All language subtitles for Corazon de leon (HDRip) (EliteTorrent.net)

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Original subtitles

Recebeu três mensagens novas.

Primeira mensagem.

Olá, sou eu, a tua irmã. A estreia daquele filme Francês

que te falei, Clear Look, é na quinta-feira.

Queres ir? Compro bilhetes?

Liga-me. Beijos.

Segunda mensagem.

Juana? Juana, temos de falar. Onde estás?

Olha, o que aconteceu hoje, não faz sentido, está bem?

Estamos a misturar a vida pessoal com o trabalho.

Porque é que não me dás ouvidos?

É melhor chegarmos a um acordo em vez de irmos para tribunal.

A sério, por favor.

Liga-me e falamos sobre isso. Já te deixei três mensagens.

Onde estás?

É urgente. Liga-me.

Terceira mensagem.

Olá, Casa.

Eu sou o estranho que encontrei o teu telemóvel.

Estou a ligar porque um dos contactos dizia "Casa,"

o que me faz pensar que o dono deste telefone vive aí.

Estou a ligar para o devolver.

Vou deixá-lo ligado até às 23h de hoje.

Fico à espera da sua chamada. Até logo.

Fim de mensagens.

Olá, Casa.

Olá, cheguei agora e ouvi a sua mensagem.

Tem o meu telemóvel?

Sim, encontrei-o na rua.

Devo o ter deixado cair ou algo. Perdi-o esta tarde.

Não, tu atiraste-o fora.

Estavas furiosa, a berrar, gesticular. De repente tiveste um ataque de raiva...

Eu não sei o que aconteceu, mas tu atiraste-o fora.

Desculpa, quem és tu?

Não te preocupes, tu não me conheces.

Eu estava no café. Tu apareceste e... bom.

Foi impossível não ficar hipnotizado com uma mulata tão bela...

a gesticular e a berrar.

Estou tão envergonhada!

Não estejas. Todos temos dias menos bons, Casa. Por falar nisso,

tenho de te continuar a chamar de Casa, ou vais me dizer o teu nome?

Juana, e o teu?

León. Estou um bocado curioso.

Com quem estavas a falar tão zangada?

Com o meu ex. Tive um dia tão horrível.

Acordei do lado errado da cama, e a partir daí foi cada vez pior.

Entendes o que quero dizer?

Sim. Claro.

- Merda! - Que aconteceu?

Não! Ia tomar um banho e estou prestes a afogar-me na minha sala de estar.

Calma. Eu ligo-te de volta, dentro de cinco minutos.

Está bem, adeus!

Estou!

Finalmente atendeste.

Querida, liguei-te o dia todo mas ia sempre para a caixa de correio.

Onde estás?

Oh não, agora não, Edgar.

Que se passa? Porque é que pareces toda stressada?

Se este dia não acaba, vou dar em doida. Quero tomar banho,

ir para a cama e descansar. Só isso.

A última coisa que quero é discutir contigo. Suplico-te.

Não, não quero discutir contigo também,

por isso estou a ligar, para conversarmos civilizadamente.

Tu ligaste para discutir.

Não, não liguei para discutir. Não leves isso para o lado pessoal.

Isto é um assunto de negócios, certo?

Edgar.

A sério. A minha opinião é que devem ir a julgamento.

Qual é a tua? Preciso de saber para ligar ao cliente.

Não entendes?

Estamos a arriscar muito com coisas que não têm nada haver com dinheiro, Edgar?

Se não concordas, é problema teu.

Eu não concordo. Vamos acabar por aqui.

Já acabamos as coisas há muitos anos, querida.

Estava a falar profissionalmente. E não me chames de querida, está bem?

Tanto faz. Como queiras fofinha. Mas temos de resolver isto.

Vejo-te amanhã no escritório. Estou à espera duma chamada.

Está bem, que devo dizer...

Espera, quem te vai ligar a esta hora?

Porque depois das oito tu nunca atendes, a não ser...

É pessoal?

Adeus, Edgar!

Juana! Juana?

Como resolveste a situação da água?

É sempre a mesma coisa.

Começo a tratar das minhas coisas e quando menos espero, estou inundada.

Nunca encho até cima. Uma vez quase me afoguei.

Já tinhas ligado antes?

Sim, mas estava ocupado.

O meu ex.

Disseste, "o meu ex."

Claro, tu desligaste-lhe na cara hoje.

Bem, imagino que têm montes de coisas a dizer um ao outro.

Quando é que se separaram?

Há um ano atrás. Mas aparentemente ele não recebeu o recado.

Desde quando é que eu revelo a minha vida pessoal a um estranho?

Bem, eu também não te conheço.

Mas, eu não entendo.

Vocês separaram-se, mas ele não sabe, é?

- Nós somos sócios. - Ah!

- Têm um sociedade? - De advocacia.

- És advogada? - Sim.

Que interessante.

Advogada criminal?

Civil. Sou advogada de família.

- Ainda melhor. - És falador!

Tudo depende da contrapartida.

E tu, além de seres muito carismática, és a mulher mais bonita

que eu vi até hoje.

Uau, tanto silêncio.

Olha, em seguimento da nossa conversa, tu podes pensar e mesmo dizer

que esta conversa está a ficar um bocado estranha.

Sim, a conversa está a ficar uma bocado estranha, de facto.

Estão, sabes que mais? Devíamos pegar nesta situação rara

e torná-la num encontro maravilhoso e não acidental.

Para quem é que esse encontro seria maravilhoso?

Para mim, claro. Isto é totalmente unilateral.

E o que é que eu ganho?

Um telemóvel, em troca de um jantar.

Queres mais?

- Mas o telemóvel é meu! - Mas sou eu que o tenho.

Olha, León, sou um bocado relutante quando se trata de jantar

ou sair com pessoas que não conheço.

E se for de dia, Juana?

Não sei, que tal almoçar? Tomar um copo de sumo, um café...

um gelado, um passeio no parque.

Já sei, podíamos ir pescar trutas e almoçamos depois.

Por favor, estou a ficar sem ideias.

Verdadeiramente determinado.

É uma das minhas virtudes.

És mesmo muito modesto.

Temos de ser honestos.

Ser modesto não me faz ter um sim.

Certo?

Bem, León, eu não te quero dificultar as coisas.

Eu estou livre amanhã por volta das

3 horas da tarde.

Não estava na agenda perder o meu telemóvel.

Não sei se é uma boa hora para ti.

Não, perfeito para mim.

Às três e meia, aonde?

Que tal no café onde eu te vi e tudo isto começou?

Pode ser, não é longe do meu escritório.

Acho que consigo chegar a horas.

Perfeito.

Vejo-te lá, então.

Mas, como te vou reconhecer?

Eu reconheço-te.

Sim, claro, que tola!

Bem, até amanhã.

Adeus, Juana.

Adeus.

Bom.

Perfeito.

Muito bem, Sr. Dávila, então,

se está de acordo, pode assinar estes documentos?

Dr. Castellanos nós os faremos chegar à sua ex mulher.

Para chegar a um acordo o mais rápido possível.

Precisa de uma caneta?

- Eu ligo-te para jantar ou algo... - Seria ótimo.

Estás lindíssima.

Espera!

Onde é que vais tão depressa?

A algum lado. Porque é que tens de saber sempre onde vou?

Porque me importo com o que se passa contigo.

E porque te ia convidar para lanchares comigo.

Estamos a defender uma má pessoa. E temos de acabar isto com um acordo.

- Sra. Torres, como está? - Como vai?

O que se passa contigo? Estamos prestes a chegar a um acordo.

Eles acordaram nas percentagens, não acordaram?

Achas que dez por cento chega? Ele só lhe está a dar restos.

Isto não é acerca do que eu acho que está bem ou não.

Além disso, de que lado estás? Ele é que é o nosso cliente, não ela.

Tenho de te lembrar que temos contas para pagar.

Grandes, incluindo os nossos salários, caso te estejas a esquecer, querida.

Quantas vezes tenho de te dizer que eu não sou a tua querida,

ou a tua fofinha, ou seja o que for?

Que dramática.

Casa!

León Sarabia.

Juana... Juana Caicedo.

Um prazer. Por favor.

- Desculpa por me atrasar. - Eu não me importo de esperar por ti.

- Como estás? - Bem.

Muito bem.

Gostava de ver o menu, senhor?

- Queres algo para beber? - Não, eu estou bem.

Um café seria bom. Expresso, muito forte.

Trago já.

Obrigado.

És muito mais bonita ao perto. Como uma bela aparição.

Obrigada.

- Ai... - Aqui tem.

Obrigado.

Tem a bateria cheia.

Salvou-me. Muito obrigada.

Podes relaxar agora.

- Porquê? - Estás estupefacta.

Eu deveria ser 40 cm mais alto.

- Não. - Mas, não faz mal.

- É diferente, só isso. - Não, a sério.

Estavas quase a desmaiar.

Fiquei surpresa. Só isso.

Eu surpreendi-te e muito. Mas é normal.

Não esperavas de alguém do meu tamanho. Fora isso, está tudo bem.

Bem, que tal aquele?

É impossível, eles são humanos. Curiosidade mata-os. Eles querem saber...

como é que uma mulher fantástica como tu, está a fazer com um homem tão pequenino?

E temos de admitir que a vista é um pouco perturbante.

"O que estamos a esconder?"

Não estamos a esconder nada.

Somos simplesmente fantásticos, uma mulata que está confusa até aos ossos,

e um homem que mede 1.36 metros.

Certo?

- Sim. - A julgar pelo teu olhar, pareço maior.

Mas, não, é a minha altura. É o que tenho.

Sim.

- Vou propor-te algo simples. - Sim.

Vais esquecer por um segundo que sou muito mais pequeno que tu.

E tu vais com o que vier.

Que é que tens de faz logo? Por exemplo.

Eu? Tenho de... me encontrar com alguém...

Perfeito. Vais telefonar a essa pessoa e dizer-lhe que não podes ir.

Ele vai entender. Ele vai trocar para outro dia.

Vens comigo. Meu Deus, ninguém te pode recusar nada.

Certo, espera. Estás a falar sem parar. Não consigo processar tanta informação.

Não sei do que estás a falar.

Pura adrenalina. É do que eu estou a falar e o que eu te prometi.

Olha, eu não te conheço muito bem, mas pelo que vejo, precisas de relaxar.

Estás muito tensa, talvez por causa do trabalho, ou do teu ex.

Bem, quem sabe o que mais?

Então?

Não sei.

Este é um bonito e maravilhoso capricho do destino, Juana Caicedo.

Só preciso de fazer uma chamada.

Tenho muitas coisas a fazer. Tenho de ir.

A sério, tenho montes de coisas a fazer.

Muito obrigada.

Olá, Esneda.

- Olá, senhor. Está com fome? - Não, não te preocupes.

Eu cozinho. Quero experimentar uma receita nova.

Toño?

Ele ligou. Disse que chegava tarde, mas devíamos esperar por ele.

Ele foi ao centro.

- Ao centro? - Sim, a uma entrevista de emprego.

Está bem. Ele agora fala mais contigo do que comigo.

Então, senhor! Não fique com ciúmes.

Não fica nada bem a um homem adulto como você.

- Aqui está, senhor. - Apenas um bocadinho, pronto.

Aqui está.

A minha nova criação.

Está bem, até amanhã e bom apetite.

Espera um bocado, não vais provar a minha nova receita?

- Tenho um compromisso. - Vais à igreja a esta hora?

Não, com um homem.

Comporta-te. Bem, mas não muito.

- Adeus. - Adeus, obrigado.

Não tem de quê.

Não, esta é a última gota.

Querem pagar-me 500 Euros.

Bem, para alguém que não ganha nada, não é mau de todo.

- O que é isso? Uma reprimenda? - Não, a realidade.

Não te preocupes. Não fiques sensível.

Não estou a ficar sensível. Estou a dizer o que aconteceu.

Eu fui e não gostei do lugar, nem do tipo. É isso.

Sim, claro.

Estás a pensar que devia ter aceite, é isso?

Não. Quando se tem dúvidas, a resposta deve ser sempre não.

- Não gozes comigo. - Pelo contrário, estou a celebrar.

Além do mais, acho que estás preparado para receber um salário melhor.

Estão, estás a dizer que estou certo? Ainda bem, estavas a assustar-me.

Está bem.

Diz-me, o que se passa?

És um espertinho, não és? Nada te escapa.

O que aconteceu?

Tive uma discussão com a Sra. Karen, outra vez.

Sra. Karen, a tua mãe?

A tua ex. Não quero ser mau, mas...

Ela começou com lições de moral como sempre, que devia fazer algo,

que não posso depender de ti para sempre, etc, etc.

Toño, de certeza que ela nunca diria algo assim.

Talvez, não nessas palavras. Mas eu acho que ela tem razão, pai.

Tenho de começar a ser mais independente, certo?

- Adoro ver-te assim. - Sim?

- Todo fodido? - Não, a vida é assim.

Sim, e magoa. Como dizes, como merda...

mas a questão é mesmo essa.

CASA Desculpa. Podes falar?

Pensei que não me ias ligar de novo.

E seria de entender, porque fui muito rude.

As chamadas apressaram-me e ter de mentir não me agrada.

Entendo-te perfeitamente. Também te apressei com a minha proposta.

Posso compensar-te?

Gostava de te convidar para jantar amanhã.

Estou realmente envergonhada.

Bem, não.

Porque penso mesmo aproveitar-me totalmente

dessa vergonha que dizes que sentes.

A sério?

Não estou a planear mudar a minha mente, Dra. Caicedo, por isso...

não sei como é que vais conseguir não mentir, mas...

amanhã vou buscar-te por volta das 15h.

- Mas... - Mas nada, Casa.

Vamos começar de novo.

E, peço desculpa, mas não consegues descobrir onde vamos.

Bem, posso avisar-te que vou estar livre à noite.

Vamos lá, León.

Muito bem, vamos lá.

- Até amanhã. - Até amanhã.

- Olá. - Olá, precisamos de falar.

- Dá-me cinco minutos. - Estou mesmo a sair.

Tenho de reunir com um cliente.

- Sim? Com quem? - Um novo.

- Quem? - Digo-te depois.

Estamos prontos para saltar.

Diz-me quando quiseres saltar.

Casa.

Como estás?

Aterrorizada.

Excelente.

Não! Estamos a 3,5 km de altitude!

Quatro quilómetros, para ser mais preciso.

Mas tem calma. Esta é a melhor adrenalina do mundo.

Prontos?

Confia em mim.

Não, não consigo. Não consigo!

Claro que consegues.

Estamos prontos.

Certo.

É só o meu segundo salto, mas vai tudo correr bem.

Não me largues. Não.

Nunca te vou largar. Eu não te vou largar.

Quando contar até cinco, saltam.

Isto é seguro? Tem riscos?

Há sempre um risco.

Um...

Dois...

Três!

Estende os braços!

Estende os braços!

- Tens os olhos abertos? - Não!

Abre-os! Voa!

Não posso acreditar...

Acabei de saltar de um avião. É maravilhoso.

Tu és fantástico! Não posso acreditar.

Olha, ainda estou a tremer!

Fico contente por teres gostado.

Se fosse por mim, ficava aqui a tarde toda a recordar tudo de novo.

- Mas tenho de estar com a minha irmã. - Vamos, eu deixo-te lá.

A sério? És tão porreiro!

Nunca fiz nada assim, não consigo acreditar.

Até o meu cabelo está a tremer!

- Olá! - Olá, raparigas.

Que aconteceu? Quase não vinhas a tempo.

Não conseguia arranjar um táxi.

- Por causa da restrição de veículos? - Sim, exatamente.

- Vamos! - Sim, vamos. Sala 3.

Não devias estar com a tua mãe?

Continuamos zangados.

- Está tudo bem? - Isso pergunto eu.

- Que se passa? - Estás aí parado, a olhar para mim.

- Eu? - Não, eu.

Não, estava só a passar, e distraí-me com o teu sorriso.

Estás tolo ou o quê? De que estás a falar?

Pai, estavas a rir-te sozinho. Não te apercebeste?

Não.

- Não? - Não.

E dos passos sedutores?

Não posso acreditar.

Em que estavas a pensar?

Em não pôr o pijama ao contrário.

Era nisso que estava a pensar.

- Certo, vou chamar um táxi. - Onde é que vais?

Vou buscar a Mapi, e depois vamos ver.

Então, não a faças esperar. Adeus, beijos. Bem, adeus.

León Sarabia, eu conheço-te, estás a esconder algo de mim.

Sim, adeus. Amo-te.

Tenho a certeza que estás a esconder algo de mim.

Adeus.

- Está bem, vai. - Vai, tenho o direito de o fazer.

Adeus.

Amo-te!

Eu no teu lugar, diria sim.

Isto é incontrolável, as minhas pálpebras não param de piscar.

Ouvi dizer que era bom sinal. O que é que achas?

Não. É só um sinal de que deves ir ao médico.

Com licença.

- Sim? - Um vírus.

Não, não pode ser.

Amo-te.

O vírus.

Pensei que...

Alguém deve tê-lo descarregado, junto com alguma mensagem.

Por engano ou ignorância.

- Quem sabe? - Mas como pôde alguém abrir um email

- que diz " Eu amo-te"? - Eu não fui.

Nem uma criança tinha caído nessa.

Pode ser reparado?

Pode ter deixado danos permanentes.

Porque não corremos esse risco?

Foste tu, Silvana?

Pode ter sido o Edgar, ou tu, também. Que achas disso?

Quero-te lembrar que somos três licenciados neste escritório.

Qualquer um podia abrir um email que dizia "Eu amo-te."

Além disso, não é nada demais. Relaxa, não é nenhum pecado.

E sim, estás nervosa e os teus olhos estão a piscar,

mas não tens de descarregar em mim.

O caso está na segunda instância, mas vamos apelar.

Só um segundo. Estamos atrasados para a audiência.

- Vejo-te lá, certo? - Espero por ti lá, fofinha.

Sim, estou? Estou aqui.

Fico tão chateada quando me chama de fofinha, é por isso... já chega.

Talvez seja só karma?

Ficas aborrecida com esse tipo de homens e tens montes deles atrás de ti.

Sim, talvez sejam esses os que mandam emails a dizer "Amo-te."

Quando é que o vidro fica posto?

Em 20 dias, arquiteto.

Vinte dias.

Tens uma semana para acabar este estúdio e avançar com as lacunas.

- Eu já volto. - Sim, arquiteto.

Desculpe, só um segundo.

- Olá, Casa. Que surpresa. - Estás ocupado?

Não, nada disso.

Estou na obra perto da costa.

Vou já para Bogotá.

Que bom.

Como estás?

- Bem. - Ainda bem.

Primeiro, deixa-me dizer-te a agradável surpresa que isto é!

Estou bem.

Estou a ligar-te porque tínhamos acordado...

Estou? Onde estás? Mal te consigo ouvir.

No escritório. Tenho mesmo má receção aqui.

Estava a te dizer que tínhamos falado e que...

Estava mesmo para te telefonar também, mas por causa disto ou daquilo, não telefonei.

Eu não me demoro muito.

Vou estar em Bogotá esta tarde. Posso te ligar depois?

Sim, mas quando? Tenho muito que fazer.

Estava a pensar hoje há noite ou amanhã, se não estiveres muito ocupada.

- Sim, amanhã pode ser. - Eu ligo-te amanhã, sem falta.

Beijos e um grande abraço.

Para ti também, León.

Quem é o León?

Ninguém.

Deixaste as declarações do Dávila aqui.

A audiência vai ser remarcada, de certeza.

O meu sócio e eu nunca vamos estar de acordo.

- Diz-me, eu conheço o León? - Falamos depois, certo?

Querida! Não te posso perguntar nada.

VIA COM DOIS SENTIDOS - SAÍDA

A sério, não acreditas em mim?

Claro, mas não consigo deixar de rir com as coisas que me dizes.

Tu és muito bonita, muito bonita.

Obrigada.

Jaramillo construiu este edifício, certo?

- Sim. - Sim, dá para ver.

Está cheio de erros estruturais

e os detalhes são muitos maus.

Não, estou a brincar. Ele é um bom arquiteto.

- Ele odeia-me, isso é certo. - E então porquê?

Porque, há uns anos atrás licitamos por um projeto.

Era um hotel em Cartagena e eu ganhei. Nem imaginas o quanto zangado ficou.

Além disso, tem um problema enorme, é alto demais.

Ele gosta de trabalhar com cimento. Já eu prefiro...

- Desculpa. - Não. Está tudo bem.

Eu ia fazer o mesmo.

Vamos falando.

- Adeus. - Adeus.

Desculpa, não te tinha visto.

- O quê? - O problema é reiniciar...

AMO-TE

- Essas cores são bonitas... Que dizias? - O problema é reiniciar o computador...

É que os ficheiros podem ser apagados.

Tipo, para sempre? Que lindo par de óculos.

Obrigado.

Definitivamente, o que fizeste na audiência, não tem justificação.

O Dávila pode destruir toda a nossa reputação...

A única coisa que ele pode fazer é encher os nossos bolsos.

Esse é o teu problema. Só queres saber de dinheiro.

Que reputação pode ele destruir? Estás a falar de quê?

O que precisamos é de dinheiro.

Pensas que isto é uma sociedade sem fins lucrativos? Que somos caridade?

Que engraçado, não mistures dinheiro com valores éticos, Edgar.

- Por favor. - É o que eu estou a dizer.

Que se passa contigo?

- O quê? - Tu não eras assim.

Estivemos casados dez anos, e pensas que me conheces?

Conheço-te muito bem.

- O quê? - Certo, diz-me.

- Conheceste alguém novo, é isso? - Não.

- Não me persigas, está bem? - Ficaste nervosa, eu conheço-te.

Juana!

León.

- O quê? - León.

- Quem é o León? - Café, doutor?

O nome do tipo é León.

Eu ouvi-a a falar com ele. Ele chama-se León.

- Ele é advogado? - Não faço ideia. Tenho de descobrir.

- Quer café? - Não, obrigado.

Que mais é que sabes?

- Como é que ele se parece? O que faz? - Não sei...

- Camisa nova? - Sim.

E os sapatos são de tacão?

Sim. Vais para casa?

Não. Vou ao cinema com a Mapi. Lembras-te?

Sim, certo, tinhas me dito.

- O que é que vais fazer, pai? - Vou comer com o Miguel e a Valeria e...

há noite vou dançar. Salsa.

E com quem vais dançar Salsa, com a Valeria ou com o Miguel?

- Não, com uma amiga. - Que amiga?

- Não a conheces. - É jeitosa?

- Sim - Idade?

Ai, meu Deus.

- Trinta e qualquer coisa. - Muito bem.

Toño, que elegante que estás! Onde é que aprendeste isso?

Então gostas muito dela? Gosto disso. Muito bem.

- Perfil? - Advogada.

Que intenso. O que importa é que gostes dela, pai.

Está bem, o interrogatório já acabou? É porque não parece.

- Diz a Esneda que não vais comer. - Já disse e também telefonei à mãe.

A sério?

Sim, ela já se esqueceu da discussão.

- Vamos almoçar amanhã. - Isso é excelente.

- Como é que ela se chama? - Quem?

- A rapariga com quem vais dançar. - Juana.

Juana? É ruiva, morena, loira?

Fica bem. Diverte-te, e não vás para casa tarde.

Tu também.

Mulata.

Vemo-nos depois, então.

Beijos, adeus.

- Olá, como estás? - Bem e tu?

Tudo bem. Estou de saída.

Se não tiveres planos, podíamos ir comer, tomar um copo.

O que quiseres.

- Tenho planos. - Sim... claro.

- A Silvana já foi? - Sim, ela tinha terapia.

Pois, hoje é quinta-feira.

- Quarta-feira. - Sim, quarta-feira, mas...

Hoje é quarta-feira.

Com tanto trabalho e coisas a fazer, nem me lembro que dia é.

Não sei a que horas é o teu encontro, mas se quiseres, podemos ir

beber alguma coisa antes do teu encontro.

O que é que achas?

Pode ficar para amanhã?

Está bem. Bem, noutra altura então. Adeus.

Adeus.

Deixei o telemóvel lá em cima, raios!

- Estamos de saída. - Sim. Adoro-te ver assim.

- Adeus. - Adeus.

- Diverte-te. - Obrigado.

- Apanhem um táxi. - Sim, nós vamos.

Adeus.

- Eles completam-se um ao outro. - São muito divertidos.

- Sim. - Que queridos.

Saúde.

Queres vir até minha casa?

Se eu fosse a ti, dizia sim.

Olha para mim.

Sou eu.

Olá.

- Olá. - Olá.

- Como estás? Bem? - Sim, bem. Obrigado.

Deves ser o António, certo?

Toño.

- Viste o meu pai? - Não.

Não o vi esta manhã. Ele saiu muito cedo.

Mas deixou tudo pronto, até me chamou um táxi.

Sim, ele é assim. Ele trata sempre de tudo para que não tenhas de te preocupar.

Ele é fantástico, não é?

É bom falares assim dele.

É meu pai. E então, e tu? Fala-me de ti.

- Eu? - Casada? Filhos?

Não. Já fui casada, mas nunca tive filhos.

Divorciei-me há um ano atrás.

Os meus pais também são divorciados. Já há dez anos.

- Dez anos? - Sim, mas ainda se dão bem.

- Graças a Deus. - Isso é bom.

- Pensei que o meu pai te tinha dito. - Sim, ele falou algo,

mas não pensei que tinha sido há tanto tempo.

Eu também tenho uma boa relação com o meu ex.

- Porreiro. - Profissionalmente falando, é muito bom.

Em termos pessoais, é bom.

- Somos sócios. - Então são os dois advogados?

Sim, ele disse-te um monte de coisas sobre mim.

Sim, algumas.

Deve ser o táxi.

Não te apresses, a sério.

Estou tão envergonhada. Desculpa.

- O táxi está aqui. - Obrigado.

- Bem. - Gostei de te conhecer.

Eu também.

Bem, vou indo.

- Adeus. - Adeus.

Hopper, vamos.

- O que é que ele disse? - Nada, porque os vi de longe.

Estava a voltar ao escritório, porque me esqueci do telemóvel e vi-os.

Eles não me viram.

- Tens a certeza? Não pode ser. - Como assim?

É óbvio que os vi. Além disso...

a cabeça dele mal chegava a janela. Ele era assim pequenino.

Não!

- O banco estava partido? - Claro que não.

- Bom dia. - Bom dia.

- Já te vou buscar o café. - Está bem.

Não está a usar a mesma roupa de ontem?

As mesmas.

- Isso significa... - Sai daqui.

Sim, já estou a ir.

- Olá. - Olá. Está tudo bem?

Sim, está. E contigo?

- Tudo bem. - Ainda bem, fico contente.

Vou para o tribunal. Vou apresentar o caso Bermudez.

- Porreiro. - Sim, fantástico.

- Precisas de alguma coisa? - Não.

- De certeza? - Sim, obrigado.

Tenho muito tempo livre. Posso sentar-me ao pé de ti e falar se quiseres.

Não, eu estou bem.

Seja como for, tenho o telemóvel comigo.

- Está bem, obrigado. - De nada.

- Preciso que descubras tudo que puderes. - Sim.

Viste, ela está a usar a mesma roupa?

Querida! Aqui está o teu café.

Obrigado. Está delicioso.

O meu disco duro, está danificado.

Temos de comprar um novo.

A coisa do "Amo-te" deu cabo do sistema todo.

- Diz ao Edgar. - Feito.

E? Precisas mais de alguma coisa?

Não.

Ele vai adorar.

Está fantástico, Karen. Simples, mas elegante.

Parabéns.

Obrigada. Eu copiei algumas ideias tuas, mas não digas a ninguém.

Acho que vai ser uma grande surpresa.

Sabes uma coisa? O Toño não fala comigo há dias.

Vai para casa, muda de roupa e é isso.

Ainda estão chateados?

Ele anda nervoso, ansioso acerca do seu futuro.

Ele quer crescer. É isso o que se passa.

É lógico, não é? Temos de aceitar isso.

O nosso menino, não é mais um menino.

Então, como vão as coisas com o dentista?

Bem.

Com os seus altos e baixos, mas bem.

- Sabes, ele faz-me lembrar de ti. - Os baixos?

Não, tolo!

Ele é teimoso e confuso, também.

Tu és intolerante. Tenho pena dele.

As coisas contigo não são fáceis.

Ouve, isto não é uma visita médica. Quero saber coisas, também.

Um passarinho disse-me que tens uma advogada muito bonita.

Raios, Toño. Acima de tudo, é um falador.

Que se passa contigo? Não vê por onde anda?

Desculpa, estava distraído. Não o vi.

O problema é que não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Mascar pastilhas, ou correr. Escolha uma.

Perdão, já pedi desculpa. O que mais quer de mim?

- Que foi? - Que foi? Quase que me matava.

Continue, ande lá. Continue!

Viste! Que idiota. E ainda faz olhos de coitadinho.

Será que as pessoas, não me veem?

Só os idiotas não te conseguem ver.

É um facto, querida. O Dávila, tem uma conta no estrangeiro.

Eu sabia. Estamos a defender um homem desonesto.

- O Edgar sabe disso? - Sim.

- Onde? - Ilhas Caimão.

- Isso das pálpebras tem haver com homens? - O quê?

Então, querida. Eu sei que andas com alguém.

- Do que é que estás a falar? - León.

Eu ouvi-te ao telefone, no outro dia.

Chama-se León, sim ou não?

Sim. E não. Não é meu namorado. É só uma pessoa com quem tenho saído.

Só um amigo.

Está bem, mas não precisas de ficar zangada.

Pelo contrário, devias estar muito contente,

e a saltar de alegria.

Eu não estou zangada.

Não. Nada disso. Tu estás bem.

E a altura dele, é um problema?

Desculpa?

O Edgar, viu-o na noite que ele te veio buscar.

- Quando? - Quarta à noite, querida.

É esse o problema?

Silvada, por favor.

Tens de falar disto com alguém, antes que te engasgues com isso.

Relaxa, eu não te vou julgar. Sou tua amiga.

Não vou dizer a ninguém.

O Edgar devia estar morto de riso quando te contou, certo?

Não, não se estava a rir. Estava mais, tipo, aterrorizado.

- Não, estou maluca. - Não estás nada maluca.

Estás zangada.

E sabes porquê?

Porque estás maluca por ele. Mas não entendes, porque ele é pequeno.

Esse é o teu problema.

Nós é que somos os deformados e estúpidos.

- Somos um bando de hipócritas. - Não, não sou.

Sim, és. Olha para a tua reação.

Não querias sentir o que sentes, ou ser honesta com isso mesmo.

Mas estás a sentir, Juana. Essa é a verdade.

Sabes o que tu és? És uma anã! Uma anã emocional.

É o que és. Custa-me a acreditar que vivas com tantos preconceitos.

Tu, que foste vítima de tanta discriminação.

Esqueceste-te das pessoas que te julgaram por uma coisa ou por outra.

Esqueceste-te?

Desculpa.

Querida. Desculpa. Exagerei. Não devia.

Exagerei, e disse algo que não devia e peço desculpa.

Sim, perdoa-me.

Eu estou bem com ele.

Passamos bons momentos juntos. Gosto tanto dele, ele é um homem fantástico.

Fantástico, mas pequenino.

E esse centímetros que lhe faltam, vão te causar um enfarte.

Eu não o quero magoar. E também não o quero perder.

Além disso, acho que me estou a apaixonar.

Tu "pensas" que te estás a apaixonar?

Querida, tu não podes "pensar", tu estás apaixonada.

Ou te entra na pele, ou não.

Ele te faz sentir apaixonada, ou não.

E ele sabia para onde mandar a flecha.

Bem, um pequena flecha. Não sei, é nesta altura em que estamos tramadas.

Esse é o problema.

Esse é o verdadeiro problema.

A população de anões está a aumentar nesta cidade de merda.

Desculpa.

- E então, aquele chinês dos computadores? - É casado.

E mais fiel que um cão.

E não lhe chames chinês, não estás qualificada para descriminar!

Vai demorar muito?

Não, nada disso. É só mesmo pegar numas plantas.

- Devem estar à nossa espera. - Certo, são só dois minutos.

- Dois minutos. - Está bem, dois minutos.

Feliz aniversário!

- O que é isto? - Achamos que era melhor fazer aqui.

- Está bonito, não está? - Adoro.

Toño! Olha para aqui, qual destas chaves, abre esta porta?

- Sim. - Por favor.

Esta.

São tuas.

- O quê? - É o teu presente de aniversário, filho.

Da tua mãe, do designer e meu. Feliz aniversário.

Gostaste?

Adorei.

- Agora vais falar comigo, certo? - Sempre.

Eu tenho uma casa nova!

Pronto, põe-me no chão!

Karen, as outras estão na cozinha?

Sim, acho que os rapazes as levaram para lá.

- Nós cuidamos dela. - Está bem.

- Conheciam-se? - Não, mas já tinha ouvido falar dele.

- Onde está o meu pai? - Foi à cozinha buscar vinho.

Pai!

- Anda, Toño. - O que é que fazes aí?

Anda lá, parvalhão! Porque é que estas aí parado. Ajuda-me.

Está bem, está bem. Anda cá.

- E o vinho? - Aqui está ele.

Não encontro é o saca-rolhas. Tens um?

Sim, está aqui.

- Queres que o leve? - Sim.

Obrigado.

Obrigado.

Adoro ver a cara do Toño. Não podia estar mais feliz.

Sim.

Sim, esse miúdo, é tudo para mim.

Ele não é mais um miúdo.

Bem, eu acho que ele vai ser sempre um miúdo no meu coração.

És tão bonito.

- Que aconteceu? - Nada.

Ficaste corado.

Não gostaste que te tenha dito que és bonito?

Não. Adorei. Só não estava à espera.

Mas adorei. Obrigado

És tímido.

Ages de forma tão forte e confiante, mas no fundo és tímido.

Que escondes, Juana?

Amanhã, Adelaida, uma amiga da minha irmã, vai inaugurar uma exibição de arte.

- E estás a convidar-me? - Sim.

A minha irmã, Teresa, e o marido vão estar lá.

Então, finalmente vais me os apresentar?

Porque senti um tom de reclamação?

Porque, estava quase a catalogar-me como um amigo com benefícios.

Eu não te escondo.

Talvez, não tenha havido uma oportunidade antes.

Desde que era pequeno,

como todos me ponham de lado, e eu também contribuía para isso,

comecei a ler a linguagem corporal das pessoas.

E quando alguém está a mentir,

a boca dele, ou dela mexe ligeiramente para a esquerda.

E, agora mesmo, Deus queira que não, deves estar para ter um enfarte.

Ou então estás dizer uma mentira tão grande como uma casa.

León.

Eu gosto de estar contigo.

Eu também.

Então, vens ou não?

Claro, com muito gosto.

Não. Isto vai ser um grande êxito.

- Uau. - Saúde!

- Desculpa, vou cumprimentar as pessoas. - Claro, querido.

- Eu adoro este! - Sim, é lindo.

- Olhem! - O quê?

Olhem, um anão!

- Já volto. - Conhece-lo?

Como é que ela nunca me tinha dito que tinha um amigo anão?

- Olá. - Olá, como está?

- Bem, como foi o caminho para aqui? - Bom, excelente.

E a tua irmã?

Está ali.

- Vamos? - Sim, vamos.

- Está é a Teresa, a minha irmã. - Um prazer.

Prazer em conhece-lo.

León Sarabida, um amigo meu.

A Adelaida é a curadora desta exposição.

- Olá, como está? - Excelente, bonita exposição.

- Felicidades. - Muito obrigado.

- Queres algo para beber? - Vinho tinto para mim, por favor.

- Obrigado. - Claro, eu vou buscar, está bem?

Interessante, não?

Sim, muito interessante. Interessante.

O meu pai foi um dos arquitetos

que desenhou a Cidade de Colsubsidio.

Não entendi a última parte.

Ele desenhou a Cidade de Colsubsidio na Engativa.

O pai do Wilson foi uns dos arquitetos que desenhou

a Cidade de Colsubsidio na Engativa.

Que interessante!

- Ele era surdo, também. - Hereditário?

Não, arquiteto.

Não, meu amor, não.

O que o León perguntou é se o teu problema de audição é hereditário.

Sim, é hereditário.

O teu também?

Não, o meu é um pequeno problema de crescimento, só isso.

- Há gente alta na tua família? - Altura normal.

- Pedimos mais vinho? - Claro, vamos pedir mais.

Teresa, o que faz na vida?

Eu desenho roupa.

Desenho para filmes, teatro e para a televisão às vezes.

Foi assim que eu e o Wilson nos conhecemos.

Ele desenha palcos.

Que querido.

- Outra garrafa de vinho, por favor. - Do mesmo?

Sim.

- Desculpa, eu já volto. - Sim, tranquila.

León...

- Olhe o que fez! - Desculpa, foi sem querer.

Olhem, par de idiotas. Vão parar de se rir?

A namorada do anão ficou zangada.

A namorada do anão vai partir esta garrafa na tua cabeça careca, idiota.

Peço mesmo desculpa por sujar o seu fato.

Cuidado, gordinho.

- Gordo. Ela chamou-me gordo. - Achas que estou a ficar careca?

Obrigada.

- Onde está o León? - Ele recebeu uma chamada.

E saiu.

Não tinha muita rede.

Rede? Do que ele está a falar?

Quer dizer fraco sinal no telemóvel. Que foi? Porque estás nervosa?

Não estou nervosa. Pediram a conta?

Não.

Sabiam que o León construiu aquele magnífico hotel em Cartagena?

Onde o Wilson e eu tivemos a nossa lua de mel.

- Sabias? - Não.

Acabou de nos contar. Imagina só.

Aquele pequeno homem é um charme, um génio.

- É tão irresistível... - Para, Teresa.

Tu fazes comentários inapropriados uns atrás dos outros. Uma família alta?

Já alguém te perguntou se há pessoas brancas na tua família?

Pequeno, encantador.

Eu também disse irresistível, não disse?

Olha, eu não sei o que se passa, mas estás insuportável, hoje.

- Pediram a conta, sim ou não? - Não, não pedimos.

Olha, ele está a pagar!

Espera, querido, espera.

E acima de tudo, é um cavalheiro.

Esse homem é quase perfeito.

E tu continuas a descriminá-lo, Teresa.

- Dizer "perfeito" é descriminar? - Não. O "quase" é descriminar.

Olá, tu.

Silvana, liga à Juana, por favor. Descobre onde ela está.

Sim.

Aqui está ela.

- Bom dia. - Finalmente apareceste.

- Bom dia. - Porque ultimamente

parece que estamos de férias aqui. Como se nada acontecesse.

Explica-me o que estás a fazer?

- Não sei o que queres dizer, Edgar. - Porque é que ligaste ao Dávila

sem a minha permissão, e disseste-lhe que não o representamos mais?

Temos a mesma autoridade e tu sabes disso.

Ele devia estar na prisão por corrupção.

Tornaste-te no juiz, salvador do mundo?

É o anão que te está a fazer comportar assim?

Não, porque de um dia para o outro, tu transformaste-te na Branca de Neve,

que raptou um dos anões e agora vive no "País da Maravilhas."

- Não estás? A dar cabo de tudo? - Nunca mais, ouve-me bem, Edgar.

Nunca mais te atrevas a me chamar de Branca de Neve. Nunca mais!

Não te chamo de Branca de Neve, mas estás a fazer tudo errado.

Deixa-me estar, Edgar. Já não somos um casal. Ultrapassa isso.

E quem é que falou de nós?

Não estavas?

Sempre que tento me aproximar de alguém, tu és sempre contra.

Olha, eu não me meto nas tuas relações, mas esta é diferente.

- Porquê? - Com todo o respeito,

que o teu namorado merece ou como lhe queiras chamar...

Ele é um anão. Um anão.

Desculpa-me, mas eu não gosto que namores um anão.

Esse anão. O meu anão! É um homem de verdade.

É um anão enorme, e tu, e o resto dos idiotas altos deviam ter inveja.

Ai sim? Vamos a ver o que pensam os teus colegas acerca disso.

Ou os juízes, para não falar da tua família, ou a minha...

Desculpem.

O Dávila vem aí.

- Aí está ele. Atende-o. - Atende-o tu, ele é teu cliente.

Agora ele é meu cliente? Está bem, certo.

Espero que não te metas com o Dávila outra vez.

Diz-lhe que vá ao meu escritório.

Silvana!

Sim, senhor.

Já que aqui estou, vou ao médico, também.

Essa consulta tão repentina, deve-se a quê?

Conheceste alguém novo?

Teresa, o meu ginecologista, foi para o Equador, lembras-te?

Sim, eu sei, mas quem é o responsável da tua ida repentina ao ginecologista?

De ninguém.

Eu conheço-o?

- Tu és chata, Teresa. - E posso ser pior, sabes disso.

Eu sei.

O quê?

- Claro que o conheces. - Quem é?

- León. - León?

- Sim. - León?

O único León que conheço é o León Arévalo e ele tem 85 anos,

está mais morto que vivo.

Como é que podes pensar no León Arévalo? Ele podia ser meu avô!

Não, não é ele.

É o León Sarabia, o arquiteto.

O anão?

Agora, passaste das linhas!

Juana. Espera, pode ser?

Estás maluca?

Porquê um anão, por amor de Deus? Com tantos homens normais por aí.

Porquê?

Porquê um surdo, com tantos homens normais por aí?

Não, irmãzinha.

Não podes comparar um surdo, com um anão.

Nem te atrevas a comparar. O que é que te aconteceu?

Que te aconteceu a ti? Não era irresistível quando o conheceste.

- Ele é pequeno, só isso. - Extremamente pequeno, diria.

É um homem de verdade. Põe os preconceitos de lado.

Os homens devem ser altos, caucasianos e ter olhos azuis só porque um idiota

a certa altura da história disse que sim.

Mas era um idiota com uma alta perceção de estética.

Perdoa-me, querida irmã, mas tu estás maluca. Enlouqueceste.

- Não aguento mais. - Anda lá. Não é nada demais.

Juana!

Perdão? É melhor medir o que diz. Posso processa-lo por calúnia e difamação.

Fiz-me entender?

De verdade? Tem provas do que está a dizer?

Claro, ouviu em algum lado.

- Do que é que precisas? - Tem uma visita.

Quem?

O Sr. Pequeno.

- León. - Sim!

Não, é a minha última palavra, não tenho tempo para isto.

Como se atreve! Vá para o inferno!

- Ele está aí? - Sim.

Ele é uma coisinha adorável! Apetece-me...

Não lhe chames "coisinha", por favor.

- O Edgar está aqui? - Sim, está no escritório dele.

- Devo chamá-lo? - Não.

Ajuda-me, por favor. Não quero que eles se encontrem.

Sim, claro.

Vamos.

Que surpresa!

- Olá. - Olá.

Acabei mais cedo, e pensei porque não ir visitá-la?

- E posso ver o escritório também. - Que querido, que boa ideia!

Esta é a Silvana, a nossa assistente.

- Sim, acabamos de nos conhecer. - Falamos ao mesmo tempo, que querido.

- Deixa-me acabar uma coisa, e vamos. - Demora o que for preciso. Eu espero.

Não fiques aqui, anda para o meu escritório.

- Claro, sim. - Vamos.

Quer algo para beber? Água, chá, café?

- Água seria bom. - Água?

- Fresca, se possível. - Fresca será. Um momento.

Obrigado.

- Vamos? - Claro.

Com licença.

- Mais cinco minutos e vamos, está bem? - Sim, eu estou bem.

Este cabelo fica-te bem. Estás muito bonita nessa foto.

- Gostas mais? - Não sei.

Era só o que faltava!

Podes me explicar o que estás a fazer?

Recebi uma chamada do tribunal. Mandaste o Dávila ir para o inferno?

- Estou ocupada. - Estás?

Estás sempre ocupada. Ultimamente, nem te vejo.

Não consigo falar contigo, não conseguimos fazer nada e tu tomas todas as decisões.

O que se passa? O que andas a fazer?

Porque não me respondes? Explica-me!

O que foi?

O que foi?

Desculpa, não sabia que...

estavas ocupada, desculpa.

Não, não faz mal.

Não podes entrar assim aqui, Edgar.

León Sarabia, o namorado da Juana.

Edgar Alvarez, marido.

- Ex! - Sim, ex.

- É que ainda não assinamos os papéis... - Perdão.

Aqui está a água.

Podemos discutir o caso Dávila noutra altura?

Sabes que mais? Gostava de o resolver agora.

Devido à sua importância para a empresa.

Não quero interromper, claro...

Não, pelo contrário. Quem interrompe aqui sou eu, eu espero lá fora.

Não, ficas aqui. Vamos para o teu escritório. Vamos resolver isto.

E quando acabarmos, podemos ir, está bem?

- Sim. - Sim.

- Foi um prazer. - Igualmente.

Vamos!

Agora deste cabo de tudo.

Não me mandes calar.

- Quer mais alguma coisa? Um biscoito? - Não. Estou bem. Obrigado.

Está bem.

Sabes? Não o tinha visto bem,

mas o teu amigo não é tão pequeno como pensava.

Não sejas parvo, Edgar. Estou farta de ti.

Estás preocupado porque andas a dormir com a juíza Agudelo?

De que estás a falar? Quem é a juíza Agudelo?

Não, a sério. Estava curioso porque quando vos vi no carro,

pensei que era um anão mais pequeno.

Como aqueles que são todos deformados. Mas não, este é um normal.

Como se chama a este tipo? Como filho da...

Desculpa, Liliputiano.

- Não, ele é só pequeno! - Mas podemos dizer que ele tem esta...

Tem um problema na glândula. Não sei como essa merda se chama!

- Hipófise, querida. - Isso, ou lá o que é.

Está a dormir com a juíza, sim ou não?

Não estou a dormir com juíza nenhuma!

Sim, de certeza!

Pensaste que eu estava a dormir com a juíza e ficaste com ciúmes e por isso,

quando o Dávila ligou, mandaste-o para o inferno.

Estás a dormir com a juíza!

- Eu não estou a dormir... - E eu é que sou o risco para a firma.

- Do que estás a falar? - Isto é um ultraje.

Quer dizer alguma coisa?

Como o quê?

Diga-me como se sente.

- Como se sente? - Daqui.

- O mesmo. Exatamente o mesmo. - O mesmo?

- De outra perspetiva. - Perspetiva, sim, claro.

És arquiteto, perspetiva.

Estás com ele porque pensas que estou a dormir com uma juíza?

Esse é o problema, não sabes se deves estar com ele ou voltar para mim?

Podes te calar, por favor? Eu vou com o León e tu ficas aqui, quieto.

Está bem?

E sabes que mais?

Vou continuar a defender o Dávila, quer gostes ou não!

Há muito que não me ria tanto num cinema.

- Sim, foi muito bom. - Não, tu mal te riste.

Terra, chama a Juana!

O Edgar, dá-me cabo dos nervos.

É por nossa causa?

Ele não gosta que estejamos juntos, pois não?

Esquece isso. Não é por causa disso.

Eu esqueço facilmente. A questão é se tu consegues esquecer.

Porque estás tão zangada?

Não estou zangada.

Sim, estás. Chateada, para dizer melhor.

Chateada, comigo própria.

Porquê?

Alguma vez te zangaste mesmo?

Não, porquê?

- Porque nasceste tão baixo. - Bem...

Não.

Nunca conheci outra coisa.

Se tivesse nascido alto, e depois encolhido,

estaria chateado o tempo todo. Mas eu fui sempre assim.

Tu estás chateada por ser preta?

Ou por eu ser pequeno?

Não é chateada. Não sei, é dor.

Agora que te conheço muito bem.

Muito bem.

- O que magoa mais? - Aqui.

Alguma vez te apaixonaste por alguém do teu tamanho?

Sim, quando tinha cinco anos.

Depois ela continuou a crescer.

E o que aconteceu? Ela deixou de gostar de ti?

Não, não me lembro.

O que tu terias feito no lugar dela?

Não sei. Não me lembro o que pensava quando tinha cinco anos.

E o que farias no lugar dela, agora?

León, eu...

Eu penso em nós e...

E adoro, mas ao mesmo tempo assusta-me de morte.

- E isso não está bem. - Não, não está bem.

Claro que não está bem, está mal.

Mais, está muito mal.

Estou a dizer coisas horríveis. Eu posso ir se quiseres.

Não.

Quero que fiques e me digas tudo que tens para dizes, por favor.

Eu adoro-te, adoro mesmo.

Fizeste-me sentir como nenhum homem fez.

- Entendes isso? - Não, não entendo.

Nenhum homem no mundo é capaz de entender isso.

Não faz sentido. Sou o melhor homem com quem estiveste e...

- Tu sabes o que quero dizer. - Não.

Estou cansado de tentar entender toda a gente, Juana.

Toda a gente. Estou farto. Não tenho 1,80m e esse é o meu pecado.

Eu uso palmilhas escondidas nos meus sapatos. Estico pescoço.

Eu estico a minha espinha dorsal, mas não chego lá. E nunca vou chegar.

É óbvio.

Fui tão ingénuo.

Mas não tens de entender. Tu és perfeita.

- Tu és uma mulher perfeita. - Eu não sou perfeita.

Tive um marido que me traiu com mulheres muito mais perfeitas do que eu.

Tenho uma firma de advogados que está a falir por minha culpa.

Estou longe de ser perfeita.

Sou só uma mulher preta que falhou no casamento com um homem branco.

Esfregam-me isso na cara. Os meus colegas, a família do Edgar e até a minha.

Parece mentira, mas não é.

Ás vezes, nem posso comigo própria.

E tu queres que eu não seja afetada por isto?

Vamos deixar assim, Juana.

Muito bem, acabou.

A minha cabeça não está a funcionar. Não consigo lidar com isto.

Não, a tua cabeça está a funcionar, Juana.

Perfeitamente bem. Por isso é que não está a funcionar para ti.

E isso é grave.

Porque e única forma de isto é com o coração.

Aqui, tens todas as mentiras que te meteram quando eras pequena.

É isso.

Desculpa-me.

É melhor ires.

Não, Oscar, não. Isto vai acabar numa inundação.

Esta racha vais engolir-nos, literalmente.

E não pode ser arranjada com um penso.

Este telhado tem de ser levantado e refeito.

Era isso que devias ter pensado desde o início.

Agora tens de vir e arranjá-lo, entendeste?

Olha para isto.

Não pode ser, não.

Não pode ser.

É no que dá confiar em todo o mundo, como um tolo.

Estou aqui, pai. Para o que precisares.

- De que é que estás a falar? - Admite, não estás bem.

Tens de falar com alguém. Quem melhor que eu?

Andas assim há uma semana. O contabilista é um estúpido,

não gostas da empresa de construção, o tipo de Nova Iorque não te entende.

Agora esta racha.

Estás a deitar tudo em cima dos outros e ambos sabemos porquê.

Vai ficar para o almoço?

- Não. - Sim.

Faz comida só para ele, Esneda. Não vou comer.

Faz para ambos, Esneda.

- Antonio. - Senhor.

O que pensas de mim?

Muitas coisas.

Diria que és um grande pai.

O meu pai.

Desde pequeno eu entendi a forma como as pessoas olham para ti.

Os meus amigos.

Os pais dos meus amigos.

Os colegas de turma faziam milhares...

milhares de piadas estúpidas acerca de ti.

Mas eu nunca me importei.

Sabes porquê?

Porquê tu nunca te importaste.

Mas sei que não era assim.

Sempre odiaste ser pequeno.

Claro que sempre odiei.

Não tens ideia do quanto.

Que vais fazer? O teu pai é um mentiroso.

Não, ele não é um mentiroso. Tem dignidade, o que é diferente.

Anda lá, é a mesma coisa.

Desde pequeno, quando todos os outros cresciam em altura,

o teu pai, estava a crescer aqui.

Tive sempre uma vontade de ferro.

Lutei como um gigante, para que...

fosse visto como igual.

Mas, adivinha?

Nunca foi assim.

Não importava o quanto tentava, nunca paravam de olhar por cima de mim.

Nunca.

Estou tão farto e cansado de ser pequeno.

Queria dizer-lhe que já pode pegar nos ficheiros do caso Gomez.

Muito obrigada.

Terceira mensagem.

Olá, querida, sou eu. Falo mais com esta máquina que contigo, ultimamente.

Amanhã é a estreia do filme com a Meryl Streep,

e tu disseste que querias ir ver.

Diz-me algo, ok? Se não vou perguntar à Adelaida. Adeus

Não tem mais mensagens.

O que fazes aqui? Não ias ao cinema?

Sim, era suposto irmos juntas. Esqueceste-te?

Disseste que ias com a Adelaida.

Então, deixas-me entrar ou não?

Entra.

Porque não queres vir ao cinema comigo?

Que se passa contigo?

Não me apetece ir.

Não insistas. Eu ia adormecer durante o filme.

Sim, claro. Como se eu não soubesse.

- Acabaste com o Sarabia? - Lá estás tu, a pores-te a adivinhar.

- Que procuras? - Uma panela grande.

Onde está aquela que te dei pelo Natal?

- Para que a queres? - Porque vou cozinhar.

Porquê?

Porque quero.

Uma comida caseira, vai te fazer sentir melhor.

Então, acabaste com ele, ou não?

Ficavas contente?

Não.

Apaixonaste-te por esse homem!

- Onde está a panela? - Onde estão todas as panelas, Teresa.

Onde?

Aqui está.

Juanita, sê esperta, está bem?

Porque encontrar uma pessoa autêntica

é algo que só acontece algumas vezes na vida.

Tudo bem, está tudo bem.

Agora vai tomar um duche, e vais te sentir muito melhor.

Depois disso, vamos comer algo delicioso, pôr a nossa musica e relaxar.

Para o duche, agora.

Olha, dá-me um avental.

Não penses que vou dar cabo desta roupa.

Como estás?

Algo assim, como um tapete indiano colorido.

Não gostas?

E tu? Gostas?

Sim.

- Olá. - Olá.

O León, está?

Um momento.

Não, não sei.

De certeza que não sabe onde ele está?

Certeza absoluta.

Está à procura do teu pai.

Eu trato disto. Obrigado.

Desculpa aparecer, sem ser convidada.

O que é que queres?

A Esneda disse que não sabe onde ele está.

E disse bem.

Desculpa. Isto é difícil para mim.

E é mais difícil para o meu pai, Juana.

Deixa-o em paz.

Eu preciso de o ver.

Não. Não me peças para te dizer onde ele está.

Porque eu não te vou dizer.

Ele é meu pai, Juana. Meu pai.

E já sofreu que chegue.

Sim.

Claro.

Estou exausta.

A mudança de escritório está a matar-me.

Tens um compromisso as 11:30.

- É o meu café? - Sim.

Obrigada.

- O compromisso é com o Gutierrez. - Quem é o Gutierrez?

Gutierrez. O secretário do juiz Castro, que substituiu a juíza Agudelo.

Estou a ver.

O Edgar não sabe se chega a tempo.

Deve estar a consular a juíza.

Bem, ele não partilhou esses detalhes comigo.

Há algo mais, um rapaz ligou.

Disse que se chamava Antonio.

- O que é que ele disse? - Que tu devias saber para quê.

Não me digas agora que gostas de rapazes.

Bem, é bom. Carne fresca.

Acorda, Silvana. O Antonio é o filho do León.

Desculpa.

Bem, tenho de ir, senão tenho problemas com o teu ex.

- Vou deixar isto aqui. - Obrigado.

Podes assiná-los e depois devolvê-los?

- Sim, adeus. - Adeus.

Tu disseste que nunca me ias largar.

É isso mesmo que queres?

Sim.

Traduzido por: Miguel Silva - netflix -

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