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Spartacus 2ª Temporada – Vingança
EQUILÍBRIO
Aonde está me levando?
Por favor, estou grávida.
Tem alguém se aproximando.
Concorde com o que eu disser.
Nada mais.
Venha.
O que o traz para tão longe da estrada
com uma mulher grávida?
Um cavalo velho que morreu.
Pela floresta, minha esposa chega mais rápido a Pompeia.
Pode nem chegar, se não tomarem cuidado.
Spartacus e seus malditos atacaram um vagão aqui perto.
Spartacus?
É melhor irmos, querida.
Para que não tenhamos a mesma infelicidade.
Parece que isso já aconteceu.
Como se machucou?
Quando nosso cavalo morreu.
Na estrada para Pompeia.
Tem negócios lá?
Carne e osso por dinheiro.
Um açougueiro?
Belo vestido para a esposa de um.
Ele é um gladiador! Eu sou...
Desculpe.
Socorro!
Alguém me ajude!
Socorro!
Se gritar de novo,
arranco sua língua.
Peça qualquer valor.
Meu marido pagará pelo meu retorno.
Não quero resgate.
Vai me matar?
Não.
Não sou eu quem deve fazer isso.
Eu poderia ter atirado nele.
Ele estava fora de seu alcance.
Sabe a distância melhor que a minha mão?
Sei muita coisa a respeito do grande e poderoso Spartacus.
Grande e poderoso?
E gentil e justo.
Vi seu coração
e sei o que há nele.
Não teria gostado do que havia nele
se tivesse me conhecido quando jovem.
Eu era mais animal do que homem.
E o que domou a fera?
Sua esposa, claro.
Desculpe.
Mate a mulher de Glaber,
como ele matou a sua.
Acabe com a vingança
e com o sofrimento de todos que estão no seu caminho.
Sou culpada pelo que acontecer a dela.
Se eu não tivesse falado com Gannicus,
ele não saberia que Ilithyia estava na estrada.
Um erro infeliz.
Só queria convencer Gannicus a tomar a decisão certa
de seguir seu comando e se unir à caça de Spartacus.
Ele provavelmente está agindo com o maldito trácio.
Os dois foram escravos em sua casa, não é?
Separados por vários anos.
Nunca se conheceram.
Que saibamos.
Não que isso importe agora.
Gannicus está com minha esposa e meu filho!
Se é que ela ainda vive.
Não.
Ele não teria arriscado tudo para levá-la da cidade
apenas para matá-la.
Ela está viva.
Sinto seu coração bater como se fosse o meu.
Seus homens devem vasculhar o campo até que ela seja encontrada.
Vai levar meses para cobrir tal área com os homens que tenho.
Então peça ajuda a Roma.
Esse assunto não deve sair daqui.
Mas Ilithyia...
Foi roubada de um pretor de Roma.
Não aceitarei que o Senado diga que não consigo proteger minha esposa.
Uma escolha sábia.
Deve olhar para o futuro.
Está falando de política.
Ilithyia é uma amiga e esposa valiosa.
Ela carrega seu filho e,
com ele, uma ligação frágil com a riqueza de Albinius.
Uma que será desfeita se ela não for encontrada.
Não me dê sermões sobre o que está em risco!
Pretor.
Fez o que mandei?
Todos os vestígios do acontecido foram apagados.
Ninguém ficará sabendo.
Ótimo. Reúna seus homens.
Seppia, quero falar com você.
É melhor não falar com ele assim de novo
se quiser continuar viva.
Sem Ilithyia,
vou sucumbir rapidamente.
Eu nunca permitiria sua ruína, meu amor.
Não enquanto gostar de sua companhia.
Ótimo.
Mantenha os olhos na altura de meus ombros.
Vai te dar uma pista sobre...
Você aprende rápido.
Tenho a vantagem.
De ser ensinada por um deus.
De novo.
Você luta como uma criança!
Tomara que transe melhor do que luta, Harudes!
Harudes!
Você revela o que vai fazer ao berrar como um bode louco!
O que ele disse?
Que você mesmo se ferra
Nemetes!
Saxa! Tome posição.
Também vamos usar varas de madeira na batalha?
Cale a boca e ouça Oenomaus.
Não preciso de aulas. Sei lutar.
Não ensino a lutar, mas a vencer.
Para que não voltem a ser escravos dos romanos.
Primeira posição.
Ataquem!
Nemetes tem razão,
ao menos sobre a falta de armas apropriadas.
Não acredito.
Sequestrou a mulher de Glaber?
Não. Ela foi entregue às minhas mãos.
E elas lhe darão o destino apropriado.
Vadia! Implore por sua vida!
Essa é a nossa causa agora?
Matar uma grávida indefesa?
Glaber não teve pena de minha esposa.
Uma mulher muito mais digna do que a que está diante de você.
Vadia maldita!
Pague primeiro, seu inútil.
Agora vá embora.
Levante-se, maldito!
Fique mais um pouco.
Queremos o prazer de sua companhia.
O que quer de mim agora, sírio?
Gannicus.
Um gladiador conhecido em Cápua.
Ele frequenta seu estabelecimento, não é?
Comprando vinho e prostitutas?
Sim, pretor.
Quero falar com ele.
Não está aqui.
Então deve ter alguém entre vocês que já compartilharam uma bebida
e outras distrações com ele.
Quero saber o que ele falou
a respeito de onde iria se esconder.
E eu quero outra bebida
e uma prostituta em cima de mim.
Vou perguntar de novo.
Qual de vocês falou com Gannicus?
Que decepção.
Espere!
Ouvi Gannicus conversando.
Com quem ele falava?
Minha escrava, Marcia.
Onde ela está?
Seu maldito sírio a colocou em uma cruz.
E ainda estou aguardando compensação pela perda...
Gannicus levou algo que me pertence.
Quero que ele me devolva.
Questione todo mundo.
Por favor, não faça isso.
Foram essas as mesmas palavras de minha esposa
antes que a espada romana a tirasse de meus braços para sempre?
Não sei nada sobre ela.
Minhas mãos estão limpas a esse respeito.
Seu marido não pode dizer o mesmo.
Foi ele que a condenou à escravidão.
Ela está morta por causa disso,
e eu terei semelhante vingança.
Não pode fazer isso!
Meu filho...
Sura e eu sempre falávamos sobre filhos.
Sobre a família que teríamos, e que me foi negada.
E agora vou dar a Glaber o mesmo fim.
O filho é seu.
Mentira.
Queria que fosse.
Mas é a verdade amarga.
Minha menstruação parou de vir depois que foi à casa de Batiatus.
Lucretia havia prometido Crixus.
Uma brincadeira cruel.
É uma lembrança que permanece, não é?
Aquela noite.
Você dentro de mim.
Sim.
Como também a lembrança de minhas mãos em sua garganta.
Então termine o que começou.
Tire minha vida e a de seu filho.
E que sua esposa o rejeite pelo que fez
quando o receber no além.
É verdade
que ele foi campeão na arena?
Achei que estivesse com Nemetes
Por agora
Oenomaus não parece feliz com seu retorno.
Não esperava ser recebido como um irmão.
Nem eu esperava voltar a vê-lo.
Mas aqui está.
Quem dera tudo fosse tão fácil assim.
Vi a ligação entre vocês.
Seja qual for a razão de desentendimento,
vai passar.
Faria qualquer coisa para recuperar a confiança dele.
Sequestrar a vadia do pretor é um bom começo.
Um ato impressionante,
que irá inflamar ainda mais a nossa causa.
Só quero terminá-la.
Está feito?
Ela ainda está viva.
Eu me torno um inimigo de Roma para entregá-la em suas mãos,
mas elas estão fracas e hesitantes.
Não sou Glaber,
capaz de atacar uma mulher por seus crimes sem hesitar.
E as mulheres crucificadas nas ruas de Cápua,
torturadas até a morte por pronunciarem seu nome,
com os olhos ainda brilhando com pensamentos de liberdade e rebelião?
Mate-a e acabe logo com isso,
senão muitos mais morrerão em nome de sua causa.
Orações não bastarão para obter orientação
nesses tempos difíceis.
Precisamos olhar para dentro e encontrar forças no coração.
Os deuses estão contra você, como estão contra Ilithyia?
Eles estão sempre conosco.
Sua vontade é sentida em cada respiração.
Cada toque.
Eles guiam nossas mãos,
nos levando pelo caminho certo.
Gaius ficará feliz em ouvir isso.
Não é Gaius que tem a chave da salvação de Ilithyia.
Temo que os deuses a tenham enganado.
Não comando nenhum exército, nem posso trazer Gannicus aqui.
Mas uma mensagem sua traria Varinius de Roma
-e, com ele... -Gaius deixou claro o que deseja.
Não devemos contar a ninguém o que aconteceu.
Palavras de desespero.
Ele fala em proteger o nome enquanto a base da vida se desfaz diante dele.
Seppia.
Seppia.
Já buscou a afeição do pretor Varinius.
Mande uma mensagem e poderá conquistá-la de novo.
Caprichos de criança.
Esses pensamentos foram deixados de lado por objetivos mais maduros.
O dia foi difícil.
Vou prepará-la para dormir.
Voltaremos a conversar sobre isso ao amanhecer.
Desculpe, não vou dormir agora.
Vou ver como está Gaius e oferecer palavras de apoio.
Vai oferecer apenas palavras?
Sou uma convidada nesta casa.
Quero apenas retribuir a anfitrião tão generoso.
Isso lhe causa desonra, Seppia.
Os deuses hão de observar.
Não foram as mãos deles que tiraram meu irmão de mim,
e sua providência que me colocou debaixo deste teto?
Será que não vê?
Os deuses me trouxeram até Gaius.
E foi a vontade deles que tirou Ilithyia daqui.
Acalme-se.
Não vou machucá-la.
Foi você que me ajudou
quando aqueles animais me atacaram quando cheguei.
Não me considere diferente.
Eu defeco com o resto daqueles animais.
Pela criança.
Ao menos não vai morrer de forme.
Não há nenhuma marca em você.
É um homem livre?
Sou da República, assim como você e os seus.
Mas luta com Spartacus contra ela?
Eu luto pelo que é justo.
Justo?
Spartacus quer destruir tudo o que consideramos importante.
Então ele chegou tarde, no meu caso.
Sulla pegou minhas terras e as da minha família há muitos anos,
assassinando todos que resistiram.
E dando o que roubou de presente a seus homens mais leais,
todos romanos.
Tal perda deve ter doído muito todo esse tempo.
Posso tirar-lhe esse fardo.
Achei que fosse indefesa,
mas tem o poder de virar o sol
e refazer o passado?
Meu marido é um pretor de Roma.
Eu sou importante para ele, sendo filha valorizada de meu clã.
Meu filho é herdeiro de sua linhagem e fortuna...
Deixe essas palavras para ouvidos mais nobres.
Não posso libertá-la.
Nós dois perderíamos a cabeça antes de darmos três passos.
Não estou pedindo isso.
Só quero que leve uma mensagem
informando onde Spartacus me mantém.
Não precisa viver assim.
Tudo o que perdeu pode ser restaurado
por uma ordem simples de meu marido.
O total da minha perda não é pouco.
Ele pode pagar,
terá sua vida de volta
em troca da minha
e da criança que carrego.
Ela diz que é seu?
Com muita certeza.
Ela é uma cobra enganadora,
a verdade se perde em sua língua bifurcada.
Ela pode estar falando a verdade.
Lembra-se da noite na casa de Batiatus,
quando ajudou a me fazer parecer
um Apolo dourado?
Para se deitar com a romana Licinia.
Ela usou a máscara de Diana.
Mas, por trás dela, não estava Licinia.
Ilithyia.
Por que não me disse?
Com que propósito o faria?
Nenhum.
E nem deve ter algum agora.
Mesmo se for verdade, ela só disse para que não a mate.
Ela é uma tola.
Sabendo que carrega um herdeiro que foi negado à minha esposa.
Mande Ilithyia para seu túmulo
e enterre o passado com ela.
Fazer Glaber sofrer como sofri é algo que desejo
mais do que o ar que respiro.
Mas ao infligir semelhante dor,
como evitar que me torne igual a ele?
Um homem que minha esposa rejeitaria.
Não tinha certeza de que iria querer isso.
Que homem não iria querer?
Não era a oferta que me inquietava,
mas sua preocupação com eventos infelizes.
O destino de meu herdeiro pesa em minha mente.
E o de sua esposa?
Preocupa menos.
O laço do casamento é algo tão frio assim?
Houve um tempo
em que o amor entre nós era forte como o sol do meio-dia.
Mas o dia virou noite,
escurecendo as lembranças douradas.
Eu o faria se aquecer na luz,
como um homem como você merece.
Albinius não pensava tão bem de mim.
Nem o resto do Senado.
Olhe nos olhos deles quando apresentar a cabeça de Spartacus,
e veja a estima elevar-se.
E meu irmão ser vingado.
Queria que a morte dele
não lhe tivesse causado tanta dor.
A dor diminui a cada dia,
por sua causa.
Eu retribuiria o favor
se sua esposa morresse nas mãos de Spartacus,
como meu irmão.
Seu baú está transbordando de dinheiro e sangue.
Ambos conquistados pelo esforço do dia.
Alguma notícia de Ilithyia?
Tem a atenção do pretor.
Ele não encheu seus ouvidos?
A atenção que devota à jovem Seppia me impediu de falar com ele.
O frescor da juventude.
Estranha que ele prefira a carícia da língua dela
ao som da sua?
Ela perderá a graça quando Ilithyia retornar.
Está apostando alto em um futuro incerto.
Não descobriu como encontrar Gannicus?
Infelizmente, não.
Mas não foi por falta de esforço.
De lá, fomos a todos os lugares,
interrogando com o uso de punhos e espadas.
A resposta era sempre a mesma.
Farei um sacrifício aos deuses
e suplicarei por uma resposta melhor.
Vamos rogar juntos
e buscar a divindade em um abraço caloroso.
Ilithyia e a criança que ela carrega precisam ser encontrados.
-Se forem perdidos... -O quê?
O sol não se moverá mais no céu?
A lua de marfim vai cair no mar espumante?
Tire a vadia de seu pensamento,
como Glaber já fez...
Não sou seu escravo para que possa me bater.
Algo que achei que já tivesse aprendido.
Desculpe.
Tenho dúvidas quanto à sua sinceridade.
Diga de novo.
Desculpe.
De novo.
Desculpe.
Sua posição nesta casa continua caindo.
Logo, só eu impedirei que seja jogada em um abismo escuro.
Quando esse dia chegar,
desejará meu hálito em seu pescoço, como um presente.
Entende isso, querida?
Sim.
Um presente dos deuses.
Lucius.
Aonde está indo?
Clarear a mente.
Quero fazer o mesmo.
Vamos caminhar juntos e conversar um pouco.
O homem está descontando a ira na madeira,
quando arrisquei tudo para que ele se vingasse e acabasse com isto tudo.
Arriscou-se apenas para aliviar a consciência pesada.
Não quero que mais gente morra por uma causa tola.
E não quero que meu irmão morra.
Não somos mais irmãos.
Não há como fazermos as pazes?
Não se pode refazer uma ilusão.
Nem uma irmandade.
A confiança que coloquei em você,
apenas mentiras e enganação.
Acha que consigo passar um dia sem pensar nisso?
Daria minha vida para que Melitta ainda tivesse a dela.
E eu a tiraria com prazer.
Então o que o impede?
Você e Spartacus titubeiam,
são incapazes de se vingar quando têm a oportunidade.
Sua morte não a traria de volta para mim.
Só serviria de misericórdia,
libertando-o do que fez.
Então viverei condenado
até que a morte me leve.
Você vive sem propósito.
Como sempre.
Precisamos esperar Spartacus nos liberar da guarda.
O tempo passa muito devagar.
Então precisamos ser rápidos.
É assim que ficam de vigia?
Desculpe. Nós estávamos...
Nós... Estávamos apenas...
Vão para a cama.
Eu vigio Ilithyia.
Obrigado.
Por favor.
Preciso de mais água.
É algo terrível, não é?
Viver necessitando e temendo.
Ser escravo é assim.
Por favor.
Pelo meu filho.
É verdade?
O que disse a Spartacus?
Juro pelos deuses.
Se Spartacus tirar minha vida,
o sangue desta criança manchará o dele para sempre.
Ele é um bom homem.
Eu não o deixarei ser destruído por isto.
Não o deixarei matar você.
Vai me ajudar?
Sim. Ajudo.
A ir para a outra vida.
Perdeu a cabeça?
Só quero livrá-lo do que precisa ser feito.
Se a matar, viverá com a culpa para sempre.
Quer evitar que eu possa escolher e lançar esse destino sobre si mesma?
Eu o receberia
para que seu coração fique livre do ato.
Não conhece meu coração.
Spartacus...
Deixe-nos.
Quero conversar
e concluir seu tempo aqui.
Está brilhando como o sol da manhã.
Deve ter dormido bem.
Quase não dormi.
É uma pena.
Eu não diria isso.
Temo que sim.
Saia.
Não aceitarei que me ameace assim.
Não desejo ameaçar.
Apenas avisar sobre o homem a quem dedica seu afeto.
Suas palavras não me afastarão dele.
Não há mais tempo para palavras.
Venha.
Tenho algo mais tangível para lhe mostrar.
Onde está o pretor?
Em seu quarto.
O que aconteceu?
Chegou um homem com notícias de Ilithyia.
Diz saber sobre minha esposa?
Mais do que isso.
Spartacus a mantém cativa.
Ela está viva?
Por agora.
Como sabe disso?
Venho do acampamento dos rebeldes.
É um dos homens dele?
Não sou fugitivo.
Apenas um velho cansado, buscando um pouco de paz
antes de cair no sono eterno.
Bem, diga-me onde ela está presa
e receberá grande recompensa.
Sua esposa falou sobre sua generosidade
e me prometeu minhas terras, apreendidas pelo maldito Sulla.
Isso é possível?
Tenho poder para isso.
E minha esposa?
Meus filhos.
Meus irmãos e irmãs, todos mortos em nome de Roma.
Tem o poder de devolvê-los também,
seu maldito?
Se me tocar, sua esposa morrerá.
Se eu não voltar logo, ela morrerá.
Se tentarem me seguir,
ela morrerá.
O que Spartacus quer que eu faça?
Gaius...
Diga.
Deve ir à cidade de Atella a pé,
logo antes do amanhecer.
Pode levar três de seus homens,
Spartacus fará o mesmo.
E Ilithyia?
Ela será devolvida depois,
em troca de um vagão,
carregado com armaduras e armas.
Dar armas aos inimigos de Roma?
Esse é o preço.
Se suas tropas forem vistas na estrada para Atella,
Spartacus não aparecerá,
e sua esposa e o filho que ela carrega
lhe serão tirados para sempre.
Eu mencionei a parte sobre encostar em mim?
Deixe-o passar.
Não confio nisso.
Nem eu.
Mas devemos agir.
Preparem um vagão.
Pretor, não podemos ajudá-los
com meios para entrar em guerra conosco.
Que escolha Spartacus nos deu?
Sempre há outras formas.
Não.
Spartacus só me deixa um caminho,
e eu devo tomá-lo.
Sou velho, mas não sou tolo.
Foi demais pedir que entrasse no covil da fera.
Foi um grande prazer zombar do maldito pretor.
Spartacus?
Glaber concordou com os termos?
Vou a Atella cuidar disso.
É!
Vamos pegar as armas dele!
E sua vida!
-É! -Não.
Se não honrarmos nossa palavra,
seremos iguais aos romanos.
Devemos mantê-la.
Se só pode levar três,
desejo ser um deles.
Eu também, apesar da companhia.
Eu também.
Ninguém seria mais bem-vindo,
mas ainda não está curado do que aconteceu na arena.
Eu irei no lugar dele.
Por uma causa na qual não acredita?
Oenomaus acredita nela.
Talvez um dia eu também acredite.
Voltem com armas apropriadas.
E vivos.
É uma loucura confiar nas palavras de Glaber.
Não confio nelas.
Confio nos homens que levo comigo.
Nós conseguiremos, juntos,
e obteremos recursos para tirar Glaber e seu exército deste mundo!
Spartacus!
O velho disse que está com minha esposa.
Um pedaço do vestido dela.
Com seu cheiro ainda nele.
Algo facilmente tirado de um corpo sem vida.
Pensei nisso também.
A faca cortando a carne.
Seu sangue no chão,
como foi derramado o de minha esposa.
Mas não lhe tirou a vida.
Não sou você.
Não ataco uma mulher pelos atos tolos de seu marido.
Entalhou meu nome no peito de um morto.
Atentou contra minha vida nas ruas de Cápua.
Depois, mais uma vez, na arena.
Mas rejeita a oportunidade mais garantida
de equilibrar a dívida entre nós.
Não rejeitei nada.
Um dia, em breve, tirarei sua vida.
Traga o vagão.
Tenho muitos arrependimentos,
desde a primeira vez em que nos vimos, muito tempo atrás.
Rezo para que esta decisão não seja uma delas.
Terá sua esposa de volta.
E ela lhe dará um herdeiro.
Mas quando olhar nos olhos de seu filho,
eu estarei refletido lá para sempre.
Na lembrança de como os poupei.
Temo que tenha razão.
Não é como eu.
Sua esposa era o coração que batia em seu peito.
Você teria dado a vida para vê-la viva.
Mas eu faria o mesmo
para vê-lo morto.
Matem-nos!
Agora!
Protejam-se!
Salvius!
Dê o chamado!
Recuem!
Esperou demais para dar o sinal.
Acreditei na honra que foi ignorada.
Rápido! Antes que se recuperem!
Corram.
Quero ficar um pouco.
Lucius.
Vão.
Antes que eu recobre o senso.
Ao menos não é um maldito romano que me...
Não permitam que cheguem à floresta!
Vão!
Nunca pretendeu fazer a troca?
Eu pretendia matar Spartacus.
Um destino merecido do qual foge mais uma vez por meio de enganação.
Você o matará em breve.
Em troca da esposa e da bênção que ela carrega?
Eu pagaria qualquer coisa
para ter a garganta dele sob meu calcanhar.
Ilithyia precisa voltar a esta casa.
Os deuses previram...
É melhor os deuses descerem do céu
se quiserem vê-la viva!
Nos próximos dias, chorarei a perda de minha esposa e filho,
e as fortunas que o nome de família dela trariam.
E eu chorarei com você.
Vou tomar um banho.
Assim me livrarei momentaneamente do sangue e dos pensamentos.
Vá.
Trarei mais vinho para ajudar.
Sabe o que ele fez?
O que achou que devia, para acabar com Spartacus.
Ele arruinou o mundo
e tirou a razão de viver.
A sua, talvez.
Meu coração ainda está batendo.
E o do seu irmão?
Gaius quer vingar sua morte.
Então ele deveria voltar sua ira contra si mesmo
e ver tal vingança ser feita.
É do seu irmão, não é?
Achei que os escravos tivessem levado ao matá-lo.
Eles não são culpados.
Como encontrou isto?
Os deuses me levaram à verdade.
Escondida entre os tesouros de Ashur,
tirada dos corpos daqueles que morreram por sua mão.
Ashur?
Ele devia estar lá naquela noite,
quando seu irmão morreu.
Mas o vilão só obedece aos comandos de Gaius Claudius Glaber.
Perdemos muito.
Aqueles que amamos.
Que achávamos que estariam ao nosso lado para sempre.
Mas com suas mortes,
as correntes que nos ligam a desejos que não são nossos foram atingidas.
E sem tal golpe,
não estaríamos nos braços um do outro.
Não.
Não estaríamos.
Ajoelhe-se.
Por favor.
Sabe como é?
Amar?
Estar cheio de luz e esperança?
Ver a bênção retribuída
nos olhos da única pessoa
que poderia conhecer as profundezas de seu coração?
Foi isso que seu marido tirou de mim.
Eu tiraria o mesmo dele.
Mas ele preferiu a vingança contra mim à sua vida.
Tirá-la não o faria pagar.
Ele não a ama
como eu amei minha esposa.
Vai me deixar viver?
Não pense que é por bondade.
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