All language subtitles for Dry Martina (2018)

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Original subtitles

NETFLIX APRESENTA

Lá vais

Bato-te a porta, não te quero mais

Lá vais

Esvaneces pelas sombras E lá murcharás

Rezas, imploras

Por mais uma oportunidade

Quando voltares para mim Uma parede hás de encontrar

E enganas-te se pensas

Que essa fronteira vais cruzar

A minha maldição vai encontrar-te Não há volta atrás

Desde que partiste

Não há nada que possas mudar

Sou imortal, mas não como tu, Que a morte há de levar

Pensas que sofres

Mas és tu quem provoca essa dor

Vais partir sem nada

Sem os teus olhos

Nem a memória dos meus

Eu fico com tudo

Lá vais

Bato-te a porta, não te quero mais

Lá vais

Esvaneces

Rezas, imploras

- Por mais uma oportunidade - Fran. O que se passa?

Martina, abra a porta. Por favor. Abra.

- Não podes ir embora assim! - Praça Itália.

- Volta para dentro, Martina. Por favor! - Por favor!

- Porra, Martina! - Por favor. Vim do Chile!

O que aconteceu?

Nada.

Precisas de alguma coisa?

- Sai, Juan. Sai. - Vá lá.

Não. Larga.

Faz um esforço.

Estás a fazer isto mal.

Agora a culpa é minha?

Arenita.

Olá.

- Olá. - O que se passa?

Ela roça-se em tudo. Passa o dia com o pito aos saltos.

No outro dia, roçou-se toda na minha almofada.

Deixou-a toda molhada. Toda.

E a senhora, como está?

Tudo bem?

Voltei a cantar à noite.

Umas canções da mãe.

Uma, aliás.

Metade, vá.

Fez-me voltar a cantar, e logo as canções da mãe.

Tenho de matar o Juan.

Depois tentámos foder e não deu em nada.

Está a tornar-se crónico.

Já tentei com gajos mesmo bons, mas esquece.

Não há nada a fazer.

Nada.

A fonte secou.

Estão a esterilizar a tua neta.

Já não aguentava mais. Ou a castrava ou matava-a.

Daqui a três horas, está pronta.

Hoje, fazes-me tu companhia. Pode ser?

Já está?

Tivemos um problema.

Se a gata bateu a bota, pego fogo a isto tudo.

E se tiver fugido?

Juan. Drama.

A Arenita fugiu.

Preciso que desenhes um cartaz. Qualquer coisa que chame a atenção.

Com muita cor.

Mas que meta pena, está bem? Chamativo, mas sem exageros.

Daqui a pouco envio-te umas fotos, mas despacha-te.

Envia-mos assim que puderes.

Obrigada por aceitares.

- Olá! Como está? - O que é que quer?

- Temos de falar. - Vá-se embora ou chamo a Polícia.

Tenho a sua gata.

Olá. Chamo-me Francisca.

Onde está a minha gata?

Estávamos a dormir a sesta na praça

e acordámos com a sua gata a esfregar-se no meu pombinho.

- Que merda de palavra. - Qual?

- "Pombinho". - Bem, é mais meu ex.

- E onde é que está? - Num bar.

A gata, querida. Onde está?

Num bar com o meu pombinho.

- Não está aqui porquê? - Porque temos de falar.

- Temos de falar sobre o quê? - Sobre nós.

Conto-lhe lá em cima.

- Em minha casa? - Sim.

- Não. - É importante.

Gosta de vinho chileno?

Não bebo vinho, bebo uísque.

Gosta de vinho chileno e do de San Juan.

- Treta. - Se não subir, não há gata.

JULIANA OS MELHORES ÊXITOS

Pelo menos é bom.

No Chile, vinho com Coca-Cola chama-se jote.

É nojento.

Tinha dito um copo. Vá, desembucha.

Senta-te como deve ser.

Vá. É importante.

Então...

A questão é que...

Somos irmãs.

- Onde está a minha gata? - Ouve.

O meu pai viveu em Buenos Aires e teve uma filha que nunca conheceu.

Um dia gabou-se de ter tido um caso com a tua mãe.

Eu não acreditei porque ele é horrível e a Juliana é...

É o quê?

Não. É uma mulher normal.

Há uma foto deles em que estão muito felizes

e tu entras nela.

Mas, como sou burra, deixei-a no Chile.

Mas somos muito parecidas.

Éramos iguais em crianças.

Queria pedir-te para vires comigo ao Chile para tirar a prova dos nove.

Mas tenho a certeza de que somos irmãs.

Olha.

Está aqui tudo. Foi o meu pai que escreveu.

O nosso pai, aliás.

Onde está a minha gata?

O meu pai e a tua mãe tiveram um caso e tiveram-te a ti,

mas ele nunca soube.

Enfia o livro no cu e desanda daqui.

- Acalma-te. - Quero que vás embora.

Está bem? Vai.

- Podes passar isto na boca? - O que é isso?

- É para ver o ADN. - Que ADN?

Vá, desanda.

O meu namorado tem de trazer a gata.

Então liga-lhe. Liga.

Como é que é? É 54...

Dá-me isso e o número dele.

Vá lá. Por favor? Vá.

Dá-lhe a merda da gata. Vamos voltar para casa.

E o jogo?

Quero lá saber do jogo!

Esteve excitada o dia todo.

Tome.

A senhora foi incrível na outra noite.

Até inventei uma frase para si.

Diga.

É um bocado lamechas.

Diga lá.

"Quem precisa de voz, quando temos a sua?"

- Lamechas. - Sou um tipo lamechas.

Se te pões a andar és é um filho da puta.

Então?

Devias vir comigo em vez de ires a um jogo.

Vim à Argentina para ver o jogo. Que te deu?

Não podem adiantá-lo?

Vou ligar à FIFA para poderes voltar para casa mais cedo.

Idiota!

- Fran, o que foi? - Otário.

Olá, filho da puta lamechas.

Não, não. Desculpe.

Ligou-me um chileno deste número e eu queria...

Mas sabe onde ele está? Tem um...?

Emprestas o telefone a um gajo que não sabes quem é?

Certo. Não. Adeus.

Confio nas reações naturais da minha cona.

Sempre lhe fui fiel.

Aqueles remédios e análises todas...

Só precisava de o ver uma vez.

Ele é divinal, pai.

Como fiquei excitada...

Estou a pensar ir ao Chile assim à campeã.

O que me dizes?

Não percebo. O que significa isto? O que é?

Rodriguez, troca no quarto seis.

- O que está a fazer? - É caro tê-lo assim.

O dinheiro é meu.

E não pode estar aí a espiar.

Desculpe. Como a porta estava aberta, entrei.

Ele não a ouve. Olhe só para ele.

Não se meta na minha vida. O pai é meu.

CENTRO CULTURAL MATTA EMBAIXADA DO CHILE

- Bom dia. - Olá.

Queria ver os registos de todos os chilenos

que entraram no país na última semana.

Isto é o centro cultural, minha senhora. A embaixada é ao virar da esquina.

- Eles terão isso? - Duvido.

Terá de ligar para a Imigração.

- Pois. Que estúpida. - Ninguém disse isso.

Aliás, se me permitir,

diria que os chilenos que cá vieram esta semana

devem estar agora no estádio.

Golo!

Sim, parece-me bem. Mas vamos beber uma cerveja primeiro?

Chileno!

Então...

Vão andando. Já vos apanho.

- Como estás? - Olá.

- Estavas no estádio? - Sim.

Não sabia que gostavas de futebol.

Não sabes nada sobre mim.

Sei que gostas de vir bonita ao estádio.

Que lamechas.

Queres ouvir uma boa?

Eu digo-te e tu decides se é boa ou má.

Diz-me e eu digo-te.

Já não és minha cunhada.

- O que aconteceu? - Sorriste. Então foi boa.

- A miúda era um bocado maluca. - Não é muito fácil de perceber.

Mas as miúdas são todas assim, ou não?

Nem todas são difíceis.

- Não pareces ser difícil. - De perceber, talvez.

Isso não é mau. Sou apetecível.

Nunca vi ninguém tão apetecível.

Que vais fazer agora?

- Que vais fazer agora? - Não perdes tempo. Boa, gosto disso.

Tenho uma festa com amigos.

Seria mais fácil se me pagasses um copo. Ou um jantar.

Podemos ir comer piza.

- Não gosto de piza. - Então e sushi?

- O quê? - Sushi. Gostas de sushi?

- Meu! - Que foi?

Não digas "sh".

Chamo-me César.

Que lindo.

Obrigado. Oiço isso muitas vezes.

- És é estúpido. - E muito.

Meteste-te comigo no outro dia e eu não fiz nada.

Mas no outro dia foste querido.

Quando estás calado, és bonito. Esse César eu comia.

Este, não sei.

Não sei se foi um olhar de esfomeada.

Não? Não pensaste: "Esta 'gaija' quer foder-me?"

Não dizemos "foder". E "gaija" é gaja.

Não sei. Podias dizer manjarcito, por exemplo.

Manjarcito?

Doce de leite chileno.

Não pensaste que este doce de leite te queria foder?

Não. Sabes, eu sou muito humilde.

E muito burro.

Quem és tu para me chamares burro?

Foi um elogio.

Aonde vamos?

Vamos comer sushi.

- Desculpa, desculpa. - Não faz mal.

Não quero ser mandona, mas até quando pensas ficar aqui?

- Tenho voo esta noite. - Vais perdê-lo.

Como assim?

Compro-te outro bilhete e como-te todo.

Tenho uma semana.

Duas? Não tens duas?

Não. Tenho trabalho.

- Trabalhas? - Sim.

Sou estagiário. Jornalista desportivo.

Olha que aborrecido. Vou comprar o bilhete.

Olá, Juan.

- Posso entrar? - Estamos bem aqui.

Afixei-os em todo o lado.

Ela já apareceu. Obrigada.

- Como estás? - Estou bem.

- Estou bem. - Ando preocupado contigo.

Não respondes às mensagens, não ligas.

Tens razão.

Se quiseres cancelar, tenho aqui os papéis.

- Trouxeste-os contigo? - Sim.

Vamos perder muito dinheiro.

Vou pensar durante a semana e depois digo-te alguma coisa.

O que vai acontecer esta semana?

Vão acontecer coisas lindas.

Olá. Aonde vais?

Vou buscar as minhas malas.

Está bem. Já comprei o bilhete.

- Boa. Qual é a estação mais próxima? - A da Praça Itália.

César, este é o Juan.

- Prazer. - Como estás?

É onde vivo no Chile. Podes ficar comigo.

Não devo ir ao Chile.

- Dá-me o teu número, caso vás. - Toma.

Tem os dados dela todos.

Boa. Depois digo-te alguma coisa.

Adeus.

- Adeus. - Ia levando a foto.

És parecida com a Fran. Um bocadinho.

- Adeus. - Adeus.

- O que foi isto? - A semana de que te falei.

- Uma semana de 15 anos. - Cala-te.

E sorri. A tua artista está feliz.

Vai abrir-lhe a porta. E tira os cartazes, está bem?

Faz isso. Vá, por favor.

És o maior. Adoro-te.

- Pois sim. - És o meu favorito. Obrigada.

Olá. Como estás?

Aconteceu uma coisa.

Vou ter de apanhar o voo de hoje.

Desculpa, não arranjei Internet até chegar ao aeroporto.

Ainda bem que têm Wi-Fi aqui.

Tive uma noite incrível.

- Obrigada. - De nada.

Estás perdida?

- Não. Porquê? - Pareces perdida.

Por acaso, conheces um César?

Tem vinte e poucos, uns lábios lindos.

- Cabelo castanho. - Santiago não é assim tão pequena.

Liga-lhe.

- Quero fazer-lhe uma surpresa. - Vai a casa dele.

Não tenho a morada.

Por acaso não acabaste de chegar da Argentina?

Vim de Buenos Aires de surpresa, ansiosa.

- Isso não é bom. - A sério?

- O quê? - O que disseste.

- Que disse eu? - Queres libertar ansiedade?

Eu disse isso?

Foda-se.

És seca.

E tu és péssimo.

No Chile, "seca" significa "espetacular".

- Diz uma coisa seca que seja espetacular. - Deixa ver.

Buenos Aires tem um clima húmido. É horrível, não é?

Santiago é seca. Espetacular.

Não sei.

O meu cabelo detesta este clima. Não tens outro?

Olá, boa tarde.

É dos correios. Temos uma encomenda para si.

Sim. Precisamos de confirmar a sua morada.

Da Argentina.

Não, não faço ideia do que é.

Excelente. Dá-me a sua morada?

Certo.

Excelente. Sim, conheço a zona. Vai estar em casa?

Estou aí dentro de umas horas.

Muito obrigado. Desejamos-lhe uma boa tarde.

Sim. Sem problema. Certo.

Estás perto.

Desces, dois quarteirões por ali e um para cima.

"Espetacular."

- Bom dia. Vou ao... - Entre, menina.

Obrigada.

Olá.

O que é isto?

Abandonaste-me, agora levas comigo. É só isso.

Isso foi mesmo à maluca, não?

À maluca, não. É romântico.

Como soubeste a minha morada?

Pelos correios.

És tramada.

Dizer isso num segundo encontro é uma treta,

mas, quando se força o segundo, então é mesmo mau.

Mas pronto. Olá.

Espera, estou a cozinhar.

Vim fazer duas coisas ao Chile.

Comer-te a ti e comer marisco. Que coincidência.

Vais ficar aqui?

Claro.

Está bem, podes ficar, mas tens de voltar mais logo.

Porquê?

Porque a Fran vem aí.

Reconciliaram-se?

Não. É minha ex, mas somos amigos.

Pois, "amigos".

Está bem. Vou-me embora durante umas horas.

Só por um bocado. Não sou maluca.

Mas vou impor umas condições.

Diz lá.

Já vou!

- Não a comas. - Está bem.

Vai para o quarto. Eu levo-a a comer e já volto.

Quem pensas que sou, chavalo?

- Por favor. - Está bem.

Pronto.

Olá.

Está tudo?

Só queria saber como estás.

Triste e miserável.

Por causa de nós?

Não, César.

O que cozinhaste para mim?

Nada. Estava a pensar em irmos comer fora.

Até reservei mesa.

Porque é que reservaste? És algum cota?

Vamos.

Convenceste-a?

Sim.

Queres ir agora?

- Onde? - Conhecer o meu pai.

- Isto está muito bom. - A comida dele é maravilhosa.

Queres?

Por acaso, não. Obrigada.

Foda-se, para o caralho!

Calma.

Como assim? Vou devagar.

Acalma-te emocionalmente e guarda o telemóvel.

Faz sempre a mesma coisa. Não me responde no WhatsApp.

- Deixa-me só os vistos azuis. - Ele "vistou-te".

Os argentinos é que sabem falar. Têm uma palavra para tudo.

É assim que se diz a coisa. "Vistou-me". Sim.

E o César "vistou-te"?

Não. Ele não fazia isso, mesmo que andasse com outra.

Então quem foi?

Outro gajo.

E tu e o César?

Continuam juntos?

Mais separados do que juntos, mas não completamente.

Como assim?

Não aceita o facto de termos acabado.

Tenho pena dele. Cozinha bem. Confunde-se com tudo.

Mas vamos falar de coisas bonitas. Vamos ser irmãs.

E o César não é bonito?

De algo com amor-próprio.

Está bem. Fala-me do teu pai.

Ele não tem amor-próprio.

- Fala-me de ti. - Tenho tendências suicidas.

Não te rias. É verdade.

- Conta-me outra coisa. - Sou tua fã desde os 13 anos.

Desde o "Rapazes, Não Enlouqueçam que Gosto de Vocês Diferentes."

- Que título bom. - Inventei-o.

Eu sei. És uma gaja genial.

Esta é a minha música favorita.

- Detesto-a. - Eu adoro-a.

Detesto-a.

Eu adoro-a.

- Detesto-a. - Eu adoro-a e o carro é meu.

- E a música é minha. - Comprei-a.

O dia todo na cama

Atende

Atende as minhas chamadas

Até que saia o Sol

Quero ouvir a tua voz

Desde ontem, não aguento mais

Repete a chamada

Repete a chamada

Não aguento mais

Fran, vem aqui imediatamente!

Espera aqui. Vais acabar por adorá-lo.

- Fran! - Estou a ir!

Dá-me as chaves do carro.

Quantas cópias tens? É a quinta que te tiro.

É a mesma. Deixas na entrada.

Não é a mesma e não deixo na entrada.

- Achas que sou idiota? - Esta é a última que tenho.

- Perguntei se achas que sou idiota. - Cala-te.

Sou idiota e ainda me manda calar.

- Envergonhas-me. - Ainda por cima envergonho-te.

Quero apresentar-te uma pessoa.

Já te disse mil vezes que detesto essa mania de te passares por ianque.

Ora viva. Ignacio Pavez, romancista.

- Encantada. - Entre, por favor.

Sabes quem é?

- Não estou a ver. - Estás, sim. É uma cantora. E?

- Não estou para brincadeiras. - Vá lá, pai. Quem é?

- Não sei quem é. - Canta numa banda ou a solo?

A solo.

Boa. Quem é?

- Não sei, Fran. - Vá lá, pai. Tenta.

Fran, não sei quem é, porra!

É a filha da Juliana. A tua filha abandonada.

- Ela está obcecada por si. - Obcecada por encontrar a minha irmã.

Vá ao quarto dela e vai ver.

Isso não tem nada a ver com isto.

Quero ser a irmã do Woody Allen e, pronto, sou irmã dele.

A vida não é assim, Fran.

A diferença é que o teu pai não pinou com a mãe do Woody Allen.

- Então conheceu a minha mãe? - Ele papou-a toda, miúda.

Fui amigo do seu pai durante a década de 80.

- Também conheceu o meu pai? - Como está o Leonardo?

Está bem.

- Que bom. - Mas está em coma.

- Caramba. Há muito tempo? - Há cerca de um ano.

Não podes falar do Leonardo para ela não pensar que és o pai dela.

Para o quarto ou ligo ao Rosenberg.

- Admite, pelo menos. - Vou ligar-lhe.

A coisa boa que a escrita dele tem é ser autobiográfica.

Sou romancista!

E fecha a matraca, por favor.

Pois porque no livro que escreveu é argentino e agora é ficção.

Não consigo perceber como fui ter uma filha tão ignorante como esta.

Enfim, o ADN fala por si.

Que ADN? Não sejas parva.

Que ADN? Não sejas parva.

Já tenho as amostras.

- Estás a gozar comigo. - Não, foi muito fácil.

O pai baba-se a dormir e tirei um bocado.

E tenho a tua colher.

Deixas-nos a sós por um bocadinho?

Claro. Fico feliz que se conheçam.

Já por duas vezes que me ligaram mulheres que não conhecia

para me insultar por tê-las deixado penduradas.

E o que é que isso tem a ver com a minha mãe?

A Fran abriu-me conta no Tinder.

Achou que a minha vida sexual inexistente era triste

e fez-se passar por mim.

Envergonhou-me tanto nesse dia

que peguei numa foto com a Juliana, a sua mãe,

e disse-lhe que tive um caso com ela.

Passei a ser o ídolo dela.

Disse que eu podia passar o resto da vida a seco

depois de arranjar uma mulher dessas.

Como você aparece na fotografia, ela meteu na cabeça que é minha filha.

Que é irmã dela.

Mas juro que não passou disso.

- E quem é o Rosenberg? - Rosenberg é o psiquiatra dela.

Este ano, já tentou matar-se pela terceira vez.

Estamos em março. Em média, é uma vez por mês.

E o que é que ela fez?

Foi estilo gourmet. Meteu a cabeça dentro do forno.

Tomou uns comprimidos, meteu uma almofada e adormeceu com a cabeça lá dentro.

- Mas abriu o gás? - Sim.

Desculpe, e depois?

O gás estava cortado. Sou um pouco paranoico.

- E ela nunca se deu conta? - Ela diz que não.

Vamos tirar a mão da minha perna, pode ser?

Que mão marota. Não sei como foi aí parar.

- Onde é a casa de banho? - No meu quarto, ao fundo do corredor.

Podes dormir cá, na minha cama, se quiseres.

Nem podre de bêbada ficava.

- Quer que lhe chame um táxi? - Não, eu peço um Cabify.

- Posso dar-te boleia depois. - Não podes sair.

És minha irmã, não minha mãe.

Mas não podes.

Para quê, pai? Porque lhe foste tocar na perna?

É tua filha, homem. Claro que ia ficar chateada.

És linda.

César!

- Pensava que ias direta para lá. - Para onde?

Para o bar, com a Fran.

- Falaste com ela? - Não, mas ela disse que devia ir.

- Ela não vai sair de casa. - Ela foge sempre.

Não interessa. Vá, para a cama.

Tenho de falar com ela. Talvez vá.

- Não podes preferir um "talvez" a mim. - Mas ela não está bem.

Mas ela não vai sair de casa. Nem sequer se põe a hipótese.

Vamos subir. Anda.

- Não queres ir? - Não. Anda, por favor.

Deixei a chave com o porteiro. Volto mais logo.

Está bem?

Tu. Sim, tu. Anda cá.

Anda cá.

Marti! Sou eu!

- Olá. - Onde queres que te leve?

Eu ia às compras.

Fran.

Quem é este?

É o tipo que me "vistou". Chama-se Sam.

- O gato. - O meu gato.

- É o teu chongo. - O que é isso?

Um brinquedo sexual.

E não se pode gostar dele?

Gostar de um chongo é a melhor coisa da vida.

Não há nada que bata isso, miúda.

Conhecemo-nos há três semanas

e, sem contar com Buenos Aires, pinámos a valer.

Adoro "pinar".

É uma palavra ondulante.

"Pinar". Boa.

"Foder" é bem melhor.

"Foder". Também é porreira.

Adoro, Sam. Muito bem.

Mas ele não é um chongo qualquer.

Estudou literatura e é rapper.

Tem um corpo fantástico e o método dele...

Fico louca, não posso ligar, mas, quando é ele,

não atendo para ele não abusar.

Depois culpo-me por acabar por atender.

Diz que nunca me ligou e eu não me lembro de ligar.

Ele diz que liguei e depois vou ver e liguei.

Depois apago essa merda porque é triste para uma...

campeã como eu.

A minha gata.

Não contes nada. O meu pai acha-se liberal, mas é racista.

Vamos fazer uma ménage?

És parvo? Ela é minha irmã.

És a pessoa mais importante da vida dela.

Sim, a Martina. Já te disse mil vezes.

Está sempre a falar de ti.

Viva. Chegámos.

Não vejo o centro comercial.

Ele anda a viajar pela América do Sul e vai-se embora hoje. Estou triste.

Porque não vais com ele?

Porque estás aqui.

Eles têm uma miúda em cada país. É por isso que viajam, acho eu.

Bem, eu seduzo-o outra vez.

E não posso sair do país. O meu pai não me deixa.

Tens autocarros, passas a fronteira...

É fácil.

- Número 51? - O quê?

Número 51.

Ele podia ficar. Seria bom.

- Pediste-lhe? - Estás louca? Não lhe vou pedir.

Isso não faz o meu género. Pedir é que não.

Vim deixar amostras.

Se pagar 120 000, está pronto em quatro dias.

Se pagar mais 40 000, fica pronto em 48 horas.

48 horas.

Tem de preencher esta ficha.

Em baixo pode dizer se quer receber o resultado por correio.

Se quiser, indique o seu email, por favor.

Não me parece que fique enquanto o César for teu namorado.

Ou segundo namorado. Suplente. Não sei.

Ele não se importa com isso.

Tem uma mente muito aberta.

Até queria fazer uma ménage connosco.

E sabia que éramos irmãs. Está-se nas tintas.

Pronto.

Já percebi. Vou acabar com o César de vez.

Mas primeiro vamos às compras. O pai paga.

- É a Fran? - Não.

Juan, nem dois dias passaram. Deixa-te de merdas.

Não te esqueças de pagar as contas, por favor.

Estão a pinar?

Acho que ela foi acabar com ele.

E demora 40 minutos?

Tens ciúmes?

Não.

Talvez.

Está bem. Tenho.

Porque não ficas esta semana e depois vais com ela?

Ela não pediu.

Acho que está a fazer isso agora.

Acho que estão a foder.

Os ciúmes é que te estão a foder.

A marijuana deixa-me paranoico.

A mim faz-me fazer parvoíces.

- Comi-lhe a cabeça toda. - "Comer"?

Conheço essa palavra.

Marti, vens para minha casa.

Que caralho aconteceu?

- Estás a gritar porquê? - Quero saber se o fodeste.

- Não, não fodi. - Então eu fico.

A sério? Quantos dias?

Quantos quiseres. Mas depois vens comigo.

- Adoro essa ideia. - Eu é que te adoro.

Eu também.

Vamos foder.

Vamos a isso.

Posso?

Vou dizer-te uma coisa sobre o amor que vai mudar a tua vida para sempre.

Sabes, quando olho para ti de perto

e estás a sorrir, sinto-me mesmo bem.

A sério. Não sei o que é, mas...

É muito bonito.

Continua, continua.

Não sei, é qualquer coisa que tu tens,

mas também senti isso em Buenos Aires.

És lamechas como o caralho, o teu problema é esse.

Não gostas de estar comigo?

Apanhei um voo internacional para estar contigo. Claro que gosto.

Sou uma máquina ou quê?

Podia dizer que és uma máquina.

Então diz que sou uma máquina.

És muito melhor do que uma máquina.

Foi o melhor sexo da minha vida.

De quantos?

Queres saber com quantos já dormi?

Não. Quero saber a quantos ganhei.

- Isso interessa? - É um número. Não interessa.

É mais complicado do que isso.

É só um número.

Quando era miúda, só me sentia livre na cama.

Estava sempre na cama a foder.

Estás a ver?

Está bem.

E acabei por foder com todos os meus colegas de escola.

- Foi antes de te formares? - Muito antes.

Quantos foram?

Doze.

- Os 12 apóstolos? - Os meus apóstolos.

Avisava-os de que, se contassem, não pinava mais com eles.

Salvei a minha reputação à pala disso.

Mas, ao mesmo tempo, acabei a escola sem dar-me conta de que...

Entrava num autocarro, no metro, num táxi...

Ia comprar qualquer coisa. Não sei.

Ia ao cinema ou dançar.

Fosse onde fosse, acabava sempre por fazer a mesma coisa.

Não conseguia parar.

Não conseguia.

Queria ter uma coisa mais especial, uma relação com alguém.

Eu tentava, mas...

Dez minutos depois, via um tipo e estragava tudo.

Um dia, depois da terapia, encontrei uma gatinha na rua.

Era minúscula, tão querida. Levei-a para casa.

Depois percebi que não era pequena, porque entrou no cio.

E começou a roçar-se nos móveis todos, miava aos berros...

Já não aguentava mais. Só a queria atirar da janela.

Estava a deixar-me maluca.

Não sabia o que fazer.

E como tinha uma etiqueta com um número, liguei para ele,

e apareceu um homem lindo para a buscar

com a piça mais linda que já vi.

Pinámos cinco dias seguidos sem parar.

Sem parar. Ele queria sair, ver um filme ou ir jantar.

E eu só queria continuar a pinar o gajo.

Vivemos juntos dois anos.

Eu era impecável.

Fiel, criativa.

Perdida de amores.

E ele trabalhava numa agência de viagens.

Ele tinha uma colega, uma mulher com 45 anos.

Zarpou com ela.

Casou com ela.

E quando quis voltar a pinar, não consegui.

Estava tão apaixonada por aquela piça,

que me deixou seca para qualquer outra.

Até tu apareceres.

Com esses olhos.

Deixas-me tão molhada.

És muito mais do que uma máquina, vês?

Muito mais.

É só que...

Estou exausto.

Não dormi a noite passada e...

Acho que quero dormir.

Não íamos a um bar?

Vamos a um bar só um bocadinho.

Preferia descansar.

Uma sesta?

Até amanhã.

Se fores sair, trancas a porta?

Está bem.

Obrigado.

Ganhaste a um monte deles, vês?

Lá está ela.

- Olá. Como estás? - Uma merda.

Tenho a solução para os teus problemas.

- Já provaste piscola? - Não.

- Está na hora. - Sim.

- Olá, Sam. - Viva.

A piscola...

Sam, diz: "Francisca, és o amor da minha vida."

"Francisca, és a melhor coisa da minha vida."

Não bebas assim ou vais acabar como ele.

Há que tempos que não ouço isto.

Porquê?

Pela minha sanidade mental.

Foderam o disco todo.

Eu gosto muito. É o mais pessoal.

- Olha o que tenho aqui. - A edição limitada?

Já te disse, sou tua fã.

Vendemos menos de 200.

Venderam 115.

Ele adora esta parte.

"O aniversário da miúda é hoje?"

"Não nos vemos há 21 anos e 9 meses."

"Porque nunca me procuraste?"

"Porque não queria uma filha tua."

"Então porque ficaste com ela?"

- "O Juan convenceu-me." - "Pensa que ela é dele?"

"Não, mas adora-a como se fosse dele."

"Se calhar vou para Santiago. A crise deu cabo de mim."

"Eu mudei-me para viver na praia."

"Não me esqueço dos dez dias que passámos em Mar del Plata."

"Fizemos uma menina linda, mas acho que às vezes me detesta."

- "Quero conhecê-la." - "Não insistas."

"Quero desaparecer contigo por uns dias, como antigamente."

"Nunca mais consegui desfrutar disso."

"Sou um campeão, eu sei."

"Continuas um idiota."

"Calculo que continuas linda. Envia-me fotografias."

"Fotos não, só em carne e osso."

"Quando podes escapar comigo?"

"O Juan já não se esforça por mim.

Só tenho de decidir e vou ter contigo."

"Há quanto tempo não levas no cu?"

Pai, então...

A obsessão com o cu é por ter pila pequena. É clássico.

É tão triste.

"Não faço amor há uns tempos."

"Imagino-me a beijar o teu pescoço,

descendo até ao teu decote, até me encontrar com os teus mamilos,

enquanto acaricio a tua cintura e seguro o teu corpo.

As tuas mãos entram-me saia adentro. Estão frias como as tuas nádegas.

Agarras-me a cabeça e beijas-me."

"Parece tão bom."

- "Estás excitada?" - "Estou a passar a ferro."

"De campeão a perdedor. Estou duro que nem um calhau."

"A conversa não me deixa excitada."

"Final do capítulo."

Vês? É da crise de 2001.

E tu nasceste em 1980. Tinhas 21, como a personagem.

- Quando escreveu ele isto? - Em 2007.

O ano em que a Juliana morreu.

Isso é tão fixe, ser filha da Juliana.

A Juliana fodeu-me a vida.

Como é que ela foi engraçar com o meu pai?

- Pois. - Como é que isso foi acontecer?

O meu pai argentino é mais fachero.

Era. Agora está todo lixado. Mas era.

- Fascista? - Não,fachero quer dizer bonito.

Um homem bonito.

Mas também foi muito fascista comigo.

Não consigo desligá-lo da máquina

porque tenho uma réstia de esperança de que ele acorde

para poder dar cabo dele.

Martina e o seu complexo de Electra.

O meu problema é a minha cona.

A cona do teu pai.

Se o resultado for positivo, vais sentir que somos irmãs?

Não sei.

- Vinhas para o Chile? - Não. Nem pensar.

Mas as pessoas de cá conhecem-te. Serias a maior.

Passam a tua música em festas.

- Treta. - Verdade.

Ninguém me reconheceu na rua.

Bem, amanhã vais ver.

- O que vai acontecer amanhã? - Surpresa.

- Gostas de Martini? - Tens?

- Não. - Então porque ofereceste?

Quem é que ofereceu?

Ciumenta

E triste

Caminho ao ritmo do blues

O meu pilar de luz

Mito da obscuridade

Dizem que alguém entrou

Eu comi

- No seu sangue - Eu me banhei

Dizem as suas gatas que depois

Não voltarão a amar

Ninguém se aproxima de mim

O calor terminou

- Sinto-me tão só - Tão triste e miserável

Sabes que sou um amor

Sou um amor

Dá-me calor

Fran, quero dizer-te uma coisa que...

Pensei a noite toda numa coisa que tenho de te dizer.

O que é?

Não estavas a dormir?

Estava a espiar-te pelas pestanas.

Temos de ir andando, gatinha.

Um segundo, gatinho.

É coisa boa?

Prometes que não te matas, miúda suicida?

Temos de voltar à selva o mais depressa possível.

Posso ficar chateada?

- Esta é a cidade mais feia do mundo. - Ouve, Sam.

Estamos a falar de coisas importantes. Cala-te, por favor.

Cala-te.

Não podes ficar chateada.

Tens de ouvir tudo, absorver e continuar a adorar-me.

Senão, estamos lixadas.

E se ficar chateada?

Finge que não estás.

Está bem.

Apaixonei-me pelo César.

E vim cá por ele, não por ti.

Mas estou a começar a gostar desta coisa de ter família.

- Pinaste com ele? - Sim.

- Foi bom? - Foi.

Pinaste com ele hoje?

Sim.

Olhem. Olhem para ali.

Mas que merda de torre é aquela?

Onde está? Ninguém quer ver a merda do centro comercial.

- Queres ir embora hoje, Sam? - Quero, foda-se.

Vamos.

Vamos os dois. Entra.

- E a Martina? - Sim e eu?

Sai.

- Sai. - Calma.

Sai, puta!

Sai!

Sai, desanda!

- Posso? - Aconteceu alguma coisa?

Não.

- Precisa de alguma coisa? - De dormir.

Foi-se.

E o César? Atendeu?

Nunca está quando se precisa dele.

Há 15 horas que não está online.

De onde é o novo namorado dela?

- É francês. - Pode ser que aprenda literatura.

Ele estudou literatura, por acaso.

Ela parece apaixonada?

- Sim. É bom rapaz. - Que bom, Francisca.

O outro imbecil só vê futebol à frente.

Merda da bola. Ela está online.

Olá, querida. Estás online, estou a ver-te.

Não me ignores. É o pai que está a falar.

Avisa-me quando ouvires esta mensagem.

Adoro-te, meu amor. Beijinhos.

Beijinhos.

"Olha lá, sua fedelha de merda. Não quero saber onde estás.

Assim que tiveres os exames, trazes-mos!

E se me deixares, tenho aqui outra filha.

Bonita, com talento, interessante

e muito mais sensível do que tu."

Não é muito forte?

Não sejas maricas.

Vamos a isso.

Vá lá, Nacho. Força nisso. Está a gravar.

Olha lá, sua fedelha irresponsável! Não quero saber onde estás.

Assim que tiveres os exames, trazes-mos! Percebeste?

Se não mos trouxeres imediatamente,

cancelo-te o cartão de crédito.

Trocaste-me por um cartão de crédito, Nacho.

- É o César. - O que diz ele?

Olá, tio. Tens novidades? Ela respondeu-me e mandou-me à merda.

É capaz de estar no sítio da foto que vou enviar.

O César é teu sobrinho?

Claro que não. São só as tradições estúpidas deste país.

Repete a chamada

Repete a chamada

Não a vejo. Não está aqui.

Eu disse que ele era um imbecil.

- O César. - É um clássico!

Não conheço!

São covers das minhas músicas. A música é minha.

Onde fica a cidade dele?

Essas coisas que só vêm de ti

Fala comigo, conta-me

Não te vou esquecer

Onde está? Não aguento mais

Repete a chamada

Repete a chamada

Repete a chamada

Repete a chamada

Obrigada! Somos as Las Martinis!

- Foram incríveis. Gostei imenso. - Obrigada.

- Adorei. A sério. - Obrigada.

Foram incríveis!

- Olha para o copo meio cheio. - É o que estou a fazer.

Agora está vazio.

Esquece o marisco ou a paneleirice do ceviche.

O prato nacional do Chile é a sandes.

Churrasco italiano, chacarero, cachorro-quente. Genial.

E por falar em génios, leste o meu livro?

Tem mil páginas, Nacho.

Dei uma vista de olhos. Pareceu-me muito autobiográfico.

Biográfico, sim. Auto, não.

Não percebi.

Ela é chilena e ele é argentino.

Não percebi.

Na realidade, o romance é sobre o reencontro online

entre a minha ex-mulher

e o pai da Francisca.

Que és tu.

Não.

Como assim?

A verdade é que, em 1989,

eu e a minha mulher vivíamos em Buenos Aires.

E ela ficou grávida.

Quando recuperámos a democracia no Chile,

ela convenceu-me a voltar.

E, quando chegámos,

ela disse-me que queria fazer um aborto.

Eu não era o pai.

Eu disse-lhe que não.

E que criávamos a criança.

E criámos.

A sério?

- Sim. - E...

Porque não dizes à Francisca que a irmã que ela procura é ela?

Porque tenho medo de que ela deixe de gostar de mim.

Porque havia ela de fazer isso? Cuidaste dela. És o maior.

Ela é complicada.

Então não tens filhos?

De sangue, não.

- Eu podia ser a tua primeira filha. - Biológica.

Olá.

Vamos ver os resultados.

Pai!

Estamos à tua espera!

Já vou! Já vou!

Anda, Marti. Chega para lá.

Chega para lá.

Estás chateada comigo?

Fui eu que dormi com o teu ex.

Mas eu deixei-te sozinha na serra.

Foder com o teu ex foi pior.

Eu fui uma cabra filha da puta bem pior.

Fran, foder um ex é imperdoável.

Treta. Já te perdoei.

Eu também te perdoei.

Perdeste a surpresa por seres má irmã.

As Las Martinis? Eu vi-as.

- A sério? - Sim.

A sério? Que bom. Senti-me mal por não te dizer.

Gostaste delas?

Nem me reconheceram.

Mas, sim, estiveram bem. Foi bom.

Vês? Eu disse-te. As pessoas ouvem a tua música aqui.

Do que estamos à espera, gatinha?

Do meu pai e do fim da caganeira dele!

- Olá, Sam. - Olá, Martina.

Não te vi.

Sou a sombra que revela a verdade.

Estás nervosa?

- Um bocado, sim. - Eu estou a passar-me.

Já está.

- Nós temos de falar mais logo. - Cala-te, pai. Vamos ao que interessa.

Sam, por favor.

- Vamos a isto. - É o teu namorado?

Eu apresento-to mais logo. Está bem?

Martina, disseste-me que ele era francês.

- Onde foste buscar essa ideia? - O amor não tem país.

Que lamechice. "O amor não tem país."

Lamechice porquê?

O que é que isso interessa? Por favor!

Sam, vamos a isso.

Preparados?

- Sim. - Oui.

EXCLUIR

- Que é aquilo? - Excluem-se.

- Sim, mas o que quer isso dizer? - Pai?

- Vá lá, pai. Porra. - Não, Francisca.

Não sou pai dela.

- Francisca, querida. - Deixa-me em paz, pai!

- Querida. - Deixa-me em paz!

Não sejas assim, Fran.

Juan, se me voltas a ligar, atiro o telemóvel pela janela.

Dá-me um pouco de amor.

Só um bocadinho.

Dá-me amor.

Só um bocadinho.

O que estás a fazer aqui?

Não quero.

- Mais uma vez e vou-me embora de vez. - Não posso.

Por favor. Eu faço tudo. Não tens de fazer nada.

Deixei as tuas coisas à entrada.

Adeus.

Claro, mas ontem não tinha de viajar.

E, agora, preciso de um voo o quanto antes.

Não há nenhum hoje?

E amanhã, logo de manhã?

Está bem, então... Está?

Está a ouvir-me?

Sim, esse. Pode ser.

Martina...

Andrade.

Número 18800319.

Obrigada.

Eu? Ir aí?

A sério?

- Quanto é? - 9500.

- Aceita cartão de crédito? - Não. Aqui não aceitamos cartão.

Bem, pode ser assim.

- Obrigada. - Obrigado eu.

Mas que raio? O que é que te deu?

És avariada da cabeça.

Boazona!

Querida!

Tão linda, mas tão triste.

És linda. Fazia tudo para pôr um sorriso nessa cara.

Como o quê, por exemplo?

Cinco minutos e faço o que quiseres.

- O que quiser? - Juro.

Prefiro que faças o que quiseres.

Gosto de ti. Gosto de ti.

Vem cá.

- Para quê? - Para me fazeres o que quiseres.

Preferia uma coisa mais íntima, privada.

- Está bem. - Então?

Vou entrar, está bem?

Abre a porta.

Abre a porta, anda lá.

Abre a porta!

Abre a porta, caralho! Abre a porta!

- Oferece-me uma bebida primeiro. - Cabrão!

Cabrão!

Ansiosa

E a sentir a humidade

Que à medida que vais embora

Roça-me pelos cantos

Olho para os teus olhos

E não te vejo

Muitos olham e abandonam

Esse pilar de luz

O mito venceu-me

Ninguém se aproxima de mim

Já não há mais calor

Precisa de mais alguma coisa?

Um cacete.

Isso é uma caneta.

Então o que é um cacete?

Um abraço de despedida.

Então eu dou-lhe cacete. Venha cá.

- Olá. - Olá.

- Vou para o aeroporto. - Entre.

O ATM engoliu o meu cartão e só tenho mais 5000.

E então?

- Não sei. - Não posso fazer nada.

- Posso pagar de outra maneira? - Como?

Não sei. De outra forma.

Não.

Viva.

Desculpe.

- É a Martina, não é? - Sou.

Altamente. A cantora argentina?

A filha da Juliana, sim.

Quem é a Juliana?

Posso tirar uma foto consigo?

- Claro. - Porreiro.

- Vais pôr online? - Se me deixar, vou.

Vou pôr de qualquer forma.

Então...

Boa.

- Está bem. - A sério?

Ficou mesmo muito bonita.

Vou identificá-la para me poder seguir.

Senão isto não serve para nada.

- Posso pedir-te um favor? - O que quiser.

Podes procurar Francisca Pavez?

- É esta? - É.

Está bem.

Que bonita.

Mandas-lhe uma mensagem a dizer que estou aqui?

Que fiquei sem dinheiro. Se ela me pode vir buscar.

- Sim. - Para me levar ao aeroporto.

- Ainda perco o voo. - Francisca.

- Urgente. - "Urgente."

- "A Martina..." - Ela sabe.

- Sim? - 136.

"Vem cá."

- Sem dinheiro. - Já está.

- Obrigada. - De nada. Foi rápido.

Quantos gostos temos?

Nenhum, mas a noite ainda é uma criança.

Ou não? Eu acho que é.

Vem aí o meu autocarro, mas acho que vou esperar pelo próximo.

Não, vai. Não é preciso.

Juan

Manda-me um táxi

Juan

Manda-me um táxi

Tem de ser já

Manda-me um táxi

Quero voar

- Manda-me um táxi - Marti! Marti!

Olá.

- A que horas é o teu voo? - Às 8h.

Merda. Vamos, estamos atrasados.

Francisca, Martina, chegámos.

Marti, chegámos.

Chegámos.

- Estava a sonhar. - Depressa. Vais perder o teu voo.

Podes vir visitar-nos quando quiseres.

A nossa casa é a tua casa.

São os maiores.

Calma aí, família. Precisamos de uma foto.

Que estás aqui a fazer?

- Vim para estar contigo. - Para quê?

Mandei-te centenas de mensagens. O teu pai morreu.

Filho da puta.

- Quem, eu? - Não, ele.

No dia em que me decido, ele adianta-se assim.

Queres vê-lo?

- Viste-o? - Sim.

Como está ele?

Então, não.

- Estás bem? - Não.

Depressão forte?

Não sei.

- Leva-me para casa. - Está bem.

Como foi o Chile?

Legendas: Nuno Sousa Oliveira

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