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Original subtitles

Legendas: Gerigato julho/2013

A HIST�RIA DE ARTURO SANDOVAL

Atenas, Gr�cia

19 anos mais tarde

Senhoras e senhores, muito boa noite.

Bem vindos ao nosso espet�culo.

Fomos contemplados, esta noite...

com a felicidade plural...

dum conglomerado de cubanos...

sobre este mesmo palco.

Temos...

Paquito D'Rivera!

Temos Ignacio Berroa!

E ...

o meu mais novo...

filho cubano...

Arturo Sandoval.

Aqui presente com a especial permiss�o do governo cubano.

Gostaria de dizer uma coisa.

Desde os tempos em que era ainda um menino e...

e desde a primeira vez que ouvi a sua m�sica...

sonhei poder tocar com o "maestro" Dizzy Gillespie.

Por isso, para mim, neste momento, a vida � realmente um sonho.

Mari, sou eu, Arturo.

Arturo, onde est�?

Em Atenas.

- Voc� est� bem? - Sim.

Mari, voc� est� em Londres, � a nossa oportunidade.

Estamos quase l�. Est� tudo combinado.

Esta noite?

Chego � It�lia amanh�.

Tenha cuidado.

Voltarei a ligar quando chegar l�.

Diga a eles que n�o quero daquele queijo gordo.

- Percebeu? "N�o gordo." - Fique descansado.

N�o v� embora.

Arturo, o que se passa?

R�pido, me d� um cigarro.

A minha mulher e o meu filho est�o em Londres.

Est�o onde?

N�o vamos regressar.

Ainda n�o est� feito.

Est� bem. N�o se preocupe.

N�s o tiraremos.

Vamos, Arturo. J� liguei para a embaixada dos Estados Unidos.

Est�o � nossa espera.

O que se passa?

Ainda tenho fam�lia em Cuba, Diz.

Quando voc� deserta, o governo castiga aqueles que ama e deixa para tr�s.

E tem certeza que quer fazer isto?

Passei toda a minha vida numa pris�o.

A liberdade � uma coisa assustadora, mas...

tenho que bater as asas.

Muito bem, ent�o, vamos l�.

- A embaixada est� fechada. - Ent�o � bom que a abra.

Trata-se de um incidente internacional. Este meu amigo cubano...

- A embaixada est� fechada, senhor. - Para mim, n�o. Sou Dizzy Gillespie.

- Abra o port�o, Sargento. - Sim, senhor.

� uma honra conhec�-lo, recebemos a sua chamada.

Voc� deve ser Arturo Sandoval.

Sim, � o segundo melhor trompetista do mundo.

Deveria ter algu�m...

- Aqui est� voc�. - Boa noite, cavalheiros.

Ser� melhor dizer, bom dia.

Sou Michael Tasker. Um grande admirador seu, senhor Gillespie.

Obrigado. Este � Arturo...

Arturo Sandoval, sim, pedido de asilo pol�tico.

Quanto � que vai demorar?

A burocracia n�o tem fronteiras. � um fato da vida em todo lugar.

- Se fizer o favor... - Isto � a Embaixada Americana.

Tenho certeza que h� torta de ma�� em algum lugar por a�.

Acho que se arranja qualquer coisa.

- Ficar� bem. - Obrigado, Diz.

Bom proveito. Por aqui.

O senhor Gillespie � uma das poucas pessoas...

capaz de fazer abrir este lugar, a meio da noite.

Sente-se. Eu j� venho.

Obrigado.

Caf�?

Sim, obrigado.

Tenho medo.

Confie em mim.

Acho que lhe devo explicar...

que h� certos requisitos a verificar antes de lhe podermos garantir asilo.

O indiv�duo deve provar que n�o pode regressar...

ao seu pa�s com medo de ser perseguido.

Compreendo. � por isso que estou aqui.

Tem integrado a turn� da United Nation Band do Sr. Gillespie.

- Est� com a sua fam�lia? - N�o.

A minha esposa e o meu filho est�o � minha espera em Londres.

Tamb�m procura asilo pol�tico para eles?

Sim.

H� algum problema?

Preciso apenas de algumas informa��es.

Muito bem.

H� quantos anos � m�sico?

Desde os seis anos.

Ensinei meu gato a andar na corda bamba enquanto tocava bang�s.

Era quase um n�mero de circo.

E estudou num conservat�rio estatal?

Sim.

Recebeu forma��o cl�ssica?

Sim.

Diz aqui que foi membro da Academia Cubana de M�sica.

Est� correto?

Sim.

� alguma institui��o governamental?

Sim.

O seu primeiro trabalho... O que � isto? "Orquestra..."

Orquestra Cubana de M�sica Moderna.

- Financiada tamb�m pelo governo? - Sim, claro.

Se n�o fosse do governo, n�o existiria.

Deve estar me escapando qualquer coisa, porque, segundo estas informa��es,

d� ideia que o governo o tem tratado bastante bem.

T�m-no apoiado como m�sico.

Sim.

Sim, desde que fizesse o que eles queriam.

Circo Estatal de Moscou Havana - 1973

Isto � que �!

Era isto que dev�amos estar tocando.

Eu sei! Formar uma banda e ir � procura da liberdade.

- N�o mudou nada. - Para qu�?

Est� bem, com muito bom aspecto. Mesmo sem o cabelo, fica bem.

- Que se passa? - Nada.

Entrem, rapazes. Descontraiam-se, por favor, sentem-se.

N�o me queimem o sof�.

Jaime, porque estamos aqu�? Para que � esta reuni�o?

O companheiro Somavilla aqui me chamou a aten��o para um assunto.

Apenas disse ao Jaime que...

voc�s queriam formar a sua pr�pria banda.

A sua pr�pria banda. � uma boa ideia.

� uma pena que n�o possamos fazer isto.

Cavalheiros.

Sou um artista como voc�s.

Compreendo a necessidade de invocar a musa.

Mas, como cubanos, devemos mostrar-nos unidos.

Politicamente e musicalmente.

Destruir a orquestra n�o � do nosso interesse...

N�o.

N�o queremos destruir nada.

S� a melhor banda de Cuba, apenas isso.

H� espa�o para outra grande banda em Cuba.

Em outra hora estaria de acordo, mas atravessamos tempos de escassez.

Exatamente. Ali�s...

N�o vejo porque n�o podem tocar aquilo de que gostam na orquestra.

Na orquestra tocamos aquilo que "voc�s" querem.

Precisamos inovar.

Voc�s n�o querem inovar.

N�o querem tocar a nossa m�sica. Querem tocar a m�sica "deles".

- A m�sica do inimigo. - Qual � a m�sica do inimigo?

J� chega!

Os nossos camaradas est�o morrendo em Angola.

Voc�s s� pensam na sua m�sica.

S� pensam em voc�s! N�o h� tempo para isso.

H� limites!

H� limites!

- Deixe de olhar para os cowboys. - Nunca vi esse filme.

N�o quero saber, estamos jogando domin�.

- Est� com aten��o no jogo! - Outro caf�, por favor.

Espera a�, n�o � a sua vez.

Gracias, Mama.

O seu caf� � como um beijo de bom dia.

Cirita bonita, tan bella y sabrosita.

Gracias.

Sabe, � como se tivesse sido filtrado umas quatro vezes.

Querem jogar, rapazes?

Talvez mais tarde, papi.

Isto n�o vai a lugar nenhum.

Ouviu o Jaime?

Impedem que nos reunamos. Tiram-nos o equipamento.

Nunca o conseguir�o fazer.

Seremos t�o bons que ser�o for�ados a nos apoiar.

Como � que conseguir� que apoiem uma banda de jazz?

Nunca chame de "jazz". Nunca use essa palavra.

Ir�o sab�-lo. V�o ouvi-la.

Estes caras n�o s�o m�sicos. S�o burocratas.

Voc� � cubano, eu sou cubano. O Chucho � cubano.

Seja o que for que toquemos ser� m�sica cubana.

Vamos precisar de uma camuflagem, sabe?

Congas.

Das maiores.

- Ser� a vanguarda! - A vanguarda!

Chamar-nos-emos "Irakere".

Uma palavra africana que significa "selva".

Toc�vamos jazz...

mas emprestando-lhe o nosso pr�prio estilo.

Um momento, desculpe.

Eles n�o os impediram.

E esta banda foi um �xito.

Sim.

A nossa camuflagem funcionou.

Fizeram diversas toun�es.

Gravaram um disco para a CBS.

Chegaram a ganhar um Grammy.

Parece que o governo n�o se importou com o que estavam tocando.

Decidiram n�o reparar porque os faz�amos ganhar muito dinheiro.

Imagino que tamb�m tenha feito muito dinheiro para voc�.

N�o � assim que funciona.

Os clubes pagam diretamente, ao Minist�rio da Cultura.

N�s apenas ganh�vamos para comer.

Sabe que pode ganhar muito mais se n�o estiver em Cuba.

N�o me interessa o dinheiro.

O que me interessa � a m�sica.

Deixaram-no tocar a m�sica que queria.

Jazz americano e Gershwin e Ellington...

Corre-se sempre um risco porque, em Cuba, nunca se sabe at� onde se pode ir.

Pode acontecer que se toque Gershwin demasiadas vezes.

N�o poder tocar Gershwin n�o constitui persegui��o.

S� o � se eles decidirem que � anti-revolucion�rio e nos prendem.

Em Cuba vive-se com esse receio todos os dias.

Podem vir ter conosco, � nossa casa, � nossa fam�lia...

e magoar algu�m por causa de uma m�sica.

Apenas por uma m�sica

E isso � persegui��o.

Se o afetava assim tanto...

porque n�o fugiu antes?

Estive para faz�-lo. Tinha tudo planejado.

Mas ficou.

Vamos!

A vida, �s vezes, faz seus pr�prios planos.

Vamos!

Anda!

V� l�, anda!

Estou aqui, vamos. O �nibus j� vem a�!

Vamos, est� esperando o qu�?

Se n�o pegar este, ter� que esperar v�rias horas!

- Estou com ele. - Vamos!

Estive aqui sempre � sua espera.

Ela est� comigo.

� o amor da minha vida.

Agora, como se chama?

"Marianela, Marianela

"Marianela

"Quando ela passa

"Todos os �nibus t�m que parar

"E quando ela ri

"Tem que chorar"

O que se passa?

A minha m�e morreu...

faz uma semana.

Lamento.

A sua m�e tinha alguma coisa contra o riso?

- Onde vai? - Des�o aqui.

S�rio? Eu tamb�m.

Que coincid�ncia.

Quero te olhar antes de ir embora.

Para qu�, se vai embora?

Porque tem que haver uma raz�o?

Quando acaba a sua turn�?

Daqui a um m�s.

Vamos jantar juntos.

Ligue-me quando voltar.

� muito tempo, preciso ver voc� antes de ir.

Qual � a pressa?

Receio que se esque�a de mim.

� pouco prov�vel.

MINIST�RIO CUBANO DO COM�RCIO

Desculpe, voc� trabalha aqui, no Minist�rio do Com�rcio Externo?

Sim.

N�o me diga que voc� tamb�m trabalha aqui.

N�o.

N�o me parece.

H� algum problema?

Nada.

"Marianela, Marianela

"Marianela"

Volto a te ver antes de ir!

� um aviso!

Estas s�o as compras da Alemanha Oriental.

Ela vendeu tudo?

E partiu.

Para Miami?

Os dois meninos, a m�e, o pai e a av�, numa balsa.

Estamos falando da Cuca.

Que aconteceu � Cuca?

Partiram de Cojimar h� duas semanas, por volta das tr�s da manh�!

- A fam�lia toda? - Sim.

A fam�lia toda, at� o c�o.

- O c�o? - Ainda bem que fugiu.

N�o fugiu. Rendeu-se.

Rendeu-se porque a situa��o ficou dif�cil.

Queria ir fazer compras em Miami.

Comprou tudo que p�de em Havana.

Al�?

Posso falar com a Marianela, por favor?

Marianela, � para voc�.

Quem �?

- Marianela? - Sim.

- Arturo. - Quem?

Arturo Sandoval.

N�o se lembra de mim?

Claro que me lembro. Foi h� menos de uma hora.

Ou�a, gosta de baseball?

Se gosto de baseball?

Que est� fazendo aqui?

� aqui que ensaio.

Gosto de vir aqui porque a m�sica...

O que toco volta para mim como uma onda.

O que estava tocando?

Uma coisa que acabei de escrever.

Como � que se chama?

Marianela.

S�rio.

Coloque sua m�o sobre o meu cora��o.

Aqui.

� bonito.

Bonito.

Como � que ela se chama?

Marianela.

- Onde � que mora? - N�o tem nada com isso.

Era a gar�onete que tent�vamos conquistar...

Que voc� tentava conquistar.

Marianela trabalha para o governo.

Para o governo?

Acha que estou louco?

Acho que est� apaixonado e isso � perigoso.

Est� falando de qu�?

Sabe que quero sair. N�o posso levar minha fam�lia.

Voc� � livre. Pode entrar no avi�o e nunca mais voltar.

Se tiver compromissos, est� amarrado.

N�o complique sua vida, irm�o. Est� bem?

A� vem ela.

O que � que acha?

� pior do que imaginava.

Tenha cuidado. Sabe como �.

Arranjam uma espi� disfar�ada de mulher dos seus sonhos.

Deve ser uma tremenda tenta��o para voc�.

O qu�?

Viajar por todos esses pa�ses.

Bons carros, roupas bonitas.

Alguma vez pensou em sair do avi�o e n�o regressar?

Sabe Arturo...

voc� teria saudades de Cuba.

Sentiria a falta deste cheiro, o a��car que h� em tudo.

Teria saudades do baseball.

Sentiria a falta da nossa m�sica.

Ainda estou sentado aqui.

N�o percebo porque h� gente fugindo de Cuba.

Especialmente voc�, que tanto se beneficiou da revolu��o.

Marianela.

O meu talento vem de Deus, n�o de Fidel.

Tenho a palavra "desertor" escrita na testa?

Mas do que � que estamos falando?

Fica assim nervoso no palco?

S� nas audi��es.

Como � que est�?

Ainda estou sentada aqui.

Espere!

Espere!

Esta � a Marianela!

Quando ela passa, os �nibus param.

Era o �ltimo �nibus.

O �nico �nibus.

Est� bem.

O que vai fazer?

N�o sei.

Poderia ficar no apartamento da minha amiga.

Deveria ligar para casa.

Foi um dia fabuloso.

Sim.

- Obrigado. - N�o tem de qu�.

Boa noite.

Eu te acompanho. Vamos.

N�o, est� bem...

Est� bem? Muito bem, ent�o. Vamos l�.

Vamos.

Eu te protegerei.

Tamb�m j� fui casada.

Foi um erro. O marido, n�o o filho.

- Tem um filho? - Sim, tem oito anos.

- Oito? - Eu era muito nova.

Demasiado nova.

Ela vive aqui?

N�o falta tudo, mais.

Emilia?

Emi?

Deve ter ficado na casa do Coronel.

- Do Coronel? - Sim.

Est� noiva de um Coronel?

Sim.

Obrigada pelo passeio.

Boa noite.

Mari.

Parte mesmo amanh�?

Foi o que te disse, sim.

Promete-me que n�o volta?

N�o estou entendendo. Est� falando de qu�?

Prometa-me que n�o voltar� e passarei esta noite com voc�.

Porqu�?

Porque...

receio que me apaixone por voc�.

N�o vai dar certo.

- Somos demasiado diferentes. - A diferen�a � boa.

Prometa-me que esta ser� a nossa �nica noite.

N�o entendo voc�.

Se o prometer, ficar� comigo esta noite?

- Prometo. - Estou falando s�rio.

Prometa-me.

Prometo.

Vou j�!

Cheira bem!

Vamos, Willis.

Ol� a todos, aqui � Willis Canover trazendo o jazz da "Voz da Am�rica".

Sim, vamos, Willis.

O que � que est� ouvindo?

"Dizzy's Atmosphere", Dizzy Gillespie.

"Charlie Parker ao vivo no Carnegie Hall", 1947.

Lado B, segunda faixa.

Sabe a que me refiro.

� apenas m�sica.

M�sica fabulosa.

N�o � suposto ouvir essa esta��o.

Agora n�o h� problema.

N�o tem piada nenhuma.

Pode arranjar problemas.

Acredite em mim, sei o que digo.

Passei quatro meses na pris�o militar por ouvir disto.

Acho que adquiri o direito.

Est� na hora de ir embora.

Voc� tem a sua turn� e eu o meu trabalho.

O que � que est� fazendo?

O que � que est� fazendo?

Memorizando o seu rosto.

Acorde!

Vamos?

O que foi?

Diga-me uma coisa... O Coronel sabe dan�ar?

Por favor.

Voc� o ama?

Ay, chica.

Vamos, vamos sair.

Estou aqui.

Eu te vejo amanh�.

Prometeu que n�o voltava.

� a �ltima promessa que quebro em rela��o a voc�.

- N�o era uma informante? - Claro que n�o.

- Mas trabalhava para o governo? - Sim.

Ela ainda � membro do partido comunista?

Sim.

� um membro ativo?

N�o mais.

Agora ela v� as coisas de forma totalmente diferente.

� conveniente, agora que procura asilo.

"Conveniente."

Parece que as ideias pol�ticas dela n�o o incomodavam.

Nunca disse isso.

T�nhamos muitas diverg�ncias a n�vel pol�tico.

Tinham diverg�ncias?

Afirma que estavam nos extremos opostos do espectro pol�tico.

Como podem duas pessoas t�o diferentes permanecer juntas?

Papi, Leonel, este � o Arturo.

Mucho gusto, Se�or Sosa.

Leonel.

Diga ol� ao Arturo.

Desculpe, volto j�.

Mas o que tem ele de t�o especial?

� engra�ado.

Ele me faz sentir bem.

Voc� � o m�sico.

Trompetista.

Trompetista.

O Sr. Tocador de Trompete.

Posso saber quais s�o as suas inten��es em rela��o � minha filha?

Quero casar-me com ela.

Quero ter um filho com ela e passar o resto da minha vida a seu lado.

Ela nunca me falou disso.

Ainda n�o lhe pedi.

Se�or Sosa, com o devido respeito...

sei o que est� pensando quando olha para mim.

Sou um m�sico, ela � sua filha...

Suponho que gostaria de mudar-se para minha casa.

Sim, por pouco tempo.

Trouxe-lhe uma coisa.

� sabonete de Londres.

Fique com ele.

- Conhece o F�lix Chapot�n? - � claro.

Estava apreciando os seus gostos musicais.

Era um verdadeiro trompetista.

Gosta de baseball?

Talvez possamos ir ver a minha equipe favorita, Los Industriales.

Est� tentando fazer com que eu goste de voc�?

Como estou me saindo?

N�o muito bem?

Tentemos um suborno.

Um sanduiche?

N�o?

� de per�.

Sanduiche de per�.

Quando foi a �ltima vez que comeu um?

Nunca comi. Onde � que arranjou?

Ali.

Isso n�o � per�.

- Ent�o � o qu�? - � abutre.

Abutre?

N�o, n�o �. � per� do para�so.

M�s not�cias.

Conhece-o?

Quem � que n�o o conhece?

Pertence ao partido?

Acho que n�o pertence a nada.

Pertence a um outro mundo, a um outro modo de pensar.

N�o te compreendo. Nem eu nem ningu�m.

Tem uma boa posi��o aqui, uma reputa��o excelente.

Por que vai coloc�-la em perigo?

Sou suficientemente crescida para saber o que fa�o.

Ainda nem sequer tem a idade da primeira mulher dele.

Conhece-a?

Alba Marina.

Alba Marina, a cantora?

Querida, o que mais n�o sabe do homem com quem vai se casar?

Ouvimos o que eles querem que ou�amos.

Tocamos o que querem que toquemos.

Sabe o que � que nos falta?

Miles Davis.

Charles Mingus, Maynard Ferguson.

Enquanto o resto do mundo pinta com arco-�ris, n�s pintamos s� com uma cor.

Eu? Eu vou sair daqui.

E a sua fam�lia?

Arranjarei maneira de os retirar.

Olhe.

Estou farto e cansado destes malditos jogos!

Tenha cuidado.

Todo mundo em Cuba tem ouvido e n�o � s� para a m�sica.

Onde � que voc� esteve?

- O que se passa? - Vem algu�m atr�s de mim.

O qu�?

Tem algu�m me seguindo.

N�o devia estar sendo seguido.

Espera a�...

Voc� o conhece?

- � um dos amigos da Emilia. - Em�lia?

Deveria estar apenas fazendo algumas perguntas.

Tem andado fazendo umas investiga��es.

- O qu�? - Acerca de voc�.

Acerca de mim? Porqu�?

Porque eu o pedi.

- Voc� o pediu? - Sim.

Se quer saber algo sobre mim, porque n�o me pergunta?

Porque n�o sei se posso confiar em voc�.

N�o confia em mim? Eu lhe disse tudo.

N�o � verdade.

Nunca me falou da Alba Marina.

- Disse-lhe que fui casado! - N�o com a Alba Marina.

Que diferen�a faz? Tem d�vida que te amo?

Ou�a, Arturo.

J� fui abandonada por um marido.

Abandonou-a e ao seu filho.

Sim, e n�o quero passar por isso outra vez!

N�o me compare com ele!

V� para casa.

Sente-se bem?

N�o vai ter um ataque card�aco, certo?

Voc� me pregou um grande susto.

J� estou melhor.

Deixe de me seguir.

N�o volto a vir aqui.

Formam um casal t�o bonito.

Obrigado.

- Consegue ir para casa? - N�o posso ir para casa.

Porqu�?

Porque a minha mulher me p�s na rua.

J� conhece aquela do Jardim Zool�gico do Fidel?

N�o.

Em 1960, tinha uma placa dizendo:

"N�o alimente os animais."

Em 1970, substitu�ram-na por outra que dizia:

"N�o coma os alimentos dos animais."

Ontem, trocaram-na outra vez por uma que diz:

"N�o coma os animais."

N�o tem gra�a?

- Voc� � um comediante. - N�o.

Sou ortopedista.

N�o ria, � verdade!

Sim, cirurgi�o de ossos.

Sou eu.

� uma honra. Um especialista. Sinto-me honrado, doutor.

� um fato que o grande neg�cio est� nos t�xis.

Tenho um primo que dirige um e ganha muito dinheiro.

Eu o apoio. Isso � muito importante.

Tamb�m � m�dico?

N�o ria...

� f�sico!

Temos os taxistas mais instru�dos do mundo!

Como � que me encontrou?

O m�dico me trouxe.

O xale � bonito.

Devia ter perguntado sobre a Alba.

- Vim aqui... - Ainda n�o acabei.

- Arturo... - Ainda n�o acabei.

O que � que quer dizer?

N�o sei.

O que sinto por voc�...

nunca tinha sentido antes.

N�o sei como deve sentir. Desconfio disto.

E se dissesse que te amo? Apenas porque te amo.

Sem raz�es, simplesmente te amo.

Eu te amei desde o primeiro momento em que te vi.

Agora est� aqui comigo e eu te amo. Eu te amo.

Poderia colocar cem homens me seguindo.

Tudo que eles descobririam seria que eu te amo.

Eu te amo.

Confia em mim?

Ay, hijo m�o.

Encontrou uma boa esposa e ser� um grande pai.

- E um grande marido. - Gracias.

Um grande pai, um grande marido, mas um p�ssimo jogador de domin�.

Isso soa a casamento!

Ay, chica.

- Est� fabulosa. - Obrigada.

Onde est� todo mundo?

Oye, oye! N�o posso beijar o noivo?

- Uma vez. - Vamos!

Passem bem!

Obrigado.

Comporte-se bem com ela, ou terei que falar com o Coronel.

- Prometo. - Muito bem.

Prometo.

Sabe, a Rosalina est� com enxaqueca. Pobre menina.

E o Yami?

- Na tropa. - E o resto?

Estou aqui. Eu vim, n�o?

Desculpe, tenho que ir embora.

� esse o Coronel?

Convide-o, diga-lhe que � bem vindo.

Pe�o desculpa, mas tenho mesmo que ir.

Est� com um aspecto maravilhoso.

Pareces uma virgem.

Muito bem, j� vou!

O que se passa?

N�o vieram.

Quem?

Os meus amigos.

Nenhum deles est� aqui.

Se n�o vieram, n�o s�o seus amigos.

Quem � que vem?

Dizzy! Dizzy Gillespie!

Que tipo de nome � Dizzy?

O dele.

Est� mesmo esperando que eu coloque esta coisa andando?

- Voc� � o melhor. - Ele � melhor que o melhor.

N�o sou assim t�o bom.

Desista.

A roda � do tamanho errado.

� redonda.

Como est�?

Bem vindo a Cuba, se�or Gillespie.

Bem vindo � bela Havana.

Sr. Gillespie, a primeira coisa que vamos fazer ser� uma visita...

a um dos nossos mundialmente famosos centros de sa�de.

Obrigado, mas a minha sa�de n�o precisa de cuidados.

Pode me levar � cabana do Chano Pozo?

Cabana do Chano Pozo?!

N�o conhece o Chano?

Eu conhe�o o Chano!

Isto n�o tem nada a ver com voc�!

N�o, espere um momento.

Pode me levar � cabana dele?

� cabana dele?

Sim, claro.

Sr. Gillespie, temos uma visita. O seu dia est� todo programado.

Tudo bem, muito obrigado.

Os meus rapazes o acompanham.

V�o com eles, divirtam-se.

� uma verdadeira honra.

- O que � isto? - � o meu carro.

- Continua a mentalizar isso. - Sim, senhor.

Cuidado a�. Pronto, vamos l�.

Pronto, l� vamos n�s.

Est� bem, obrigado.

Tem certeza que sabe quem � Chano Pozo?

Sr. Gillespie, Luciano Pozo y Gonz�lez.

Mais conhecido por "Chano". Um tocador de congas cubano que conheceu em 1946.

Chano � de Bel�m, que fica final da rua.

Dizzy Gillespie e Chano Pozo deram nova estrutura polirr�tmica ao jazz.

L� as notas dos discos.

- Leio tudo o que h� para ler... - Devo dizer-lhe uma coisa.

O seu carro tem um cheiro estranho...

A gasolina!

A gasolina e alcatr�o.

Pintei-o com gasolina e alcatr�o.

Gasolina e alcatr�o?

Deve p�r o carro na estrada, n�o a estrada no carro.

Percebe o que quero dizer?

H� alguma est�tua, ou coisa assim?

Est�tua? N�o. N�o h� nenhuma est�tua, Diz.

Ent�o leve-me � Rua Chano Pozo.

Rua? N�o. N�o h� nenhuma rua.

- Ent�o como o homenagearam? - N�o h� nada em honra dele.

E como � que o recordam?

- A maioria n�o o faz. - Isso � um crime, cara.

Um dos maiores m�sicos de todos os tempos.

Chano Pozo transcendeu �s vicissitudes do mundo contingente...

e, como numa odisseia, transladou-se para o reino do metaf�sico.

Aposto que Karl Marx conseguiu uma est�tua.

Uma est�tua e um teatro.

O Karl Marx pode � beijar o cu do Chano Pozo.

Ouviu? Este � o som, Diz.

Chano Pozo aprendeu a tocar congas aqui, neste bairro.

O que � isto? Um espet�culo?

Na verdade � uma festa. Eles a fazem todas as tardes.

Vamos parar aqui.

Pode filmar o que quiser.

Este � o mundo de Chano. Isto � que � o verdadeiro.

Est�o fazendo um "yamboo" tradicional.

Dedicado a Bel�m, de onde Chano era natural.

Voc�s o mantiveram vivo.

Quando nos arrastaram para a Am�rica, levaram os nossos tambores...

a nossa religi�o e o nosso idioma.

Tivemos que aprender os deles.

Mas o verdadeiro cora��o africano continua pulsando aqui em Cuba.

Quero dizer... � como era.

Mas h� mais. Muito mais.

� verdade, est�o organizando uma sess�o de improviso para mim esta noite.

J� ouviu falar de um grupo chamado "Irakere"?

Irakere?

Ouvi falar deles.

Vai ouvir os melhores m�sicos de Cuba.

Como Paquito D'Rivera.

Gosto desse som.

Gracias.

Que raio faz meu motorista tocando trompete?

O seu motorista?

D�-me o meu trompete.

O africano e o cubano...

transmudaram-se no grande plano do et�reo.

Trouxe isto de contrabando de Frankfurt.

O governo aqui n�o apoia o jazz.

Assim que embarcar amanh�, o dito "Festival de Jazz" ter� terminado.

Musica non grata.

Musica non grata.

O espet�culo desta noite foi s� para voc�.

N�o � assim todos os dias.

Isto � seu?

N�o ouvi nada disto esta noite.

� s� uma coisa em que estou trabalhando.

� bonito.

Musica non grata.

Sabe...

o Miles Davis, uma vez, me procurou para ter aulas de trompete.

Eu lhe disse, "Vamos para o piano". Miles olhou para mim:

"N�o toco nada de piano."

Eu lhe disse: "A �nica forma de realmente penetrar na m�sica,

"nos arranjos e na composi��o, � com o piano.

"Aprenda piano e nos entenderemos melhor."

Porque n�o vem em turn� comigo?

Eu? Consigo?!

O trompete que ouvi esta noite n�o pertence a voc�.

Pertence ao mundo inteiro.

O barco parte ma�ana.

Amanh�?

Eu gostaria, Diz. Eu gostaria.

N�o est� entendendo.

O Dizzy Gillespie viu qualquer coisa em mim.

Em mim!

E � por isso que quer ir embora com ele?

J� n�o sei o que � que voc� quer.

J� est� numa banda. Faz turn�s, � famoso.

Estou em exposi��o. Estou enjaulado.

No seja rid�culo.

Estou nuna banda autorizada, tocando can��es autorizadas.

Partimos em turn� na pr�xima semana e nem sequer tenho vontade de ir.

A m�sica que toquei esta noite, � a que preciso tocar.

N�o � isso que quer?

Claro que sim.

Sabe que sempre te apoiei.

Somos uma fam�lia.

H� limites.

Limites?

Com quem � que estou falando afinal?

N�o vejo porque tem que complicar as coisas.

Aeroporto Internacional de Madrid

Turn� Mundial da Irakere

Olhe para isto.

Dez mil cubanos invadiram a embaixada peruana...

numa tentativa desesperada de fugir.

O regime castrista enfrenta uma crise que come�ou h� 48 horas...

quando um motorista de �nibus de Havana, em busca de asilo,

para ele e para os seus passageiros, arrombou os port�es da embaixada,

dando origem a um tiroteio em que morreu um guarda.

Em repres�lia � recusa da embaixada em entregar os intrusos,

o governo cubano fez retirar a sua guarda...

fazendo disparar o n�mero de cubanos � procura de asilo.

Esqueci o saxofone no avi�o.

Esqueceu o saxofone?

- Tome conta disto, est� bem? - � vontade.

Depressa, o voo est� para partir.

Porque cancelamos a turn�?

Para proteger o bom nome da Irakere e o seu.

Este � Osvaldo, o nosso compa�ero da seguran�a do estado.

Eu te ligo depois.

Sente-se.

Como estava dizendo a Irakere � uma voz muito importante desta revolu��o.

- Tal como a sua. - Ou a de Paquito.

E ele nos traiu.

E agora, sem o Paquito...

achamos que deve desempenhar um papel de maior destaque na Irakere.

Sabe que agrade�o o gesto, Jaime, mas...

tenho outros planos.

Tem outros planos?

Quero formar a minha pr�pria banda.

Quero experimentar a fus�o, ampliar o conceito da m�sica cubana.

Lev�-la a um novo n�vel internacional.

- A sua pr�pria banda? - Sim, a minha pr�pria banda.

Todo mundo pronto �s 5:00 para a prova de som.

N�o depende de mim. N�o pode tocar aqui.

Estive em todos os clubes da cidade. N�o consigo tocar em lugar nenhum.

� voz corrente que se afastou, � o que dizem.

Angel, este clube � seu, � voc� quem imp�e as regras.

Voc� gosta desta m�sica, porque n�o?

Sou seu amigo.

Seria tudo muito mais f�cil se voc� se filiasse no partido.

T�o f�cil como isso.

O qu�?

Ou�a!

N�o tem que acreditar, � s� assinar.

N�o.

Quer tocar trompete, n�o �?

Aceite as regras do jogo!

Parceiro, est� olhando?

V� se sentar e jogue com o seu pai.

N�o posso. Tenho que ir embora.

Por que � que n�o pode ficar?

Vamos, Marianela.

Vamos.

Nunca quer jogar.

- Ele nunca quer jogar. - Vamos, jogue.

- Sente-se, tem tempo. - Talvez voc� ganhe.

Vamos embora, Marianela!

J� vou!

N�o era amigo de Paquito D'Rivera?

- Ainda o sou. - S�rio? Mesmo tendo desertado?

Paquito virou as costas ao nosso pa�s. Para mim, � um traidor.

Fez uma escolha.

Virou-nos as costas, mesmo tendo tudo.

Se tivesse tudo, n�o teria ido embora.

- � mais um parasita. - Parasita?

Como os outros 100.000 que fogem em balsas de Porto Mariel?

Suponho que tenham se cansado de ter tudo.

Como voc� pode dizer isso?

Est� ouvindo o seu filho?

Acho que dev�amos jogar.

� a minha vez.

Vamos, Marianela!

Fale comigo.

Perde as estribeiras sempre que vamos ali.

Nem sequer consegue sentar-se e jogar domin� com o su pai.

- Nem posso ver o jogo. - Ele gosta de jogar.

- Que mal h� nisso? - Est� desperdi�ando a vida.

Antes era um bom mec�nico, e eles vieram desapropriar sua garagem!

Porque acha que comprei esse carro?

Comprei para ele, para afast�-lo daquela maldita mesa!

N�o levante a voz.

Tem medo de qu�? Da revolu��o?

Lembre-se, � ela que nos d� tudo.

N�o tiraram a oficina do seu pai. Foi ele que a abandonou.

Nacionalizaram-na!

Tiraram-lhe tudo aquilo em que acreditava!

Tiraram-lhe o seu sonho, a sua paix�o, o seu neg�cio!

Tudo o que tinha conseguido!

- Todos fazemos sacrif�cios. - Para qu�?

Para qu�?! Pelo pa�s! Por uma ideia!

- Hospitais e educa��o gratuitos. - Pois claro.

E agora, esses 100.000 que fogem de Mariel, est�o dando-se por vencidos.

- Dando-se por vencidos? - Sim!

Isso � precisamente o que n�o est�o fazendo!

Para que quer educa��o gratuita se n�o pode ler e dizer o que quer?

De que serve os olhos se s�o todos cegos?

Nunca ouvi o seu pai se queixar.

- N�o a voc�. - Nem a voc�.

- O seu pai apoia esta revolu��o. - Porque � tudo o que lhe resta!

Se se opuser agora, com que � que fica?

Se se opuser a Fidel, toda a sua vida perder� o sentido!

Teria desistido de tudo por uma porra de uma mentira!

O Turi est� dormindo! Toda a vizinhan�a est� dormindo!

O pa�s todo est� dormindo! Os meus filhos t�m que acordar!

Os meus filhos n�o fechar�o os olhos a isto!

- Vamos, levante-se, j�! - Podem ouvi-lo da rua.

Deixe-os me denunciarem ao comit� para a defesa da revolu��o!

A fam�lia Sandoval n�o fechar� os olhos!

Est�o me ouvindo? Vamos, hora de acordar!

Aqui ningu�m dorme!

Vamos!

- Vai dormir o dia todo? - O que � que quer?

Pode tocar.

O neg�cio tem andado mau, e voc� atrai clientes, por isso...

Quantas noites?

Vamos ver se funciona.

Um, dois.

Um, dois, tr�s, quatro.

Est� bem? Assim. Um, dois.

Um, dois, tr�s, quatro.

O que se passa? Esqueceu como se toca trompete?

N�o! Johnny!

O que aconteceu? Expulsaram os dois de Londres?

- Ol�, querido. - � bom voltar a te ver.

N�o podia vir ao nosso clube, por isso viemos ao seu.

O Dizzy tocou no nosso clube na semana passada.

N�o conseguia parar de falar...

do seu compadre cubano.

Agora � um cubano honor�rio.

Tem uma admira��o especial por voc�.

E concorda comigo.

Deveria estar num lugar em que os seus talentos sejam reconhecidos.

P�e mais baixo.

S� quero ouvir o final.

Turi, para a cama. J� � tarde.

Sim.

Devia ver isto sobre o Ochoa.

Venha.

Este � o general Ochoa.

Comandou as tropas em Angola, Fidel proclamou-o her�i da revolu��o.

Agora, leva-o ao tribunal.

- Qual � o crime? - Tornou-se demasiado popular.

Como v�, em Cuba s� pode haver um her�i da revolu��o.

A menos que esteja morto. Nesse caso, pode ser t�o popular quanto quiser.

N�o deixe que o Arturo te fa�a uma lavagem cerebral.

O Ochoa � muito simplesmente acusado de tr�fico de drogas.

Mari � a �nica no pa�s que acredita que o fazia sem a aprova��o de Fidel.

Nem sequer acredito que tenha feito, e n�o sou a �nica.

Temos um processo judicial em curso. Ser� declarado inocente.

- Inocente? - � um julgamento justo.

Anda h� uma semana vendo o julgamento e n�o tem nada de justo! � uma farsa!

Vai acabar frente ao pelot�o de fuzilamento.

- Fidel nunca executar� Ochoa. - At� j� foi marcado.

O advogado dele j� pediu ao ju�z que o mande executar.

A sua defesa se transformou em acusa��o. Chama a isto um julgamento justo?

Desculpa.

S� queria que esta fosse uma noite perfeita.

Querida.

Nunca tive um jantar em que n�o houvesse uma discuss�o.

Geralmente sou eu quem as come�a.

N�o sei o que ele quer. Ele � t�o...

infeliz.

Claro que �, � um m�sico.

Vivi rodeada deles 40 anos.

Sabe, nesse tempo todo, n�o conheci nenhum como Arturo.

Gostaria de dedicar o espet�culo desta noite a um grande homem...

que � a minha fonte de inspira��o: Dizzy Gillespie.

Gostaria de tocar um tema intitulado "Blues for Diz".

Desculpa, estou atrasado.

Esta � a Paloma.

- Estou contente por ter vindo. - N�o poderia perder.

Johnny e Sally, os nossos amigos de Londres.

Mari, h� algo que deve saber.

Est�o vigiando.

T�m havido relat�rios sobre ele, sobre voc�s dois.

Est� falando de qu�?

V�o censur�-lo. N�o v�o deix�-lo tocar mais depois desta noite.

Grande espet�culo.

Sabe que se dependesse de mim, poderia tocar aqui todas as noites.

Voc� sabe disso.

Esteve espetacular.

Espere.

Porque acha que o governo cubano tem tanto medo da sua m�sica?

N�o � a minha m�sica, mas as ideias.

V� l�, o Fidel Castro receia as suas ideias?

Fidel Castro receia todas as ideias que n�o sejam dele.

- Sabe como derrotou o Batista? - Foi uma revolu��o popular.

Foi uma ideia popular, uma grande ideia.

Prometeu aos cubanos aquilo que mais desejavam...

o restabelecimento da Constitui��o, a democracia, o fim da ditadura.

Conseguiu-o com 80 homens e 50 armas.

E um barco que quase afundava quando abriam as torneiras.

N�o podiam ter apenas isso.

N�o precisava de mais porque a ideia lhe deu a for�a de um ex�rcito.

Vim para ver se podia falar sobre o Arturo.

Para que possa continuar a tocar a sua m�sica.

N�o � s� um problema de m�sica.

- Como? - E o Arturo n�o � o �nico problema.

Tamb�m foi vista recebendo estrangeiros em sua casa.

Est� pondo em d�vida a minha lealdade?

Existe um padr�o de comportamento contra-revolucion�rio.

Com o devido respeito, de que revolu��o est� falando?

- H� algum mal-entendido? - � o que parece.

O meu conceito de revolu��o n�o se parece em nada com o seu.

O meu n�o tem nada a ver com espiar os nossos vizinhos.

Tem a ver com criar uma nova sociedade.

Igualdade genu�na, lembra-se?

Um lugar em que os nossos filhos possam crescer.

Estou certo que concordar� que nenhum pa�s ama os seus filhos como Cuba.

At� se tornarem homens.

Compa�era.

Sei que ama seu marido, mas n�o diga nada que possa lamentar mais tarde.

A revolu��o precisa do apoio de todos para subsistir.

Desculpe dizer isto...

mas, se a revolu��o n�o pode subsistir...

por causa de duas pessoas da Inglaterra que jantam em minha casa,

ou por causa de um cubano que toca a m�sica de que gosta,

para qu� nos incomodarmos em tentar preserv�-la?

Est�o transmitindo isto o dia inteiro.

- Qual � o veredito? - O que � que acha?

J� o mandou fuzilar.

Onde � que ele foi?

Estava l� no dia em que Fidel entrou em Havana?

Eu estava.

Era ainda uma menina.

E o vi passar naquele jipe.

Aquela barba, aquele sorriso.

Parecia um santo.

E me apaixonei.

Apaixonei-me por Fidel, apaixonei-me pelo seu sonho.

Ia ser o para�so.

N�o sabia.

N�o sabia que te impediriam de tocar a sua m�sica.

A minha mulher tinha o cora��o destro�ado.

� como descobrir que a sua amante o andou, desde sempre, enganando.

E para ela tinha acabado tudo.

S� para eu compreender...

est� dizendo que nunca simpatizou com o regime castrista.

N�o quero lhe faltar ao respeito, mas, por favor, pegue o l�pis e escreva-o.

Eu nunca, nunca simpatizei com Fidel Castro.

Atrai�oou os ideais, desrespeitou cada promessa que fez.

Por favor, escreva-o.

Isto saiu no "The London Times" no in�cio do ano.

O senhor � referido fazendo declara��es favor�veis ao regime de Castro.

Isto apareceu num jornal alem�o, creio que de Frankfurt.

"A revolu��o deu-me tudo aquilo de que precisava."

Esta cita��o est� correta?

Disse-o em Frankfurt, em Estocolmo e em Havana.

Tive que dizer o que eles queriam. Tive que entrar no jogo.

Deve compreeender como entendemos isto.

Aparece-nos aqui acompanhado de um s�mbolo norte-americano...

Todo mundo em Habana, cada um de n�s em Havana...

tem que ter duas caras para poder sobreviver!

Tem que compreender, tem que entrar no jogo.

Suplico-lhe. A minha esposa e o meu filho est�o � minha espera.

O meu filho est� � minha espera em Londres!

Isto foi interceptado pela nossa embaixada em Havana h� seis meses.

Confirma a sua filia��o ao Partido Comunista...

e a aceita��o de todos os seus princ�pios.

� filiado?

� membro do Partido Comunista?

Banda de Arturo Sandoval Teatro Karl Marx-Havana-1990

Obrigado.

Se est�o apreciando a minha m�sica e a forma como a toco...

� porque a revolu��o me deu essa possibilidade.

Obrigado e boa noite.

N�o vai funcionar.

N�o diga isso, estamos quase conseguindo.

- Ele n�o vai aceitar. - Claro que vai.

Continue fazendo o que tem feito. Agradece sempre tudo ao governo.

At� o ar que respiro.

Uma d�diva pessoal de Fidel.

Julguei que s� ficava nervoso nas audi��es.

E o que acha que � isto?

Mi socio, todas as reservas est�o feitas.

Fa�a boa viagem.

E cuidado com as mulheres por l�.

Preciso de um favor.

Um favor?

Gostaria que minha fam�lia me acompanhasse nesta turn�.

Estive fora tr�s vezes este ano. � demasiado tempo de aus�ncia.

Deixe-me ser franco com voc�.

� a United Nation...

Paquito, Ignacio, dois desertores.

Incomoda-nos que esteja tocando com dois contra-revolucion�rios.

N�o haver� nenhum problema.

- Tem certeza? - Nenhum problema.

Quer denunciar publicamente o Paquito?

N�o.

Se um rep�rter estrangeiro perguntasse o que pensa do Paquito, que responderia?

Diria que compartilhamos o mesmo palco mas n�o as mesmas ideias.

�timo.

Se o tivesse denunciado, teria certeza de que algo n�o estava bem.

Chega aqui.

Vou ver o que posso fazer. Farei o meu melhor.

Est� certo, amigo?

N�o podemos dar parte dos nossos planos a ningu�m, nem a nossos pais.

� para a sua pr�pria seguran�a.

Quando partir, dever� parecer apenas outra viagem.

Sem choros n�o h� problemas. Partimos apenas, est� bem?

N�o pode levar muita coisa, para n�o atrair aten��es.

Mas tenho que levar tantas coisas! Para voc�, para Leonel e para o Turi.

Gra�as a Deus, a Emilia me deu esta mala.

N�o deram visto de sa�da ao Leonel.

Est� em idade militar.

Mas n�s temos permiss�o.

- Disse que t�nhamos autoriza��o. - N�s temos, mas n�o o Leonel.

Acabo de saber.

� meu filho, t�m que deix�-lo ir conosco.

Est� pro�bido de viajar, n�o h� exce��es.

- N�o o podemos deixar aqui. - Arranjaremos maneira de lev�-lo.

Como?

O Paquito ia levar a fam�lia e eles ainda aqui est�o.

T�nhamos dito que �amos em fam�lia.

Juro que tentei, mas n�o h� exce��es.

Pode ser chamado durante sete anos.

Sete anos. Vamos esperar, n�o � assim tanto tempo.

O Turi vai estar na idade militar, e ser�o mais sete anos.

Se n�o formos agora, nenhum de n�s partir�.

Quer que abandone o meu filho?

Tamb�m � meu filho, voc� o sabe.

Ent�o como pode pensar em deix�-lo?

Vai voc�.

Ou�a o que te digo.

Sabe que n�o vou sem voc� para lugar nenhum.

- N�o deixo o meu menino. - N�o � mais um menino.

� o meu filho.

Ou�a-me.

N�o interessa quanto demorar�...

mesmo que tenha de voltar num barco...

farei com que Leonel se junte a n�s. Prometo-o.

Estar� sempre conosco. Temos que ser fortes.

Olhe para mim! Temos que ser fortes.

Temos que dar o primeiro passo, ou nunca tiraremos nossa fam�lia daqui.

Vamos, confie em mim. Venha aqui.

- Deixe-me te ajudar com isso. - Eu me desenrolo.

- Vamos, � a minha vez. - Eu me desenrolo.

- Belo t�xi, doutor. - Obrigado.

Descobri o meu verdadeiro talento.

- Eu quero ir com voc�, papi. - Eu sei, Turi.

Encontramo-nos em Londres, daqui a duas semanas, est� bem?

Tome conta da mam�.

Tome conta de voc�.

Tenha cuidado.

Obrigado.

De qu�?

Por me ensinar a jogar domin�.

Ainda tem muito que aprender.

Trate bem do carro. N�o o deixe apodrecer.

Volto a te ver em pouco tempo.

Tenho medo.

Confie em mim.

Tome conta da mam�, est� bem? E leve-a para Londres.

Nos veremos daqui a duas semanas.

N�o quero fazer uma cena em frente da minha m�e...

mas n�o quero fingir que te respeito.

Falta-lhe alguma informa��o.

Costumava pensar que era algu�m.

A forma como nunca se resignava.

� como todos os outros

Lamento que pense assim.

Lamenta?

N�o se lamente por mim, lamente-se pelo Turi.

Porque a �nica coisa que lhe ensina � a desistir.

Ainda n�o fez as malas?

N�o sei, papi.

N�o sei do que vou precisar.

Vi a sua m�e ontem � noite.

N�o, num sonho. Pap� no est� loco.

- Como est� ela? - Est� preocupada, minha pequenina.

Disse-me: "Sosa, nossa filha vai embora...

"e deve fazer tudo o que puder para a ajudar."

Mi ni�a, mi amor.

Que sonho.

Eu tentei...

- Tentei dizer-lhe... - N�o o fa�a.

Na minha idade...

nada me tranquilizar� mais que saber que est� a salvo.

E feliz.

Mi cielo, onde quer que esteja...

estaremos sempre juntos.

Venha c�.

Sabe que te amo.

Eu tamb�m te amo.

N�o se preocupe, eu tomo conta dele.

Vai ser s� um m�s, est� bem?

Tenha cuidado com voc�.

O seu caso � muito convincente.

Mas devo ser sincero com voc�. N�o acredito que isto v� ser f�cil.

- Talvez eu possa explicar melhor. - J� me explicou.

Mas este pedido ir� ser revisto em Washington.

Nos pap�is figura que se beneficiou do sistema...

e que suas motiva��es s�o financeiras.

Isso n�o � verdade.

As provas est�o contra voc�, e nos pap�is...

- Troque os pap�is. - Perd�o?

O senhor explica a eles. Por favor.

Farei minhas recomenda��es. Darei in�cio ao processo, mas...

Quanto tempo demorar� o processo?

� dif�cil diz�-lo.

Pode ser uma semana, um m�s.

N�o h� forma de sab�-lo.

E que devo eu fazer?

Voc� se conta do dif�cil que foi tirar a minha fam�lia de Cuba?

Sabe durante quanto tempo andamos planejando?

Estamos completamente expostos.

Deve encontrar uma forma de nos proteger.

A lei determina que deve encontrar-se em perigo imediato e verific�vel...

Mataram dois desertores em Londres h� dois meses...

N�o posso oferecer-lhe prote��o oficial.

Tem que compreender.

A minha esposa e o meu filho est�o sozinhos.

Ou�a-me.

Ningu�m saber� que esteve aqui.

Continue a turn�, como se nada tivesse acontecido.

- N�o posso regressar. - N�o depende de mim.

N�o posso fazer mais nada.

Direi ao Sr. Gillespie que est� � espera dele.

- Que devo eu fazer? - Apenas o que o homem lhe diz.

Continue a turn� e tenha paci�ncia, menino. Arranjar-se-� uma solu��o.

Temos de ir embora, vamos.

Espere!

Maldi��o!

Desligaram.

Ou�a, eu j� passei por isto, est� bem?

� apenas um passo, mas n�o conseguir� se n�o se mexer.

Interceptamos isto, da embaixada dos Estados Unidos.

Arturo Sandoval!

O que � isto?

Johnny, linha dois, de Havana.

Al�?

O qu�?

Est� acontecendo alguma coisa. Sabem que Marianela est� em Londres.

- Andam fazendo perguntas. - Tenha calma.

Ou�a-me, v�o descobrir tudo e envi�-la outra vez para Cuba.

Isso n�o vai acontecer.

Tenho que ir j�, tenho que desertar agora.

Acalme-se.

Um desses, da Casa Branca.

- Vai ligar ao Presidente? - Ao Vice, conheci-o no Air Force One.

O cara disse-me que, se precisasse, lhe ligasse.

Termine o concerto de hoje, e estar� no avi�o.

Espere por mim!

Se contactar a embaixada, diga-lhes que vamos j� para l�.

� a Sra. Sandoval? -Sim.

Venha comigo, depressa.

Aqui est�o os seus documentos; est� tudo em ordem.

Quando chegar a Nova Iorque mantenha-se no avi�o.

Algu�m do Departamento de Estado ir� ter com voc� a bordo.

N�o saia do avi�o com mais ningu�m.

E o meu marido?

Lamento. Ainda n�o sabemos nada dele.

� verdade que desconhece o porqu� de tudo isto?

Desertaram?!

Cabe a voc� faz�-los regressar ao lugar a que pertencem.

N�o h� nada que possa dizer que os fa�a regressar.

Por favor, acompanhe-nos.

Em 1992, o pai de Marianela viajou para Miami, onde recebeu asilo pol�tico.

Um ano depois, os pais de Arturo fugiram de Cuba numa balsa.

Foram resgatados nas costas da Fl�rida.

Leonel e Paloma, a namorada, puderam emigrar...

dado o pai dele ser cidad�o americano.

Dez anos depois da sua deser��o...

a mulher e o filho de Paquito D'Rivera foram autorizados a sair de Cuba.

A fam�lia Sandoval fixou-se em Miami.

Arturo recebeu tr�s Grammys...

sendo considerado como um dos melhores trompetistas do mundo.

Em 1998, oito anos depois da sua chegada aos Estados Unidos...

Arturo Sandoval recebeu a cidadania americana.

Tradu��o: Gerigato Julho/2013

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