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Original subtitles

Terra.

Um berço de beleza inimaginável e maravilhas descomunais.

Incompreensível. Impressionante.

Este planeta zomba de nossa incompetência para descrevê-lo.

É, para realmente apreciar o incrível esplendor deste planeta,

às vezes é preciso profaná-lo.

Contemplem o Profanador.

Sua natureza é vil, desprezível e pervertida.

Orgulhosamente apresentava talk shows, mas foi conduzido

por um ecossistema em transformação para um ambiente mais árido e inóspito.

O podcast semanal.

Aqui, sem ser nutrido pela audiência do estúdio,

este palhaço com olhinhos apáticos,

olhos de uma boneca mal pintada,

é forçado a se manter com o alimento mais ralo que existe:

as ligações aleatórias de fãs.

Provocado pelo odor selvagem de seu entusiasmo moderado,

ele sai para vasculhar terras distantes, sem convite,

alimentado por sua fome abissal de reconhecimento

e por uma selfie de vez em quando.

Isso é uma loucura.

É uma insanidade.

É um caos.

É Conan O'Brien Vai Nessa.

Espanha.

Oi, Conan.

Aqui é o Javier. Estou ligando de Madri, Espanha.

Javier, me fala de você.

Qual é a sua profissão?

Trabalho com turismo, como agente de informações turísticas.

Os turistas têm perguntas, como: "Como eu chego aqui?

Quanto custa a entrada do museu? Consigo um mapa?"

- E eu respondo essas perguntas. - Certo.

Você seria ótimo no meu trabalho.

Quando recebo um elogio desses...

MADRI

vou de avião agradecer pessoalmente.

- Oi! - Olá, senhor.

Javier, quando me ligou no podcast,

disse que trabalhava com informações turísticas.

- Sim. Trabalho ali. - Pois é.

E ontem eles nem me deixaram ver como é o guichê por dentro.

Por quê?

Eles viram seu programa.

Vou fazer aquele guichê fechar as portas.

Vamos montar este balcão

e todo mundo vai vir pra cá, porque tenho poder de celeb...

INFORMAÇÃO TURÍSTICA

Poder de...

Poder de celebridade!

Tem como pôr a catedral no silencioso?

MAPAS

Olá!

- Minnesota! - Minnesota!

Querem comprar um mapa?

- Prazer. Como se chamam? - Tim.

- Tim. - Heather.

Heather! Desculpa, meu balcão... que porcaria!

- Nada firme. - Isto aqui está soltando.

Olha só. Isto aqui saiu. Este é o mapa que mandei fazer.

Quando a gente abre, só diz: "Procura no Google!"

É só procurar no Google. Quero ver o Javier em ação.

Vejam se ele sabe responder.

Algo fácil.

Fala sobre a troca da guarda.

Puxa. A troca principal é uma vez por mês,

na primeira... não sei.

Uma vez por mês?

Enfim, sabem quem sabe disso.

- Ali, eles sabem tudo. - Certo.

Tenho umas perguntas.

Percebi esses personagens pela praça.

Dizem que são o rei e a rainha.

É como eles andam entre o povo.

Pedro, de onde você é?

- Sou de Madri. - Beleza.

Faça perguntas pra ver se conheço Madri.

Recomenda algum restaurante aqui perto?

- Sim! Sí, um ótimo restaurante. - Bom...

Ele se chama El Rey de Burger.

- Não me lembro... - A tradução é Burger King.

Está bem.

Nosso orçamento é baixo.

- Dá para ver. - Usavam isso para cirurgia de gatos.

Aí a gente lavou.

O que faz da vida? Olha só...

É francês, mas tudo bem.

Sou músico.

- Músico? - Sim.

E que tipo de música?

Meio que eletrônica.

- Música eletrônica? - É.

Inventei essa música quando vi um corvo

- preso numa prensa de sidra. - Certo.

- Ou enterrado. - É isso aí!

Olha só aquele ali. Norte-americano com certeza.

Barulhento, tipo um bicho. Só olhem.

Vamos, Estados Unidos! Está com uma camiseta do Iron Maiden.

Está indo para El Rey de Burger.

Como estamos indo? Estamos aqui há duas horas.

- Nada bem. - Nada bem.

É o lugar. É melhor ir mais perto do guichê.

- Quer tentar? - Vamos lá.

Informação passando.

Vou te pegar!

Que tal bem aqui? Será que está bom?

Sim.

Certo, Madri é uma cidade com mais de 70 anos.

Foi fundada por Jack Madri.

No guichê, só querem cachê!

No guichê, só querem cachê!

Se quiser ouvir a razão, venha pro balcão.

Javier, qual é o melhor jeito de sair desta?

- Acho que correndo. - Correndo?

Vamos.

Acabou que eu tenho outro fã na Espanha que também se chama Javier.

Quero ver a Madri de verdade. A Madri de Javier Bardem.

FÃ DO CONAN VENCEDOR DE OSCAR

Certo, esta é minha cidade. Cresci aqui.

Tenho orgulho desta cidade e de seu povo. Venha comigo.

- Vou mesmo. - Beleza.

- Certo, estamos no Parque El Retiro. - Parque Retiro.

É onde eu passava a maior parte do tempo matando aula.

Eu era meio rebelde.

- Rebelde. - Rebelde.

Venham, peixinhos.

Me sinto a Cleópatra.

Quando sai com sua esposa de barco, é ela que rema?

Claro.

Sou um ser humano horrível.

Isso aqui se chama pipas. É uma semente.

Um, dois, depois a língua.

- Isso! - Isso.

Muito bem. Leva jeito.

É chocolate com churros.

Isto aqui é conhecido como a melhor parte da ressaca.

A gente passa a noite fora e, sem dormir,

toma chocolate com churros.

A gente devia fingir que passou a noite fora bebendo.

- Não! - Não!

- Olha isso. - Olha só.

Atlético de Madrid. É o meu time.

- Seu time é o Atlético de Madrid? - Sim.

Tenho más notícias. Este se chama Real Madrid.

- Torce para o Real Madrid? - Torço muito para o Real Madrid.

- Desde quando? - Desde que era bebê.

Como se chama o treinador do Real Madrid?

Jeff.

- Está bem. - Jeff.

Como se chama o estádio deles?

Jogam no estádio do Real Madrid, o Heineken Light.

Sabe dizer o nome de um jogador de qualquer time da história?

Paul... Paulé?

- Po... - Plié. Play.

- Pel... lé. - Pe...

- Lé. - Pelé!

- Pelé. - Meu Deus.

Muito fã, não é? Nossa!

Filipinas.

- Eu devia ir pra lá. - Muito.

Espera. Calma aí.

Por que está tirando foto com ele?

Vamos tirar...

Eles me amam. Me amam nas Filipinas.

Sabe quem eu sou? Sou Antonio Banderas.

- Sou o Antonio. - É o Antonio Banderas.

É o Antonio Banderas de Gato de Botas.

- Gato de Botas. - Sim.

PASTRANA, ESPANHA

Todos sabem que a Espanha exporta vinho e azeite de oliva.

Já eram nove da manhã, muito tarde para o vinho.

- Estou aqui com o... Aquilino? - É.

É o seu nome?

- Sim. - Gosta desse nome?

Sim, é o nome que eu tenho.

Posso trocar se quiser.

- Certo. - Agora se chama Frank.

- Obrigado. - Como colhe as azeitonas?

A forma tradicional é colher à mão com um cesto.

- Cesto. - Cesto.

Parece saber e gostar muito de azeitona.

- Sim. - Mas eu trouxe alguém comigo,

um homem que afirma saber muito de muitas coisas.

Primeiramente, não acho que eu seja especialista.

Não tive estudo formal no tema.

- Entretanto... - Ou em qualquer outro.

Sou produtor de TV por ofício,

- mas... - Não tenho provas disso.

- Prossiga. - Sim.

Gosto do azeite de oliva forte, fuerte,

como um touro, el toro, outro arquétipo da cultura espanhola.

O touro é o gado macho não castrado,

o que o diferencia do boi, que foi castrado.

- E de você, castrado há muito tempo. - Certo.

- Mas eu... - Tique, taque, corta.

Boa, não é? Peguei ele.

Estou trazendo informações concretas

e sou ridicularizado.

Trago dados concretos sobre a introdução

da oliveira.

O azeite de oliva era chamado de "ouro líquido" pelo poeta grego Homero.

Em inglês é "Homer".

Consumo tanto quanto os gregos.

Então está sempre cagando?

- É uma máquina de cocô. - Não vejo a ligação.

O que aconteceria se eu tomasse uns 35 litros de azeite?

Provavelmente morreria.

Mas e pouco antes de morrer?

Ia fazer "totô".

Aí está.

Temos o termo médico. Ia fazer "totô".

- Entendeu? - Você faz "totô".

- Não faço "totô" quando tomo azeite. - Bem, poucas máquinas fazem "totô".

Colhi esta azeitona.

- Sim. - Eu a cheiro.

- Não morda. - Não morder?

- Não. - Por quê?

É amarga, o gosto não é bom.

Achei que podia colher e comer.

- Você faz isso? - Sim.

Estamos na terra, onde a fruta mística cresce,

podemos prová-la em todos os seus estágios.

Não espero um produto completo e refinado,

mas, no fim do processo, quero saber de onde veio.

Quero seguir a jornada da azeitona.

Sim, é horrível, mas você também pode provar.

É tentador. Você, que ama,

mordeu e disse que é horrível.

- É a conexão. - Falou que era ruim.

Então, plim! Vou dar tchau, tchau.

- Peço desculpa por trazer essa coisa. - Ele está fornecendo dados.

Do latim "data".

Pronuncio como dizem em Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

Meu episódio preferido é Darmok, da quinta temporada.

Não obstante, sabia que "data" é o plural de "datum"?

- Você? - Sim.

Erro meu. Não devia ter trazido.

Minha existência? Qual parte é um erro?

Veio em que classe no avião? Eu que paguei a passagem.

Prefiro não falar sobre isso numa hora destas.

Você tem obsessão por classe e status.

Estou aqui com um homem da terra, la tierra.

Responda a pergunta.

Que passagem eu comprei pra você?

Eu apoio o programa e acho que acrescento a ele.

- Que passagem? - Eu sentei na poltrona 11A.

Onze? É bem na frente. Que classe é?

- Faço por merecer. - Que passagem? 11!

- Valorizo. - Onde ficava a poltrona?

- Pode olhar na companhia aérea. - Onde ficava a poltrona 11?

- Só me fala. - Boeing 747.

- Pesquise. - Era executiva?

- Em que classe você veio? - O que acha?

Sou uma das maiores celebridades do mundo. Ele se cagou quando me viu.

- Vim na 1ª classe. - Foi azeite demais.

Jesus Cristo!

Estes cestos recolhem as azeitonas.

- Tem que ir mais perto da árvore. - Puxar mesmo.

Vamos ver o que consegui.

Olha só. Já jogou... e se eu jogar o rastelo?

Não. A fruta tem que cair no cesto, não no chão.

Posso tentar e ver o que acontece?

- Uma caiu pra lá. - Sim.

- Qual sistema é melhor? - O meu.

Azeitonas, azeitonas

Enchendo o cesto, guitarra!

Azeitonas, azeitonas, azeitonas

Azeitonas, azeitonas

Azeitonas, azeitonas Vêm à tona

Luzes se apagam.

- Viu a mensagem no fim? - Vi.

- Trabalhamos juntos, elas vêm à tona. - Sim.

Estes cestos são pesados.

Tem problema se o Jordan levar meu cesto?

- Ele não pode usar dois. - Por que não?

- É impossível. - Não é. Precisamos tentar.

Disse que era impossível.

- Sim. - Olha só.

- Como vai colher azeitonas? - Não colherei.

Irei para a van, com ar-condicionado,

onde tomarei uma garrafa enorme de Orangina

e comerei biscoito de canela.

DOIS BOBOS

Com um espanhol de escola tão bom quanto o meu,

vou direto para um estúdio trabalhar com narração.

Estou na Best Digital.

É onde fazem todas as dublagens.

Se é falado em espanhol ou se for adicionado espanhol,

é feito aqui.

Qual é a arte da dublagem em outra língua?

Tentamos não ser percebidos.

O público deve pensar que me tornei o ator famoso.

- Se eu fizer certo, o que não farei. - É.

- Oi. Seu nome? - Carles.

- Carles. - Carles? Carles.

- Nikki. - Nikki.

Que vozes já fizeram?

Em 500 metros,

vire à esquerda.

- É do Google Maps? - É.

- Google Maps. - Sim.

Neste anúncio, é narração, mas tem um homem das cavernas

- com dor de garganta. - Sim.

- Eu deveria fazer o homem. - Vai.

Olha, comerciais são legais.

Gostaria de ser a voz de alguns atores de elite.

Temos uma cena de Busca Implacável.

- Liam Neeson. - Isso.

Se está atrás de resgate, saiba que não tenho dinheiro.

Mas o que tenho são habilidades muito específicas.

Disse que não tem dinheiro.

Ele pode conseguir.

É a vida da filha dele. Dê jeito.

"Não posso fazer nada além de ir ao caixa eletrônico."

Posso fazer um sotaque irlandês?

Talvez.

Habilidades que fazem de mim um pesadelo

para pessoas como você.

Estou parecendo o Gollum.

- Sim, um pouco. - Meu precioso.

Certo, deixa eu tentar. Menos Gollum agora.

Vou tentar de novo. Vou conseguir.

Se soltar minha filha agora,

encerraremos o assunto.

Não vou te procurar.

Não vou te perseguir.

Mas se não a soltar,

procurarei você.

Encontrarei você.

E matarei você.

Mas que droga!

O Liam Neeson vai ouvir isso quando vier pra Espanha

e vai pensar: "Quando fiz isso?"

É uma atuação boa demais. Muito intensa.

Agora eu quero fazer o extremo oposto.

Já viram Velozes e Furiosos?

O problema das brigas de rua?

A rua sempre vence.

O problema das brigas de rua é que a rua sempre vence.

Dom sabia que a linha das rachaduras criadas pelo míssil

cercaria o inimigo perfeitamente.

O personagem Dom é um engenheiro estrutural.

O segredo da atuação de Vin Diesel é que ele não está atuando.

O segredo disso é olhar nos olhos do ator.

É vazio. Já olhei nos olhos dele.

Parece um galpão vazio.

Só há um ratinho correndo pelo piso.

Daí ele me vê e vai...

Foge correndo. Estudaram o Vin Diesel. É tecnicamente um cacto do deserto.

É, sim. Precisa de pouca água. Só um pouco de cascalho.

Foi comprado na beira da estrada por um produtor

que ia colocá-lo na cozinha, mas pensou: "Ele seria bom

nos 35 filmes Velozes e Furiosos."

Um pior que o outro.

Fogo!

Mente trabalhando.

O problema das brigas de rua...

é que a rua sempre vence.

Pisa!

David, sou o melhor

ator de dublagem em espanhol do mundo?

Sim, é o melhor do mundo e o mais bonitão.

Foi desnecessário dizer isso, mas não consegui me conter.

Oi, Conan, meu nome é Bruno e sou de Madri, Espanha.

O que você faz?

Sou piloto de avião aqui em Madri.

Meu Deus! Seu uniforme tem dragoninhas nos ombros?

- Tem. - Nossa!

Quero usar dragonas!

Acha que eu seria um bom piloto?

Acha que dou conta?

- Sabe... - Qual é?

Bruno!

- Muito prazer. - Como está?

Hoje vamos trabalhar num simulador de voo.

- Sim. - A propósito,

- conhece todos os pilotos? - Sim.

- Ele está acenando. - Diego!

Vou te mostrar como, se eu fosse um piloto em um encontro,

revelaria essa informação.

- Certo. - Pergunta o que faço.

- O que faz da vida, Conan? - Sou piloto.

Bruno, estou curioso. O que faz da vida?

- Sou piloto. - Não.

Sou piloto. Tenta.

Sou piloto.

Você tem três, eu tenho quatro. O que significa?

- Que você é o capitão. - Sou superior?

- Sim. - Maravilha.

E o bigode?

Bem coisa de piloto.

Que tal me perguntar mais uma vez o que faço?

O que faz da vida, Conan?

Você é burro? Estou de uniforme de piloto.

É uma aeronave bonita. Parece bem real, não acha?

Parece bem real.

Realmente acredito que vamos decolar.

Tem algum botão em que posso mexer sem estragar nada?

Estes aqui.

Com licença, só quero ter certeza.

Alguns ajustes. Lá vai e...

- É. - Isso aí.

Então eu faço isso. Certo.

- Você tem... - Com licença, só um instante.

Certo.

- Pronto. - Beleza.

Este é o acelerador.

- Ele controla... - Com licença.

Certo.

- Acabei de nos salvar. - Obrigado.

Entendeu?

Você está brincando, eu estou pilotando de verdade.

Que legal! Estou taxiando.

Não estou bem centralizado. Fui bem pro lado.

Comecei a respeitar quem taxia.

- Empurre. Tudo. - Tudo?

- Tudo. - Lá vamos.

A velocidade aumenta.

- Agora, puxe lentamente para trás. - Lentamente para trás.

- Cara. Isso! - Um pouco mais.

- Isso aí. Pare de puxar. - Pare de puxar. Estabilize.

E recolha o trem de pouso.

Isso! Deus.

- Isso aí. - Olha. É a lua ou o sol?

- É o sol. - Certo.

É melhor eu aprender a diferença

se for virar piloto.

- Isso aí. É Madri. - Olha só Madri.

Pode comer bastante na cabine?

Servem guloseimas? Aposto que sopa não pode.

Não parece bom comer sopa aqui.

- É. - Nada de sopa?

- Isso não combina com sopa. - É.

- Mas temos uma mesa. - Olha só!

- Dá para puxar a mesa. - Isso.

Eu posso fazer isto. Seria irritante, não é?

Sim, quatro horas seguidas disso me deixariam meio irritado.

Isso, agora sim.

Isso!

Viu só? Talvez eu seja um copiloto divertido.

- O que acha? - Talvez seja.

Não consigo.

- O que fiz de errado? - Vou te ajudar.

Não é tão difícil.

Odeio você.

Certo, Conan. Precisamos aterrissar.

- Aterrissar? - Sim.

Olá, passageiros. É o piloto falando.

Vamos aterrissar. Sei que o voo foi curto.

Mas esqueci meu protetor bucal.

Vamos voltar para buscá-lo no meu hotel.

Ele evita que eu ranja meus dentes e também que eu ronque.

- Quinhentos. - Vire para a direita.

- Elevar o nariz. - Isso aí, perfeito, Conan.

Vinte. Lento. Prioridade.

- Direita. Entrada de combustível. - Isso aí.

- Lento. - Isso aí.

- Lento. - E você freia.

Nos Estados Unidos, agora "lento" é xingamento.

- É uma aeronave francesa. - Achei que estava me xingando...

e isso não é legal.

- Você pousou a aeronave. - Foi incrível.

Mas foi um pouso brusco.

Óbvio que não poderia pousar assim com uma aeronave real.

- Não permitiríamos. - Você disse que foi bom,

mas não devo chegar perto de um avião real.

Isso.

Muito obrigado por voar pela Iberia Airlines.

Sei que tem várias opções de simuladores e capitães de araque.

Obrigado por nos escolher.

Muito obrigado por me ensinar um pouco do que você faz

e me mostrar o seu mundo. Vou para lá agora

e quero que finja estar triste por eu ir embora.

Fez cara de triste?

Madri é uma meca cultural, repleta de museus incríveis.

O Museu do Prado, o Museu Reina Sofía e, claro...

meu preferido, o Museu do Presunto.

Soube que eles têm

um Por-Casso original.

Alma, deixe meu corpo.

Por-Casso.

O Prado é um dos museus mais famosos do mundo.

É importante contratar um guia local ao visitar o Prado.

Aqui, veremos os artistas mais incríveis.

Deve ter ouvido falar deles.

- Velázquez? - Claro.

- Sim. - Eu falo "Velázquez".

Olha só!

AS MENINAS

Nossa! Este é o próprio Velázquez

- com seu pincel e paleta. - Quanto custaria...

CURADOR

comprar este quadro para o Javier?

Nunca esteve à venda.

- Todos têm seu preço. - Não, quase todos.

Funcionário público não liga para dinheiro.

Boa!

Apertaria a mão, mas não entendi o que disse,

mesmo na minha língua.

- Aqui tem duas majas. - Goya é meu preferido.

São dois retratos.

Um é de uma mulher vestida, o outro de uma mulher nua.

Quando criança, alguém levou uma caneta para a escola

com uma mulher de biquíni,

- mas, se virasse a caneta, ficava nua. - Sim.

- Perdi a virgindade com essa caneta. - Sei.

- Sabe? - Eu soube.

Quer a pelada ou a vestida?

Não ligo. Só quero comprar.

Não sei o que minha mulher vai achar.

Eu falo com ela.

- Certo. - Ela deve me respeitar muito.

- Imagino. - Não muito. Ela conhece seu trabalho.

- Você não gosta? - Não muito.

- Certo. - Me forçaram a estar aqui.

Chegamos às pinturas negras de Goya,

que são do período sombrio dele.

Esta é uma das mais famosas e, acredito,

- uma das mais assustadoras. - Com certeza.

Saturno devorando um filho.

Adoro essa ideia de que a violência vem do medo.

É como o meu irmão Neal come hambúrguer.

Os olhos dele ficam assim quando ele come. Vira um monstro.

TRÊS DE MAIO DE 1808

É legal que não se vê o rosto de quem está matando.

São como máquinas.

Perderam a humanidade, só...

Com certeza.

O que falei foi sagaz e inteligente?

Vou dizer algo profundo.

- Certo, vou esperar. Pego uma cadeira? - Sim.

Alejandro, Javier e eu queremos agradecer pelo tour.

- Incrível. - Muchas gracias.

- Foi um grande prazer. - Para agradecer,

fiz um desenho do Conan.

- Incrível. - Só pra você.

- Cedo esta obra ao Prado. - Será exibida.

Pode pendurá-la junto aos mestres, onde ocupará...

Será pendurada. Obrigado.

Seu merecido lugar. Obrigado.

- Foi um prazer. - Cuide-se.

- Obrigado. - Buenos días.

Claro que o livro mais famoso da Espanha é Dom Quixote.

É sobre um homem delirante que luta contra monstros imaginários.

Um homem numa busca impossível tentando derrotar seus demônios internos.

Devo admitir que ele me tocou.

Realmente parece escrito para mim.

Você vê moinhos, Sancho. Não é o que vejo.

Vejo um patrocinador de podcast que cai fora após três semanas

dizendo que não sou a melhor opção.

Está errado, MeUndies.com!

Você vê um modo antigo de moer trigo.

Vejo uma mulher na farmácia que quer tirar uma selfie,

mas a câmera não está pronta. Nem saiu da bolsa.

Só quero comprar um Mentos, senhora.

Sim, são todos meus inimigos e vou atacá-los.

Está comigo, Sancho?

Sou Sancho Panza, mas vale destacar

que é sabido que o Sancho Panza verdadeiro estava acima do peso.

Inclusive, a palavra "panza" é "barriga" em espanhol

e "pancia" em italiano,

- de onde vem "pancetta". - Deus.

Que significa "barriguinha", sendo a carne da barriga.

Meu Deus!

Tudo se origina no latim, ponticem,

ou na pronúncia eclesiástica "ponticem".

Vale destacar que o inglês tem origem germânica.

Por que há tantas palavras do latim? Vou explicar o porquê.

É porque o francês, ainda que sua sintaxe seja germânica,

trouxe o vocabulário da família linguística latina

para nossas línguas.

A maioria das palavras que usamos remonta ao latim antigo.

É possível entender

o que dizem pessoas de um país como a Espanha, mesmo que...

Oi, Conan, meu nome é Eugenia e estou ligando da Espanha.

Eugenia, me fala de você.

Trabalho aqui, sou médica-residente

- em um hospital. - Certo.

Meu noivo é irlandês-americano, o Sean Dempsey.

Certo, quais são as diferenças,

digamos, entre uma espanhola e um irlandês católico?

Acho que a principal está na demonstração de afeto em público.

Achava que ele não gostava de mim.

Não, vou te explicar uma coisa, Eugenia.

Acho que é uma coisa de irlandês. Somos meio reprimidos.

Sou casado há 21 anos e minha esposa ainda não me viu pelado.

- Nossa! - Acho que eu poderia falar com o Sean

e ajudá-lo a enfrentar o medo de demonstrar afeto em público.

- Se aperte aqui. - Entre.

Os elevadores europeus são minúsculos.

Eugenia. Oi.

- Oi, Conan. - Venha. Como está?

- Posso abraçar? Prazer. - Como vai?

- Sean. - Isso.

O famoso Sean.

A Europa é superior em muitos quesitos,

- mas tem elevadores minúsculos. - Coisa triste.

Ridículo, Europa! Poxa!

Faça elevadores maiores! Chame a Otis!

Eles que inventaram!

Espero que o vizinho não chame a polícia.

Boa sorte fazendo a polícia subir até aqui.

- Policiais minúsculos vão me prender. - Esse é o hospital.

O hospital onde a Eugenia trabalha fica logo ali.

Oi, Europa! Seus elevadores são pequenos demais!

Sean, sabia que a Eugenia tinha me contatado?

Ela me contou depois, sim.

O que gostaria que ele aprendesse a fazer?

- Ficar abraçado. - Certo.

E ter naturalidade ao fazer isso. Não desse jeito.

- Abrindo o corpo um pouco. - Relaxado, isso.

- É, relaxado. - Certo.

A gente devia ir pra fora.

Vamos nos lambuzar de manteiga pra conseguir caber no elevador.

Nós três ao mesmo tempo.

A primeira lição de intimidade é esta aqui.

- É bom. - Gostou?

Sim.

Estamos aqui fora. Já fizemos progresso, o Sean descruzou os braços.

Ainda está apertando as mãos, mas estamos no caminho.

Sean, talvez ver outro irlandês católico

sendo obsceno em público faria você se soltar.

- É possível? - É.

Não... meu Deus. Tem crianças aqui.

Talvez eu não seja qualificado para ajudar com demonstrações em público,

- então trouxe um especialista. - Certo.

- Olá. - Este é Dr. Arroyo.

- Muito prazer. - Sou o Dr. Arroyo. Como vai?

- Eugenia. - Oi, Sean. Muito prazer.

Ele é meu médico

- e especialista em intimidade? - Isso mesmo.

Já me casei cinco vezes, duas com a mesma mulher

e duas com o mesmo homem.

Isso. O segredo é dar passos pequenos.

- Sean, o que acha? - Estou sentindo algo.

Sente algo?

- Uma faísca. - Como se sente com este passo?

Não sinto muita coisa. É muita borracha.

- Já ouvi isso antes. - É.

Quando mergulhei.

E molestei uma foca.

- Lembro-me disso. - Nunca riu antes.

Você nunca me fez rir antes.

Touché.

Está pronto para o próximo passo?

- Acho que sim. - Dar as mãos fisicamente.

- Pele nua e crua. - Calma aí.

- Dedos entrelaçados. - Às vezes é bom fazer isso,

dar as mãos e balançar.

Mostra que estão apaixonados de verdade.

- Saltitando? - Também podem saltitar.

- Tentamos? - Sim, vamos.

Viram?

Dr. Arroyo,

acho que é o início de uma bela amizade.

De todas as formas que há para conhecer Madri,

passear de Segway é das mais populares, talvez até demais.

Tanto que a corrida de touros deixou de ser o esporte mais perigoso da Espanha.

Toda essa correria de mentira me abriu o apetite.

Encontrei meu novo melhor amigo

no restaurante mais antigo do mundo.

Chama-se Botín.

- Botín. - Isso.

- Abriu em 1725. - Isso.

E permanece em operação

- desde então. - Desde então.

E Goya, de quem vimos os quadros, lavava louça aqui.

- Goya lavava louça aqui. - Sério mesmo.

Ele vai pagar.

Traga o que for mais caro.

O que eu tenho que ninguém me respeita?

O cabelo, para começar.

Sempre achei seu cabelo bem esquisito.

Tem algo aí que não funciona nem nunca vai funcionar.

E você o tornou seu ganha-pão, muito bem.

- Não tenho escapatória. - É pra sempre.

- Está quente. - O que é isso?

- Quente. - Quente.

Quente demais, não é?

- Quer água? - Não.

Pronto.

- Olha só você. - Tem diferença.

- Tem diferença... - Você é incrível.

Entre um homem de verdade e o que você é.

Não pegue o garfo.

- Qual é? - O quê? Desculpa.

- Homens... - Comem assim.

É, bem assim.

É como Goya, é o Saturno.

- Exato. - Isso.

Agora você entende.

- Goya lavava louça aqui. - Sim.

E ele pintou Saturno devorando um filho.

E agora estamos aqui.

- Devorando isto. - Devorando o porco.

Mas, então,

também podemos ser gentis e legais um com o outro

e nos recompor.

Oi, como vai, Conan? Tudo bem?

Javier.

- Bom vê-lo. - Muito bom.

Meu amigo.

Meu bom amigo. Então voltamos.

- É... - O rabo.

O rabo.

Isto aqui é sagrado.

Toda a força do porco está aqui e você tem que comer, certo?

É crocante. É gostoso.

- Gostou? - Não gostei.

Não gostou?

Em todos estes anos em que venho aqui,

nunca vi ninguém se arriscar a comer o rabo.

Você é otário?

Sempre faz o que os outros mandam

para ser amado?

É alguém que faz o que detesta

porque quer se encaixar?

Dá pra ver.

Tudo bem. Isso vai mudar agora.

- Repita: "Gosto do rabo de porco." - Gosto do rabo de porco.

- "Fui eu que escolhi comer." - Fui eu que escolhi comer.

"E está tudo bem."

- E está tudo bem. - Certo.

Você está no comando.

- Foi horrível. - Eu sei.

- Por que fazer isso? - Pela diversão.

- Que horror! - Escroto!

- Meu Deus. - Escroto!

Depois de uma bela refeição dessas, é hora da siesta.

Relaxe e se deixe levar.

Como foi fazer uma siesta com o homem mais sexy do mundo?

Tem que perguntar para o Javier.

Nesse meio-tempo, estava escurecendo, ou seja, era hora de flamenco.

Hora de fazer aula da arte mais cheia de paixão da Espanha.

Conan, você precisa aprender flamenco.

Temos aqui uma cantora incrível, músicos e dançarinos.

- Quero falar algo já de saída. - Fale.

Sou muito atlético e meu corpo exala sensualidade.

- Nossa! - Assino embaixo.

É algo muito poderoso.

A gente já sente ao encontrá-lo.

- Certo. - E logo some.

- Dura um segundo. - Certo.

Um, dois, três, quatro.

Agora seguimos o ritmo.

Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro. Isso aí.

- Sim. - Sí, señor!

- Conan. Vai, Conan! - Muito bem.

- Que tal isso? - Quer fazer uns pitos?

Agora.

- Nossa! - Droga.

Poligono.

Um! Dois! Três! Quatro!

Em minha curta estada na Espanha, fui cativado por seu povo,

sua cultura, comida, música e arte.

Para onde olhasse, havia muita beleza. Uma beleza impressionante e arrebatadora.

Com contornos rústicos e magnetismo puro e animal,

é claro que eu me apaixonei.

Pela Espanha. Me apaixonei pela Espanha.

Hasta luego, España.

E nunca se esqueça...

O problema das brigas de rua

é que a rua sempre vence.

Pisa!

Sabe? Vejo muitos paralelos.

Mas o interessante sobre Dom Quixote

e Sancho Panza é que eles contagiavam um ao outro.

Quando se interage com alguém

por 30 anos, por exemplo, você se torna parte do outro.

Pode até achar que não gosta

- ou não quer... - Se esqueceu de dizer "corta"?

Acabei de dizer.

É uma doideira.

Legendas: Miriam Goldschmidt

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