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Original subtitles

Bom dia pra você, trabalhadora, trabalhadora.

Bom dia pra você que não aguenta mais, será assaltado.

Bom dia para você que é obrigado a ficar preso dentro da sua casa.

Enquanto a bandidagem, a bandidagem tá solta.

A família brasileira está sangrando.

A família brasileira está sangrando.

Cadê o secretário de segurança do Estado?

Você tem que encher sua casa de grade, arame fartado,

caco de vidro no muro, câmera de segurança.

E, ó, não vai adiantar nada.

Porque o governo não tá nem aí pra você.

É cada um por si, e Deus acima de todos.

Todas as manhãs, quando eu me despeço do meu filho,

eu tombejinho na testa dele e me passo um pensamento.

Sim, passa na minha cabeça.

Será que eu vou voltar?

Eu não aguento mais tanta violência.

Eu queria mostrar outras coisas pra vocês aqui, mas não dá.

É sangue, sangue, sangue. E hoje tem.

Põe na tela aí o caso daquela aposentada

que, quando saía do banco, foi agredida por três marginais...

Ele falou!

Alaa!

Tchau.

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei, alô, filho.

Alô, Cauê?

Ei!

É o papai, filho.

Isso.

Passa...

Passa pra mamãe, correndo.

Cauê?

Papai não pode conversar agora, Cauê.

Passa...

Passa pra mamãe, caralho!

Passa pra mamãe, porra!

Ei.

Errou.

Errou.

Ei, pretinha.

Não, não, mano.

Eu preciso falar com você.

Eu tô preso dentro de um carro.

Chama o Marquinho.

Chama o pessoal.

Eu tô preso aqui dentro.

Tô preso...

Eu tô preso aqui dentro.

Eu tô preso aqui dentro.

Alô, hôsan.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Alô.

Bem-vindo a bordo.

Alô.

Tá me ouvindo?

O que tá acontecendo, mano?

Tá acontecendo.

O que tá acontecendo aqui?

Você tá me prendendo dentro desse carro?

Fica quieto, fica quieto.

Que é tranquilo, que a gente vai ter muito tempo a perder aqui.

A gente vai ter muito tempo a conversar, presta atenção.

Eu já fui roubado 28 vezes nessa vida.

28. Só carro foram quatro.

Mas com esse aqui eu resolvi fazer diferente.

Eu instalei um alarme conectado no meu celular.

Quando entra alguém, eu consigo travar as portas a distância pelo telefone.

Aí não dá mais para abrir por dentro.

A única forma de você sair daí é usando a chave, que obviamente está aqui comigo.

O carro é completamente blindado à prova de som.

Os vidros são polarizados de fora, ninguém te vê.

A única coisa que não é blindada é o tanque de gasolina,

que está cheio até o talo.

Ou seja, o carro é uma bomba em potencial.

Eu estou falando isso para você,

caso você queira dar uma de maluco.

Meu nome é Dr. Henrique Ferrari.

Eu nasci no interior do Paraná há 53 anos.

Tive uma infância comum de um menino de classe média.

Naquela época em que as portas das casas ficavam abertas.

E não acontecia nada.

Ninguém diria que o mundo ia piorar tanto a ponto de a gente ter saudade

Como as coisas eram há 50 anos.

Diz uma coisa.

O que você faria se pegar seu filho roubando?

Eu não sei.

Resposta errada, seu merda.

Resposta errada?

Resposta errada é o seu... seu filho da puta!

Resposta errada? Você enfia no meio do seu cu, seu filho da puta roubado!

Eu vou achar você, porra!

Eu vou encher seu cu de tiro, seu filho da puta!

Eu vou achar você, porra!

Conta, está de novo?

O que você faria se pegasse seu filho roubando?

Não sei, senhor.

Pelo amor de Deus, meu amor, um pouquinho de água.

Estou com sede.

Então responde direito.

Responde direito que eu te dou água.

Entregava ele para a polícia.

Não.

Não tem polícia, delegado, juiz, advogado, desembagador, papa, o caralho, nada.

O filho é teu.

O exemplo quem tem que dar é você.

Senhor, vamos resumir essas ideias.

Pelo amor de Deus, senhor.

É dinheiro que o senhor quer, pode falar.

Eu arrumo para o senhor.

Ô, maloqueiro.

Eu acho que você ainda não entendeu.

Nem a mim, nem o mundo à sua volta.

A corrupção é um câncer, acabou com esse país.

Agora os tempos são outros, as coisas mudaram, tá ok?

Você acha mesmo que eu quero alguma coisa de ladrão, hein?

Eu sou cidadão de bem, um homem de Deus, seu vagabundo!

O senhor não tinha falado que era médico, mano?

O senhor não assinou aqueles bagulho que médico assina, não?

Que não pode deixar a pessoa morrer?

O senhor tá me deixando morrer aqui dentro, mano.

Adivinha?

Adivinha que tipo de médico que eu sou?

Eu não sou carturagista.

Não sou clínico geral, nem surjugião, ortopedista.

Eu não sei, senhor.

Vou te dar uma dica.

Eu trabalho e um dos outros brincam.

Isso é...

Médico de mulher, de buceta.

Gimencologista.

Gimencologista.

Não é?

Hey! Hey! Socorro! Hey!

Hey! Hey!

Hey!

Ei!

Ei! Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei!

Ei, seu filho da puta!

Olha pra cá, caralho!

Olha pra cá, mano!

Olha pra cá, porra!

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Qual é o seu nome?

Eu quero água.

Qual o seu nome?

Ou você se chama...

Tô com sede.

Pelo amor de Deus, mano.

Eu quero água.

Eu quero água.

Eu quero água.

Eu quero água.

Eu quero água.

Eu quero água.

Eu quero água.

Pelo amor de Deus, mano.

Me dá seu nome, sobrenome e RG que eu te dou água.

Meu nome é de Jauma da Rocha.

Meu RG 3083...

596...

Dígito?

Dígito meia.

Dígito meia.

Dígito seis.

Água procura no esguicho da porta de trás.

Eu quero água.

Olha aí, tudo cheio de alarme.

Cheio de alarme.

Não é?

E agora eles colocam alarme em tudo que é lugar, não é, mano?

Tudo que é lugar tem alarme agora.

Você já pensou, mano?

Quantos alarmes tá tocando ao mesmo tempo aqui na cidade?

Tudo ao mesmo tempo.

Uma orquestra do Satanás, tudo junto.

Eu tô com fome.

Eu tô morrendo.

Eu tô morrendo.

Eu estou com fome.

Eu estou morrendo.

Não exagera, rapaz.

Uma pessoa pode ficar muito tempo sem comer.

Sem manas.

O que é bem diferente de ficar sem alho.

O que é bem diferente de ficar sem alho.

É só o que você tem que fazer.

É o que você tem que fazer.

O que você tem que fazer?

É o que você tem que fazer.

É o que você tem que fazer.

O que é bem diferente de ficar sem água, dois ou três dias no máximo.

A boca e os olhos começam a ficar ressecados.

Depois tem vômitos, fraqueza, tontura, letardia, pele acinzentada.

E aí, sim, a morte.

Tem um ferimento aqui?

Você tem um ferimento?

Isso é uma consulta?

Por quê? Você só entende buceta.

Bom, claro que isso vai depender do estado geral da pessoa.

Se tem febre, como está ferida, o que aconteceu? Conta.

Conta para o teu médico aqui, conta.

Eu mesmo dei um.

Fui dar um tiro, tem uma porta na janela aqui.

Resvalou na minha pena.

E acertou em você mesmo, é isso mesmo.

Está sangrando ainda?

Está seco.

Que cor que está a pele ao redor da ferida?

Está amarelo.

Meio verde.

Não me soa bem, não. Está quente.

Você deve estar com febre.

Por isso você deve estar com frio.

Vou ligar aquela fação para você.

Hoje eu acordei cedo e fui buscar o resultado dos exames que eu fiz na semana passada.

Não sei porque eles ainda pedem mais exames.

Não adianta nada, já sabem que a mancha não vai parar de crescer.

Eu já aceitei essa merda dessa doença, está me comendo por dentro.

Espera aí.

Pronto.

Vamos melhorar um pouquinho esse clima, não é?

Eu tive lembrando algumas datas, lugares, coisas que me aconteceram nos últimos anos.

Escuta isso aqui.

Agosto de 1998, fui jantar com a minha mulher e uns amigos e quando saímos, tinham roubado duas rodas do meu carro.

Apareceu um ano depois.

Com rodas esportivas.

É TUNADO que vocês falam, Anis?

TUNADO.

Março de 2006.

Assalto a mão armada em um restaurante na Melo Alves.

Novembro de 2008.

Estava de férias em Ilha Bela.

Eles procuraram dinheiro e acharam três mil dólares que eu sempre deixo de propósito.

Cagaram em cima da mesa.

Antes de ir embora.

Agosto de 2012.

Eu fui ver o jogo do Palmeiras e o Flannelinha arranhou o meu carro só porque eu neguei pagar 50 reais para aquele filho da puta.

Para ele tomar conta do meu carro. 50 reais. Ele queria 50 reais.

Adiantado.

Outubro de 2014.

Entraram na minha casa com os meus pais.

Quando meu pai estava entrando com o carro na garagem, a minha mãe estava do lado de fora abrindo o portão.

Roubaram sem arma. Bateram no meu pai.

Na frente da minha mãe.

Você sabe o que é isso?

Bateram feio nele.

Te deixo aqui.

Apareceu uma urgência no meu consultório.

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Mãe...

Alô.

Bom dia.

Está me ouvindo?

Ainda está vivo?

Eu tenho um filho.

Eu tenho um moleque para criar, mano.

Não reclama de alma, não é?

Não reclama que você está mais seguro aí dentro do que ele aqui fora.

Estou aqui tomando um café, lendo o jornal.

Escuta só.

Desmatamento na Amazônia atinge o maior nível da história.

Fake news.

Fake news, bobagem, blablabla de Yonge.

Mais uma criança morre de bala perdida em ação da polícia no Rio de Janeiro.

Acontece.

Guerra é guerra.

Melhor bolo de cenoura.

Receita de bolo na primeira página do jornalé.

Eu não sei porque eu insisto em continuar lendo o jornal.

Rapaz, hoje eu acordei de bom humor e você está com sorte.

Tem uma rapadura atrás do freio.

Alô.

Fala rápido que eu estou resolvendo um negócio aqui.

É.

É, mas vai ter que ir lá no custódio.

O que houve?

Já estou indo para lá.

Já estou indo.

A gente encontra lá.

Tá.

Desculpa.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu não sei.

Eu quero água.

Era do consultório.

Eu quero água.

Quero um baseado também.

Ouviu?

Esse mindingo todo dia está aí.

E hoje deu sorte.

É pizza.

Mindigo sortudo do caralho.

Esse é o brigador.

Deve ser o xerife da rua.

Todo fortão.

Mas não tem peito de aço.

Não adianta nada.

Depois da pólvora não tem cabuloso.

Vou botar a mãe dele para chorar rapidinho.

E essa coroinha aí?

Uma cara de tia da gente, né?

Uhum.

Na hora que o bagulho ferve, filho.

A primeira é ligar 190.

É, para começar isso aí nem é banca, né mano?

Isso aí é bicho.

E roubar bicheiro, isso aí é louco.

Esse louco aí é tipo aqueles primos que deu errado.

Acha que pode resolver a vida na cachaça.

Esses aí são os perturbados da rua.

Ó, tiazinha sai, avisa o tiozão.

Tudo certo, tiozão, pode sair.

Aí ele sai, aí ela entra.

Agora sim, tudo certo, né?

Ninguém vai ser assaltado, tudo certo.

Tudo certo, né?

Tudo certo.

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Eu tenho novidades para você da Rosana e do Cauê.

O que você fez com a minha família?

Não fiz nada.

Eu tenho boa índole, diferente de você.

Você não entendeu isso ainda?

Eu disse que eu era um representante da loteria federal.

Que dizia que eu ia cair.

Que eu ia cair, mas você não.

Eu ia cair.

Eu ia cair.

Eu ia cair.

Eu ia cair.

Eu ia cair.

que eu era um representante da Loteria Federal,

que de Jauma da Rocha tinha apostado na Mega-Sena numa agência do bairro

e que tinha ganhado 400 mil reais.

Viu como eu sou bonzinho?

400 mil reais entregues num ato, num dinheiro.

Foi na minha casa?

Rua Comendador Santana 406, Capom Redondo.

Perto do Parque Santo Antônio, não é isso?

É claro que a Rosana não negou o dinheiro.

Ela assinou como seu representante.

Eu tomei a liberdade de sugerir pra ela que compre uma casinha

e deixe de pagar aluguel.

E o resto ela invista na boa educação do menino.

Você fez muito pouco pra ter uma família bonita como essa.

Você não merece.

Eu consegui aqui também a sua ficha corrida

com um amigo da polícia bastante interessante.

Como é que é matar alguém de Jauma?

O que é isso?

O que é isso?

Pazan! Pazan!

Você é surdo, tio!

Você é surdo, tio!

Você é surdo, tio!

Você é surdo, tio!

Boa noite.

Deixa eu ir, meu filho.

Pedido indeferido.

Eu vou me matar.

Você vai se matar?

Eu estou tão preocupado com você.

Você vai se matar?

Eu estou tão preocupado com a sua saúde, rapaz.

Vamos ver se você tem coragem.

Se mata.

Vai.

Se mata.

Se mata.

Prazer.

Doutor Henrique.

O que é isso?

O que é isso?

O que é isso?

É nossa senhora.

Chama da rocha.

9 milímetros.

Ajudeado.

Você colocou aqui?

Errei.

É o lugar certo.

Explode os miolos.

Palha tudo que é lá.

Aqui.

Baseado.

Nem enrolado.

Para quem não sabe.

Eu não sei.

Não sei nem como é que fuma.

Vamos ver essa ferida aí.

Calma.

Calma que tem que drenar. Calma.

Está doendo?

Estou doendo.

Dua 10, está doendo 4.

É.

Foda.

Está doendo.

Está doendo.

Está doendo.

Foda.

Está doendo.

Vamos lá.

Não faça isso comigo.

Não faça isso.

Não faça isso.

Alô.

Oi, Margarida.

Oi.

Não, não posso falar. Posso sim.

Estou num congresso aqui em Vitória, mas pode falar.

Que felicidade, neninho, menos você.

Não, calma, claro.

Claro, calma.

Calma.

Faz a tua bolsinha.

Como você já tinha planejado.

Eu quero aquele safado do teu marido.

Vamos lá para a clínica.

Eu vou mandar mensagem para o Dr. Ernesto Flores.

É.

É, exa...

Então, ele cuida das minhas pacientes quando eu estou fora.

E ele vai receber você lá na clínica.

Vamos lá.

O que é isso?

Está certo aí, doutor?

Está tranquilo?

Está tranquilo que isso aqui não rouba mais ninguém, não?

Pode ficar tranquilo.

Venha aqui.

Venha aqui.

Venha aqui.

Venha aqui.

Volta para a sala.

Volta para a sala.

Volta.

Está tranquilo?

Está tranquilo?

Está tranquilo?

Vamos lá, vamos lá.

Vamos lá.

Vamos lá.

Vamos lá.

Vamos lá.

Abaixar a arma.

Aperta a bomba, eu não fiz meu apoio, ela me encaramada na via TFL.

Eu já falei! Abaixa a arma!

Tá surdo, porra? Abaixa a arma!

Ó, roubou meu carro?

Eu sou médico, dá pra ver.

Estou com o mestão aqui, o pessoal do bar aí.

Pode confirmar com você.

Só que eu peguei. Eu vou dar uma lição nele.

Fica tranquila, tá?

Solda a arma! Se afasta dele!

O vagabundo aqui é ele!

Vai defender, vagabundo!

Eu peguei ele.

Eu vou dar uma lição nele.

Pode seguir o caminho de vocês.

Quieto, ratinho!

Vamos!

Escuta, mocinha.

Nós estamos do mesmo lado.

Queremos a mesma coisa. Somos civilizados, tá ok?

Você ganha o quê? Três mil reais por mês?

Pra colocar tua vida em risco?

Em troca desses vagabundos aqui?

Olha aqui, presta atenção.

Tá tendo um equívoco.

Olha o tiro que ele me deu aqui, ó.

Pra matar. Ele queria me matar.

Não, abaixa a arma!

Essa arma é dele!

Abaixa a arma!

Não vai parar de apusar pra ele, porra!

E a gente tá aqui acompanhando direto do nosso mochilim

que é um caso fora dos padrões.

Parece que um médico

tá fazendo um vagabundo de refém.

Não tô entendendo nada.

Trinta anos de televisão, nunca vi isso.

Mas esse país tá tão doido

que as coisas estão mirando de ponta cabeça.

O vagabundo vem entrar na nossa casa,

rouba a carro, aí você pega o vagabundo.

A culpa é minha, é isso?

Hein?

Hein? Que a gente trabalha.

Trabalha que nem jumento pra comprar alguma coisa.

Vem um vagabundo e leva tudo.

Quando é que aconteceu isso?

Por favor, doutor.

Eu peço mais um minuto.

Não, não, não.

Não, não, não.

Não, não, não.

Eu peço mais uma vez pro senhor ficar tranquilo.

Eu estou indignado se o senhor não percebeu.

Eu não quero mais falar com você, não.

Quero falar com ela.

Com quem, doutor?

Com a guardinha aí que chegou primeiro.

Oferece comida.

A gente pode trazer alguma coisa pro rapaz comer?

Tá preocupada com ele?

Essa porra de direitos humanos, é isso?

Que caralho!

Você está com fome? Você quer comer o quê, hein?

O que você quer pedir? Pode pedir o que você quiser.

Se você me dar licença, eu vou pedir pra você, tá bom?

Eu vou pedir.

Ele vai querer sushi. É isso que ele quer.

Sushi, tá?

Pode pedir pra todo mundo. Dá o quê?

Ó, umas mil peças.

1.500 peças, uns 600 barcos.

É isso que eu quero, tá?

Ok.

Isso, faz isso. Você quer beber alguma coisa?

Vocês querem beber alguma coisa?

Deu um basta na situação.

É isso aí, senhor.

A gente está aqui há mais ou menos duas horas

e, por enquanto, a polícia não deu nenhuma informação concreta pra gente.

O que eu pude apurar é que o renomado ginecologista Henrique Ferrari mantém como refém

o jovem de Jauma da Rocha, que é um provável bandido.

Paralelo a isso, o delegado Otávio Dantas recorreu a mediadora

Valéria Requeão, que é uma especialista em crises como essa

pra encabeçar aqui essa operação.

E a gente segue acompanhando o caso ilusitado do doutor sequestrado.

Escuta aqui, ó.

Você, você da câmera aí, ó.

Escuta aqui.

Pessoal de casa.

Coloca aqui uma enquete, por favor.

Eu mato o vagabundo aqui ou não mato?

Brasil continua ligado e continua escrevendo pra nós pela internet

hashtag doutor sequestrador.

Eu quero que as pessoas votem.

Eu quero que as pessoas votem.

O que eu faço?

Pessoal de casa aí, a senhora dona de casa, por favor.

Você aí, cidadão de bem,

temente a Deus.

Eu mato o vagabundo ou entregue pra polícia e depois coloca na rua?

Liga aí.

Liga a internet, rede social, sei lá.

Eu queria que vocês votassem com o coração.

Não fica pensando, não tenha vergonha de dizer o que você sente, não.

Boa noite.

O que é que quer?

O que foi?

Boa noite.

Meu nome é Valéria.

Eu sou mediadora aqui da polícia civil.

Eu vim no intuito de ajudar vocês nessa situação.

Então Henrique, o que eu posso fazer aí pra te ajudar?

Pode começar me chamando de doutor.

Eu não estudei anos pra ser comparado com vagabundo.

Perdão.

Doutor Henrique, o que eu posso fazer pra te ajudar aí nessa situação?

Quer saber o que pode fazer pra me ajudar?

Pode me ajudar ajudando a cumprir a lei?

É isso que pode te ajudar.

Doutor Henrique.

Gostaria de propor aqui uma reflexão?

Aí tá bom, pode ficar aí.

O senhor tá bravo.

O senhor não tá bravo só com esse moleque, não.

O senhor tá com raiva aí do mundo.

Do estado em que as coisas estão.

Sério que você convence alguém com isso?

Nessa hora que eu me comovo e me solto esse anjinho aqui?

Olha, o senhor não é o único, não.

Tá todo mundo aqui com raiva.

Eu tô com raiva.

Agora sabe a diferença entre a minha raiva e a sua?

Eu sei que a minha raiva não me leva a nada.

Não muda nada.

Eu sei que a minha raiva não me leva a nada.

Eu sei que a minha raiva não me leva a nada.

Não muda nada.

Isso aí que o senhor tá fazendo não resolve o problema.

Mas pelo menos eu tô fazendo alguma coisa.

Não vai ficar o quê? Como é que fica?

Hein?

Vamos embora? Todo mundo?

Portugal? É isso? Portugal?

Lugar da moda? Miami?

Pra onde? Pra Marte? Pra puta que pariu?

Olha, pelo estado desse moleque, parece que ele já aprendeu a lição.

Deixa ele ir.

Deixa ele ir?

Pra vocês?

Pra justiça?

Qual de vocês? Qual de vocês aí?

Nunca foi assaltado. Levanta a mão, por favor.

Quem nunca foi assaltado?

Vamos lá.

E agora quem? No último ano, só no último ano.

Quem foi assaltado no último ano?

Olha.

Que maravilha.

Que maravilha. Eu gostaria de propor uma salva de palmas.

Pra esses policiais maravilhosos

que estão sempre nos protegendo

e nos deixando em segurança.

Doutor?

Será que eu posso te oferecer um copo d'água?

Eu quero.

Pede pra minha amiga trazer.

A arma que lhe dá.

Abre.

Obrigado, presidente.

Obrigada.

Vocês me conhecem. Vocês sabem que eu não gosto

de dar espaço pra sequestrador, pra vagabundo nenhum.

Mas nesse caso...

Põe na tela aí o telefone.

Você acha que ele deve matar o bandido?

Ligue zero operador na 11-3-8-7-6-7.

Se você acha que ele não deve matar o bandido,

ligue zero operador na 11-3-8-7-6-9.

Doutor, eu vou ser direta com você.

Olha pra mim.

Olha aqui bem nos meus olhos.

Eu tô há quase 25 anos na polícia.

Eu não tenho marido.

Eu não tenho filho.

Eu vivo com o meu salário de polícia.

Eu não tenho dinheiro guardado.

Eu sei o que é não ter nada a perder.

Larga ele.

Eles aprendem a eles são.

Você deve estar tão estarrecido quanto eu.

30 anos de profissão, nunca vi isso.

A nossa audiência só sobe.

Vem aqui.

Vem aqui.

E as fotos ficam mais dentro ainda.

Eu...

não ligo.

Sabe o que vai acontecer se você matar esse moleque?

Nada.

Vão falar de você uns dois, três dias aí na televisão,

mas tudo vai continuar na mesma.

Larga esse moleque.

Ele tem idade pra ser teu filho.

Filha? Eu tenho uma filha.

Ela jamais nos carrega.

Ainda assim, ela seria filha de um cara que tá assim como eu.

Um cara que tá há cinco horas apontando uma arma

com um ladrãozinho de merda bem na frente das câmeras.

As câmeras.

Aí, uma cena.

Lamento, Tarmo.

Vamos votar.

Ele mata ou não mata esse vagabundo.

Justamente eu, eu,

eu que coloquei uma tonelada de bebê no mundo.

Tô...

Tô...

Quer saber a minha opinião de verdade?

Mata esse verme.

Não.

Você deve estar tão estar em cima quanto eu,

trinta anos que eu só nunca vi isso.

Só nossa audiência só sobe pra conta agora.

Vai, vai!

Obrigada, comunhante, comunhante.

Obrigada, coletiva.

Obrigada, rio, pela audiência.

Atenção só.

Atenção só.

Atenção só.

Atenção só.

Atenção só.

Atenção só.

Ele é mal.

É essa, olha.

Isso que você passa.

Isso que você passa.

Cheira, Turquinho.

Turquinho, posiciona melhor a minha câmera, por favor.

O vagabundo.

Ele vai matar.

Ele vai matar o vagabundo.

Chega a criança da sala.

Ele está atendido.

Prazer, por razão.

Ele posiciona melhor e vai matar.

A cena é muito violenta.

Isso é uma realidade, o que está acontecendo.

Está vivo na zona norte de São Paulo, em Turcurubi.

Ryrics by

Recorre! Recorre!

Recorre!

Recorre!

Preso numa emboscada milhão, desespero bate no peito

Na contenção eu só quero zifrar, mas tinha que ser mais ligeiro

Se o crime te pega difícil, capaz, sei que o caminho é certeiro

E quando a ganância te cega, parceiro, eu vi que o buraco é estreito

Mundão giro, e eu preso aqui dentro

O doutor me chamou de um mau elemento

Minha mãe me avisou e eu não quis ouvir, moleque, vê se toma jeito

E agora eu me encontro num sonho que ironicamente virou pesadelo

É que lá no Fundão da Sul, vencer não é como eu

Não queria ser mais um pobre louco nesse mundo cão

Infelizmente, dei falha na missão

E se eu sair daqui eu vou espalhar essa visão

É que lá no Fundão da Sul, vencer não é como eu

Não queria ser mais um pobre louco nesse mundo cão

Infelizmente, dei falha na missão

E se eu sair daqui eu vou espalhar essa visão

Nessa vida louca, eu não tô de toca

Eu quero que se exploda, já tô numa pior

Me perdoa mais de simulação

Dentro da minha mente é só confusão

Nessa vida louca, eu não tô de toca

Eu quero que se exploda, já tô numa pior

Me perdoa mais de simulação

Dentro da minha mente é só confusão

Dentro da minha mente é só confusão

Nessa vida louca, eu não tô de toca

Eu quero que se exploda, já tô numa pior

Eu quero te explodar, já tô numa pior Me perdoa mais de simulação

Dentro da minha mente é só confusão É que lá no fundão da sul vencer não é

comum E eu não queria ser mais um pobre louco

nesse mundo cão Infelizmente dei falha na missão

E se eu sair daqui eu vou espalhar essa visão

Eu quero te explodar, já tô numa pior Me perdoa mais de simulação

Dentro da minha mente é só confusão E eu não queria ser mais um pobre louco

nesse mundo cão

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