All language subtitles for The Allegation S01E02

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Original subtitles

INSPIRADO EM FACTOS REAIS

- Olá. - Olá. Sente-se.

- Está com péssimo aspecto. - Acidente de carro.

Isso está feio...

Li o seu dossier.

- Estou inocente. - Não falemos disso agora.

A senhora e o seu marido estavam falidos.

Ele fazia especulação. Acções.

Opções, ainda pior.

A coisa não estava a correr bem.

Há uma grande hipoteca sobre o vosso apartamento.

Sim.

Ele já não conseguia amortizar os empréstimos do negócio de joalharia.

Sim, é verdade.

Mesmo antes de ele morrer, fizeram um seguro de vida

no valor de 800.000 euros.

- As coisas não estão relacionadas. - Bem...

- A arma. - Pertencia ao meu pai.

As suas impressões digitais estão por todo o lado.

Na arma e até nos cartuchos encontrados ao lado do corpo.

Limpei-a várias vezes depois do meu pai morrer.

Estava sempre numa gaveta no quarto.

Também já disse isto à polícia.

Os vizinhos dizem que era frequente ouvirem discussões no vosso apartamento.

A pressão financeira...

Também tem influência num casamento.

Quem acha que matou o seu marido, Sra. Kramer?

Não sei.

Mas sabe que ele foi morto pelas costas?

Sim.

Fizeram-lhe um belo buraco na nuca.

Sim.

Não fui eu.

Eu amava o meu marido.

Podemos amar uma pessoa e matá-la na mesma.

O senhor é uma pessoa estranha.

É capaz de ter razão.

Isto não é exactamente um nascimento virginal.

- Desculpe? - Não há outros indícios, Sra. Kramer.

Mas alguém deve ter dado um tiro ao seu marido.

Há um corpo,

e não vai desaparecer.

Não encontro nada.

Às vezes acontece.

O quê?

Às vezes, uma pessoa é simplesmente culpada.

Sim.

Às vezes, é assim.

Não vai querer entrar.

Quero.

Vai desistir outra vez?

Vamos perder.

Ela deu um tiro na nuca ao marido. Não há outra explicação.

É um idiota.

Venha, vamos comer qualquer coisa.

Paga o senhor.

- Isto é o seu carro? - Isso tem alguma importância?

Boa tarde, têm reserva?

Não.

Não temos mesas disponíveis. Lamento, têm de reservar.

Eu fiz tudo, a semana passada.

Só vim almoçar.

Sim, sim, claro.

- Acompanhe-me. - Não temos mesas.

Vá buscar uma ao escritório, raios!

Então, o que vai ser? Quer ver a ementa?

- Ostras com vinho branco. - Boa escolha. E o senhor?

Um expresso.

Tenho uma sopa de peixe óptima. Muito fresca.

Já tenho um peixe.

O gerente parece conhecê-la bem.

É do trabalho.

As ostras aqui são muito boas.

Ele compra-as no mercado todos os dias às três da manhã.

- Gosta de ostras? - Não.

O que queria dos chineses?

O que é que se quer dos chineses?

Já foi um excelente advogado.

O melhor advogado de defesa de Berlim.

Foi o incidente com a máquina de lavar a roupa, não foi?

Como sabe disso?

Não quer mesmo uma ostra?

Não gosto.

Coma.

Devia comê-las com vinho branco.

Ainda bebe?

Estava prestes a recomeçar.

Fale-me da máquina de lavar.

Estava a defender um homem.

Ele foi ilibado

porque eu apresentei os pedidos certos.

Estava tudo em ordem.

Ele sai do tribunal e vai para casa.

Embebeda-se.

Pega na filha de dois anos

e enfia-a na máquina de lavar.

A 60 graus.

Seguido por um ciclo de secagem.

Eu vi as fotografias.

Está do lado errado.

Por amor de Deus, que história é essa do lado errado?

Sr. Procurador Laux, em que ponto está o processo Kramer?

As impressões pertencem à esposa da vítima.

É também de salientar que a mulher é beneficiária do seguro de vida...

MINISTÉRIO PÚBLICO FAZ ACUSAÇÃO.

"A mulher fez um seguro de vida comigo."

TODOS OS INDÍCIOS APONTAM PARA SABINE K.

POLÍCIA ENCONTRA IMPRESSÕES POR TODO O LADO.

MULHER MANIFESTA IMPRESSIONANTE FRIEZA EMOCIONAL

PSIQUIATRA DECLARA ARGUIDA TOTALMENTE RESPONSÁVEL

O Schlesinger está novamente a dormir.

Pobre mulher...

É o quinto dia de julgamento e ele não disse uma palavra.

Não fez uma única solicitação.

Ela devia arranjar outro advogado.

Então...

O tipo está completamente arrumado.

Hoje, vamos ouvir o perito em balística,

o que concluirá a fase de apresentação de provas.

Algum pedido? Da acusação?

Da defesa?

Dr. Schlesinger, por favor.

Não.

Óptimo. Mandem entrar o Sr. Peters.

- Bom dia. - Bom dia.

Já sabe o que fazer.

Chamo-me Herbert Peters. Tenho 42 anos.

Não sou parente por filiação nem por afinidade.

Sabe que tem de dizer a verdade, sem acrescentar ou omitir nada.

Os falsos testemunhos, mesmo sem juramento, serão gravemente punidos.

A testemunha foi informada.

Trabalha no Instituto de Medicina Legal?

Especialista em armas de fogo, serviço de identificação,

balística e tecnologia de armas.

Examinou a arma e as munições relativas a este processo?

Sim.

O que nos pode dizer sobre a arma?

É uma pistola FN Browning HP.

Foi fabricada na Bélgica pela companhia Fabrique Nationale, em Herstal.

É uma das pistolas mais vulgares.

Foi usada pela polícia e pelo exército em mais de 50 países.

Começou a ser fabricada em 1935.

A bala encontrada na cabeça da vítima foi disparada com esta arma?

E o cartucho encontrado pertence a esta arma e à bala?

- Disparámos a High Power... - High Power?

Peço desculpa, a pistola também é conhecida como "High Power".

É o significa o "HP" do nome.

Obrigado. Pode prosseguir.

Disparámos a arma contra um tanque de água

para recolher os projécteis sem vestígios estranhos.

Comparámos estas munições com a bala na cabeça da vítima

e o cartucho encontrado no local do crime.

Como é que fazem isso?

Quando se dispara uma arma,

o invólucro metálico e a bala ficam com marcas.

Estas marcas são causadas pelos mecanismos e pelo cano da arma.

Um cano de arma moderno possui estrias helicoidais para fazer girar a bala,

para que a sua deslocação seja mais estável.

Estas estrias helicoidais deixam marcas na bala.

No cartucho, também é visível o impacto do percutor,

a impressão do ejector e assim por diante.

Examinamos estas marcas com um microscópio de comparação.

Se não for suficiente,

podemos igualmente usar um microscópio electrónico, mas tal não foi necessário.

O que revelou a vossa avaliação?

Posso afirmar com segurança que o cartucho do local do crime

e o projéctil na cabeça da vítima

provinham da arma encontrada.

Se desejar, posso explicar com mais detalhe.

Não é preciso, eu compreendo.

- Algumas perguntas para o perito? - Não.

Óptimo. Pode então retirar-se.

Não pode, não.

Eu tenho perguntas.

Óptimo. Faça o favor, então.

Se me permitirem mostrar quatro fotografias ampliadas,

será mais fácil para todos os presentes acompanhar o perito.

Faça o favor.

São quatro imagens do dossier fotográfico.

As imagens 14 a 17.

Vemos aqui a parte posterior da cabeça da vítima, onde a bala penetrou.

Um médico especialista presente neste julgamento

afirmou que se chama a isto um tiro de contacto.

Podem ver um pequeno círculo negro na ferida de entrada.

Esse círculo, como ouvimos, é causado pelo fumo quente da pólvora

que sai da boca do cano quando a arma é disparada.

O pó deposita-se directamente à volta da ferida de entrada

quando a boca do cano toca na cabeça

ou está a poucos centímetros de distância.

- Correcto? - Sim, confirmo.

Com base na fotografia, foi sem dúvida um tiro de contacto.

Mas isso não é uma pergunta para um perito em tecnologia de armas.

E como o doutor disse, isso foram declarações do médico especialista.

Espere. A pergunta já aí vem.

Aqui pode ver uma das fotografias

que o seu colega tirou da zona onde encontraram o corpo.

Um prado perto do rio.

A relva do prado, como ouvimos durante a audiência,

fora aparada pouco antes do crime.

A vítima está deitada de cara para baixo.

Está a acompanhar-me?

Sim.

Tinha conhecimento da existência destas fotografias

quando fez o seu relatório?

- Não. - Porquê?

O meu trabalho consiste simplesmente em examinar a arma,

a bala e o cartucho.

Esses foram-me enviados.

Não vi essas fotografias,

mas não são relevantes para a minha investigação.

Concordo. Completamente irrelevantes. Tal como as suas perguntas, Sr. Doutor.

- Onde quer chegar? - Pare de me interromper constantemente.

Na imagem, podemos ver três pequenos sinais.

Os que nos interessam são os Nº. 2 e Nº. 3.

O Nº. 2 assinala o local onde a arma foi encontrada.

O Nº. 3, o local onde o cartucho foi encontrado.

Sim, parece-me ser a Browning que examinei.

Sim, é o que diz o relatório policial.

Posso ver a arma?

Sim.

- Foi examinada. - Obrigado.

É esta a arma?

Sim, o número de série coincide.

Não compreendo nada disto, Sr. Peters. Vai ter de me ajudar.

Para que serve a abertura do lado direito do cano?

É a janela de ejecção.

Pode explicar-nos como funciona?

Quando uma bala é disparada, a mola recolhe.

Um gancho puxa o cartucho vazio para fora da câmara,

uma peça metálica rígida empurra-o

e o cartucho expelido da culatra da arma.

Isso quer dizer que o cartucho sai pela lateral da arma?

Sim, pode dizer-se assim.

Uma vez que a abertura é à direita,

o cartucho é expelido para a direita?

Sim.

Sabe a que velocidade ele é expelido e até que distância viaja?

- Não, teria de ser medido. - Claro.

Mas diria que é realista o cartucho viajar cerca de um metro?

Aproximadamente, sim.

O seu parecer especializado é confirmado nesta fotografia.

O cartucho encontrava-se realmente a cerca de um metro da arma.

Não foi desviado, não havia árvores nem outros obstáculos na zona.

Certo.

Mas...

... veja melhor.

Observe novamente a fotografia.

Consegue ver?

O cartucho...

- Não repara em nada? - O quê?

O cartucho não está do lado direito.

Está a cerca de 40 cm do corpo,

mas do lado esquerdo.

Isso não pode...

Se este homem tivesse realmente sido alvejado por trás,

o cartucho deveria estar do lado direito.

Posso?

Parece-me correcto.

Como é possível que esteja do lado esquerdo?

- Não consigo explicar. - Mas há uma explicação lógica.

O homem suicidou-se.

Cometeu o erro de segurar a arma ao contrário,

com a coronha para cima,

e, como consequência, o cartucho foi expelido para a esquerda.

Aliás, não há outra maneira de segurar a arma,

se quisermos dar um tiro na parte de trás da cabeça.

É incrivelmente difícil.

Ele tem razão.

Só é possível segurá-la desta maneira.

Exactamente.

O homem simulou o seu assassinato.

E o motivo é claro, depois de tudo o que ouvimos no julgamento.

Queria que a mulher recebesse o dinheiro do seguro.

SABINE K. NÃO SERÁ PRESA

SENSACIONAL ABSOLVIÇÃO EM PROCESSO DE HOMICÍDIO

ADVOGADO SCHLESINGER NOVAMENTE EM BOA FORMA

SABINE K. INOCENTE

TRIBUNAL CONSIDERA ARGUIDA NÃO CULPADA

ACUSAÇÃO: NÃO IREMOS INTERPÔR RECURSO

VIZINHO: SEMPRE SOUBE.

EMPRESÁRIO DE BERLIM SUICIDA-SE

Outras vez essas coisas nojentas, não.

Recuperou o seu relógio?

Sim.

Parabéns pelo julgamento.

Foi graças a si.

Como é que percebeu logo?

- Não vai querer saber. - Quero.

Não.

Não pensou porque é que as impressões do marido não estavam na arma?

Como?

Desejam pedir alguma coisa?

- Um chá verde. - Com certeza. E o senhor?

Deseja beber alguma coisa?

- Um expresso. - E uma água?

Um expresso.

Resíduos de pólvora na mão do marido?

Agora é impossível verificar. Ninguém pensou que fosse suicídio.

O corpo foi cremado.

Que sorte.

O que se teria encontrado?

O quê?

Não se enerve.

Quero pedir-lhe um favor.

Parece "O Padrinho".

É um pedido.

Imagine que tem um cliente.

Que esse cliente é uma mulher habituada a conseguir o que quer.

- Conheço gente assim. - Não, assim não.

A cliente quer que um determinado homem lhe diga uma determinada coisa.

Na verdade, só esse homem tem essa informação.

Essa informação é extremamente importante para a sua cliente.

Poderíamos até dizer que a felicidade da sua cliente

e as vidas de muita gente dependem disso.

A cliente está disposta a pagar qualquer preço

e a fazer o que for preciso para que o homem lhe diga o que ela quer saber.

Mas o homem que tem de dar a informação recusa-se a fazê-lo.

Porquê?

Não pode. É impossível para ele.

Recusa-se a falar porque está na prisão.

E enquanto lá estiver não falará.

NOVA DETENÇÃO!

PROCESSO DE ABUSO DE CRIANÇAS VAI MAIS LONGE

NÃO HÁ PAZ PARA OTTERN

O processo de Ottern?

Sim.

Estão presos 25 homens e mulheres.

Vários casos de abuso de crianças.

Orgias sexuais repugnantes com crianças pequenas.

Pornografia infantil.

Absolutamente repugnante.

São 26 pessoas.

O homem que tem de dar a informação à cliente, foi preso ontem.

O que posso eu fazer?

Preciso que o homem seja libertado. Tenho de falar com ele.

O que...

Chamem uma ambulância!

Precisamos de uma ambulância!

O homem tem de ser ilibado.

Quem é essa?

A mãe.

E essa?

Eu.

E esse?

O pai.

Vou deixar-te brincar um bocadinho.

PROCURADOR PÚBLICO ACUSA OUTRO SUSPEITO

Sim, entre.

- Venho incomodar? - Não, claro que não.

- Bom dia. - Bom dia.

Sente-se.

- Como tem passado? - Sabe...

Aqui tem. Por enquanto, é tudo o que tenho.

O que está aqui?

Cerca de 300 páginas de conversas que tive com as crianças.

E as minhas notas. Tudo revisto e ordenado.

Obrigado.

Espero que isso nos ajude a avançar.

Vou dar uma vista de olhos.

As crianças precisam de si.

Olá, Dr. Schlesinger.

- Azra... - Vamos embora.

Como?

Vamos embora.

Vista-se.

- Estou doente. - Deixe-se de pieguices.

Não posso.

Tem um trabalho a fazer.

Não posso mesmo.

Vejo que tem uma visita.

Uma amiga.

- Volto mais tarde... - Não, fique.

Explique à senhora porque tenho de ficar no hospital.

Não sou nenhuma senhora. Que tem ele?

- Negligência espacial. - O que é isso?

- Teve um enfarto do hemisfério direito. - Tive um AVC.

- Sim, eu assisti. - É isso.

Como consequência, sofreu uma lesão cerebral.

Agradecia que não falassem de mim na terceira pessoa

enquanto eu estiver presente.

O que significa isso?

Ficou com uma lesão no cérebro.

Negligencia coisas que estejam do lado contrário ao lesionado.

Não compreendo.

Deixou de percepcionar o lado esquerdo do seu mundo.

Continuo sem compreender.

Muito bem...

Já terminou?

- Sim. - Veja.

O doente barbeia apenas o lado direito do rosto, por exemplo,

lava apenas um dos lados do corpo,

salta palavras ao ler e assim por diante.

Negligência espacial...?

Isso trata-se?

Não há comprimidos, se é o que quer saber.

Mas aqui fazemos uma terapia.

Quanto tempo demora?

É difícil dizer.

Para a maioria dos doentes, algumas semanas são suficientes.

- Ou alguns meses. - Isso é demasiado tempo.

Dr. Schlesinger, o senhor não está doente. Vamos embora.

Tradução (do inglês) CLÁUDIA BRITO

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