All language subtitles for The Allegation S01E01

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Original subtitles

INSPIRADO EM FACTOS REAIS

Região ano-genital coincidente com a idade, Tanner I,

bem conservada,

nenhuns sinais exteriores recentes de lesões.

Mesmo após um exame...

sem lupa

e sem maior aprofundamento,

é perceptível que a zona posterior da vulva,

à direita e à esquerda da transição para a comissura,

tem um tom branco descolorado.

A abertura himenal está muito alargada,

a parede posterior da vagina está livre e é visível até ao colo do útero.

O hímen e o vestíbulo estão avermelhados.

A membrana mucosa genital está inflamada.

São visíveis duas cicatrizes na região posterior inferior.

Quando o músculo anal é distendido de forma passiva

nota-se que abre imediatamente sem grande tensão.

18 a 22 milímetros,

ao que se segue imediatamente e de forma espontânea

uma série de contracções reflexas.

Então...

Franziska, vou precisar de...

... um esfregaço.

Avaliação:

Estamos perante...

... sem qualquer dúvida médica razoável,

um caso....

de abuso penetrativo sexual crónico.

"Viva, Jenny."

"Tudo bem?"

"Hoje no consultório apareceu uma menina que foi violada."

"O meu patrão examinou-a."

"Que horror! E tu viste?"

"Fotografei."

"Eu seria incapaz. Que idade tinha?"

"No estágio da Jenny apareceu uma menina violada. Seis anos."

"Que cabrão!"

"Não acredito."

"Que horror..."

"Já sabes o que aconteceu em Ottern?!!"

"Não, o quê?"

"Cena marada em Ottern."

- "Um tipo violou uma menina de 6 anos." "- Como sabes?"

"A Jenny trabalha no consultório do médico."

"Violador de crianças à solta. "

"Repugnante. Um tipo violou uma menina de 6 anos em Ottern."

"Que nojo!"

"A menina morreu?"

"Criança violada em Ottern! Culpado à solta!"

"Esses tipos deviam ser castrados!"

"Não merecem viver."

"Para casos destes, pena de morte."

"Devia ser enforcado."

"Completamente tarado..."

Sim?

Em que sala?

Quando?

Vou já.

Merda...

FIRMA DE ADVOGADOS

Tribunal Criminal, Turmstrasse.

- O que andou a fazer? - Fique calado.

16,30, por favor.

Está bem...

Boa noite.

Sim?

- Bom dia, Dr. Schlesinger. - Sim...

Desculpe, mas a polícia traz-me sempre casos a meio da noite.

Também não percebo porquê.

- Tem um efeito intimidatório. - É por isso?

Provavelmente.

Se for verdade, é vergonhoso.

Temos de esperar pela funcionária.

- Porque é que ainda trabalha de noite? - Como?

É o melhor advogado de defesa criminal que conheço,

se tivesse um problema, recorria a si.

Mas está na lista dos advogados a quem posso ligar a meio da noite.

Normalmente, só os advogados jovens que precisam de clientes o fazem.

Eu sou jovem e preciso de dinheiro. Qual é o caso?

- Assim, de caras? - Sim.

Uma mulher de meia-idade mata a tiro o marido de meia-idade

para receber o seguro de vida.

Um clássico.

Costuma ser ao contrário.

Provas?

Mais do que suficientes.

Tudo muito pouco promissor, lamento.

Ganância e maldade. Dois critérios para homicídio.

Quem está a tratar disto no gabinete do procurador?

A Sra. Laux.

Que enfadonho...

Porquê?

Ela é muito obstinada.

Sim?

- A Sra. Kramer está na cela de detenção. - Obrigado.

Pode descer, Dr. Schlesinger, por favor.

Vamos lá despachar isto. E leve o mandado de detenção.

Advogado para Kramer.

Obrigado.

Schlesinger, advogado. Estou cá para a defender.

Não matei o meu marido.

Isso não é um factor crucial.

- Posso ir para casa? - Acho que não.

O juiz de investigação emitiu um mandado de detenção contra si.

Foi por isso que foi presa.

Devem estar prestes a chamar-nos.

O juiz vai ler-lhe o mandado

e perguntar se tem alguma coisa a declarar.

Se não puder refutar imediatamente a acusação,

será mantida sob custódia durante o processo investigativo.

Durante quanto tempo?

Provavelmente até ao final do julgamento.

Isso não é possível.

- O que devo dizer? - Nada.

Não conhecemos a investigação.

Quando me derem os dossiers, logo vemos o que fazer.

Neste momento, é arriscado dizer o que quer que seja.

- Porquê? - Fez alguma declaração à polícia?

Sim. Disse-lhes tudo o que sabia.

Estou inocente.

Imagino que toda a gente diga o mesmo.

Sim, dizem todos isso.

Também não é um bom argumento de defesa.

Não compreendo.

Não posso dirigir-me ao juiz e dizer: "A minha cliente é inocente."

"Foi o que ela me disse."

Normalmente, isso não leva a nada.

Mas eu estou mesmo inocente.

Há quanto tempo mora em Berlim?

Sra. Kramer, o gabinete do procurador

acusa-a de ter matado o seu marido.

Por conseguinte, pediram um mandado de detenção, que eu emiti hoje.

Importa salientar o seguinte:

"O corpo do seu marido foi encontrado por dois jovens no lago."

"Foi morto com um tiro na nuca."

"Ao lado do corpo encontrava-se uma arma."

"Ainda não foi determinado se a bala encontrada na cabeça do seu marido

veio ou não desta arma,

mas uma avaliação preliminar de balística considera provável."

"A pistola pertence-lhe, conforme afirmou à polícia."

"Afirma tê-la herdado do seu pai."

"As suas impressões digitais foram encontradas na arma,"

nos cartuchos do carregador e nos que se encontravam na relva."

"Duas semanas antes de morrer, o seu marido fez um seguro de vida

de 800.000 euros, do qual a senhora é beneficiária."

"Não tem álibi verificável para a hora provável da morte."

"Afirma ter estado sozinha em casa."

Pelo menos, foi o que declarou à polícia.

Em resumo:

tinha um motivo, a oportunidade e uma arma

e não tem álibi.

Não tem de responder imediatamente a estas acusações,

mas pode fazer um depoimento e pedir que sejam reunidas provas.

Já deve ter falado disto com o seu advogado de defesa.

Como deseja avançar?

A minha cliente não vai fazer comentários.

Óptimo. Nesse caso, o mandado de detenção mantém-se.

Solicito que a minha cliente seja dispensada de prisão preventiva.

Não tem antecedentes e viveu cá metade da vida.

Tem um apartamento em Berlim e trabalha há 12 anos

como compradora para uma empresa de moda.

Podemos também pagar a fiança, podemos...

Não, Dr. Schlesinger.

Se me recordo correctamente do depoimento da sua cliente à polícia,

ela tem muitos contactos no estrangeiro.

A mãe vive na América, a filha em Itália...

Caso fosse condenada, a pena seria provavelmente tão longa

que constituiria um forte incentivo à fuga.

Recuso assim o pedido de dispensa de prisão preventiva.

Deseja fazer mais solicitações?

Solicito uma audiência oral para rever a detenção preventiva,

na qual desejo estar presente

e registe também nas actas que solicito acesso aos dossiers.

Registou tudo?

Decidido e pronunciado.

O Dr. Schlesinger é nomeado advogado de defesa

da acusada durante este processo.

Já falei com o Procurador.

Pode levar já os dossiers.

- Acompanhem a acusada, por favor. - Vamos.

Vou visitá-la amanhã.

Está bem.

Dr. Schlesinger, posso fazer um comentário pessoal?

- Há quanto tempo nos conhecemos? - Não sei.

Vinte e cinco anos?

Não leve a mal, mas...

... está com péssimo aspecto.

Cheira a álcool.

Precisa de descansar como deve ser e de comer uma refeição decente.

- Está bem. - Estou a falar a sério.

Saia, vá passear, faça exercício.

Passear?

Estive nas montanhas Harz com a família. Faz maravilhas.

- Nas montanhas Harz? - No pico de Brocken.

Quando chamam "pico" ao topo de uma montanha é porque algo está errado.

Ou então...

... arranje um cão.

- Um cão? - Sim, um cão.

Eu tenho um. É enorme.

O Wurzel. Tem sete anos.

Obriga-o a ir para o ar livre.

É responsável por outro ser vivo.

Deixa de estar sozinho.

Depois de uma perda tão grande...

Adeus.

Leve-me de volta.

Já está despachado? Foi rápido.

Esteja calado.

Desligue a música.

- Idiota... - O quê?

Azra...

São os chineses. Conhece as regras.

Pois...

Tem o dinheiro?

Não.

- Está bêbedo? - Nem sequer isso.

Estive no tribunal.

Vai doer.

Lamento, Dr. Schlesinger.

Sabe que os chineses querem sempre uma prova.

O seu escritório está uma desgraça.

Gosto muito de si, mas tem de pagar.

Não é bom dever dinheiro aos chineses.

Querem que lhe corte um dedo do pé para a próxima.

Depois é sempre a seguir, dedo do pé, da mão, mão inteira...

Bem, sabe como é.

Vi um filme onde as pessoas diziam sempre "Não é nada pessoal".

Não percebi. Afinal, a vida é uma coisa pessoal.

Mas, realmente, não tenho nada contra si, Dr. Schlesinger.

Não arranja o dinheiro?

Só posso dar-lhe uma semana. Compreende?

Repita o que eu disse.

Uma semana.

Devia parar de beber.

Hoje, toda a gente me diz isso.

Os dossiers estão na sua secretária. Estive a ver as fotografias.

Está do lado errado.

- O quê? - Pague o dinheiro aos chineses.

Ou ligue-me. Tem o meu número.

Belo relógio...

Ofereço-lhe 30.000 euros, doutor.

Dê-me 20.000. Virei cá recuperá-lo.

Como queira.

Não quer um envelope para pôr isso?

Dr. Schlesinger.

Está com péssimo aspecto.

Tive uma visita.

Azra é tão elegante como meticulosa.

Não foi advogado dela há uns anos?

Os russos disseram que passaram semanas no hospital.

Os médicos também.

Todos os pormenores.

Muito bem.

Cada um dos três homens tinha o dobro do tamanho da Azra.

Eram alegadamente guarda-costas.

Que confrangedor...

Lembra-se daquelas coisas todas em cima da mesa do juiz?

Os russos tinham facas, tasers, e tacos de basebol

A Azra só tinha um lápis.

- Não. - Não?

Era uma esferográfica.

- A sério? - Da Caran d'Ache.

Prateada. Hexagonal. De metal.

Seria impossível ter feito aquilo com um lápis, disse a Azra.

Partia-se logo.

No julgamento, os russos disseram que tinham começado eles a discussão.

A Azra foi ilibada.

Correram rumores...

... de que fora um desentendimento entre os chineses e os russos.

Deixemos a coisa assim.

Deve-me 17.800 euros.

Estão aqui 20.000.

Fica pelo incómodo que lhe causei.

Volte em breve.

Estamos sempre ansiosos por o ver.

Boa tarde.

Precisa de ajuda?

Têm de arejar esta loja. Tem um cheiro estranho.

É por causa dos animais.

O que procura?

Aconselharam-me a mudar de vida e a arranjar um cão.

- Desculpe? - Um cão, por favor.

Acha que temos aqui uma gaveta cheia de cães?

Não sei, a loja é sua.

Se quer um cão, vá a um criador ou a um canil.

Dá muito trabalho.

Em todo o caso, não temos cães.

O que é que têm?

Periquitos, papagaios, porquinhos-da-índia, coelhos.

- Tem alergias? - Como?

- Temos uns sem pêlo. - Devem ser nojentos.

Não são coelhos sem pêlo, animais sem pêlo.

Tartarugas, lagartos, peixes...

- Levo um peixe. - Não prefere um periquito?

- É uma escolha segura. - Fazem muito barulho?

Piam quando estão contentes.

- Levo antes um peixe. - Que género de peixe?

- Um pequeno. - Um peixinho dourado?

Com tudo completo.

Como assim, tudo completo?

Tem de ter um recipiente. Um aquário redondo ou isso.

Mais ou menos isto?

Li algures que estes aquários são suficientes para um peixinho dourado.

Eles nadam sempre em círculo e têm o cérebro tão minúsculo

que depois de uma volta,

não percebem que estão no ponto onde começaram.

Uma taça de vidro destas é um oceano para eles.

Aqui tem. O peixe.

Parece-me muito vermelho.

Está doente ou coisa do género?

Não, são sempre assim.

Não queria um peixinho dourado?

- Pensei que fossem diferentes. - Tipo, o quê?

Bem, mais...

Não sei...

Mais dourado?

19 euros. 10 euros pelo peixe, nove pelo aquário.

Ele come ou só precisa de água?

Não, os peixes têm de comer.

Tenho aqui uma fórmula bioactiva especial para peixes ornamentais.

Sete tipos de flocos com propriedades de flutuação diferentes,

feitos a partir de 40 ingredientes base,

com pré-bióticos.

- Pré-bióticos? - É para a flora intestinal.

É a melhor comida de peixe que temos. Há anos que a vendemos.

O meu peixe gosta dos sete flocos diferentes?

Claro que o seu peixe gosta dos sete flocos.

29 euros.

- Come tanto quanto custa? - Sim.

Caro, o peixe, mas nada mau para um cão.

Não é possível.

Estou inocente.

Imagino que toda a gente diga o mesmo.

Tradução (do inglês) CLÁUDIA BRITO

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