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GLADIADOR II
o saudamos!
16 ANOS APÓS A MORTE DE MARCUS AURELIUS,
A "ROMA DOS SONHOS" DELE FOI ESQUECIDA.
SOB A TIRANIA DOS IMPERADORES GÊMEOS
GETA E CARACALLA, A CORRUPÇÃO FLORESCE.
OS ATAQUES IMPLACÁVEIS DELES ESPALHAM-SE COMO PRAGA POR TODO IMPÉRIO.
A QUEDA DA GRANDE CIDADE É IMINENTE.
PERMANECE APENAS A ESPERANÇA DOS QUE AINDA OUSAM SONHAR...
Seja gentil, Hanno.
Nós vos invocamos em nosso auxílio.
Para derrotar os romanos...
NUMÍDIA 200 D.C.
destruir os navios, as máquinas de guerra e os soldados deles.
Nós triunfaremos.
Ozalsces.
Arishat.
Hanno.
Não fez a sua oferenda hoje.
Prefiro sacrificar um romano!
Onde você estiver,
também estarei.
E onde você estiver,
também estarei, para sempre.
Minha esposa.
O vento está forte. Colher as velas e guarnecer os remos.
Colher as velas e guarnecer os remos.
Colher as velas e guarnecer os remos.
Guarnecer os remos.
Eles só têm as terras que roubaram.
Aonde vão, deixam destruição e chamam isso de paz.
Esta é a última cidade livre na África Nova.
Hoje entraremos em batalha.
Que o deus de vocês os acompanhe, ou ele não é deus!
Não temos o que temer.
Onde a morte estiver, não estaremos.
Onde estivermos,
a morte não estará.
Fiquem juntos e sigam o meu comando.
Em alerta e vigilantes!
Lançar.
Preparem as armas.
Novamente.
Fogo à direita.
Manter formação.
Força.
Arqueiros, preparar.
Largar.
Encaixar.
Armar.
Soltar.
Arqueiros.
Lançar.
- Erguer a torre. - Erguer a torre.
- Remar para ré. - Remar para ré.
Continuem girando.
Arriar ponte.
Está emperrada.
Senhor.
Soltar.
Arqueiros!
Lá.
Matem-na.
Arishat.
Arishat.
Arishat!
Esperarei por você.
Verifiquem todos os corpos. Não deixem nada.
Tomo esta cidade...
para a glória de Roma.
Vae victis!
Ai dos vencidos!
Próximo.
- Para baixo. - Para baixo.
Em que estado lhe deixaram?
Levante. Calma. Segure isto.
Arishat?
Sinto muito, meu filho.
Não tenho muito tempo.
Esta galé nos conduz para algo que não suportarei.
Estou preparado para ser levado a outro lugar.
Fique aqui mais um pouco.
Lembro bem de quando foi trazido até nós.
Um menino solitário do deserto. Ingênuo.
Assustado.
Você sorveu tudo o que ensinamos.
Encontrou o amor de Arishat. A sua alma...
refez-se.
Quando eu morrer
os meus antepassados me encontrarão no mundo seguinte.
Quem encontrará você?
Hanno,
acabou para mim.
Não deixe que mudem o que você é.
Viram um menino?
Eama!
Deve ir sozinho agora, Hanno.
Nunca deixe que o encontrem.
Vá.
OSTIA PORTO DE ROMA
Acacius!
Imperador Geta.
Imperador Caracalla.
General Acacius.
Conquistei Numídia em vossos nomes.
Que o vosso domínio ofusque o dos imperadores anteriores!
Coroe-o com louros, irmão.
Acacius.
Para honrar a sua conquista,
haverá jogos no Coliseu.
Não necessito de jogos em minha honra.
Servir ao Senado e ao povo de Roma
é honra suficiente para mim.
É muito modesto, Acacius.
Não convém a um general tão habilidoso!
A glória é vossa, não minha.
Peço apenas um repouso da guerra
para estar com a minha esposa.
A sua esposa, sim.
Lembra-se dos privilégios que concedemos a ela?
Onde está ela agora ao ignorar esta ocasião?
Ainda há vitórias por vir.
A Pérsia.
A Índia.
Ambas devem ser conquistadas.
Roma tem muitos súditos.
Precisam ser alimentados.
Que eles comam guerra!
Os seus triunfos serão celebrados
como um tributo à grandiosidade do povo romano.
ANTIUM ARREDORES DE ROMA
Vão para o inferno!
Fora, ralé!
Macrinus de Thysdrus,
senhor de gladiadores.
Fique perto de mim.
Edis e conselheiros da cidade,
distintos convidados,
cidadãos de Antium...
contemplem a sina
dos inimigos conquistados de Roma:
os bárbaros númidas
e o líder deles,
Jugurtha.
Estamos sendo caçados.
Aquele é interessante.
Vou comprá-lo.
Alto! Quem é?
General.
Minha senhora.
Agradeço aos deuses que o trouxeram em segurança.
Agradeça ao exército. Ele me protegeu.
Deixe-me alimentá-lo.
Vão.
Para o muro.
A arena é um templo sagrado.
Ao mais corajoso, a estrada para a glória passa pela arena.
Ela transforma os escravos em gladiadores e gladiadores em homens livres.
Está com vermes.
Conheço esse. Come macacos.
Vão. Sentem-se. Comam.
Você.
Hanno, levante-se.
Qual é a sua língua nativa? Eu falo todas.
Não respondeu porque não pode ou porque não quer?
Muito bem.
A violência é a língua universal.
Viggo, teste as habilidades.
Ele enfrenta macaco, vejamos se enfrenta um homem.
Basta!
Muito bom.
Muito bom.
Limpe-o.
Traga-o a mim.
Mandíbula forte.
Braços bons.
Cheira melhor!
Irá sair-se bem.
É uma arte
escolher os gladiadores.
Alguns escolhem pela diversão.
Outros, pela força bruta.
Eu escolho pela raiva.
O público adora sangue.
E adora quem adora sangue.
De você, meu amigo, a raiva...
jorra como...
o leite...
das tetas de uma meretriz!
Será um grande lutador.
Não para o senhor.
Tem razão, não lutará para mim.
Irá para a arena para lutar ou morrer. Escolha.
Mas a cabeça de quem posso oferecer
para satisfazer essa sua fúria?
De todo Exército Romano.
É muito.
A do general servirá.
Do general?
O general Acacius?
Use a sua raiva ao meu serviço,
e terá a cabeça dele pronta para a sua espada.
Sirva-me e lhe servirei.
Desacate-me...
e morrerá.
Preferia que me abandonasse para não lutar as guerras deles.
Fiz a minha escolha.
Posso conviver com isso.
Mas a minha paciência com aqueles dois está no fim.
Leta?
Pode retirar-se agora. Não precisamos de mais nada.
Ouvir esposas e mães lamentando os mortos na praia em Numídia...
Lucilla.
Chega!
Não sacrificarei
outra geração de jovens pela vaidade deles.
Só lutarei outra campanha se for para destituí-los.
Quando chegarão as suas tropas?
Desembarcam em Ostia em dez dias.
Quantos serão leais somente a você?
Todos.
Os imperadores não têm o apoio do povo.
O povo está farto da loucura, da tirania.
Onde está a "Roma dos sonhos", se o povo não for livre?
Desfrutem todos,
intensamente.
Obrigado.
Por favor, bebam.
Com licença. Macrinus.
Eu sabia que as províncias não lhe bastavam!
- Estou aqui só para os jogos. - Bem...
não se decepcionará.
Roma tem os jogos de que homens como você gostam.
Como eu, Thraex? Como nós!
Nada acontece em Roma sem que você experimente antes!
Qual o meu propósito aqui?
Logo descobrirá.
É verdade que está interessado
nas eleições ao Senado, Macrinus?
Eu? Não, eu...
nem sei usar um ábaco, mas sei que...
os seus convidados apostam durante estes eventos.
Que quantia tem em mente?
Mil denários de ouro?
Dois.
Dois?
Denários!
Para trás.
Meus imperadores.
Soberanos, senhoras e senhores, e senadores.
Para a sua diversão,
a arte do combate.
Apresento-lhes o bárbaro contra,
de minha propriedade, o poderoso Vichek.
- É seu gladiador? - É.
Três assaltos, corpo a corpo.
Espadas.
Queremos espadas. Uma luta até a morte.
Clemência não oferecida nem cedida.
Lutem agora.
Irmão...
não matemos um ao outro só para deleite deles.
Notável!
Notável!
Thraex, ele parecia dispendioso.
- Parabéns! - Obrigado.
Notável!
Qual a sua procedência?
Fale.
Mandei falar.
Veio das colônias, Vossa Majestade. Só entende a língua nativa.
"As portas do inferno estão abertas noite e dia.
Suave é a descida, fácil é a via.
Mas...
tornar do inferno
à luz dos ares superiores,
eis o trabalho, eis o esforço."
Virgílio, Vossa Majestade.
Poesia.
- Muito esperto, Macrinus. - Obrigado.
Eu estava tão entediado, mas me surpreendeu!
Deleitar-vos é o meu único desejo.
Nós nos deleitamos, nos deleitamos.
Nos deleitamos.
E estamos todos ansiosos para ver o seu poeta...
atuar na arena.
Igualmente, Vossas Majestades.
Obrigado.
Viggo?
Venha comigo.
Lutou bem hoje, mas foi afortunado.
Os versos que recitou.
Não aprendeu na África, disso eu sei.
Um bom poema viaja longe!
Quem lhe ensinou poesia?
Um oficial romano capturado.
Fiz a guarda dele, e ele nos contava histórias para passar o tempo.
- Que fim levou esse prisioneiro? - Devoramos ele.
- Como fazem os bárbaros! - Como fazem os bárbaros!
Onde você nasceu?
Por que o meu passado importa, se o meu futuro é morrer na arena?
Que uso eu faria do dinheiro romano?
Um gladiador...
pode comprar a liberdade.
A libertação.
A Roma dos sonhos.
Não. "O escravo não sonha com a liberdade, mas em ter um escravo."
Cícero.
É a sua filosofia, Macrinus?
O que precisou fazer pelo dinheiro romano?
Prometeu-me uma cabeça.
Obtenha o seu provento e terá a cabeça de quem quiser!
Pai,
proteja-nos e guie-nos.
Senadores.
Minha senhora.
Quisera encontrar-vos em tempos melhores!
Tempos melhores virão.
Por que estamos aqui?
Para reaver a cidade.
E restaurar Roma...
ao que ela devia ser.
Empreitada emocionante.
- Quando? - No último dia dos jogos.
O meu exército aguarda o meu comando em Ostia.
Cinco mil soldados leais a mim...
entrarão em Roma e no Coliseu,
onde prenderão os imperadores pelos crimes contra o Senado
e contra o povo.
Plano ambicioso e arriscado.
Roma será sua para administrá-la e...
Marcus Aurelius falou em restaurar o poder do Senado,
mas foi na geração passada.
Muita coisa mudou.
O povo não tem esperança...
há anos.
Mas com tempo...
e liderança...
Lucilla, a senhora é a filha de Marcus Aurelius.
Ele tinha a minha lealdade.
Como vós tendes a minha.
Senador Thraex?
A política segue o poder, minha senhora.
Tomai de volta o que é vosso...
e o Senado vos apoiará.
Obrigada.
O PORTÃO DE ROMA
Comida!
Quando me falaram deste lugar,
não mencionaram o fedor.
Deve ser o Hanno!
Terão que me aguentar como sou.
O que é aquilo? Uma loba?
Os gêmeos eram párias.
Foram abandonados nas montanhas para morrer.
A loba os achou e os amamentou.
Foram criados por um animal. Está no sangue deles.
Como conhece este lugar?
Conheço o caos que provocou.
Esta cidade infecta tudo o que toca.
- Não imaginava que fosse tão grande! - Não se iluda.
Esta cidade é doente.
Comida.
Vocês! Ralé bárbara!
Ajudem-me, por favor, ajudem-me.
Thraex.
Sobre a nossa aposta.
O bárbaro. Não esqueci. Pago as minhas dívidas.
Ia sugerir que a sua sorte pode mudar!
O dobro ou nada?
Carne fresca!
Em fila.
Toquem.
Imperador Caracalla.
Imperador Geta.
Cidadãos de Roma.
Estes jogos sagrados
são em honra à vitória de Roma
sobre os bárbaros da Numídia...
Vão.
E ao comandante da legião romana,
o general Justus Acacius.
Vida longa a Acacius!
E com ele,
Lucilla, a filha do imperador Marcus Aurelius.
- Lucilla! - Mãe de Roma!
Acacius.
General.
Acacius!
Acacius!
Acacius!
Fale para eles.
Não sou orador nem político.
Sou um soldado.
Vi bravura em homens e mulheres durante a guerra.
E certa vez nesta arena.
Se pedirem algo aos deuses...
peçam essa mesma bravura.
Porque Roma precisa disso agora.
Acacius!
Da Porta Sul,
lutadores de propriedade de Macrinus, de Thysdrus.
De propriedade
dos imperadores Caracalla e Geta,
o campeão invicto:
Glyceo, o Destruidor.
Fiquem.
Fiquem.
Ave Caesares!
Glyceo.
Fiquem juntos e, quando ele investir, corram para os muros.
Para quê?
Fiquem.
Fiquem.
Corram.
Covardes.
Para os muros!
Vamos!
Irmão, é aquele poeta, não é?
Não lembro.
Naquela noite eu estava entorpecido.
"As portas do inferno estão abertas noite e dia.
Suave é a descida..." Esqueci.
"Suave é a descida..."
"Suave é a descida,
fácil é a via."
Escudo.
Misericórdia.
Sangue.
Lucilla, mostramos misericórdia?
Misericórdia.
Sem misericórdia!
A sua vida foi poupada pelos deuses...
Prefiro enfrentar a sua lâmina a aceitar a misericórdia de Roma.
Mate!
Mate!
Hanno!
A estrada para a liberdade não passa pela arena.
Ela leva a isso.
Às suas celas.
Hanno!
Ande, vamos!
"As portas do inferno estão abertas noite e dia.
Suave é a descida, fácil é a via."
Tome!
Venci você.
Sou Maximus, o salvador de Roma.
Scatto e Argento.
Lucius está seguro?
Lucius.
Lucius,
você é o único herdeiro do trono agora.
Há homens querendo matá-lo para assumir o poder.
Juro que o trarei de volta quando for seguro.
Mãe, por que não pode vir comigo?
Devo ficar pelo seu bem.
E pelo bem de Roma.
Lembre-se de quem você é.
E que eu amo você.
Eu amo você.
Venha.
A perna.
Vá.
Então...
Qual é o seu nome?
Ravi. Sou médico.
Porque morrem mais homens de ferida infeccionada
do que na arena.
Isto precisa ser limpo, costurado e...
vai doer.
Isto é Sopro do Diabo e ópio.
É para a dor.
Deve aspirar.
Estou aqui há tanto tempo que não me espanto mais.
Fiz tantas amputações que perdi a conta!
- Onde aprendeu o seu ofício? - Por que pergunta?
Tem a mão pesada.
Eu era gladiador.
Teria me derrotado?
No seu auge, claro!
No seu estado atual, eu o derrotaria agora.
Mas, para a sua sorte, larguei a espada.
Passo os dias salvando vidas em vez de ceifá-las.
Por que uma mudança tão tardia?
O que fazemos na vida ecoa na eternidade.
Conheço essas palavras.
Não são minhas. Está escrito numa lápide...
sobre os ossos de um gladiador.
Meu campeão, sinto o cheiro de Sopro do Diabo.
Meu campeão.
Ouviu o público?
Ouviu o público?
Você tem algo especial. Senti desde o início.
- Sentiu mesmo? - Sim.
Os gregos chamam de...
thymos.
Fumaça.
Raiva.
A raiva é o seu dom.
Como o grande Aquiles.
Não deixe que esvaneça.
Ela lhe dará a grandiosidade,
meu campeão.
Obrigado por me convidar.
É realmente uma honra.
Soube que é o assunto da corte!
Sim.
Já nos conhecemos.
- Já? - Há muito tempo.
Onde?
Servi no exército do vosso pai na campanha da África.
Serviu com o meu pai?
Tive o privilégio...
de ler Meditações dele.
"A melhor vingança...
é não ser como o seu inimigo."
Soube que está armando metade das legiões do Império,
e que aqui, agora, em Roma
está ganhando influência patrocinando gladiadores.
Faço pelo amor ao esporte.
Onde encontra esses gladiadores?
Geralmente são prisioneiros de guerra.
Ou errantes. Por que pergunta?
O homem pode escolher lutar...
e ficar vivo. Como é na vida e na arena, não é?
Quem é esse?
O meu pai quando jovem.
Ela teve um filho?
É do conhecimento de todos. Quando Commodus foi morto,
o menino desapareceu.
- Mas a quem afligiria? - À Lucilla. Mais vinho.
Mais vinho.
Ele era de linhagem real, afinal.
E o pai?
Aparentemente, Lucius Verus.
Foi um casamento arranjado. Ela tinha 14 anos.
Mulheres não eram o tipo dele!
- Nem o meu, em alguns dias! - Nem o seu!
Não. Há rumores de que ela tinha amantes.
E de que o pai verdadeiro era Commodus.
Amor fraternal, entende?
Se ele morreu...
há os restos mortais.
E, se vive, ele teria...
Vamos ver.
- Tinha 12 anos quando Commodus morreu? - Sim.
Então estaria com...
Minha senhora.
Gracchus.
- Por favor, venha. - Obrigada.
Gladiador...
conhece-me?
Tem família?
Uma esposa. Arishat.
Arishat.
Morta sob o comando do vosso marido.
Roma sufoca no próprio sangue!
E a senhora desfruta dos prazeres do Coliseu.
Há muita coisa que não compreende.
Lucius.
Não sei quem pensais que sou.
O meu nome é Hanno,
e não tenho mãe, até onde lembro.
Sinto muito.
Se o vosso filho estivesse aqui, diria para a senhora não se afligir.
Não seria mais o menino que mandastes embora. Ele está morto.
Talvez pense que não valho nada.
Talvez pense que traí você.
Mas precisa saber...
que se não aceita o amor da sua mãe,
aceite a força do seu pai.
Precisa dela.
O nome dele era Maximus Decimus Meridius.
E eu o vejo em você.
Sai.
Minha senhora, devemos ir agora.
Lucius, você foi amado,
por mim e pelo seu pai.
O seu nome estava nos lábios dele...
Sai.
Lucius está vivo.
Tem certeza?
Sim.
Conheço o meu filho.
Falei com ele esta noite.
Posso tê-lo perdido pelo que fiz...
mas está vivo.
O terceiro dia dos jogos é amanhã. A maioria dos lutadores não sobreviverá.
Acacius...
precisa ajudá-lo.
- Ajudá-lo? - Sim.
Falhei com ele antes.
Sei que falhei.
Não posso falhar agora.
O Exército está em Ostia.
Se aguardarmos uns dias...
Ele poderá estar morto até lá.
Acacius,
eu daria a vida por Roma...
mas não darei a vida do meu filho.
Um...
e dois.
E um.
Juntos. No tempo.
E um, e dois.
E um.
Pausa.
Não chegaremos longe assim!
Só ele. Vocês saem.
Saiam.
Vejamos até onde vai sozinho, sem a sua equipe.
Preparado?
Um.
E dois.
No tempo.
Vamos, mais!
Mais.
Deixe-o.
É só vinagre, meu amigo.
Chega de ópio para você.
Muita dor o aguarda na próxima vida.
Por que busca tanta dor nesta?
É um homem livre, Ravi?
"Livre".
Eu sou.
Larguei a espada e jurei nunca mais tocá-la.
Mas escolheu este inferno?
Onde era a sua casa antes?
Varanasi.
E por que não volta?
Bem que gostaria!
Mas...
conheci uma mulher.
- Há sempre uma mulher! - Sempre.
Ela é de Londínio. Britânia.
E agora,
os nossos filhos só falam latim.
Os olhos da minha filha são azuis como os seus.
Somos romanos agora.
Cresci ouvindo histórias no colo do meu avô.
Ele falava da Roma dos sonhos.
Um sonho tão frágil
que só podia ser sussurrado...
senão desapareceria.
Então,
que sonho era esse?
O de uma Roma com lei justa e proteção para todos.
Uma Roma do Senado.
Uma Roma de esperança.
O seu avô devia ser perigoso!
As chances estão contra você.
Estão sempre.
Não se preocupe, velho.
Você devia descansar.
Os seus homens precisarão que os guie amanhã.
É sobrevivência.
Sobrevivam.
Em nome de Poseidon,
celebramos a glória da guerra naval.
Eles têm arqueiros.
Preparem-se. Sigam o meu comando.
Fiquem juntos e remem como um só. Sim?
Sim.
- Sim? - Sim.
Hoje reviveremos...
a Batalha de Salamina.
Troianos contra persas.
Remos para fora.
Força.
Arqueiros.
Arqueiros.
Força.
Força.
Força.
Força. No meu tempo.
Agora.
Lado esquerdo. Preparar e recolher remos agora.
Remos dentro. Segurem firme.
Abaixem-se.
E força. Força.
Não parem.
Força.
Para a direita...
Preparar para abalroar.
Segurem-se.
Reagrupem-se.
Pretorianos!
Saia.
Hanno.
Em nome dos imperadores,
o vitorioso é Hanno.
Quem fez aquilo?
Quem fez aquilo?
- Fui eu. - Eu que fiz.
- Eu que fiz. - Fui eu.
Geta ordenará castigo a todos vocês.
Aprendeu a mirar no mesmo lugar onde aprendeu poesia?
Fique feliz que não fui eu, senão a flecha o encontraria!
Sente-se.
Tenho notícias.
Ele chegou, senhor.
Ainda está aqui.
Macrinus.
Seja bem-vindo.
Sim. Estou ouvindo.
Esta casa é minha agora.
A sua dívida comigo é de dez mil denários. Sabe disso.
Tenho outras coisas.
Gado. Arte.
A verdade, então.
O que quer?
A verdade. É o que eu quero.
Nada acontece em Roma
sem o seu conhecimento.
Você tem a confiança dos senadores.
Tem a confiança de Lucilla.
E, o mais importante, tem a minha confiança.
Deseja a minha lealdade?
Eu possuo...
a sua casa.
Quero a sua lealdade.
Eu...
- Conte-me. - Soube de...
um plano...
- para destronar os imperadores. - Sim.
Mas o plano foi adiado,
e um gladiador será resgatado da arena. Esta noite.
- Não sei por quê. - Sei o porquê e quem será.
Mude-se.
Rápido.
Abra.
Abram para a Guarda dos imperadores.
Minha senhora, vinde conosco.
Graças à virtude cívica de homens como Thraex e Macrinus,
a sua rebelião...
foi revelada.
A honra,
a dignitas que Roma lhe conferiu...
tudo isso perdeu-se com a sua traição.
Por favor, imperador Geta.
Torturai-me se quiserdes, mas sem discurso.
O seu nome será esquecido.
Será apagado da História.
Está amaldiçoado, general.
- Você ri? - O senhor me amaldiçoa?
Isso não me aflige.
Tudo fica esquecido. Impérios caem, bem como imperadores.
Para que esperar?
- Vou estripá-lo agora. - Não.
Deixe-os. Vamos!
A morte dele deve ser pública.
Pública?
Pendurem as entranhas dele nas portas da cidade. E crucifiquem-na.
Crucifiquem-na.
Levem-nos daqui.
Obrigado, Macrinus.
Venha cá.
Nos últimos dias,
tenho pensado em você não como súdito,
mas como um verdadeiro amigo.
Obrigado. Muito obrigado.
Mas, como amigo,
devo aconselhar cautela.
Acacius é um herói de Roma.
Crucificação é para ladrões...
para cristãos.
- É muito simples. - Ele é um traidor. Deve morrer.
Concordo.
Que os deuses decidam...
a sina dele
no Coliseu!
Que os deuses decidam!
Sabe, ontem acordei sonhando com um rio escuro.
Dessa vez, pela primeira vez, eu o atravessava.
De onde venho,
atravessar um rio representa perdão.
Representa salvação.
De onde venho, significa que você já está morto.
Mas, quando vi o rio, não senti medo.
Porque...
alguém me aguardava do outro lado.
Pronto!
Quem é esse homem...
riscado ali?
Maximus.
Eu o vi lutar certa vez.
Era magnífico.
A minha época de arena foi depois dele,
mas muitos ainda contavam sobre ele em sussurros.
Falavam dele.
Do que ele fez.
Eu o encontrei certa vez.
Era gentil.
Não se curvava para ninguém.
Venha comigo.
Venha. Comigo.
Quando um gladiador rebelde morre, nós o enterramos aqui.
"O que fazemos na vida ecoa na eternidade."
Este é Argento e este é Scatto.
Saúde!
Parem.
Pela traição dele contra a vida
dos imperadores e do estado romano,
o general Justus Acacius...
um inimigo do povo.
Acacius.
Amamos você, Acacius. É um herói.
Acacius.
- Vae victis! - General.
Acacius.
Da aniquilada cidade de Numídia,
o vitorioso de duas conquistas no Coliseu...
Vá agora. Vae victis!
Hanno!
Hanno!
Meu soberano...
toda honra que tenho vos darei.
- É muito tarde. - O traidor romano
ou o herói bárbaro.
Que os deuses decidam.
Lucius, espere.
Espere.
Sou só uma ferramenta.
Insuflem-me de vingança
e aniquilem o traidor.
Pegue a espada.
Bravo, Hanno.
Amamos você, Acacius.
- O que está esperando? - Vai morrer.
Sei quem você é.
Lucius Verus Aurelius.
Acacius levantou a mão.
Ele rendeu-se.
Que os deuses decidam!
Os deuses revelaram a sentença.
Faça o que precisa fazer.
Mas, na minha morte, precisa saber...
que amo a sua mãe, Lucilla...
e o seu pai...
Maximus.
Eu morreria por ele.
Mate-o.
Deixe-o viver. Por favor.
Viva!
Mate-o.
- Mate-o. - Arqueiros.
- Não. - Mate-o.
Acacius!
Mate-o.
Mate-o.
Mate-o.
Acacius!
Não!
Não!
Acacius!
Eu vos amaldiçoo!
A morte será pouco para vocês!
É assim que Roma trata os seus heróis?
Digam-me.
Se a vida dele não tem valor, quanto vale a de vocês?
Os deuses falaram!
Hanno!
Para a nossa segurança, devemos retornar ao palácio.
Hanno!
Para trás.
Arishat!
Tínhamos um trato.
Eu o entreguei a você. Deixou-o viver.
E conseguiu o que queria.
Sempre consigo. Por que o deixou viver?
O senhor comprou um gladiador, não um escravo.
Sou dono da minha vontade.
Quão azul é o seu sangue?
Talvez o coração de um romano bata neste peito.
O maior templo que Roma construiu: o Coliseu.
Porque é nisso que acreditam.
Poder.
Reúnem-se para ver o forte derrubar o fraco.
- Deve haver mais que isso. - Não há.
- Deve haver outra Roma. - Não há.
A "dos sonhos"?
A Roma dos sonhos?
É a fantasia de um velho.
Quem é o senhor?
Qual era o seu nome antes de trocá-lo por um nome romano?
Nunca saberá.
Tenho um destino.
Os deuses entregaram você a mim.
Você será o meu instrumento.
Nunca serei o seu instrumento, nesta vida nem na próxima.
Esse não será o meu destino.
Mas verei o seu fim.
O que eu podia fazer?
Ele e a megera planejavam matar-nos.
Não está ouvindo? Pedem a nossa cabeça!
Os pretorianos os conterão, como já o fizeram.
- Quem nos causou isto? - Macaco imundo!
Talvez devêsseis...
levar Dondus a outro lugar para consolá-lo?
Perdoe o descontrole do meu irmão.
A doença que infecta-lhe a genitália espalhou-se para o cérebro.
- A cada dia piora. - Conversarei com ele.
Vejo Vossa Majestade.
Vejo Vossa Majestade.
Caracalla.
Vamos lá, de pé!
Levantai-vos. Você, não!
Muito bem, agora sim.
Agora ouvi-me.
Qual é o problema?
Nada nunca é meu.
Tudo é nosso, sempre.
Até no ventre, ele tentou...
cortar o meu umbigo para que eu não tivesse mais ar.
- Lembrais disso, é? - Certamente.
- Vinde, sentai-vos. - Isso não se esquece.
A minha consciência obriga-me.
A quê?
Sentai-vos.
O vosso irmão
deseja culpar-vos
perante todo Senado...
Mas eu não fiz nada.
Pelo que acontece nas ruas. O caos.
Ele está mentindo.
Nenhum testemunho é mais condenatório que o de um irmão contra o outro.
É mentira. Ele sempre mente.
Ele pode ser muito persuasivo.
E daí? O que farão comigo?
Não ouso imaginar. Mas imaginai isto: o que farão com Dondus?
O que farão com Dondus?
A decisão é vossa.
Irmão.
Largue a faca.
Você mente.
- Dê-me a faca. - Sempre mente.
Olhe para mim.
- Mentira. - Ouça. Quebre o encanto!
- Mentira. - Quebre o encanto!
Sempre o protegi. Porque eu amo você.
Volte. Ajude-me.
Lucius.
Nunca imaginei que as Parcas nos trariam aqui.
Mas cá estamos.
O círculo completa-se. A senhora mandou-me embora, mas a minha sina...
foi voltar ao lugar onde ele morreu.
Este anel...
era do meu pai.
Ele deu ao seu pai, Maximus, como símbolo de confiança.
Eu o dei a Acacius por sua bravura.
Este anel era da minha esposa.
Usarei-o junto ao seu.
Sinto muito por Acacius.
Não enxerguei o homem bom.
Era um soldado de Roma.
Havia um plano.
Ele estava preparando as tropas sob o comando de Darius Sextus.
Tropas que ele lideraria contra os imperadores.
Acacius. Maximus. Marcus Aurelius.
Viveram e morreram por Roma.
Como todos nós.
É verdade que pretendem matá-la?
Sempre houve alguém me ameaçando depois que o meu pai morreu.
Mas, agora que encontrei você, não importa.
Não tenho medo.
Sou versado em perder o que amo!
Mas, agora que a encontrei, não desejo perdê-la novamente.
Tem a postura dele.
Alerta.
Altivo.
Não tenho a força dele.
Gostaria que fosse verdade.
Gostaria de estar lhe dizendo para fugir deste lugar.
Vá agora.
Força e honra.
Força e honra.
Como imperador,
eu reuni o Senado para indicar o meu primeiro cônsul...
e conferir-lhe o poder
de administrar as funções militares e cíveis do Império.
Eu nomeio...
o cidadão Dondus.
Ave Dondus!
Ave Dondus!
- Ave Dondus! - Ave Dondus!
Como segundo cônsul...
eu nomeio...
o cidadão...
Macrinus.
Ave Macrinus!
Ave Macrinus!
Haverá um desfile triunfal para celebrar.
Haverá jogos...
e execuções em massa.
Vida longa ao Império!
- Vida longa ao Império! - Vida longa ao Império!
Sentai-vos.
Tenho aqui comigo...
por acaso e não por minha habilidade...
o que me restou para ser ouvido pelo imperador!
Posso inspirar bom senso...
e domar a loucura das ruas. Mas...
para restaurar a ordem...
preciso ter poder...
e o comando...
do Exército Pretoriano.
Voto secreto...
ou mãos?
- Sim. - Sim.
Vosso humilde servo!
Abaixai as mãos.
Sentai-vos.
Roma tem que cair.
Só preciso dar um empurrão.
E após a queda...
o que virá?
Sois mesmo filha de vosso pai.
A Roma dos sonhos dele nunca foi um sonho.
Era ficção.
"A melhor vingança é
não ser como o seu inimigo."
Eu consegui não ser como o vosso pai.
Ele falava de sonhos, eu falo de verdades.
E a única verdade na minha Roma...
é a lei do mais forte.
Fui propriedade...
de um imperador.
Agora controlo um Império.
Onde, além de Roma, um homem pode fazer isto?
Reconheceis a marca do seu pai em mim?
Se houver algo que preciseis...
nessas últimas horas,
nós vos proveremos.
A vossa morte abrirá o meu caminho ao trono.
Amanhã haverá jogos,
e lá...
eu triunfarei.
Ravi.
Leva uma mensagem a Ostia pela manhã?
O que há em Ostia?
Um exército.
Estou pedindo para arriscar-se
a serviço de algo maior.
Siga até Ostia.
Entregue este anel ao general Darius Sextus. Está ouvindo?
Darius Sextus.
Ele saberá que é o anel de Acacius.
E...
de quem fui enviado com este anel?
Sou Lucius Verus Aurelius,
príncipe de Roma.
Diga-lhe que convoco o exército para defender uma nova República.
- Devo confiar em você? - Sim.
- Devo? - Sim?
Ravi. Preciso das suas chaves.
Obrigado.
Pare. Volte.
Quem lhe deu isto?
Lucius Verus Aurelius.
O príncipe de Roma.
Precisamos matar Lucilla?
Enquanto ela não morrer, não tereis paz.
Nunca.
O povo a ama. A morte dela incitará a multidão.
Se ela morrer e as ruas insurgirem-se,
entregarei a cabeça de Caracalla e serei aclamado.
Meu amigo, isso é política!
- Podemos? - Sim.
Hoje será a sua última luta, campeão.
E o nosso senhor lhe conferiu...
a espada de madeira da liberdade.
Mas precisa merecê-la.
Hoje você defenderá a sua mãe.
Madeira ou aço, ponta é sempre ponta!
Espere por mim.
Para honrar a aclamação do imperador Caracalla,
do primeiro cônsul Dondus e do segundo cônsul Macrinus,
e como punição por conspirar contra o Império,
por suas calúnias sobre a linhagem imperial
e por fomentar uma revolta militar junto ao marido,
a rainha enfrentará a justiça divina
nas mãos da Guarda Pretoriana.
Não sou um general,
mas somos todos soldados.
Até agora,
lutamos por nada além de mais um dia de sobrevivência.
Que temos que fazer?
Podem retornar às celas se não quiserem lutar essa batalha.
Ou...
podem juntar-se a mim...
e lutar por uma liberdade muito além destes muros.
Sim.
Houve uma época em que a honra tinha significado em Roma.
Nesta Roma,
não creio que ainda tenha.
Nós temos que encontrar.
E saibam:
onde a morte estiver, nós não estaremos.
Onde estivermos,
a morte não estará.
Pela minha espada.
Força e honra.
Força e honra!
Que não digam que o imperador não é misericordioso.
À rainha será concedido um único gladiador
para defendê-la da Guarda Pretoriana.
O campeão, Hanno.
Hanno!
Isso!
Convoque a Cavalaria. Contenha isso de uma vez.
Isso é guerra. Guerra de verdade.
O exército de Acacius avança nas imediações de Roma, senhor.
Ainda podemos flanqueá-los. São apenas cinco mil homens, não mais.
Quantos somos?
Seis mil. Talvez mais.
Vá para o Portão e detenha-os.
Tire essas mãos imundas...
Ralé imunda!
Lucius.
Dê-me o arco.
Vá, meu filho.
Lucius...
Cavalo!
Nada matará esse bárbaro?
O meu nome é Lucius Verus Aurelius.
Não se torna imperador só pela linhagem.
O trono é tomado à força e mantido à força.
É homem para isso?
Não luto por poder.
Mas para libertar Roma de homens como você e devolvê-la a eles.
Os próprios deuses querem Roma renovada.
Eles me enviaram para essa tarefa.
E se seus deuses enviaram-me aqui para matá-lo?
É hora de acabar com isto, Macrinus.
Força e honra, meu filho.
Vocês esperam que eu fale.
Não sei o que dizer, só que já vimos muitas mortes.
Não deixemos mais sangue jorrar em nome da tirania.
O meu avô, Marcus Aurelius,
falava de uma Roma dos sonhos.
Um sonho pelo qual, o meu pai...
Maximus Decimus Meridius...
morreu.
Um ideal.
Uma cidade para todos e um refúgio para os necessitados.
Um lar pelo qual valesse a pena lutar.
Um lar pelo qual Maximus passou a vida defendendo.
Esse sonho dissipou-se.
Mas temos coragem...
de recriar esse sonho juntos?
O que me dizem?
Sim.
Sim.
Sim.
Sim.
Mãe.
Fale comigo, pai.
Legendas: Rossana Pasquale Fantauzzi Largman
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