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''LA MAJA DESNUDA''
Loucos.
Vamos sair daqui, Paco.
-Tudo em nome do Senhor. -Pare de pensar.
A lnquisi��o l� at� pensamentos.
Para tr�s, abram caminho.
Para tr�s, abram caminho.
Vossa Alteza j� viu o suficiente ou quer ficar para a fogueira?
N�o aprovo isso. J� vi o suficiente, obrigada.
Foi sua id�ia vir ao julgamento.
�s vezes precisamos ver o mundo no qual vivemos.
Mas n�o vou apoiar esta estupidez e ver uma garota morrer.
Est�o levando a mulher errada.
L� est� a bruxa.
Acredite, Paco, ela � maligna.
Juanito, n�o acho que o diabo seja t�o belo.
Cuide-se, Paco.
Paco!
Obrigada. Para voc�.
Obrigada, Alteza. Sua presen�a j� era suficiente.
-Voc� realmente merece. -Obrigada.
Senhores.
-Sua visita foi... -Todos parados.
lnspe��o.
N�o sabe que deve se levantar ao ver um oficial do rei?
Voc�!
Por que est� parado a�?
-Quem � voc�? -Sua Alteza Maria Teresa Caetana.
Marquesa de Villefranca, Duquesa de Alba.
Sinto muito, n�o sabia. Pe�o humildes desculpas.
Homens!
-Amanh� toda a corte saber�. -N�o � a primeira vez.
-Obrigado, Alteza. -Alteza.
-Adeus, nos vemos domingo na tourada. -Obrigado, Alteza.
-Dedicarei a voc� meus melhores touros. -Obrigada, Robero.
Pela honra de Castilha, pe�o essa dan�a, Alteza.
-V� embora, � inconveniente. -Olhe as palavras, idiota.
N�o aqui.
Jos�.
Chega.
-Se fosse nobre seria punido. -N�o precisa.
Jos�, v� dormir, est� b�bado.
Repita... Repita, se tiver coragem!
N�o seja infantil, Jos�. V� dormir, est� b�bado.
Paco, deixe-o ou ter� problemas.
Repita.
Paco.
Vamos deix�-los brigar.
-V�, se tiver medo... -Estou falando pelo seu bem, Caetana.
Paco.
Paco... Use sua faca! Use sua faca, Paco...
V� para casa, Jos�, chega.
Muito bem, Paco!
Senhor!
-Paco, vai ficar bem. -Deixe-me.
-Soltem-me. -Vamos chamar um m�dico.
-Algu�m ajude. -Solte-me, Juanito.
Mais um touro morto.
lsso n�o � uma arena, v�o me arruinar!
Podemos ir? Foi um dia longo e emocionante.
Dr. Perall, vou precisar de voc�.
Peguem ataduras, toalhas de mesa, qualquer coisa.
Uma an�gua da pimentinha serviria.
Uma! S� tenho uma!
5 moedas como � mentira.
Acredita, agora?
-5 pela aposta e 5 pelo show. -Obrigada, Paco.
Podemos ajudar? Este � meu m�dico, Dr. Perall.
Meu nome � Francisco Goya, Alteza.
Sim, eu sei.
Espero que seu ferimento n�o seja grave.
N�o � nada.
Tire o casaco, tentarei n�o machuc�-lo.
� melhor sentar-se.
Nada s�rio. O corte � profundo, mas nenhum tend�o foi atingido.
Ainda posso matar um touro.
Ou pelo menos um carneiro.
� mais importante que segure um pincel.
-Conhece meu trabalho? -Todos conhecem, Sr. Goya.
Voc� est� na moda.
Posso ajudar?
Obrigado.
Mas �s vezes...
�s vezes suas pinturas me assustam.
� como se...
Como se visse a verdade de perto, profundamente.
Como explica isso?
�s vezes, a verdade pode ser assustadora.
N�o deveria ser se a enfrentamos com justi�a.
Quando evitamos a verdade erramos e ficamos...
confusos.
Pronto.
Sr. Goya, pode voltar para suas pinturas.
Tenho a sensa��o que vou pintar melhor do que nunca.
Agora n�o. Esse ferimento tem que sarar.
Farei um pequeno concerto, na minha casa, sexta-feira.
Se estiver entediado pelo �cio, ficarei feliz com sua presen�a.
-Ser� uma honra. -Boa noite.
Boa noite.
Um Goya original. Muito valioso.
Tem uma boa no��o de leveza, Sr. Goya.
Estava sonhando quando o fiz, Alteza.
Sonho estranho.
Talvez n�o me conhe�a bem.
Quer fazer meu retrato e me ajudar a me conhecer?
Tem medo de me encontrar na verdade assustadora?
De forma alguma, Alteza. Claro que n�o.
At� sexta, �s cinco.
Paco! Paco!
Para onde vai?
O que devo ser?
Eu perguntei o que devo ser.
Voc� deve ser uma bruxa velha e rica.
N�o vai ver Alba.
Quieto, Juanito.
Sinto muito, Paco, pode ficar com raiva...
-Mas n�o vou deix�-lo ir. -Pare de falar.
Paco!
A rainha a odeia. Se for, n�o ser� mais chamado.
-Professor. -Como vai o trabalho?
Bem, como esperado.
Sem id�ias originais, Francisco. Atenha-se aos originais.
N�o se preocupe, professor.
A c�pula vai ficar coberta de falsos duques, anjos e cortes�s.
-� falso quando reprimimos sentimentos. -Bobagem.
A arte precisa de ordem, disciplina e tradi��o.
N�o foi por causa do meu sentimento que me tornei presidente da Academia.
Foi pela minha no��o de trabalho.
A arte �, como na vida...
-Aprendemos com os antecessores. -Aprendi com Velazquez e Rembrandt.
O resto est� morto para mim. Aprendo com a natureza.
Se vamos mostrar o mundo como ele �...
-sem camuflagem, sem dogmas... -Se quer jogar, respeite as regras.
Se voc� insiste em ser teimoso, vou pedir sua dispensa ao rei
e pedir que d� os afrescos a outro.
� sua decis�o?
Francisco!
-Quem � a crian�a? -Sua filha.
N�o, sua filha adotiva.
A duquesa estava solit�ria e queria uma crian�a.
Vossa Alteza, Sr. Goya me enviou.
-N�o est� bem? -Sim, muito bem.
Mas est� trabalhando noite e dia para o rei.
-Para o rei? -Sim, nosso glorioso rei, Deus o proteja.
-Tudo bem, diga que est� dispensado. -Obrigado.
Sr. Brugnac, o que achou da cantora?
Maravilhosa, parab�ns.
A roubaria se ainda tivesse meu teatro em Paris.
Vai t�-lo de volta, Bonaparte n�o pode durar para sempre.
Mas ele � t�o obstinado quanto eu.
Querida, estamos ansiosos para ver Goya.
-Ainda n�o chegou? -Ele sente muito por n�o poder vir.
-Que pena. -Ele deve estar salvando uma dama.
-Sua carruagem espera, Enrique. -Minha carruagem?
Mais m�sica? Maria, venha aqui.
-Cante outra m�sica. -Sim, Alteza.
Chega, chega, chega...
Tirem esses trapos.
Ouviram?
Tirem!
Vamos v�-los como realmente s�o.
Quando houver louvor nesta capela, seu povo estar� sempre diante Dele.
Sempre.
Pedro, Maisle.
Juanito, tinta! Lona!
Deus me ajude.
Ajude-me, Deus.
Agora pe�am ajuda de Deus.
Cantem, cantem, para que ele nos ou�a...
Cantem alto!
Abram, em nome do rei.
-Ouviu, Paco? O Rei! -Abram.
-Longa vida ao rei. -Agora e sempre.
Sua Majestade est� vindo.
Avancem, guardas. Fechem a porta.
Tirem essas pessoas daqui.
Tirem-nos!
Limpem o lugar, tirem-nos tamb�m.
R�pido.
Deixem-nos, s�o meus amigos!
Sinto muito, s�o ordens. Ter�o que esperar l� fora.
Saiam. Liberem os afrescos.
Empurrem para l�.
Aqui!
Sua Majestade, o rei.
Onde...?
Onde est� o pintor?
Com sua permiss�o, tenho a honra de apresentar Francisco Goya.
Cuja obra Vossa Majestade ir� aprovar.
Deveria saber, todos os artistas s�o iguais.
Se sujam de tinta. Meu bom homem...
-Vossa Majestade. -Sr. Goya...
tem trabalhado dia e noite e n�o esperava...
Sim, est�vamos ca�ando com Manuel.
Onde est� o primeiro-ministro?
Sr. Goya, Manuel.
Meu bra�o direito. Sabia que ele atira muito bem?
Surpreendente para um homem envolvido com o estado.
Vossa Majestade n�o tem concorr�ncia.
De fato n�o sou ruim.
Carlos, as pinturas.
-Onde est�o os afrescos? -Na c�pula.
Sim, claro.
Primeiro, qual o tema?
Senhores.
Estamos esperando sua opini�o.
-Voc�, Novare. -Bem, Vossa Majestade...
-N�o entendo muito de pintura. -O que acha?
-Em minha opini�o, Vossa Majestade... -Por que n�o perguntar a Maria Caetana?
Ajulgar pelo sorriso cr�nico, est� se divertindo.
Sim, majestade. Acho divertidos os afrescos.
Acha um tema religioso divertido?
N�o o tema, mais como foi expresso.
Achei que encontraria
afrescos dignos de uma corte nobre.
Mas o artista encheu a igreja com as piores criaturas de Madri.
Mendigos, vagabundos, mulheres da rua.
Majos, majas e at� a cena do anjo,
tem criaturas subindo no corrim�o.
-N�o � divertido? -Majestade.
Pinto o que vejo.
E o que sinto.
As pessoas que o reverenciam, eu...
simbolicamente as pintei para ficarem perto de voc�.
-Sei. -Os pintei olhando para baixo.
N�o para se exibirem, mas para...
olhar para voc�.
Tentam v�-lo e falar com voc�.
-Voc� pode ajud�-los. -Excelente, Sr. Goya.
�tima resposta, amamos nosso povo.
-Algu�m nega? -Se ele pinta o que v�,
gostaria de saber onde viu os anjos voluptuosos.
Querida duquesa, est� perguntando demais.
Qual de n�s j� viu um anjo?
Esses parecem ter sido vistos � noite, em carne e osso.
-Como as majas na rua. -N�o a entendo.
Continua falando de mulheres da rua.
Elas a chocam? Estou surpresa,
pelo que sei, essas pessoas s�o seus companheiros favoritos.
Se julgarmos pelas companhias,
h� nobres mais perigosos do que eu.
A troca de opini�es � muito interessante.
E n�o muito freq�ente.
Vamos continuar. O que acha, Payer?
Majestade, Sr. Goya quebrou todas as regras da pintura.
Mas nunca vi nada t�o poderoso na hist�ria da arte.
Foram bem feitos e com coragem.
-Bom e com coragem... -Concordo, ele ser� o pintor da corte.
-N�o �, Carlos? -Sim, claro.
-Manuel, onde ele est�? -Majestade...
Manuel, prepare a minha assinatura
indicando o Sr. Goya pintor da corte, com todos os direitos e privil�gios.
Acho que j� fizemos muito esta manh�.
Cristo! Est� tarde.
Por isso o est�mago chama.
Voc� gosta?
Tenho uma cole��o, lhe mostrarei.
Voc� � um artista e vai apreci�-los.
Parab�ns, senhor. Quando nos encontrarmos, quero v�-lo
com roupas dignas de um pintor da corte.
Parab�ns, professor.
Desejo expressar minha gratid�o, Alteza.
-Bom dia, Excel�ncia. -Bom dia.
-Venha aqui, por favor. -Acompanhe-o.
-Boas not�cias, Manuel? -Nada novo, majestade.
Os franceses nunca est�o contentes.
-Que pena, Luisa, n�o ouviu... -Carlos.
Falou com Goya sobre o retrato?
Claro, est�o todos aqui?
Aqui est� quase toda a fam�lia, Sr. Goya.
3 gera��es, agrade�o a Deus.
Tem id�ia de como devemos ficar?
Acho que sim.
Acho que sim, majestade.
Vamos acabar logo, ent�o. � um t�dio ficar posando.
Esse � meu filho.
Vossa Alteza.
Alteza, poderia ficar na posi��o onde estava?
Ainda n�o acabou?
Obrigado.
Alteza.
N�o � f�cil agradar a todos, n�o �, Dom Francisco?
Sua Alteza n�o � muito am�vel.
E n�o � nem um pouco diplom�tico.
Ele fala mal de todos, n�o �?
N�o.
Quer dizer que ele n�o revelou
nada sobre ningu�m?
De forma alguma, excel�ncia.
Posso fazer muito por voc�. Sua Majestade confia muito em mim.
Excel�ncia, s� estou interessado em pintar.
-Sim, mas... -Sr. Goya!
Sr. Goya, minha pipa n�o funciona.
Vamos ver.
Claro Alteza, est� quebrada.
N�o se preocupe, concertaremos.
-Vamos l� fora? -Sim, obrigada.
Deixe-me segurar.
-Deixe subir mais. -Deixe-me segurar!
-A� est�. -Quero levar!
� linda e vai mais alto, e mais alto.
Mais um pouco, pronto.
Espere, vai mais alto, a� est�.
-Est� mais alto, Sr. Goya. -Vamos, r�pido, para tr�s.
N�o, Sr. Goya. Deve adivinhar quem �.
-Devo adivinhar? -Sim.
Tudo bem.
Antes, Sr. Goya, s� havia tempo para as pinturas da corte.
Mil perd�es, Alteza...
Vejo pelas suas roupas elegantes,
que atingiu o objetivo da sua ambi��o.
Pode ser, mas sou o mesmo.
-Sua vez de ser vendada. -N�o, obrigada.
Acabou o jogo.
Pe�o mais uma vez. N�o v� hoje.
-Essas roupas. -� a moda do povo, querido Rander.
� o festival do povo e prometi ir.
Escute um velho amigo da fam�lia, seu pai n�o aprovaria.
Meu pai aprovaria. Ele acharia engra�ado.
Devo insistir, Alteza, hoje vai ter problemas.
-A rainha avisou. -Exatamente.
Agora sabe porque vou.
Porque a rainha proibiu.
-Sanchez, que bom v�-lo. -Ainda bem que cheguei em tempo.
Tem algo estranho no ar.
Haver� um protesto contra Godoy, no carnaval.
-Sua presen�a pode ser mal interpretada. -N�o deixe que seja.
Maria, por favor.
Pedro.
Godoy est� pronto.
Godoy na fogueira!
-Tenho Napole�o. -Traga-o, queimemos os dois.
-Ponha o chap�u, Napole�o. -Vinho, Juanito.
Por que a rainha fez dele primeiro-ministro?
Por raz�es que ela e todos, menos o rei sabem.
Vamos, pessoal.
Alteza, est�o levando os cavalos.
Miguel, deixe que se divirtam. Pegue-os mais tarde.
Majestade.
-Podemos ver? -Certamente.
Esse garoto � maravilhoso.
Ter� que governar um dia. Meu filho tem muitas responsabilidades.
Os m�dicos nunca curaram minha irm� dessa marca.
Dizem que foi uma infec��o maligna.
Talvez tenha sido melhor.
Nunca me deu trabalho com homens.
Majestade, Sua Excel�ncia, Ministro da Justi�a.
Majestade.
-Que foi, Delgado? -Majestade, pe�o sua indulg�ncia.
lmploro perd�o a Montijo e seus dois irm�os.
-H� 3 dias tento v�-lo. -H� 3 dias
foi dito que falasse com Manuel Godoy.
Mas Godoy quer sumir com Montijo e sua fam�lia.
Amanh� � a execu��o. N�o temos provas.
-N�o temos provas. -Entenda, Conde Delgado.
N�o costumo intervir nas decis�es do primeiro-ministro.
Se discorda dele, fale com ele.
Majestade, por favor.
N�o leve t�o a s�rio, n�o � o fim do mundo.
N�o se preocupe mais.
Pegue, Delgado, � para voc�.
Um presente meu, n�o � lindo?
Majestade, se me permite,
sou apenas um pintor,
mas tamb�m sou s�dito. As pessoas o admiram, acreditam em voc�.
Se virem Vossa Majestade aceitar injusti�as de outros,
ele ser�o encorajados a esquecer a mis�ria e o medo.
Majestade, vidas est�o em jogo.
� triste, mas que posso fazer?
Manuel tem seus motivos.
H� pessoas que usam seu nome para justificar os piores crimes.
Aqui, no pal�cio, em volta de voc�.
Pessoas que mentem e o enganam.
Tem ouvido muita fofoca.
Deixe-me sugerir, Sr. Goya.
Fique com a pintura, � um bom pintor.
Deixe os assuntos de estado para os competentes.
Fique com a pintura.
O que h�, Manuel?
Uma revolta, est�o queimando a minha imagem.
Chamam-me traidor porque negociei com Napole�o.
Fiz isso para que n�o terminassem como os italianos e alem�es.
Pare, Manuel, est� perdendo a cabe�a.
Se tivesse o poder na pol�tica que tem sobre as mulheres,
a revolta teria acabado h� muito tempo.
Por que n�o chama os guardas e ordena um ataque sem tr�gua?
J� dei a ordem, mas h� uma complica��o.
A duquesa est� na multid�o, ateando fogo.
� assim que obedece minhas ordens?
Vou mostrar quem � rainha da Espanha.
Vai ter a li��o por desobedecer.
Paco! L� est� ele!
Paco!
-Pessoalmente. -Paco, sou eu.
Venha conosco.
-Onde est� Juanito e os outros? -Devem estar queimando Godoy.
Precisa de uma bebida, Paco.
-N�o. -O que houve?
Sr. Goya!
Sr. Goya.
O que foi, Alteza?
N�o sou Alteza, meu nome � Maria.
Sei.
� a noite das ilus�es, tudo est� de cabe�a para baixo.
Olhe para voc�.
Olhe para seu vestido.
Voc� se mistura com a multid�o.
Mas embaixo do vestido h� bordado e seda.
� seu pedigree.
Sai com pessoas comuns, mas n�o gosta da linguagem delas.
Sinto muito, mas n�o sou um nobre.
Pensei que fosse um dos cavalheiros do rei,
primeiro pintor da corte.
Voc� despreza meu trabalho, � como os outros na corte.
Voc�s passam o tempo manipulando uns aos outros.
S� para distra�-los de suas vidas vazias.
N�o serei um de seus brinquedos.
Voc� � louco, Sr. Goya. Tenho pena de voc�.
Deixe-me em paz.
-Assassinos. -N�o deve.
-Boa noite, Alteza. -Boa noite, Rojas.
O que vai querer?
Traga um drinque da casa, qualquer coisa.
Bem, Sr. Goya,
seu �dolo caiu.
N�o estou falando de mim.
Estou falando de seus �dolos reais.
Tentei avis�-lo, naquele dia na igreja.
N�o estava debochando de voc� ou das pinturas.
Como pode pensar isso?
S�o lindas.
Lindas demais para a corrup��o da corte.
Maria.
-Sanchez. -Procurei voc� por toda parte.
Tive medo que algo tivesse acontecido.
Conde Rodrigo Sanchez, Sr. Goya.
Sente-se, obrigada.
-Outro copo, por favor, Rojas. -Sim, Alteza.
Esta noite houve a pior revolta que j� vi.
Depois da tempestade o ar n�o fica calmo?
Acalma outras coisas tamb�m.
Estava falando com o Sr. Goya...
Os �dolos caem com a tempestade.
-At� mesmo �dolos reais. -Devo honrar o uniforme que visto.
Deve estar ficando um pouco apertado.
Voc� tamb�m n�o � funcion�rio do rei, Sr. Goya?
Sou um artista e homem livre, gra�as a Deus.
Se � livre,
dan�a comigo?
-Quem era ele? -Um amigo.
-Por que importa? -Tudo importa.
Voc� o ama?
N�o.
Mas voc� o amava.
E ele n�o � o �nico.
Ele ainda a ama.
N�o vamos falar disso agora.
O que foi, Paco?
O que v� no meu rosto, hoje?
Tudo que importa para mim.
Tudo o que � verdadeiro para mim.
Verdade, fascinante e reveladora.
Quando come�ou a ver isso?
Mesmo quando a via atrav�s de ressentimento e desconfian�a.
A pintei mil vezes, Maria.
De todos os retratos,
qual o mais verdadeiro?
O que vou fazer hoje � noite.
Hoje � noite?
Agora.
Agora.
-Maria, eu te amo. -Paco.
N�o, n�o. N�o, por favor.
Tem que pintar meu retrato.
Venha, sente-se.
Paco.
O que sabe realmente sobre mim?
Sei que teve amantes.
-At� mesmo sei seus nomes. -Talvez nem todos.
Ainda assim me ama?
Maria, n�o quero saber do seu passado.
-N�o quero saber! -Sei que n�o perguntou.
Ningu�m pergunta, ningu�m quer saber porque.
Tenho orgulho de ter nascido assim, Paco.
N�o posso am�-lo at� que tudo esteja claro.
-Por favor, deixe-me ir. -Maria, j� amou algu�m?
J�?
Talvez n�o tenha conhecido ningu�m que valesse a pena.
At� que conheci voc�, e o amei.
Nunca havia tido esses sentimentos.
N�o h� amargura, vergonha, ou medo.
-Maria. -Deixe-me ir.
Maria, o que foi? Olhe para mim.
N�o v�? Eu respiro, vivo, trabalho.
Amo voc�, Maria. Preciso de voc�.
Preciso de voc�, preciso de voc�. Preciso de voc�!
Meu marido morreu e me deixou
sozinha, sem filhos.
Sozinha no meio de pessoas hostis.
Pessoas que julgam, espionam e fofocam.
Meu �nico prazer � escandaliz�-las.
-Escandalizar os hip�critas. -N�o est� sozinha.
Tamb�m brinco de escandalizar.
Somos parecidos, Maria.
-Se realmente achasse que me ama. -Eu te amo.
Tanto quanto amo meu trabalho, minha arte.
N�o posso deixar nosso amor se confundir com o passado.
Deixe-me ir e pensar.
-Voltarei para voc�. -Quando? Diga-me.
Logo, espero.
Dessa vez vai ser bom esperar, uma novidade.
Sempre esperarei por voc�, Maria.
Mas...
-O que est� fazendo aqui? -Esperando por voc�, Alteza.
-N�o foi convidado. -Parece que esqueceu o que aconteceu.
�s vezes � preciso esquecer a etiqueta.
Para ajudar a sua situa��o,
-me coloquei em risco. -N�o estou interessada.
Como ousa invadir minha privacidade?
Espere l� fora.
Sabia que entre seus pap�is h� muito que interessa � lnquisi��o?
Voltaire, Rousseau, Montesquieu, revolucion�rios.
-Como criado fiel do rei, eu... -Voc�!
-Ousa falar de fidelidade? -Sou a seguran�a do reino.
Como homem, a entendo.
At� a admiro.
Poupe o trabalho.
Passei uma hora acalmando a rainha.
Ela deu ordens e voc� desobedeceu.
Se misturou a inimigos do estado, contra mim.
Consegui diminuir sua pena para um ano de ex�lio.
Uma formalidade. Vai para a vila de Solinar.
-E se eu recusar? -Est� pedindo problemas.
Para voc� e para os seus.
lnformarei minha decis�o.
J� est� decidido. S� saio depois de voc�.
Hoje � noite? -lmediatamente, Alteza.
-Mensagens? -N�o, senhor.
Pedro, chama isso de faxina?
Limpe bem.
-O que s�o? -Flores, foi tudo o que consegui.
S�? Eu falei muitas flores.
D� a seu amante e pe�a que ele as devolva, com minhas lembran�as.
Arrange flores de verdade, roube se preciso. Tente no pal�cio real.
Levou os desenhos para ela?
-Voc� a viu? -Acredite, Paco. Ela n�o � para voc�.
Juanito, quantas vezes j� falei para n�o se meter?
Ela n�o aceitou?
Ela foi embora. Voc� sabia, n�o?
Ela � assim, um dia aqui, outro ali. Enlouquece muitos homens.
Agora decidiu tirar f�rias prolongadas na vila de Solinar.
Paco, � melhor assim.
-Pode voltar para seu trabalho... -Juanito.
-Prepare minhas malas. -N�o. Paco!
''Deve-se passar pela mesma trag�dia,''
''para entender o desespero que sentiu.''
''Foram cru�is em n�o me deixar beij�-la.''
''Ou falar com ela.''
E depois?
''Durante muito tempo, n�o tive not�cias.''
Sim.
Continue.
Bem, senhor.
Maria.
Onde est�?
Onde est�?
Paco.
Anita.
Como me encontrou?
Por que veio?
Paco, por favor.
Por favor, v�.
N�o posso mais v�-lo.
V� embora... V� embora...
N�o pode mais me ver?
V� embora. V� embora!
Paco, tive que sair de Madri. Fui exilada.
Exilada?
Por que foi exilada?
-Por favor, me deixe. -Maria, por que foi exilada?
N�o posso, n�o direi.
N�o o envolverei nisso.
Voc� n�o me conhece. Diga-me por que foi exilada.
Paco, te amo.
-Querida, est� pronto. -Deixe-me ver.
V� Anita, veja se a crian�a dorme.
Paco!
Pensei que fosse um segredo.
Quero gritar para o mundo.
Eu te amo.
Manobras.
Sempre fazem manobras.
-Alteza. -Sanchez, o que o traz aqui?
Vamos atravessar a fronteira aqui perto.
-Perd�o pela invas�o. -De forma alguma.
-Posso ajudar? -Obrigado, Maria.
Senhor.
-Se precisar de mim... -Obrigada, Sanchez. Estou muito feliz.
Maria, senhor.
Boa sorte.
Ser� que sabem o que fazem?
-Quero que se acabem. -� uma guerra, deve entender.
Por que tinham que vir por aqui?
Ainda tem ci�mes?
Quero tudo.
At� seus pensamentos.
-Daria tudo para saber seus pensamentos. -� t�o difcil?
Oranda, Sr. Goya j� retornou?
Ainda n�o. Santa Cruz � distante.
Dom Francisco deve estar evitando as tropas.
� perigoso, n�o deveria ter deixado.
Ele conhece a regi�o melhor do que todos.
-Ele � aventureiro. -Demais.
N�o se preocupe, ele sabe que tem pap�is perigosos
com sua assinatura. N�o vai se arriscar.
-N�o se preocupe tanto. -Obrigada, Oranda.
N�o devemos nos preocupar.
Por favor... Continue.
Consuela.
Veio ver se n�o fugi?
Por que fugiria?
Estava com as manobras por aqui.
O acampamento n�o � muito alegre. S� h� homens e armas.
N�o � o ideal para Dom Manuel.
Verdade, somos dois prisioneiros.
Voc� nessa linda vila, eu no meu lugar.
�s vezes os prisioneiros se entendem.
Posso?
E se eu pudesse mand�-la de volta a Madri?
Sentimos sua falta l�.
Voc� est� ainda mais bonita.
Voc� fica bem no ar do campo.
Qual seria o acordo?
Sabemos que Napole�o est� prestes a entrar na Espanha.
Voc� pode ajudar nessa situa��o delicada.
-O pa�s est� em perigo. -O que prop�e?
-Que tenhamos um ideal comum. -Seu ideal.
Nosso ideal. Napole�o ficaria agradecido com quem o ajudasse.
Temporariamente, sem sacrificar seus soldados.
Voc� me faz essa proposta?
A resposta � n�o.
Se Napole�o tentar for�ar, n�s resistimos.
Mas o povo ser� massacrado, ele � muito mais forte.
Quando est� em jogo a nossa honra,
n�o contamos os inimigos.
Quando fica com raiva � impressionante.
Muito impressionante.
Voc� me levou a s�rio.
Um diplomata e pol�tico deve explorar todas as possibilidades.
Sr. Goya, est� bem?
Ouvi dizer que estava em Zaragoza, distante daqui.
Devo lembr�-la que est� no ex�lio, n�o em lua-de-mel.
Sr. Goya tem 3 dias para voltar a Madri.
Estamos cansados de intelectuais cheios de vontades.
Est� recebendo dinheiro.
-Voc� ser� reembolsado. -N�o ser� necess�rio.
Ele vai voltar ao trabalho. Que pensa que somos?
Tolos e cegos? Foram encontradas v�rias provas que a lnquisi��o condenaria.
Voc� sabe que significa o fim de um homem, mesmo que sobreviva.
Faz qualquer coisa pelos seus objetivos,
mesmo que destrua uma pessoa.
Por que n�o quer ser minha amiga?
Mande o pintor arrogante de volta.
E se ele voltar a Madri?
Voc� me d� sua palavra que nada lhe acontecer�?
Palavra de honra. Tr�s dias.
Voltarei para ter certeza. Talvez seja menos hostil.
Ningu�m esteve aqui, Sr. Goya n�o deve saber.
Diga aos outros.
Adeus.
-Maria. -Paco!
Como vai minha garotinha hoje?
Se divertiu? Vamos fazer a gangorra.
Desce. Um!
Dois!
Sr. Goya.
Ol�, Anita.
S�o suas?
Anita, quem esteve aqui?
N�o sei, ningu�m.
V� brincar l� fora.
V� brincar l� fora sozinha. Para voc�.
N�o coma de uma vez ou vai ficar doente.
Obrigada.
Paco!
Est� atrasado, est� tudo bem?
-Quem esteve aqui? -Por que?
Por que?
-Essas luvas estavam l� embaixo. -Oh, sim, � isto...
Sim, um amigo.
Um oficial, que trouxe not�cias de Madri. Deve ter esquecido.
Paco, por que sempre desconfia?
Eu sei, acho que nunca vou mudar.
Mandaram essa carta para voc�.
A situa��o est� mais grave.
E se o encontrassem aqui, comigo?
Voc� teria que voltar a Madri.
-Obrigariam voc� a voltar. -Me obrigariam?
Maria, quem me tiraria de voc�?
Tem que pensar no seu trabalho.
N�o pode ficar tanto tempo longe da corte.
N�o quero saber da corte.
Maria querida, minha vida come�ou com voc�.
Quero que termine com voc�.
Eu sei, mas...
Pensa isso agora.
Com as preocupa��es, ficarei velha e feia e voc� vai desejar ter ido.
Velha e feia? Tire isso da cabe�a.
Olhe.
Vou fazer um Goya em voc�.
Voc� ser� o retrato mais vivo.
Preparamos a lona assim. Pronto.
Come�amos com os l�bios.
-Uma pincelada aqui. -Paco.
Leve a s�rio, por favor. Tem que ir a Madri.
-Tem que voltar. -N�o vamos mais discutir.
S� a deixarei se parar de me amar e s� por isso.
Meu amor.
Por nenhum outro motivo, querida.
-Quem levou a carta a Sanchez? -Miguel, Alteza.
-Ele disse que acamparia. -Antes do anoitecer, Alteza.
Amanh� � o �ltimo dia.
Goya � uma pessoa dificil de lidar.
De fato...
ele se tornou bem inconveniente.
-Detesto essas despedidas. -Sei bem disso.
Sim, Sanchez, n�o consigo ser fiel por muito tempo.
Detesto ouvi-la falar assim.
Preferia que amasse meu pior inimigo,
desde que realmente amasse.
Por que arruinar sua vida assim?
-N�o est� sendo compreensivo. -Quer me usar para livrar-se dele.
Como usou Enrique comigo,
e Goya com Enrique e todos os outros.
Sanchez, como pode falar assim?
Voc� sabe que era diferente.
Era, Maria?
Paco, temos visita.
-Voc�s j� se conheceram. -Sr. Goya.
Est� inclu�do na sua manobra, senhor?
Sinto muito, Maria, tenho que ir.
Mas ficou t�o pouco tempo.
Adoraria que ficasse para o jantar.
S� queria cumpriment�-la, s� isso.
Sinto muito, Sanchez.
Entendo.
Espere, n�o entende.
N�o entende, eu quero...
Quero muito que fique.
Antigamente voc� n�o se negaria.
lsso foi muito antigamente.
Talvez estivesse errada.
Pensei muito, o ex�lio � solit�rio.
Maria.
Talvez estivesse errada, Sanchez.
Sr. Goya.
Deixe comigo.
Paco.
Paco.
Acabou.
Est� tudo acabado entre n�s. Precisa ir.
Por favor, volte para Madri.
-Paco. -Madri.
Paco!
N�o!
Paco, eu te amo!
Eu te amo. Volte para Madri.
Como invejo esse homem.
Paco.
Que h� com voc�, Paco?
-Sr. Goya. -Paco!
Qual o problema?
Sr. Goya.
Chame Juanito e o m�dico.
Falso, tudo � falso.
Falso, falso.
Falso!
Por favor, deixe-me v�-lo.
Paco.
Paco, estou de volta.
Estou de volta a Madri.
Disseram-me que est� doente.
Essa voz... Essa voz... N�o suporto essa voz...
Tem que acreditar em mim.
Nunca houve nada entre mim e Sanchez.
Ele s� estava ajudando.
� voc� que eu amo, s� voc�.
Essa voz, n�o tolero, n�o!
N�o aguento mais.
-N�o mais. -Paco, n�o se altere.
Sinto muito, Alteza.
-Coma enquanto est� quente. -Quero terminar.
Vejo que est� de p� de novo.
Pensei que n�o se recuperaria.
-Reconhece a mulher? -Algu�m a colocou no seu lugar.
la acontecer mais cedo ou mais tarde.
Olhe! Duas cabe�as!
Alteza, que honra.
Tenho fic��o internacional muito boa para voc�.
Muito boa. Venha no meu escrit�rio...
Alteza, venha no meu escrit�rio.
Acabaram de chegar e s�o raridades.
-Quem � o propriet�rio? -Sou eu.
Ordem da santa lnquisi��o.
Voc� est� preso e sua loja ser� fechada.
Por que?
Por tornar p�blicos desenhos,
sob o nome de Caprichos, que s�o ofensivos � moral e � religi�o.
As c�pias ser�o confiscadas.
Mas, Senhor, o autor � Francisco Goya.
-O pintor da corte... -Esque�a.
Cuidaremos dele tamb�m.
-Paco. -Para tr�s.
Abram caminho.
Abram caminho.
D� passagem.
Paco!
Voc�. Entre.
Venha comigo.
Os franceses com tanto o que fazer ainda inventam novas dan�as.
Sim, majestade.
Que surpresa, Maria Caetana.
N�o a vemos h� tempos.
H� quanto tempo voltou de Solinar?
Sim, querida, como est� Solinar?
-Deve ser lindo. -Majestade, Goya est� em perigo.
-Foi preso pela lnquisi��o. -O qu�?
N�o sei de nada. Aquele Paco.
-O que ter� feito agora? -Desde quando se interessa por Goya?
Ele � o maior pintor da Espanha.
Sinto muito, querida, mas n�o podemos desobedecer a lei.
A lnquisi��o � soberana.
-Mas, majestade... -Sinto muito.
Temos assuntos urgentes.
Vamos ver o que podemos fazer, Maria.
Pode me esperar no meu escrit�rio?
Vou encontr�-la. Coronel!
Acompanhe Sua Alteza.
O que pretendia desenhando os Caprichos?
Mostrar o pecado e a loucura.
Verdade? Vamos ver como o fez.
Esse � um dos desenhos.
Chamado Ouro.
Monges ouvem as palavras de um papagaio, que prega de um p�lpito.
-Correto? -Sim.
Voc� acha que os pregadores falam como papagaios?
-Na b�blia diz... -N�o cite a b�blia nesse tribunal.
-Sabemos o que diz a b�blia. -Embaixo do pano, Sr. Goya,
h� uma pintura que foi considerada impura e maligna.
Ofensiva para Deus e para o homem.
Voc� admite ter pintado um nu?
Admite ou n�o?
Sim.
N�o sabe que � pecado mortal pintar um nu?
A beleza da mulher � parte da beleza da cria��o.
N�o pintei para os rudes ficarem olhando.
� o seu trabalho que o condena.
N�o tem esse direito.
A vis�o deste corpo somente inspira pensamentos de beleza?
� um convite ao desejo carnal.
-Ao prazer dos sentidos e pecado. -N�o!
A maldade est� nos olhos de quem v�.
-Sr. Goya. -A primeira mulher nua foi obra de Deus.
Mas a vergonha foi obra da serpente.
-Essa pintura teve modelo? -N�o! N�o! N�o!
Sou o �nico respons�vel.
-O �nico. -Sente-se, voc� est� mentindo.
A n�o ser que admita,
que agiu sob influ�ncia da pessoa que posou...
Ningu�m � respons�vel.
Ningu�m posou. Sou o �nico respons�vel. S� eu!
D� para ver como a rea��o diab�lica aponta para a culpa.
N�o h� pessoa, institui��o, nada que n�o tenha sido criticado nesse livro.
-Agora pe�o... -Sr. Goya.
O pal�cio real fez um pedido de clem�ncia.
Atenderemos ao pedido.
Mas que essa experi�ncia sirva de li��o.
Voc� foi aben�oado, mas ficaremos de olho, de agora em diante.
Francisco Goya, pode ir.
Gosta do rel�gio? Presente do rei.
Seu pintor est� livre.
Aqui est� a senten�a da lnquisi��o.
Uma simples advert�ncia.
Quase nada.
Vi os Caprichos. Muito interessantes.
O rei ordenou sua soltura?
Praticamente isso.
Mas n�o se preocupe, falarei com o rei amanh�.
Julguei-o erradamente, Dom Manuel.
Nunca esquecerei isso.
Est� com pressa? Faz tanto tempo desde que nos falamos.
Sente-se, por favor.
Algo para beber? Tenho conhaque franc�s leg�timo.
N�o, obrigada.
-O que deseja me dizer? -Por que n�o nos acertamos?
Voc� pediu pelo Sr. Goya.
Eu o libertei e ele vai voltar a nos insultar com seus retratos.
O que posso fazer por voc�?
Nada, mas se ama a Espanha,
h� pessoas para guiar seu destino.
O que quer dizer?
Desde de manh�, um ex�rcito franc�s est� em nosso territ�rio.
-Ent�o estamos em guerra. -Em Paz. Eles v�m pacificamente.
Quanto recebeu por essa trai��o?
Se fosse homem n�o sairia viva do pal�cio.
Mas seria pecado privar o mundo de sua beleza.
Espere.
Alteza, quanto custaria sua coopera��o?
Uma quantia que n�o poderia pagar.
Certeza? Um reino ao meu lado, valeria a pena?
-Afinal est� sozinha. -Est� enganado, D. Manuel.
Tenho muitos amigos e foi voc� quem os multiplicou.
Pe�o para ser liberada da sua companhia.
Que pre�o, Manuel? Quero saber.
Que pre�o pagou para faz�-lo dar uma ordem que eu havia recusado?
Conhe�o voc� bem demais.
Voc� n�o d� ponto sem n�.
Cuidado, eu o fiz e posso destru�-lo.
Entre.
Queria me ver, excel�ncia?
Nossa amiga ainda est� na casa da duquesa de Alba?
Sim, excel�ncia.
Diga-lhe que est� na hora de agir.
-Sim, excel�ncia. -Sem esc�ndalos.
Um veneno lento, uma doen�a incur�vel.
Sim, excel�ncia.
Obrigada, Beata.
Oranda, quais s�o as not�cias? O que aconteceu?
A fam�lia real foi para a Fran�a.
Dizem que foram ordens de Napole�o. Godoy retribuiu a confian�a.
Nossos amigos? Como est�o?
Uns se salvaram, outros foram presos, cercados em casa.
Espero que n�o tenham sido abandonados.
A prova � que guardas tamb�m a cercam.
Tem medo de que eu possa fugir?
Tome o rem�dio, Alteza.
Anita, n�o h� mensagens?
-Ningu�m me procurou? -Ningu�m, Alteza.
N�o!
Viva Bonaparte! Espanha!
Senhor, adeus. N�o esque�a minha oferta.
O que foi? Qual o problema?
Chegou a esse ponto. Com os franceses.
Sou um pintor, pinto quando quero e n�o devo satisfa��es.
Em que mundo vive? N�o v� o que se passa?
Est�o nos roubando e em troca nos d�o o irm�o de Napole�o. O novo rei.
Voc� est� do lado deles.
Ser� bem pago com dinheiro roubado do povo.
Juanito.
Tudo bem, Paco. Tudo bem.
Vou embora.
Voc� � um g�nio.
Talvez tenha o direito de fazer o que quer.
-Vou fazer o que quero. -Vai lutar com o ex�rcito franc�s?
-Sozinho, Juanito? -N�o estarei s�.
Claro.
H� sempre os desiludidos que querem lutar por algo.
J� n�o foram enganados, tra�dos e abandonados?
Onde est� o rei? Foi embora.
Cad� os her�is? Defensores da liberdade?
Onde est� nossa querida duquesa?
Alba est� muito doente, Paco.
Se n�o estivesse, estaria conosco, resistindo aos franceses.
Por esses e outros motivos suficientes,
Maria de Pilar Teresa Caetana,
13a duquesa de Alba, deixa seus bens conforme � o seu desejo
para seus leais e amados criados.
Cidad�os da Espanha! Os franceses s�o amigos.
Sou espanhol!
Deixe-me em paz, n�o sou traidor!
Deixe-me em paz!
Voc� mudou bastante.
Ela n�o est� nada bem.
V� at� ela.
Sr. Goya.
Ela fez o que fez em Solinar para salv�-lo.
N�o havia outra forma. Godoy o amea�ou, caso n�o voltasse.
Ela sabia que n�o iria e o for�ou.
Acredite.
Alteza, Sr. Goya est� aqui.
-Devo receb�-lo? -N�o!
Pe�a para esperar. Ajudem-me, por favor.
Por favor, volte mais tarde.
Fomos interrompidos.
-Maria. Maria... -Eu te amo.
Sim, amor.
Diga-me agora.
O que v� em meu rosto?
O fim de uma noite longa.
N�o queria que me visse assim. Queria estar de p�.
� muito f�cil, querida.
Tente.
� isso.
Maravilhoso.
Est� �timo.
Est� �timo.
Est� �timo.
Maria.
Maria.
Maria, quero que melhore logo.
Tudo bem, calma.
Foi a espera, agora acabou.
N�o. N�o, n�o, n�o...
Foi o mal que te fiz. A culpa � minha.
Quando soube que estava doente, vim correndo.
Nada mais importa, querida.
Que tolice n�o ter ficado doente mais cedo.
Duquesinha, vai ficar melhor.
Voc� me falaria se corresse risco?
Sim, nesse caso,
prepararia um discurso de morte para voc�.
Diria, Paco...
Deixo para voc� as duas coisas que mais amo no mundo.
Voc� e a Espanha.
Voc� � linda. Faz tanto tempo que n�o olho nos seus olhos.
Eu diria, Paco,
me procure em cada rosto espanhol.
E diria,
viva muito e pinte coisas ainda maiores.
Pinte a ascens�o da Espanha.
-Vai ocorrer. -Sim.
Eu diria,
a Espanha vive por Goya.
E eu diria que Goya vive por Alba.
Paco, teria sido um discurso t�o belo.
Quase vale a pena morrer.
N�o!
Maria.
Sempre os usou?
Tem um que gostaria de tirar.
Gostaria que ficasse com Alba.
Goya guarda para mim.
Maria.
Lembra daquela manh� em Solinar? Fiz o retrato com os an�is?
Est�vamos juntos.
Te amei completamente ali.
Minha alma estava no retrato.
Minha vida ficou vazia quando terminei.
Minha vida tamb�m.
At� hoje.
At� hoje.
Paco, o retrato � lindo e eu n�o sou mais.
Maria, querida, n�o � verdade.
Voc� est� ainda mais bonita.
Naquela �poca havia algo em voc� que eu n�o podia captar.
Agora acho que posso.
Paco.
Sim.
Gostaria de ver a pintura novamente.
Desejo-a perto de mim.
-Traga-a para mim. -Querida, quero ficar com voc�.
Traga a pintura, por favor.
-Agora? -Sim, agora.
Certo, querida.
Vou trazer rapidamente.
Paco!
Abrace-me mais uma vez.
Maria.
Querida.
Diga-me...
Voc� me ama agora?
-Como me amava? -Mais, muito mais.
Nunca pensei que fosse poss�vel, querida.
V�, r�pido. R�pido.
Espere por mim.
Sim, esperarei.
Maria... Maria... Maria!
Oh, Deus... Deus... Deus!
FlM
legendas e autora��o: Heraldo Medeiros - STUDlO MlLLE
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