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Os estudantes reclamam que t�m trabalho demais.
Eles jogaram uma lixeira na cabe�a do Reitor.
No meu tempo, quando eu estudava navega��o,
se algu�m ousasse fazer isso,
ter�amos sido jogados para fora na rua.
Havia disciplina naquela �poca.
N�o era t�o ruim.
No tempo dele...
Meu pai vivia lembrando de sua juventude.
E n�o se preocupava com a minha.
Todos n�s viv�amos no seu passado.
E n�o pod�amos nos afastar das suas hist�rias.
Minha m�e, nos �ltimos vinte anos, s� falava com ele para perguntar:
Voc� vai tomar caf� quando terminar?
Como se ela n�o soubesse. Velho costume de mestre marinheiro.
Caf�, tr�s vezes ao dia, e sem a��car.
Por que ele iria querer ficar acordado?
Ele passou a vida dormindo como se dormisse durante um serm�o de igreja.
Voc� est� aqui de novo para roubar nossa filha. Vai ao cinema?
Claro. Eu assisti apenas dois filmes na minha vida,
mas eles t�m que ir toda semana. No meu tempo...
N�o traga ela para casa muito tarde.
N�o se preocupe, m�e. Tenham uma boa noite.
E assim que os deixamos,
eu sabia que eles iam falar sobre meu irm�o mais velho que morreu na Indochina.
Se ele estivesse aqui, ela n�o precisaria de um namorado.
Venha, eu quero ir para casa.
Viver sem amor...
meus pais me ensinaram a odiar o amor.
Eu n�o conseguia nem suportar o toque das m�os de Eric.
Eu n�o suportava ver outras pessoas fazendo amor.
N�o conhecendo prazer, eu n�o conseguia entender o prazer dessa garota.
Olha.
Espera.
E a�, jovens? Voc�s querem nos fazer companhia?
Quem sabe em outra noite, agora temos que ir.
Aqui, digite isso antes do meio-dia.
� o relat�rio de seguro do Sr...
Volte para o seu escrit�rio.
Quando os empregados perdem tempo, os patr�es perdem dinheiro.
O que h� com minha pequena Carole? Voc� ainda me ama?
Voc� sabe o que eu ouvi? O pessoal diz que voc� sentiu minha falta.
Voc� est� aqui s� para me contar essas bobagens?
O que � isso que eu ou�o? Est� brigando com o sobrinho do chefe agora?
N�o v� que estou trabalhando?
Que decep��o. Eu planejava ir para C�tira
e agora encontro um modelo de empregado.
Sou uma v�tima da moralidade dos trabalhadores da classe m�dia.
Eu volto j�.
Da pr�xima vez diga a ele que ele � um idiota.
J� que voc� sabia disso, por que n�o diz a ele voc� mesmo?
Era assim que eu estava vivendo, entre o t�dio dos meus pais,
o desprezo do meu namorado...
e o t�dio mon�tono do meu trabalho.
A Sra. Fran�ois tinha vestido minha m�e,
estava ent�o combinado que a Sra. Fran�ois me vestiria.
Isso � uni�o familiar para voc�.
Voc�... voc� se parece tanto com sua m�e quando ela era jovem.
Ali�s, esse casamento com o Sr. Eric,
� logo?
Ao sair da casa da Sra. Fran�ois...
Eu o vi.
Foi uma paix�o.
Voc� viu as radiografias dela, doutor?
Sim, � milagroso ter uma queda dessa com t�o pouco dano.
Sim, sem fraturas, � inacredit�vel. E sobre os danos psicol�gicos?
Voc� acha que ela est� normal? N�o h� trauma aparente?
Dif�cil dizer por enquanto, ela ainda n�o falou.
Espero que em alguns dias.
- Vamos v�-lo de novo amanh�? - Infelizmente, n�o.
Minhas f�rias acabaram. Vou embora esta tarde.
Boa viagem, Doutor.
Mas o que eu vejo, senhorita? N�o � s�bio se levantar t�o cedo.
Um pouco de paci�ncia, voc� deve se dar tempo e descansar.
Aqui. Deite-se.
Tente dormir um pouco, voc� ver�, tudo ficar� bem.
Minha convalesc�ncia continuou na casa da fam�lia.
E foi aqui, pela primeira vez
que senti os primeiros sintomas da doen�a vergonhosa
que mudaria minha vida.
Nunca tinha pensado no meu corpo antes
e de repente me vi pensando apenas nele.
Sua presen�a me assombrava.
A todo momento eu queria toc�-lo.
A todo momento eu tinha que me olhar.
Surpresa com esse corpo que agora me dava tanto prazer.
Voc� pode descer, meu bem?
Seu namorado est� esperando por voc�. Deixe-o subir, m�e.
N�o � apropriado ele entrar no seu quarto.
Vou dizer a ele para voltar amanh�.
Voc� pode confiar no Eric.
E isso me distrairia um pouco...
Voc� est� bem?
Eu precisava te ver.
N�o, n�o me agrade�a.
Voc� tem... Eu quero... Eu desejo...
O qu�?
Mas aqui? Assim?
Eu te imploro, � o que voc� queria quando...
Eu estava t�o envergonhada de pedir assim, e sentia pena dele.
Um homem pobre que perdeu sua coragem de forma t�o miser�vel.
Ao mesmo tempo, meu desejo era t�o forte que eu n�o conseguia esperar.
Ent�o tudo foi apressado.
Eric, eu te imploro.
E se sua m�e entrar?
Voc� est� louco?
Voc� est� bravo comigo? N�o, mas...
De repente, eu fiquei com medo e muito envergonhada.
Para provoc�-lo, eu disse:
Voc� me acha uma prostituta?
N�o, uma neur�tica. Uma hist�rica.
Uma ninfoman�aca.
Isso. Voc� � uma ninfoman�aca.
Ele parecia t�o devastado que eu comecei a rir.
Era nervoso. Ninfoman�aca. Eu nem sabia o que significava,
Talvez ele tamb�m n�o soubesse.
Esse primeiro contato com o amor n�o me satisfez.
Eu senti um prazer desconhecido para mim - muito violento.
Mas eu queria mais.
Eu n�o ousava olhar Eric no rosto.
Eu me sentia envergonhada dele.
E tamb�m suspeitava que ele n�o estava � altura.
Voc� est� chorando, meu bem. O que aconteceu? Teve uma briga com o Eric?
N�o, m�e, n�o. Responda, minha filha.
N�o tenha medo.
Vai ficar entre n�s. Eu n�o vou contar nada para o seu pai.
O que �?
Voc� n�o quer me responder?
Estou preocupada.
Desde o seu acidente, voc� n�o � mais a mesma.
Antes voc� confiava em mim, voc� conversava comigo.
Pobre m�e.
Eu n�o podia contar a ela que desde o meu acidente
eu fui tomada por uma loucura sexual que s� aumentava.
Ela nunca teria entendido.
Ela, que s� conhecia o desejo que meu pai inspirava nela.
O que ela sabia sobre o amor? Nada.
J� que ela nunca foi infiel ao seu marido.
Eu n�o podia contar nada para minha m�e, nem para o Eric.
Por que eu confessei para a Gina?
Porque essa velha amiga de escola
teve na minha juventude uma experi�ncia que me fascinava.
Ent�o, eu falei. Conteei tudo para ela.
Ela achou que era normal. Eu insisti.
Voc� tem que entender. Antes, eu n�o sabia nem o que significava ser lasciva.
Voc� era meio retardada.
� terr�vel.
Mas agora eu preciso resistir, ou eu ficaria sempre fazendo amor.
- Eu sei que � errado. - Claro que n�o.
O amor � muito bom.
Mas querer sempre fazer isso?
Escute, entre a frigidez e a ninfomania...
O qu�?
Entre dois males voc� deve aprender a escolher o menor.
E ser ninfoman�aca � menos comum.
Voc� acha que eu sou uma...
Uma ninfoman�aca? E da�?
E da�? Gina foi a segunda a me chamar de ninfoman�aca.
Eu estava come�ando a acreditar nisso.
Al�m disso, meu corpo se tornou cada vez mais exigente.
Embora eu tentasse ser cuidadosa, o esc�ndalo tinha que explodir um dia.
No dia seguinte, e foi t�o tedioso quanto qualquer outro dia.
Mas eu estava com medo.
Desde o come�o da tarde, minha carne vibrava e me dominava.
Ser� que terei for�as para resistir mais tempo?
Ali, mais um dia passou.
Mais um, menos um.
Aqui, fa�a o chefe assinar esses.
Voc� quer que eu v� para sua casa hoje � noite, meu doce?
Eu entendo que � normal me desejar.
Mas eu j� tenho tr�s compromissos para hoje � noite.
S�rio?
Com sua amiga, Sylvie?
Para mim tamb�m? Voc�s duas ao mesmo tempo?
Mas isso � Sodoma e Gomorra.
J� que voc� traz as meninas, eu trago o champanhe.
At� logo.
Ent�o, minha pequena Carole? Sempre jovem, bonita...
e virgem?
O que � isso?
Voc� n�o est� se sentindo bem?
- A Carole n�o est� aqui? - N�o, ela est� no escrit�rio do chefe.
Por que est� sorrindo? N�o h� nada de extraordin�rio.
Claro.
Mas ela est� l� desde meia hora.
O sobrinho do chefe precisa de tempo para assinar tr�s cartas.
- O chefe n�o est� l�? - N�o, ele foi para Paris por dois dias.
O Sr. Olivier est� substituindo-o.
Vamos, Eric.
� o Sr. Olivier quem assina as cartas por procura��o.
- Eu imploro, tente entender. - Entender o qu�?
Que minha filha � uma prostituta. Uma prostituta perfeita.
Uma ninfoman�aca, uma Jezabel. Meu Deus, tinha que acontecer comigo.
Deixe-a falar. Talvez ela tenha uma desculpa.
N�o h� desculpa para uma inf�mia dessa natureza.
Ela vai embora.
Voc� n�o quer dizer o que est� falando?
- Mas para onde ela vai? - N�o me importa.
Ela era minha filha. Agora, n�o a conhe�o mais.
Eu imploro, Bertrand.
Deus nos pede para perdoar aqueles que nos ofendem.
Fique quieta.
- Voc� est� livre para ir com ela. - N�o se preocupe, m�e.
Meu pai est� certo. Eu n�o posso ficar aqui.
Mas eu n�o quero que voc� v� embora sem saber
onde vai e como vai viver.
E eu n�o terei vergonha de compartilhar remorso com voc�.
O remorso n�o � um substituto para o perd�o.
Dentro de dois dias, eu quero que ela deixe a casa.
Tudo foi apressado conforme uma l�gica provinciana rigorosa.
Eric convenceu Olivier a ficar em seu cargo
e a parar com o rid�culo e esc�ndalo contra mim.
A not�cia se espalhou r�pido pela cidade.
Eu me tornei a prostituta que as pessoas apontavam.
O Sr. Dirgrand, meu antigo patr�o,
era um homem decente e lamentava a conduta de seu sobrinho.
Mas como reparar o irrepar�vel?
Afinal, eu era adulta.
Para me tirar da vergonha,
ele prop�s que meu pai me mandasse trabalhar em Paris,
na casa de sua irm�. E, como ele prometeu, ela cuidaria de mim.
Minha m�e concordou que eu fosse.
E um dia, eu deixei Menton,
atormentada pelo remorso de ter machucado minha m�e.
Mas eu n�o tenho tempo.
A senhorita Carole chegou, senhora. Deixe-a entrar.
Fez boa viagem? Excelente, obrigada.
Meu irm�o me explicou tudo.
Vamos esquecer o Olivier.
A rudeza intoler�vel dele n�o faz justi�a a ele.
Eu sei que voc� fala ingl�s. Voc� tem um diploma de Bacharel em Artes.
O que voc� sabe sobre arte moderna? Deixe pra l�.
Meus clientes geralmente s�o ignorantes,
uma pequena mem�ria logo far� com que eles pensem que voc� � mais culta que eles.
A partir de amanh�, voc� ficar� respons�vel pela loja com a minha funcion�ria.
Ela vai te aconselhar.
Mas voc� tem que ter muito cuidado porque em oito dias voc� estar� sozinha.
At� voc� encontrar algo melhor, voc� ficar� aqui.
Voc� gostou?
� muito bonito. N�o sei como agradecer.
Acostume-se a n�o agradecer a ningu�m.
Isso vai evitar que voc� tenha muitas decep��es.
Voc� parece confusa.
O que voc� vai fazer hoje � noite?
N�o sei.
Muriel fez bem.
Ela entendeu que, para me seduzir,
ela tinha que me proporcionar a noite mais bonita da minha vida.
A do�ura das suas palavras me deixou b�bada
tanto quanto os vinhos quentes que ela me ofereceu.
Eu estava t�o bem com ela...
Eu estava errado em acreditar na sinceridade do amor de Muriel.
Logo eu seria a v�tima do seu maquiavelismo.
Voc� n�o me disse que tinha uma nova funcion�ria?
Ela � muito bonita, n�o �? Voc� pode dizer isso.
Onde voc� a encontrou?
Foi meu idiota de irm�o que a mandou para mim.
Seu irm�o de Menton? Ele mesmo.
O campo est� cheio de recursos. N�o devemos esquecer isso.
E ela �...?
Eu pensei que ir�amos discutir neg�cios?
Mas, me fale sobre ela.
Quem � ela? Como ela �?
Bem, ela � uma pequena comerciante que obedece a sua chefe.
Um pouco irritada, um pouco rom�ntica.
A dosagem ideal para um rico mercador romano passando por Paris.
Se voc� conseguir marcar uma consulta para mim, vou comprar metade da sua loja.
Fechado. Vamos jantar juntos amanh� � noite.
N�o h� melhor ocasi�o para assinar um contrato de venda.
Cansada dessas pervers�es, perambulava pelas ruas de Paris.
Eu n�o aguentava mais.
Eu era uma solit�ria, cansada, doente, ninfoman�aca.
Eu disse para mim mesma, calmamente: Eu sou ninfoman�aca
Eu sou ninfoman�aca.
�s vezes, cruzar o caminho de um homem na rua era o suficiente
para sentir o desejo subindo novamente pelo meu corpo.
O que eu temia
era que esse desejo pudesse renascer diante de qualquer homem.
Doente? Sim, eu estava realmente doente.
Mas uma doen�a pode ser curada.
O c�ncer pode ser curado �s vezes.
Por que n�o curar a ninfomania?
Voc� vem at� mim com uma pergunta? Sim, doutor, mas n�o para mim.
� para uma amiga. Eu entendo.
Eu estava t�o envergonhada que n�o consegui me trazer a dizer que eu era a pessoa.
Ent�o, inventei o personagem de uma pobre garota
que se parecia comigo fisicamente e moralmente,
Isso me permitiu contar a ela todas as minhas aventuras desde o meu acidente.
Ela entendeu tudo. At� o que eu queria esconder.
Voc� parece muito abalada com sua amiga.
Voc� ter� que mand�-la para mim.
� grave? Ela � ninfoman�aca, n�o �?
Ninfoman�aca? O que isso significa? Eu n�o sei...
Nunca use termos m�dicos
quando voc� ignora o significado exato. Ninfomania...
� uma doen�a s�ria. Sim e n�o.
Requer alguns tratamentos muito especiais, muito longos.
Hormonais e psiqui�tricos.
Mas pode ser curada.
Talvez sua amiga sofra apenas de um leve trauma
que cause um transtorno sexual comum.
De qualquer forma, senhorita,
diga � sua amiga que nem todos os tumores s�o cancer�genos.
H� muitos menos malignos que benignos.
Era o tipo de consolo que era oferecido a quem enfrentava a morte.
Mas, melhor do que ningu�m, eu tinha certeza que sabia a origem exata do meu mal.
Tamb�m diga � sua amiga para vir at� mim com confian�a.
Ela n�o precisa se envergonhar.
E se eu n�o puder examin�-la,
n�o posso dizer nada sobre o caso dela.
Pr�ximo paciente.
Muriel havia elogiado a boa educa��o de Bruno.
E eu confiei nela facilmente.
Ele tinha um charme maravilhoso. Falava fluentemente.
Era alegre, inteligente, galante. Mas havia algo...
Eu n�o acho que poderia ter passado uma noite mais agrad�vel em outro lugar.
Com Muriel, eles formavam um casal bonito.
E eu me perguntei se eles haviam sido amantes.
Depois pensei que isso era bem ing�nuo.
E, de repente, diante deste homem e desta mulher,
senti um desejo t�o forte que quase gritei.
Mas eu me contive.
Novamente, senti vergonha dessa doen�a que me afligia.
Muriel, com grande intui��o, provavelmente percebeu minha ansiedade.
Desculpe. N�o � nada.
Eu n�o sabia que voc� tinha um apetite de vampiro.
Encantadora.
Voc�s fazem um casal muito bonito.
Se ao menos Carole fosse mais relaxada.
A situa��o passou de mal a pior muito rapidamente.
Ambos se despiram, e eu os deixei brincar comigo.
Incapaz de resistir,
eu estava dividido entre vergonha e o desejo crescente.
Infelizmente, o desejo era mais forte.
Eu estava fraco.
E eles brincaram t�o bem.
Eu era prisioneiro dos desejos deles e dos meus pr�prios.
Eu estava ainda mais sozinha e confusa.
N�o adiantava ver um m�dico de novo
se fosse apenas para confirmar minhas sombrias pressentimentos.
Definitivamente, a medicina n�o poderia fazer nada por mim.
Restava apenas um �ltimo recurso: Religi�o.
Os princ�pios dos meus pais me preocupavam muito.
Pela primeira vez, pensei que acreditar em Deus poderia ser minha salva��o.
Voc� est� procurando algu�m?
N�o, eu...
Essas portas da igreja s�o sempre dif�ceis de abrir, mas entre.
O que h� de errado?
Voc� est� mal?
Descanse um momento.
Voc� prefere que eu fique?
Devo ficar?
Ent�o, eu posso ir e cuidar do meu rebanho?
Claro.
Ent�o, minha filha.
Voc� se atrasou, Carole.
� um defeito que eu n�o posso tolerar em meus empregados.
Mas talvez voc� esteja acostumada a se retirar mais tarde desde que est� em Paris.
Ela fingiu n�o lembrar da nossa noite para me humilhar.
Na verdade, isso mal importa.
Sua vida privada n�o me interessa.
Mas em todas as circunst�ncias, eu quero chegar antes de voc�.
V� e complete o formul�rio de pedido para o Sr. Garrucci.
Voc� lembra daquele italiano? Claro, senhora.
Perfeito. Eu prefiro que meus empregados tenham mem�ria.
Quando terminar, voc� pode sair.
Eu vou fechar a loja por um m�s.
Muriel ia para o Jap�o a neg�cios.
Ela me ofereceu um m�s de f�rias.
N�o por generosidade
mas para provar que eu s� poderia estar contente em viver sob sua domina��o.
Para uma mudan�a de cen�rio,
eu decidi tirar alguns dias de f�rias na costa atl�ntica,
que eu ainda n�o tinha visitado.
Usando o carro que Muriel me deu at� o retorno dela,
viajei em uma manh� ensolarada.
Eu vou para Arcachon. � na sua dire��o?
Sim, estou indo mais longe. � o meu dia de sorte.
Posso entrar?
O que aconteceu?
Voc� est� louca?
Me deixe ir.
Desde ent�o, eu n�o era mais o mesmo.
Eu sabia que minha doen�a era destruidora.
Por que lutar contra a impossibilidade?
Da primeira vez, foi o acaso que te trouxe aqui.
Mas hoje?
Importa saber para onde se vai se n�o se conhece a si mesmo?
O que �?
Voc� precisa de mim?
O padre sabia que algumas confiss�es
precisavam da Natureza de Deus para serem recebidas pelos homens.
E eu imediatamente confiei nele.
Para me livrar das minhas ansiedades, eu contei minha hist�ria em detalhes.
Como eu vivi em Menton,
sob quais circunst�ncias eu fui embora,
o que eu me tornei.
Nada parecia choc�-lo.
Talvez voc� considere isso normal.
Mas quem diz que Deus acredita na mesma coisa?
Deus sempre perdoa aqueles que sofrem, o pecado que cometem.
E se eu disser que �s vezes tirei prazer...
Um prazer fugitivo que depois se paga com muito sofrimento, est� certo?
D�i tanto, Padre. O corpo, a alma, tudo est� podre em mim.
N�o. Voc� est� ciente deste mal dentro de voc�.
O que voc� precisa agora � a vontade de lutar.
- Eu me sinto t�o fraco. - Deus te testa.
- Ele vai embora quando eu preciso dele... - N�o peque contra a esperan�a.
A prop�sito, voc� viu um m�dico?
Tenho bastante certeza de que um corpo doente
impede a verdadeira cura da alma: "Mens sana in corpore sano".
Voc� deve ser ativa em vez de se retirar para si mesma
e seus pequenos problemas.
Sim, sim, seus pequenos problemas, seus problemas muito pequenos,
em rela��o aos grandes problemas que Deus imp�e a todos os homens.
E se voc� tivesse uma doen�a fatal?
- Eu preferiria... - N�o, n�o blasfeme.
Ele te ouve.
Ele est� em toda parte,
At� aqui.
Ele tem apenas tr�s folhas. Quatro. Voc� n�o v� a quarta?
Est� aqui, como Deus.
Bem, chega de falar dele.
Pense nele, e tudo ficar� bem.
Eu penso nele, mas...
Pense menos em si mesma e mais nos outros.
Eu n�o tenho ningu�m. Um dia voc� encontrar� algu�m.
Tudo ser� melhor para voc�.
Enquanto isso, por que n�o gastar seu tempo de maneira mais s�bia
e fazer boas a��es?
Eu n�o sei... Dedique-se a uma atividade.
Seguindo o conselho do padre, eu me matriculei na Universidade de Paris.
Estudei com ardor um curso de filosofia.
Infelizmente, minha doen�a era mais forte que minha vontade.
Eu estava novamente distra�do.
E pensei no mal que me atormentava.
Nos vemos no s�bado, vamos para Deauville.
N�o. N�o � minha culpa.
Sim, pegue um chicote e me bata. � t�o bom.
Eu n�o quero, eu n�o quero ver meu pai novamente.
Se ele souber quem eu sou...
Muriel...
Devagar... assim...
Voc� v�, Padre...
Seus serm�es foram in�teis.
No entanto, eu orei, eu orei. Meu Deus.
Deus. Me ajude.
Salve-me.
Relaxe agora.
Voc� est� seguro.
Eu estou aqui.
Eu n�o vou te deixar.
Isso. Tente acordar um pouco.
Dormir demais te cansou. Tente olhar ao redor.
Abra os olhos.
A luz vai te fazer bem.
Voc� vai salv�-la.
Um corpo jovem n�o aceita a morte t�o facilmente.
Salvar um corpo, n�o � nada, Padre.
� uma coisa boa, mas voc� est� certo, n�o � o suficiente.
Vamos unir for�as se quisermos que ela...
Mas a medicina n�o pode fazer nada
contra alguns dist�rbios da mente.
Voc� a conhece, Padre. Me fale sobre ela.
Ajude-me a ajud�-la.
Em seu del�rio, eu ouvi que...
� realmente um caso bastante especial, bastante lament�vel.
Essa garota tinha...
N�o me deixe sozinha. Sozinha, sozinha com ele.
Estou perdida.
Sim, estou perdida.
Em uma palavra, ela diz que � ninfoman�aca.
Como se ela se orgulhasse da vergonha dessa doen�a.
Mas o que ela sabe?
Um m�dico de renome diagnosticou... Acho que n�o.
Mas o mais s�rio em seu caso � que ela realmente acredita ser uma ninfoman�aca
por causa de um certo dist�rbio sexual, na minha opini�o,
ela age como uma verdadeira ninfoman�aca.
- Isso se relaciona com a medicina psiqui�trica? - Mais com a psicossom�tica.
Nesse caso, o tratamento pode ser longo e delicado,
com um resultado incerto.
Mas ela deve ser salva.
Parece que voc� se importou muito com o caso dela.
� dever de um m�dico... N�o me entenda mal.
Pelo contr�rio, rendo homenagem ao m�dico e ao homem.
Sim, voc� pode.
Voc� pode e deve fazer o que eu n�o pude fazer.
Ela � uma garota muito solit�ria que n�o espera nada de sua fam�lia.
Eu n�o vou receb�-la.
Doutor. Eu estava te procurando. Ela teve outra crise, ent�o eu a seduei.
Muito bem. Mais alguma coisa?
Os pais dela. O pai enviou um telegrama. Ele n�o pode busc�-la.
O que fazemos? N�o podemos deix�-la ir como veio, sozinha e doente.
Prepare as coisas dela, eu a levarei. Mas...
Voc� ia dizer algo? N�o, eu pensei...
- Que eu estava errado? - N�o, pelo contr�rio.
- Eu tenho um medo de que... - E eu n�o tenho medo algum.
Carole est� salva.
Como eu invejo sua f� em Deus.
Em Deus e no amor tamb�m.
Deus tamb�m precisa de amor. Eu, e voc�, e ela. Todos n�s.
Michel cumpriu sua palavra.
Ele me levou para sua casa.
Ele fez tudo o que podia para me fazer sentir confort�vel.
Nunca na casa dos meus pais, me senti t�o contente.
Eu s� me preocupava com a ideia de n�o conseguir pag�-lo.
E decepcion�-lo ao sucumbir novamente a essa terr�vel doen�a.
Para isso, conversamos muito.
Que al�vio falar com toda a minha alma,
com o m�dico assim como o homem.
E como ele sabia ouvir.
Ele nem precisava falar.
Eu senti que ele entendia tudo, sem me julgar.
Ele me interrompeu apenas no final.
Quando eu terminei.
Isso � tudo. Voc� sabe de tudo.
Sou uma ninfoman�aca incur�vel.
Voc� n�o � uma verdadeira ninfoman�aca.
Eu j� vi algumas.
E essas pobres garotas nunca teriam falado como voc� fala.
Mas talvez, em um momento, eu fique muito nervosa
e eu de repente queira...
E para ter certeza, vou fazer com que voc� seja cuidadosamente examinada.
Muito cuidadosamente, de fato.
Michel me levou para ver v�rios especialistas.
Eu passei por exames, an�lises,
testes, entrevistas e provas de todo tipo.
D�i aqui?
Aqui?
Aparentemente, tudo certo.
Mais longa e mais dolorosa foi a an�lise psiqui�trica.
Meu entrevistador n�o teve piedade, nem dec�ncia.
Na primeira vez, eu n�o respondi �s suas perguntas.
Mas Michel me repreendeu.
Voc� deve responder �s perguntas dele, Carole.
Eu n�o posso, suas perguntas s�o t�o indiscretas
e d�i lembrar de alguns detalhes.
Mas voc� deve.
Sua cura depende disso.
Tente se lembrar.
Esse homem.
Foi voc� quem o provocou.
Eu n�o queria ir t�o longe. Eu me senti t�o envergonhada.
Mas meu desejo foi mais forte e eu n�o consegui lutar.
- Continue. - Eu n�o posso. Eu n�o consigo lembrar.
Voc� deve. Depois voc� vai se sentir aliviada. Um �ltimo esfor�o.
Eu sa� dessas sess�es completamente exausta.
Felizmente, ele estava aqui.
E eu me disse que tudo o que fiz, tudo o que sofri, foi por ele.
Sozinha, eu nunca teria tido a coragem. Mas por ele...
Por voc�. Por voc�, Michel.
De repente, senti o desejo de v�-lo, de colocar meu corpo contra o dele.
Era minha doen�a voltando novamente?
Ou uma for�a irresist�vel que me atra�a para Michel e...
Vista-se.
Entre.
N�o. No volante.
Ligue o carro.
Eu fiquei chocada.
Pela primeira vez, Michel tinha entendido mal minhas inten��es.
Para mim, eu sabia. Eu finalmente havia entendido.
A for�a que me empurrou a entrar no quarto dele naquela noite
n�o tinha nada a ver com os desejos insanos -
sexuais e puramente f�sicos - que me jogavam nos bra�os de homens no passado.
A prova � que eu n�o me sentia realmente envergonhada.
E eu podia olhar diretamente nos olhos dele. Foi ele quem olhou para baixo.
Foi quando ele percebeu que eu realmente estava me curando.
E � por isso que guardei uma mem�ria daquela noite,
uma mem�ria ao mesmo tempo terr�vel e maravilhosa.
Alguns dias depois...
talvez fosse o acaso ou uma vontade inconsciente.
O que quer que fosse, minha jornada me levou a um bairro conhecido.
E eu encontrei Muriel.
Que surpresa agrad�vel.
Por que voc� me deixou? Na verdade, foi voc� quem...
N�o vamos brigar sobre isso.
Voc� est� com medo?
Fiquei sabendo do seu acidente est�pido. Gra�as a Deus, voc� est� bem.
Voc� parece uma garota apaixonada. Como ele �?
Alto? Bonito, jovem, inteligente?
Claro, j� que voc� o ama.
E fisicamente, est� tudo bem?
Entendi. Alguns problemas.
Mas � normal, especialmente com o seu car�ter, bem especial.
Claro, isso fica entre n�s. Eu sou sua amiga, Carole.
Voc� sabia que o Bruno est� em Paris?
Ele gostaria de v�-la novamente.
Eu tamb�m gostaria.
Vou dar uma pequena festa amanh�. Se voc� estiver disposta.
Se o seu corpo estiver com vontade, Carole...
Claro que voc� pode trazer o homem da sua vida.
Estou contando com voc�, Carole.
Eu cometi um erro ao seguir e ouvir Muriel.
Na frente de Michel, eu me senti desconfort�vel.
Devo falar ou ficar em sil�ncio?
Eu precisava confessar ao Padre.
Como se eu previsse o perigo.
Procurei em v�o.
Mas encontrei outro conselheiro, e percebi onde estava o meu dever.
Eu tinha que contar tudo a Michel.
S� para ele pude contar tudo.
Isso � o que eu fiz.
A rea��o dele me surpreendeu a princ�pio.
Voc� fez bem em me contar.
Ontem percebi que voc� estava escondendo algo de mim.
- Voc� sabe o que vai fazer? - Eu n�o voltarei.
- Pelo contr�rio. - Mas...
De quem ou do que voc� tem medo? Muriel? Bruno ou de si mesma?
Veja, Carole. Se eu te pedir para ir �quela festa, � porque confio em voc�.
E se eu me deixar levar como antes?
Voc� n�o � a mesma mulher.
Percebi ent�o que ele estava certo.
Eu tive que me submeter a um �ltimo teste.
E eu tive que agir honestamente, em rela��o ao meu amor por ele,
e mostrar-me digna de sua confian�a.
Eu me preparei com uma ang�stia inimagin�vel.
Olha quem est� vindo.
Bem, eu nunca...
Eu ganhei a aposta. Eu tinha certeza de que ela n�o conseguiria resistir � tenta��o.
Que alegria te ver.
Voc� n�o pode imaginar o prazer que sinto em te ver novamente.
Se o seu corpo quiser...
Eu vou te deixar. Voc� n�o se sentir� sozinha com esses dois.
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