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J� pedi que o diabo me carregue.
N�o existe uma solu��o.
N�o se sobrevive a algo que ainda est� acontecendo.
Sabia que nunca me recuperaria dessa experi�ncia.
Faz voc� implorar pela morte.
Sabe? A paz e sil�ncio dos t�mulos.
Seria muito mais f�cil.
Do que ser o �nico que sobrou para contar a hist�ria.
Faz quase 30 anos e ainda d�i at� hoje.
S� quero saber o porqu�.
� horr�vel a mente de algu�m que faz isso.
Fam�lia busca respostas.
Acredito no mal.
Vi na Fazenda Fox Hollow.
A pol�cia de Indian�polis abordou o dono da fazenda Fox Hollow.
Ele pode estar associado
a um dos desaparecidos que investigamos.
Supomos que haja tr�s corpos. Ou mais.
Era osso por todo lado.
E isso atraiu o interesse da pol�cia
no estado e no pa�s todo.
Ele n�o est� na lista dos serial killers mais prol�ficos.
Mesmo assim, Fox Hollow � como o por�o do Gacy.
"Palha�o Assassino" no corredor da morte
� o Dahmer que ningu�m conhece.
Canibal de Milwaukee
N�o recebeu aten��o como Gacy ou Jeffrey Dahmer
porque nunca o levamos a tribunal.
Tinha uma vida dupla.
Eu fiquei com ele aqui at� as 5h da manh�.
Dei uma canseira nele!
Havia manequins.
Foi surreal. Tipo cena de filme.
Ele omitiu bastante.
Muita coisa � novidade para mim.
� verdade? Aquela merda aconteceu mesmo?
Devia ter percebido.
Ele fez isso mesmo? Puta que pariu.
Como algu�m assim se safa por tanto tempo?
Como as mortes envolveram homens gays,
a pol�cia e a comunidade ficaram desconcertadas.
A atitude dos policiais era de que, se voc� fosse gay,
teve o que mereceu.
� simples assim.
Identificamos 13 v�timas na fazenda Fox Hollow.
Identificamos 13, e ainda faltam 9.900 ossos.
Desistimos dessa investiga��o.
Crimes do passado assombram o presente.
Precisamos voltar.
DESAPARECIDO
PER�CIA DO CONDADO DE HAMILTON
De nada.
Vou estar no escrit�rio a semana toda.
E te aviso o que eu descobrir
nas pr�ximas 24 a 48 horas, tudo bem?
- Ent�o, avisou a m�e? - Sim, ela vai ligar.
Se ela n�o vier identificar a filha,
- coleto o DNA. - N�o vamos identificar.
- N�o d� para identificar� - Ele�
- Ele tem um rombo na cabe�a. - Um buraco de bala.
- Um bem grande. - Quando vi a foto,
- pensei ser a nuca. - � a sa�da.
ASSISTENTE DE LEGISTA
T�.
Se quiserem v�-lo, vamos dar um jeito.
LEGISTA
Mas acho melhor n�o.
- T�? - T�.
- Obrigado. - �.
Eu lido com a morte todo dia no trabalho.
Ou com o luto.
N�o � f�cil.
N�o d� para esquecer as imagens e os cheiros daqui.
A gente lembra quando deita para dormir.
Ter um serial killer aqui no condado
era algo que ningu�m esperava.
O Condado de Hamilton � predominantemente republicano.
Muito conservador. Taxa de homic�dios baixa.
Temos dois ou tr�s assassinatos por ano. Homic�dios.
Somos uma comunidade-dormit�rio
para quem trabalha em Indian�polis.
A renda m�dia � bem alta.
Esta � a entrada da fazenda Fox Hollow.
FAZENDA FOX HOLLOW
Analisando a investiga��o inicial, nos anos 90,
na �poca do mandado de busca,
n�o est�vamos preparados
para lidar com uma investiga��o assim.
VER�O DE 2024
VER�O DE 1993
INDIAN�POLIS, INDIANA
Indian�polis nos anos 90
era uma cidade totalmente diferente de agora.
Era bem mais conservadora.
No fim do dia, �s 17h, o centro fechava.
As casas noturnas no centro eram boates gays.
BARMAN
E, claro, ningu�m falava sobre elas.
S� quem era gay conhecia os bares gays.
HOMOFOBIA � DOEN�A
Trabalhei em tr�s bares.
O que eu trabalho agora se chama Gregs. Se chamava Our Place na �poca.
O Our Place come�ou como um bar pequeno
e logo se tornou um ref�gio para comunidades gays.
Voc� via homens gays de todos os tipos.
Era um bar bem diverso na �poca.
A pista ficava lotada,
e acabou virando um bar gay famoso.
Naquela �poca,
bares gays eram o cora��o da comunidade gay.
Mas fora dos bares, a realidade que viv�amos na comunidade,
muita gente n�o estava feliz
por haver gente gay em Indian�polis.
For�ado a tolerar homossexuais
No in�cio dos anos 80, a pol�cia prendia pessoas
por vadiagem no Circle ou por prostitui��o masculina.
Coisas assim.
Fomos visados pela pol�cia e todo mundo na comunidade.
L�SBICAS, FIQUEM EM CASA
Por que est�o bravas?
N�o queremos eles aqui.
Mande os gays para casa.
Os bares gays eram o �nico lugar da cidade em que nos sent�amos seguros.
AGULHAS LIMPAS Verba para AIDS
Agora � tudo culpa da AIDS. Eu sei como acabar com ela.
� s� deixar de ser gay que a AIDS acaba.
Entre os anos 80 e in�cio dos 90, a crise da AIDS chegou a Indian�polis
e aterrorizou a maioria das pessoas.
Luta contra o tempo
Foi muito assustador. Ningu�m sabia o que era ou n�o seguro.
Aos 31 anos,
j� tinha perdido os meus amigos para o HIV e a AIDS.
Era o tipo de coisa que enfrent�vamos diariamente.
As pessoas est�o morrendo disso. Acorda, EUA. Fa�a alguma coisa agora.
As pessoas estavam bem uma semana,
mas em algumas semanas estavam doentes.
Ent�o, quando homens gays come�aram a desaparecer,
pensamos que fosse por isso.
Ver�o de 1993.
Falei com um detetive que eu conhecia.
Ele trabalhava em sequestros e disse:
"N�o temos nenhum caso."
UNIDADE DE DESAPARECIDOS
Come�amos a receber parentes ou amigos com cartazes dizendo:
"Voc�s viram esta pessoa?"
H� muitos desaparecimentos, mas a maioria � de pessoas que voltam.
Ent�o come�amos a perceber que eles n�o tinham morrido de AIDS.
Tinham desaparecido.
O volume de casos dificulta a investiga��o de todos.
VER�O DE 1993
VER�O DE 2023
Funer�ria
Estava olhando os classificados
e vi uma oferta de trabalho de transporte em um necrot�rio.
No come�o, eu desconfiei. Tem muitos golpistas por a�.
Eu pensei que fosse um golpe
e ia sacanear o golpista.
Mas o cara respondeu.
Chegamos a um local com pol�cia, legistas.
PRIMO DE ALLEN LIVINGSTON
Pensei: "Isso aqui � s�rio."
Ajudei a p�r o corpo em um saco.
Foi bem assustador.
O legista me pediu para pegar pelo bra�o e girar�
ajudar a girar para o lado. Eu disse: "Quer o qu�?"
Mas depois virou um trabalho normal.
Uma noite, eu estava com alguns legistas
conversando sobre casos arquivados.
Contei que meu primo, Allen Livingston, desapareceu em 1993.
Possivelmente o viram entrando em um carro no centro de Indian�polis.
Mas a fam�lia nunca teve respostas.
Lembro de perguntar � minha m�e: "O que houve com meu primo?"
E ela disse que sempre acreditou que ele foi assassinado.
Ele era engra�ado e amoroso.
M�E DE ALLEN LIVINGSTON
- Era alegre. - Carinhoso.
Ele devia ter me visitado no domingo, mas n�o veio.
E n�o ligou.
Minha m�e soube na hora que algo estava errado�
IRM� DE ALLEN LIVINGSTON
�porque ele ligava todo fim de semana.
N�o existia celular na �poca.
Sab�amos que tinha algo errado.
Allen era� Ele era um bob�o.
Ele tinha o esp�rito livre, era simples. Sempre feliz. Adorava estar com pessoas.
E ele era bem gay.
Do tipo que usa brincos grandes e camisas tie-dye.
Minha m�e � l�sbica. Fui criada assim.
Mas nos anos 90, � claro, eu sabia
que muita gente tinha problema com isso.
Quando ele sumiu, ela chamou a pol�cia
e registrou a ocorr�ncia.
A pol�cia disse: "Entraremos em contato nos pr�ximos meses."
Nunca tivemos not�cia.
Foi deixado de lado e esquecido.
Isso foi em agosto de 1993.
Sempre achei que, se fossem gays, a pol�cia ignorava.
Tenho certeza.
Era s� mais uma pessoa gay.
� o que eu acho.
Minha m�e nunca cancelou o telefone fixo.
O n�mero continua o mesmo,
porque ela esperava que o Allen ligasse.
Passam natais, anivers�rios. Nenhum de n�s perdeu a esperan�a.
Como n�o tem uma resposta, pode fingir que n�o � real.
Um tempo depois, mais pessoas desapareceram de vista.
Era uma coisa recorrente, por assim dizer.
As pessoas comentam na comunidade: "Est� acontecendo isso.
Esses caras est�o desaparecidos mesmo."
Precis�vamos descobrir o que acontecia.
DESAPARECIDOS
Em 1993, Johnny Bayer,
Jeffrey Allen Jones,
Richard Douglas Hamilton Junior, Manuel Resendez,
e Allen Livingston desapareceram.
Em 1994, mais tr�s homens desapareceram.
Steven Hale,
Allen Broussard e Roger Goodlet.
Em 1995, Michael Keirn desapareceu.
Em agosto de 1995, Jerry Williams-Comer desapareceu.
Mary Wilson era detetive na unidade de desaparecidos.
E perguntava �s pessoas se sabiam algo sobre esses casos
porque come�ou a ver um padr�o.
� dif�cil saber, no come�o,
se � apenas uma situa��o individual�
DETETIVE
�ou se est�o interligadas.
Esses homens tinham mais ou menos a mesma idade e o mesmo tamanho.
INDY GAY
O �ltimo lugar onde muitos foram vistos
era um dos bares gays.
Todos em uma �rea de 3km�.
A coisa estava t�o feia que muitos bares come�aram a alertar:
"Se for embora com algu�m que n�o conhece,
diga aos seus amigos com quem vai.
Avise a algu�m onde voc� estar�, porque pessoas est�o desaparecendo."
Muitos dos desaparecidos estavam � margem da sociedade.
As fam�lias os deserdaram porque descobriram que eram gays.
Essa era uma das quest�es.
Muitos casos demoraram a ser notificados
porque n�o tinha quem os notificasse.
Hoje em dia, pode entrar no Facebook
e ver o que encontra. Olhar os registros telef�nicos.
Isso n�o existia.
Acho que a pol�cia, no in�cio,
pensou que alguns tinham fugido
e n�o estavam desaparecidos.
Acho que n�o estavam interessados mesmo.
Levou anos para eles come�arem a se envolver nisso.
Eu n�o estava na pele dos detetives que trabalharam no caso.
Qualquer um que olhar para este caso com os olhos da pol�cia
ter� d�vidas.
A percep��o, a postura social.
S�o homens gays de Indian�polis.
E eles n�o batiam com o Condado de Hamilton.
Acho que, por causa disso,
a pol�cia pode ter visto e pensado:
"Temos que cuidar do nosso condado e da nossa gente."
Conforme a investiga��o avan�ava, dava para ver essa atitude crescendo.
N�o queriam falar com a pol�cia.
Cary Milligan, detetive
Havia um consenso entre a comunidade gay.
Eles n�o confiavam na pol�cia, sabe?
"A pol�cia vai trabalhar mesmo para n�s?"
Sim, respondemos. Eu disse:
"A vida privada deles�
EX-DETETIVE
�n�o � da minha conta.
Queremos garantir que sejam devolvidos �s suas fam�lias."
Em 1994, fam�lias de desaparecidos contrataram um detetive particular.
Ele recebeu uma pista que mudou o rumo do caso. Mark Goodyear.
Uma bebida?
�gua, sim.
T�.
Interrogat�rio de Mark Goodyear.
Nome completo, por favor.
Mark Anthony Goodyear.
INDIAN�POLIS, INDIANA
Mark disse que conheceu um cara chamado Brian em um bar gay
no centro de Indian�polis.
Brian convenceu Mark a ir at� a casa dele,
onde tinha uma piscina, um bar e coisas do tipo,
para continuar a festa l�.
Eles desceram at� o por�o onde ficava a piscina.
E tinha�
manequins ao redor da piscina.
Manequins atr�s do bar.
Parecia uma boate.
Sabia que havia algo estranho.
Eu n�o aceitaria uma bebida dele.
Ele tentou me fazer beber ou algo assim.
Ent�o eu fui ao banheiro com a bebida,
joguei fora, lavei o copo. Voltei com um copo d'�gua.
Eles nadaram e tiveram sexo consensual.
E depois asfixia er�tica.
Essa pr�tica consiste na priva��o do ar
a um parceiro sexual, levando a estado euf�rico
antes de ficar inconsciente.
Ele me mostrou como segurar o pesco�o
e como estrangul�-lo, a princ�pio,
enquanto ele se masturbava.
Ele teve um orgasmo.
Ele quis retribuir.
Eu n�o queria.
Eu n�o estava nem um pouco a fim.
Ele veio por tr�s de mim na superf�cie de concreto,
se abaixou com uma mangueira
e enrolou no meu pesco�o.
Acho que ele percebeu quando reagi r�pido
que eu n�o estava b�bado, nem tonto.
Segundo Goodyear, ele interrompeu e passou a noite l�.
Brian o levou de volta no dia seguinte.
Senti algo de errado.
Ele fez v�rias tentativas
com uma gravata, um cinto.
Ele era obcecado por estrangulamento.
Acredito que, se eu estivesse realmente embriagado,
ele teria ido mais longe comigo,
e me pareceu que n�o era a primeira vez.
Nem sei se � um assassino,
mas eu acredito que sim.
Homens gays continuam desaparecendo.
� medida que mais informa��es surgiam,
a ficha foi caindo aos poucos.
Era um serial killer.
Os casos de desaparecimento em Indian�polis come�aram
sem pistas ou suspeitos.
EX-PROMOTORA
Era uma das frustra��es.
Acho que as informa��es do Mark Goodyear
foram fundamentais para, pelo menos, fazer as coisas andarem.
Goodyear teve o encontro em 1994,
mas n�o conseguiu levar Mary Wilson at� a casa.
Tentamos achar o lugar.
Fomos umas tr�s vezes,
mas n�o conseguimos encontrar o local.
Ele n�o usou o nome verdadeiro.
Por um tempo, n�o sab�amos com quem tinha sido esse encontro
nem onde tinha sido.
Nada aconteceu de verdade
no sentido de identifica��o at� um ano depois.
Goodyear alertava as pessoas que tomassem cuidado com esse indiv�duo.
At� que um dos amigos dele viu uma pessoa que batia
com o que Goodyear dizia. E anotaram o n�mero da placa dele.
Placa 95
Com a placa em m�os,
Mary Wilson come�ou a investigar e identificou o dono do carro
como Herb Baumeister.
Herb Baumeister n�o estava na mira da pol�cia�
EX-PROMOTORA
�at� onde eu sei, naquele momento.
PROPRIEDADE PRIVADA N�O ULTRAPASSE
FAZENDA FOX HOLLOW
Herb Baumeister e a esposa Julie moravam
com os tr�s filhos na Fazenda Fox Hollow em Westfield, Indiana.
Olhando de fora, ele era um bom pai.
Acho que iam � igreja. Faziam coisas de fam�lia.
N�o jant�vamos � luz de velas
e n�o escap�vamos para fins de semana rom�nticos juntos.
ESPOSA DE HERBERT BAUMEISTER
Era um amor mais familiar.
N�o tinha nada fora do comum.
Ele tinha uma loja em Indian�polis
de itens usados, tipo um brech�.
Mary Wilson visitou Baumeister na loja
e perguntou sobre os desaparecidos.
Minha primeira impress�o do Sr. Baumeister
foi que era um homem bem estranho.
Ele estava muito nervoso.
Eu senti que ele estava no limite s� com a nossa presen�a.
Ele parecia estar prestes a desmoronar.
Era de se esperar. Ele tem esposa, filhos,
e disse que ningu�m da fam�lia sabia que ele frequentava bares gays.
Come�ou a ficar claro que ele levava uma vida dupla.
Ele ia � igreja com a fam�lia e se mostrar de um jeito.
Depois, ia para bares gays ficar com meninos, profissionais do sexo.
Sabemos que ele os levava para casa.
N�o sab�amos a gravidade,
mas ele, com certeza, tinha duas caras.
Ele esteve muitas vezes no nosso bar.
Nunca soube o nome dele.
Era bem comum na �poca usar um codinome.
Se voc� fosse abertamente gay, podia perder o emprego
e a fam�lia descobriria.
Se n�o fosse assumido, queria segredo.
Ent�o, usar codinome era bem comum.
Meu primeiro namorado me disse o codinome quando nos conhecemos.
Levei meses pra descobrir que n�o era o nome verdadeiro dele.
Mas isso era bem comum para as pessoas.
De vez em quando, Baumeister aparecia.
Ele n�o socializava. S� ficava meio escondido.
De vez em quando, ele ia falar com algu�m.
�s vezes, eu o observava, e parecia que ele se odiava.
Ele odiava o que era.
S� depois, quando tudo veio � tona,
entendi que eu o via regularmente
s� quando a esposa viajava, a� ele aparecia.
Rua Alabama
Vimos que a esposa viajou no ver�o quando ele apareceu.
Herb tinha a fazenda para si
enquanto a fam�lia estava fora.
� poss�vel que Herb estivesse envolvido
com os desaparecidos.
At� ent�o, era dif�cil saber. Mas valia a pena investigar.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
Quando apontaram Herb Baumeister como suspeito,
pediram permiss�o para fazer uma busca na propriedade�
EX-PROMOTORA
�porque n�o havia provas suficientes para um mandado de busca.
Mas Julie, a esposa de Baumeister, come�ou a suspeitar do marido.
Ela deu entrada no pedido de div�rcio. E Herb se mudou da fazenda.
Quando come�ou a pensar em se divorciar,
contou ao advogado algumas coisas
que viu durante o casamento com Herb Baumeister,
e ele viu que eram importantes o bastante para nos comunicar.
Consegui me encontrar com a Julie.
Ela me contou de alguns incidentes que a preocuparam.
Tinham acontecido dois anos antes, em 1994.
Eu estava l� embaixo e Eric saiu do meio do mato
com um amigo trazendo algo com uma vara
e bateu na janela. Ele disse: "Olha isso."
O filho dela estava brincando na mata com um amigo atr�s da fazenda.
Encontraram um cr�nio.
E levaram o cr�nio para casa para mostrar � Sra. Baumeister.
Encontrou algo incomum?
Achei um cr�nio.
N�s pegamos com uma vara, prendemos a�
e levamos para casa.
Entendi.
Mostramos para a m�e dele, mas ela n�o ligou muito.
Quando ele chegou, eu disse: "Herb, isso parece ser humano.
Tem que chamar a pol�cia."
Ele disse: "N�o chame a pol�cia."
Entregaram o cr�nio a�?
- N�o. - Ent�o ainda est� sumido?
Est�.
Estranho ela n�o ter denunciado na hora.
E denunciar agora. � meio estranho.
O Sr. Baumeister disse que devia ser de um esqueleto
que o pai dele tinha dado a ele.
O pai dele, sendo m�dico, tinha essas coisas.
Ele disse que era da �poca da faculdade de medicina do pai dele.
Sempre tem uns guaxinins na garagem.
Ele disse que algum animal tinha tirado o cr�nio de l�.
Essa foi a explica��o que ele deu para a esposa.
Tudo isso foi horr�vel para ela tamb�m.
S� de pensar que o marido pode ser uma pessoa
que talvez tenha matado uma pessoa, ou at� v�rias pessoas.
Acho que Julie n�o sabia muito.
Ela devia suspeitar, principalmente do esqueleto e do cr�nio.
Ou estava em nega��o. N�o queria acreditar.
N�o acho que ela tinha envolvimento.
Julie entendeu que isso era assunto para as autoridades.
Foi quando ela permitiu que fiz�ssemos uma busca no local.
JUNHO DE 1996
Juliana Baumeister com o advogado foram � pol�cia na segunda-feira
e os levaram a uma �rea onde,
em dezembro de 1994, ela viu poss�veis restos mortais.
Mas ainda n�o h� ind�cios que apontem para um crime.
Nossa equipe foi l�. Fizeram uma busca superficial na �rea.
E encontramos o que parecia ser fragmentos de ossos queimados.
Pareciam ossos humanos.
Por isso, precis�vamos de um especialista
na identifica��o de restos mortais.
E o Dr. Nawrocki foi chamado.
� bem a�.
Ele era antrop�logo forense de uma universidade de Indian�polis.
O Dr. Nawrocki chamou uma equipe, e foi a� que a busca come�ou de verdade.
Sou eu falando com os investigadores.
Este � o local da busca inicial, onde acharam os fragmentos de ossos.
E o Dr. Nawrocki est� organizando a �rea.
Temos algum saco depois do 220?
Ainda estamos no primeiro.
Eles numeravam os quadrados.
E foram olhando um por um.
Fizemos uma busca pela floresta e, enquanto eu andava,
olhei para baixo e vi o que parecia ser um p� articulado.
Havia ossos de um p� no ch�o.
E o que � esse bra�o aqui?
- Voc� olhou, doutor? - � uma f�bula.
Quando encontravam algo suspeito, colocavam uma bandeira.
Tinha muita bandeira.
Encontraram cartuchos de espingarda.
Algemas de dobradi�a.
No come�o, parecia uma raiz esquisita.
A ficha n�o caiu na hora.
E me deu um estalo. Falei: "Puta merda. S�o algemas."
Um osso do bra�o estava preso pela algema.
Foi surreal. Sabe, tipo cena de filme.
Perguntei ao Todd: "Isso � uma algema?"
Ele pegou e deu um sorriso.
"Veja a merda que achamos."
A fazenda Fox Hollow deixou de ser s� uma resid�ncia.
A floresta revelou mais ossos e mais corpos.
A �ltima descoberta apenas aumenta o mist�rio
sobre a identidade das v�timas.
A equipe de busca saiu perto das 16h30 de hoje.
Voltar�o na segunda para continuar a busca.
A busca durou duas semanas. Encontraram milhares de restos mortais.
Estava concentrado em tr�s lugares.
ANTROP�LOGO FORENSE
Um era bem atr�s da casa,
perto da floresta que chamamos de �rea um.
Os ossos da �rea um estavam quase todos queimados.
Queimar um corpo n�o o torna cinzas. Mas fragmenta os ossos.
Um pouco a oeste dali,
t�nhamos outra concentra��o, mais ou menos nesta �rea.
Esses tamb�m foram queimados.
E no lado oeste da propriedade ficava a �rea tr�s,
onde encontramos restos mortais que n�o foram queimados.
A coleta de provas nesse caso foi enorme.
Se esfor�aram para destruir os corpos.
Mas, at� onde eu sei, n�o encontraram cr�nios,
o que foi muito estranho.
Est�vamos concluindo a busca
quando dois jovens vieram da propriedade a oeste
da fazenda de Baumeister.
Um deles disse: "Tem�
Acho que h� provas do interesse de voc�s
naquele riacho ao lado da propriedade do Baumeister."
Ent�o pulei a cerca e fui at� o leito do riacho.
Nunca vi tantas ossadas em um s� lugar. Eram milhares.
Restos mortais espalhados por todo o leito do riacho.
Parecia um cemit�rio a c�u aberto.
Havia ossos por todo lado.
Costelas saindo pela margem. V�rtebras, c�ccix.
Ossos de quadril, de perna, de bra�o, de tudo.
Esqueletos que foram desmontados e jogados na margem.
Tem ossos da mand�bula. Mand�bula inferior com os dentes no ch�o.
E ossos inteiros.
N�o precisaram peneirar, era s� desenterrar.
Recolher do ch�o. Ficamos boquiabertos.
Quantas v�timas t�m aqui?
Quantos corpos temos aqui? Era uma quest�o enorme.
"N�o estamos nem perto de acabar aqui.
H� mais v�timas aqui. H� muito mais v�timas aqui."
Est�vamos achando v�rias provas de poss�veis homic�dios.
Herb tinha levado o filho para o chal� no lago em Wawasee.
Fiquei muito preocupada�
com a estabilidade do Herb.
E desesperada que nosso filho
estivesse com ele.
Ela queria que o levassem para casa.
Ela obteve uma ordem judicial, tirou Eric de Baumeister
e o levou de volta para a m�e.
Herb estava sozinho.
- Chegaram muito perto do Herb. - �.
Por que n�o o prenderam?
A promotoria achou que as provas eram insuficientes.
N�o informa��es o bastante para ir em frente e prend�-lo,
nem para traz�-lo para um interrogat�rio.
Como as linhas de investiga��o ainda estavam em desenvolvimento,
n�o chegamos a pedir um mandado.
Por que ele n�o o consideraram realmente um suspeito
assim que descobriram os restos mortais?
Se restos mortais fossem achados no meu quintal�
EX-JORNALISTA
�n�o me deixariam andar livre por a�.
Havia muita coisa errada.
Encontraram v�rios corpos na fazenda de um cara.
Um culpava o outro.
Por que n�o� Por que ele n�o foi preso?
Devido a falta de contingente na busca na fazenda e coisas do tipo.
Era dif�cil vigi�-lo. Ele n�o parecia�
Eles acharam que ele n�o parecia que iria fugir.
N�o acho que ele pensava em fugir at� levarem o Eric.
Quando come�amos a entender a dimens�o
do que tinha acontecido e a rela��o dele
com os corpos encontrados, j� n�o consegu�amos localiz�-lo.
Eu vivia perguntando por ele. Cad� o Herb? E ningu�m sabia.
Eles n�o sabiam. E eu n�o sabia.
S� me lembro de pensar: "Fa�a o que for preciso."
Temos que descobrir onde ele est�. Temos que encontr�-lo.
SE AFASTE ORDEM DO XERIFE
PROIBIDO ULTRAPASSAR
Durante uma semana,
cientistas e policiais escavaram mais de 150 ossos,
de fragmentos de cr�nio e ossos de perna at� um maxilar com os dentes intactos.
Neste momento, a estimativa � entre tr�s e cinco.
PROMOTORA
Pode ser que o rio tenha levado mais corpos.
Nesse momento da investiga��o, eu s� pensava:
"Temos que achar Herb." Fazer o que for preciso.
Ele era nosso �nico suspeito.
Estou preocupado. Como muitas pessoas aqui,
n�o � todo dia que acontece um crime, e isso � bem perturbador.
E bem no nosso quintal.
Todas as for�as policiais estavam l�. "Onde ele est� agora?"
SETE DIAS DEPOIS
Era madrugada.
Eu estava em casa�
e o telefone tocou.
Era o Departamento do Xerife.
Eles me informaram que o Baumeister tinha se matado no Canad�.
Propriet�rio comete suic�dio
Um tiro autoinfligido
atirou na pr�pria testa
Pensei "tomara que tenha confessado".
Recebi uma liga��o bem cedo no dia da independ�ncia,
dizendo "v� ao Canad�."
Pensei: "�timo. L� se vai meu feriado."
Mas � assim que crimes acontecem.
LONDON, ONT�RIO
Herb j� estava no necrot�rio,
e a necr�psia estava marcada para o dia seguinte.
Falamos com as autoridades canadenses,
e nos disseram que, no dia anterior,
abordaram o Herb porque ele estava dormindo no carro.
E viram fitas no banco do carro.
Quando soubemos disso, ficamos ansiosos,
pensando que talvez gravasse os crimes.
Mas tudo o que viram no carro
j� tinha sumido quando chegamos.
A carta de suic�dio fala de casamento, n�o de ossos
N�o lembro das palavras exatas na carta.
Mas sei que ele falou sobre problemas na loja,
sandu�che de pasta de amendoim.
S� coisas estranhas,
mas ele nunca admitiu nada sobre desaparecimentos ou as atividades,
nem se desculpou por nada.
N�o teve nem a dec�ncia de se desculpar com uma das v�timas
na carta de suic�dio. Ele se achava a v�tima.
Eu sabia que seria uma situa��o
em que muitas perguntas ficariam sem resposta.
Herb Baumeister levou os segredos com ele.
Suic�dio deixa d�vidas sobre ossos
A carta n�o fala sobre os restos mortais.
Quando� H� tanto que pode fazer quando voc�
ou se est� motivado,
quando tem algu�m que pode realmente processar.
N�o � que tenhamos parado de tentar encontrar respostas,
mas era limitante saber que n�o haveria uma acusa��o.
Acho que a pol�cia tinha certeza de que Herb Baumeister fez isso.
E ele morreu.
Fim de jogo.
O que fez com o jornal?
- � um artigo longo. - Um artigo enorme.
IRM� DE ALLEN LIVINGSTON
Ainda n�o tinha visto.
� uma not�cia de 24 de novembro de 1996.
E tem a foto do meu irm�o. E mais cinco pessoas.
Quando disseram que encontraram corpos em Fox Hollow,
acho que n�o ligamos os pontos imediatamente.
Mas a not�cia dizia que havia uma liga��o
entre o desaparecimento de Allen e outros.
Diz: "Pol�cia acredita que os homens t�m rela��o
com Herbert Baumeister.
Piscina do centro de atividade.
Quando os Baumeisters moravam l�,
a piscina era cercada por manequins masculinos."
Isso n�o te fez perceber que seu marido era estranho?
� frustrante.
V�rios seguem desaparecidos.
Pol�cia conclui investiga��o de 9 mortes
Mas n�o queriam gastar verba
porque todos eram gays.
Foi uma grande surpresa e um choque.
ADVOGADO
Se h� alguma v�tima nessa hist�ria,
� a esposa e a fam�lia dele.
POL�CIA DE INDIAN�POLIS
O caso chegou num beco sem sa�da.
Sab�amos que Allen estava l�, mas n�o havia provas.
Tudo bem.
Eu sabia que aquele homem tinha assassinado ele.
M�E DE ALLEN
Eu sabia onde ele estava.
No fundo, eu sabia.
Minha tia Sharon tem um buraco na fam�lia h� 30 anos.
H� dois anos, a tia Sharon foi diagnosticada com c�ncer.
PRIMO DE ALLEN LIVINGSTON
Acharam uma mancha no c�rebro dela.
Queria levar o filho dela para casa de qualquer jeito antes que ela morresse.
CONDADO DE HAMILTON
Foi quando decidi contatar o legista do Condado de Hamilton.
Disse que meu primo � uma poss�vel v�tima�
Legista
�e queria respostas, custe o que custar.
No necrot�rio, recebemos todo tipo de liga��o.
Damos aten��o a todas elas.
Mas, por algum motivo, essa liga��o me marcou mais.
Eric me contou o que sabia do primo e das v�timas de Fox Hollow.
Ele s� queria analisar essa possibilidade.
Tentar trazer respostas para a tia dele.
Na �poca, eu n�o fazia ideia do que estava para acontecer.
Eu era como a maioria em Hamilton.
Eu sabia que tinha acontecido.
Mas n�o tinha no��o do que realmente tinha acontecido l�.
Concordei em ajudar o Eric.
Come�amos procurando os restos mortais.
Uma das minhas primeiras liga��es foi para um ex-legista.
Ele me contou que os restos mortais estavam na Universidade de Indian�polis.
Eles t�m um laborat�rio para preservar os restos mortais.
Ent�o, liguei para a universidade.
CENTRO DE IDENTIFICA��O HUMANA
Perguntei: "O que temos aqui?"
E ela disse: "Temos dez mil fragmentos de ossos."
E eu disse: "Mil?"
Ela disse: "N�o, dez mil."
Para ter uma no��o,
este � o segundo maior volume no pa�s
de restos mortais n�o identificados.
O maior � o World Trade Center.
Na minha cabe�a, eu pensei:
"Onde eu fui me meter?"
Autoridades trabalham para identificar restos mortais
de dezenas de pessoas encontradas em fazenda de serial killer.
Resolvi ajudar.
Me dispus a levar a investiga��o a p�blico para tentar identificar as v�timas.
Legista procura DNA
Se souber de algum desaparecido, por favor, nos avise.
Vamos coletar o DNA.
Vamos colocar no banco de dados de desaparecidos.
N�o ser�o Esquecidos
Logo ap�s anunciar a investiga��o,
um ex-vereador do condado entrou em contato comigo,
ele era vereador durante a investiga��o inicial.
A mensagem de texto dizia:
"Jeff, acabei de ver a hist�ria
sobre reabrir o caso Baumeister.
O que aconteceu para voc� querer onerar tanto o condado
e gastar recursos humanos de tanta for�a policial?"
DNA custa US$ 14 mil Caso busca identificar 3 v�timas
Ap�s o suic�dio do Baumeister,
tomaram uma decis�o:
sem verba para testes.
E que se familiares ou entes queridos de desaparecidos
quisessem saber se os parentes foram v�timas de homic�dio,
eles que bancassem.
N�o podia aceitar isso.
Esses restos s�o pessoas.
Essas v�timas foram esquecidas.
Temos uma obriga��o moral e �tica.
N�o vou deixar que continuem esquecidos.
Quando a pol�cia me informou que havia um resultado,
perguntei: "Quem?"
Legista
"Allen Livingston."
Primo de Eric Pranger.
Falei: "Est� brincando comigo. N�o pode ser."
Os restos mortais dele ficaram numa sacola numa sala de aula do campus
por 30 anos.
BIOLOGIA HUMANA
O engra�ado � que eu fiz a liga��o e,
dos dez mil restos mortais, ele foi o primeiro identificado.
O que voc� acha disso?
Como se ele estivesse agradecendo.
Eu n�o conhe�o 99% das pessoas que cremo.
Mas eu cremei o Allen.
Mas foi bom fazer isso e poder lev�-lo para casa.
Eric o trouxe, me entregou
e pude ficar com meu filho.
� uma parte dele, mas para mim, � tudo,
porque sei que ele est� ali.
Identificar essas v�timas � importante.
Cada pessoa tem uma hist�ria.
Cada uma � uma pe�a do quebra-cabe�a.
Desde o momento em que recebemos a confirma��o,
um dos coisas que me veio � cabe�a foi o que eu fa�o da vida.
Sei o peso de um cad�ver.
E para lidar com tantos corpos sozinho,
me parece loucura.
Como ele pega um cad�ver,
tira de dentro da piscina
e carrega por metros em uma mata t�o densa?
N�o � f�cil assim.
N�o sei o quanto a pol�cia investigou outros suspeitos
ou potenciais c�mplices.
Faz voc� se perguntar: "Achamos todas as v�timas?"
E havia mais algu�m envolvido?
H� mais de dez mil restos mortais recuperados da fazenda Fox Hollow.
Fica o questionamento:
"Como ele conseguiu fazer tudo isso sozinho?"
Tem mais de um.
E eles se conhecem.
Enquanto continuarem soltos, n�s vamos morrer.
Tem alguma coisa errada.
Se tivesse feito o que a pol�cia alega,
teria sido dif�cil para ele fazer sozinho.
N�o engulo essa hist�ria.
Legendas: Juliana Pav�o
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