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- Encontraste? - Sim, estava nas calças.
Temos de levar uma garrafa de vinho, como da última vez.
Ainda vou demorar.
Vou tomar banho, demora o que quiseres.
Estou?
Estou em casa... Não estou a fazer nada.
Não.
Está bem, vamos ao Mega.
Isso é longe e está cheio de gente.
Queres fazer compras para o ano todo?
Está bem... Até já.
Sim... Vou tomar banho e já aí vou ter.
Está bem.
Não, tudo bem, não te preocupes.
Está bem... Vá, adeus.
O que é que ele queria?
O Alex quer ir ao supermercado.
Podes comprar um aftershave lá ou assim.
- Um aftershave? - Sim, isso ele usaria.
E se fosse algo mais especial? Ele tem passatempos.
Confia em mim, é o que eu lhe ofereço.
- Está bem, se tu o dizes... - Se não for útil, ele não gosta.
- Também te comprei uma coisa. - Qual é a ocasião?
Bem... Hoje é dia 31...
Fazemos nove meses de namoro.
Pois é.
- Obrigado, mas eu não te comprei nada. - Não faz mal. Isto é para os dois.
- Gostas? - Sim.
Amo-te.
Também te amo.
Pronto, já chega.
Tenho de ir passear o Mick.
- Eu consigo. - Espera, eu ajudo-te.
Deixa estar, não sou aleijada.
Está bem, como queiras.
Tenho de ir a casa mudar de roupa.
- Está bem. A Anca já voltou? - Não, volta no dia 4.
- Não! Sai! - Mick! Não!
- Não! - Não! Sai! Anda cá!
- Anda, Kia. Vamos. - Desculpe.
Anda! Já para casa!
Cão feio!
Feio!
- Vai correr bem. O sítio é giro. - Mas vamos festejar à grande.
Claro que sim.
Vou perguntar à Adina primeiro. Tenho de a compensar.
Porquê? Discutiram?
Pelo contrário, ela é que me estraga com mimos. Por aqui.
Arranja-lhe um porco.
- O quê? - Sim, um porco.
- Um porquinho-da-índia? - Um porco a sério.
- Conheço quem tenha um. A sério. - Vivo?
Sim, um porco normal, mas para ter em casa.
É asseado. E no ano seguinte, dá para comer no Natal.
Claro.
- Estava a pensar levá-la à Tailândia. - Era o que ia sugerir a seguir.
Porquê a Tailândia?
- Porque é bonito. - Sim, é.
Não te basta as pessoas normais? Em Busteni, Poiana Tapului?
- Ter tudo incluído em Geoagiu Bai? - Pois.
O bilhete de avião é caro, uns mil euros.
Mas com 100 euros passas um mês numa cabana na praia.
A comida é barata.
E as mulheres também.
- As amêndoas? - O quê?
Preciso de comprar amêndoas cruas.
Já passámos. Estão ao pé dos doces.
Espera aqui e fica de olho nisto.
Onde é que andaste?
- Por aqui. - Onde? Andei à tua procura.
E se levavam isto?
- Quem é que roubaria uma planta? - Ladrões de plantas.
Roubam-nas e fumam-nas.
Não sei o que lhe comprar.
Leva-lhe qualquer coisa, mas despacha-te.
Quem é que oferece um aftershave a alguém? É estranho.
Quem é um tolo querido? És tu?
Estou pronta.
Não. Tu ficas aqui.
- O que foi? - Obrigada.
- Pelo quê? - Pelo presente e por vires comigo.
- Sim? - Mãe, somos nós.
Olá.
- Parabéns! - Parabéns!
- Parabéns! Felicidades! - Entrem, a carne está a arrefecer.
- Desculpem, o supermercado estava cheio. - O que é?
- Rasga o papel. - Mas é um embrulho tão bonito.
- Foi ideia do Radu. - Obrigado, meninos.
Obrigado. Leana, vamos lançar dados!
- Achei que jogavas xadrez. - E também jogo, quando o Doru vem cá.
Mas sou especialista em gamão. Noutros tempos, venci muita gente.
- Entrem e sentem-se. - Vamos.
Ainda não decidimos. Devemos estar cansados depois.
Fizemos uma passagem de ano em Caciulata. Lembras-te?
Estava na moda ir para lá de férias.
Vamos à Tailândia em março. Foi um presente do Radu.
O que vos deu?
- Como assim? São férias. - E porquê a Tailândia?
Está com medo que vos aconteça algo.
Não te preocupes. Não lhes vai acontecer nada. Deixa-os estar.
É longe e perigoso. Porque não a Grécia ou a Turquia?
Não é perigoso. Muita gente vai lá.
Só ouço falar em doenças, fome e terramotos.
Que disparate. É um destino de férias que está na moda.
Nós mostramos-lhe. É muito bonito.
- Não é caro? - Nem por isso. É mais barato do que cá.
O bilhete de avião é caro, uns mil euros.
- Mesmo com antecedência? - Sim.
Eu trago-te outro.
Mesmo à última hora, quando fazem ofertas especiais.
- Obrigado, chega. - Vá, come.
- Obrigado. - Desculpa.
- Toma. - Obrigada.
Admira-me que a Adina vá para um lugar tão exótico.
Ela nem quis ir a Singapura.
- Pai... - Como assim?
Como se chamava? Temasek... O politécnico deles.
Foi aceite num mestrado lá.
Um professor aconselhou-a a candidatar-se, como é boa aluna.
Não era mestrado, era só uma bolsa.
Sim, uma bolsa, mas para cinco meses. E aceitaram-na.
- Há dois ou três anos. - Quatro.
Estava tudo assegurado, renda, comida, centenas, milhares de dólares.
- Certo, milhões até. - Ainda eram uns quantos dólares.
Só para ir para lá estudar.
- E? - E ela não foi.
Deixou que outro aproveitasse. Para quê ter um diploma internacional?
- O Polo Sul ficava mais perto. - Tinha todo o conforto lá.
Piscina, campo de vólei,
campo de ténis, oportunidade de viajar...
Como se eu fosse sabe-se lá para onde sozinha.
Não era apenas uma oportunidade profissional.
Podia aprender os costumes de outras pessoas.
Como se a vida dos chinocas me importasse.
Dissemos-lhe que ficava a perder, mas ela lá sabe.
A Adina é assim, gosta de coisas práticas.
- Esperemos que não se arrependa. - A decisão é dela.
Preferimos tê-la perto de nós.
- Mais ervilhas? - Não, obrigado.
Só um pouco. Vá.
- Pronto. - Não, obrigada.
Bolas, ela tranca sempre duas vezes.
Não demoro.
- Vais mudar de roupa aqui? - Estava a pensar mudar em tua casa.
Porquê perder tempo? Não vamos voltar para cá?
Ficamos aqui hoje?
Então vou já mudar. Um segundo.
- Já soubeste da Smara? - Não. O que aconteceu?
Acabou com o Vivi e enrolou-se com o irmão dele.
- Não acredito! - Sim.
Mas o irmão do Vivi andava com a não-sei-quantas.
Parece que já não.
Vêm os dois esta noite?
Acho que não. Devem estar com remorsos.
- E os irmãos ainda se dão? - Também não faço ideia.
- O que é aquilo? - Um guarda-roupa pequeno.
Comprei para nós, para guardar roupa em tua casa.
Estavas fora e trouxe-o para aqui, mas depois esqueci-me.
- O meu guarda-roupa não chega? - Sabes bem que está cheio.
Mas não tens muita roupa lá.
Precisamente por causa disso. Não há espaço.
Não sei onde vamos pôr isso.
Ao lado da secretária, eu já medi.
- Boa. - Levamos amanhã quando sairmos.
Trazes-me o eyeliner e rímel da mala?
Aliás, traz-me a mala.
- Aquela história da bolsa... - O que tem?
- Porque é que não foste? - Não era tentador o suficiente.
Porquê?
Não me pareceu importante ir para Singapura.
Porque perguntas?
Por curiosidade.
Na altura estavas com o Robert?
Isso importa?
Não podiam candidatar-se os dois à bolsa?
Sim, mas ele arranjou algo cá e não quis ir.
Foi por isso que não foste?
Não só.
No teu lugar, teria ido sozinho.
Acredito que sim.
- Como assim? - Eu sei que tu conseguias ir sozinho.
Eu não conseguia.
- Ou não quiseste deixar o Robert? - Sim, claro.
- Também foi por isso, não foi? - Porque estamos a falar disto?
Então foi por isso.
Não nos adianta de nada falar do que já passou.
Qual era o problema de o deixar sozinho?
Eram só cinco meses.
Sei lá o que ele teria feito nesses cinco meses.
O que achas que ele teria feito?
Eu não sou parva.
Obrigada.
Isso não me impede de ter filhos. Não fico naquele apartamento para sempre.
- Tens de pensar no futuro. - Já tenho bastante em que pensar.
Depois falamos. Espera até a Raluca começar a ter ideias.
Não vou ter ideias nenhumas. Parem com os disparates.
A minha avó tem casa nos subúrbios. É velha, mas o terreno é valioso.
A zona está a desenvolver-se.
Mas fica muito longe do centro. Ele sabe bem.
Um pouco, dependendo do trânsito.
Viras na Rua Vladimirescu e apanhas a Rua 13 de Setembro.
- Sem trânsito, demoras cinco minutos. - E com trânsito?
Com trânsito, ficas em casa. Constróis uma piscina e passas lá o dia.
- Construo uma piscina? Nos subúrbios? - Há espaço para isso.
- No verão ias gostar. - Do que preciso é mesmo de uma piscina.
Se não te importares que os vizinhos te vejam nu.
Constróis um muro alto e está resolvido.
Como os snobes que se mudam para os condomínios nos subúrbios.
Olham pela janela e veem paredes de cimento.
Pouco importa, não há muito para ver.
Se não te importares de ter muros como nas prisões.
Juntas arame farpado e ficas com uma prisão.
O que te aconteceu? Olá!
Chamem uma ambulância! Alguém desmaiou!
Estás bem?
Depressa!
- Tem pulsação? Respira? - Está a voltar a si.
- Deve ser epilética. - Morda-lhe o dedo.
Não, ela vai ficar bem.
Não posso fazer muito. Ela precisa de descansar.
O meu colega está a ligar.
- Calma. - Meu Deus.
- Depressa! - Respira.
Está tudo bem.
Não tenhas medo.
- Estiveste a fumar. - Um cigarro.
Estás bem?
Sim.
E tu?
O dinheiro fala mais alto Ele levanta-te, ele derruba-te
Está tudo nas mãos dele O dinheiro fala mais alto
O dinheiro fala mais alto...
Quinze, catorze, treze,
doze, onze,
dez, nove, oito, sete,
seis, cinco, quatro, três,
dois, um... Feliz Ano Novo!
Feliz Ano Novo! Amo-te.
Feliz Ano Novo!
Feliz Ano Novo!
Nadia!
Nadia!
Feliz Ano Novo!
Nadia! Vens connosco?
Não vale a pena pensar porquê, querida
Se não sabes já a resposta
Não vale a pena pensar porquê, querida
Não iria fazer diferença
Quando o galo cantar Ao amanhecer
Olha pela janela E eu já terei partido
Tu és a razão pela qual eu viajo...
O Alex e a Raluca perguntam se vamos com eles.
- Queres ir? - Tu não?
Sabes que não ligo.
Mas é a passagem de ano. Devíamos divertir-nos.
- Não te divertes comigo? - Não foi isso que quis dizer.
Podes ir, mas eu vou para casa.
Vá lá, não comeces.
Então vamos divertir-nos juntos.
Também podemos estar juntos na festa.
- Está tudo bem? - Sim.
Prova este, é delicioso. Leva aipo-rábano.
Obrigado.
Não consigo divertir-me num sítio daqueles.
Nem sequer conheces o sítio.
Como é que sabes que não vais gostar?
É assim tão estranho querer estar contigo e não em discotecas?
- Só estou a dizer que nem sequer tentas. - Não há nada para tentar.
Quero estar contigo de forma a que agrade a ambos. É pedir muito?
- Se não vais gostar, não vale a pena. - Será a nossa noite especial.
Vais ver que vais gostar.
Está bem.
De certeza?
Ótimo.
Adoro chuva e camisas com flores
Não respondo a insultos
Coisas banais são capazes de me animar
Faço uma vénia e pondero
Sobre o que é sagrado E o que é passageiro
O medo de ser sincero
Pesa-nos nos ombros
Mas quantas vezes, meus amigos
Sorrimos embora tristes
Quando as expectativas Parecem enganadoras
Engano e loucura Esconderam a sua felicidade
Mas sabem, meus amigos Quantas vezes os apanhei
Estamos fartos de palavras vazias
De livros e filmes sensacionais
Com vampiros, reis e cadáveres
Com estrelas de feiras de aldeia
A chuva que virá...
O que fazes aqui sozinho?
Vim só apanhar ar.
Não disseste que não bebias?
Eu deixo o carro aqui.
Sabes que é difícil arranjar táxi.
Havemos de arranjar.
O que se passa?
Nada. Porquê?
Disse algo que não devia?
Diz-me. Vejo que estás chateado.
Desculpa se te chateei.
- Se quiseres, vamos à festa. - Não vamos a lado nenhum.
Não dá para continuar assim.
Como assim?
Não vale a pena continuarmos juntos.
Acho que não temos o que é preciso... para continuar juntos.
O que queres dizer?
Estás enganado.
Nós temos o que é preciso.
Eu amo-te.
Não há razão para acabarmos. O que te deu?
Amamo-nos, tu é que não percebes.
Seria estúpido acabarmos.
Desculpa.
Eu gosto de ti, mas...
...acho que não o suficiente.
Não queria que acabasse assim.
Não aqui... Não agora.
Porque é que queres isto?
- Dei-te tudo, fiz tudo por ti! - Eu sei, a questão não é essa.
Então qual é?
Nada em particular.
Eu é que...
acho que é o melhor para nós.
Eu sei que não temos passado muito tempo juntos,
mas vais ver que fomos feitos um para o outro.
Não estragues tudo agora. Dá-nos outra oportunidade.
Fiz alguma coisa de mal? Diz-me!
- Disse algo de mal? - Não...
Então o que foi? Porquê agora? Porquê hoje?
Por favor, pensa nisto. Não estragues tudo.
Não há nada para pensar.
Já te disse...
Eu gosto de ti.
De certa forma...
Sim, amo-te.
Achei que fazíamos um bom par, mas...
...já não sinto isso.
Estou a ser sincero.
Sincero? Chamas a isto sinceridade?
Aquela anormal ligou-te? Quer que a fodas?
Ninguém ligou.
Julgas que não te vi quando chamaram o nome dela? Achas-me parva?
Não olhei para nada.
- Quem andas a foder? - Ninguém.
Ninguém... Não a queres foder, mas queres acabar comigo.
- Vai à merda. - Chega.
Devias ter vergonha, seu imbecil. Devias ter vergonha.
Está tudo bem?
Olá.
- Levas a Adina à casa de banho? - Não vou para casa de banho nenhuma!
Desaparece da minha vida!
Nunca mais te quero ver, nem ouvir falar de ti!
- Que cara é essa? - Estamos a falar, dá-nos um segundo.
Está bem. Onde está o Toma?
- Não sei. Procura-o tu. - Que mau feitio.
Está ali.
Até o Ducu diz que devias vir.
Eu percebo, a sério. Mas é a passagem de ano, anima-te.
Certo...
Não é que eu não goste dela.
É só que...
Não sei.
Podias ter esperado uns dias para não lhe estragares o ano.
Sim, eu sei.
Aconteceu.
Mas ela já estava chateada comigo.
- A sério? - Sim.
Há pouco, virei-me quando alguém chamou por uma Nadia.
E ela viu-me a olhar.
- E era a Nadia? - Não, claro que não.
Eu continuava à espera que algo mudasse.
Eu também não me dou lindamente com a Raluca.
Mas temos de ceder um pouco.
Tu cedes, claro.
Queremos uma senhora em público, uma boa cozinheira e uma louca na cama.
- Essa combinação não existe. - Eu sei.
Mas quero uma pessoa mais...
descontraída, espontânea, não tão intransigente.
Tu é que sabes. Anda.
Vamos à festa e vai ficar tudo bem.
Pois, não sei, não estou com grande paciência.
Ouçam bem, pessoal...
Conhecem a anedota? Daquele tipo... É muito engraçada.
Precisamos de outro carro.
Nós vamos neste e vocês vão noutro. Ducu, tu vens connosco.
Era um Dacia velho, sem direção assistida, nem ABS.
Travava e o capô do carro abria.
Os capôs dos carros antigos abrem ao contrário.
Eu mantinha-o aberto para ventilar o motor.
Quando travava, o capô levantava. Travava, mas o capô não...
Voou para o para-brisas de outro. Partiu-o todo.
Um Dacia descapotável.
Quem é aquela?
- Não a conheço. - Cala-te!
- Os teus pais bateram-te? - Não disseram nada.
Toca a acordar!
Sim...
Estava a pensar no capô do Ducu.
- Queres que entre no beco? - Não, fico aqui.
Aqui, aqui...
- Como estás? - Bem. E tu?
Também. Onde está a Adina? Estás sozinho?
- Sim. - Então?
Acabaram?
- Acho que sim. - Lamento.
Talvez seja melhor assim.
O que se passa?
Anima-te!
Queres que a Eva te faça uma lap dance?
O que queres que faça para te animar?
Desculpa.
Importas-te?
Eu levanto-me, se quiseres.
É preciso esfregar-me ainda mais em ti para me ligares?
Não estamos a fazer nada.
Eu sei. Mas não é a altura certa.
Desculpa.
Então?
Não fico mais, vou-me embora.
Vá lá, não sejas parvo.
- Não vale a pena, não estou com cabeça. - A noite ainda é uma criança.
Eu sei, mas para mim chega. Vou para casa.
Já vamos todos embora, a festa acabou.
Ainda estás a pensar na Adina?
- Tu tomaste uma decisão. - Sim.
É curioso que tenham chamado o nome dela.
- O nome de quem? - Da Nadia.
Chamaram o nome dela à meia-noite. Eu disse-te.
Há mais Nadias no mundo. A Nadia Comaneci, por exemplo.
- Achei que a tinha visto no supermercado. - A Nadia Comaneci?
Se calhar viste a Nadia Comaneci e nem sabes. Não lhe pediste um autógrafo?
Liguei-lhe, mas tem o telemóvel desligado.
Ela está nos EUA. Provavelmente a dormir.
Na verdade, lá é mais cedo. Está a preparar-se para o Ano Novo.
Já viste que para ela ainda é o ano passado?
- Esquece. - Desculpa. Fala-me da Nadia.
Achei que a vi no supermercado.
E acho que talvez seja um sinal.
Um sinal de quê?
Não sei.
Talvez de que desisti dela e não devia.
De quem? Da Nadia ou da Adina?
Da Nadia!
Liguei, mas tem o telemóvel desligado.
Pois.
Não há nada a fazer. Vamos ao The Ark. Assim distrais-te.
Tenho de falar com ela.
Queres encontrar a Nadia, hoje?
Fumaste alguma coisa? Também quero.
Saíste-me cá uma encomenda...
Ela também não atende.
Adeus.
Desculpe, mudei de ideias. Vá para o mercado de flores de Cosbuc.
Aliás, não. Mudei de ideias outra vez. Vá para Popa Nan.
Desculpe.
- Posso entrar para procurar uma pessoa? - Tens de pagar.
- Quanto? - Cem.
São cinco minutos.
- Sabes da Nadia? - Quem?
- A Nadia. - Se estivesse aqui, tinha-a visto.
Está tudo bem?
Feliz Ano Novo.
Radu!
- Então? - Viemos fumar. E tu?
- Mudaste de ideias? - Sim.
Não queria estar sozinho no Ano Novo.
Já sabes... Sozinho hoje, sozinho o ano todo.
Precisamente.
- O Alex e a Raluca? - Desceram.
- Nós já vamos. - Está bem.
Então? Porque é que não atendeste? Liguei-te.
Vi a Nadia por aqui. Estava com a Miruna, nas casas de banho.
Não as encontro.
Olá, fala o Radu.
Feliz Ano Novo para ti também.
Estou no The Ark.
Eu sei, o Alex contou-me. Não nos cruzámos.
A Nadia está contigo?
Podes passar-lhe? Tem o telemóvel desligado.
Sim...
Não...
Podes deixar que seja ela a decidir?
Ela é que sabe se quer ou não.
- Estás bem? - Levanta-te, vamos ao Fabrica.
Como é que vamos? Somos muitos.
Quantos somos? Quatro, seis, nove, com o Radu, dez.
Parem de rir... Precisamos de três carros.
- Vens? - Vamos a pé, é perto.
Não comeces. Disseste que te ias divertir.
- Como é que vamos? Está frio. - Eu vou.
Assim é que é.
- Onde é que apanho um táxi? - É a dez minutos a pé.
O que é que tens?
Não tenho nada.
Então o que se passa?
Fiz asneira.
Mas tu disseste-me que já não a amavas.
- Não foi a altura certa... - Refiro-me à Nadia.
- Acabei com a única mulher que amei. - Não me digas.
Liguei à Miruna, mas ela desligou.
Tenho de encontrá-la.
Estás a falar a sério?
Eu entendo, mas pensa bem, ela pode ter alguém.
E porque não? Não te vais casar hoje.
- Não sei. Sinto-me... - Esquece isso.
Ouve, prometo que amanhã de manhã a levo até ti.
Mas esquece-a durante umas horas e diverte-te.
Mas é estúpido acabar com uma e voltar para a ex.
Tudo numa só noite. Que novela.
Eu não acho.
Vocês vêm? Vamos a pé.
Vamos.
- Vamos lá, pessoal. - Vamos.
- Em Os Caçadores de Mitos. - Tinha reconstituição.
- Poupa-me. - Isso é tudo propaganda, até o Discovery.
Não é nada. É o braço direito do partido! Deixem-se de histórias de propaganda.
Então prova que estou errado.
Poupa-me. A aterragem na Lua foi um embuste.
Foi tudo encenado. Eles estavam com medo.
- Foi tudo gravado em estúdio, não foi? - Sim, contrataram o Kubrick.
Mas o Kubrick era um péssimo realizador e esqueceu-se de coisas lá.
- E começaram a especular. - Viste o 2011: Odisseia no Espaço?
- Viste alguns erros lá? - Vá lá, poupa-me.
Estou a dar-te a maior prova...
- Falei com ela ao telemóvel. - O que disse?
Pouca coisa, estava a chorar... Não está muito bem.
- Não deve estar. - Mas...
Queria saber como estava. Disse que queria ficar sozinha.
Sagitário. É uma combinação estranha. Não é má, mas é estranha.
- Sabes o ascendente? - Era o que eu queria saber.
Dizem que depois dos 30 o ascendente torna-se mais forte.
Então estás a transformar-te em Capricórnio.
Acho que é o contrário.
- Os Sagitários dão-se bem com Virgens? - Com Virgens?
Não sei, são signos opostos.
- Olá. - Olá.
- É assim que te divertes no Ano Novo? - Sim.
- Emilia. - Radu, prazer.
- Igualmente. - Eu sou a Cristina.
Desculpem, esqueci-me de vos apresentar. São colegas minhas. Amigas.
- Meu Deus, está um gelo. - E Virgens?
- Para onde é que nos levas? - Para a praia.
Cuidado, está escorregadio.
Não me sai da cabeça.
- Cristina, dás-me um cigarro? - Sim.
- Vá! - Espera.
- Não acredito. Aqueles estão a foder! - Onde?
- Ali, na janela! - Ele tem razão!
Venham cá, há um casal a foder à janela!
Afinal são três! Há duas mulheres!
- Sortudo do caraças! - Que idiota!
Sabe divertir-se na passagem de ano!
- O que queres dizer com isso? - Sabes bem o que quero dizer.
Todos nós sabemos.
- Diz à Raluca, a ver se ela percebe. - Continua a tentar, talvez consigas.
Não!
A culpa é tua. Alinhaste os chacras ou algo assim.
Porque é que os homens só querem ménage à trois com duas mulheres?
São demasiadas perguntas.
Porque gostam que as mulheres se sacrifiquem por eles.
E a emancipação feminina?
Se alguma vez acabares com o Alex, eu não me importo de me sacrificar.
Aliás, nem têm de acabar, gosto da pele macia e pálida dele.
Ducu, espera, esqueci-me de uma coisa.
Acho que ela não sabia disto na altura. Simplesmente seguiu o coração.
Como os apaixonados.
Mas alguém apaixonado tem de pensar nas consequências.
Por exemplo, nos pais dela.
Estás a dizer que, se estiveres apaixonada,
tens de te sacrificar pela pessoa que amas?
Estou a dizer que ela provavelmente fez tudo isto por estar apaixonada.
Acho que não foi simples para ela.
Mas também não foi complicado. Ela apenas se deixou levar.
Não me parece.
Ela podia ter abortado e não abortou. Porque estava apaixonada por ele.
É óbvio que ser mãe solteira é que é uma opção complicada.
Se ela se deixasse levar, teria feito um aborto.
É como dizer que toda a mulher apaixonada
deve sacrificar-se estupidamente por um homem.
Mas isto também acontece com homens.
O amor é como um feitiço que não nos deixa pensar como deve ser.
O que importa numa relação é o respeito e a compatibilidade.
Não tenho a certeza disso.
Acho que não nos apaixonamos todos os dias e não temos de perder a cabeça assim.
Estás a dizer que se te apaixonares por um homem e ele te disser:
"Vamos para a... Patagónia." Vais porque o amas?
Depende.
Se o amar e o sentimento for mútuo, porque não?
Aliás, já o fiz.
- Como assim? - Já me aconteceu isso.
Conheci um espanhol em Berlim e, quando ele teve de voltar para Espanha,
deixei a faculdade e tudo para trás, e fui com ele.
Nunca pensei que fosse capaz.
- Quando foste? - No ano passado, para Barcelona.
Quanto tempo? Não sabia disto.
Fiquei só dois ou três meses. A relação acabou por esmorecer.
Ele fartou-se rapidamente e eu tornei-me um fardo.
- Ao menos, não engravidaste. - Não, graças a Deus!
Mas podia ter acontecido.
Ela é doida, por isso não me surpreende.
Queres dizer "apaixonada". Fora isso, sou sã.
Nunca tinha feito nada assim e nunca pensei ser capaz.
Porque acabou tão depressa?
Acabou e pronto.
Ele era especial, por assim dizer.
Era uma espécie de monge zen, que andava em mosteiros.
Espera... Como assim?
Em Berlim, eu tinha uns amigos artistas que eram ocupas.
Ele vivia com eles. Foi como o conheci.
E pronto... Em Espanha, vivíamos onde podíamos.
Vivíamos com amigos, com familiares... Até chegámos a viver num mosteiro.
Foste para Espanha sem um lugar para viver?
Não só não tenha onde viver, como já não tinha dinheiro de Erasmus.
Fui para Berlim através do Erasmus. Não tínhamos nada.
Saíamos quase todas as noites e mais do que uma vez,
voltei para casa sozinha porque... ele tinha arranjado outra rapariga.
A sério? Fizeste as malas e vieste embora?
Não foi bem assim.
Primeiro, pensei:
"Não quero saber. Se ele não quer comprometer-se, tudo bem.
Vou tentar compreendê-lo e dar-lhe a liberdade de que precisa."
Mas o tempo foi passando e ele desaparecia cada vez mais vezes.
O que é que eu disse?
- Cada um tem o que merece. - E então...
A certa altura, tornou-se claro que já não havia nada entre nós.
Fiquei furiosa e disse-lhe com toda a sinceridade
que se ele queria acabar, tudo bem,
mas tinha de me arranjar dinheiro para o bilhete de avião.
E foi assim.
Ele arranjou-me o dinheiro e foi o fim da história.
E na minha última noite lá, dormi num banco na estação.
A sério? Na estação de comboios?
- Não te falta um parafuso? - Diz ela que é "sã".
Estes Gémeos...
- Eu sei, não me orgulho disso. - Não, obrigado.
- Pai Natal! - Obrigada.
Fiz o que achei correto na altura.
As pessoas erram.
É verdade, mas tu estavas a pedi-las.
Suponho que sim.
Provavelmente perdi o entusiasmo que tinha no ano passado.
Mas acho que não me tornei pessimista.
Se não tivesse acontecido, talvez estivesse mais segura.
Mas teria ficado a pensar: "E se..."
É horrível tentarmos não nos magoar enquanto nos agarramos a ilusões.
Eu prefiro ilusões a dormir numa estação de comboios.
Não é agradável, concordo.
Na altura pareceu-te o melhor, mas não pensaste muito nisso.
É provável.
Queres ir um pouco lá fora?
Vá lá, quero falar contigo.
Então, fala.
Não pode ser aqui.
- Vamos lá para fora. - Não percebo para que é isto.
Quero falar contigo.
Acho que dissemos o que tínhamos a dizer.
Não te incomodo muito, prometo.
Não sei onde queres chegar. O que há a dizer?
- Achas que... - O Paul está aqui?
- Quem é o Paul? - O Paul. Estava aqui há cinco minutos.
Achas que estou a fazer isto sem motivo?
Não sei e não quero saber.
- Estou a dizer-te que não. - Tal como disse, não me importa.
Não faz diferença.
Tenho de te dizer algo importante.
Não sei porque é que havia de me importar.
Por favor, vamos lá fora.
Liguei-te, mas tinhas o telemóvel desligado.
Foi uma altura de merda... Estava tudo encrencado.
Se não aceitasse, voltava para casa.
- Radu... - Não é uma desculpa.
Às vezes temos outras prioridades.
- Radu... - Não tinha tempo livre.
- Mal tinha tempo para acabar o trabalho. - E então?
Tu também tinhas bastante trabalho com a ONG...
- Não vejo o sentido disto. - Tinhas ideias...
- A ONG tinha algo a ver com isso? - Eu acho que tinha.
Também estavas demasiado ocupada e eu quis deixar-te em paz.
Estás a brincar? Isso é tudo da tua cabeça.
O importante era passar tempo contigo.
Bem, eu queria...
Senti que não tínhamos tempo um para o outro. Tudo era rotina.
Não me lembro das coisas assim, mas se é como te lembras...
Vim aqui para me dizeres que a nossa relação não resultava?
Não.
Para quê esta conversa? Não estragaste o suficiente?
Não foi a minha intenção.
Então, qual é? Chamaste-me aqui para quê?
- Chamei-te aqui... - Para te justificares?
Obrigada, não é preciso. Já lá vai.
Não foi por isso.
Então, porquê? Parece que queres desenterrar o passado.
Não quero nada. Quero explicar...
Explicar o quê? Não é demasiado tarde?
Já te explicaste muito, o que é que falta?
Estou a tentar dizer-te uma coisa...
...que é importante para mim.
O quê?
- Quero explicar porque é que fiz aquilo. - Porquê?
- Porque estava errado. - Como assim, estavas errado?
Estou a dizer que cometi um erro e não sei como...
...o hei de resolver.
Resolver o quê?
Vais achar que sou um idiota,
mas na altura eu não percebi.
Do que é que estás a falar?
Estou a falar
do facto de teres sido a pessoa com que me senti mais feliz.
- Desculpa? - É a verdade.
Como assim, é a verdade?
Percebes o que estás a dizer? Estás a brincar comigo?
- Não. - Então?
A única coisa que posso dizer...
...é que dantes não percebia, mas é de ti que preciso.
- Acho que estás louco. - Não estou.
Então como é que podes dizer isso?
Eu achei que tinha de deixar as coisas como estavam, mas...
...percebi que preciso de ti.
Não me digas!
E isso apaga tudo o que aconteceu?
Não, claro que não.
Mas acabei com a Adina porque pensava em ti.
Percebi que precisava de ti e não dela.
Estou mesmo a falar a sério.
Percebes como és egoísta?
Falas como se o mundo girasse à tua volta.
Eu sei que não foi justo para ti.
Mas achei que estava a fazer o mais correto.
Não foi justo?
Eu digo-te o que não foi justo.
Que meses depois pensasse que a culpa era minha!
Que tinha feito algo de mal!
Que eras demasiado bom para mim! Que eu era feia de mais!
Demasiado magra! Pouco inteligente!
Que talvez te aborrecesse! Isso é que não foi justo!
Não quis que pensasses assim.
Eu disse-te o que achava ser verdade na altura.
Que não havia o suficiente entre nós. Que se estava a tornar rotina.
A rotina era o teu problema?
Só estivemos juntos dois anos! As pessoas aborrecem-se tão facilmente?
O teu egoísmo é que foi o problema! Fazias apenas o que te deixava feliz.
Tens cá uma lata!
Era o que achavas correto na altura?
Tornaste-te mesmo caprichoso!
Tens noção do quanto pensei no que disseste?
"Acho que já não te amo mais."
Sabes a esperança que a palavra "acho" me deu?
Deixei uma porta aberta,
por uma pequena hipótese de ainda me amares, um "talvez"...
Sabes quanto tempo demorei a perceber que estavas a ser educado?
Não sabes.
Nem sabes quantas vezes acordei a chorar por termos acabado.
Por não voltarmos a estar juntos.
Por eu te amar e tu não quereres saber! E é isso.
E agora o "momento" é diferente!
Chegaste a outra conclusão!
Estou-me a marimbar para as tuas conclusões.
Não preciso de conclusões, obrigada.
Não consegues voltar a amar-me?
Voltar a amar-te? Vai à merda, seu sacana egoísta.
- Não quero voltar a ver-te. Larga-me. - Eu amo-te.
- Tira as mãos de mim! - Perdoa-me.
Desaparece. Larga-me.
Perdoa-me. Nadia.
Achei que te vi hoje no supermercado.
- No supermercado? - Sim.
- Eu não estive no supermercado. - Não?
Não.
Achei que eras tu.
De certeza que foi hoje?
Por volta das 11h.
Fui às compras.
Então foi só uma impressão.
Volta aqui!
- Eu mato-te! - Anda!
Estás louca, mulher?
Ouve...
Qual é a cena dos monges zen?
Quais monges zen?
Quero dizer, o que é que eles fazem?
Porquê, viste algum?
Não, estou só a perguntar. Não sei nada sobre eles.
- Queres tornar-te monge ou quê? - Não.
Queres ser mais sábio e não sabes como.
Não. Estava apenas curioso.
Que tipo de rituais é que eles terão?
Andas stressado e queres relaxar praticando a arte zen.
Esquece.
Não sei. Eu não sou a Wikipédia.
Não mudou muito.
Desculpa. Estive fora e...
Não faz mal.
Já me conheces.
A sério, não faz mal.
- Isto também foi o Robert que me deu. - Quem é o Robert?
Saí com ele no verão passado.
Robert Dumitrescu?
Não. Quem é o Robert Dumitrescu?
Ninguém.
- Tenho uma surpresa para ti. - Meu Deus! Outra?
- Espero que seja boa. - Acho que vais adorar.
E se passássemos um mês na Tailândia?
O que dizes?
- Não sei. - O que achas?
O que é que acho? Que és louco.
Sei que gostas dessas coisas.
- E gosto, mas... - Não gostavas de viajar?
- Sim, continuo a gostar. - Então?
Não posso deixar o trabalho durante um mês.
Nem uma semana consigo tirar.
Eu disse que a ONG também contribuía.
Com o salário que tens, nem devias hesitar.
Tira uma licença. Talvez não um mês, mas ninguém morre por duas semanas.
Talvez.
Mas também estou a pensar no dinheiro. Claro que me parece bem, mas...
Não, é um presente meu.
E não é assim tão caro, pelo contrário.
Só o bilhete de avião é que é mais caro.
Podias usar o dinheiro em algo importante.
Gostava de ir à Tailândia contigo. Isso é importante.
Adorava, mas... não sei.
Acho que não é a altura certa.
A altura certa é quando quiseres.
Podíamos ir para o litoral, por exemplo.
- Ou para o litoral da Tailândia. - Vá lá...
- Podíamos ir a Vama. - Não, Vama, não.
Ou ao Delta, ouvi dizer que é muito bonito.
Ao Delta...
Sim, ao Delta.
Tens a certeza?
Está bem.
Podemos ir para o litoral.
Não temos de ir à Tailândia para estarmos bem.
Vês?
E não temos de decidir já. O ano ainda agora começou.
Sim.
O Delta é bonito.
É melhor do que Vama.
Vamos dormir. Estou exausta.
Temos de abrir a cama.
Eu ajudo-te.
Ainda agora voltámos e já estamos a marcar férias.
Legendas: Margarida Ribeiro e Silva
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