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Original subtitles

BRANCA DE NEVE

Era uma vez um reino pacífico

governado por um rei e uma rainha virtuosos.

O que mais desejavam era um filho.

Numa noite de inverno, um nevão varreu a terra

envolvendo o reino numa gélida tempestade de neve e gelo,

mas deixando-lhes a mais preciosa das dádivas.

Nasceu uma princesa.

Em homenagem à noite em que chegou,

os pais chamaram-lhe Branca de Neve.

Ao crescer, o rei e a rainha ensinaram-lhe

que a riqueza da terra pertencia a todos os que cuidavam dela.

Ensinaram-na a governar com amor.

Pois, um dia, o seu destino seria liderar.

A terra que aqui vês

Que num lar se transformou

A magia e a luz estão no ar

Onde plantas as sementes

Para que cresça algo bom

Se és justo e livre, aqui tens lugar

Debaixo deste solo

Maravilhas se verão

Lá nos campos E nos frutos que vão dar

Um tesouro a descobrir

Bem escondido sob o chão

Há abundância para partilhar

De alto a baixo, dá

O melhor que tem

Céu dourado faz Tudo brilhar bem

E à terra, darei

Generoso serei

Nada assim nos faltou

Onde cresce o que é bom

Onde cresce o que é bom

Pede o que tu mais desejas ser

Diz-nos quem um dia tu queres ver

Vai lá.

Só água que brilha

A mãe, o pai e a filha

E a semente Da líder iminente

E faz crescer o que é bom

Bem valente

Bem valente

Justa é

Justa é

Real e forte

Real e forte

Sobretudo

Sobretudo

Um desejo

Irá mostrar que és tu

De alto a baixo, dá

O melhor que tem

Céu dourado faz Tudo brilhar bem

Para dar e receber

Juntos, vamos viver

Isso já nos mostrou

Onde cresce o que é bom

Onde cresce o que é bom

Olá.

O rei e a rainha observavam orgulhosos

como a Branca de Neve se tornava uma princesa bondosa e justa.

Mas então, a tragédia aconteceu.

A mãe da Branca de Neve adoeceu.

E a Rainha Boa morreu.

A Branca de Neve e o rei ficaram destroçados.

Até que…

uma mulher encantadora de um país distante apareceu no palácio.

Tão grande era a sua beleza

que parecia dar-lhe poderes extraordinários.

Ela casou com o rei,

mas não era o que aparentava.

Era malvada

e só se importava com a sua beleza

e com o poder que ela lhe dava.

Para proteger esse poder,

tinha consigo um espelho mágico

que respondia apenas a uma simples pergunta.

Espelho meu, espelho meu,

há alguém mais belo do que eu?

Não, minha rainha.

De todas as de beleza mais notável,

a vossa beleza é incomparável.

A rainha não perdeu tempo a usurpar o poder.

Alertou o rei para uma terrível ameaça vinda do Reino do Sul.

E o Rei Bondoso jurou defender o seu povo.

Valente, Justa, Forte, Real

Dou-to hoje

Até voltar para ti

Mas o rei não regressou.

O medo tomou conta do reino.

E o poder da rainha cresceu.

Transformou os agricultores em soldados,

leais apenas a ela,

e roubou as riquezas do reino para si.

Transformou a Branca de Neve em criada

e trancou-a atrás das muralhas do castelo.

Mas enquanto o espelho fosse respondendo que ela era a mais bela,

a Branca de Neve continuava a salvo da sua cruel inveja.

De alto a baixo, dá

O melhor que tem

O céu, onde está?

E brilhava bem?

Se era lindo não sei

E eu nunca verei

Quero ir, mas não vou

Com o passar dos anos,

o povo quase se esqueceu

de que houvera sequer uma princesa chamada Branca de Neve.

Onde cresce o que é bom

E em boa verdade,

a Branca de Neve quase se esqueceu de si mesma.

Olá?

Desculpe.

Posso ajudar nalguma coisa?

Não é preciso. Estava só a ver.

Tenho de lhe pedir que devolva isso.

Eu devolvia, mas a rainha já tem muitas.

Estou a ver, é a sua desculpa para roubar.

Os meus amigos têm fome. Eu também. É a minha desculpa.

Talvez eu possa falar com a rainha.

Achas mesmo que lá em cima partilhavam connosco?

A princesa sim.

A Branca de Neve.

Há anos que não se vê nem se sabe nada dela.

Duvido que ajude alguém.

Ela só pensa em ajudar o seu povo.

Então, diz-lhe que, a dada altura,

pode ser útil parar de pensar.

E começar a agir.

Há um intruso no castelo. Tranquem as portas!

Tira algumas para ti.

E partilha com a princesa.

Talvez mais ninguém lhe tenha dito.

De certeza que, se soubesse da situação desesperada,

a rainha partilhava de bom grado.

Pelo menos, tenho de tentar.

Nem que seja só um desejo.

Branca de Neve, terminaste as tarefas?

Sim, majestade.

É importante todos fazermos a nossa parte.

Foi por isso que vim falar consigo.

Partilhar.

Por favor.

Estavas a dizer…

É que…

Majestade,

o povo vive mal. E pode não ser muito,

mas, quando eu era pequena, colhia maçãs com os meus pais.

Fazíamos tartes com elas.

- Então, íamos à aldeia… - Tartes?

Tartes são um luxo. O povo não precisa disso.

Confunde-o.

Mas, às vezes, algo pequeno, ou até algo doce,

pode fazer-nos acreditar em mais que na mera subsistência.

Não me lembro nada de seres tão…

… opinativa.

Peço desculpa. É que…

Sinto que precisam de bondade.

"Valente, justa, forte, real."

Que singular.

Um dia, entenderás a inutilidade dessas palavras.

Mas até lá,

deixo-te um conselho.

Observa.

Maravilhosa, não é?

Sim, majestade.

Uma é fraca, inútil, frágil.

A outra é dura, resistente,

duradoura, perfeita,

linda.

Os meus súbditos não querem uma flor.

Querem um diamante.

- Alteza… - Solta-me.

… este criminoso foi apanhado na copa a roubar provisões.

É mentira.

És um dos bandidos

que se reúnem na floresta a roubar em nome do rei?

Não, vossa majestade.

Não sou "um dos bandidos". Sou o chefe.

Leal ao único rei verdadeiro.

Descubram a casa dele e queimem-na.

O que tem piada

é que não tenho casa.

Então, leva-o para a masmorra.

- Encham o castelo com os seus gritos. - Majestade…

Percebo a necessidade de justiça.

Mas isto não é justo.

O que disseste?

O castigo não pode exceder o crime.

- Sei que o meu pai… - O teu pai?

O teu pai?

O meu pai teria misericórdia.

Desculpa, querida. Tens razão.

Este ladrão roubou-me.

Por isso, vou roubá-lo a ele.

Tirem-lhe o casaco e as botas e amarrem-no ao portão para gelar.

A masmorra ainda é opção?

Levem-no!

Ele vai morrer. Por favor, majestade.

Branca de Neve!

Toma.

Olha para ti.

Não é isto que queres?

Vá lá,

fala ao teu povo.

Os teus súbditos esperam-te, Branca de Neve.

As tuas tartes e as tuas palavras sábias.

O que lhes vais dizer?

Que fizeste a sobremesa?

Vives no mundo dos desejos.

Volta para o teu poço, Branca de Neve.

Sempre só, lá no poço, eu não…

Conhecia outra situação

Sem escapar, sem querer que me escondam

Sem sair da história que contam

Acordar e não querer sorrir

Sem pensar em não cumprir

Sem ninguém no horizonte

Nem a pedra me responde

O meu pai falou da convicção

Com que eu fiz frente a um nevão

A vida que agora não terei

Eu espero para ver

Debaixo de árvores, quem sabe?

E o céu cinzento que abre

Pedi ao poço o que queria

Espero para ver

Algo para celebrar

Que me possa mostrar

Sei que o meu pai me guia

Fechar os olhos, ver assim

Quem quero mais ver em mim

Será ela parte de mim Que não encontrei?

Se a vou ver, não percebi

Será que vou ficar aqui?

À espera para ver

Sempre só, cá no bosque, eu estou

A tentar mostrar bons valores

Mas nesta terra tão assombrada

A justiça não vale nada

Vou enfrentar ou ser quem cede?

Liderar ou ser quem segue?

E irei ser quem sempre concebi?

Espero para ver

Debaixo de árvores, quem sabe?

E o céu cinzento que abre

Eu quero sair para longe e estar bem

Espero para ver

Algo para celebrar

Que me possa mostrar

Que um milagre venha no fim

Fechar os olhos, ver assim

Quem quero mais ver em mim

Será ela parte de mim Que eu ocultei?

Se a vou ver não percebi

Ou mais um ano fico aqui?

À espera para ver

O desejo só chegou

A quem já não esperou

E deixa o eco, eco, eco, eco

A voz já te levou

E o sonho assim voltou

Igual ao eco, eco, eco

Eu sei que existe o eco, já ouvi

Mas fico à espera aqui

Vá lá! Mexe-te!

Mexe-te!

Cala-te!

Não é muito, mas…

Diz-me como é lá fora.

Porque não vens ver?

Não posso.

Eu vi-te a enfrentar a rainha.

Pareces corajosa.

Corajosa?

Guardas, vigiem o perímetro.

Tens de ir. Corre.

- Obrigado. - Vai.

Espero para ver

Não deu o poço o que eu queria

Espero para ver

Estará quase a chegar?

Alguém me pode mostrar

Que assim o meu pai me guia?

Para tudo eu poder expressar

E ser valente ao falar

Alguém valente que se atreve

Sem a ajuda que não teve

Eu posso bem sonhar

Mas sei

Acordam-me e assim estarei

À espera para ver

À espera para ver

À espera para ver

Espelho meu, espelho meu,

há alguém mais belo do que eu?

Famosa é a vossa beleza, majestade.

Mas, esperai.

Uma linda donzela vislumbro

acabada de acordar para o mundo.

Nada ofusca a sua graça gentil,

pois vejo com clareza

que vos suplanta em beleza.

Não!

Caçador?

Vossa majestade.

Leva a Branca de Neve para a floresta.

Encontra uma clareira escondida onde ela possa apanhar maçãs

e aí,

meu fiel Caçador,

mata-a.

Mas,

majestade,

é apenas uma menina.

E eu sou a tua rainha.

Foi ela que libertou o bandido.

Está a conspirar contra mim.

Agora diz-me,

também estás contra mim?

Estás? Sim ou não?

Não,

majestade.

Leva-a para a floresta.

Mata-a.

Tira-lhe o coração.

Põe-no nesta caixa.

Quando regressares,

terás tudo o que desejares.

Queres uma?

É muito gentil.

Faz-se tarde.

Porquê?

Porquê?

Tem de fugir para a floresta.

A ira da rainha não se detém.

Não deixo o reino.

Ela é malvada.

É mentirosa.

Nunca lhe contaram a verdade sobre o seu pai.

- O quê? - Vá!

- Então, e o meu pai? - Vá. Por favor!

Antes que eu mude de ideias!

Vá!

Olá?

Está aqui alguém?

DUNGA ATCHIM FELIZ

Eu vou

Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou

Eu vou, eu vou Para trabalhar, eu vou

Toca a acordar

E alinhar

Eu vou, eu vou Eu vou, eu vou

O galo já cantou

Já me preparei

E arranquei

Eu vou, eu vou

Um dia para dizer

- Ena! - Gesundheit.

Obrigado.

E que alergia tenho eu?

A estes incapazes

Podias calar-te, sabes?

Eu vou, eu vou

Eu vou, eu vou

Eu vou, eu vou Eu vou, eu vou

Eu vou, eu vou

Para trabalhar, eu vou

Se eu dormir, vou produzir

Então, para a minha cama eu vou

Olá?

- Que soneca - Sim, és tu

E é só falar Não vão andar?

Estás tu

Eu vou

Na escuridão

Magia verão Onde esta faísca está presente

Riqueza verás A mão é que traz

A luz, na mina, reluzente

Durante a manhã Extrair diamantes

É seguir e agir

Capaz, quem será?

Bater, vamos lá

A trabalhar

Sempre a cantar

Eu vou, eu vou

E sempre me alegrou

É bom para mim escavar, é sim

E não, o sorriso não faltou

Brilhou

- Estou feliz! - Sim, és tu!

Que horrível que é Vomito, até

Eu vou

E vai cavar, e vai cavar O dia até ao fim

E vai cavar, e vai cavar Na mina, sempre assim

E vai, são diamantes mil

E rubis, que belos

São, vê bem

O que brilha, vou escavar, eu sei

Mas vai, vai, vai cavar, vai

Eu vou

Eu vou

Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou

Eu vou, eu vou

Para casa agora eu vou

Acabou já

Não há mais? Já está

Eu vou, eu vou, eu vou

Eu vou, eu vou

Cantar fortissimo

Oh, não, não sei

Confortável, eu não estou

Eu sei que às vezes sou Sei que sou

- Dengoso! - Sim, és tu!

E toca a andar Não vou esperar

Tudo a correr

Vamos comer

Depois Dormir

De manhã, sair

Para trabalhar e repetir

Eu vou

Eu vou

Eu vou

Eu vou, eu vou Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou Eu vou

Eu vou, eu vou

Cuidado com a porta, Mestre.

Lar doce lar.

É realmente excecional voltar ao nosso local de habitação.

É impressão minha ou isto está cheio de pó?

É impressão tua.

Só quero passar o fio dental.

É um… É um…

É um…

O quê?

Lá está ele outra vez.

Catalepsia narcoléptica.

Pensava que ele só…

adormecia de preocupação.

Preocupação com quê?

Preocupem-se!

Barriquem a porta!

Rapazes, onde está o Dunga?

Não te mexas.

Os ogres farejam o medo.

Não é um ogre. É um fantasma.

Baixa-se e esconde-se?

Ou faz-se grande e ruge?

Depende do tipo de ogre.

Não é um ogre.

É um demónio.

Não o olhes nos olhos.

Se vires ectoplasma,

não lhe toques. - Está a flutuar?

Cuidado, Dunga.

Não tenhas medo.

Está tudo bem.

Só te queria conhecer.

Como te chamas?

Tu não falas?

Deixa-nos levar o nosso amigo!

Esperem. Por favor.

- Ora… - É uma humana.

Sim. Achavam que era o quê?

- Nada. - Fantasma.

- De onde saíste? - Tens fome?

Podemos ser amigos?

Como te chamas?

Porquê tanta simpatia?

Os únicos humanos que entram na floresta são bandidos

que dizem que lutam em nome do rei. - O quê?

Tens problemas com a lei, não tens?

- É melhor ir. - Eu disse.

- Não. Espera aí. - Deixa-a ir.

Ao menos, diz-nos quem és.

- Pois. - Sim.

O meu nome é Branca de Neve.

- Branca de Neve? - A princesa?

É uma armadilha.

Mas precisa de nós.

- Ainda acham que é um fantasma? - Espera, para onde vais?

Para o mais longe possível do castelo.

- Não chega. - Mas porquê?

A verdade é que a rainha tentou matar-me.

A sério que fez isso?

Isso é terrível.

É também exatamente por isso que tens de ir.

Devias ficar aqui até saberes para onde vais.

- O quê? - Eu acho uma ideia maravilhosa.

Esperem lá.

Aparece aqui uma humana pela primeira vez

em 275 anos

e convidam-na para ficar?

Ele acabou de dizer

275 anos?

274, para ser exato.

Somos velhos como as árvores.

Os meus pais sempre disseram que a floresta era mágica.

E eu sempre disse que os humanos só causam problemas.

Desculpem, não sei o vosso nome.

Deixa-me fazer as apresentações por ordem.

Dengoso. Dunga.

Zangado. Feliz.

Soneca. Atchim.

E eu sou o Mestre.

Disseste que fazíamos a ordem inversa desta vez.

Isso foi da última vez.

Em ordem inversa,

é Atchim, Soneca, Feliz, Zangado, Dunga, Mestre e Dengoso.

Ora esta!

Como é que ela fez aquilo?

A minha mãe ensinou-me que era importante saber um nome.

Se for de pés mais compridos para os mais curtos,

eu tenho os mais compridos.

Se ajudar.

E o que fazem vocês exatamente aqui na floresta?

O nosso trabalho é escavar as minas.

Até pasmavas com tal riqueza.

Pedras brilhantes de rara beleza.

Um lugar onde há magia no ar.

Por pouco tempo, se ela ficar.

Vejam as horas.

O importante é que a Branca de Neve está a salvo na nossa morada.

- Certo, amigos? - Sim.

- Sem dúvida. - Objeção.

Registada. Ignora-o só.

Talvez fique só uma noite.

Uma noite. Depois, vai-se embora.

- Podes vir para aqui. - Que tamanho calças?

- Adoro festas do pijama. - Há chinelos lá em cima.

Aqui, estarás a salvo da rainha.

Espelho meu, espelho meu,

há alguém mais belo do que eu?

Para lá da muralha do castelo,

habita algures no bosque

a Branca de Neve,

que é de todas a mais bela.

Não.

Só a verdade posso dizer.

A mais bela vive.

E não sois vós.

Sei que houve um problema

Um deslize de alguém

E quem resolve é sempre a mesma

E pensa

Foi quem?

E um traidor, o que merece?

Cobarde e fraco, o que pede?

Ele vai sofrer

Não vai viver

Ninguém me

Impede

Ousas desobedecer-me?

Não mereço misericórdia.

Mas, se há uma réstia dela no vosso coração,

imploro-vos

que a tenhais com ela.

Talvez, então, tu não consigas

Compreender a autoridade

E tem piada que me digas

Para ter piedade

Assim não fica nada feito

Nem ninguém é eficaz

Há ambição, há perturbação

Que bem que me faz

Que prazer que me traz

Há justiça para quem mandou

Sou a rainha e quem diz como é

Se é preciso

Então acabou

De repente O mundo fica à minha mercê

Podia esquecer ou perdoar

Para viveres sem te inquietares

Mas verás que não sou capaz

E ninguém esqueceu

Pensa que há justiça

Se a mais justa e bela sou eu

Se calhar, já ouviram

Beleza mais pura É de dentro que vem

E se alguém o afirma

Mente e bem

É o ouro, o que brilha

Diamantes, coisas boas

Beleza é poder

E é de quem tem a coroa

Há justiça

Para quem mandou

E que ninguém pode impedir Pode impedir

Os que arriscam

Nada lhes dou

Dou, dou, dou

Para as masmorras Hão de ir

Se fores até ao fim Tu irás ver

Que assim Grande vou ser

Sem pudor Quem tem mais valor

Diz-me, espelho meu

Diz-me quem será

A mais bela que haverá?

E sabes que mais do que eu não há

Capitão, revista a floresta.

Encontra a Branca de Neve

e não voltes sem ela.

Há justiça

Se a mais justa e bela

Sou eu

Não é justo.

É de manhã, e ela ainda aqui está.

Hão de vir à procura dela

e quando a encontrarem…

O que tens a dizer sobre isso?

Então, Zangado, sabes que o Dunga não fala.

Porque é lerdo.

Lá porque se chama Dunga,

isso não significa que seja lerdo.

É claro que significa.

Tal como tu te chamas Feliz porque és feliz.

E eu chamo-me Zangado porque sou…

incompreendido.

C'um caneco!

Toma lá.

Rapazes, vamos tentar ser todos amigos.

Para.

Ei! Aí vai disto!

Estás frito, amigo.

Anda cá!

Estejam quietos.

Já te apanho, patudo!

Zangado, isso faz cócegas!

O meu pé!

Oh, não!

Pimenta!

Vai explodir.

Dunga,

o pequeno-almoço é na boca.

Não é na cabeça!

Que grande papalvo.

Perceberam? Papa!

Estás bem?

Dá vontade de fugir e desaparecer.

Tens medo de falar?

Podíamos começar com algo pequeno.

Quando era pequena, a minha mãe ensinou-me a assobiar.

Então, quando tenho medo de falar, assobio.

Porque, quando assobias, é o coração a cantar.

E essa voz,

que está escondida no teu coração,

pode ser ouvida.

Vês? Agora, experimenta.

Só o suficiente para fazer tremer a chama da vela.

Não para apagar.

Conseguiste.

Eu sabia que eras capaz.

Vamos.

Ei! Anda cá.

Devolve isso!

Eu tenho.

Que som divino e encantador é este?

Entrou algum pássaro pela janela?

É o Dunga.

Parece um anjo bebé.

É um truque.

Não é um truque.

Como é que fazes isso?

Juntas os lábios,

pões a língua atrás dos dentes e assobias.

É fácil.

Isto é normal ou só uma coisa entre amigos?

Não somos amigos.

275 anos é muito tempo para discutir.

274.

Não me metam nisso.

Sou o único sensato aqui.

E achas que eles não te dão ouvidos?

Exato.

Compreendo, Senhor Zangado.

Tu… Espera.

O quê?

Parece-me que toda a gente aqui

podia ser melhor a ouvir os outros.

Estava a pensar o mesmo.

Ei, não mexas aí!

É melhor não abrir isso…

Ela está mesmo à vontade.

Não me lembro daquilo.

Ora, tu lavas a loiça.

Tu limpas o quarto.

- Está bem. - Vá lá.

Tu tiras as teias de aranha.

E ele…

varre tudo.

Eu?

Para bem trabalhar

Só tens de assobiar

E fica fácil de fazer

A alegre canção

E mais veloz, será pois

A tarefa que vais ter

E ao varrer o chão

Já muda a sensação

Só vai parecer brincar

E coisas chatas, não Já não serão

Tens de assobiar

Um dia.

Em equipa, limpa até ao fim

Só tens de assobiar

Tens de assobiar

É fácil, tu consegues

Então segue a ajudar

A alegre canção

Eu apanho!

E com prazer, tu vais fazer

E não vai demorar

Ei! A escova, tu roubaste

Mas tu não a marcaste

Se refilares Não te calares

Vais vê-la onde não pensaste

Tens de assobiar

E discutir não vai servir

Só tens de assobiar

É fácil, tu consegues Então segue a ajudar

Olha o Dunga!

Tens de assobiar

Limpámos tudo juntos

Não há nada limpo assim

A alegre canção

Um grupo imundo, que é no fundo

Família para mim

E tanta sujidade

Que havia, na verdade

Agora não existe só de

Assobiar com felicidade

Tens de assobiar

E com prazer Tu vais fazer

Se um grupo tens, só corre bem

E mais veloz será para nós

Só tens de assobiar

Não me lembrava como era bom darmo-nos bem.

Eu não me lembrava de termos um forno.

Quando era pequena, todos os dias eram assim.

Todos os dias?

Todos os dias.

Quando o meu pai era rei.

O Caçador disse que a rainha mentiu sobre o meu pai.

Mentiu sobre tudo.

E se ainda estiver vivo?

Tenho de o encontrar.

Falaram de bandidos na floresta

que lutavam em nome do rei.

Criminosos humanos.

Esses rebeldes são meros ladrões.

São um bando de antigos atores

cujo sustento se tornou instável

com a política gananciosa da rainha

que os deixou numa incerteza

em que a ética e os motivos são ambíguos.

Onde estão eles?

Se souberem a verdade, tenho de os encontrar.

Não, não aconselho.

É muito perigoso.

Fica comigo.

Quer dizer, connosco.

Sim, mal escapaste à rainha da última vez.

Gesundheit.

Mas isto é o que tenho de fazer.

Além disso, o Zangado tem razão.

Quanto mais tempo fico, mais perigo vocês correm.

Finalmente.

- Adeus. - Zangado!

Não.

Tenho de parar de me esconder.

Obrigada pela bondade que tiveram.

Não, espera aí.

Até tu, Zangado.

Agora,

podem indicar-me o caminho?

Estamos atrasados!

Vamos, têm de…

Vou buscar a comida.

Vá lá, Soneca, acorda!

Nem uma palavra.

Tu.

Se formos por aqui, encontramos os outros cavaleiros.

Quando disse para vires ver como era cá fora,

não esperava que trouxesses os guardas.

Não os convidei propriamente.

Fui obrigada a fugir.

A rainha quer matar-me.

Anda.

Estou à procura do meu pai.

Esperava que pudesses ajudar-me.

És leal ao único e verdadeiro rei.

Certo.

Sem dúvida.

Ouvimos rumores, murmúrios.

Há quem diga que foi aprisionado no Reino do Sul, mas…

Não fazes ideia de onde ele está.

Lamento desapontar-te.

Deves ter-me confundido com um nobre cavaleiro.

Acho que ninguém comete esse erro.

Esperava que soubesses algo.

Claro.

As princesas esperam sempre um príncipe ou um rei.

O meu pai é o único que pode fazer este reino voltar a ser o que era.

Receio que seja tarde para isso.

Obviamente, esqueceste-te de como era

quando as pessoas eram boas e justas.

Quem me dera ter tempo

para bondade e justiça.

O único problema é…

Tudo está tão triste

Princesa, tu não viste?

Viver aqui é para quem sabe

Fome a chegar

Com os abutres a voar

E é provável que isto acabe

Ouve o que digo eu

São probabilidades

Toda a gente escolheu

Vai fugir ou combater?

Isto estraga-te o dia?

Não parece ideal

É assim que te sentes

No mundo real

A princesa está tão mal Pois tem problemas

Que vida injusta vais descobrir

Parece que afinal Tu tens problemas

Que chatice não dividir

Porque não ser gentil Ou o que estás a dizer

Só que eu prefiro ficar sem morrer

E o plano eu seguirei

E tudo roubarei

Não viver na fantasia, assim

Problemas de princesa Não serão para mim

Então, já deixaste as batatas?

Tenho muitos talentos.

Belo discurso, mas e já está?

Para nenhum, já nada há

Assim, esperança não vão ter

Já se estão a acostumar

Mas temos de tentar

Então que tal tentar viver?

É assim? Desistir?

Não, é só ser perspicaz

Porque só fazer tartes já nada faz

A princesa agora Vê que tem problemas

Nem todos vivem num pedestal

Não vês nada grave nem problemas

És egoísta, mas não faz mal

Foi cruel, ainda bem

Olha só, que mazinha

Ouve, o reino está mal

Vai dizer à rainha

Mas eu fujo e fico bem

Não me interessa mais ninguém

Vai ser assim até ao fim

Problemas de princesa Não serão para mim

Não se mova, Milady.

Está na presença do Rebelde Quigg, mestre da besta.

Mãos ao ar!

Afaste-se do nosso capitão.

E nenhum mal lhe acontece.

Tu não tens uma besta.

- Foi roubada. - Deixa estar.

Ela está comigo.

Capitão?

E os meus sócios.

Leal ao rei?

És só um criminoso comum.

O meu nome é Jonathan, princesa.

Não é "Jonathan Princesa".

Só Jonathan…

princesa.

Ouve.

Tu não estás nada mal

Com uma lógica real

Mas nada disso vale aqui

Problemas de princesa

Não

Serão

Para mim

Não podem ser para

Mim

São os guardas do palácio.

Dois soldados para cada um.

Procuramos a princesa Branca de Neve.

Tens de fugir, princesa.

Então e vocês?

Não te preocupes, nós empatamo-los.

- Eu luto convosco. - Não estou a pedir.

É uma luta justa.

Acontece que eu não jogo limpo.

Não disparem.

Podemos dizer-vos onde ela está.

Agora.

Não posso ir.

Preciso de vocês.

Última hipótese, bandidos.

Digam-nos o que sabem da princesa.

Procuram a Branca de Neve?

Estou aqui.

Por aqui.

- Vão. - Mexam-se!

Espalhem-se!

Espalhem-se. Encontrem-nos.

Sim, senhor.

O meu cavalo?

Vai, vai.

Voltaste.

Era preciso resolver o teu problema de princesa.

Eu disse que lutava convosco.

- E foi a sério. - Acho que sim.

Continuas a impressionar-me.

Obrigada.

Um elogio desses vindo de uma mente criminosa como tu.

Vejam se os despistámos.

O povo

já se esqueceu do passado.

E detesta a rainha. Mas tem medo.

Por isso invocamos o teu pai.

Os teus pais não temiam nada.

Faziam-nos sentir mais corajosos.

Davam esperança a todos.

Cortamos para o vale mais a sul.

Temos de encobrir os rastos.

Jonathan?

O que foi aquilo?

Oh, não.

Acho que temos um problema, princesa.

Ele precisa de um médico.

Mestre é mais uma alcunha que um título académico,

já que a minha especialidade

é o estudo de grânulos ígneos, sedimentares e metamórficos.

Sabem, rochas.

Eu sou o Rebelde Quigg,

mestre da besta,

e ordeno-te que o salves.

Ainda não fomos apresentados.

- Por ordem… - Não há tempo.

É muito grave. Tens de ajudar.

Mas são bandidos.

- O que é que vais fazer? - Anda cá.

É mesmo assim que a rainha nos quer.

A discutir,

a desconfiar uns dos outros. É assim que ela vence!

Envenenou a cabeça de todos para acreditarem que é cada um por si.

Mas se…

… conseguirmos dar o pouco que temos,

herdaremos o que nos pertence a todos.

E é mais do que qualquer um consegue imaginar.

Simplesmente,

exige confiança mútua.

Agora ajuda-o.

Por favor.

Tragam-no para dentro.

Leite quente.

Ajuda-me a dormir.

Obrigada.

Usei o alto-forno para abrir o leito rochoso,

perfurei até à raiz da fenda,

juntei um cataplasma ou dois.

Uma dose de vinagre medicinal,

ácido de enxofre dulcificado.

Aquilo foi…

- Desagradável. - Conseguiste.

Julguei-o morto.

- Obrigada. - Ora essa.

Faria qualquer coisa pelo amigo especial da Branca de Neve.

Tens um amigo especial.

Não. Não.

- Não. - O quê?

- Teria trazido qualquer um… - Exato.

Bondade normalíssima.

Nada que ver contigo.

Estranho.

Não é maravilhoso?

Sabem que horas são, amigos?

- Por favor, não. - Que horas são?

São horas de dançar.

Sim!

Queres jogar às cartas?

Não, obrigada.

Então e tu?

Tu e a Maple são ótimos dançarinos.

Somos só amigos.

Certo.

Como tu e o Jonathan.

Tenho a certeza de que o Jonathan só se preocupa consigo.

Foi por isso que aparou a flecha?

O quê?

Todos vimos.

Aquele malvado ladrão egoísta?

Salvou-te a vida.

Sempre pensei Só haver solidão para mim aqui

As árvores assombram

E a noite pesada, eu vi

Sopra o vento

E na sombra, eu já não tremo

E com alguém, eu já conto

Não faço a viagem tão só

A mão já tem um par

Já tem onde poisar

O mundo a viver Estou a ver, de repente

E até me perco em tudo

Libertar-me eu vou

Cedo ao que brilhou

Tão ingénuo, eu sei

Mas eu já imaginei

Que algo tão bom ganha luz

E quem sabe se é possível

Se a razão

És tu

Sempre pensei que este mundo É mau e não muda

Cruel, feroz

Entre nós, cada um só por si

Mas então

Se estamos juntos É sem pressão

E neste mundo, eu já não

Siga o caminho tão só

A mão já tem um par

Mesmo sem planear

O mundo a viver Estou a ver, de repente

E vou gostar mais de tudo

Libertar-me, eu vou

E à espera, já estou

É ingénuo, eu sei

Mas eu já imaginei

Que algo tão bom ganha luz

E quem sabe se é possível

Se a razão

És tu

Talvez vá fazer-me

Sonhar que isto não vai ter fim

Mas se és só tu

A acordar-me

Um beijo dás-me

Quero assim

A mão quer um par

Para ter onde poisar

Isto é certo, eu sei

E assim imaginei

Que algo bom ganhou luz

E quem sabe se é possível

Será?

Eu já sei bem que a razão

És tu

Olá.

- Soldados. - Oh, não.

Temos de ir para a proteger.

Sim, capitão.

Não podem descobrir isto.

- Eu vou convosco. - Não.

É muito perigoso. É a ti que procuram.

Volto daqui a dois dias.

Vamos juntos ao Reino do Sul e…

vamos encontrar o teu pai.

Então, toma.

Ele deu-me isto.

É para te dar sorte.

Não posso aceitar.

Não é dado.

Só te dou um motivo para voltares.

Quem luta em nome do rei?

Eu!

Então, vamos.

- Cuidado. - Separem-se.

Atraímos os guardas para longe.

Tenham cuidado!

Obrigado por nos receberem.

Aqui.

Por aqui.

Estás mesmo a conseguir, Johnny.

És um dos bons.

Honesto, firme, leal.

És um…

idiota.

Tu não me és estranho.

Oh, sim.

A senhora das batatas.

A Branca de Neve?

Branca de quê?

Estás a protegê-la.

Responde a sua majestade.

Mostra-me onde o encontraste.

Na floresta,

quatrocentos metros a sul da encruzilhada.

Deve achar que será fácil, majestade.

Mas acredite,

não sabe quem tem pela frente.

Ao contrário de si,

eu conheço-a.

Acho que queres dizer "conheci".

Acho que são horas de a Branca de Neve e eu

termos uma conversinha.

Tira-me a beleza toda

Faz-me, então, envelhecer

Tu, poção que amaldiçoa

E mostra

Poder

A voz mais rouca, arrepiante

Sou bruxa, já envelheci

O cabelo traz

Mais medo e faz-me

Estar

Pronta

Para ti

"Maçã envenenada. A morte dormente."

"Antídoto."

"Um beijo de amor verdadeiro."

Isso não te vai libertar.

Vais provar sem resistir

Já vai dar para dormir

Quero mais E assim tu cais, serás quem perdeu

Porque há justiça

A mais justa e bela

Sou eu

Não me agrada.

É muito perigoso com a guarda à tua procura.

Podíamos ir contigo.

Tens mesmo de ir?

Tenho de saber a verdade sobre o meu pai.

Se há alguma hipótese de estar vivo…

E quando descobrires o que procuras,

vais voltar…

Certo?

Volto.

Prometo.

Está bem.

Vamos lá, amigos.

Jonathan?

Desculpa, minha querida.

Assustei-te?

Não, estava à espera de outra pessoa.

Posso ajudá-la?

Sou eu que te posso ajudar.

És a Branca de Neve?

A princesa?

Quem é que disse que era?

Trago uma mensagem.

Do Jonathan.

Do Jonathan?

Receio que tenha sido capturado pela rainha.

Capturado? Não.

Deu-me este colar.

Disse que saberias o que significa.

Tenho de ir ter com ele.

Então, e o perigo?

Ama-lo?

Bem,

como o amor é tão precioso,

vou ajudar-te.

Toma.

Leva esta maçã

para te alimentar pelo caminho.

A Branca de Neve.

Lembro-me de como o teu pai era generoso com o seu povo.

É por isso que é uma honra para mim retribuir o favor à sua filha.

Sei que não tenho muito para dar,

mas dar-te esta maçã faz-me sentir

que o seu espírito está aqui.

Vá lá!

Obrigada.

Por ele.

Pelo teu pai.

- Vamos. Vá lá! - Depressa!

O que se passa?

Algo está errado.

Eu conhecia o teu pai.

Muito bem.

O que quer dizer?

Sabia que ele era um tolo!

Tu. És tu.

Foi quase demasiado fácil matá-lo.

A sua bondade custou-lhe o trono,

tal como te custará a vida a ti.

Então,

diz-me, Branca de Neve,

há alguém mais belo do que eu?

O vosso coração invejoso pode sossegar.

Vós, minha rainha,

sois a mais bela de todas.

Viva a rainha,

a mais bela de todas.

Tens feito isso todos os dias.

Não se moveu.

Esquece.

Eu esqueci.

Esqueci-me do que era ter coragem,

ter esperança, mas então…

Conheci a Branca de Neve.

Ela lutou por nós.

Connosco.

Quando tinha todos os motivos para fugir.

Nunca desistiu de nós.

Eu não vou…

desistir dela.

- Vá lá. - Com mais força.

A passagem secreta da rainha desemboca a uma milha

das cavalariças reais onde há dúzias de cavalos.

Eu vigio os guardas. Vai.

Boa sorte.

Sinto muito.

Branca de Neve?

Ela está viva.

- Está acordada! - É um milagre!

Jonathan.

O que é?

O que se passa?

O meu pai…

Desapareceu para sempre.

Assassinado pela rainha.

Oh, céus.

O que fazemos agora?

O meu pai falou

Da convicção

Com que eu fiz frente a um nevão

Agora não

Sei se ainda a tenho em mim

Mãe e pai já não vou ver

Tinham o desejo de eu saber

Que o meu destino

É ficar aqui

Enfrentar, não ser quem cede

Dirigir, não ser quem segue

E posso ser

Quem sempre

Concebi

Está na hora.

Na hora?

De restaurar o nosso reino.

Não será fácil.

Ela fará o que puder para nos impedir.

Ela que tente.

Ele… Aquilo foi…

Dunga?

Nós não temos medo.

Dunga.

Já não.

Bem dito, Dunga.

Então, eu também não.

Sigam-me.

- Para o portão principal! - Sim, senhor.

Já não peço ao poço o que eu queria

Porque posso ser

O que esperava e já sou

Bem valente

Justa é

Real e forte

Sobretudo

Creio que andava à minha procura.

Na verdade,

creio que és tu que vens à minha procura.

Afastem-se.

Esta é a casa do meu pai.

Mataste-o.

Roubaste-lha a ele, a todos nós.

E estamos aqui para a recuperar.

Bonita…

Não é?

Delicada, elegante, refinada.

Acham que querem uma flor.

Mas uma flor murcha.

Uma flor não vos pode proteger.

Ou reunir um exército.

Ou conduzir um reino.

Uma flor não vos pode dar o que eu posso.

Perfeição.

Poder.

Beleza.

Se queres o trono…

Pega-lhe.

Eles estão à espera.

Chega desta farsa.

Guardas, prendam-na.

Tu.

O povo que a veja morrer.

Paul.

Tu eras agricultor.

No Vale Ocidental.

Tens uma mulher.

A Eleanor.

Tinhas um pomar de cerejeiras e, quando amadureciam,

convidavas a aldeia para as ir colher.

Para as partilhar.

Matthew.

Tu eras padeiro.

Tal como o teu pai.

Nunca recusavas comida a ninguém se tivesse fome,

mesmo que não tivesse um centavo no bolso.

Arthur.

Basta.

William.

Eu lembro-me de vocês.

De todos.

Eu disse "basta"!

Houve um tempo em que tínhamos esperança.

Em que o que é bom era alimentado e podia crescer.

Eu lembro-me.

E vocês?

Eu lembro-me.

Eu lembro-me.

E eu.

E eu.

E eu.

Vai-te embora.

Agora.

E nunca mais voltes.

Eu sou o Rebelde Quigg,

mestre da besta.

Não.

Não é verdade.

Olha para mim. Ainda sou a mais bela.

Famosa é a vossa beleza.

Mas não vai além do parecer.

Na Branca de Neve,

a beleza vem do fundo do ser.

Assim, minha rainha,

a verdade se revela.

Será sempre ela

de ambas a mais bela.

Mentes!

A Branca de Neve é a mais bela.

Era uma vez

um reino pacífico

governado por uma rainha virtuosa

que acreditava que a beleza do seu reino

não se media pelas joias ou pelas riquezas,

mas pelo seu povo.

A rainha governava com bondade e amor.

Era valente, justa, forte e real.

E o seu nome era Branca de Neve.

De alto a baixo, dá

O melhor que tem

Céu dourado faz Tudo brilhar bem

E as raízes mais fortes Dão frutos mais doces

Colhe o que plantou

Com a lição que ensinou

Nada assim nos faltou

Onde cresce o que é bom

De alto a baixo, dá

Céu dourado faz

Onde cresce o que é bom

Onde cresce o que é bom

FIM

BRANCA DE NEVE

Tradução NOS Audiovisuais por JIPI Multimedia - Edite Raposo

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