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ISTO BASEIA-SE EM FACTOS REAIS. HOUVE MODIFICA��ES PARA FINS DRAM�TICOS.
Hoje, estamos aqui com a Cris Mir�.
- Como est�s, Cris? - Estou �tima.
Obrigado por vires.
Obrigada pelo convite. � �timo estar aqui.
Cris, tem-se falado muito sobre a tua sa�de.
- Como est�s? - Estou muito bem. �tima.
Porque achas que, quando tens um problema de sa�de,
todos presumem ser sida?
J� me habituei a esse boato.
Tenho um problema com os gl�bulos vermelhos.
O meu sistema imunit�rio tem quebras,
mas est� a ser controlado.
Dirias se fosse sida?
Isso � algo que as pessoas t�m de decidir por si pr�prias,
com base no qu�o preparadas se sentem.
- Est�s sempre t�o preparada! - Sim.
Se fosse algo por que estivesse a passar
e se falar sobre isso pudesse ajudar as pessoas,
talvez dissesse, mas n�o sei.
S� passando pela situa��o.
Claro, terias de estar nessa situa��o.
- Claro. - Sim.
� verdade que tamb�m tencionas ser modelo?
Parece que sim.
Estamos a pensar numa digress�o pela Europa.
E recebi algumas propostas para ser modelo em Paris.
N�o admira que estejas magra.
Tive de perder alguns quilos.
A moda europeia � muito exigente.
�s pioneira em tudo, Chris.
�s a primeira celebridade travesti e a primeira a ir para a Europa.
Tamb�m ouvi dizer que vais ter um programa de televis�o.
Estamos prestes a filmar o piloto
e estou ansiosa e entusiasmada.
Isso � �timo!
Onde est�s, querida?
Os produtores do piloto est�o � espera.
Isto n�o se faz. Liga-me imediatamente.
Sabes o que aconteceu � carreira da �ltima que me deixou plantado?
Acabou.
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Que quer aquele idiota?
- Anda. - Deixa-me.
Est�s a ver aquilo?
S� vai parar quando conseguir a manchete:
"Cris Mir� tem sida."
Rato nojento.
Deixa. N�o te faz bem.
E se n�o puder voltar a trabalhar?
A Germ�n toma seis comprimidos por dia e est� �tima.
Ent�o, porque est� assim?
� o tratamento.
H� que o seguir � risca.
Est�s a fazer tudo certinho, n�o est�s?
O que � que achas?
Mas n�o me sinto bem.
N�o est� a resultar.
A carga viral est� a regredir. Isso � bom.
Estou viva, sim, mas a que custo?
N�o paro de perder peso.
Tenho dores horr�veis de cabe�a e de est�mago.
Tudo me d� n�useas, o cabelo cai-me...
Tens de descansar.
- Preciso de trabalhar! N�o percebes? - N�o grites!
Vou trabalhar.
Liga se precisares de alguma coisa.
Come a sopa. Faz-te bem.
Queres sopa? H� imensa.
Obrigado.
Desculpa.
Como est�s?
- Bem. - E a Leti?
Est� toda convencida.
Come�ou a escola
e diz a toda a gente que a tia � famosa.
Sergio...
Eu preciso de trabalhar.
Custe o que custar.
Precisas de comer.
Escuta-me.
Isto... Para.
Um por dia. Vai ajudar.
Mas, ouve-me. N�o abuses.
N�o h� magia.
� preciso lutar.
E deixa de fazer asneiras.
Toma.
Crescem os rumores sobre a sa�de de Cris Mir�.
A estrela sofreu uma inflama��o na lombar e foi internada novamente.
Foi submetida a uma tomografia e a uma resson�ncia magn�tica
para analisar a les�o �ssea e muscular.
Ap�s dias de internamento,
a apresentadora teve alta, mas ser� seguida em ambulat�rio,
o que inclui repouso, controlo m�dico e anti-inflamat�rios.
O que realmente se passa com Cris Mir�?
Tantas m�scaras!
S� vim c� porque �s tu
e �s a minha obra-prima.
D�-me uma bebida forte.
Foi duro. Apunhalaste-me pelas costas.
Podes dizer-me que raio aconteceu?
Intoxica��o.
Foi por isso que n�o fui.
Muito pouco profissional.
Deixaste-me horas � espera.
Lixaste-me com os produtores.
Devias ter reunido for�as para me telefonar e avisar.
Teremos perdido a confian�a m�tua?
Podemos adiar a reuni�o de hoje?
Claro que n�o!
Ent�o, cancelaram o piloto?
Isso eu resolvo.
Mas queres faz�-lo?
Claro que quero.
Ent�o promete-me que, mais do que querer, podes.
O que se passa, Cris?
Finjo que n�o ou�o,
mas todos os dias h� boatos, manchetes de revistas.
Tens a imprensa a acampar � tua porta.
Que � isto? Andas err�tica! Que raio se passa contigo?
Perdoa-me.
Olha-me nos olhos.
Diz-me: "Marito, eu sou saud�vel."
Marito, eu sou saud�vel.
A Argentina enfrenta um ano de recess�o e sem exporta��es.
Este ano, o equil�brio n�o vai melhorar
e as importa��es v�o cair, tal como as vendas ao exterior.
H� rumores de um colapso tecnol�gico com a aproxima��o do novo mil�nio.
Teme-se que computadores e m�quinas se danifiquem,
pondo a popula��o em risco,
estando em an�lise atualiza��es e substitui��es.
Por outro lado, as associa��es de travestis rejubilam.
Ap�s um longo debate, a comunidade transexual argentina
deu mais um passo no sentido de realizar o seu desejo.
Os famosos editais da Pol�cia foram revogados,
incluindo o H,
que permitia a deten��o arbitr�ria de pessoas
por usarem em p�blico roupas do sexo oposto.
Com esta mudan�a,
os travestis de Buenos Aires est�o um passo mais perto
de alcan�ar os direitos pelos quais lutam h� tanto tempo.
Passando � frente, na Recoleta, denunciaram-se dois poss�veis suspeitos,
o que abriu o debate sobre os sequestros por extors�o...
Nati?
Est�s a ver a televis�o?
Chati, est�s c�?
Estou aqui.
Credo! Parecia uma voz do Al�m.
O outro lado parece o Museu Madame Tussauds.
Parecem est�tuas.
Deixa-me...
A� est� ela!
Vejam bem esta deusa!
Delicioso. Obrigada.
Olha o que eu tenho.
J� viste?
Mi�da, levanta essa sombra.
Temos de estar nos trinques. Isso.
Experimenta.
Meninas, chegaram os aperitivos.
O granizado. Num copo diferente.
- Isso � meu. - Ordinarona.
- S�o estes os aperitivos? - �bvio.
Chati, n�o subas para a mesa. Ela vai partir-se.
Acredita que n�o vai.
Por favor, n�o vai partir comigo.
Tens raz�o, porque a casa � de todas.
- Sempre foi o nosso ref�gio. - Esta casa?
- Depilavam-se e maquilhavam-se? - Tudo se fez nesta casa.
Mergulh�vamos as caras em �gua quente a ferver.
- Poros dilatados. - Guisado de cabelos.
A Vanesa chegou com a eletr�lise.
Foi �timo para ela. Teve tudo � borla.
Roubaste-me a peruca!
A beleza d�i, querida.
Dizem as pessoas bonitas.
� por isso que nunca te ouvi dizer isso.
Est�o a ouvir o avi�o? Vai aterrar na testa dela.
Tu n�o sabes nada.
Era um bordel!
Era sexo por todo o lado. Uma pega aqui, outra ali.
- Outra pega... - Por falar em pegas!
Vejam quem chegou, por fim!
O que perdi?
- N�o soubeste? - Do qu�?
- Revogaram os editos. - A s�rio?
Sim! Larga o aipo.
Despe essa roupa porque vamos sair empinocadas.
D� uma bebida � tia.
- Quem � esta beldade? - Natalia, uma amiga nova.
� um prazer.
Com esta cara e corpo, podia ser minha sucessora.
V�, tamb�m n�o abuses.
- A s�rio! - Bom...
Sa�de, meninas. � nossa.
A esta noite divina!
A sermos n�s mesmas.
Fofa, est� gente l� fora. Tens mesmo a certeza?
N�o deixo que um idiota m�rbido me controle.
Esta noite vamos sair e ponto final!
- E sentes-te bem? - Sinto-me espl�ndida.
- Chuta. - Diz-me a verdade.
- V� l�! - Poupa-me!
O qu�? O que diz?
N�o estou a perceber.
Esta noite...
- O qu�? - Vai ser �tima!
- Que susto! - O que pensaste que ia dizer?
Sei l�! Alguma coisa m�!
Dizes as maiores loucuras sempre que sacas desse baralho.
E depois? Desde quando te importas?
Est�s linda.
Que me dizes?
Quero que esque�amos tudo.
Por uma noite.
Alinhas?
Sim.
Agora, vais descer as escadas.
- N�o quero fazer figuras tristes. - Como te ensinei.
N�o olhes para baixo.
Meninas, vejam quem se empinocou.
- N�o posso crer! �s tu? - Aqui estou eu.
E esse vestido! De onde saiu?
Topem o meu rabo.
- Topem o rabo dela! - Simplesmente linda.
N�o posso crer. E os sapatos?
- � tudo da Cris! - Mi�da...
Claro que tiveste ajuda da fashionista.
- Claro. - O rabo � Mir�.
Bem sabem.
- Est�o ali. - Aten��o.
Vamos l�.
Liga a c�mara.
- Cris! Um coment�rio? - N�o parem. Continuem.
Um coment�rio, Cris. Por favor.
- Ouviu os boatos? - Hoje n�o, por favor.
- Como est�? - Para a c�mara.
- Fale para a c�mara! - Querem uma pose? � isso?
- Aqui a t�m. - Cris.
E a sua sa�de? S� estamos a fazer o nosso trabalho.
V� l�, meninas!
� isto que queres? S�o novinhas em folha, meu amor!
Est�o contentes? Idiotas.
- Por favor. - Deixem-nos em paz.
- Vai trabalhar! - Malcriad�o!
Chega. Corta.
Quero ver como ela anda. Mostra l�.
Olhem para ela!
- Madame Sargento! - Muito profissional.
- Taradas! - Est�s com inveja?
- Para! - Cuidado!
- Volta aqui. - N�o, deixa-me.
� a tua vez, Chati. N�o �s nenhuma puritana.
Vejam-na a andar para tr�s!
Cuidado.
Que est� a senhora a fazer?
A peruca � do Miguel!
De certeza que � roubada.
- N�o �. - Confessa.
- Ela nunca roubou nada. - N�o, nunca.
- Claro. - Foi emprestada.
Claro, e muitas vezes.
� sempre emprestado.
At� o nome dela � emprestado.
- Espera. - Esperem.
Como est�s?
L� est� a loba. Ela n�o perde tempo.
- Vem comigo. - N�o, vamos atrasar-nos.
N�o? Ent�o, adeus.
Adeus, linda.
- Caramba. - Que majestosa!
Sim, muito.
Ainda nem acredito que estou a andar assim na rua.
Nem eu.
� lindo!
A MISTERIOSA DOEN�A DE CRIS MIR�
Apanha isto. Aqui mesmo.
O que est�o a fazer? O que fazem a�?
- Volta aqui, idiota! - Cris! Para!
- Cris, para com isso! - Filho da m�e!
Porque remexias o meu lixo?
- Diz-me! - Tem calma!
Porqu�?
Sai daqui!
Filho da m�e!
- Vai-te embora! - Acalma-te, por favor!
Era o que querias?
Filho da m�e! Arranca!
Arranca! Filho da m�e!
Legendas: Ana Filipa Vieira plint.com
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