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FULL MOON OF THE VIRGINS
Poderia ser? E se for o mesmo anel?
"E a maioria dos seus estranhos e diabólicos poderes...
"foram atribuídos a esse misterioso anel,
"que deu a ele poderes...
"poderes extraordinários, sobrenaturais,
"não apenas sobre criaturas de sua própria natureza curiosa,
"mas também sobre a humanidade.
"Havia uma brilhante pedra vermelho-sangue em cima do anel,
"e quando a luz da lua cheia atingia sua superfície,
"estranhos e misteriosos fenômenos ocorriam.
"E as sinistras criaturas noturnas espreitando nas sombras...
"teriam seu banquete negro."
"Numa meia-noite agreste,
"quando eu lia, lento e triste,
"Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais..."
Edgar Allan Poe.
Um escritor do mundo novo que está na moda.
Seu estilo mórbido deve lhe agradar, Karl.
Mas você nunca se cansa de ponderar, meu amigo?
Franz, creio ter feito uma descoberta importante.
Espero que seja importante o suficiente para cobrir minhas dívidas de jogo.
A senhora sorte não foi gentil comigo esta noite.
Estou falando do anel dos Nibelungos há muito tempo perdido.
Creio ter descoberto seu paradeiro.
O anel dos Nibelungos? Pensei que existisse apenas na ópera de Wagner.
O conhaque acabou.
A lenda é muito mais antiga.
Yelda falou sobre isso em 200 a.C.
Assim como Talfo em 1300.
E aqui, Sinésio, o grego, diz...
que quem possuir o anel terá poder sobre toda a humanidade...
se estiver disposto a renunciar ao amor.
É um preço bem alto a se pagar.
Considera-se que tenha passado pelas mãos...
de algumas das mais poderosas personalidades históricas:
Alexandre, o Grande, Genghis Khan,
Átila, o Huno, Ivan, o Terrível...
Schiller, o arqueólogo.
Você pode rir, mas estou convencido de que existe de verdade...
e eu pretendo encontrá-lo.
Pense nisso, Franz. O anel dos Nibelungos. Já decidi. Vou partir amanhã de manhã.
Voce não perde tempo.
E como esse magnífico tesouro se parece?
"O anel é singular em seu aspecto, o círculo feito de ouro comum,
"mas com uma enorme pedra que, embora similar ao rubi em aparência,
"é composta por uma substância distinta de qualquer outra encontrada na Terra."
De acordo com uma velha teoria, a pedra se desprendeu de um antigo meteorito...
- que caiu nos Montes Cárpatos. - Imagino que seja muito valioso.
Inestimável.
Um colecionador pagaria milhões para obtê-lo.
Mas se eu o encontrar, nunca o deixarei cair em mãos privadas.
É demasiado perigoso para a humanidade.
Não, eu iria doá-lo ao museu de arqueologia em Karlstein,
onde ele seria colocado em exposição...
como uma das mais importantes descobertas arqueológicas de todos os tempos.
Irmão, sua generosidade me choca.
Aposto que você vai sair à procura desse antigo meteorito.
Onde você disse que era? Nos Montes Cárpatos?
Sim, na Transilvânia.
Na Transilvânia?
Mas essa é a região dos vampiros!
Você não ouviu a respeito dessas criaturas sugadoras de sangue?
Eliphas, em seu livro de mistérios, descreve-os dessa forma:
"Sine morte mortuus, sine vita vivens..."
"Morto sem morte, vivo sem vida."
Você não tem medo de ser mordido no pescoço?
Eu nunca excluo nenhuma possibilidade, então, irei bem protegido.
Encontrei esse amuleto durante minha expedição no Vale dos Reis.
No Egito, ele era usado em homenagem à divindade demoníaca Pazuzu.
Ele protege seu portador contra toda a forma de mal sobrenatural.
Eu imagino que isso também inclua vampiros.
Se é que eles existem. Bem, é melhor eu descansar para a viagem. Boa noite.
Onde exatamente na Transilvânia você vai?
No caso de eu precisar resgatá-lo.
Na proximidades de um povoado chamado Ladracu.
No castelo de Drácula, para ser mais exato.
Boa noite.
Uma cerveja grande.
Para levantar meu ânimo depois de uma longa e cansativa viagem.
- E uma boa cama. - Você quer comer?
Uma cerveja grande e uma cama macia.
Já volto.
Ei, você! Você é novo por aqui, não é?
- O que o traz a esses lados, forasteiro? - Negócios.
Particularmente nessa época?
Estou fazendo uma pesquisa para meus estudos.
Aqui, em Ladracu?
No castelo de Drácula.
E então? Meu quarto?
Minha filha lhe mostrará o caminho, senhor.
Aqueles jovens lá embaixo são muito estranhos. Todo mundo é assim em Ladracu?
Não estamos acostumados a ver estranhos por aqui.
Você quer dizer estranhos que vêm para visitar o castelo de Drácula?
Sempre ou apenas os que vêm durante essa época em particular?
Ambos, mas especialmente agora.
Por que? É temporada de vampiros?
- Eu... - Bem...
pelo que você sabe, eu poderia ser um vampiro.
Desculpe-me, eu não quis lhe assustar.
Eu simplesmente não consigo levar a sério essas histórias.
Eu, na verdade, também não acredito nelas. Mas...
a noite de amanhã é conhecida como a lua cheia das virgens...
e todos em Ladracu estão um pouco nervosos.
- A lua cheia das virgens? - Sim!
Dizem que ocorre a cada 50 anos.
Na primeira lua cheia do solstício de verão,
cinco garotas virgens são escolhidas e chamadas ao castelo.
Escolhidas? E quem as escolhe?
Ninguém sabe. Apenas acontece.
Elas saem no meio da noite e jamais retornam à aldeia.
- Dizem que coisas horríveis acontecem. - Mas você não acredita nessa lenda?
Não, eu não acredito. Mas todos os idosos da aldeia juram ser verdade.
Então, eu cheguei bem a tempo de apreciar a festa.
- Você faz piada. - E você está preocupada.
Queria poder ajudar.
Você tem mesmo que ir àquele castelo horrível?
Eu não tenho nada a temer.
Está vendo esse amuleto?
É mágico.
Tudo o que tenho que fazer é...
colocá-lo em volta do pescoço...
e estou protegido contra todo tipo de monstros malignos.
E levando em conta que eles só estão interessados em virgens...
estou duplamente protegido.
Talvez eu esteja sendo egoísta.
Estou preocupado com a minha segurança...
quando deveria me preocupar com a sua.
Tem alguém em casa?
Sim?
Desculpe-me, não vi você.
Perdoe minha intromissão, mas estou ansioso para ver o castelo.
Estou visitando castelos na Transilvânia em razão de meus estudos em arquitetura...
e eu...
Perdoe-me, sou o Dr. Schiller. Dr. Franz Schiller.
Por aqui.
Interessante.
A Condessa Dolingen de Vries está fora.
Você sabe quando ela volta?
Talvez dentro de algumas horas,
ou talvez mais tarde,
ou talvez esta noite.
Mas...
Talvez.
Seus estudos em arquitetura sempre começam com uma inspeção na cripta ancestral,
Dr. Schiller?
Você deve ser a Condessa Dolingen De Vries, eu presumo?
Sou.
Perdoe-me, mas eu acabei parando na cripta por acidente.
- Por acidente? - Eu estava seguindo uma...
O que?
Um tipo de sombra.
Verdade? E de quem era?
Não tenho certeza.
Você normalmente vaga pela noite perseguindo sombras?
Condessa,
esta manhã encontrei uma mulher que me pediu para permanecer aqui até seu retorno.
No entanto, há pouco tempo, enquanto eu estava caminhando,
encontrei essa mesma mulher morta.
Você está falando de minha governanta? Sim, ela frequentemente aparenta isso.
Você não entende. Acabei de encontrar o cadáver dela em uma sepultura aberta.
Creio que a lenda deste castelo pregou uma peça em você.
Ela estimulou demais sua imaginação.
Não concorda, Lara?
Como pode ver, Dr. Schiller, ela está bem viva.
Embora sua conduta realmente perturbe desconhecidos às vezes.
Quando a conheci, eu disse que ela tinha a aura de um zumbi.
Mas ela não riu, pobrezinha.
Lara nunca ri.
Infelizmente, ela não tem senso de humor.
Lara, por favor, coloque mais um lugar na mesa.
Você vai ficar para o jantar, não vai, Dr. Schiller?
Sim, é claro.
Não é estranho viver aqui,
no mesmo castelo que pertenceu ao diabólico Conde Drácula?
Asseguro-lhe que isso não tem qualquer efeito sobre mim.
Na verdade, eu me sinto muito à vontade aqui.
Perdoe-me, parece que cometi uma gafe.
Você é parente do Conde?
Não tenha medo.
De um modo estranho, eu sou grata ao Conde Drácula,
pois, graças à sua reputação sombria, eu fui capaz de comprar este castelo...
por uma quantia muito modesta.
Ainda assim, eu me pergunto como pode uma mulher...
tão fascinante e graciosa como você...
desperdiçar sua beleza nos confins dessas paredes melancólicas.
O mundo lá fora tem tanto a lhe oferecer.
- O que? Festas,
danças...
e outras futilidades mundanas?
Não.
Ele não pode me oferecer mais do que aquilo que eu já tenho.
A paz e o sossego.
Essa maravilhosa sensação de solidão e tranquilidade eterna...
que impregna a tudo neste castelo.
Isso me faz sentir mais viva, e mais sensível...
a certas sensações, certas coisas...
que eu não sentiria no que você chama de mundo lá fora.
- Agora você entende? - Sim, eu entendo,
mas receio que eu jamais poderia renunciar ao que você chama de futilidades mundanas.
Confesso que me proporcionam muito prazer.
Quem sabe que prazeres você poderia encontrar se experimentasse.
Não, obrigada.
Receio que todo esse vinho esteja fazendo minha cabeça girar.
Minha cabeça está girando também,
mas não é por causa do vinho.
Dr. Schiller, você tem uma maneira estranha.
Imagino que as mulheres o achem irresistível, não é?
Você me acha?
Certamente.
Mas talvez não do mesmo jeito que as outras.
Como, então?
De um jeito diferente.
Minha querida Condessa...
todas as outras mulheres em minha vida são como...
tantas damas da noite comparadas a você.
Mas eu também sou, à minha maneira,
uma dama da noite.
Eu nunca conheci uma mulher como você.
Franz...
Com licença, pode me dizer como chegar ao castelo?
Obrigado.
Perdoe-me, parece que eu a assustei.
Não, é que não estamos acostumados a receber visitas no castelo.
Ou talvez vocês não estejam acostumados e receber dois visitantes no mesmo dia?
Perdoe-me se parece presunção,
mas sua reação é uma que conheço muito bem.
Quer dizer que meu irmão gêmeo, Franz Schiller, esteve aqui.
Posso vê-lo?
Sou Karl Schiller.
Siga-me.
Seu irmão realmente esteve aqui,
mas ele já partiu.
Isso é estranho. Deveríamos nos encontrar aqui.
Verdade?
Sr. Schiller, sua semelhança com Franz é extraordinária.
Sim, eu sei. Frequentemente...
Achei o comportamento de seu irmão estranho.
Certamente muito impróprio para um cavalheiro.
Após ter explorado o castelo o dia todo,
do sótão ao porão, para seus estudos em arquitetura...
- Estudos em arquitetura? - Foi o que ele disse.
E então, sem qualquer agradecimento pela hospitalidade concedida a ele,
ele se foi. Repentinamente.
Certamente não se parece com Franz.
Para onde ele foi?
Uma dama pode ser perdoada por sua curiosidade,
mas não por sua indiscrição.
Como eu lhe disse, ele partiu sem dizer qualquer palavra.
Admito que fiquei bastante ofendida.
Mas a inesperada chegada de seu irmão gêmeo...
está tendo um efeito muito apaziguador sobre mim.
Você vai ficar aqui esta noite, não vai, Sr. Schiller?
Nem que seja apenas para recuperar...
o cavalheirismo e a honra de sua família.
Apenas para me retratar.
Franz, o amuleto! O amuleto vai lhe salvar!
Você não precisa se preocupar com seu irmão.
Espero que tenha gostado do jantar. E tenho certeza de que encontrará seu irmão.
Tenho certeza disso.
- Boa noite, Sr. Schiller. - Boa noite.
Você tem ideia de como foi parar naquela cripta?
E qual é a última coisa da qual lembra?
Eu lembro de vê-lo subindo as escadas.
Tentei chamar você...
e nada.
Alguém deve ter me golpeado na cabeça. É só isso que eu sei.
Franz, onde está o amuleto?
Onde está o amuleto?
- Não estou com ele. - O que quer dizer com isso?
Você o pegou de mim, não foi? O que fez com ele?
Acho que o deixei na pousada.
Sim, eu lembro de ter mostrado para a filha do dono.
Uma bela garota.
Como você pode ser tão descuidado? Não percebe que sem ele nós podemos...
corremos o risco de ser...
transformados em vampiros?
Franz!
Franz, é a Tanya. Eu lhe trouxe uma coisa.
Você deixou isso no seu quarto. É seu amuleto.
Espere aí, já estou descendo.
Franz!
Você está magnífico nesse traje, Franz.
Você é a reencarnação de meu marido.
Conde Drácula?
Sim, eu posso sentir.
Eu me sinto diferente.
Não mais como a mim mesmo,
mas como ele.
É como se ele tivesse me possuído.
Ele possuiu, meu amado.
Você tomou o lugar dele, mas somente porque ele assim o deseja.
Sua inesperada chegada aqui hoje...
foi essencial para a continuação do que deve ser!
E o que é isso, meu amor?
Não seja impaciente.
Nessa mesma noite, após nosso casamento,
você saberá tudo.
E o maior poder que existe será seu...
para compartilhar comigo.
Sim, isso também, meu amor.
Está quase na hora. Devo estar presente no rito cerimonial que iniciará nosso casamento.
Meus discípulos estão esperando por mim.
O que eu tenho que fazer?
Eu o guiarei.
Agora descanse. Eu o chamarei quando a hora chegar.
Franz, você foi ótimo.
Eu ouvi tudo.
Sua performance foi notável!
Admito que quase me enganou por um momento. Conde Drácula.
Astaroph!
Ajude-nos.
Ajude-nos.
Asmodeus, invocamos a ti.
Essas chamas são em tua honra.
Oh, grande deus Baal!
Satã... Satã!
Oferecemos a ti o sangue carnal das virgens.
- Então você aprova? - Claro.
- Exceto por uma coisa. - Sim, o que é?
A cerimônia de casamento.
Espero que você não pretenda seguir com isso, não é?
- Receio que eu precise. - Não será necessário.
Creio que tenho uma solução melhor.
- Não, essa é a melhor solução. - Você não está falando sério.
Pode ser perigoso.
- Estou preparado para assumir o risco. - Mas você não precisa.
Mas eu quero.
E quero que você seja meu padrinho.
Depois que a cerimônia nupcial acabar,
os demônios vão se juntar às suas novas noivas em seus caixões.
Eles não estarão entre nós até o advento da próxima Missa Negra.
É hora do sacrifício final, o mais importante.
Aquele que finalmente irá consagrar nossa união.
E eu quero que você tenha essa honra.
Oh, grandes deuses poderosos...
Enquanto recuamos no ventre das trevas,
nos alimentando eternamente de sangue, oferecemos a ti nesta noite...
o supremo sacrifício!
Ele é um impostor.
Deve ser punido.
Isso não o ajudou antes.
Espero que lhe ajude agora.
Posso ver o anel?
É realmente tão importante quanto dizem?
Sim, é importante.
Mas não tanto quanto a vida de meu irmão.
Eu gostava muito de seu irmão, Karl.
Ele era legal. Mas eu gosto de você...
muito mais.
Tradução: Midnight
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