All language subtitles for Perfect.Wife.The.Mysterious.Disappearance.of.Sherri.Papini.S01E02.Smegma.was.Relentless.1080p.DSNP.WEB-DL.DD+5.1.H.264-p

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Original subtitles

Por favor!

N�o quero ficar aqui...

Fiquei em choque.

Fui at� o leito onde ela estava...

e dei um abra�o desajeitado nela.

Peguei por baixo, na barriga, com meu bra�o direito

e coloquei o esquerdo no ombro dela.

Foi quando minha m�o encostou na queimadura dela.

Caralho...

- � o seguinte... - Caralho.

Comecei a olhar melhor.

Lembro que senti n�usea.

Havia uma queimadura nas costas que dizia "�xodo"

deste tamanho.

O nariz parecia ter levado uma pancada muito forte.

Nossa...

Hematomas nas costas, nas pernas, na frente, na lateral.

Ela tinha um buraco no bra�o.

As costelas estavam muito aparentes.

Saltando do corpo...

Achei que nunca mais fosse te ver.

Qualquer desconfian�a sumiu na hora.

A Esposa Perfeita: Um Desaparecimento Misterioso

� uma situa��o ca�tica, mas estamos do mesmo lado.

Ela est� viva e vai receber os cuidados necess�rios.

Mas temos muito o que come�ar a investigar.

Sherri, sei que foi muito dif�cil...

N�o quero falar com eles. Ela disse que estavam envolvidos.

Que eles estavam envolvidos?

Ali estavam Brian Jackson, o detetive Kyle Wallace,

eu e a Sherri.

Ela n�o queria conversar

porque n�o confiava na pol�cia.

N�o quero falar com eles.

DETETIVE DO CONDADO

Era muito dif�cil rebater esse tipo de alega��o

ali naquele momento.

Eu precisava que algumas coisas fossem feitas logo.

N�o quero falar com eles.

Eu sei. Voc� vai falar comigo.

Eles est�o anotando tudo que digo.

Pedimos que Keith conseguisse o m�ximo de informa��o poss�vel.

N�o sei os procedimentos, mas n�o vou sair de perto dela.

Posso falar com ela, j� que ela n�o quer...

Ela leu umas mat�rias.

Disse que n�o acreditavam em mim,

que tinha algu�m envolvido,

que eu tinha ido embora por conta pr�pria, o que � mentira...

E que tinha algu�m envolvido.

Isso foi tudo que ela me disse.

Por isso n�o quero falar com voc�s.

Fale comigo. Nem olhe pra eles.

N�o vou embora.

Vamos dar um jeito.

Me conte o que aconteceu.

DEP. DE JUSTI�A DOS EUA

Era um SUV. Um SUV escuro.

Um SUV escuro.

Era s� uma pessoa?

- Duas. - Duas?

- Duas mulheres. - Duas mulheres hoje?

- S� uma hoje. - S� uma?

A mais nova. Tinha uma nova e outra mais velha.

Nova e mais velha.

Eram hisp�nicas, falavam espanhol.

Hisp�nicas...

Keith, calma.

Certo...

(Chorando)

Ela disse que eu voltaria pra casa se eu n�o resistisse.

Eu voltaria se n�o resistisse.

Aconteceu alguma coisa, algo deu errado.

Ela disse que eu voltaria pra casa se n�o resistisse.

Eu s� quero ir pra casa.

Voc� ser� transferida hoje � tarde.

- Ele ficar� com voc�. - Quero ver minha irm�.

Obrigado.

Quero ver a Sheila.

Ela est� bem?

- Uma hora ela vem te ver. - Ela est� bem?

IRM� DE SHERRI

Quando vi ela pela primeira vez...

parecia que ela tinha sido torturada e espancada.

Eu te amo muito.

Eu estava com raiva e disposta a...

machucar as pessoas que tinham feito aquilo com ela.

Fiquei chocada por ela estar viva

e eu ter ganhado outra chance

de dividir uma vida com ela...

De fazer parte dela.

Porque eu achei que tinha acabado.

Sinto muito.

�, acho que n�o temos muitos detalhes.

Parece que foi solta

e andou at� cair no ch�o.

PAPINI � ENCONTRADA

Not�cia urgente da Calif�rnia. Aquela m�e, Sherri...

A mulher foi encontrada

numa pequena estrada perto da rodovia I-5.

Est�o chamando de milagre de A��o de Gra�as.

Hoje, mais do que nunca, fico muito grata

por tudo que as pessoas fizeram.

Aleluia!

� a melhor not�cia e A��o de Gra�as.

O quadro de Sherri Papini � est�vel.

Ela est� junto de seu marido, Keith.

Pude dizer aos meus filhos:

"Adivinhem s�? Achei a mam�e."

ESTAMOS COM VOC�

Sherri foi encontrada

Ela estava bem? Maravilha!

Estamos � procura de um SUV de cor escura.

A pol�cia busca duas mulheres hisp�nicas...

Encontraram DNA de mulher e de homem.

O delegado ainda n�o sabe por que Papini foi solta agora,

nesta regi�o, ou onde ela estava...

Os agentes querem interrog�-la novamente assim que poss�vel.

Testando, um, dois.

Ela � o recurso mais valioso.

O que viu e ouviu?

Um pequeno detalhe pode ser a chave para solucionar o caso.

Keith, pode falar que dia � hoje?

A data de hoje?

� dia 28 de novembro, n�?

- Certo. - De 2016.

4 DIAS AP�S O RETORNO DE SHERRI

Pedimos para interrog�-la sozinha,

mas ela se recusou e queria Keith presente.

Talvez ela n�o falasse sem ele ali,

ent�o baixamos a cabe�a e aceitamos.

A falta dele dificultaria as coisas.

Acho que seria mais f�cil com o Keith aqui.

Claro, tudo bem.

- Precisa de algo? - E eu...

Ela se sentia protegida comigo

e desprotegida quando eu sa�a.

Por onde quer come�ar?

Do dia em que...

- Do come�o. - Veja como se sente.

Comecei minha rotina.

Dei comida �s crian�as, deixei elas na creche.

N�o aconteceu nada. A despedida nem foi dif�cil.

�s vezes eles ficam: "N�o vai embora."

N�o foi uma...

despedida...

dif�cil.

Certo.

N�o, nada.

Mandei mensagem pro meu marido.

Pra vir "almo�ar" em casa.

Pensando agora, d� vergonha.

Ele respondeu: "Valeu pela mensagem."

"Querido, quer vir transar com sua esposa no 'almo�o'?"

Foi dif�cil.

Eu me lembro como se fosse ontem.

� um assunto delicado porque...

E se eu tivesse vindo pra casa?

Estar�amos aqui agora?

Acho que o aplicativo que eu usava se chama 5K Runner.

Sempre corro com uma m�sica.

Comecei a ouvi-la.

Qual �?

Nossa m�sica de casamento.

Ela me ajuda a manter o ritmo e me deixa alegre.

Se chama "Everything", de Michael Bubl�.

Do nosso casamento.

Voc� a ouvia outras vezes durante a corrida ou...

Ficava repetindo.

Voc� estava chegando nas caixas de correio?

- Na Sunrise com a Old Oregon. - Sim.

Correto.

Prossiga, se conseguir.

Eu, sei l�...

Tem certas coisas que s�o dif�ceis de explicar.

Est� indo bem, Sherri.

- Se n�o conseguir... - A janela baixou e...

Era uma mulher.

N�o consegue se lembrar?

� muito frustrante porque eu sei...

Sei que ela usava um chap�u, mas n�o recordo a cor,

nem as roupas.

Certo.

Enquanto d� seu relato,

voc� est� vasculhando seu c�rebro por mem�rias.

�s vezes, ele responde: "N�o posso acessar isso agora."

Vai parecer bobo,

mas enquanto tenta se lembrar do carro,

imagine um azul�o-oriental, um tordo, qualquer p�ssaro,

no alto de uma �rvore...

Apenas observando.

Ele v� voc� correndo na estrada

e um carro se aproximando.

O que ele consegue ver?

Corri at� as caixas de correio.

O carro parou,

deu r� e parou de novo.

Cortei pela diagonal.

Nem me lembro da porta se abrindo.

- Vou anotar isso... - Ela pediu ajuda.

Talvez tenha dito "ei"

ou algo pra chamar aten��o.

- A passageira ou a... - A passageira.

O carro estava na Sunrise?

- Ou ainda na Old Oregon? - N�o.

Estava...

- Estava na trilha Old Oregon. - Certo.

Fui em dire��o ao local onde tinham dado r�.

Eu segurava o celular e usava fones,

ent�o tirei um para ouvi-la.

Ela abriu a porta.

A� eu vi o pequeno...

rev�lver.

Imediatamente me abaixei.

Me agachei.

N�o estamos esperando ningu�m.

N�s tamb�m n�o.

E saibam que s� uma pessoa na delegacia...

Duas pessoas sabem que viemos aqui.

O detetive e o tenente.

Quando a Sherri apareceu...

a imprensa foi insistente.

Sendo sincero, quando ela desapareceu,

a ideia era essa.

Eu queria divulgar o rosto dela.

�...

O delegado disse que est�o investigando o passado de Sherri Papini,

incluindo seu �ltimo div�rcio e hist�rico na internet.

Ainda falta esclarecer...

O inqu�rito est� longe de acabar...

Havia muitos carros tomando a rua

e c�meras apontadas pra nossa casa.

Tenho uma cerca grande,

e eles passavam por ela.

N�o paramos de receber cartas,

convites e liga��es da imprensa.

Ol�, Sr. Papini. � o Dr. Mehmet Oz.

Apresento o The Dr. Oz Show

e estou acompanhando sua hist�ria.

Recebemos liga��o do Dr. Oz e do Dr. Phil.

Alguns entravam na propriedade.

Desde o retorno na A��o de Gra�as,

Sherri Papini s� foi vista uma vez.

Decidimos vir � casa deles.

Ol�. Keith? Sherri?

� Chris Hansen, do Crime Watch Daily.

Se estiver a�, talvez queira dar uma entrevista.

Keith?

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com

Coisa rid�cula...

�ramos seguidos por paparazzi.

N�o param de me perseguir.

D� tchauzinho. Ol�.

Tentamos ser bem discretos...

pensando na melhora dela e nas crian�as,

que ainda eram bem novas.

N�o lembro se ela disse "n�o queremos te machucar"

ou "n�o queremos te matar". N�o lembro ao certo.

"N�o queremos alguma coisa."

A� eu larguei o celular...

Assim que larguei,

fiquei arrasada porque n�o teria como ligar pro meu marido.

Assim que fiz isso...

A� eu me virei...

E me arrependo muito disso,

porque eu devia ter corrido, mas n�o corri, eu...

E n�o consigo me lembrar

de levantar a perna,

de ver a porta traseira se abrindo.

Se precisar, beba �gua.

Eu quero fazer uma pergunta,

e talvez isso possa ajudar.

Respire e beba.

Certo.

Voc�...

O que se lembra depois disso?

N�o � bem uma imagem, mas uma sensa��o.

- Senti muito enjoo. - Certo.

E frio.

O cheiro de sab�o l�quido

na fronha de travesseiro que colocaram na minha cabe�a.

Recorda onde estava quando percebeu a fronha?

No piso.

Deitada de lado.

Com o carro em movimento.

Pediram para voc� colocar ou elas colocaram?

Acordei j� com a fronha.

O p�ssaro v� para que dire��o foram?

N�o.

Voc� foi �tima, parab�ns.

Est� vendo as lembran�as em primeira pessoa, correto?

A partir dos seus pr�prios olhos?

Entendeu a pergunta? Voc� est� indo bem.

Ao tentar recordar, voc� busca na...

� dif�cil ver isso.

Lembro que me senti p�ssimo por ela.

E n�o consigo me lembrar de levantar a perna, de...

Senti muitas emo��es ali.

E felicidade por ter Sherri de volta.

Mas mal podia imaginar pelo que ela tinha passado.

Naquele momento, eu s� queria voltar no tempo.

- Oi�. - Oi�.

Ao nosso primeiro encontro, � noite no lago.

Estendemos uma toalha ali na doca

e conversamos a noite toda.

Fiquei caidinho por ela muito r�pido.

Foi a� que te conheci.

Eu me sinto realizada desde nosso primeiro beijo.

Beijos, Sherri

Deus, finalmente a encontrei. Eu te amo, Sherri!

Naquela noite, ela me disse que era casada.

Fiquei: "Nossa! Quem ele �?"

E ela: "N�o nos conhecemos bem, ele serve no Ex�rcito.

Ele quis casar comigo pra ganhar mais.

E eu precisava do plano de sa�de pra fazer cirurgia no cora��o."

Falei: "Cirurgia no cora��o? Caramba!"

E ela: "Mas estou me divorciando."

S� falei: "Beleza."

E voltamos aos beijos e amassos.

O per�odo seguinte foi incr�vel.

A gente sa�a direto.

Tudo estava dando certo.

Vejo nosso futuro nos seus olhos.

Que sorte a minha, querida!

T�, minha primeira impress�o da Sherri foi...

TIA DE KEITH

"� boazinha demais, tem algo a�." Logo de cara.

Eu e minha irm� nos entreolhamos e dissemos:

"Qual � o problema dela?"

Mas fui conhecendo ela melhor

e vi o Keith t�o feliz.

Percebi que era uma querida mesmo.

Uma garota maravilhosa de verdade.

Eu achei perfeito.

Tudo seria perfeito.

DELEGACIA DE SHASTA

Aqui � Kyle Wallace,

investigando uma den�ncia sobre a din�mica familiar.

MELHOR AMIGA DE SHERRI

Existiam problemas ocasionais.

Ele � superprotetor com ela.

AMIGA DE SHERRI

Ele � um dos motivos de ela n�o ter Facebook,

por n�o querer que fosse admirada.

Ela teve muitos namorados, muitos homens na vida dela.

Ele via problema nisso?

Via problema, sim.

Sei que ele n�o gostava quando ela sa�a.

AMIGA DE SHERRI

Tinha muita gente, umas 3 mil pessoas,

num hotelzinho min�sculo.

Mas, pra deixar tudo melhor, o Keith veio me fazer surpresa.

Vire e diga oi.

E a�?

Ele disse que n�o viria.

Obrigada pela surpresa, querido.

Voc� � o melhor noivo que uma mulher poderia ter.

Eu te amo.

Obrigado.

DELEGACIA

Naquele momento, eu analisava as provas

para ver o que t�nhamos deixado passar.

Descobrimos que a rela��o estava desgastada.

Isso nos fez enxergar

que n�o era um casamento perfeito.

A situa��o...

n�o era ideal.

Tivemos discuss�es ao longo dos anos.

Houve uma ocasi�o espec�fica em que tentei sair

e ela ficou na porta, sem me deixar passar.

Eu estava no alto da escada na casa dela.

Ela arremessou um porta-retrato em mim

e destruiu meu joelho.

Foi um corte enorme.

Fiquei sem rea��o.

A Sherri tinha me contado

que ele tinha empurrado ela

contra o guarda-roupa.

Ela perdeu o equil�brio,

porque a porta abriu

e ela caiu em cima dos sapatos, bolsas e tudo mais.

Ela pegou um porta-retrato

porque temia ser ferida seriamente.

Por que acha que isso aconteceu?

Ele queria confront�-la.

Dizendo: "O que est� rolando?"

Ela falava com outros caras.

Ele descobriu e ficou irritado.

Se ele colocou as m�os nela?

Acho que n�o.

Lembra-se de alguma m�sica?

- Que ouviu no carro? - Sim, m�sica mariachi.

Devia ser no r�dio.

Havia muitos elementos a serem considerados.

Muitas perguntas que fizemos

tentavam estabelecer os acontecimentos.

Voc� est� indo bem.

Coisas que n�o que eram esperadas dela.

Sem motivo claro e detalhes precisos,

eles esperam conseguir respostas atrav�s das torres de celular.

Esse caso � estranho desde o come�o.

...tamb�m acharam DNA masculino...

Ela n�o revela muito porque tem dificuldade para lembrar.

...os sequestradores a soltaram naquela estrada.

N�o tem motivos para desconfiar da hist�ria dela?

De forma alguma.

HIST�RIA ESQUISITA

tinha um caso #Farsa

Bela e pequena

O sequestro de Sherri Papini foi armado?

Sim / N�o / Ainda n�o sei

N�o acreditei nela.

Quando a hist�ria foi noticiada,

imediatamente notei coisas suspeitas.

Como sou de Redding, na Calif�rnia, comecei a investigar.

Fui at� o local

onde ela teria supostamente sido raptada.

� bem aqui.

N�o fica escondido das casas vizinhas.

Cinco casas conseguem ver aquele local.

Essas �rvores estariam sem folhas nessa �poca do ano.

Todos esses locais teriam visibilidade de l�.

Seria muito ousadia parar ali,

colocar uma mulher � for�a num carro e ir embora.

N�o havia marca de arrastado no cascalho.

Nenhum vest�gio de luta.

E no v�deo que havia sido divulgado,

Sherri corria sem nenhuma amarra.

O que achei interessante,

porque quando ela pediu para os carros pararem na rodovia,

um bra�o estava acorrentado.

Comecei a questionar Keith.

SHERRI ESCONDE ALGO

Eu achava dif�cil acreditar em tudo que ele dizia.

Ele era muito dram�tico e intenso.

Isso me fez questionar

se ele sabia mais do que dizia.

Ela � muito forte.

A HIST�RIA N�O BATE

Comecei a relatar as minhas descobertas

que colocavam em d�vida a hist�ria deles.

Texto EXCELENTE

Quando me dei conta,

a hist�ria havia sido lida 50 mil vezes em 24 horas.

Ansioso pelo pr�ximo post!

O que acha de Keith?

� tudo encena��o

Tem algo estranho com o marido

Essa hist�ria � balela. Sherri e o marido que se fodam.

Parece o menino do bal�o.

Eu sabia das redes sociais

e das pessoas duvidando da hist�ria dela.

Algumas coisas eu dizia: "�, faz sentido.

� estranho mesmo."

Mas ningu�m via ela.

Eu sou certinho,

ainda mais com a pol�cia.

Ent�o entreguei meus registros, celulares.

No primeiro dia, dei nossos celulares, notebooks.

N�o contratei advogado. Dei acesso ilimitado � minha vida,

e eles n�o descobriam nada.

E t�nhamos um corpo destru�do.

Eu...

Tentei n�o dar aten��o a essas distra��es.

� uma hist�ria impressionante e comovente,

e a sobrevivente Elizabeth Smart consegue se identificar com ela.

Ela tinha apenas 14 anos quando foi sequestrada

e mantida em cativeiro por nove meses.

� muito importante que as pessoas entendam

que um sobrevivente que retorna

fez o que tinha que fazer para sobreviver.

Achei aquilo que me seguraria

e que os sequestradores n�o podiam tirar de mim,

a minha fam�lia.

Imagino que aconteceu o mesmo com Sherri.

Que ela se agarrou a eles,

sobreviveu para eles.

Nas primeiras semanas,

a Sherri n�o conseguia relembrar os acontecimentos.

Estava muito claro que ela precisava de terapia

para lidar com o trauma que passou.

Come�amos uma rotina de sess�es,

e a Sherri queria minha presen�a.

Ent�o fui � terapia com ela duas vezes por semana,

durante duas horas, �s ter�as e quintas.

A terapeuta deu uma sugest�o:

"Por que voc� n�o escreve um livro sobre seu sequestro

como uma forma de registrar lembran�as

enquanto ainda est�o vivas?"

ESTA � MINHA HIST�RIA

Isso virou o livro Os 22 Dias.

CAP�TULO UM

� a hist�ria nas palavras dela.

� pesado.

Me lembro do que senti no quarto,

a vis�o turva e os rastros de cor.

Lidei com duas personalidades diferentes

no meu cativeiro.

Uma mulher maior e mais velha,

que chamaremos de Esmegma,

e a mulher menor e musculosa,

que chamaremos de Per�neo.

Esmegma era inabal�vel.

Ela nunca titubeava ou cedia � raz�o

e exibia a linguagem corporal de um gorila defendendo seu territ�rio.

Ela n�o me alimentava nem me deixava tomar banho.

Ela � o monstro que temo

toda vez que um estranho se aproxima de mim.

As pessoas achavam ser uma farsa.

Que rid�culo! O DNA foi encontrado NELA

Havia muitas opini�es sobre o DNA que encontramos.

Muita gente questionava as lembran�as de Sherri.

Todo mundo tinha uma opini�o.

Esta � a pista 300. Acho que recebemos 956 pistas.

Leva-se tempo para olhar tudo.

Mas tantas feridas cicatrizando uma por cima da outra

indicavam diferentes ataques ao longo de duas semanas.

Os hematomas e as cicatrizes

eram terr�veis.

Ficamos no holofote, e as pessoas queriam respostas.

Incessantemente.

T�nhamos o privil�gio de ter bons amigos

com uma casa linda no Monte Shasta.

Uma cabana de madeira linda.

Eles nos deixaram ficar l�.

Eu lembro que a Sherri queria tirar fotos nossas...

juntos novamente.

Pediu que eu preparasse a c�mera

pra tirar fotos nossas abra�ados e nos beijando...

Pra deixar claro que tinha sido achada

e que �ramos um casal novamente.

Normalmente as duas ficavam l�?

Em algum momento ficava s�...

5 DIAS AP�S O RETORNO

- S� uma das duas? - N�o.

� dif�cil dizer,

porque eu ficava de quatro, com a cabe�a abaixada.

Mas sinto que a grandona

gostava daquilo, e a pequena, n�o.

Faz sentido?

Com certeza.

A queimadura, o corte de cabelo,

a queimadura no bra�o,

foi tudo coisa da grandona,

n�o da pequena.

Sobre a marca��o...

Tenho perguntas, se puder responder.

Posso. Vamos acabar logo com isso.

Cada letra � uma queimadura.

Foi tudo feito de uma vez, ou em momentos diferentes?

Tudo junto, por um per�odo prolongado.

Ela detalhou o que aconteceu, a dor,

o som da pele borbulhando e rachando,

o cheiro do pelo queimado.

Minha primeira queimadura.

A porta se abriu, e eu estremeci.

Olhei imediatamente para baixo.

Rapidamente ela me pegou.

Ela me tocou com algo que n�o eu conseguia ver,

e eu gritei de dor.

O que a mais nova fazia nesse momento?

Ficou com o equipamento, ou algo assim.

Era ela que manipulava.

Voc� viu ou ouviu isso?

N�o dava pra ver, porque estavam atr�s de mim

e minha cabe�a estava na mesa.

Eu me lembro do som de...

batida numa panela de metal.

Em um trecho do livro,

as sequestradoras falam de outros envolvidos.

Fui queimada mais de uma vez.

Eu tremia.

Toquei na ferida e a pele caiu.

O ar provocava dor.

"A pol�cia vai me encontrar",

falei alto para Esmegma ouvir.

"Seu comprador � da pol�cia, puta",

ela disse em tom arrogante,

rindo atr�s de Per�neo.

"Por favor, meus filhos precisam da m�e",

eu clamava.

"Me deixem voltar para meus beb�s."

Parab�ns!

- Muito bem. - J� peguei dois brancos.

N�s temos mais. Coloca aqui?

Sab�amos que a recupera��o demoraria,

mas ela estava conosco,

e isso era tudo que eu poderia querer.

Recebemos muita gente no Natal.

Ela n�o conseguia olhar nos olhos

nem dos parentes.

N�o nos vimos muito.

Uma vez, ela trouxe os filhos

e perguntou se meu marido estaria em casa,

e respondi que n�o, ele estaria no trabalho.

Perguntei o porqu�.

Ela disse: "N�o sei se estou preparada.

N�o conhe�o Dennis t�o bem."

Conhecer gente nova estava fora de cogita��o.

Eu sentia pavor e tristeza por ela

e imaginava todas as emo��es que ela sentiu durante...

S� Deus sabe o que ela sentia.

Durante os meses seguintes,

n�s demos uma sumida, por assim dizer.

N�o sa�amos de casa.

Cinco, quatro, tr�s, dois, um!

FELIZ ANO NOVO

N�s viv�amos

num...

estado constante de medo.

Achei que algu�m viria terminar o servi�o.

Machucar, raptar as crian�as, qualquer coisa.

Colocamos um port�o e grades nas portas,

instalamos c�meras e compramos itens de defesa pessoal.

O que podia ser feito para deix�-la mais � vontade,

n�s fizemos.

Quando as crian�as brincavam l� fora,

a Sherri fazia elas entrarem

se visse uma pessoa ou carro desconhecido.

Poderia ser algu�m para rapt�-los ou tirar fotos deles.

Cobrimos as janelas com len��is.

As noites eram complicadas.

Ela n�o dormia com luzes apagadas.

N�o estou falando de abajur, mas luz de teto.

Pesadelos.

N�o s� pequenos tremores,

mas pesadelos que a faziam gritar.

Por favor!

Voc� est� acorrentada?

- Estou! - Respire fundo, querida.

Quem te acorrentou?

Voc� sabe ou foi sequestrada?

Eu n�o sei!

Acompanhei ela em v�rias sess�es de terapia.

Ela se encolhia e come�ava a gritar

e a chorar.

Ela resolvia um problema na terapia,

mas a� descobria um gatilho novo.

Tom�vamos tantas precau��es.

Certa vez fiz um jantar ou uma confraterniza��o,

e ela se recusava a comer feij�o-preto

porque s� deram a ela feij�o-preto gelado e enlatado.

Ela n�o aguentava nada da cultura hisp�nica.

Se ela visse algu�m de cabelo escuro e ondulado,

uma pessoa hisp�nica qualquer,

isso a deixava mais alerta.

"S�o elas?"

A Sherri me disse que tinha muitos gatilhos.

Barulhos, porta fechada.

Ela ficaria em p�nico imediatamente com isto.

Ela n�o passava pelas caixas de correio,

n�o dirigia sozinha.

Ela n�o conseguia usar o banheiro com a porta fechada.

Eu tinha que entrar e fechar.

Mas ela n�o queria que eu trancasse, porque o som da trava...

faria ela chorar.

O Keith tinha que estar com ela o tempo todo.

Ele cuidava de tudo.

Ela n�o comia nada que n�o fosse preparado por mim,

pela irm�, Sheila, ou por algum conhecido.

E t�nhamos que preparar na frente dela,

porque ela foi dopada pelas sequestradoras,

que colocavam drogas na comida.

Ela ficava olhando pro nada.

As crian�as falavam, e ela...

n�o parecia estar ali.

Quando eu ia trabalhar,

quem fazia as minhas tarefas eram as crian�as.

Estou com dois bebezinhos que acabaram de acordar.

Bebezinhos que acordaram agora.

Me lembro de chegar um dia

e ver o Tyler na frente dela

batendo assim nas pernas.

Estimula��o bilateral.

Para acalmar ela.

Num momento de crise, que ela tinha muitas,

eu dizia: "N�o pode fazer isso

em outro c�modo?"

Se precisar chorar, pode chorar.

Se precisar gritar no travesseiro, grite.

Mas eu n�o gostava que fizesse isso perto das crian�as.

Um ano se passou

e algumas coisas n�o faziam sentido.

Mas pouco importava.

Eu disse ao Keith:

"Sempre estarei do lado que voc� estiver."

Me lembro de uma festinha,

digo, uma reuni�o na casa deles com umas 10, 15 pessoas.

Pouco depois de ela ter melhorado.

Quer�amos dividir alguns detalhes com amigos e fam�lia.

Foi aqui nesta sala.

Ela queria ouvir como cada um ficou sabendo

que ela estava viva.

Uma hist�ria em espec�fico foi bem emocionante,

a dos nossos amigos Ryan e Lauren.

A esposa sai da casa dizendo...

Acharam ela!

Nossa! Viva?

S�rio?

Meu Deus, Lauren!

Que maravilha!

Meu Deus!

Ela quis mostrar o v�deo a todos

para que pudessem ver a rea��o que t�nhamos visto.

Todos ficaram muito emocionados.

A Sherri explicou que tinha sido dopada,

e por isso se lembrava pouco.

Cada um disse: "Eu fiz isso e aquilo."

Dava pra ver que ela ficou:

"Poxa, fizeram tudo isto por mim?"

Foi legal receber todo mundo,

mas o motivo da reuni�o...

Foi muito esquisito.

� dif�cil de explicar, mas tinha algo errado.

Tive um momento de fraqueza com nossa terapeuta.

Falei: "Sei que vai pegar mal,

mas �s vezes n�o acredito no que a Sherri diz."

Ela disse: "Uma coisa que posso garantir

� que ela nunca mudou a hist�ria."

N�o dava vers�es diferentes.

A terapeuta diria:

"Ela me disse isso num dia e isso no outro.

E no fim das contas, olha o corpo dela.

N�o d� pra forjar isso.

Olha o corpo dela.

As cicatrizes.

Acha que ela seria capaz de mentir?"

Pensei por um bom tempo.

Com muita vergonha,

respondi: "Sim, consigo imagin�-la mentindo."

Ela ficou muito confusa com a resposta.

Mas...

ela tinha feito coisas duvidosas no passado.

Mentira, manipula��o.

Tem uma hist�ria sobre as costas dela

que ocorreu antes do nosso casamento.

Ela tinha duas cicatrizes deste tamanho

no meio das costas, como se fossem asas.

Eu falei: "S�o cicatrizes bem grandes."

Ela disse: "Foram de um ex.

Ele se chamava James e me batia."

E eu: "Meu Deus!"

Ela disse que ele pegou duas facas

e enfiou nas costas delas.

A Sherri s� esqueceu

que havia contado outra hist�ria pra amiga Jenifer.

A Sherri disse que o pai, Richard,

tinha segurado e cortado ela

com um estilete de precis�o.

Mas ela tinha se cortado sozinha

e admitiu isso quando moramos juntas.

Eu n�o sabia nada sobre isso.

Sobre pessoas que se cortam.

Eu n�o conhecia esse mundo.

Acabei deixando pra l�.

Quando ela reapareceu em 2016,

eu comecei a questionar mais ela.

Ela dizia: "Isso aconteceu com sua primeira esposa."

As pessoas perguntavam: "J� foi casado?"

Eu respondia: "N�o.

Ela est� se referindo a quem ela era,

antes de ser sequestrada, torturada e arrancada da fam�lia.

Ela sente tanta gratid�o que n�o faz mais joguinhos."

Ela dizia:

"N�o sou mais capaz de mentir."

Eu disse: "T� bom."

"Voc� n�o sabe se � verdade,

mas imagina como seria horr�vel passar por uma trag�dia

e seu c�njuge n�o acreditar em voc�.

Que tipo de trauma isso causa numa pessoa?"

Naquele momento, falei:

"Farei o que for poss�vel para voc� se recuperar."

Tem algu�m mexendo na carteira, cuidado.

Conforme ela fazia mais terapia,

viaj�vamos ao Oregon ou ao sul

s� para sairmos da cidade e virarmos pessoas comuns.

Em uma dessas viagens,

visitamos o Yellowstone e o Grand Teton,

passamos por Salt Lake City

e fomos a Coeur d'Alene, em Idaho.

Violet, Tyler.

Nosso filho aprendeu nessa viagem

a andar de bicicleta sem rodinhas.

Foi inesquec�vel.

Ele pedala a bicicleta

Papai!

Frequentamos locais p�blicos,

e parecia que ela tinha baixado a guarda.

Vimos melhora pela primeira vez.

Oi, pessoal!

E com isso quero dizer que antes ela nem olhava pra cima,

mas agora estava de cabe�a erguida.

N�o levou uma ou duas semanas,

mas muitos meses e anos.

A terapeuta e a Sherri foram at� o Condado de Yolo,

ao local onde ela foi solta.

Foi um momento marcante pra ela.

Fiquei feliz de voltar � normalidade.

Chegou a hora. Da Bomb.

- O que seria relar de leve? - Voc� mal deveria...

Tente encostar, n�o tem problema se n�o pegar.

� o suficiente.

Estou com medo.

� uma meladinha de nada.

N�o quero olhar!

Ai, mam�e...

Meu Deus!

Beba �gua!

Mam�e!

Calma, Ty.

- Mam�e. - Calma, Ty.

- Estou bem, querido. - Ty, est� tudo bem.

Eu estou bem.

O que foi?

Voc� se machucou?

N�o, estou com medo.

Coitadinho. Beba �gua.

Nossos filhos sentiram muito o que aconteceu.

A gente fica transtornado, irritado.

Est� tudo bem.

Quem fez isso com minha fam�lia?

Ainda estavam soltas.

Eu questionava seriamente se o delegado

e o FBI estavam avan�ando na investiga��o.

Haviam encontrado DNA,

mas n�o apontava pra ningu�m.

Foi o come�o de outro cap�tulo para Keith.

Aquilo estava inacabado. Ele queria respostas.

Se a esposa foi sequestrada,

ele queria que algu�m fosse punido.

Durante a recupera��o dela,

eu basicamente ouvia e fazia anota��es.

Eu perguntava tudo que vinha � cabe�a.

"Qual era o tamanho do quarto?"

A gente andava pelos c�modos para ter uma no��o de espa�o.

"Onde ficava a cama?

E a janela?

Como eram as paredes?"

Do guarda-roupa sa�a um cabo que ficava preso nela.

Tentei desenhar a planta baixa.

Uma �tima sugest�o da terapeuta foi usar caixas de sapato.

Assim ter�amos uma vis�o panor�mica, de cima pra baixo,

para organizar as caixas como se fossem c�modos.

Usamos o livro como refer�ncia.

A Sherri deu detalhes da casa onde ficou.

Fizeram muitos esbo�os do quarto.

Minha pris�o.

Ainda me lembro do fedor de mofo

e do colch�o,

da textura do carpete

e do rangido do piso de madeira.

Havia uma janela com tr�s t�buas de madeira.

Havia um lixeiro pl�stico que eu usava como latrina.

Meu cabo entrava no guarda-roupa,

preso � haste de metal com uma �nica argola.

A outra ponta se prendia � grossa corrente na minha cintura.

Era uma instala��o peculiar.

Este � um desenho do guarda-roupa.

Um cano que ia at� embaixo.

Era um cano rosqueado.

A corrente se prendia ao cano com um cadeado

e era amarrada nela.

Era um guarda-roupa singular.

Eu disse: "Descreva a mesa."

Ela disse: "Fina, como uma mesa de centro,

com um padr�o cinza semelhante ao m�rmore."

Comecei a pesquisar

at� ela dizer: "Parece essa."

E a foto que encontrei

era desta mesa aqui.

Achei que era um detalhe importante,

ent�o procurei imediatamente o FBI

e entreguei a foto.

N�o quero dizer que Keith me contava tudo,

mas ele repassava informa��es com frequ�ncia.

Ele ficava na internet com ela,

tentando refrescar a mem�ria dela e conseguir detalhes.

Ela sugeriu fazer um retrato falado, e eu disse:

"Com prazer. Podemos marcar para a semana que vem."

Um mist�rio voltou �s manchetes.

Novos desdobramentos no desaparecimento da californiana Sherri Papini.

Foi divulgado o retrato falado de duas mulheres hisp�nicas...

...uma mulher com cabelo comprido e cacheado,

orelhas furadas e sobrancelha fina,

aparentando ter entre 20 e 30 anos.

A outra mulher tinha cabelo preto e liso,

com sobrancelha grossa e grisalha, entre 40 e 50 anos.

PROCURA-SE

A comunidade precisa estar preocupada.

Se estranhos pegaram ela na rua,

a comunidade deveria se preocupar.

GANGUE MEXICANA

Recebemos muitas den�ncias dizendo:

"Vi mulheres hisp�nicas aqui e ali."

"Tem uma mulher num posto de gasolina

que trabalha num restaurante e parece a suspeita gorda e mais velha."

Recebemos den�ncias de outros estados.

S�o as sequestradoras de Redding?

Elas batem com a descri��o

Pedimos que a popula��o ajudasse a identific�-las.

Como podem imaginar,

muita gente se encaixa nessa descri��o gen�rica.

Como poder�amos nos sentir seguros

com duas lun�ticas � solta

que raptavam pessoas na rua?

Aquilo mudava tudo.

Voc� passa a desconfiar ainda mais dos vizinhos.

Latinos s�o 25% da popula��o do condado.

Papini disse ao FBI que elas s� falavam espanhol

e "ouviam aquelas m�sicas mexicanas irritantes muito alto."

puni��o, POR FAVOR Torturem os porcos

Havia preocupa��o de viol�ncia contra a comunidade hisp�nica.

Quando as pessoas sentem medo,

elas ficam mais dispostas a agir por conta pr�pria.

Por que nos odeia?

- S�o mexicanos. - Porque somos mexicanos?

Alguns s�o bons, outros s�o estupradores e assassinos.

- Somos pessoas de bem. - S�o estupradores e animais.

Construam o muro!

Esc�ria!

Deviam ser executados no ato

Atirem na cabe�a e eliminem esses marginais

O racismo existe.

Voc� aceitando ou n�o, ele existe.

Divulgaram os retratos falados, e eu pensei: "N�o.

N�o mesmo."

APRESENTADORA DE R�DIO

Aquilo, sim, era suspeito.

PROCURA-SE

Pareciam bandidos de filmes da d�cada de 80.

Mas afetou quem eu conhecia.

Mulheres da comunidade hisp�nica

n�o queriam sair ou dirigir juntas,

andar pela rua.

Foi uma loucura.

Eu me perguntei: "De onde surgiu isso?"

"Superm�e" inventou o sequestro

Ela escreveu num blog skinhead

O sequestro segue a trama de Garoto Exemplar

E o marido � estranho e ela � supremacista branca?

Continue Andando

Conscientiza��o e orgulho

Sherri Graeff n�o ser� derrotada

Surgiu um post de blog escrito por uma Sherri Graeff

cheio de preconceito sobre hisp�nicos.

Fazia parte de um site com cunho racial,

foi postado num blog.

Site skinhead.

Sim. De alguma forma, algu�m encontrou.

Servi�o de not�cias skinhead

Inspira��es de Sherri

Durante o ensino m�dio,

parece que ela escreveu sobre uma briga com garotas latinas...

PARTI PRA CIMA DELA

...e que deixou o pai orgulhoso.

Ela comenta algo sobre ter orgulho racial,

mas n�o sab�amos a origem e a autoria do texto.

POR PEITAR OS LATINOS

Isso apareceu durante a investiga��o

e precisava ser esclarecido logo.

Presumo que escreveu aquilo.

- N�o. - Certo.

Como escreveram com o seu nome?

- Eu nem... - Voc� sabe?

Nem fa�o ideia.

Antes do acontecido,

j� tinham visto esse blog?

- Ou ouvido falar dele? - Eu tinha visto.

Sabem do que estou falando?

Perguntei logo o que era aquilo.

Ela disse que era mentira. Eu falei da foto.

Fiquei: "O que est� acontecendo?"

Voc�s j� tinham conversado sobre isso antes?

Essa hist�ria � longa.

Vamos voltar no tempo.

Nos conhecemos em 2006,

no final do ano.

Se n�o me engano,

fiquei sabendo disso em 2007.

A minha rea��o foi: "O que diabos � isso?"

Rapidamente ela disse:

"N�o fui eu que escrevi. � alguma piada de mal gosto."

Aquilo n�o fazia sentido.

Como assim?

Eu era o palha�o da minha turma.

Entendo de piadas.

Mas algu�m parar pra escrever um texto negativo?

"Se ferrou, risos."

N�o consigo entender. N�o faz o menor sentido.

DOIS CARROS PARARAM

E detalhes na hist�ria nos faziam pensar:

"Os pais dela nunca tiveram uma pizzaria."

"N�o h� registros m�dicos disso."

FUI GOLPEADA NO QUEIXO

Eu pensei: "N�o � poss�vel que ela tenha escrito isso.

� algu�m se passando por ela.

Ela n�o � racista."

Porque eu nunca tinha presenciado isso.

Ela namorou homens de origem hisp�nica.

Era muito dif�cil acreditar que ela fosse racista.

Ela procurou um advogado pra tirar do ar,

ainda em 2007.

Recorda que advogado procurou para apagar isso?

Estou tentando me lembrar pra contar a voc�s.

Se me dessem uma lista de advogados,

eu conseguiria identificar

porque era um nome �tnico.

Ela garantiu que n�o foi ela.

Eu acho que foi,

mas n�o h� provas que confirme ou desminta.

N�o me lembro se...

Est�o dizendo que isso foi o motivador do seu sequestro.

Houve questionamentos sobre a exist�ncia

dessas supostas sequestradoras hisp�nicas.

Agora que divulgaram o retrato falado,

voc� acha que a pol�cia acredita

que elas s�o as respons�veis?

N�o sei se acreditam,

mas nesse est�gio da investiga��o

eles precisam confiar no que ela diz

at� que algo fa�a suspeitarem do contr�rio.

Qual era a motiva��o?

Considerando os elementos necess�rios, nada fecha.

Por que ela foi solta?

Por que se dariam o trabalho de rapt�-la

para solt�-la tr�s semanas depois?

- E a marca��o no ombro? - Pois �.

Quem faria isso a si mesmo, n�?

� muito mist�rio.

Caneta de pirografia

Meu marido quer respostas que n�o consigo dar.

Os detetives querem respostas que n�o consigo dar.

Eu fui construindo barreiras e reprimindo minha curiosidade

para curar meu corpo

e voltar a ser a m�e e esposa

que minha fam�lia espera de mim.

As autoridades est�o preocupadas com inconsist�ncias

na hist�ria de Sherri Papini.

Ela afirma ter sido sequestrada e presa

apenas pelas mulheres dos retratos falados.

A pol�cia diz ter encontrado DNA

nas roupas e amarras dela.

Sherri, vou come�ar tirando as meias.

P� ESQUERDO P� DIREITO

Voc� ser� levada pela pol�cia

para fazer exame de corpo de delito.

Eu s� quero ir pra casa.

Vamos come�ar do primeiro dia.

Comece por hoje e volte no tempo.

V�SPERA DA SOLTURA

Ontem � noite, elas claramente...

Houve algum problema.

Ouvi discuss�o e gritaria.

Gritavam uma com a outra.

- N�o lembro se... - As duas mulheres?

Sim, em espanhol.

A mais nova disse que eu precisava de rem�dio.

Elas gritavam muito e arremessavam objetos.

O que aconteceu depois do tiro?

Nosso c�rebro � programado para criar hist�rias,

teorias.

Disse que ouviu um tiro?

- Sim. - E depois?

- Foi a pequena que te soltou? - Sim.

Estava escuro, fazia frio

e havia cheiro de chuva recente.

Ventava muito na estrada.

Ela cortou a amarra e me mandou sair.

- A mais nova? - Sim. Ela me mandou sair.

E eu ca� do carro.

Foi perto da I-5, porque corri na rodovia.

Gritei at� sair sangue.

Preciso de uma ambul�ncia.

As provas de 2017 a 2020

passaram por nova avalia��o.

UNIDADE DE CRIMES GRAVES

As roupas de Sherri foram analisadas.

O DNA na roupa dela deu um resultado positivo.

Esse resultado identificou um suspeito em potencial.

Legendas: Caio Brito

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