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"TENHO CINCO GAVETAS NA MINHA MENTE.
ABRO AS TR�S DE CIMA MUITAS VEZES. A QUARTA COM MUITO MENOS FREQU�NCIA.
FECHEI A QUINTA GAVETA A 8 DE MAIO DE 1945 E N�O A ABRI DESDE ENT�O."
- Ol�. Estamos prontos. - Sim.
- Pode p�r o microfone? - Sim. J� vamos.
- Obrigado. - �timo.
Pronto, Gunnar?
Sim.
Estou pronto.
- Est� bem? - Sim, estou.
N�o demora a passar.
- Bem-vindo. - Obrigado.
- O Petter. - Ol�, bem-vindo.
- Petter. Muito prazer. - Ol�.
Vejam s�. Est�o � espera de algum velhote?
Vamos falar sobre...
... valores.
Que palha�ada.
O qu�?
NAZIS QUEIMAM LIVROS E GERAM PREOCUPA��O
Queimar livros?
O meu pai deu-me um livro.
Um tal Langhoff escreveu sobre a estadia num campo de trabalho alem�o.
Devem queimar esse.
� uma pris�o?
Sim, diz que prendem l� os opositores ao regime.
Comunistas?
Todo o tipo de pessoas.
Chama-se Myrsoldater.
O K�hn tem-no na loja dele.
Empresto-te o meu.
Entendo a necessidade de manter os comunistas sob controlo.
� igual aqui.
Ou vamos todos para Moscovo.
N�o ouves o que dizes, Erling.
- As pessoas n�o podem ter opini�o? - Sim.
Sim.
N�o se trata de comunismo.
Ningu�m deve ser preso por ter opini�o.
Tu percebes-me.
N�o, n�o percebo.
A fogueira j� arde.
P�e isto l�.
Andei na mesma escola que voc�s h� mais de 70 anos.
Viv�amos numa democracia.
Mas depois sentimos o cerco a apertar-se.
Sentem-se seguros?
�timo. Eu tamb�m me sentia seguro.
E os meus amigos
tamb�m se sentiam seguros.
At� deixarmos de estar seguros.
Pens�vamos que viv�amos no p�s-guerra.
Mas, de repente, percebemos que viv�amos entre guerras.
Os alem�es invadiram a 9 de abril de 1940.
Bastaram 800 soldados para tomarem Oslo.
� o dobro dos que est�o aqui sentados.
Numa guerra, temos de descobrir
se aceitamos a situa��o em que estamos.
Deixamos isso tornar-se o novo normal ou fazemos algo
e, assim, arriscamos tudo.
9 DE ABRIL - TER�A-FEIRA
Continuei a ir trabalhar.
Mas tinha dificuldade em concentrar-me.
Saiam todos!
Despachem-se!
N�o se assusta facilmente.
S�nsteby.
Admito que sou um pouco desafiador.
At� que ponto � desafiador?
Bastante.
Somos um grupo pequeno e falamos em ir para a floresta.
Quer juntar-se a n�s?
O que mais pod�amos fazer?
T�nhamos de tentar lutar.
Toma, S�nsteby.
Sim.
Os alem�es j� estavam em todo o lado.
Corram!
Era em v�o.
Formem uma linha!
N�o t�nhamos hip�tese.
Toma!
Est�vamos mesmo despreparados.
Prometi a mim mesmo que nunca mais estaria assim despreparado.
Adoeci com pneumonia e sinusite
e mandaram-me descansar por dois anos.
Dizem que a sa�de � o mais importante.
PRIMEIRO-MINISTRO QUISLING EXPLICA POL�TICAS.
N�o � verdade.
A paz e a liberdade s�o o mais importante.
Dois meses depois, conheci outros como eu.
Fala Londres.
Em dias assim, muitos noruegueses pensar�o: "A coragem perdurar�
ou estamos prestes a desistir?"
O Knut Haugland, que conhecia de Rjukan.
E o Max Manus.
O Andreas Aubert.
O Gregers Gram.
E o Tallak, o Edvard Tallaksen.
O meu passado como contabilista tornou-se �til.
Passei a chamar-me Erling Fjeld.
Gunnar Lier.
Harald S�rensen.
A padaria em Gr�nland gerida pela Reidun Andersen
tornou-se o nosso centro.
Fazer um jornal era bom, mas quer�amos fazer mais.
O governo noruegu�s fugira para Londres.
Ouvi dizer que tinham um representante na lega��o brit�nica na Su�cia.
NORUEGA - SU�CIA
Queria conhec�-lo.
LEGA��O BRIT�NICA - ESTOCOLMO
Temos de criar uma rede em Oslo.
Certo.
Mas se preferires ir para Inglaterra ser treinado para sabotagem,
podemos tratar disso.
- Obrigado, mas posso ficar em Oslo. - Certo.
O teu nome de c�digo �...
... N.o 24.
Aqui tens.
A primeira miss�o.
BANCO DA NORUEGA
AGOSTO DE 1942
- Forfang. - Erling Fjeld.
O Ivar Thiedemansen pediu que o recebesse.
Sim.
Do que se trata?
O governo noruegu�s em Londres pediu-me para solicitar
o empr�stimo das chapas de impress�o de notas.
Quer as chapas de impress�o das notas banc�rias norueguesas?
Sim.
A resist�ncia � cara, como deve compreender.
Tamb�m precisamos de uma amostra do papel.
Mna. L�berg?
Obrigado pela conversa interessante.
Como confiaria em mim?
A reuni�o acabou.
A Mna. L�berg acompanha-o � sa�da.
Sr. Fjeld?
Sr. Fjeld?
Os seus netos falar�o alem�o.
O que disse?
Tem no��o de que os seus netos falar�o alem�o se n�o agirmos?
� a sua oportunidade para estar do lado certo da hist�ria.
Como sei que representa o governo?
Como posso ter a certeza?
Tem de confiar em mim.
� f�cil falar.
Se isto correr mal, serei executado.
E o gerente do banco e a administra��o.
Como todos n�s.
Se � quem diz ser,
diga � voz de Londres
para dizer isto na r�dio.
Depois, ponderarei.
A ETERNA SAUDADE
Fala Londres.
Em dias assim, � importante manter o �nimo.
Eis 16 mensagens especiais.
Primeira, um homem de confian�a.
Segunda, uma lan�a no punho.
Terceira,
a eterna saudade.
Quarta, parecer escola inteira.
Quinta...
Espero que saibam o que fazem.
T�m at� quinta-feira � noite.
Aonde vamos hoje?
Vamos a Kongsvinger. Tenho uma encomenda para a Su�cia.
Chegaram.
O Reichskommissar Terboven e o primeiro-ministro Quisling
s�o protetores da companhia.
Sob a lideran�a do capit�o Maxvik, a companhia marchou por Oslo.
A escola Hirden em Kongsvinger formou uma turma de l�deres.
O chefe Marthinsen distribuiu cartas de nomea��o
a novos comandantes militares e chefes de esquadr�o.
Ele � pior do que o Quisling.
Depois, tiveram um conv�vio simples.
O Marthinsen era chefe da pol�cia estatal e l�der m�ximo da Hirden.
Deixava os homens dele torturar noruegueses.
Por vezes, os nazis noruegueses eram piores do que os alem�es.
Eu n�o conseguia entender que compatriotas nossos colaborassem
com os nossos ocupantes.
Era dif�cil saber em quem confiar.
O governo em Londres precisava de olhos e ouvidos em Oslo.
E fui nomeado l�der da nossa pequena organiza��o.
Recolh�amos informa��o que contrabande�vamos para a Su�cia.
E, de l�, era levada para Londres.
ULTRASSECRETO
Mas a Gestapo apercebera-se do crescente movimento de resist�ncia.
Os nossos foram presos por todo o pa�s.
Os alem�es queriam os l�deres.
Entrega-o.
O Hornb�k n�o o pode levar a Kongsvinger?
O Andreas quer falar contigo.
Ele disse...
O que foi aquilo?
Os alem�es despejaram �leo a ferver no reto do Kristian,
o irm�o do Andreas.
Foi queimado por dentro.
Ol�, Andreas.
Condol�ncias pelo Kristian.
Ele era excecional.
Sim, era.
Que tipo de pessoas fazem isso?
Quem faz isso?
Entendemos se quiseres sair.
Sair? N�o vou recuar.
Quero fazer as coisas dif�ceis. Percebes?
- Ol�. - Ol�.
Ela est� c�.
Sim.
Ol�.
Krogh.
Gudrun Collett.
Krogh?
N�o �s Fjeld?
Krogh, Fjeld, cinco bolsos, um para cada homem.
Basta n�o me baralhar.
Arranja coisas?
Pode dizer-se que sim.
Acesso a v�rios apartamentos?
Sim.
Porqu� tantos?
Durmo sempre em s�tios diferentes.
A Sra. Collett deu-me acesso a uma rede de apartamentos.
MORADA 1234
Limitei-me a seguir a l�gica alem�.
Eles eram diligentes e met�dicos todos os dias para nos localizarem.
Os alem�es costumavam levar pessoas
entre as 4 e as 6 horas.
Ent�o, levantava-me todos os dias �s 3h30.
Minutos depois ia para a rua e, muitas vezes, ia para a floresta
dormir mais umas horas
antes de voltar para a cidade.
Reabrimos amanh�.
Fechados.
Obrigado, menina.
Cheira bem aqui.
Posso,
Reidun?
Por favor.
Tragam os presos.
O primeiro.
Sabe quem �?
Olhe para ele.
Pr�ximo.
E ele?
N�o sei.
Tem a certeza?
N�o.
Eu n�o disse nada.
Nada.
Est� bem.
Vi muitos dos nossos.
Vi o Soln�rdal.
N�o sei se aguentar�.
Far�o tudo
para descobrirem o teu nome.
Est� bem.
O que tens feito?
N�o queres saber.
Mas autorizaram-te a viajar para Rjukan?
Pois...
H� muita gente � minha procura.
E haver� mais.
N�o consigo deixar de pensar que...
... podem vir atr�s de voc�s.
Faz o que tens a fazer.
E n�s faremos o mesmo.
- Ol�, Gunnar. - Ol�.
Pela boa coopera��o entre autoridades alem�s e norueguesas,
� importante que, juntos, travemos o terrorismo.
Sim.
Ent�o, arrancou-lhe tudo o que ele sabia?
� imposs�vel saber.
N�o, n�o �. S� temos de nos esfor�ar.
E cantam como pardais.
D�-me um momento.
Sim, claro.
Venha comigo.
Est� frio, n�o est�?
O qu�?
O nome do teu chefe?
O teu l�der?
O nome completo.
Gunnar.
Gunnar.
Precisamos do apelido.
S�nsteby.
Gunnar S�nsteby?
Sim.
Ora a� est�.
N�o foi dif�cil.
Desculpe a interrup��o.
N�o h� problema.
Mas diria que a espera
valeu a pena.
DUZENTAS MIL COROAS DE RECOMPENSA
Alto.
Pap�is, por favor.
Est� bem.
Siga.
Entra, S�nsteby.
Porra, n�o!
Alto!
LEUCHARS, ESC�CIA - 1943
"Kjakabr�ten."
C� est�s tu.
- Ol�. - � bom ver-te.
A ti tamb�m.
J� estava na hora de vires.
Quero voltar assim que puder.
Uma coisa de cada vez, Gunnar.
Erling Fjeld.
Erling Fjeld.
Eles pediram para falar contigo.
Sim?
Tentei dizer-lhes que �s de confian�a, mas eles insistem.
Sr. Fjeld.
Diga-nos mais uma vez, Sr. Fjeld,
porque sobreviveu
e muitos dos seus contactos n�o?
Alguns de n�s acreditam ser quase imposs�vel.
Quando algo � imposs�vel,
tende a haver algumas explica��es �bvias.
- O que diz? - Nada, Sr. Fjeld.
Diga-nos o senhor.
Sou um homem minucioso.
Poucos podem ser t�o minuciosos tanto tempo.
- O que quer que diga? - O senhor �?
N�o estou a dizer que sou melhor do que ningu�m.
Mas passo o dia todo a fazer planos.
- Como outros. - Como outros.
- Oxal� fosse verdade. - N�o � sorte?
Sim, sorte e bom planeamento.
- Bebe? - N�o desde o in�cio da guerra.
� contraproducente.
- N�o precisa para se acalmar? - N�o.
- E mulheres? - O que t�m?
Gosta de mulheres? Alguns agentes preferem homens.
Mesmo sendo chocante.
Sim, gosto de mulheres.
Quantos contactos femininos estabeleceu?
Cinco, diria.
E com quantas dormiu?
S�o perguntas muito pessoais.
Responda.
Zero mulheres desde o in�cio da guerra.
Acho dif�cil de acreditar, Sr. Fjeld.
Lamento, mas n�o sou respons�vel por isso.
Faz algo para acalmar os nervos?
Sim.
Planeio e preparo, como j� vos disse.
� o que me acalma os nervos.
J� deve estar farto desta sala.
Pe�o desculpa, mas t�nhamos de ter a certeza.
Parece ser um daqueles indiv�duos raros e brilhantes
que consegue feitos incompar�veis.
Impressionou-nos.
Desejo-lhe sorte na forma��o.
FORMA��O AUTORIZADA
Ap�s uns meses de forma��o na Esc�cia, voltei para a Noruega.
Sentia-me preparado para miss�es maiores.
Mas, primeiro, ia conhecer o novo l�der da resist�ncia,
o Jens Christian Hauge.
Ovos para o pequeno-almo�o.
Bebe um pouco da inven��o do meu marido.
Est� bem.
Cura tudo, como ele dizia.
Exceto tumores cerebrais,
pelos vistos.
As minhas condol�ncias.
Obrigada.
N�o devemos afundar-nos nessas trevas.
�s vezes, � importante divertirmo-nos.
Apesar do que se passa.
Quando � que ele vem?
Ele vir�.
Dan�as?
N�o.
Temos de respirar mesmo quando h� uma guerra.
Uma coisa de cada vez.
A s�rio?
N�o ter�s mais comida se n�o dan�ares.
Est� bem.
Nunca dan�aste?
Sim, j�.
- Certo. - Com certeza.
P�e a m�o direita no meu ombro.
E a outra m�o aqui. Eu conduzo.
Agora.
N�o posso dan�ar com um cepo. Tens de respirar.
Inspira pelo nariz.
Expira pela boca. Outra vez.
Tentemos de novo.
Aos tr�s.
Direita.
Dois, leve, leve, dois.
Sim, �timo.
Lembra-te de respirar.
Bem-vindo.
O Sr. Hauge.
- Caf�? - Sim, por favor.
- Queria ensinar o N.o 24 a respirar. - Estou a ver.
J� fizeste 25 anos?
Sim.
Podes n�o fazer muitos mais.
Pensaste nisso?
N�o me incomoda.
Como reagirias � tortura?
N�o sei.
� a �nica resposta certa.
Vamos trabalhar juntos, eu e tu.
Temos um assunto urgente.
Est� bem.
O Quisling e o Marthinsen for�ar�o rapazes noruegueses a lutar pelos alem�es.
Ser�o carne para canh�o na R�ssia.
Amanh�, tr�s mil v�o ao centro de emprego.
Tem de estar em ru�nas ao amanhecer.
Akersgata 55, aqui.
Um edif�cio vazio fechado � noite.
Vamos fazer explodir um arquivo, n�o um quarteir�o.
Gregers, oito, dez quilos?
Sim. Talvez dez.
Max. Falei com o Selvaag. Ele arranja-te armas.
Certo.
Tallak, vigia Akersgata.
Vemo-nos aqui �s 19 horas.
Sim, tenho uma sele��o. V� estas.
Akersgata 55, aqui tem.
Tudo tem de ser verificado at� �s 19 horas.
Sim.
O que disse eu?
Disseste que eu... e o Max...
Tallak, n�o pode ser.
Sorri-lhe porque estamos num caf�.
Agora � ilegal sorrir?
Alguns de n�s sentem coisas.
Sim, est� bem, sorri. Quando acabares de sorrir,
vais voltar para Akersgata.
Acabei de vir de l�.
- A chave que te dei? - Sim.
Verificaste se serve?
Tudo pronto.
Est� bem.
18 DE MAIO DE 1944
Tens as chaves?
Belo s�tio.
Est�o aqui pessoas.
Prosseguimos.
Ol�, posso ajudar?
O que se passa aqui?
Horas extraordin�rias. Muito trabalho amanh�, ent�o...
- E voc�s? - Mandaram-nos verificar a ventila��o.
Que bom. Isto fica muito abafado.
- Tratamos disso. - Obrigada.
Sabes uma coisa...
Quando vejo jovens assim sem fazerem nada, sabes o que penso?
Malditos sejam.
Se eu fosse jovem, faria tudo para nos livrar destes porcos.
Apetece-me dar-te uma sova.
Tenho de ser franco.
- Estamos a trabalhar, obrigado. - Max.
Sim.
Bebo um gole.
Sim.
- Obrigado. - De nada.
Que merda do cara�as.
Sim.
Digo-te uma coisa, se ainda fosse capaz de correr,
eles veriam umas merdas...
Nos velhos tempos, ningu�m corria mais do que eu.
Eu tamb�m era forte.
Certo.
Em 1905, fui e vim a correr de Drammen numa noite.
Havia l� uma senhora. J� n�o h� mulheres assim.
Na altura, tinham mais para amar.
Bebiam leite.
Ou�am.
Ou�am!
O edif�cio vai explodir em breve.
T�m de sair todos depressa.
Eu primeiro!
Sim, ela era extraordin�ria.
No dia 3 ou 4 de julho, ou de junho, lembro-me...
Fui e vim a correr de Drammen.
A 4 de julho, n�o.
Devia sair daqui, amigo.
- O que disseste? - V�!
- V�! Desapare�a! - Est� bem.
O que acham que os jornais disseram no dia seguinte?
Exatamente.
Nada.
O que os jornais dizem � o que � porque quem os faz
decide o que � impresso e o que n�o �.
Em tempos de guerra, os jornais s� servem como acendalhas.
Fala o Marthinsen.
Raios partam!
Porra!
Gustav S�nsteby?
- Sim? - Venha connosco.
S� um momento.
Ele foi enviado para Grini.
Eles sabem o teu nome.
Sabem quem �s.
Sab�amos que podia acontecer.
Toma.
Anda sempre com isso.
N�o deixes que te levem vivo.
Os alem�es sabem deste apartamento.
Est� bem. Vou-me embora.
Obrigado.
Muito obrigado.
Pap�is.
A mochila tamb�m.
Verifica.
Aonde vai, Fjeld?
Trabalhar.
Em que trabalha?
Seguros.
O que achas? Seguros?
Tenha um bom dia.
Obrigado.
Pode ir.
N�o te reconheceram?
Felizmente, sou banal.
�s muitas coisas, mas banal n�o �s.
Costumas pensar no que vais fazer quando isto acabar?
N�o.
Porque n�o?
N�o posso pensar nisso agora.
Quero viver num pa�s livre, o resto � secund�rio.
Devias ser discreto algum tempo.
Seria sensato dar menos nas vistas.
Sim, talvez seja sensato.
O que �?
Eu...
... conheci algu�m.
O que significa "algu�m"?
Uma mulher?
Sei que n�o te agrada, mas...
... acontece.
Est� tudo controlado.
O que significa isso?
Que... ponderei cuidadosamente o que tenho de fazer se for apanhado.
Sei exatamente o que tenho de fazer.
Ningu�m vai ser apanhado.
A f�brica de armas Kongsberg.
For�am 850 noruegueses a fazer canh�es suecos para os alem�es.
Os aliados bombardeiam mesmo com baixas civis.
O centro de Kongsberg ser� destru�do.
Temos uma ideia melhor, mas � arriscada.
T�m de entrar na f�brica.
Os alem�es t�m guardas, mas deve ser poss�vel entrar
entre duas patrulhas.
17 DE SETEMBRO DE 1944
- Ol�. - Ol�.
Onde est� tudo?
O qu�?
Os explosivos.
Est�o l� dentro.
Dentro de qu�?
Da f�brica.
Meti l� dentro mais de 70 quilos de explosivos.
Quem deu a ordem?
Decidimos que era boa ideia.
Temos de lig�-los dentro da f�brica?
Sim.
O plano era estarem prontos antes de entrarmos.
Agora precisamos de mais dez minutos, no m�nimo.
O tempo de uma patrulha.
Certo.
Come�amos?
Temos a chave.
Sim, mas n�o queremos que saibam.
Dez minutos.
Cinco minutos.
V� l�! Acaba!
Tr�s minutos.
D�-me o pavio. N�o temos tempo.
Temos de ir!
Tenho de acender o pavio.
- V� l�! - Sim.
Toma!
HOKKSUND - A 20 KM DE KONGSBERG
Pap�is, por favor.
E saia do carro.
Muito bem. Est� tudo em ordem.
Pode seguir.
Mas foi... N�o ficaram impressionados. Tenho de dizer.
Nova regra!
A partir de agora, n�o quero ver uma gota de �lcool
durante ou antes de uma miss�o.
Depois, quando todos estiverem a salvo,
� outra hist�ria.
Entendido?
Est� tudo bem?
Querem-me em Londres.
Sabes porqu�?
N�o.
N�o se desleixem enquanto estou fora.
N�s sabemos, teremos cuidado.
Sim.
Gunnar?
C�us!
Passou muito tempo.
A quem o dizes.
Esta � a Annlaug.
Sim, ol�.
- Gunnar. - Annlaug.
Muito prazer.
Crescemos juntos.
�amos caminhar nas montanhas antes de...
Bem, antes de tudo.
Como est� o teu pai?
Ele vai ficar bem.
E tu? Achei que trabalhavas com o teu pai.
Pois. N�o correu muito bem.
Estou entre empregos, como dizem.
Pois. � a vida.
Tempos dif�ceis.
Vais viajar?
N�o, � s� trabalho.
Vida citadina?
Sim, pode dizer-se isso.
- Foi bom voltar a ver-te. - Igualmente.
Vemo-nos por a�.
Sim.
LONDRES - NOVEMBRO DE 1944
Obrigado.
Bom dia.
Vossa Majestade.
Como se chama hoje?
Erling Fjeld?
Harald S�rensen, eletricista de Grefsen.
Vossa Alteza Real.
Infelizmente, tenho de ir.
S� queria conhec�-lo.
- � uma honra. - Igualmente.
Bom almo�o.
Vamos?
Tomei a liberdade de pedir para os dois.
Obrigado, Vossa Majestade. Tem �timo aspeto.
Bom apetite.
Soube que tem alcan�ado grandes feitos em Oslo.
Obrigado. Quero voltar e fazer mais.
Sabe que mais?
Precisa mais disto do que eu, meu rapaz.
Muito obrigado.
E claro que sim...
Vai voltar para casa.
E continuar� a fazer o m�ximo de travessuras que conseguir.
Nunca esquecerei aquele encontro.
Foi como se o pr�prio rei me ordenasse que me livrasse dos sacanas.
Mas, antes de voltar para casa, ia receber outra mensagem.
SERVI�O DE OPERA��ES ESPECIAIS - LONDRES
O Tallak e o Gregers
estabeleceram contacto com dois desertores alem�es da Luftwaffe.
Achavam que eram dois desertores.
13 DE NOVEMBRO DE 1944
O Gregers teve morte imediata.
O Tallak foi alvejado na cara...
... e foi levado para o hospital.
Se eu estivesse l�, o encontro nunca teria acontecido.
N�o teria sido permitido,
mas eu n�o estava l�.
Nenhum de n�s sabe como reagiria � tortura.
Quebramos
e tra�mos todos os que nos rodeiam?
Ningu�m quer estar nessa situa��o se puder ser evitado.
E, por vezes, pode ser evitado.
Mas tem um pre�o.
As novas ordens.
DIRETIVA PARA O N.o 24
EXECU��ES
Ouvi dizer que o movimento de resist�ncia
por vezes teve de matar noruegueses.
Sim.
Tamb�m teve de o fazer?
J� viveste em tempos de guerra?
N�o, eu n�o,
mas os meus pais viveram.
Ent�o, tenho a certeza
de que os teus pais perceber�o do que falo.
E gostaria de dizer a todos voc�s que espero que n�o tenham de perceber
no vosso tempo de vida.
Na guerra, as nuances desaparecem. � matar ou morrer.
E, de repente,
aplicam-se regras diferentes.
Durante a guerra, perdi oito dos meus melhores amigos
por causa dos alem�es.
Como reagirias
se denunciassem os teus amigos?
N�o ia gostar.
N�o.
Mas matou?
Mais alguma pergunta?
Estes s�o os piores.
S�o todos noruegueses.
O Marthinsen � o nazi mais devoto do pa�s, mas precisamos de mais tempo.
Dev�amos come�ar por este, � igualmente mau.
� respons�vel pela morte de v�rios dos nossos.
Preparados!
Fogo!
Posso pedir a outra pessoa se for dif�cil para ti.
N�o podemos obrig�-los a fazer algo que eu n�o faria.
Eu elimino-o.
Leva algu�m contigo.
Temos de combinar uma coisa.
Isto fica entre n�s os dois,
agora e para sempre.
Quem matou quem, onde, quando, ser� enterrado connosco. Combinado?
Desculpe.
Vi-a a sair do n�mero um.
Vive l�?
Sim.
Gosta de morar c�?
Porque pergunta?
Diria que este bairro � agrad�vel?
Sem d�vida.
Bons vizinhos?
Isso varia um pouco.
Sobretudo hoje em dia.
A quem se refere?
Tem um vizinho desagrad�vel?
Diria que sim.
Vive muito perto dele?
Gunnar.
� ele.
Quero outra.
Joga l� a carta.
Tudo a seu tempo.
Espertalh�o.
Obrigado.
De nada.
Esperem!
Obrigada.
Sim.
Coisas que aconteceram durante a guerra incomodaram-no depois?
N�o, durante a guerra vivi
t�o no limite quanto poss�vel.
A minha cabe�a nunca descansava e poucas coisas me afetavam.
Se afetassem, estava tramado.
Estava a referir-me ao facto de os membros da resist�ncia
terem matado noruegueses.
Sim, j� fal�mos disso.
Sim, mas a sua resposta n�o foi clara.
Parece que aconteceu...
... 82 vezes durante a guerra.
N�o contei, mas provavelmente � verdade.
S� mat�mos os nazis dedicados.
E os que estavam prestes a fazer algo que impediria a liberdade da Noruega.
Ent�o, n�o havia miseric�rdia?
N�o.
Podes matar o n�mero dois.
Sim.
Provavelmente trocava-os.
Astrup e Finn Kaas, n�o sei.
- � o mais novo que pode... - Est� bem.
Nunca consideraram a n�o-viol�ncia?
N�o-viol�ncia?
Sim.
Gandhi?
J� ouviu falar dele?
Gandhi n�o lutou contra nazis.
A n�o-viol�ncia � �tima. Sem d�vida.
Mas n�o resulta
quando o vosso pa�s foi tomado por pessoas que desprezam a humanidade.
Acho que resulta.
Ent�o, podemos conversar se houver outra guerra
no nosso tempo de vida.
Est� bem, conversarmos se houver uma guerra.
Sim.
Passemos ao capit�o Linge e � companhia dele.
Na Kompani Linge, muitos de n�s �ramos de Rjukan.
Sim?
Todos os executados fizeram coisas imperdo�veis?
Sim.
�s vezes, houve consequ�ncias graves.
Como o Karl Marthinsen?
Quanto ao Marthinsen, foi um caso simples.
Seguimos pela estrada Blindernveien. Ele costuma ir de carro at�...
Vamos esconder-nos aqui.
Selvaag, podes ajudar-me?
Foi respons�vel pelo Holocausto na Noruega.
Enviou judeus noruegueses para campos de concentra��o.
Pod�amos chamar-lhe
o maior assassino em massa da hist�ria norueguesa moderna.
Tinha de ser eliminado.
8 DE FEVEREIRO DE 1945
Como est� o rapaz? Ganhou a corrida de esqui?
Obrigado por perguntar, mas � hoje.
� hoje.
Deseja-lhe sorte.
Obrigado.
Est� mesmo frio na rua.
Quantas vidas acha que valeu a pena sacrificar
s� para matar o Marthinsen?
Quando mat�mos o Marthinsen,
os alem�es retaliaram, � verdade.
As retalia��es foram t�o intensas que n�o mat�mos
os seguintes na lista.
Em dois dias,
executaram 28 noruegueses na fortaleza.
Muitos dos nossos entre eles...
... e algumas pobres almas ao calhas.
Valeu a pena?
� imposs�vel responder a isso.
Quanto vale a liberdade?
Um familiar meu foi morto pela resist�ncia.
Um familiar meu foi morto pela resist�ncia.
Entendo, lamento ouvir isso...
Sabes o que ele fez?
N�o sei ao certo.
Parece que denunciou algu�m.
Sim, houve muito disso
durante a guerra.
Esperava que soubesse algo
sobre isso.
Compreendo. Como se chamava ele?
Erling Solheim.
Recebemos uma carta.
O nosso pessoal nos correios intercetou esta carta para a pol�cia estatal.
O remetente d� informa��es que podem levar � tua captura.
Menciona-te a ti e a muitos conhecidos.
Oferece-se para vos identificar.
N�o, esse nome n�o me diz nada.
Para o chefe da pol�cia estatal em Oslo.
Estive recentemente em contacto com pessoas
envolvidas em sabotagens e outras atividades ilegais.
Terei de... avan�ar. Tentar...
Mas obrigado pelas perguntas.
Ouvi e li muito sobre os atos brutais
cometidos pela chamada Heimefronten.
O Solheim tem de desaparecer antes que tente de novo.
Tratas disso?
Sim.
Acho que a liberdade vale quase tudo.
� por isso que a guerra se torna t�o implacavelmente dura
que as barreiras s�o imposs�veis de ultrapassar.
Porque � liberdade
ou morte.
Preferia n�o dizer muito por escrito,
mas posso mencionar que tenho informa��es sobre o S�nsteby,
o Haugland e o Helberg, que sei serem do vosso interesse.
N�o quero envolver a pol�cia local, pois n�o s�o de confian�a.
Se me puderem enviar
uma autoriza��o de viagem para Oslo, viajaria imediatamente.
Atenciosamente, Erling Solheim.
Podemos falar os tr�s?
Raios partam!
De Rjukan.
Conhece-lo?
Um carro da Stapo.
V�o � paisana. Os documentos de servi�o.
O Solheim est� desempregado. Vive aqui.
Na rua Sam Eydes.
Agrade�am-lhe a carta. Que venha a Oslo para ser interrogado.
Digam-lhe que a Stapo est� grata
e que a recompensa de 200 mil o espera em Oslo.
Duzentos mil?
Deve ser o motivo.
Tirem-no da cidade...
... e matem-no.
Para a rece��o.
Para a rece��o. Sil�ncio!
Saiam daqui!
Erling Solheim?
Alarme!
Saiam! V�!
V�!
Saiam!
Saiam!
N�o sei como est�o, mas eu tenho de mijar.
27 DE FEVEREIRO DE 1945
Ele apercebeu-se...
N�o.
Est� bem.
Certo.
Somos livres! A paz chegou!
Uma Noruega alegre celebrou a sua liberdade renascida
durante estes dias agitados.
Nesta primavera, regozijamo-nos com todo o desejo e esperan�a
que as mulheres e homens noruegueses t�m no cora��o.
Foi feita justi�a.
O punhado de traidores desprez�veis
que tra�ram os seus compatriotas...
Sr. Quisling, este � o Halvor Rivrud.
Esteve preso em Dachau e Mauthausen.
Acho que devia ouvi-lo.
Nem um pio da sua boca.
- Que bom. - Sim, muito.
Ol�.
Ser� que pode autografar isto?
Sim, claro.
Com prazer.
C�us...
Isto interessa-te mesmo?
Sim.
Pois.
Esperava que soubesse algo sobre o irm�o do meu bisav�.
N�o, infelizmente, eu...
Havia tanta coisa a acontecer naquela altura...
Sim.
Lamento.
Eu compreendo.
Obrigada na mesma.
Obrigado.
Tenho cinco gavetas na minha mente.
Abro as tr�s de cima muitas vezes.
A quarta com muito menos frequ�ncia.
Fechei a quinta gaveta a 8 de maio de 1945
e n�o a abri desde ent�o.
Foi assim que aguentei estes anos todos.
Surpreendentemente, correu bem para muitos de n�s.
REUNI�O 1949
Mas, para alguns, foi demasiado.
O Andreas come�ou a beber no dia da liberta��o.
Todos sabiam quem ele era.
Nenhum bar em Oslo aceitava pagamento.
Andou de bar em bar durante 11 anos.
O Andreas suicidou-se com um tiro em 1956.
Eu suspeitava que ele n�o estava bem,
mas, na altura, n�o percebi a gravidade.
Isso incomoda-me h� 50 anos.
Vi o Gunnar pela primeira vez...
- Foi em 1998, certo, Gunnar? - Sim.
GUNNAR S�NSTEBY NUNCA FOI PRESO PELOS ALEM�ES.
EFETUOU MAIS DE 20 MISS�ES DE SABOTAGEM DURANTE A GUERRA.
� O NORUEGU�S MAIS CONDECORADO
E O �NICO A RECEBER A CRUZ DE GUERRA TRIPLA.
GUNNAR CASOU COM ANNE-KARIN, A SUA AMADA, EM 1953.
APESAR DA SA�DE FR�GIL, FEZ MUITAS PALESTRAS
AT� POUCO ANTES DA MORTE.
PASSOU 70 ANOS A AJUDAR QUEM TEVE DIFICULDADES
COM OS EFEITOS P�S-GUERRA.
AOS 94 ANOS, GUNNAR APANHOU UM T�XI PARA O LAR EM OSLO
E DEITOU-SE NUMA CAMA. J� TINHA FEITO O QUE PRETENDIA.
N.o 24
O MUSEU DA RESIST�NCIA TEM UMA C�PIA DA CARTA DE ERLING SOLHEIM.
GUNNAR S�NSTEBY SEMPRE DISSE QUE OUTROS MEMBROS DA FAM�LIA SOLHEIM
ERAM ANTINAZIS E "BONS NORUEGUESES".
Legendas: L�gia Teixeira
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