Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
"A FRATERNIDADE É VERMELHA"
Venha cá.
Aqui é 320-0486.
Deixe seu nome e telefone, que eu ligo quando voltar.
Valentine?
Valentine, você está em casa?
Você está aí? Não? Eu liguei à tarde.
Michel, eu estava tomando meu café da manhã.
Deu ocupado, e agora a secretária.
-Está sozinha? -Sozinha.
-Totalmente? -Totalmente.
Ligaram da agência para confirmar uma sessão de fotos.
Quando você voltou?
Ontem. Eu liguei, mas você não estava.
Roubaram tudo, até o carro na Polônia.
Passaportes, dinheiro, bagagem, tudo.
E agora?
Um sujeito nos hospedou.
A embaixada nos socorreu e voltamos.
-Michel. -Sim?
Eu me senti só ontem à noite.
E o que fez?
Dormi com seu blusão a noite toda.
-Eu queria estar com você. -Agora não posso, Valentine.
Eu sei. Como está o tempo aí?
-Na Inglaterra, sempre chove. -Aqui também choveu.
Agora faz sol. É primavera.
O que fez ontem à noite?
Fui ao cinema ver "A Sociedade dos Poetas Mortos".
-É um belo filme. -Gostei muito.
-Ligo à noite. -Volto às 19h e não saio mais.
-Até mais tarde. -Michel?
Sim?
-Só penso em você. -Eu também.
Um beijo.
Serviço de meteorologia, bom dia.
Bom dia.
Perdeu?
Jogue o chiclete.
Pegue a malha.
Ponha em volta do pescoço.
-A manga também. -Assim?
Fique de perfil.
Não sorria.
Ar triste.
Pense em algo horrível.
Assim, triste!
Isso, está ótimo. Assim!
Virando, e 6 e 7 na barra.
1, 2, 3, 4, esticar.
6, 7, 8, curvar.
3, 4, arquear.
6, 7, esticar bem. Esticar, esticar.
Esticar o queixo, o braço e as pontas dos pés.
Esticar a mão, o pescoço.
Relaxem os dedos dos pés. Vamos lá, estiquem.
Bom dia.
Quase caí.
"Rita."
Perdão, a porta estava aberta.
Sinto muito, atropelei sua cadela.
Rita, uma pastora alemã.
Pode ser. Ela desapareceu ontem.
Ela está no meu carro, viva.
Não sei o que fazer.
Quer que eu a leve ao veterinário?
Como quiser.
Se eu tivesse atropelado sua filha, ficaria indiferente?
Não tenho filha, senhorita.
Vá embora.
Não feche a porta!
Está tudo bem. Costurei a ferida. Tem uns hematomas e só.
Ela precisa descansar. Está grávida.
-Vai levá-la ou deixá-la aqui? -Vou levá-la.
Vamos ajudar a carregá-la.
Marc!
-Está sozinha? -Não.
Diga alguma coisa. Vamos.
-Ouviu? Tenho uma cadela. -Uma cadela?
Sim. Eu a atropelei ontem.
Michel, me perdoa.
-Não teve graça. -Não, não teve.
Vi que era brincadeira. Imaginei você rindo.
-Lembra como nos conhecemos? -Lembro.
Só nos conhecemos porque saí no intervalo.
É verdade.
-Valentine, devolva a cadela. -Eu tentei.
-O dono não a quer. -Quem é ele?
Um alarme. Pode ser o meu carro.
É o meu.
Espere, vou desligar.
-Estou com pressa. -Entendo.
Saia daqui, saia!
Eles preferem estas.
Usarão o slogan: "O Sabor Refrescante da Vida".
Qual você prefere?
-Gosto desta. -Eu também.
8 x 20 m.
Será que a reconhecerão?
Quem sabe?
Em quem está pensando?
Não em você.
-É um mau sinal. -Acho que sei por que ganhei.
-Até logo. -Até.
"DEPOIS DE ZURIQUE, GENEBRA"
Já chegou? O carteiro deixou isso para você.
-Quem mandou isso? -Nem imagino.
Não é o seu irmão?
Ou alguém parecido com ele.
É lastimável. Sua família lê esse jornal?
-Não sei. Obrigada. -Até logo.
Alô?
Bom dia. Posso falar com Marie, por favor?
-Sim? -É Valentine.
-Vai ver Marc em breve? -Devo vê-lo hoje à noite.
Peça que me ligue a qualquer hora.
Vou deixar você correr um pouco.
Mas não fuja.
Promete?
Rita!
Com licença... a minha cadela fugiu.
Chame-a, ela é sua.
Rita.
-Foi o senhor? -Pelo veterinário.
-Como soube meu endereço? -Não foi difícil.
Não sabe quanto custou.
Foram 130 francos.
Enviou 600.
Espere, vou buscar o resto.
E quanto a Rita?
É uma cadela muito inteligente. Fique com ela.
-Não a quer? -Não quero nada.
-Só falta parar de respirar. -É uma boa ideia.
Não está mais respirando?
Senhor...
Receio não ser capaz.
Se não vier, não me verá mais.
Mas hoje é domingo.
Ontem foi sábado e estava comigo.
Não posso falar agora, senhor. Vamos almoçar.
Não me chame de "senhor".
Trate-me como ontem. Por Pierre ou Pierrot.
Ou "meu amor". Diga "meu amor".
Vou atender no outro quarto.
Pierre?
-Estou sozinho. -Eu também.
Mas quero que você venha. Não posso ficar só.
Amanhã nos veremos. Também sinto sua falta.
-Deve entender... -Não quero!
Penso em você. Está nu diante do espelho.
Mas para outra pessoa, não para mim.
Quero te beijar. Eu me inclino e te toco com os lábios.
O que você faz?
-Eu espiono. -O quê?
Espiono os telefonemas de meus vizinhos.
Não devia desligar, estava bem interessante.
-Não parece achar divertido. -É repulsivo.
Além do mais, é ilegal.
Seus 30 francos.
Um instante, senhorita.
Está convencida de ter razão, não?
Sim.
Então por que não fez nada?
O quê?
Não quer que eu toque sua cicatriz como ontem?
Vá falar com ele.
Conte que alguém escuta suas conversas.
Aproveite e diga que sou eu.
Vou dizer.
É aquela casa.
-Bom dia. -Bom dia.
-Posso falar com... -Meu marido?
Está ao telefone. Com licença, vou desligar o gás.
Entre, por favor.
Sente-se, ele já vem.
Caroline, não brinque com o telefone. Seu pai está falando.
Desculpe, acho que errei de endereço.
-Aqui é o nº 22. -Então, desculpe.
Tudo bem.
Bom dia.
-Tchau. -Ligo mais tarde.
Você perdeu isto.
E então? Contou para ele?
Não.
-Não quer beber nada? -Não, não quero.
Eu voltei...
para lhe pedir uma coisa.
Não faça mais isso.
Fiz isso a vida toda.
O que o senhor era? Um policial?
Pior. Juiz.
-Juiz? -Nunca viu um juiz de verdade?
Quer experimentar? Faz um barulho agradável.
Não sei se eu estava do lado do bem ou do mal.
Aqui, ao menos, sei onde está a verdade.
Tenho uma visão melhor do que no tribunal.
Não.
-Todos podem ter segredos. -Claro.
Por que não contou a ele que eu o espionava?
Porque viu que ele tem uma esposa amável, dedicada...
e uma filhinha doce que ele ama. Não teve coragem.
Sentiu remorso, ou foi apenas medo de fazer mal?
Talvez as duas coisas.
Vou te dizer.
Pouco importa se espiono, ou se você conta.
Mas cedo ou tarde, ele vai pular pela janela.
Ou então, ela vai descobrir tudo.
Alguém contará à filha deles e será um inferno.
E o que podemos fazer?
Não diz nada?
Isso a faz lembrar de algo?
-Sim. -O quê? Diga.
-Um rapaz que conheço. -Um rapaz que conhece, que...
descobriu que a mãe é prostituta?
Que descobriu...
que não é filho de seu pai.
Ele tinha 15 anos.
A filha desse homem...
também sabe.
Fique um pouco.
Por quê?
Há uma bela luz.
Serviço de Meteorologia.
Amanha vou de carro para Turim.
Já verifiquei. A estrada estará boa até Chamonix.
De lá até o túnel, poderá nevar à tarde.
Após o túnel... um momento.
Sei o tempo que fará em toda a Europa.
Até Turim, a estrada estará boa. Parta cedo para evitar a neve.
-Este serviço é ótima ideia. -Obrigada. Até logo.
Serviço de meteorologia, bom dia.
Sou eu.
-Você conseguiu dormir? -Um pouco.
Não te falei. Talvez por telefone seja mais fácil.
Foi maravilhoso.
Nunca tínhamos feito amor tão intensamente, tão demoradamente.
Aprendemos algo, Karin. Eu, de você, e você, de mim.
Quando acordei, você dormia. Parecia uma criança.
-Sou mais velha. -Um ano.
-Não, dois. -Certo, dois.
Mas quando te olhei esta manhã, tive medo.
-No que isso vai dar? -Você não parece bem.
-Não. -Tem medo do exame?
Não, do que farei. Bastará para você?
-Não quer ir ao boliche? -Já peguei meus livros.
-Tem razão. Tem uma moeda? -Tenho.
Jogue. Coroa, boliche, cara, direito penal.
Coroa: Boliche.
Ligo para você em uma hora.
-Eu ligo. -Ok, eu espero.
Só sairei para comprar cigarros.
-Tchau. -Tchau.
Não ouviu?
Que pena. Foi tão romântico.
Ouvi o início.
Eles se amam.
É.
Ele não encontrou a pessoa certa.
Como sabe?
Às vezes, eu os observo da minha janela.
-Acha que sou um sacana? -Acho.
Venha ver.
Ele tem um telefone japonês que usa outra frequência de ondas.
Meu rádio não consegue captar. É uma pena.
Ele deve controlar a maioria do tráfico de heroína em Genebra.
Não temos provas contra ele.
Ele nunca se arrisca.
-Gostou dele? -Muito.
-Quer que eu o chame? -Não.
Tem o telefone dele?
-Alô? -Vamos te matar.
O que eu fiz?
Anotei o telefone dele.
Se quiser dizer coisas desagradáveis a ele, não hesite.
Às 10h, apaguei as luzes e deitei. Não conseguia dormir.
Próximo programa: Pouco interessante.
Revirava-me na cama. Não parava de doer.
Ainda dói.
-Não fiz as compras. -Eu as fiz para você.
-Não tenho leite nem pão. -Claro que tem. Pus na geladeira.
-Já comi tudo. -Pare, mamãe.
Não comeu 7 baguetes em 4 dias. Chega!
Devia fazer as comprar para ela.
la se sentir melhor.
Ela é que se sentiria melhor.
-Por que pegou Rita na rua? -Porque eu a atropelei.
Estava ferida, sangrando.
Se não a pegasse, sentiria remorso.
Sonharia com um cachorro de cabeça esmagada.
Sim.
Então por que fez isso?
É inútil fazer compras para essa senhora. Tem o que precisa.
Quer ver a filha, mas a filha não quer.
Já veio cinco vezes, quando a mãe simulou um enfarte.
Quando morrer, terei de chamar a filha, pois não acreditará.
Já não acredita mais.
Está enganado.
-Com relação a quê? -A tudo.
Com relação a tudo.
As pessoas não são más. Não é verdade.
-É. -Podem ser fracas, às vezes.
O rapaz que soube que o pai não era seu pai...
é seu namorado ou seu irmão?
-Meu irmão. -Quantos anos tem?
-16 anos. -Ele se droga há muito tempo?
-Como sabe? -Não foi difícil adivinhar.
Só posso sentir pena do senhor.
Não sei se sabe, mas a cadela está grávida.
Alô?
-É Valentine. -Bom dia.
Tudo bem, mamãe? Marc chegou?
Anteontem, com a namorada. Conhece-a?
Sim, Marie.
Estamos juntos. Estão vendo TV.
-Pena eu não estar aí. -Pena mesmo.
Como nos velhos tempos. Seu irmão é bom.
-Posso falar com ele? -Marc! Ele já vem.
Ligue para mim. Um beijo.
-Oi. -Obrigada por ter ido aí.
Vamos embora amanha. Não aguento mais.
Mamãe viu o jornal?
Não creio. E se visse, não acreditaria.
-Tem razão. Vá para casa. -Tchau.
Ligue para mim, Michel. Ligue, eu te peço.
Alô?
-Valentine, viu a foto? -Foto?
-É você, Jacques? -Sim. Fantástica, já viu?
Esqueci, tive um dia duro.
-Venha aqui. Vai se acalmar. -Onde?
Nada mal!
Valentine.
Desculpe, fizeram uma brincadeira idiota. Não posso entrar.
Garotos turcos, na certa. Só aprontam.
Não sei. Puseram chiclete na minha fechadura.
Uma pinça.
Alô?
-Sou eu, olá. -Oi, Michel.
Liguei, e não tinha ninguém.
Puseram chiclete na fechadura. Não conseguia entrar.
-Ouvi o telefone tocar. -Chiclete?
Fiz um comercial de chiclete. Deve ser por isso.
Falei para não fazer. Se aproveitam de você.
Michel!
Esqueça. Não ligou a secretária.
Não.
Eu só quero paz.
-Uma vida tranquila. -Não terá vida tranquila comigo.
Encontrou alguém?
Não, estou esperando você.
Por que não atendeu agora há pouco?
Já disse, eu não podia entrar.
Entendo.
-Como você está? -Vou à Hungria na semana que vem.
O que está fazendo?
-Vou dormir. -Então vá.
Vá.
Você está aí?
Michel, você está aí?
Está recomeçando.
Alô?
-Está dormindo? -Não, não estou.
Vá para a cama.
Já foi?
-Vou tomar banho, ia tirar a roupa. -Tem alguém te ajudando?
-Valentine, você está aí? -Não. Boa noite.
Sabia que conseguiria. Muito bem!
Fizeram a pergunta?
A do livro que deixou cair na rua, que você me contou.
-Gostou? -Sim, muito.
Qual o primeiro julgamento que assinarei?
Processo civil.
Os habitantes de Pinchat contra Joseph Kern.
Queiram entrar.
Bom dia, eu queria o 432 de Van den Budenmayer.
-É assim que se diz? -Isso mesmo.
-Este? -É.
Vendi o último.
Terei outros esta tarde. Posso reservar um, se quiser.
-De quem é este jornal? -É seu.
"JUIZ APOSENTADO ESPIONAVA"
Bom dia. Eu vim...
Vi no jornal. Quero que saiba que não contei a ninguém.
Eu sei.
A ninguém. Nem à polícia, nem a ninguém.
Eu sei.
Sei quem foi.
Quem?
Fui eu.
Você me pediu.
Quer entrar?
Vou mostrar uma coisa.
1, 2, 3, 4, 5, 6...
-Sete? -Sete.
Aceita uma aguardente de pera?
Tenho há muito tempo, mas nunca tive a ocasião.
À minha saúde!
Por que fez isso?
-Por que me entreguei? -Sim.
Para ver o que faria quando visse no jornal.
-Achou que eu viria? -Após nossa última conversa, sim.
Por quê?
-Espera algo de mim? -Sim.
Antes de partir, falou que sentia "pena".
Aí, entendi que era asco.
Pode sentar-se um instante?
Pode sorrir para mim?
Naquele dia, depois que se foi, você chorou.
Chorei.
Desliguei meu rádio...
fui para a minha mesa...
A caneta que usei a vida toda estava sem tinta.
Peguei lápis, papel e escrevi aos meus vizinhos e à Polícia.
Pus no correio naquela noite, enquanto você dormia.
Eu não estava dormindo.
-Fui jogar boliche. -Boliche?
Lembra-se da conversa daquele casal? O rapaz e a garota?
Eu me lembro.
Também queriam ir lá naquela noite.
Talvez estivesse perto deles.
Talvez.
Você não gostava dela.
Logo acabou. Eu tinha razão.
Parece ter lhe dado prazer.
Contribuiu para isso?
Sim ou não?
Por causa de minhas escutas e minha denúncia...
a moça conheceu outro homem.
Bom dia, senhoras e senhores.
Desde então, ela está só.
Pedi que meu irmão fosse vê-la. Foi e ficou três dias.
Vou para a Inglaterra daqui à uma semana.
Vou abandonar minha mãe e meu irmão. Ele está cada dia pior.
-Eu não deveria ir. -Vá, é o seu destino.
Não pode viver a vida de seu irmão por ele.
Eu o amo.
-Se pudesse fazer algo... -Você pode: ser.
O que quer dizer?
Apenas isso: ser.
-Gosta de avião? -Não.
Então, vá de balsa.
Nunca andei de balsa.
É mais barato e faz bem à saúde.
Boa ideia.
-Gostou? -Sim.
-Hoje é meu aniversário. -Eu não sabia.
Há 35 anos, nesta mesma hora, às 17h00...
eu absolvi um marinheiro.
Um dos primeiros casos grandes e eu vivia um momento difícil.
Há pouco, percebi que cometi um erro.
Ele era culpado.
Não tenho mais lâmpadas.
-O que houve com ele? -Investiguei por minha conta.
Ele se casou, teve três filhos, e há pouco, um neto.
Ele vive em paz.
Fez o que devia ter feito.
E muito bem feito.
Não entende?
O senhor o salvou.
Suponhamos que sim.
Mas quantos outros eu poderia ter salvo? Mesmo culpados?
Decidir o que é verdade ou não, agora me parece...
falta de modéstia.
Vaidade?
Vaidade.
Eu queria mais um pouco.
À sua saúde.
Se eu fosse a julgamento...
ainda há juízes como o senhor?
Você não será julgada.
A justiça não lida com inocentes.
Vê isso?
É a sexta janela que quebram.
Mudaram a frequência das ondas. Já não posso ouvir as conversas.
-Onde está a vassoura? -No armário da cozinha.
Ponha a pedra no piano.
Não tem medo?
Eu me pergunto o que eu faria no lugar deles.
A mesma coisa.
-Atiraria pedras? -No lugar deles? Claro!
E isso serve para todos os que julguei.
Com uma vida como a deles, eu roubaria.
Eu mataria, eu mentiria, claro que sim.
Tudo isso, por eu não estar na pele deles.
O senhor ama alguém?
Não.
Amou, alguma vez?
Ontem, eu sonhei...
sonhei com você.
Você tinha uns 40 ou 50 anos...
e era feliz.
Seus sonhos se realizam?
Há anos eu não sonhava com algo bom.
Fique aí!
Comprei uma passagem de balsa. Chego na Inglaterra na quarta-feira...
-às 07h30. -Por que vem de balsa?
Assim, visito minha mãe perto de Calais.
Te vejo às 08h00, ou no máximo, 08h30.
Que bom que você vem.
Michel, me diga...
-Você me ama? -Acho que sim.
-Ama mesmo, ou acha que ama? -É a mesma coisa.
A bateria.
Auguste!
Auguste!
Serviço de meteorologia.
-Faz dias que tento ligar. -Estive doente, sinto muito.
Que tempo fará no Canal da Mancha na semana que vem?
Bom. Sol. Brisa suave, fresco pela manhã.
Por que está rindo?
É que pretendo ir lá. Até mais longe.
-A trabalho? -Não, a lazer. Num iate.
-É um belo passeio. -Sim, muito bonito.
-Vai fechar? -Terei de fechar.
Que pena. Seria ótima ideia. Tchau.
Já te pedimos para não sorrir!
Pode enviar um convite a este endereço?
Só uma pessoa?
Tudo bem?
-Boa noite. -Divirta-se!
Até mais. Tchau.
-Alguém tem creme de limpeza? -Tome.
Muita gente notou este sujeito.
Não parei de olhá-lo o desfile todo.
-Até logo. -Tchau.
O senhor veio.
-Sabia que o convite era meu? -Esperava que sim.
-Você me procurou? -Durante todo o desfile.
Parto amanhã. Eu queria me despedir.
Adeus.
Gostaria que me contasse seu sonho detalhadamente.
Você tinha 50 anos...
e era feliz.
Nesse sonho...
-havia mais alguém? -Havia.
Quem?
Você acordou e sorriu para alguém ao seu lado.
Não sei quem era.
É o que vai acontecer? Daqui 20 ou 25 anos?
Sim.
O que mais sabe?
Quem é o senhor?
Um juiz aposentado.
Sinto que algo importante acontece ao meu redor...
e isso me dá medo.
Assim está melhor?
Eu vinha muito aqui.
-Onde costumava se sentar? -Onde me sentei hoje.
Por isso não me viu.
Um dia, durante o intervalo...
o elástico que prendia meus livros arrebentou.
Um deles, um grande...
caiu aqui embaixo...
por aqui.
Foi um pouco antes dos meus exames. Desci correndo.
O livro abriu numa página qualquer. Li umas frases.
Foi a pergunta que caiu no exame.
Sair de casa lhe fez bem.
Recarreguei a bateria. Estava arriada.
O temporal.
O café é ruim.
Eu me perguntava...
por que mencionou o marinheiro.
Sabe por quê?
Sim.
Porque...
não queria me dizer algo bem mais importante.
Sobre a mulher que amou...
e que o traiu.
Ela o traiu...
e você jamais entendeu por quê.
Ainda a amou por muito tempo.
Como sabe tudo isso?
Não foi difícil adivinhar.
Como ela era?
Estava 2 anos na minha frente na faculdade.
Ela era loira...
delicada...
radiante, tinha um pescoço esguio.
Suas roupas e os móveis de sua casa eram de cores claras.
Na entrada, havia um espelho com moldura branca.
Foi naquele espelho que, certa noite...
eu a vi com as pernas abertas...
com um homem entre elas.
Por que...
isso aconteceu?
Sabe por quê?
Esse homem, que se chamava Hugo Holbling...
podia oferecer o que ela queria.
Eles partiram.
Eu os segui.
Atravessei a França, o Canal da Mancha...
Eu estava...
humilhado.
Até o dia em que ela morreu num acidente.
Desde então, não me liguei à mulher alguma.
Parei de acreditar.
Ou então, não conheci a mulher...
Não conheci você, talvez.
-A história não acaba aí. -Não.
Há algum tempo, me deram um caso difícil.
No dossiê, estava o nome do acusado...
Hugo Holbling.
-O mesmo homem? -Sim.
Ele tinha voltado.
Vou fechar o teatro.
Viram uma moça com uns baldes?
Não.
O temporal inundou o guarda-roupa.
Se a virem, digam que estou aqui.
Devia ter abandonado o caso.
Eu não queria.
No início, queria matá-lo.
E o teria feito, se pudesse mudar algo.
Agora...
ele espera meu veredicto.
Um mercado que ele construiu desabou, matando várias pessoas.
Eu o declarei culpado.
Foi uma sentença legal.
Então, pedi aposentadoria antecipada.
-Não a viram? -Não.
Vivo correndo atrás dela.
Milana!
Milana!
Você está aí? Passe os baldes, estão pesados.
Gostou da aguardente de pera, não?
Obrigada. Tenho outra coisa para te pedir.
Ficarei fora duas ou três semanas. Depois, irei visitá-lo.
Queria que me desse um dos filhotes.
-O desfile vai passar na TV? -Com certeza.
-Terei que comprar uma TV. -Tenho uma que nunca uso.
Peço a meu irmão para levá-la amanhã.
Será um prazer conhecê-lo. Até mais.
Até logo.
Está com sua passagem?
-Aonde devo ir? -Siga por esse corredor.
Obrigado.
Bom dia.
-Estou perdida. Onde é F38? -No corredor de cima.
Obrigada.
Bom dia.
"TRAGÉDIA NO CANAL DA MANCHA"
"SETE PASSAGEIROS ESCAPAM"
O péssimo tempo no Canal da Mancha...
dificultou o resgate.
Vários pesqueiros desapareceram...
e um iate com duas pessoas a bordo.
A causa do acidente é desconhecida.
Pela lista de passageiros, havia 1.435 pessoas na balsa.
O resgate ainda não terminou.
Centenas de corpos foram resgatados...
mas ainda há muitos desaparecidos.
Um barco da polícia que atendeu ao SOS...
socorreu sete pessoas, que passam bem.
A viúva de um compositor francês, morto no ano passado, Julie Vignon...
Steven Killian, inglês, barman da balsa...
Um empresário polonês, Karol Karol...
Domique Vidal, cidadã francesa...
O francês Olivier Benoit.
Entre os sobreviventes, há dois suíços.
Auguste Bruner, juiz...
e a modelo, aluna da Universidade de Genebra, Valentine Dussaut.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.