foi minha. Atirei nele.
Se não matá-lo, eu matarei.
Pode ser que não a veja por muito tempo.
Eu esperarei.
- Adeus, querida. - Adeus, Jesse.
Não deixe ninguém se engraçar comigo.
Deixem as mãos à mostra.
Garçom, conte até três e se abaixe.
Sim, senhor.
Espere aí, Jesse.
Foi um acidente, juro.
Conte.
Não! Posso explicar!
Não sabia que ela estava lá!
Mantenha as mãos no balcão. Um...
Não! Jesse!
Dois...
"A FERROVIA ST. LOUIS MIDLAND
OFERECE RECOMPENSA DE US$ 1 MIL
POR INFORMAÇÃO QUE LEVE À PRISÃO DE JESSE JAMES,
PROCURADO POR HOMICÍDIO." J. BOREN, XERIFE
Fiquem parados.
1, 2, 3, 4, 5...
Obrigado, senhores.
Obrigado,
Todos a bordo.
Mãos ao alto!
Continue em frente até eu mandar parar.
O que pretende fazer?
Não pretendo fazer nada, já estou assaltando o trem.
O trem todo?
Reduza na próxima curva. Pare próximo àquelas árvores.
Será o seu enterro, camarada.
Destranque,
Se não sabem o que é, é um assalto.
Fiquem sentados! Deixem as mãos à mostra.
E você que jogou a carteira na escarradeira,
pegue e limpe antes de nos dar.
Nada de jóias. Só dinheiro.
É tudo o que tenho.
Obrigado. Jóias, não. Obrigado mesmo assim.
É muito gentil. Bela carteira. Muito obrigado, senhora.
E processem a ferrovia pelas perdas. Obrigado, senhor.
Jogue no saco. Ninguém sairá ferido. Obrigado.
Fiquem com as carteiras na mão para facilitar.
- Não demorem demais. - Obrigado, irmão.
Muito obrigado, senhor.
Isso não vai ficar assim!
Respostas insolentes, não. Obrigado, irmão.
Todos sentados. Ninguém ferido.
Vamos, as luzes.
Depois, ele sacou uma pistola enorme assim, e falou:
"Irmão, queremos o correio a salvo."
E a proteção a que temos direito? E a lei?
Alto lá. Sou a lei apenas em Liberty.
O que se passa nos Estados Unidos não me interessa.
Pode dar uma descrição desse homem?
Sabe tanto quanto eu que era Jesse James.
Quem teria a audácia? Claro que era ele.
Não precisa falar tão alto... Eu não sou surdo!
RECOMPENSA: US$ 5 MIL
PROCURA-SE JESSE JAMES VIVO OU MORTO
O que foi isso?
Olhe! É ele!
Ora, seu louco, filho da mãe!
- Olá, major. - Quer ser capturado?
- É procurado por todo o país. - Sei disso. Tem um café?
O xerife colocou trinta homens atrás de você.
Com essa chuva... coitados.
Não é para rir, Jesse.
Está tudo bem, amor. Não vou demorar.
Enquanto me procuram por aí, aqui não me encontrarão.
Sente-se. Deixe-o em paz.
Ele está se arriscando.
Se eu pudesse lhe mostar o quanto está errado...
Não precisa. É como eu sempre disse.
Odeio a ferrovia. Quando odeio algo, preciso fazer algo.
É assim que se fala.
Hoje, ninguém mais reage como antigamente.
São uns frouxos. Prefiro homens que odeiam de verdade.
Foram os advogados, ora, que estragaram esse mundo.
Há dez anos, não tínhamos advogados, e íamos muito bem.
Quem matava era morto.
O xerife atirava em todos, e ponto final.
Hoje em dia, temos centenas, milhares de advogados,
e, para onde olho, só vejo advogados.
Tio, só há dois advogados em Liberty.
Dois? Só?
Eles se fazem presentes demais.
Ora, vou escrever um editorial sobre isto.
- Roy! - Sim, senhor.
Faremos um editorial sobre os advogados.
- Mentirosos? - Pode ser. Vamos devagar.
Parágrafo.
Se é que algum dia teremos ordem e lei no oeste,
a primeira coisa que precisamos fazer
é pegar todos os advogados e sair atirando em todos eles.
Parágrafo.
Um dia será apanhado, Jesse.
Por isso odeio quando sai por essa porta.
Penso em você, o tempo todo escondido no mato...
Sempre fugindo de um lugar para o outro.
Tentando manter-se vivo.
E todos querendo matá-lo para ganhar a recompensa.
Jesse, às vezes, à noite, quando está frio e chovendo,
acordo chorando.
Sonhando, eu o vi morto, caído na lama.
Jesse, estou com tanto medo!
Só você é importante para mim agora, Zee.
É a única pessoa com quem me importo.
Sei que fui tolo de vir aqui.
Não sabia o quanto queria vê-la, até que a vi.
É uma afronta, um vexame...
- Olá, jornalista engajado. - Olá, Will.
- Pensei que você estivesse... - O quê? Zee está aqui?
Ela está...
- Boa noite, Zee. - Will. Não foi com o xerife?
Fui. Acabei de voltar.
Prenderam ele?
Este é o sr. Howard. Thomas Howard, amigo nosso.
Sr. Wright é chefe de polícia.
- Prazer, sr. Howard. - Prazer.
Sr. Howard é de St. Louis.
É? Morei em St. Louis.
Em que ramo está metido, Sr. Howard?
Armas. Armas e cavalos.
É mesmo? Não, não o prendemos.
Numa noite como esta, não se vê nem um elefante branco.
Zee conhece Jesse James. Ela contou? Cresceram juntos.
Ela me contou tanto, parece que já o conheço.
É mesmo?
Bons biscoitos. Você que fez?
Prove um, Sr. Howard.
Não que eu não esteja atrás dele.
Se um dia toparmos um com o outro,
no lugar certo, serei eu, ou ele.
Isso eu entendo.
Espero que pare de pertubar a minha área
ou vá pertubar outra; assim, Zee sofrerá menos.
Uma coisa, ou outra.
Você sabe o que faz, imagino.
Sei. Sou bom no que faço. Sou tão bom quanto ele.
Por isso digo que, da próxima, ou ele me mata, ou mato ele.
Tenho um compromisso. Devo levar uma hora.
Talvez passe depois, se a luz estiver acesa.
- Eatá bem, Will. - Boa noite, jornalista.
Boa noite, Will.
Acho que não voltaremos a nos ver.
Também tenho essa impressão.
Cuide-se.
Tem recebido policiais graduados aqui.
Não perca tempo, Jesse. Vá embora agora.
Acho que vou por ali.
Apague a luz. Não quero ser alvejado.
Obrigado, Zee.
Por isso não quis se casar comigo?
Não consigo evitar o que sinto.
Vamos colocá-lo no cavalo e levá-lo à cidade.
Um de vocês, me ajude aqui.
Aqui não é lugar para vocês, rapazinhos.
Vão para o outro lado.
É... ele?
Não. Ainda não foi desta vez que faturamos a bolada.
Se aumentam mais a recompensa, Jesse acabará morto
pelos próprios colegas.
Muitos matariam a própria mãe por muito menos que US$ 5 mil.
Coloquem ele desse lado.
- É tão linda quanto acho que é? - Jesse, leia isto.
Leia!
SE JESSE SE RENDER, A PENA NÃO PASSARÁ DE 5 ANOS
Will conseguiu isto porque pedi a ele.
- Mas não posso me entregar. - Por que não?
Confio no Will, mas...
Ele deu a palavra, prometeu garantir o cumprimento disso.
Jesse, ouça.
Não é só agora, apesar de já ser ruim demais.
O problema é o que ocorrerá no seu âmago, dentro de você.
Entende?
Agora é um herói para si mesmo e para muitos também.
Entrou numa briga. E foi a ferrovia quem começou.
Isso não vai durar, Jesse.
Quanto mais sorte tiver, pior você ficará.
Mortes e roubos. Entrará no seu sangue.
Ficará como um lobo, agindo só por causa da sua natureza.
Ficará sedento para matar e roubar.
Até algo acontecer a você.
E, se algo vier a lhe acontecer, Jesse,
será como se tiver acontecido comigo também.
Querido, só há uma saída.
Entregar-se. Desistir.
Acabe com essa agonia que eu tenho vivido.
Não posso, Zee.
Enlouqueceria na prisão.
Eu não aguentaria.
Mas se fugirmos agora...
Isso não é vida, Jesse.
Adeus.
- Zee, por favor. - Boa sorte.
Zee.
- Disse que esperaria. - O quanto for preciso.
- Se casaria comigo, antes. - Hoje, se quiser.
Então, assim será.
É o único jeito.
Aí então, o filho pródigo voltou
para a casa do pai e da mãe.
- Bem-vindos, irmãos e irmã. - Obrigado, pastor.
Sentem-se. Onde acharem lugar.
Podemos nos casar?
Casar.
- Fugiram para se casar? - Como é?
Não. Sou maior de idade.
E temos pressa, se não se importa.
- São seus irmãos? - Não tenho irmão.
Desculpe. Como se chama?
Zerelda Cobb.
- E você, filho? - Jesse Woodson James.
Jesse James!
- Deus seja louvado! - Sente!
Não queremos criar problemas.
Problemas?
Filho, é tão bem-vindo quanto a chuva para as flores.
Imagina que tinha uma fazenda com nove mil pés de milho?
Até que a ferrovia a tomou de mim. Por quê?
Não era mais pastor, e tirava meu sustento da terra
até a ferrovia me desalojar da minha própria casa.
É verdade, Sr. James.
Imagine só, meu filho.
Sabia que eu tinha um casarão, duas cocheiras.
Três casas de caseiro, antes de a maldita ferrovia me tomar.
Amém. Amém.
Muito bem.
Estamos reunidos aqui para unir Zerelda Cobb e Jesse W. James
nos sagrados laços do matrimônio...
- Olá, Jesse. - Olá, Will.
Então, Zee já explicou tudo.
Disse que vão diminuir a pena.
Querem tanto se livrar de você que o poriam conduzindo trens.
Que pena acha que pegaria?
Dois, três anos. Talvez cinco. Não mais que isso.
Só o acusam daquele roubo ao depósito de Pine Hills.
Aquele eles têm como provar.
Agradeço muito tudo o que fez.
Não foi nada.
Podemos ir?
Está tudo bem, Jesse?
- Olá, Jesse. - Olá, Jesse.
Oi, Jesse.
Olá, juiz. Olá, major.
- Não está mais armado, está? - Não.
- Está fazendo o certo. - Estou?
Juiz Matthews vai julgá-lo. Pode confiar nele.
Aplicarei a lei, sem tanto rigor.
Sairá com a ficha limpa, O passado será esquecido.
- Obrigado, juiz. - Vamos, se estiver pronto.
Pode ir tranquilo, Jesse.
Não está preocupado, está?
- Vou tirar de letra. - É isso mesmo.
Minha querida.
Minha esposa.
Meu marido.
Estou orgulhosa de você.
Muito orgulhosa.
Adeus, Zee.
Adeus.
Eu o esperarei.
Esta é sua cela.
Sr. James?
Sou o sr. McCoy, presidente da ferrovia.
Sei quem o senhor é.
Quero dar as boas-vindas
e dizer que me alegra vê-lo aqui preso.
O DISTRITO DE LIBERTY SE DECLARA SOB LEl MARCIAL
NO AGUARDO DO JULGAMENTO DO CRIMINOSO JESSE JAMES,
POR ORDEM DO GOVERNADOR.
Por que todos esses soldados?
Este é o sr. Wright, chefe de polícia.
Sr. Clarke é o promotor público.
E então?
Tentaremos enforcar nosso amigo fora-da-lei.
- Antes ou depois do julgamento? - Ele merece pena de morte.
- Não foi o combinado. - Como?
Esqueceu o que disse a mim, à moça e ao James?
Entenda bem, Wright. Ao lidar com bandidos, vale tudo.
Vale tudo para prendê-lo.
James é ladrão e assassino. O bandido mais conhecido do país.
Queimou meus bens, assaltou meus trens.
E assustou passageiros.
Há três anos, jurei que seria enforcado pelo que fez.
Tenho fé em Deus que ele será enforcado.
Não é assim que funciona aqui.
- Não é o homem da lei? - Não sou calhorda.
- Já explicou ao juiz? - Não é necessário.
Será julgado pelo juiz Rankim, que não é tão sentimental
com assaltantes de trem.
Ele chega hoje, O julgamento é amanhã cedo.
Mas alguma coisa?
Arquitetaram tudo.
Ouça um conselho.
É melhor deixar esse papel de advogado para a Defesa.
Limite-se a cumprir seus deveres.
Quem? Eu?
- Não interfira em nada. - Não é a mim que devem temer.
Como assim?
E se Jesse não quiser ser enforcado?
Roy, pare de imprimir.
Farei um editorial sobre os presidentes da ferrovia.
Parágrafo.
Se é que algum dia teremos ordem e lei no Oeste,
a primeira coisa que precisamos fazer
é pegar todos os presidentes da ferrovia
e sair atirando neles, Parágrafo!
- Onde está Zee? - Onde esteve?
- Em Pine Ridge. E a Zee? - A Zee? Ela saiu.
- Aonde ela foi? - Ela se arrumou e foi...
Não quero que fiquem sabendo, entende?
Entendo.
- Ela foi para as colinas. - Sozinha?
Não exatamente. Foi guiada por um negro chamado Pinkie,
cujo cavalo se chama Stinkie.
Entendi.
- Alto lá. Quem está aí? - Sou eu, Pinkie.
Certo, Pinkie. O que quer?
- Trago esta carta ao sr. McCoy. - Dê-me.
Carta para o sr. McCoy.
- Garante que darão a ele? - Garanto.
Para o sr. McCoy.
Para o sr. McCoy.
Queremos que o julgamento comece o mais cedo possível.
Juiz, leia. Aqui.
Ouça!
Sr. McCoy, se não soltar Jesse até a meia-noite, irei buscá-lo.
Frank James.
- Então temos uma hora e meia. - Ele é muito atrevido.
- O que há? - Essa carta...
O que tem ela?
Não sei se os senhores sabem, esses dois rapazes são terríveis.
- Aonde quer chegar? Conheço Frank James faz tempo.
Quando ele diz que vai fazer uma coisa, ele faz mesmo.
O que acha que ele pode fazer?
Ele disse que vai tirar Jesse daqui.
Tomara que tente mesmo. Será preso também.
É claro. Você está maluco.
Frank é um homem de palavra.
Já soube desta carta absurda?
Estão correndo boatos.
- Todo mundo já sabe? - Todo mundo que conheço.
E todos consideram essa situação interessante.
Interessante? Ora, é absurda.
O que acha que farão esses bandidos?
Será que não sabem que esta cadeia é cercada de soldados?
E que venceríamos até um exército de fora-da-lei?
Eles sabem. Por isso é tão interessante.
Mas também sabem que os dois irmãos cumprem o que prometem.
- Cumprem mesmo. - Eu avisei.
Quer calar a boca?
- Quantos homens tem? - De plantão, seis.
Mas posso reunir muitos mais.
É isso que vamos fazer.
Não vamos esperar o patife. Vamos prendê-lo.
- Podemos tentar. - Acha que ele virá mesmo?
Não acha?
Claro. Ele não ia brincar. Já deve estar vindo.
Não vamos perder tempo.
Mande seus homens cercarem a cidade.
Quero ele vivo ou morto.
Mande atirarem primeiro e perguntarem depois.
Mande...
Quero ensinar a comandar sua ferrovia?
Como assim?
Não queira me ensinar a instruir meus homens.
Espere um pouco, chefe.
- Aonde vai? - Vou reunir os homens.
Espere. Irei com você.
Também sei escolher bons homens.
Como quiser. É exatamente o que farei.
Mobilize todos os homens. É uma situação absurda.
Mas eu não quero correr o risco.
Eles cumprem o que prometem.
Apostem US$ 5 que ele virá, US$ 10 que ele não virá,
e US$ 12. Nem uma coisa, nem outra.
Apostei US$ 10, 5 contra 1, que Frank James
vai deixar o sr. McCoy no chinelo.
Senhores!
Preciso reunir homens voluntários que saibam atirar
O Frank?
Quem eu mandar.
Mas, se ninguém tem veia mercenária.
Aviso que o sr. McCoy vai dobrar a recompensa.
US$ 10 mil?
- Encostem. Vamos escolher. - Sou voluntário.
Você, você. Ed Também. Bill, ali.
Você. Você. Você.
Charlie, você atira bem.
Não gostei dele. Por que não aquele?
- Não tenho nada contra. - E ele.
- Certo. E você... - Aqueles dois.
Certo. Você quem sabe.
De frente pra mim, ergam o braço e façam o juramento.
- Erga mais alto. - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8...
A caçada foi em vão!
Traga quantos trouxer, não entrará na cidade.
- Muito menos na cadeia. - Ele está bleflando.
É meia-noite. Até agora, nada.
- Você, seu... - Não consegui me segurar.
Estou nervoso, só isso.
Frank deu até meia-noite para soltarem Jesse, senão...
- É o Jesse. - Faça-o parar!
Eu farei, mas não adiantará nada.
É certo que o Frank está vindo.
Jesse sentiu. Esses rapazes são assim.
Não importa o que aconteça esta noite,
incêndio ou enchente,
eu vou mandar este homem embora amanhã.
Major! Zee! Eles o prenderam.
- O Frank? - Foi apanhado na floresta.
- Quem? Quem o prendeu? - Dois voluntários.
Malditos sejam esses voluntários desgraçados!
- Roy! - Sim, senhor?
Agradeço, rapaz, por ter simplificado
um dos nossos piores problemas. Levem-no.
Sinto muito, Frank. Está armado?
Já tomei a arma dele.
Por essa eu não esperava. Venha.
Frank.
- Desculpe. - Não tem problema, não.
Entenda que não tenho nada a ver com isso.
Quero que você e Jesse saibam que a lei e a ordem venceram
por força do sr. McCoy.
Já sabemos.
- Já acabou? - Acabei. Obrigado.
Então, saia daqui. Vá embora, e não volte.
Estou indignado com sua atitude de policial
e informarei sem falta o governador amanhã.
Não precisa mais de mim esta noite?
Nem esta noite, nem outra noite ou dia.
- Oficialmente? - Exato.
Desculpe, Will. Não queria lhe criar problemas.
Que nada. Muito água vai rolar antes de esta noite acabar.
Boa noite a todos.
Boa noite, chefe.
Muito esperto, não?
Não devia ter feito o que fez, sr. McCoy.
Traiu o Jesse e a mim quando confiamos em você.
- Devia manter sua palavra. - Como manterá a sua?
Como é?
Disse que tiraria Jesse daqui.
E vou tirar.
Jesse?
É você, Frank?
Sou eu. Você está bem?
Quanta folga!
Eu vou indo bem, Frank.
Ele gostará de vê-lo também.
Tranque a porta, Tom.
- Soldados! - Calminha, rapazes.
Agora me desamarre.
E não façam barulho, entenderam?
Não queremos matar ninguém. Mas quem gritar morre.
Mantenham as mãos para cima e a boca fechada,
que tudo acabará bem.
Você não sairá impune.
Eu sabia. E eu avisei.
Deitem no chão.
Deitem no chão, ou eu atiro.
O que houve?
Sr. McCoy fez a gentileza de chamar Tom e Hank.
- De propósito? - Ele não podia ter feito melhor.
Ora, o que é isso? Um jogo?
Homens brincando no chão feito crianças.
- E não é? - Não tiveram escolha.
Lembra-se disso?
SE JESSE SE ENTREGAR, A PENA NÃO PASSARÁ DE 5 ANOS
MCCOY
Lembra?
Não...
Não me mate.
Não matarei.
Não com uma arma.
Vou atanazar você até a morte.
Agora mastigue.
Sinta que gosto tem e engula.
Mastigue!
Parece ser um homem de bom senso.
É só falar, que eu faço.
Fará porque não quer levar chumbo.
É só mandar, eu obedeço.
Dê água a ele. Vai engolir.
Todos prontos? Abra a porta. Quando eu mandar, afaste-se.
- Nem precisa mandar. - Não queremos ninguém ferido.
Sairemos atirando, é mais divertido.
Prontos? Abra.
Prendam eles! Prendam!
Depressa!
Vão atrás deles!
Saiam atrás deles! Vamos! Todos vocês!
Adeus, tio Rufe.
Adeus, querida. Não posso culpá-la de nada.
Jesse foi justo. Ele fez tudo o que prometeu.
Deve cumprir a sua parte, ficando do lado dele.
É a única esperança que ele tem.
- Ficarei do lado dele. - Srta. Zee...
Já pegamos tudo?
Acho que sim, Pinkie.
- Adeus, tio Rufe. - Adeus, querida.
Vamos.
Vamos brincar de entregar cartas.
Acho que ficarão ocupados por algum tempo.
RECOMPENSA: 25 MIL
POR JESSE JAMES MORTO OU VIVO
- Querido! - Zee!
Meu amor...
Deixe-me olhar para você.
Gostou das cortinas?
Mais bonitas, impossível.
Eu mesma fiz.
Puxa vida...
Nunca imaginei que teria uma coisa tão bonita.
Fiz isso também.
"Deus abençoe nosso lar."
Ficou melhor que o das lojas.
- Bela moldura também. - Pinkie que fez.
Parabéns, Pinkie.
Obrigado, Sr. Jesse.
Está tudo uma beleza, Zee, a casa inteira.
Aqui.
Ô de casa!
Ô de casa!
- Boa noite, dona. - Boa noite.
Procuro a casa dos Wilson. Sabe onde fica?
Fica adiante uns 2 km.
Obrigado, dona.
- Faça as malas. - Sim, senhor.
- Jesse! - Vamos embora daqui.
- Era só um fazendeiro. - Como sabe?
HOTEL EMPIRE KANSAS, MISSOURI
REGISTRO DE HÓSPEDES: SR. E SRA. THOMAS HOWARD
DE SOUIX CITY, IOWA.
PARA: SR. E SRA. THOMAS HOWARD SEDALIA, MISSOURI
HOTEL TEXARKANA EM TEXARKANA, TEXAS
SR. E SRA. THOMAS HOWARD DE ST. LOUIS
- Como ela está, doutor? - Fraca, é claro.
Mas não passa de...
É amigo do sr. Howard, não é?
Sou amigo dele, sim.
Tem idéia de onde ele está?
- Ele viaja muito. - É vendedor?
Acho que sim.
Pois diga a ele por mim
que um marido que deixa a mulher só numa hora dessas
não serve mesmo para nada.
O que diz faz sentido.
Pode subir, mas seja breve.
E não é que ele é o pai mais ausente e mais falho do mundo?
Querida, não culpe o Jesse por não ter chegado a tempo.
Talvez ele não tenha conseguido sair de lá.
Não tem importância.
Querida, não devia se sentir dessa maneira.
Não posso fazer nada.
Estou cansada demais para me importar.
Tem sido assim sempre.
Nós vivemos feito animais, animais assustados.
Vivemos mudando e nos escondendo.
Sequer ousamos sair de casa.
Todos os dias e noites ficamos sentados...
com medo da sombra na janela...
com medo dos passos na varanda...
com medo da porta que se abre...
E ele está sempre ausente, o que é pior.
Fico pensando se está morto, caído na lama, no mato!
Pode estar morto agora!
Meu tio Rufe, quero ir para casa.
Para casa? Aqui é sua casa. Sua e do Jesse.
Quis dizer a sua casa, tio. Quero voltar para Liberty.
Você me leva?
Mas, querida... Que diabos!
Mas Jesse prometeu...
Sim, eu sei.
Eu costumava acreditar nele.
Mas ele não mudou em nada.
Jesse será um bandido enquanto viver.
Agora eu sei disso.
É um bicho solto, Will.
É como um cavalo que não se pode controlar.
Ama a liberdade.
Nem vocês, nem eu, nem ele, nem ninguém pode mudar isso.
É por isso que ontem à noite eu queria morrer.
Rezei, rezei muito, para morrer.
E meu bebê, rezei para que morresse também.
Acabaria tudo!
Meu amorzinho...
A mamãe só falou por falar!
Meu bebê precioso, mamãe não quer nada disso.
Está bem...
Está bem, querida.
Eu vou levá-la de volta para casa.
- Oi, Pinkie. - Senhor.
Zee!
- Sr. Jesse! - Sim?
Ela se foi.
Foi? Para onde?
- Ela e o bebê. - Bebê?
Sim, senhor.
Os dois estão bem?
Sim. Estão bem, os dois.
Mas ela partiu. O major a levou de volta a Liberty.
Ela deixou essa carta para o senhor.
LAMENTO, JESSE, MAS NÃO AGÜENTO MAIS.
NÃO VENHA ATRÁS DE MIM PORQUE EU NÃO VOLTAREI.
PS: DAREl O SEU NOME AO BEBÊ. ELE PESA 3 QUILOS. ZEE.
Pobrezinho.
Tentei chegar aqui, mas não pude. Estavam atrás de mim.
Você o viu?
É a coisinha mais linda que eu já vi.
Ficava chorando tão alto que doía nos seus ouvidos.
Aposto que é o bebê que mais grita neste mundo.
- Qual a cor dos olhos dele? - Azul.
Tem olhos azuis enormes, que ficam encarando você.
- Ele se parece com a Zee? - Se parece com você!
Não!
É seu retrato escarrado, Sr. Jesse.
- Eu nem acredito... - Só que ele é careca.
É careca como a casca de um ovo.
Puxa vida! Ele é o bebê mais lindo do mundo.
Eu nem acredito.
Fica gritando e agitando os bracinhos.
- Puxa vida... - Todos ficamos orgulhosos dele.
Santo Deus...
Vou atrás deles. Quando partiram?
- Na segunda-feira. - Foram de trem?
Não, na charrete do major.
Não gostei de saber disso.
Iremos depois de jantar.
- Mas, Sr. Jesse... - Sim?
Não acho bom irmos atrás deles agora.
Por quê?
Estão com o sr. Wright.
Wright?
Sim, o chefe de polícia.
Ele também veio.
Sei...
Vamos sem jantar, agora mesmo.
Atrás deles?
Sim. Agora.
Como ela falou que estava infeliz?
Como eu disse, falou que vivia com medo.
E chorava muito, dizendo que não sabia como agÜentava.
Entendo...
- Ela não tem culpa. - Foi o que ela disse.
Foi muito duro para ela.
Eu acho que foi mesmo.
Pinkie, não vou adiante.
Não vai mais atrás deles?
Mudei de idéia. Ela está certa.
Comigo ela não será feliz.
Ela só pode ser feliz... sem mim.
Sim, senhor.
Diga isso a ela. Diga que não importunarei.
Que, se puder ser feliz agora, eu fico feliz.
Diga isso a ela.
Sim, senhor.
E, Pinkie, diga...
Sim, senhor?
Diga para não contar ao bebê que sou o pai.
Eu não me importarei.
JESSE JAMES ASSALTA A ST. LUIS MIDLAND
BANDO DE JESSE JAMES ASSALTA O BANCO DA ST. LUIS MIDLAND
BANDO DE JESSE JAMES INVADE O TREM DA ST. LOUIS MIDLAND
- Roy! - Sim, senhor.
- Um editorial sobre dentistas. - Sim, senhor.
Parágrafo.
Se é que algum dia teremos ordem e lei no Oeste,
a primeira coisa que precisamos fazer
é pegar todos os dentistas...
Lá vai o trenzinho apitando!
Socorro! Socorro! Salvem a minha vida!
...e sair atirando em todos eles...
Alguém me ajude!
Deixe-me em paz!
Parem vocês dois!
Pare! Pare!
Ele é pior que a criança.
Mas são divertidos.
- Que idade ele tem? - 5 anos.
Não diga. O me via fazer 3 anos.
Espere um pouco.
Aqui, Ele pode comer um?
Sim.
- Diga obrigado. - Obrigado.
De nada. É uma criança maravilhosa.
Obrigada.
O senhor é o editor?
Sou, sim. Em que posso ajudá-lo?
Quero publicar este cartão na próxima edição.
George Remington, Remington Blueing Company,
da Filadélfia, agora na cidade. Quanto custa?
Acho que US$ 1 está bom, sr. Remington.
Aqui está.
- Obrigado. - Muito obrigado, adeus.
Adeus.
Roy! Lmprima isto?
A propósito, Jesse James não é dessas bandas?
Era. Por quê?
Protestam contra a anistia oferecida pelo governador?
Que anistia?
Não ouviu falar?
Ora, senhor. É uma aberração.
Outro dia, um amigo meu, banqueiro, me contou.
O governo prometeu anistiar qualquer membro do bando
que matar Jesse. Além disso, há a recompensa.
Tem certeza?
Absoluta.
O Estado se torna cúmplice de homicídio!
Exatamente.
Ora, que imundície! Que sujeirada!
Obrigado, senhor, pela notícia.
De nada, senhor.
Dá tempo de incluir na edição desta semana!
Zee!
Editorial!
Isto não prova nada. Ele pode estar enganado.
Pouco importa, para mim. Não existe mais nada agora.
Roy, já terminou o editorial sobre dentistas?
Troque dentistas por governadores,
como fiz no editorial sobre ladrões de cavalo,
só que agora são os governadores.
Bom dia.
- Belo dia não? - Não quero comprar nada.
Não vim vender nada.
É a Sra. Bob Ford, não é?
Sou, sim. Mas, se procura meu marido, não sei dele.
Há meses não o vejo.
Partiu com o bando de Jesse, e nunca mais o vi.
Não é ele que procuro, é a senhora.
Comprei este jornal em Liberty ontem, que pode lhe interessar.
E... aqui está o meu cartão.
Era só isso.
- Aqui, - O que é isso?
Sabe que eu não sei ler.
PERDÃO PARA QUEM MATAR JESSE JAMES
O que está escrito?
GEORGE RUNYAN AGÊNCIA DE DETETIVE RUNYAN
SE HOUVER INTERESSE, ME PROCURE NO HOTEL,
SOB O NOME DE GEORGE REMINGTON.
E então?
O banco de Northfield é o mais rico da região.
Será fácil para nós.
Guarda US$ 50 mil em ouro no cofre.
Basta entrarmos com pás.
É o que faremos.
E então?
Bem, para falar a verdade...
O que há?
O que há com vocês?
Há mais de um mês, estão desse jeito. O que há?
Na verdade, Jesse, não sabemos se estamos dispostos ou não.
Primeiro, porque é um banco muito bem guardado
e fica muito longe daqui.
- E segundo... - Continue.
Conversei com alguns rapazes e...
e... está se arriscando. E não gostamos disso.
Não sou covarde. Sabe disso.
Mas já nos meteu em cada situação... fiquei apavorado.
- Tem se arriscado demais. - Calado! Continue.
- Sabemos que tem problemas. - Esqueça isso.
Pode não se importar se é baleado, ou não.
Mas nós pensamos diferente.
Nós o respeitamos muito, e você sabe disso.
Mas tem agido como quem quer cometer suicídio.
- Quem pensa que é? - Ouça, Jesse.
Vamos! Revide!
Agora decide tudo?
Quem é você? Líder desse bando?
Quem manda aqui? Eu, você, ou outra pessoa?
Se não sabe quem manda, eu digo! Sou eu!
Eu me entrego à morte se tiver vontade!
Andaram conversando, pelas minhas costas.
Não gostei de saber. Não é assim que eu quero.
Mas, se preferem assim, fiquem à vontade.
Podem conversar de novo, mas lá fora.
Saiam, fora!
Escuta aqui, Jesse.
E você também.
Também ficou contra mim.
Acha que preciso de você? De algum de vocês?
Acham que não reúno mil homens amanhã cedo?
Se acham, estão loucos. Saiam!
Ele age como se estivesse ficando louco.
Está pior a cada dia.
Eu o mato por isso, nem que seja a última coisa.
Esperem por mim no riacho. Quero falar com ele.
O que é?
Em primeiro lugar, saiba que não tenho medo de você.
Nem de suas armas.
Se quer trocar tiros, saque sua arma, eu sacarei também.
Voltou só para dizer isso?
Não. Para avivar sua mente, caso esteja esquecido.
Pode deixar.
Voltei para dizer que é um canalha.
Quer sacar?
Continue.
Você é mau, Jesse. Está pior a cada dia.
Não sei se está enlouquecendo, mas parece.
Desde que voltou de St. Joe.
Dinheiro nenhum no mundo vale o risco que nos tem feito passar...
nos últimos dois anos.
Não agrediria um velho amigo como o Tom...
se estivesse em seu perfeito juízo.
Então, ou está louco, ou é um canalha.
Saque a arma, se quiser.
Pode continuar.
É meu irmão caçula, Jesse. E eu te amo.
Mas nem por isso deixarei que estoure meus miolos.
Ou os seus.
Sei como se sente depois do que houve quando o bebê nasceu.
E sei que não gosta de que falem nisso.
Mas é melhor falar nisso do que ver você se acabando.
Alguém precisava avisá-lo antes que fosse tarde demais.
O que acha que fará a respeito disso?
Desculpe, Frank.
Quer que eu os traga de volta?
- Você pode? - Claro que posso.
Frank...
Muito obrigado.
De nada, meu irmão.
Jesse.
Bob?
Sou eu.
Entre.
Cadê todo mundo?
Voltarão daqui a pouco.
O que há com você?
Nada.
Sente-se.
Não é nada importante.
Fui ver minha esposa.
Eu sei.
- Oi, Bob. - Oi, pessoal.
Oi, Bob.
Desculpe.
Tudo bem, Jesse. Eu entendo.
Concordamos quanto ao banco de Northfield.
Ótimo.
Agiremos à luz do dia.
Northfield fica a 80 km daqui. Iremos na sexta.
Pernoitaremos fora da cidade, e será ao meio-dia de sábado.
Se é tão rico quanto dizem, poderemos largar esta vida.
- Todos de acordo? - Sim, Jesse.
Está bom, muito bom...
- Obrigado. - De nada.
- Sr. Layworth. - Está bem ali.
Obrigado.
Entre.
- Sr. Layworth? - Sim?
Meu cartão.
Prazer sr. Runyan. Em que posso ajudar?
Primeiro, leia isto.
BANCO DE NORTHFIELD SÀBADO AO MEIO-DIA
NÃO ATIREM EM MIM NO CAVALO CINZA
FORD
O que significa?
O bando dos James está vindo para cá.
Para cá? O bando dos James?
O bando dos James! Roubará meu banco?
Exato.
Minha nossa! Irei a falência!
Ele levarão tudo! Tenho US$ 50 mil...
Calma, calminha. Não tem perigo.
- Não vê? Estou aqui. - Mas, mas...
- Ora, primo Bushrod! - Olá, primo Beauregard.
- Olá, primo. Como vai? - Mas que honra!
- Faz tempo que não o vejo. - Vamos ao banco.
Vou trocar dinheiro. E tia Mary Lou? E os gêmeos?
Troque para mim.
Vou pegar dinheiro no cofre. Espere, sim?
- Maldição... - Vamos!
- Força, Tom! - É em vão.
Venha, Jesse!
Precisamos seguir em frente. AgÜente firme, Jesse!
Não há outra saída. Consegue prosseguir?
Jesse!
Depressa. Ele está aqui em algum lugar.
"Dos oito bandidos que tentaram assaltar o banco,
dois morreram e quatro estão presos.
Mas não se tem notícia dos dois líderes.
A polícia informou ontem que Frank James conseguiu escapar.
Mas nada se sabe sobre Jesse James.
Uns acreditam que ele tenha se afogado.
Mas, se ele escapou, deve estar gravemente ferido
e incapacitado de ir muito longe."
Essa maldita e famigerada polícia!
- Roy! - Sim, senhor?
Vou escrever um editorial.
Se ele escapou...
Precisa parar com isso, Zee.
Eu sei.
Ele não é mais o Jesse que conheceu e amou.
Ele morreu há muito tempo.
Eu também gostava dele, mas não deste Jesse mau.
Este Jesse mau, se eu cruzar com ele...
- Se ele escapou. - Não entende? Ele não é bom.
Já disse. Quando é assim, não consegue mais parar.
Não é mais o herói que combatia a ferrovia.
Tornou-se um animal. Não pode amá-lo. Ninguém pode.
Ele fez mal a todos que gostavam dele.
Sem seu bando, não lhe restará um só amigo neste mundo.
Isso também é verdade, não é?
Nenhum amigo no mundo.
Ei, você. Acorda. Chegamos.
Obrigado.
- Fique de bico calado. - Muito obrigado.
- Consegue descer? - Consigo.
- Precisa de ajuda? Não. Eu estou bem.
Certo. Vamos.
Coitado do meu amor...
Coitado do meu amor, tão ferido!
Zee... é você, de verdade?
Sabia que, se você pudesse, viria para cá.
Por isso eu vim. Eu sabia que você viria.
O que restou de mim.
Eu cuidarei de você.
Espere.
Jesse...
Depressa, Pinkie, depressa!
Puxa vida...
É o papai.
Meu filho.
Olha, mãe!
Papai está ferido, mas vai ficar bem.
Puxa vida...
puxa vida mesmo...
Não acha ele enorme para 5 anos?
Zee, já contou a ele alguma coisa sobre mim?
Não, ainda não.
Zee...
É...
É tarde demais?
Nós...
Ainda podemos partir?
Para a Califórnia?
Não é tarde demais.
Iremos assim que ficar bem. Pinkie foi buscar o médico.
Jesse, eu te amo tanto!
O FIM DO BANDO DOS JAMES
ACABA COM TERROR QUE REINAVA NO OESTE
APÓS TRÊS MESES DE BUSCA,
ESTADO ACHA QUE JESSE ESTÀ MORTO
ACREDITAM QUE FRANK TENHA FUGIDO DO PAÍS
Jesse! Não devia fazer isso!
Que nada, estou bem.
Pinkie cuidará de tudo, querido.
Zee!
Está feliz, não?
Você também?
Jesse, queria que fossemos embora hoje... agora mesmo.
- Nada impedirá nossa partida. Espero que não.
Mas estou com medo.
Sentirei medo a cada instante até partirmos.
Ou até chegarmos à Califórnia.
Bem, nós não temos dinheiro. Lembra?
- O que escondi... Não fale mais nisso.
Ganharemos dinheiro, do qual não nos envergonharemos.
- Não me envergonhava... - Pare, já disse.
Sr. Howard.
Sim?
Dois homens vieram vê-lo.
O que eles querem?
Já os conhece.
Está bem.
Ele é humano, não é?
- Olá, Bob. Como vai? - Vou bem. E você?
Ainda tenho balas no corpo, mas não me incomodo.
- Este é meu irmão Charlie. - Olá, Charlie.
Pinkie! Faça um café. - Sim, senhor.
Vamos nos sentar...
- Parece que vieram de longe. - Está quente.
Eu escapei. Não conseguiram me pegar.
Eu e dois que não conhece pulamos um muro.
Como sabe que estou aqui?
Fomos ver o Frank. Ele nos mandou aqui.
Por isso viemos vê-lo.
Como está o Frank? Onde ele está?
Está bem. Está no alto das colinas.
Pretende descer em breve.
Por isso nos mandou aqui.
Jesse!
Vão demorar?
Lembra-se do Bob Ford? Veio com o irmão, Charlie.
Olá, sra. Zee.
Vão demorar muito?
Suba. Não tenha pressa! Subirei num instante.
Frank mandou dizer que, se você tiver forças,
ele quer encontrá-lo. É sobre o banco Platte.
Não. Vou para a Califórnia.
Frank está ansioso.
Lamento. Já decidi.
A cidade nem tem xerife. Dia 17 é dia de pagamento.
Frank tem três homens. Não haverá encrenca.
É entrar e levar.
Não.
Se tem dinheiro de sobra para viver na Califórnia, esqueça.
Não precisa assaltar nenhum banco.
Não tenho dinheiro. Não tenho dinheiro algum.
Frank disse o que mais?
Que é o serviço mais fácil que já viu.
Que basta ficar um dia de tocaia.
De que outro jeito arrumaremos dinheiro?
E estou precisando.
Vai ser mais fácil do que se brotasse do chão.
- Quando é o encontro? - Agora, ele disse.
Pai! Pai! Eu quero entrar! Eu quero entrar!
Pode entrar. Mas pare de gritar.
Frank acha que cada um vai faturar US$ 2 mil.
US$ 2 mil bem que iam me ajudar.
Papai! Papai!
Essa criançada... Só um instante.
Perdão, sr. James.
Howard.
Vai lá fora armado?
Não. Você tem razão.
Não o ferimos, o matamos. Faz parte do jogo.
Mas ele é pequeno. Tenham dó.
Brincamos de fora-da-lei Jesse James tem de morrer.
Eu morri, mas me espetaram com galhos.
Só atirem, não espetem.
Bang! Bang!
É Jesse James Está morto!
Morri.
Até logo, meninos.
Apronte-o. Pegaremos o trem da tarde.
Pinkie levará o que não pudermos levar.
Está de acordo?
Graças a Deus, Jesse.
Desculpe, Bob. Diga a Frank que escreverei da Califórnia.
- Então, não irá conosco? - Exato.
- O que Frank vai dizer? - Não faz diferença.
Não vou encontrá-lo.
Adeus, Charlie. Muito prazer.
Lamento que tenham vindo aqui à toa.
O que diremos ao Frank?
Que vá se encontrar comigo enquanto é tempo.
Sr. Howard! Precisamos nos apressar.
- Pois vamos pra Califórnia - Levando um banjo!
Minha Zee...
- Como posso ajudar? - Pegue o quadro.
Certamente. Zee...
Pois vamos pra Califórnia no trem desta tarde.
Jesse!
Pinkie!
Oh, Jesse...
Jesse!
Oh, Jesse...
Não resta dúvida. Jesse era um fora-da-lei.
Um bandido, um criminoso.
Mesmo os que o amavam não questionam isso.
Mas não sentíamos vergonha dele.
Não sei por quê, mas nem mesmo a América se envergonha dele.
Talvez seja porque ele era corajoso e destemido...
como todos nós gostamos de ser às vezes.
Talvez seja porque consigamos entender...
que a culpa não era só dele. Ele foi fruto de uma época.
Talvez porque durante dez anos ele percorreu cinco estados!
Ou talvez porque ele era muito bom no que fazia.
Não sei.
Só sei que foi o caubói mais cafajeste e famigerado...
mais infeliz, mais desgraçado e maldito...
que já foi visto por estas bandas dos Estados Unidos da América!
"Em lembrança do amado Jesse W. James,
morto a 3 de abril de 1882,
assassinado por um traidor covarde,
cujo nome nem merece aparecer aqui."
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