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Zulu
Quando um assassino em série começa a matar,
já não pode parar.
Só precisam de um pretexto para matar,
um desafio,
um inimigo.
Estava boa.
Que raio é isso, Villamil?
Parece um poema.
Sancho, apresento-te o Armando Lopategui,
psicólogo criminal.
Carapocha. Podem chamar-me Carapocha.
María Ramírez de Mateo.
Envio-te a sua última morada.
Quero que peças desculpa ao Gabriel.
Se gritares ou chorares enfio mais fundo.
Devemos ter outro poema, não é?
- Dra. Corvo? - Sim.
Sou o Inspetor Sancho. Falámos ao telefone.
Como Orestes, virei com a minha foice para levar o tesouro.
Na mitologia grega, Orestes matou a sua mãe.
Acho que a mulher assassinada
- pode ser a mãe do autor. - Mamã.
E eu que tinha desistido de caçar.
Mas o namorado dela provocou-me.
É por culpa dele que está aqui.
Transformou tudo isto em algo pessoal contra o Sancho.
É preciso prender o Augusto Ledesma, Gabriel García Mateo ou lá como se chama.
Vim buscar um bilhete para os Love of Lesbian.
Quero muito ir.
Toma.
Se me querias impressionar, conseguiste.
Nem penses aproximar-te dela.
Não me digas que te apaixonaste por um caso de uma noite.
- Mas reconheço que fode bem. - Como?
Aproveitei o hábito de ires correr logo de manhã.
É perigoso, Erika.
O problema é que querias o brinquedo para ti.
Também quero brincar.
Este teu vício pelo risco vai sair-te caro.
Devias ter ficado em Berlim a continuar o tratamento.
O melhor é a detenção de Augusto em Paris.
- Lopategui? - Assinou a alta do Augusto
como seu paciente.
O filho da puta do Carapocha!
Os teus pais não te disseram que tens um irmão.
Chamo-me Orestes.
Liguei-te e tiraste o Augusto a pensar que era eu.
Lidaste sempre comigo.
Sei o teu segredo.
O teu irmão está com a Erika.
Violeta, estúpido!
Onde pensas que vais?
Ir buscá-la.
- Sancho. - Larga a arma.
Sancho, ouve.
Entra na merda do carro. Vamos!
Diz que a tua filha corre perigo.
- Está com o meu irmão. - É minha filha.
O que estás a fazer?
Sancho, ajuda a minha filha.
Merda.
Quero que vamos juntos.
- Aqui tem. - Muito obrigada.
Vamos ver quanto é.
Adeus! Fiquem bem.
Adeus.
BASEADO NO ROMANCE DIES IRAE DE CÉSAR PÉREZ GELLIDA
- Entrámos no bloco. - O ritmo cardíaco...
- Há familiares? - Pupilas ativas.
Tem uma hemorragia interna.
Vamos.
Preparem para intubar se a situação não melhorar.
...para a dor e há resposta da pressão arterial, mas ainda é baixa.
O telefone para o qual ligou está desligado ou sem rede.
Oficialmente, a Violeta morreu.
Gosto.
Erika.
Só falta uma coisa.
Vais continuar a matar, não vais?
Martina, a tua mãe...
Sei que foste tu.
E não vais parar.
Queres ir embora?
Não.
Porquê?
Porque não quero.
Nem posso.
Mas temos de impor regras aos teus impulsos.
Vais dizer-me como e quando matar?
Não.
Mas sim quem.
Há muitas pessoas que merecem morrer.
Tem calma.
Existe vigilância à entrada.
Saímos pela porta de serviço.
Está à tua espera lá fora. Num carro.
TRIESTE, ITÁLIA
Não te esqueças do nosso pacto.
Augusto...
Volta.
COSTA DEL SOL, ESPANHA
Goran.
Fala comigo em espanhol, Goran.
O que fazes aqui?
São dois, Goran.
Dois quê?
Pensámos que lidávamos com o Augusto,
mas era o Orestes, o seu irmão gémeo.
O Orestes usou-me para controlar o Augusto.
E agora o Augusto levou a minha filha.
A minha filha!
- Ok, acalma-te, ouve... - Não, ouve-me tu!
A minha filha está com um monstro.
E preciso de saber onde está.
Augus...
Orestes...
Desapareceu. Já não se liga.
Então encontra-os, és um hacker!
Se insistir mais, vai suspeitar.
Se me descobrir...
Tens medo, não tens, Goran?
Percebo-te.
Também sei o que é o medo.
O medo sufoca-nos.
Aperta-nos o peito.
Por vezes, até nos impede de respirar.
Cheguei a vomitar de medo.
Sabes quando?
Tinha acabado de perder a minha mulher e tu levavas a Erika nos braços.
Quando cruzei a fronteira da Bósnia
com a tua família escondida na minha carrinha.
Enquanto os filhos da puta dos Tigres de Arkan escavavam fossas
onde já não cabiam mais famílias muçulmanas assassinadas.
Famílias como a tua.
Lembras-te, Goran?
Lembras-te da Erika?
O Augusto está com a minha filha.
E só o Orestes me pode levar até ele.
Só temos uma maneira de nos proteger, mas, para isso,
tenho de o encontrar.
Como estás, bro?
Há muito tempo que não tenho notícias tuas.
Ainda estás vivo?
Dá-me um toque, vá lá.
Danilo.
Quem és?
Alguém semelhante a ti.
Um monstro,
que mata outros monstros da mesma espécie.
Uma canção para cada momento.
E um momento para cada canção.
O que é que estás a dizer?
Que pagarás por todos os teus pecados.
Noites no bar.
O mar atrás de ti.
És um sacana de merda.
...no itálico de uma prosa de madeira,
Sem gritar, gravado na minha memória, como em pedra,
e uma música especial.
Onde estão os dias
e esse azul
de um lugar onde tu estejas?
Olha-me na cara, monte de merda!
Olha-me na cara!
Só haverá acaso.
Quem és tu?
Quem és tu?
Compreendes a minha língua?
Quem és?
Stefania Gaspari.
Não devias estar aqui.
Vim só passar o fim de semana.
Estudo em Veneza.
O que fizeste ao meu pai?
O mesmo que fez a muitos outros.
O que faço contigo?
Não vou dizer nada!
É como se não te tivesse visto!
Não sei se acredito em ti.
Por favor.
Por favor, não me mates.
A que horas te levantaste?
Há umas duas horas.
Ainda te restam semanas de suspensão
e não as podes passá-las a fumar e a beber cerveja.
Vou passá-las a fazer o que tenho de fazer.
Sancho, o caso ainda está em aberto.
Porque não nos deixas tratar disso?
Não vos impeço.
Ontem dissemos que ias sair disto.
Não, tu é que disseste.
Antes de me convidares a subir.
Carmen, ontem foi algo...
Não, não, não armes confusões.
Isto era um assunto que tínhamos pendente, só isso.
E também não foi nada de por aí além.
A culpa foi minha, Carmen,
- desculpa, a minha cabeça... - O que fazes? Para, porra.
Vamo-nos rir disto quando deixares de ser um idiota.
Sai daqui.
Faz alguma coisa.
Hoje.
Porque demoraste tanto?
Surgiu um problema.
Tive de matar o guarda-costas.
Dissemos que só ias matar o Gaspari.
Era ele ou eu.
Não usaste o taser?
Sim.
Mas era uma besta.
Há outra coisa.
Mataste mais alguém?
Não.
Então, para.
Aceito o que és.
Mas não posso evitar que o que fazes me magoe.
- Encontraram a língua? - Não.
Mas descobrimos isto ao mexer o corpo.
É espanhol.
Parece poesia.
Vou a passos largos,
venho a rastejar.
Alguém esvaziou as entranhas alheias,
pensando que sem dor, sem horror,
o prisioneiro roía as penas.
Ainda achas que se trata de um ajuste de contas?
A filha?
Diz que não viu nem ouviu nada. Acho que está a mentir.
A família arranjou-lhe proteção.
Olá.
Sou a inspetora Grazia Gallo.
Como é que fizeste isso?
Ouve.
Podemos ajudar-te.
Mas tens de nos dizer o que sabes.
MENSAGEM RECEBIDA NÚMERO PRIVADO
DESPACHA-TE, HÁ VIDAS EM JOGO
- Olá, bom dia. - Olá.
- Rosa Funes? - Sim, está no jardim.
Obrigado.
Sancho, filho!
Como está a mãe mais linda do mundo?
Linda... É dos teus olhos.
Então.
Como estás, mãe?
Como queres que esteja? Feita num trapo.
Nem sei o que faço aqui.
Como o quê? A ser tratada como uma rainha.
É o meu filho Sancho.
Não é bonito?
Trabalha com carros.
Não, mamã. Esse era o pai.
Eu sou polícia.
Desde quando?
Pois...
Bem.
Conta-me, como estão a correr as atividades?
Boa tarde, Senhor Joyce.
Esqueceste as chaves?
Olá, Violeta.
Orestes.
Vejo que ainda te lembras de mim.
Não me convidas a entrar?
Que fazes aqui?
Vim falar com o meu irmão.
Como é que nos encontraste?
Danilo Gaspari.
Localizei o rasto digital do Augusto em Trieste.
Livrou-se do telemóvel,
mas não do iPad.
Desde que está contigo, tornou-se muito descuidado.
O que queres?
Certificar-me de que não o vais trair.
Porque faria isso?
Porque és a filha do Carapocha.
Não me conheces.
Depois do que tivemos,
partes-me o coração.
Aproveitaste-te de mim.
- Enganaste-te no irmão. - Não.
O Augusto falou-me de ti.
És um freak.
Um hacker que nunca sai de casa.
Não és nada sem o teu irmão.
Fodemos bem.
Lembras-te?
Nunca serás o Augusto.
Não conheces o meu irmão.
Conheces-me a mim.
O que é que foi? Isto excita-te?
Tu excitas-me.
Não voltes a tocar-lhe.
Cometes erros.
Estás com ciúmes, irmão?
Volta comigo para Espanha.
Porque não vais levar no cu e nos deixas em paz?
Cala-te, cabra.
Uma ligeira pressão...
E sangras até à morte.
A diferença entre nós dois é que eu sou capaz de te matar.
E sabes que não me importo de morrer.
Vai-te embora.
Juntos somos melhores.
Complementamo-nos.
Um dia vais perceber...
E voltarás comigo.
O quê? O meu carro é confortável? Fora.
Ramiro Sancho, presumo.
Chamo-me Robert J. Michelson.
Chefe da Unidade de Busca Internacional de Fugitivos.
Interpol?
Como é que me encontrou?
Os bons são mais fáceis de encontrar que os maus.
Sim, é verdade.
Preciso de falar contigo sobre o Augusto.
MENSAGEM RECEBIDA DEIXASTE UMA PONTA SOLTA
PRECISAS DE MIM ELA NÃO É PARA TI
Vou sair um bocado.
Tenho algo para fazer.
O quê?
Somos daqueles casais que contam tudo um ao outro?
Somos um casal?
Que vais fazer com o Orestes?
Nada.
É curioso.
O Orestes não está zangado porque lhe roubaste uma mulher.
Está lixado porque a mulher lhe roubou o irmão.
O Orestes e eu partilhamos algo que ninguém pode entender.
Ama-lo?
Não há afeto entre mim e ele.
E a mim amas?
Queres saber se te amo?
Não.
No dia em que me disseres que me amas...
Mato-te.
Às vezes penso que vai acabar assim.
A matar-te?
Ou eu a matar-te.
O seu novo gabinete e os teus colegas da Interpol.
- Chefe! - Sancho.
- Obrigado por vir, comissário. - De nada.
Que fazes aqui?
Tudo a seu tempo, Carmen.
Este é o Michelson,
chefe da Unidade Internacional de Busca de Fugitivos da Interpol.
São o meu grupo de homicídios, como solicitado.
Prazer.
- Prazer. - Muito gosto.
Bem-vindo.
Vais dizer-nos o que se está a passar aqui?
Augusto.
Voltou a matar.
Mauro?
Mauro?
Mauro.
Mauro?
Mauro!
Mauro!
Mauro!
Mauro! Mauro!
A caixa está nesse armário.
Leve o dinheiro.
Não quero dinheiro.
Quero as chaves da cave.
Quero as chaves da cave.
Sigo-vos o rasto desde que viviam em Cádiz.
O que queres de nós?
Só quero que esclareçam uma coisa.
Eu sei que tu...
Localizas as presas para o teu marido.
E acho que sei porquê.
Não chegaste virgem ao casamento.
E, claro, isso foi uma grande desilusão para o teu marido.
Para expiar a sua culpa,
a Luisa oferece-te virgens.
Raparigas.
Estou certo, Mauro?
Não sei do que falas.
Quantas foram?
Quantas?
Cinco.
E quando viviam em Cádiz?
Mais algumas.
Hoje é o vosso dia de sorte.
Vou dar-vos uma oportunidade.
Apenas um de vocês irá a julgamento.
E assim poderá culpar o outro pelos crimes cometidos.
A morte uniu-vos e agora a morte vai separar-vos.
Se não aceitarem,
terei de vos matar aos dois.
Muito obrigado por me poupar o trabalho de o fazer eu.
Um final perfeito para duas bestas como vocês.
Tem calma.
Tem calma.
Não tenhas medo.
Vim salvar-te.
Já acabou tudo.
O AUGUSTO VOLTOU A MATAR
ONDE?
TRIESTE
TENS NOTÍCIAS DA MINHA FILHA?
NADA
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