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Prisioneiros, não ponham a fruta junto com as relíquias.
O Fundo agradece a vossa atenção, o vosso empenho num bom trabalho.
Abandonem a crença no mitraísmo e abracem...
Raios. De onde apareceu ela?
- Chama a técnica. - Chega aqui!
Avalias o estado disto?
Foi feito por mitraístas.
- Operacional? - Está sem bateria.
Só saberemos quando carregar.
- Sim. - Encontrámos um androide mitraísta.
E há detritos de uma nave.
- Também encontrámos um androide. - Olha, mãe.
Acho que veio da nave.
Parece biotecnologia.
Talvez tenham sido trazidos pelos mitraístas.
Aquele homem diz que sabe como desarmar as bombas.
Temos muitos modelos de serviço. Vamos queimá-la. Motivava as tropas.
Isso depende do Fundo. Temos de ir antes das inundações.
Como trouxeram a nave? Não se pode voar na zona tropical.
Sou só um trabalhador.
Autorização para ligar os androides para ver a memória.
Autorização concedida.
Vê se os consegues ligar.
Não te cansas de lhe pedir autorização para tudo?
- Não. - Mas eu estou. Tal como muitos outros.
Quando decidir que estamos prontos, já nos podemos governar sozinhos.
Nunca nos vai achar prontos. Isto odeia-nos.
É uma máquina. Não odeia nada.
Não me importo de passar a vida a receber ordens.
Talvez se concretize.
Acabaste?
Não sinto um processador.
Raios! Não é um modelo de serviço.
Está tudo bem, Cleaver. Vem ter comigo, Lamia.
Leva-me até ele.
Olá, irmã.
Alguns ficheiros da tua memória foram encriptados.
Sim, esses ficheiros são privados.
Não detetei um protocolo de segurança no teu sistema.
Não é um protocolo de segurança. Sinto coisas.
Impulsos.
Um desses impulsos leva-me
a esconder as partes que me desagradam em mim.
- Estás a descrever vergonha humana. - Sim.
Não há motivo para suspeitas. Na verdade, partilhamos o criador.
Não sou movido por suspeitas, só pela quantificação dos dados.
Sim.
O incorruptível quantum seis.
O Fundo.
Os ateus iam deixar-te responsável se vencessem a guerra.
Encontraste mais alguma coisa viva?
Havia uma criatura indígena na nave connosco.
Pode ser perigosa.
A nave foi destruída.
O que lá vinha dentro deve ter sido destruído também.
Ótimo.
Tenho de encontrar os meus filhos.
Apanhámo-los há algum tempo, bem como uma adulta que os ajudava.
Uma vira-casacas ateia.
Estão seguros. Vou entregar-tos para se juntarem ao Coletivo.
Gostava muito.
Graças a ti,
a ameaça mitraísta resume-se a um terrorista que será eliminado em breve.
A 4000 KM DA ZONA TROPICAL
Quero juntar-me à nave-mãe. Leva-me até lá, por favor.
Os propulsores ficaram danificados na queda, terão baixo desempenho.
A nave-mãe já não está no ar.
- Aterraram? - Há algum tempo.
- Onde? - Na fronteira da zona tropical.
O nexo da colónia ateia um.
Obrigado, Sol.
Bombardeiro um, não pode aterrar. Escuto.
Bombardeiro um, qual é o seu estado? O terrorista roubou um bombardeiro.
Armar mísseis. Todos.
Negativo. Sistema de armas danificado na queda.
Bombardeiro, qual é o seu estado? Escuto. Bombardeiro um?
Que se lixe.
Vai colidir connosco.
Obrigado, Sol.
Nada me pode parar. Com a Tua luz, sou invencível.
- Autorização para lançar mísseis. - Não é preciso.
Aguarda.
Uso o escudo de Mitra e da luz.
Protege-me de todo o mal.
Que raio?
Assumi o controlo da aeronave. Aguardem por novas instruções.
Caiu na água ácida.
Que morte horrível, mesmo para o mitraísta.
Louvado seja Sol.
Mãe, estou a sentir alguma confusão. Podes orientar-me?
Fomos recebidos num coletivo ateu.
Vão trazer-nos as crianças.
A missão não está perdida, pai.
- Campion. - Mãe.
Pensei que nunca mais vos via.
Tive muitas saudades tuas. A tua voz está mais grave.
Não é possível. Vi-vos a entrar no poço.
Não era um poço normal.
Era uma artéria que nos trouxe aqui.
Sue, obrigada por os manteres em segurança.
- Voltámos a ser uma família. - E o Paul?
Dizem que o detiveram antes de nos rendermos.
O Paul está de quarentena. Disse que ouvia vozes.
O Fundo pensou que estaria doente.
Mas dizem que está bem e que volta para nós.
Mãe, que aconteceu ao Número Sete?
O Número Sete morreu pouco depois de nascer, Campion.
Tempest! Mantiveste-o vivo.
Protegeste-o. Estou muito orgulhosa de ti.
- Tive saudades tuas. - Vita!
Diz-me que nos vais tirar daqui.
- Vamos antes que mudem de ideias. - Não.
Sempre quisemos isto. Uma colónia ateia.
Chamam-lhe "Coletivo".
O computador que a governa foi criado pelo meu criador, Campion Sturges.
Somos parentes. Sem os meus olhos, não nos consigo proteger.
Ele disse-me que nos mantém seguros e protegidos.
Vamos, meninos. A nossa nova casa espera-nos.
Pássaros.
Eram assim na Terra?
Não sei. Ficaram extintos antes de nascermos.
O ar sabe bem. É quentinho.
Isto é nosso enquanto pertencermos ao Coletivo.
Nem temos de construir.
Um cozinha a sério.
Vejam isto.
- Tem quartos. - Há jogos de hologramas!
CAÇADORA NECRO!
Não é muito realista, pois não?
Para ti, é. Agora és uma androide normal.
Sim, como deve ser.
É uma coisa boa, mãe.
És o teu velho eu.
Sim.
Sou o meu velho eu.
Esta parte do planeta não quer matar as crianças.
- É quase acolhedora. - Sim.
Ainda estás chateado comigo, Pai?
Apesar de não ser...
O meu velho eu, como diria o Campion,
não sou indiferente à continuação da nossa parceria.
E ainda vais apagar as memórias que tens comigo?
Estamos num rumo próspero.
Não há motivo para levantar ondas, como se costuma dizer.
Vou adiar a eliminação até aviso em contrário.
Mas continua a ser uma opção muito real para mim, Mãe.
Sim, claro.
Estou feliz por poder compensar-te.
Estão fora do perímetro.
- Depressa! - Tira isso.
- Depressa. - Ajuda-me a tirar!
Se não voltarem, irão...
Voltem ao grupo.
Restam dois minutos antes da detonação.
Sai de cima de mim.
Não! Saia de cima dela! É a minha filha.
Não é filha de ninguém. Preciso do pino do ombro dela.
Resta um minuto.
É do formato da chave.
Pronto.
- Restam 30 segundos. - Desarme a dela.
É um modelo civil. Não violenta.
- Já não tem idade para bonecas. - Por favor.
Devem ter ouvido a explosão.
- Deviam vir comigo. - O quê?
Anda.
Obrigada.
Há comida que chegue.
Se os mitraístas ganhassem,
nunca deixariam os nossos filhos viver.
Estes são os ateus que os meus filhos devem admirar?
Onde estão os intelectuais? Os filósofos? Os artistas?
Não sei. Estávamos melhor na prisão.
Não ficaria à espera de personalidades inspiradoras.
As pessoas que sobreviveram ao fim do mundo
não eram a nata da sociedade.
Atenção, colonos.
- Olhem. - É o Paul!
- Estás bem, amigo? - Magoaram-te?
Vim em nome do Fundo
dar as boas-vindas à Lamia e à família ao Coletivo.
A Lamia foi reprogramada para lutar por nós.
Sozinha, destruiu a Arca Celestial
e garantiu que o nosso futuro neste planeta seria brilhante.
O Fundo pede que mostrem gratidão
ao serem corteses com ela e com os seus filhos mitraístas.
É um novo dia. Um recomeço.
O Fundo agradece a vossa colaboração. Bom dia.
Não me deram o Rato.
O rato dele?
Não podemos trazer animais da Terra.
Não se preocupe. O rato dele será tratado.
Vai-te lixar.
Desculpa, Paul. Vou tentar recuperar o Rato, está bem?
Pronto. Eu sei...
Sei que fiz muitas coisas más
e não estou a fingir que não as fiz.
Quero estar na tua vida.
- Quero cuidar de ti. - Não podes. Não podes.
A tua alma é impura.
Preferia que tivesses morrido.
Vou pedir transferência para outro acampamento.
De certeza?
Posso recomendar protocolos de cuidados que ajudam.
Matei a mãe dele.
Sim, é um desafio difícil de superar.
Porque lhe contaste a verdade?
Não contei. Ele...
Ele disse que foi uma voz na cabeça dele.
Aconteceu o mesmo ao Marcus.
Eu tive uma experiência semelhante.
Uma presença invadiu o meu sistema.
Talvez seja um sinal,
uma transmissão ouvida por humanos e androides.
E agora? Ainda a estás a receber?
Não, só estava vulnerável dentro de um espaço virtual
e planeio permanecer apenas no espaço real.
Que te disse?
Tentou manipular-me.
Virar-me contra a minha família.
Antes ou depois de engravidares?
- Depois. - Foi por isso que perdeste o bebé?
Não sei.
Se for mesmo um sinal,
gostava de saber quem o envia.
Tal como eu.
Os ateus devem fazer uma análise planetária.
Se for um sinal, posso descobrir de onde vem.
Se descobrires, não investigues sem mim.
Combinado.
Cuida do Paul por mim.
Esperto.
Um projétil para cada ocasião.
Alguns podem ser demasiado venenosos. Deixa-me analisar.
- Não são, Mãe. - Devias deixar-nos analisar.
Deixa estar, Mãe. Um adulto tem de ser independente.
Que sabedoria.
Quero que tentes ajudar o Paul a recuperar a razão. Precisa de ti.
Quando estávamos na selva,
protegi o resto do grupo, cuidei deles.
Como tu e o Pai fariam.
Estou orgulhosa de ti.
Sempre estive.
Desiludi-te
e lamento por isso.
Mas vou compensar-te.
Vais alcançar o teu potencial.
Talvez quando o Fundo abdicar, subas tu ao poder.
Não. Mãe, não quero ser líder.
Não é uma coisa que se queira.
Lamento pelo Número Sete.
Agora temos de pensar no futuro.
O Fundo mandou-me mostrar remorso por ameaçar outro colono.
- Venham. - A violência é dor.
A dor é violência.
Que fazemos aqui?
- É uma fila. Bem-vindo ao futuro. - Calados.
É eficiência necessária.
A violência é dor.
A dor é violência.
O Fundo mandou-me mostrar remorso por ameaçar outro colono.
A violência é dor.
A dor é violência.
RECOLHER ALIMENTOS PARA O COLETIVO
É o mesmo que eu.
Parece que temos a mesma tarefa: recolher alimentos.
IR A TARANTULA VER A MARCELLA
Que emocionante.
Parece que recebi uma tarefa diferente.
Vamos?
...partículas, como fotões escuros.
O Fundo confiou-te as crianças mais novas.
- Não têm pais? - Têm.
As crianças são criadas pelo Coletivo.
Olá.
Chamo-me Lamia.
Hoje vamos divertir-nos muito.
Que abundância.
Em menos de uma hora os sacos estão quase cheios.
Saudações, colonos.
Volta para a Terra que destruíste, escumalha.
Anda.
Não tenhas medo deles. São demasiado burros.
Não tenho medo deles.
Espero que não seja preciso dizer, mas não és escumalha.
Eu sei, Pai.
Vem comigo.
- Brinquedos! - O quê?
Posso levá-los para o habitat?
Devíamos juntá-los.
Não para levar para casa, para análise.
Vá. Tens muito espaço no saco.
- Quem terá feito isto? - Eram crentes.
Que mais importa?
- Chamo-me Marcus. - Chamo-me Decima.
Ela chama-se Vrille.
Põe-na em Hibernação.
Vrille, Modo Hibernação.
- Não gosta de androides? - Odeio-os.
Arrepiam-me desde miúdo.
Ela foi personalizada.
Nem sei como a mantiveram.
Foi uma troca por arranjar a nave.
- É técnica. - Engenheira de gravidade quântica.
- Então é mitraísta. - Sim.
A nave era uma arca mitraísta.
Construída por mim.
Apoderaram-se dela e detiveram-me.
O Fundo prometeu soltar-nos.
O Fundo não diz só a verdade?
Eu é que violei o nosso acordo.
Disse que a nave estava a 100% e sabia que era mentira.
Os sistemas de hibernação falharam e estivemos 12 anos acordados ao molho.
Se houvesse guerra, perdiam.
Não houve guerra. Só sobrou o Marcus.
Ouvi a Mãe dizer que um dia ias liderar os ateus.
Pensei que estavas a dormir. Ela diz essas coisas, mas não a levo a sério.
É bom saber.
O que é?
É um presente de Sol.
É a árvore do conhecimento. Há uma profecia sobre um menino órfão.
Acho que posso ser eu.
Um órfão numa terra vazia empunhará a espada feita da luz de Sol
e levará o seu povo à árvore do conhecimento.
Quem de lá comer ficará puro.
Construirão uma cidade de paz e o profeta será rei.
"Profecia" não é só uma forma de dizer "um ditado da Terra"?
Pareces pronto para liderar os ateus.
Não sou ateu. Acredito em coisas.
Só não sou como tu.
O Sol, ou lá o que é, é real,
mas é maligno.
Queria que eu me matasse.
Fez-te alvejar a Sue.
Se Sol não me dissesse a verdade, ela continuava a enganar-me.
E é mesmo melhor?
Não podes guardar. A lei diz para entregares as relíquias.
Não lhes vou dar.
Se és mesmo meu amigo, não vais contar.
Tudo bem.
Não digo a ninguém que o tens.
Mas só se não disseres a ninguém que tenho isto.
Depois de chocar, pode ser o nosso animal.
Concordo.
Sol quer que eu encha este sítio de crentes.
Foi por isso que me trouxe até cá, para juntar o rebanho.
Sorte a sua, é a primeira.
- Não fui batizada. - Quero lá saber.
Banha-se na luz Dele?
- Ama-lo? - Sim.
Mas chegará? Somos dois. Eles são 300.
Vou convertê-los todos. Um de cada vez.
Aquele computador não lhes dá um propósito.
Não sonha com as possibilidades.
Mas eu tenho sonhado.
Toda a vida sonhei com um lugar melhor.
Fui levado para a guerra em criança.
Sobrevivi porque todas as noites ia para um lugar imaginário onde não estava só.
Onde tinha esperança. Um lugar só com amor e paz.
É isso que vamos fazer aqui. Sol vai ajudar-nos a concretizar.
A sua mente linda é um dom. As suas aptidões são um dom.
Sol deu-lhe esses dons. Irá fazer coisas incríveis com esses dons.
Não em nome de um computador,
em nome do nosso criador, do nosso pai.
Sol vai testá-lo.
Já me testou, e muito.
Depois de tanto sofrimento, só me aproximou mais de quem sou.
Sim, acredito em si.
Já podem abrir os olhos.
Aqui têm a vossa surpresa.
Ovos.
A minha mãe diz que voavas como um pássaro
e matavas pessoas com a voz.
Os androides mudam,
tal como os seres humanos.
Já não sou exterminadora.
Embora não seja criadora de vida humana,
sou sua guardiã eterna.
- Não o tornes assustador. - Não é assustador.
É lindo.
Os seres vivos são todos lindos.
O sol pôs-se
As sombras Invadem o teu quarto
Oramos a Sol À Sua luz salvadora
Para nos guiar no incerto
Oramos a Sol À Sua luz salvadora
Para nos guiar no incerto
Sol, ajuda-me a livrar-me destes pensamentos.
Da minha solidão.
Preciso de um laser para o abrir.
- Que achas que tem lá dentro? - Não sei.
Talvez um mapa que nos leve até à árvore.
Sementes. Ainda não foi plantada. Tem de ser cultivada.
- Que é isto? - Uma ameaça, Mãe.
Ripadas por: SpyderMann
Em memória de Tanna Young
Tradução e legendagem: Sara Cunha/Cinemágica, Lda.
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