All language subtitles for Mollys.Game.2017.720p.BluRay.x264. YTS.MX-Brazilian-portuguese

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American) Download
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

UNITED apresenta...

Legenda: C@rlinha | BethRockefeller

Legenda: ZeitG3ist | jfbruna

Legenda: LikaPoetisa | Durenkian

Revis�o: Durenkian

Uma pesquisa feita alguns anos atr�s

questionou a 300 profissionais:

"O que pode acontecer de pior nos esportes?"

Alguns responderam que � perder a um 7� jogo.

Ele marca! Bruins ganhou no 7� jogo!

Outros disseram que � ficar em 4� lugar.

Uns disseram que � perder uma Copa do Mundo.

Guatemala � eliminada!

E alguns brasileiros disseram que � perder para a Argentina.

N�o s� na Copa do Mundo.

Em qualquer hora, em qualquer competi��o.

Mas um respondeu que o pior que pode acontecer

� o 4� lugar nas Olimp�adas.

Essa � uma hist�ria real mas, exceto o meu, mudei os nomes

e fiz meu melhor para ocultar identidades

por raz�es que ficar�o claras.

Eu sou Molly Bloom e agora

estou em 3� no Estilo Livre Feminino da Am�rica.

Cresci em Loveland, Colorado, a duas horas ao norte de Denver.

Sou Bacharel em Ci�ncia Pol�tica pela Universidade do Colorado

onde me formei com louvor com um rendimento de 3.9.

A pontua��o para a faculdade de Direito de Harvard � 169.

Minha pontua��o foi 173.

N�mero 87 suba. 56 na plataforma.

Passei 16 anos perseguindo o inverno

e sendo treinada pelos melhores do mundo.

Aos domingos treinava com meu pai.

H� algo muito errado.

Quando tinha 12 anos, sem a menor raz�o,

minhas costas explodiram.

Cuide disso.

- Belo conselho. - E cuidado com a l�ngua.

Menos de dez minutos depois, estava numa ambul�ncia.

Eu tive escoliose abrupta.

Minha espinha estava curvada de 63 graus

e precisei de uma cirurgia de 7h que envolveu

endireitar minha coluna, extraindo osso do quadril,

unindo 11 v�rtebras e fixando com hastes de a�o.

Ela ficar� bem.

Eu n�o a deixaria esquiar mais. Muito menos no estilo livre.

E claro, competi��es est�o fora de cogita��o.

Sim, claro.

Voltei a esquiar um ano depois, 6 meses mais, no estilo livre,

e no meu 20� anivers�rio, entrei no time de esqui dos EUA.

Era a �ltima rodada de qualifica��o

das Olimp�adas de Salt Lake City.

Esta � a Pista dos Campe�es de Deer Valley.

Altitude de 2500 metros e inclina��o de 52 graus,

que � o mesmo dos lados das Grandes Pir�mides.

O vento estava a 40 km/h, indo da esquerda para direita.

Estava -3�C no topo,

e com 17 esquiadores na minha frente.

Foi como usar os bast�es numa piscina congelada infinita.

Kiki ultrapassou a linha.

Shannon desequilibrou no segundo pouso.

Ele falava de Kiki Bandy e Shannon Keebler,

minhas concorrentes mais dif�ceis,

que tiveram redu��o de pontos na corrida final.

Poderia entrar para o time Ol�mpico ali.

V� buscar!

E com tr�s corridas perfeitas em Salt Lake,

as melhores da minha vida,

poderia vencer os austr�acos e os su��os

e ter uma chance real de p�dio.

Depois, faculdade de Direito e depois uma startup.

Uma funda��o para mulheres empreendedoras.

Meu pai no fim da encosta dizia telepaticamente

para checar meu trajeto.

Cheque seu trajeto.

Eu checava meu trajeto.

Competidora pronta.

Bom contato com a neve, relaxo parte do corpo,

pernas juntas, posi��o correta, sem desvio de linha,

preparo para o D-Spin, e...

bast�es no pouso.

Duas coisas que precisa saber

antes do segundo truque, que ser� um 720.

Uma �, que quando a visibilidade ficasse ruim como estava,

eram jogados galhos de pinheiro no percurso,

para os esquiadores terem refer�ncia de profundidade.

A outra � que o ajuste do esqui.

Ele � determinado pela chamada fixa��o DIN.

Se � um iniciante, a fixa��o DIN ser� dois ou tr�s.

Se j� � experiente, ser� sete ou oito.

A minha � 15.

Minhas botas est�o basicamente soldadas aos esquis.

Certo. Ent�o como isso aconteceu?

Aconteceu porque atingi um galho congelado na neve.

E acertei t�o precisamente que soltou as fixa��es do esqui.

Naquele momento, n�o deu tempo de calcular

as chances disso acontecer, porque iria cair feio

na minha espinha digitalmente remasterizada

que est� unida por pe�as de um conjunto eretor.

Saiam da frente! Vai!

- Cuidado! - Saiam!

- Sai! - Mexam-se!

Nada disso tem a ver com o p�quer.

S� contei porque queria dizer a quem

respondeu que o pior que pode acontecer

� um 4� lugar nas Olimp�adas,

S�rio, v� se ferrar.

A GRANDE JOGADA

12 ANOS DEPOIS...

12 ANOS DEPOIS... WEST HOLLYWOOD 5h06

- Al�? - Molly Bloom?

- � Molly Bloom? - Sim.

Aqui � o agente especial Tomasino do FBI.

Temos um mandado para sua pris�o.

- Como? - Estamos aqui fora,

e queremos que saia, certo?

Me escute agora.

- Precisamos ver suas m�os. - Quem �?

Agente Especial Tomasino do FBI, Srta. Bloom.

Tem 30 segundos para abrir a porta

ou arrombaremos.

Entendeu o que falei?

M�os ao alto.

Ponha as m�os para o alto.

- Houve um erro. - Voc� � Molly Bloom?

- Sim, mas... - Quero que venha

em minha dire��o bem devagar.

Certo? Venha.

- Eu... - Devagar, devagar. Vem devagar.

Venha. Venha.

- N�o estou enxergando. - Devagar.

- As luzes nos meus olhos. - Ande devagar.

Sim, senhor.

M�os na parede.

Abra os bra�os e pernas.

Tem algu�m no apartamento agora?

- N�o, senhor. - Tem armas de fogo

- no apartamento? - N�o, senhor.

V�.

Est� presa por gerenciar uma opera��o de jogo ilegal.

- Entendeu? - Sim.

- Diga que entendeu. - Eu entendi.

H� um engano, pois n�o gerencio jogos h� dois anos.

Quero que olhe para este papel aqui.

Pode ver o que diz no topo?

Sim.

Leia para mim o que diz no topo.

Estados Unidos da Am�rica vs. Molly Bloom.

Eu apostaria forte no favorito.

O que pensa sobre os seguintes conceitos?

Vou listar.

- Casamento. - Uma porcaria.

- Sociedade. - Uma piada.

Pessoas.

Acho que tem boas e m�s.

Mas n�o confio nelas.

N�o confio nas pessoas.

Todo ano, em nossos anivers�rios,

meu pai entrevistava meus irm�os mais novos e eu.

Quem s�o os her�is ou hero�nas em sua vida?

Quem voc� realmente respeita?

N�o tenho her�is.

Voc� n�o tem her�is.

� arrog�ncia suficiente?

N�o tenho.

Se atingir os objetivos que tracei para mim,

ent�o a pessoa que me tornarei, ser� a minha hero�na.

Mesmo pelos padr�es de uma adolescente,

eu j� parecia irritada com nada em particular.

Passaram mais 22 anos antes de descobrir porqu�.

Depois da elimina��o colossal em Deer Valley,

decidi folgar um ano antes da faculdade de Direito.

Precisava ir embora,

sair da realidade e criar um plano novo.

Ent�o, escolhi Los Angeles.

Uma amiga do time de esqui

me deixou ficar no sof� por um tempo.

Meu pai desaprovou adiar a faculdade

ent�o, recusou-se a ajudar.

Mas tinha 1.700 d�lares que juntei sendo bab�

e me ajudaria, at� encontrar um trabalho de gar�onete.

J� tinha uma carreira e me aposentei.

Queria ser jovem por um tempo num clima quente.

Acho que era o que queria no come�o. � dif�cil lembrar.

Consegui um trabalho servindo bebidas

num clube de Hollywood chamado Nacional Nightclub.

Tinha tem�tica cubana.

Meu uniforme era shorts curto, de camuflagem, e regata.

O promotor examinava qual produtor sentava e onde,

quais designers, quem do Lakers,

e Boris Lava, o bilion�rio b�lgaro,

que n�o bebia, mas gastou 100 mil d�lares

em rodadas no bar.

Meu trabalho era fazer gastarem mais do que precisavam.

Pode trazer uma garrafa de Sky?

Voc�s parecem merecer uma Grey Goose.

Como parece quem merece Grey Goose?

Para come�ar, eles t�m uma garrafa de Grey Goose.

Voc� � r�pida. Muito esperta.

Est� certo, sim. Grey Goose.

Eles gastaram 300 a mais,

chegando ao total de 900 por uma vodka de 8,50.

Mas o clube n�o quer que compre uma garrafa.

Querem que compre cinco garrafas.

Ent�o essas garotas, eles permitem que paguem tragos.

Seria como esperar numa fila para entrar na Gap

para pagar 1.000% em impostos

e comprar cal�as para os empregados.

S� fazia um turno por semana.

N�o queria contar a meus pais que era gar�onete.

E naquela �poca, nunca recusei

uma oportunidade de ganhar dinheiro.

Comecei noutro emprego de assistente de escrit�rio

e assim comecei a trabalhar para Dean Keith.

Dean era s�cio da Blackhues Investimentos.

Ele era cliente do clube e uma noite, ele disse:

As pessoas parecem te aceitar.

O que acha de ser paga para se graduar

e obter um MBA em como a vida funciona?

O que te faz pensar que voc� sabe e eu n�o?

Sou cliente aqui e voc� a gar�onete.

� s� olhar a porcaria do placar.

Dean explicou qual seria meu trabalho dizendo:

Eu. Eu sou seu trabalho.

Atenderia telefone, traria caf�, organizaria compromissos,

- faria planilhas - O que � isso?

e mostraria a Dean o que �...

Uma planilha.

Ganhava 450 d�lares na semana, mais 300 da balada,

j� era suficiente para sair do sof� da minha amiga.

Lembro do dia come�ar sendo sobre bagels.

- � a Molly. - Venha para c�. Traga bagels.

Ir agora?

Dean era um coringa de Hollywood.

Sobrecarregado, quebrado e tentando provar que n�o,

se esfor�ando para ser o mais vulgar poss�vel.

MEXA ESSA BUNDA DA�

Se esfor�ando mesmo.

Nunca contei que era esquiadora

e foi dif�cil n�o rir quando Dean disse:

- N�o te ensinaram a ser r�pida? - N�o.

- O que s�o? - Bagels.

- E s�o do Bluebell? - Sim.

- � no caminho de casa. - S�rio?

Poderia ter parado tamb�m

numa merda de abrigo de sem teto.

Poderia ter entrado numa merda de abrigo e falado,

"Quero de uma d�zia de bagels deste abrigo, por favor!"

Eu n�o como bagels da merda da Bluebell, Molly,

porque estas s�o bagels para pobres!

De onde quer suas bagels

- na pr�xima? - Esque�a as bagels.

- Feito. - Fica esperta.

- Pode deixar. - Espere.

Como disse, o dia come�ou com bagels.

Mas mudaria abruptamente.

O jogo de p�quer semanal mudou para o Cobra Lounge.

Amanh� � noite e depois todas as ter�as.

Me ajudar� nisso.

Pegue estes nomes e n�meros.

Diga para trazerem 10 mil em dinheiro para entrar,

as apostas obrigat�rias s�o de 50 e 100.

- E Molly. - Sim?

N�o conte a ningu�m.

Eu considerava Dean um idiota.

Mas ali estavam nove nomes com telefones

de alguns dos mais ricos e famosos do mundo.

Adicionei os n�meros e mandei uma mensagem simples.

P�quer amanh� � noite no Cobra Lounge,

10 mil para entrar.

Todos os nove confirmaram presen�a.

Tudo, 90 segundos ap�s enviar a mensagem.

O Cobra Lounge fica na beira da Sunset Strip.

E j� foi famoso por apresentar bandas desconhecidas

como o The Doors e os The Beach Boys.

Eu que s� conhecia trabalho escolar e esqui,

sempre achei que sofistica��o

seria f�cil de aprender se precisasse.

Minha bandeja de queijo tinha um adesivo assim:

"Queijo: Do Grande Estado de Michigan."

Diego, um carteador profissional,

estava montando a mesa quando cheguei.

Pesquisei "Que tipo de m�sica jogadores de p�quer gostam?"

Ent�o tentei montar uma lista de reprodu��o

com m�sicas de Kenny Rogers.

Arrumei o bar,

ajeitei a bandeja de queijo e me posicionei na porta,

onde fui instru�da a s� permitir os nomes da lista.

Usava o meu melhor vestido,

que comprei dois anos antes na JC Penney por 88 d�lares.

Os jogadores come�aram a chegar.

Me apresentei como Molly,

- assistente do Dean. - Para voc�.

Perguntava se queriam algo para beber,

e pegava de cada um 10 mil em dinheiro.

- Oi. - Oi.

Eu sou...

Eu sei.

- Todos aqui? - Sim.

- Oi, amigo! - Sai fora. Vou limpar voc�.

Vestido feio. Sapatos feios.

Vamos jogar!

Diego abriu nove cartas na mesa

e os jogadores escolheram os assentos.

- 11 e 11. - 22.

Tinha acabado de contar 90 mil em dinheiro.

Estava numa sala com estrelas de cinema,

diretores,

E o pr�mio vai para...

rappers,

- boxeadores, - Ele est� lascado!

e tit�s dos neg�cios.

Eles apostavam tudo o tempo inteiro,

queimando as fichas, umas ap�s as outras.

- Aqui est�, boa sorte. - Obrigado.

Pesquisava no Google as palavras que ouvia e n�o conhecia.

Mesa, �ltima carta, quarta carta,

abalado, m�os fortes, full, m�o imbat�vel.

- Apostou demais. - sequ�ncia de vit�rias...

Est� acompanhando a compra de fichas?

- Sim. - Onde? Cad� o papel?

Planilha.

Ray apostou tudo.

Pega ele, filho da puta!

Aposto tudo.

O jogo terminou �s 3h30.

Foi quando Dean gritou:

Gorjeta para Molly, se quiser ser convidado na pr�xima.

"Gorjeta para Molly."

No fundo, n�o gostei de como soou.

Muito obrigado.

Sabia que quando o chefe disse:

- E, Molly... - Sim.

N�o conte a ningu�m.

N�o � o come�o de uma boa carreira de Direito.

At� semana que vem.

Mas isso, l� no fundo.

Acabei de faturar 3 mil.

PRINCESA DO P�QUER MOLLY BLOOM INDICIADA HOJE

O que est� lendo?

As Bruxas de Salem.

Para a escola?

Meu pai pediu.

Sabe quantas bruxas foram queimadas em Salem?

- Quantas? - Nenhuma.

Isso � um mito. Elas foram enforcadas.

Ou afogadas ou esmagadas com pedras pesadas.

Espere, voc� � Molly Bloom, certo?

- Sim. - N�o parece a mesma das fotos.

Ningu�m parece.

- Molly? - Sim.

Charlie Jaffey.

Obrigada por me encontrar t�o cedo.

- Minha filha, Stella. - Nos conhecemos.

Isabel chegar� em 45 minutos para lev�-la � escola.

- Terminou matem�tica? - Sim.

Direito Civil?

- Sim. - Sabe a fundo?

Consegue dar uma aula disso, hoje?

Se pedisse para me ensinar direito romano, conseguiria?

- Sim. - Certo.

Ent�o, primeiro de tudo,

quando foi a �ltima vez que dormiu? Hoje � sexta.

Ter�a �s 5 da manh� fui presa pelo FBI,

passei a ter�a na pris�o de L.A.

Fui julgada como risco m�nimo

e a fian�a foi de cem mil d�lares.

Minha m�e deixou a casa dela em garantia.

Fui solta na quarta, ordenada a comparecer ao Tribunal Federal

no Distrito Sul de Nova York, �s 10hs de hoje.

Aqui.

Pode fechar.

Voei para c� quarta e falei com cinco advogados ontem.

Sente-se.

N�o contratou nenhum deles?

Tr�s deles, n�o estavam dispon�veis.

31 pessoas indiciadas na acusa��o.

� a Black Friday dos advogados criminais.

- E os outros dois? - Um disse que dinheiro

� a 2� forma de pagamento.

- Eu o conhe�o. - O quinto estava

indispon�vel, mas indicou voc�.

- Por qu�? - Queria algu�m experiente

com a promotoria e que n�o fosse desonesto.

Sabe do meu caso?

Fui informado pela minha filha

que conhece sua hist�ria por ter uma m�e imbecil.

- A m�e dela l� tabloides. - Sim, eu tamb�m leio.

Li seu indiciamento depois que ligou ontem

e comprei seu livro.

Estou na p�gina 112, mas Molly,

comete um crime e escreve um livro sobre ele?

N�o gerencio jogos h� dois anos.

N�o conto o final! Mas foi quando invadiram

meu jogo e levaram meu dinheiro,

achando que era tudo ilegal, mas n�o era.

Estou morando na casa da minha m�e em Telluride

e escrevi o livro para pagar as d�vidas.

Acabei de terminar a turn� do livro

e voltei para Los Angeles para recome�ar.

Gerenciou jogos em L.A. por cerca de oito anos?

- Sim. - Sem ganhar em cima?

- Certo. - E gerenciou jogos

- em Nova York por dois anos? - Passei o rodo

nos �ltimos seis meses.

Nas primeiras 112 p�ginas, voc� nomeia diversas pessoas.

Desculpe?

Voc� nomeia famosos que participaram dos seus jogos.

Sim.

Isso n�o � contra as regras do p�quer?

Preciso sentar t�o longe? Me ouve daqui?

Sim.

Vai me aceitar como cliente?

Meus honor�rios s�o 250 mil. Voc� tem 250 mil?

N�o, eu n�o tenho nada.

E as vendas do seu livro?

N�o est� uma maravilha de vendas

mas darei um jeito de pagar, Charlie.

Pode perguntar por a�.

Mas para a quem eu perguntaria ir� sumir por uns tempos.

O que ocorreu na ter�a de manh� foi chamado de Desmonte Por GPS.

Um caso s�, 31 presos.

600 agentes foram enviados para Nova York e L.A.,

em ataques coordenados com armas autom�ticas

e est� aqui me dizendo

que � porque rapou um jogo de "Texas, Limpa Eles"?

- Sim. - J� viu os outros nomes

na lista de acusa��o? Nicolas Koslovsky, Peter Druzhinsky,

Peter Antonovich, os irm�os Gershen.

Ora, Molly, qu�o envolvida est� com a m�fia russa?

Porque seu livro n�o diz.

Por que pediu para sua filha ler As Bruxas de Salem?

Para ver o que acontece com grupos

- de adolescentes que fofocam. - Nunca li a pe�a.

Muitos consideram a melhor do s�culo 20.

- � o que muitos consideram? - N�o defendo

- criminosos violentos. - Nunca feri ningu�m

- na minha vida. - Seus amigos sim.

Nunca ouvi falar em 90% dos nomes da lista.

- E os outros 10%? - N�o sabia da conex�o.

- N�o sabia nem quem eram. - Deixe-me perguntar.

O personagem do livro, chamado Dean Keith,

ele n�o disse "bagels de pobres", disse?

Acho que sei quem �. Conhe�o um advogado

que trabalhou com ele e desistiu.

Ele disse: "bagels de negros," certo?

N�o direi o nome real, ele n�o est� envolvido.

Mas estava disposta a citar alguns nomes.

Por qu� o FBI est� atr�s de mim

dois anos ap�s eu parar de gerenciar jogos?

Voc� ganhou um extra para citar os famosos no livro?

N�o sou seu cara, Molly.

Desejo-lhe boa sorte, mas isso n�o � para mim.

N�o sabia quem eram os russos.

Eu consigo os 250 mil.

Deixei dez vezes mais nas ruas, s� levar� um tempo.

Emprestamos nossos melhores advogados,

como eu, para a ACLU,

para centros de pobreza do sul, grupos de veteranos,

mas n�o acho que convencerei meus s�cios

a defender a Princesa do P�quer.

N�o me chame de Princesa do P�quer.

"Molly Bloom, autointitulada Princesa do P�quer."

� a Us Weekly?

Eu concordo que seria incomum para eles

publicar algo que n�o � verdade

mas n�o �, e se acha que uma princesa

pode fazer o que fiz, voc� est� errado.

N�o tem boa opini�o de mim,

mas, e se todas as opini�es desinformadas,

e pouco sofisticadas de mim forem erradas?

- Ficaria surpreso. - Pois, sabe? Ficaria.

Precisa de um publicit�rio, n�o de mim.

N�o, preciso � de uma droga de advogado!

N�o respondeu � minha pergunta.

Quando foi a �ltima vez que dormiu?

J� faz um tempo.

Certo.

Acompanharei voc� na den�ncia, hoje, pois n�o deve ir sozinha.

Porei guarda-costas e passaremos pela porta lateral.

Porque n�o sei o que descolou para os russos,

e nem eles, mas eles se cuidam com merdas.

Entende o que estou dizendo?

Sim.

Quase. Precisa manter os olhos abertos, certo?

Olhe sempre para frente.

Se olhar para baixo, � para l� que vai.

Se olhar para baixo, � para onde vai.

Est� pronta?

Vamos.

Meu pai � terapeuta e professor de psicologia

do Estado do Colorado.

N�o! N�o!

A segunda regra de casa era que excel�ncia acad�mica

e atl�tica, n�o eram opcionais.

N�o pode ter medo. Certo?

N�o fique na defesa.

E a primeira regra

- era que ele fazia as regras. - De novo!

Pai, estou muito cansada.

Hon, ela est� cansada.

Estamos aqui desde �s 6h.

Os l�bios dela est�o azuis.

- Est� cansada? - Sim.

Qual � outra palavra para "cansada"?

D� um sin�nimo para cansada e vamos para o carro.

- Fraca. - Est� certa.

Vamos para casa.

De novo.

Decidi adiar a faculdade de Direito mais um ano.

Com um m�s e meio de gorjetas,

fui � Barney�s e comprei um vestido

que n�o parecia em nada comigo.

Ouvi hist�rias de jogos que acabaram ap�s uma noite ruim

e precisava que este continuasse

e precisava agregar valor a ele.

Tchau, Molly. Obrigado.

Sabia que se quisesse solidificar meu lugar,

teria que me juntar com um cara.

- Dez mil. - Saio.

E esse era o cara.

O jogo tinha os regulares e os convidados.

Paga ou sobe?

E quatro dos regulares eram famosos.

Chamarei um deles de Jogador X.

Aposto tudo.

Jogador X acreditava na cren�a

que dinheiro ganho era melhor que dinheiro merecido.

Vivia para desafiar pessoas e tirar dinheiro delas.

Aqui X fala a um convidado

para desistir a m�o vencedora.

Eu juro pela... Olhe para mim.

Juro pela vida da minha m�e que ven�o voc�.

Jogador X era o melhor jogador naquela noite

e esse cara, o pior.

Ele est� encarando as cartas.

Mesmo um amador saberia

que, matematicamente, era a melhor m�o.

No p�quer � chamada de 'm�o imbat�vel'.

Havia 47 mil na mesa e o convidado estava com o nuts,

mas estava ficando confuso pois um famoso falava com ele.

A vida da minha m�e, sem brincar.

- Por qu� est� dizendo isso? - Ou estou te sacaneando

ou � novo no jogo, teve cartas ruins a noite toda,

deveria ter desistido ap�s o fiasco

e cansei de ganhar seu dinheiro assim.

Tenho damas aqui.

Sem pressa.

Estou fora.

- V� se foder. - N�o!

Um pato � um tipo espec�fico de jogador.

Um pato tem dinheiro.

Um pato joga tranquilo e n�o desiste muito.

Um pato � bom, mas n�o muito bom.

Te vejo no corredor, irm�o.

O Cobra Lounge pode ser do Dean Keith

mas o jogo � do Jogador X.

As pessoas queriam contar que jogaram com ele,

assim como queriam dizer que andaram no For�a A�rea 1.

A seguran�a do meu emprego dependia de lhe trazer um pato.

Mas onde acharia pessoas com muito dinheiro

que n�o teriam em que gastar

e gostassem de estar com celebridades?

Se estiverem interessados em p�quer, d� meu n�mero.

Eu os checarei.

Se entrarem no jogo,

dou � voc�s mil d�lares na primeira vez

e 500 sempre que voltarem.

Mencionem estes caras, s�o frequentadores.

� verdade? Esses caras jogam?

O Cassino Commerce est� fora das 5 Rodovias Leste de L.A.

assim ningu�m jamais confundir� com Monte Carlo.

Eu observo as mesas por um tempo

antes de me aproximar de um chef�o amig�vel.

Terceira cadeira, mesa 8, n�o pode perder.

A menos que haja jogadores na mesa que possam ganhar.

Sabe do jogo no Cobra Lounge, certo?

Claro.

Mil d�lares para todo jogador que mandar l�.

Voc� ganha uma parte do que perderem.

Nada de profissionais. Sou a Molly.

P�quer era meu Cavalo de Troia nos altos n�veis de finan�as,

tecnologia, pol�tica, entretenimento, arte...

Era s� escutar.

O mundo da arte � gerido por comerciantes.

Empresas de telecom da China procuram provedores.

Os donos n�o ligam de gastar 30 milh�es num defensor

que atinja 320 com 110 RBI.

Eles sozinhos controlam o mercado.

Buscam artistas que querem ser importantes.

Gastam 10 milh�es num arremessador

que fez 8 ou 14 nesta temporada.

- Ser� o Gephardt. - Estabeleceram os valores,

com margem em 70, 80, 90%.

Est�o ansiosos com uma empresa chamada Twitter.

Dinheiro ilegal, todo ele,

- est� com dias contados. - Est�.

N�o sei at� quando ela fica no trabalho.

- Ele acabou. - Ela se foi.

Aposto tudo.

Pessoas me perguntavam qual era meu objetivo,

quando seria o fim do jogo?

Naquela �poca, eu ria da pergunta.

Fui criada para ser campe�.

Meu objetivo era ganhar.

Em qu� e contra quem?

Isso eram s� detalhes.

Aposto tudo.

J� tinha o meu apartamento.

Vou ficar.

Um carro novo.

E 17 mil numa caixa de sapatos.

A faculdade de Direito esperaria mais um ano.

Pr�ximo por favor. Pode passar.

Venha, por favor.

Obrigado. Pode passar.

Ent�o, eis o que acontecer� hoje:

O juiz perguntar� a cada r�u

se leu a acusa��o ou se quer que o tribunal leia.

Ent�o o juiz perguntar� o que alega

e voc� responder� "inocente".

Deixarei claro nos registros que n�o sou seu advogado,

mas que estarei a seu favor na acusa��o.

Em pessoa.

"Em pessoa" significa a seu favor.

- Sim. - N�o, estou dizendo

- que significa a seu favor. - Estou vindo a seu favor.

"Em pessoa" significa que veio a favor de voc�,

n�o a meu favor.

Verificarei, mas a quest�o �

n�o sou seu advogado e deixarei claro nos registros.

Sentamos ali.

Agora, voc� senta l� e voc� do lado dela.

Pegou um bom juiz. Ele � um cara legal.

E o promotor?

Bom dia, Excel�ncia, Harrison Wellstone,

promotor dos EUA para o Distrito do Sul,

junto com o promotor-assistente Eric Brennan,

e a Agente Especial do FBI, Deborah D'Angelo.

Obrigado. Alguma mo��o oral, por agora?

Troque comigo.

Caso seu advogado n�o mencione isto,

da pr�xima vez que estiver perante um juiz,

reveja seu modo de vestir.

Certo? Voc� parece a Vers�o Cine Max de si mesma.

Vendi minhas roupas quando o governo confiscou

todo meu dinheiro, h� 2 anos.

Ali�s, foi a �ltima vez em que gerenciei jogos.

Mas creio que j� mencionei isso.

Certo.

- Ei, troque de volta. - R�u n� 2,

Nicholas Siegel.

O r�u j� viu uma c�pia da acusa��o?

Sim, Merit�ssimo.

J� a discutiu com seu advogado?

J�.

Troque de novo.

- E como se declara? - Inocente.

Obrigado, pode sentar-se.

Seu antigo patr�o,

o que voc� chama de Dean Keith no livro,

era horr�vel com voc�.

Por que acobert�-lo mudando para "bagel de pobre"?

Juro, n�o faz a menor diferen�a.

O r�u j� viu uma c�pia da acusa��o?

S� estou puxando conversa.

Sim, Merit�ssimo.

Troque de novo.

E como se declara?

Inocente.

Sente-se.

R� n� 4, Molly Bloom.

Bom dia, Merit�ssimo. Charles Jaffey

pela acusada, apenas para fins...

Prazer em v�-lo, Sr. Jaffey.

Est� conosco esta manh�?

Sr. Jaffey?

Estou, senhor. S� um momento.

- Troque de novo. - S�rio?

Voc� disse que tinha 10 vezes isso na rua.

No meu escrit�rio, quando eu disse

que meus honor�rios eram 250 mil d�lares,

voc� disse "Tenho 10 vezes essa quantia."

Isso mesmo.

Advogado! Preciso registrar sua presen�a.

Agrade � corte, Merit�ssimo, s� um momento.

Voc� estendeu o cr�dito. Voc� est� necessitada

e deixa 2 milh�es de d�lares na rua?

- Tive que deixar. - Ningu�m tentou comprar

- sua folha de d�bitos? - Todos tentaram.

- � a hora certa...? - Por que n�o a vendeu,

- como fez com suas roupas? - Eu n�o podia.

Por qu�?

N�o sabia como quem tivesse a folha faria as cobran�as.

Eu temia que voc� dissesse isso.

Advogado!

Sim, Merit�ssimo, Charles Jaffey pela acusada.

Apenas para fins desta audi�ncia?

N�o, senhor, sou o advogado de Molly Bloom.

Ela leu a acusa��o, discutiu-a com o advogado,

renuncia ao direito de v�-la lida

e se declara "Inocente".

Obrigado. Pode sentar-se.

R�u n� 5, Gilyard Kirshman.

Preciso continuar a ler o seu livro.

Havia um astro do atletismo nos anos 1930

chamado Matthew Robinson.

Matthew Robinson quebrou o recorde ol�mpico

nos 200 m rasos nos Jogos de Berlim em 1936.

Estra�alhou completamente o recorde ol�mpico...

e chegou em 2� lugar.

O homem que chegou em 1� lugar, foi Jesse Owens.

Jesse Owens transformou-se numa lenda.

Matthew Robinson acabou sendo zelador

numa escola s� para brancos em Pasadena.

A diferen�a foi de 4 d�cimos de segundo.

Como se isso n�o bastasse, Matthew Robinson

tinha um irm�o mais novo, tamb�m atleta.

O nome dele era Jackie.

Tenho dois irm�os mais novos

que tamb�m se distinguiram.

Enquanto eu estava em 3� lugar

na Am�rica do Norte,

meu irm�o Jeremy era o n� 1 do mundo.

E enquanto eu cursava o 2� ano de Qu�mica Avan�ada,

meu irm�o Jordan cursava quando tinha 12 anos,

ou algo assim, n�o sei.

Eu era uma aluna fodona e uma esquiadora fodona

em toda a parte, exceto em casa.

Enquanto crescia, comecei a puxar brigas com meu pai

sem mesmo saber por que o fazia.

O que aprenderam na escola hoje?

Aprendi que Sigmund Freud era mis�gino e idiota,

e quem acredita nas teorias dele

de psicologia humana, � charlat�o.

N�o sei porqu� diz isso.

Perguntou o que aprendi na escola hoje.

- � a Sra. Linwood? - �.

Por acaso ela mencionou algo sobre o trabalho dele

sobre o inconsciente?

A an�lise dos sonhos dele � cr�vel como o hor�scopo,

mas o que me chamou aten��o

foi que se op�s � emancipa��o da mulher.

Para ele, a vida da mulher

se resume � fun��o reprodutiva.

Ent�o aprende o b�sico

do porqu� garotas classe m�dia suburbanas

- s�o oprimidas h� s�culos. - Ela s� ensinou...

B�rbara Linwood n�o gosta de homens, Molly.

Ela n�o gosta de pintos, pai.

- H� uma diferen�a. - Molly!

N�o me desrespeite � mesa!

N�o estava desrespeitando voc�, e sim Freud.

E � a mesa da cozinha,

n�o o t�mulo do Soldado Desconhecido.

E eu sou psic�logo formado, n�o um charlat�o.

- Eu nunca disse que era. - Disse, e n�o repita.

E nunca mais use esse linguajar.

Est� bem. Ignorar meus professores, maneirar

no linguajar e respeitar a mesa da cozinha.

Que mais devo fazer antes que me permita

- discordar de voc�? - Ganhar dinheiro,

para morar na sua pr�pria casa

e comer sua pr�pria comida.

Gerencio o jogo h� 3 anos,

e economizei 58 mil d�lares.

Eu recrutava e averiguava jogadores,

- fazia a contabilidade, - Pago.

recebia e entregava cheques,

satisfazia as necessidades dos jogadores na semana

e ainda fazia hor�rio integral para Dan

que deixou claro que se eu fosse embora,

- eu perderia o jogo. - Pago.

Full de nove com oito.

De novo!

- � assim que �. - Toda vez!

Achei que ele tamb�m tivesse uma trinca.

Ele apostou baixo no final

e escondeu bem os oito fechados.

Dura derrota, cara.

- Voc� deve ao jogo. - Sei que devo.

Quero falar com voc� um minuto.

- Est� bem. - No corredor.

Ele veio de uma ilha

E morreu Por causa das ruas

Ele est� trapaceando?

N�o.

- Como saberia? - Eu saberia.

Ele e Diego n�o est�o de conluio?

N�o.

E voc� e ele?

Um baralho de 52 cartas produz centenas de milh�es

de combina��es aleat�rias,

mas quando algu�m perde duas semanas seguidas...

Voc� acha que h� algo suspeito? Ora!

N�o vou mais lhe pagar.

- Como assim? - Como minha assistente.

Est� me demitindo?

N�o. S� vou parar de lhe pagar.

O jogo lhe paga toda semana.

N�o parece justo.

Mas tamb�m trabalho para voc�,

- 24 horas por dia. - E se n�o trabalhasse,

n�o teria o jogo. Entende o que digo?

Entendo cada palavra que diz,

- mas n�o entendo... - Olhe.

24 horas por dia, todo dia.

Vai parar de me pagar porque ganho muito

no meu outro trabalho e se eu disser n�o,

perco ambos. Porque n�o parece justo?

Os neg�cios est�o ruins agora.

Bem-vinda ao mundo real!

Certo, � o seguinte:

Os bancos lhe emprestam dinheiro e n�o deveriam.

Voc� � um risco alto, eles sabem.

A taxa dos seus empr�stimos � em torno de 20%,

o que � uma loucura.

20% mal resiste se for um empr�stimo-ponte,

mas como, por exemplo, voc� levou 10 anos

para construir 7 casas,

as quais valem menos do que antes de as construir,

porque o mercado de habita��o est� em queda,

pela primeira vez na hist�ria das casas,

e � por isso que os neg�cios est�o ruins.

N�o � porque voc� me paga 450 d�lares por semana.

Voc� � a sabichona dos neg�cios?

Li a papelada do seu escrit�rio.

Ganha milhares em gorjetas por semana.

Por que faz quest�o dos 450?

Porque n�o quero ir na lavanderia de gra�a!

Voc� n�o tem poder de barganha aqui!

Pode recusar o corte do sal�rio, mas perder� o jogo.

Feche as contas para mim, por favor.

N�o ia esperar que Dean me tirasse o jogo

antes que eu pusesse um plano em execu��o.

Na manh� seguinte, marquei encontros

no "Quatro Esta��es", no "Pen�nsula"

e no hotel "Beverly Hills".

A su�te custava 5.200 d�lares por noite.

Gastei 17 mil num embaralhador autom�tico

que foi instalado na mesa.

Embaralhamentos mais r�pidos e confi�veis,

menos tempo ocioso entre as m�os.

A comida era trazida do "Mr. Chow"

e disposta nas mesas laterais.

Havia Macallan 18 anos, Belvedere, 1942,

Remy Martin e um Lafite Rotschild 1988,

servidos por um bar tender que sabia das prefer�ncias.

Cohibas e Monte Cristo no umidor.

Um estilista profissional me transformou

no que meu advogado chamaria depois

de "Vers�o Cine Max" de mim mesma.

Gastei quase tudo que tinha em prepara��es

para o telefonema que eu sabia que viria.

- Al�? - Quero que me escute,

- pois precisa ouvir isto. - Onde voc� est�?

Preciso lhe contar algo claramente

e preciso saber se voc� entendeu.

- Dean... - Voc� � descart�vel,

ouviu bem?

E est� despedida.

Do emprego, do jogo, est� despedida.

Posso perguntar por qu�?

Com quantos dos meus amigos est� dormindo?

- Com nenhum deles. - N�o foi o que ouvi.

Escute-me, com um traje Hazmat, eu n�o...

Posso lhe dar um conselho?

Perca o ar de megera. Perca o ar de superioridade.

V� ao escrit�rio retirar suas coisas.

e saia de l� antes de eu aparecer.

Oi, voc� � Molly?

Sou.

Sou Leah. Dean me pediu para empacotar suas coisas.

Muito agradecida.

Tamb�m me pediu para pegar os n�meros

dos jogadores desta noite para eu confirmar a lista.

Sinto muito.

N�o sinta.

Meu telefone est� no carro.

Mandarei os n�meros por SMS quando eu descer.

Mandei n�meros aleat�rios para minha substituta

com c�digo de �rea de Los Angeles.

E mandei um texto para os jogadores da noite

dizendo que o jogo fora transferido

para o hotel "Four Seasons", su�te 1401.

- � t�o bom - Oi, como vai?

- Mike? - Partir para qualquer lugar

- Bra�os para cima e para baixo - Scotch por favor.

Cantando can��es

� t�o bom

Dizer palavras carinhosas Um para o outro

As coisinhas pequenas

Mas que dizem tanto

Gente, posso ter sua aten��o por um momento?

Onde Dean est�?

Hospedarei jogos nesta su�te

toda quinta � noite.

Se jogarem hoje, ser� garantido lugar por um ano.

Se preferirem jogar no "Cobra Lounge",

n�o haver� ressentimentos.

Vamos jogar.

Agora o jogo era meu.

Virei empresa e nasceu

a "Molly Bloom Planejamento de Eventos".

Eu pagava impostos e contratava aut�nomos.

Nunca me envolvi romanticamente

ou sexualmente com nenhum jogador.

O jogo desmoronaria com isso.

Isso foi quando eu ainda tomava boas decis�es.

E consultei um advogado para garantir 100%

que tudo fosse legal.

- Est� levando comiss�o? - N�o.

Ent�o n�o est� infringindo a lei.

- Posso dar um conselho? - Por favor.

H� um ditado no meu ramo.

N�o infrinja a lei quando estiver infringindo-a.

- Como assim? - Sem drogas, prostitutas,

ou viol�ncia para cobrar d�vidas.

N�o fa�o nada disso. Mas acabou de dizer

que eu n�o estava infringindo a lei.

Continue, pois n�o vai querer infringir a lei

quando a estiver infringindo.

Estou infringindo a lei?

N�o exatamente.

Podemos descobrir ao certo, n�o?

As leis s�o escritas.

N�o leva uma porcentagem da mesa?

N�o.

Est� gerenciando um jogo honesto.

Meu jogo tinha um ecossistema capcioso.

Aqueles caras podiam comprar tudo,

mas aqui nesta sala, n�o se comprava a vit�ria.

N�o podiam me comprar, nem �s garotas,

nem um assento � mesa.

N�o h� nada t�o doce como uma vit�ria

pela qual se d� duro.

E as vit�rias e perdas eram atraentes e reais.

Os jogadores serem viciados ajudava, claro.

Posso lhe falar um momento?

Jay, voc� � famoso.

Voc� � uma estrela internacional do rock.

N�o tinha certeza de que havia notado.

N�o pode mandar e-mails como aquele.

N�o � uma produ��o a n�vel nacional, certo?

S� convidei voc� para um fim de semana no Cabo.

A pr�xima mulher a quem mandar um e-mail igual

n�o serei eu. Ser� outra qualquer.

Est� brincando com fogo.

Afirmo que estou apaixonado por voc�,

e se preocupa por eu estar chantageado.

Poxa, isso s� me deixa mais interessado em voc�.

Seu tonto, n�o precisar�o chantagear voc�.

Podem tirar a mesma grana do site TMZ.

E o TMZ dar� a elas o que elas querem de fato.

A verdade, essa foi a 1� carta de amor

- que recebeu de um jogador? - Foi a 7�.

Todas transmitidas digitalmente.

Est� implorando que a sua vida

seja transformada num inferno muito p�blico.

Ent�o � um "n�o" para Cabo?

Por que n�o d� sossego � sua esposa e filhos

e os atropela com uma limusine?

Adoro o modo como fala comigo!

Deus do c�u!

- Tive uma ideia. - �?

Aumente as apostas.

Para quanto?

Cacife de 50 mil, aposta obrigat�ria de 250-500.

- � um aumento de 500%. - �.

N�o acho uma boa ideia.

Podem me dar licen�a por um instante?

Claro.

Os jogadores que perdem 100 mil por semana

- perder�o meio milh�o. - E os que ganham 100 mil...

N�o ter�o com quem jogar.

Jogadores ser�o feridos, outros, mortos

e outros cair�o fora. N�o � sustent�vel.

Perderemos o jogo.

Ache novos jogadores.

Ele queria dizer novos "patos".

Comecei a recrutar novamente.

O primeiro foi Donnie Silverman.

Donnie foi campe�o mundial no ano passado

e me contatou atrav�s de um dos jogadores.

Voc� � doida varrida? Donnie Silverman venceu

o Campeonato Mundial de P�quer.

Veja online.

Ele ganhou onze m�os no jogo.

Mas tinha a m�o imbat�vel em oito delas.

E 3 delas...

Tr�s foram com dois "outers" e quatro jogadores na m�o.

Ele arriscou. Ele n�o segura as fichas,

� imprudente, fornece muita a��o,

e tem 12 milh�es de d�lares.

Sabe, n�o gosto de jogar p�quer.

Por que joga?

Gosto de destruir vidas.

D� uma cadeira a ele.

- O recruta seguinte - Boa noite, cavalheiros!

foi Brad Marion, a quem chamavam "Brad Ruim"

porque ele era incrivelmente ruim no jogo.

Se houvesse um pior jogador do mundo, ainda assim

Brad conseguiria perder para ele.

Desculpe, n�o tenho lugar, mas beba algo.

N�o, vim apenas para lhe apresentar ao Brad.

Aposto tudo.

- Desculpe. - Queria apresentar Brad Marion,

- ele quer jogar. - D� os dados que checarei.

- Derrick o garante. - "Derrick o garante",

significava que Derrick cobriria se Brad n�o pagasse.

Qualquer quantia.

- Oi, sou Molly Bloom. - Brad Marion.

- Muito prazer. - Todo meu.

Mas ele podia pagar, e teve que pagar,

porque ele cometeu o erro de apostar demais.

- Aposto tudo. - Se voc� investe tanto,

vai querer ir at� o fim.

Mais 2 mil d�lares para cobrir.

Bad Brad arrecadou 700 milh�es

para um fundo de futuros de petr�leo.

Ele vinha jogar toda semana.

Perdia 100 mil e dava 5 mil de gorjeta,

e assim podia voltar.

- Obrigado. - Ele n�o estava melhorando.

E os caras faziam a festa com ele.

Pode me dar mais 50?

- Podemos conversar um pouco? - Claro.

Este jogo pode n�o ser para voc�.

Sei que n�o jogo muito bem.

N�o, n�o joga.

Estas s�o suas perdas em dez semanas.

E voc� ganhou... nunca.

Na verdade, � uma anomalia estat�stica.

�, eu sei.

Gosto de jogar com os caras. N�o tenho muitos amigos.

N�o me tire do jogo.

- Posso aumentar a gorjeta. - N�o.

Suas gorjetas s�o bem generosas.

Que tal se eu lhe desse uns livros?

Ou se um profissional lhe desse umas aulas.

�, talvez.

- Deixe-me pensar. - OK.

Bad Brad sabia o que estava fazendo.

Estava arranjando clientes.

Ele deixava 100 mil no jogo

e pegava 4 milh�es para o seu fundo.

- Quem foi "o cara" hoje? - N�o eu.

Voltaremos ao assunto, mas antes, Harlan Eustice.

X disse que o conheceu no Commerce Casino,

e que ele seria bom para o jogo,

mas eu n�o enxergava o que ele via.

Ele era cuidadoso,

desistia no in�cio de 64% das m�os.

N�o estava claro de onde vinha seu dinheiro.

Ele fazia v�deos de luta caseiros

e outras produ��es de baixo n�vel.

Mas o pior era que Harlan era um bom jogador.

Por que X queria algu�m ali que poderia venc�-lo?

Descobri a resposta do jeito mais dif�cil.

- Como foi seu voo? - Normal.

Como est� pagando as passagens para Nova York?

Eu tinha 2 milh�es de pontos no Amex.

Pegaram o cart�o, mas me deixam usar os pontos.

Voc� foi a reuni�es.

Reuni�es em L.A. sobre seu livro.

- Eu fui. - H� interesse?

O dono de 4 mil m�quinas de videop�quer

quer p�r meu rosto nelas.

Algo mais?

A revista "Treat" fez uma oferta generosa.

- "Treat"? - � nova,

de fotos com alta tecnologia.

- Querem que pose nua? - A gostosa de abril.

E interesse em seu livro?

Sim.

Alguma oferta?

Algumas, acho. Um par delas.

- Cinco. - S�rio?

- �. - E...?

- Recusei. - � uma indigente e recusou

- um filme do livro? - Vou pag�-lo.

Estou curioso por voc� recusar

o que parece ser sua �nica sa�da.

- Diferen�as criativas. - OK.

- Vamos come�ar? - Sabe, ainda vou entend�-la.

- Avise quando conseguir. - Est� vendo isto?

� o que eles descobriram. Vamos ver o que descobrimos.

Aqui n�s temos Peter Druzhinsky,

Peter Antonovich e Peter Slobo. Os tr�s Petes.

Eles dirigem uma rede de cl�nicas m�dicas corruptas

e t�m cometido fraudes de seguros,

fraudes digital e postal numa escala �pica.

Agora n�s temos a Organiza��o Rachniana-Gershen.

Operam apostas em todo o mundo,

gerem centenas de milh�es de d�lares por ano

em apostas esportivas ilegais.

E aqui temos a organiza��o Alexander Habib.

Tamb�m operam com apostas esportivas ilegais,

mas este aqui, financiado por uma galeria de arte,

propriedade de Shillel Habib, a quem todos chamam...

Shelly.

Esta � a m�fia russa.

E os tr�s est�o ligados na acusa��o atrav�s...

de um jogo de p�quer.

Grampearam meus telefones?

- N�o. - Gra�as a Deus.

Grampearam os de todos com quem voc� falou.

OK.

Confirmaram que voc� recebia comiss�o nos jogos

no Plaza Hotel e v�rios locais em Nova York.

Tamb�m t�m um informante confidencial

confirmando que voc� organizou jogos no Plaza

e v�rios locais em Nova York.

Voc� violou o artigo 1955, do C�digo dos EUA,

que torna ilegal operar jogos de apostas.

Voc� sabe o que fez?

Terminou seu livro antes da parte boa acontecer.

Voc� se excita com voc� mesmo, n�o?

Sabe,

- n�o gosto desta foto. - Obrigada.

Parece o gato que comeu o can�rio

e foi contar aos pais dele.

A editora escolheu, n�o pude votar.

Gosto do livro. Hist�ria boa, bem contada.

- Obrigada. - E tem de contar de novo.

Desde o in�cio, e desta vez, sem ignorar os russos.

- Quer um copo d'�gua? - Quero um copo de u�sque.

- Mais uma coisa. - Sim.

Quero seus discos r�gidos.

- Desde quando? - Como assim?

Fico com os HDs quando troco os notebooks.

- Est� brincando. - N�o, t�m gravado

quem deve, planilhas dos jogadores.

Tem mais do que isso. Quando carrega o celular

plugando no computador, ele grava uma c�pia

de suas mensagens e e-mails.

Meu note tem todas as mensagens

e e-mails recebidos por anos

nos telefones que esmaguei com um bast�o?

Quero uma imagem pericial dos seus HDs.

N�o, obrigada. Vou destruir esses HDs.

N�o pode, s�o evid�ncias.

Bem, vou explodi-los, literalmente,

- e jogar no mar. - J� me disse que eles existem.

- Finja que n�o disse. - N�o posso.

- Pode. - Voc� quis um advogado

totalmente honesto.

Novas informa��es mostram que foi burrice.

N�o h� HDs.

Se destruir provas e obstruir a justi�a,

com as acusa��es que h� contra voc�,

juro que voc� ser� presa.

Voc� n�o entende o que h� nas mensagens.

Sei que voc� teve namorados e haver� partes

um tanto embara�osas.

N�o ligo para mensagens embara�osas de namorados,

j� que toda a minha vida privada

ficou dispon�vel para o julgamento p�blico.

H� mensagens que destruir�o outras vidas.

Mensagens que acabariam com carreiras

e destruiriam fam�lias.

Se essas mensagens forem publicadas,

- N�o ser�o. - Se fossem...

- N�o. - ...seria catastr�fico

- para muitos. - Legalmente eu...

- N�o. - Escute.

Sou proibido de divulgar qualquer coisa...

Vazaram meu �ltimo depoimento

- ao "National Enquirer". - Butterball?

Butterman, meu �ltimo advogado,

era uma das cinco pessoas na sala, al�m de mim.

Mas a informa��o nesse depoimento

n�o � nada comparada �s consequ�ncias

- dessas mensagens... - J� entendi.

...circulando por a�.

N�o entendi por que voc� revelou umas pessoas e outras n�o.

Achei que alguns tivessem lhe pagado.

Estava errado, mas n�o importa.

Os �nicos que nomeou no livro

foram os j� mencionados

no depoimento de Bad Brad Marion,

- que voc� acha... - Eu sei.

- que vazaram... - Venderam.

- aos tabloides. - Isso.

- Talvez Butterbean. - Butterman, mas n�o sei.

Assisti Jenny McCarthy bater em voc� por nome�-los.

Por que n�o disse "esses nomes

s�o de dom�nio p�blico".

Sei l�. N�o fui ao "The View" sob intima��o.

Podemos voltar aos e-mails e mensagens?

Por isso as diferen�as criativas com Hollywood.

Porque querem informa��es que n�o vai dar?

N�o sou obrigada.

Se o que houve voltasse a acontecer,

faria com que o que houve da �ltima vez...

Para que � isso?

Tem todas as mensagens e e-mails que enviei no ano,

e v�rias evid�ncias incriminando meus clientes.

Se alguma coisa sua vazar,

pode vender isso pelo melhor lance,

e eu perderei meu trabalho e serei expulso da Ordem.

Para demonstrar a santidade

da confidencialidade advogado-cliente,

est� traindo a confidencialidade de todos os seus clientes.

Sei que voc� n�o vai olhar isso.

Como sabe?

Sei l�.

Vou para o Colorado...

e voltarei em seguida com os HDs.

Harlan Eustice estava animado

com a festa surpresa de 40 anos

que daria para sua mulher em 24 horas.

Aluguei todo o p�tio do Buffalo Club.

Ser�o umas cem pessoas.

Ostras Kumamoto, caranguejo da neve, lagosta...

Ele n�o estava listando o menu para se mostrar.

Estava mesmo animado com a festa que daria � mulher.

Ela n�o sabe de nada.

Acha que jantaremos com seu irm�o e a esposa.

Eu gostava do Harlan.

Mas ningu�m mais gosta dele, fora o Jogador X.

Ele era cuidadoso, n�o corria muitos riscos,

conservava sempre seu dinheiro,

ou seja, estudava as probabilidades.

- 5 mil para entrar. - N�o.

Quer dizer, ele estava jogando p�quer,

e os outros estavam fazendo apostas.

E ele ganhou.

� meia-noite, tinha triplicado o cacife de 50 mil.

Mas tudo saiu dos trilhos numa �nica m�o.

E � como acontece.

� assim que voc� se abala e perde.

Harlan, o melhor jogador da mesa,

o melhor na maioria das mesas,

ia cair num blefe de, entre todas as pessoas...

Bad Brad.

Como?

Porque Harlan nunca jogara com Brad antes,

e ainda n�o sabia que Brad era ruim.

Harlan tinha um full de nove.

Brad n�o tinha nada,

mas sua aposta inicial fazia parecer,

totalmente por acaso,

que ele tinha um par de reis na m�o.

20 mil.

Se fosse verdade, seu full seria mais alto.

Brad separou 20 mil, indicando que ele ia pagar,

e Harlan sabia que se Brad pagasse, sem aumentar,

significaria que n�o tinha o full,

mas dois pares altos, provavelmente de rei e de dama.

Mas, em vez de s� cobrir a aposta,

Brad empurrou 72 mil para o monte.

Aposto tudo.

Harlan olhou para Brad.

Todos os sinais que Harlan conhece,

a car�tida pulsando, a m�o r�gida,

Brad est� fazendo o contr�rio.

A aposta de Brad indicou uma m�o �tima no in�cio,

foi subindo as apostas e p�s tudo na �ltima carta.

Claro, Harlan n�o sabia

que Brad n�o sabia o que isso significava.

Ent�o Harlan, sempre um bom desportista, disse:

Boa aposta. Estou fora.

Ao jogar suas cartas, n�o percebeu

que era a m�o ganhadora.

Brad tamb�m jogou suas cartas,

uma delas virou, e Harlan viu...

Voc� n�o tinha reis na m�o?

Eu n�o tinha reis. S� o da mesa.

- Voc� tinha dois pares? - Eu tinha um par,

o de nove, que est� na mesa.

Harlan, o que acha disso, cara?

Obrigado.

Nem era tanto dinheiro.

Harlan perdeu s� uns 40 mil na m�o.

Mas deu um curto-circuito, e Harlan agora queria sangue.

De todo mundo.

Voc� tem 112 mil na mesa, quer mais 50 mil?

Me d� 100 mil, por favor.

Assine aqui pelos 100 mil.

�s 5h, Harlan havia perdido meio milh�o.

Esqueceu tudo o que sabia sobre p�quer

e jogava como um colegial,

apostando como um louco em cada m�o.

Mais cem, por favor.

- Ei, amigo... - Molly.

Por favor. Vamos.

Assine aqui pelos 100 mil.

6 da manh�.

Mandaram mensagens

para todos saberem que Harlan estava sangrando.

Eles vinham jogar umas horas antes de ir trabalhar.

Tinham perdido para Harlan por meses.

Todos queriam um cheque de Harlan Eustice.

Se sair j�, pode dormir um pouco antes da festa da Sheila.

Logo mais.

Vamos conversar.

Oi, pessoal. Tomem um caf�.

Voc� perdeu o controle.

Todo mundo est� sabendo.

Est� jogando sem as armas que precisa para ganhar.

Tem raz�o.

Tudo bem, obrigada.

Me d� 500 mil.

S� preciso recuperar o que perdi.

Esse deve ser o obitu�rio de todo apostador.

"O Sr. Feldstein morreu

tentando recuperar o que perdeu."

Harlan n�o recuperou.

E n�o foi � festa de anivers�rio de sua mulher.

Ela pediu o div�rcio dois dias depois.

E houve um �ltimo golpe

que derrubaria Harlan no ch�o de uma vez.

Harlan estava atento a um cara chamado Frederick,

que era da realeza austr�aca.

Vou.

Harlan tinha damas na m�o.

Sua Excel�ncia tinha �s e rei.

Tinham apostado 65 mil, antes das cartas da mesa.

Foram abertos dama, sete, sete.

Harlan tinha outro full, de dama com sete,

e ainda haveria tr�s rodadas de apostas.

O conde n�o tinha nada.

- Aposto tudo. - E o conde apostou tudo.

Queria que Harlan pensasse que ele tinha dois sete.

- Pago. - N�o, pensou Harlan,

n�o cairia nessa de novo, e aceitaria todos "aposto tudo".

Havia 750 mil na mesa.

Diego fez um descarte e virou outra carta.

Um rei.

Otto von Bismarck ficou com dois pares,

de rei e de sete.

Mas dois pares n�o s�o nada contra um full.

Naquele momento,

a �nica m�o que poderia bater um full de dama

seria um full de rei.

- O Capit�o von Trapp... - Certo.

blefou que teria dois pares

e a mesa lhe deu um full de rei.

Filho da puta!

Filho da puta!

V� se foder, trapaceiro de merda.

Foda-se! Enganador, fraudador de baralho!

- Vamos ao terra�o. - Dois dias me enganando!

- Vamos! Vamos! - M�gico de festa!

- Voc� est� bem? - Estou, obrigado.

Que merda � essa?

Vou pedir desculpas ao Diego.

Isso.

E vai para casa. Pague o que deve.

Ouviu?

N�o tenho isso.

1,2 milh�o.

Eu n�o tenho.

Sinto muito.

V� para casa.

Sinto muit�ssimo.

Conte a verdade para Sheila, OK?

Diga-lhe a verdade. Conte o que aconteceu.

Vou ajud�-lo, vamos nos encontrar.

Nos veremos amanh�

e descobriremos o que fazer sobre o dinheiro.

N�o nos encontramos no dia seguinte.

Me ligou dizendo que estava tudo bem

e veio na semana seguinte

com um cheque de 1,2 milh�o.

Onde ele conseguiu o dinheiro?

- Eu emprestei para ele. - Emprestou?

Levo 50% de suas vit�rias at� saldar,

e 50% nos dois anos seguintes, sem riscos.

Receber� 50% das vit�rias e n�o participar� das perdas?

- Isso. - Ele nunca se livrar� disso,

� matem�tica b�sica.

� tamb�m usura, � ilegal.

Al�m disso, n�o pode financiar um jogador

e jogar com ele ao mesmo tempo.

Fa�o isso h� dois anos.

- Tem financiado Harlan? - Tenho.

- Minha nossa! - N�o � trapa�a.

- Cria condi��es para isso. - Me diga como.

- S�rio? - Como?

- Quer que outro ganhe... - Vou perder de prop�sito?

E se perder, quem se importaria?

Voc� desiste, joga suas cartas. 5 de paus, valete de copas,

e ele continua. Assim ele saberia

- que o 5 de paus... - Acha que sinalizo?

Estou dizendo que n�o pode acontecer mais.

Voc� n�o gosta de mim.

- N�o � pessoal. - Parece ser.

Conversa com todos no jogo, menos comigo.

Fica at� mais tarde bebendo com JT, mas nunca...

Foi ver o Oscar dele?

Acho que est� preso no cap� do carro dele.

D� para notar...

quando se desvia para mostrar desinteresse por mim.

Faz a mesma coisa com Dean.

Os caras querem jogar comigo, n�o com voc�.

Seja como for...

Sabe quem ganha mais aqui?

- Voc�. - E o segundo maior vencedor?

- Veja... - � voc�.

Quanto voc� leva, 10 mil por noite?

Isso � da minha conta, literalmente.

Entre voc�, carteadores, o servi�o,

voc� ganha muita grana com o jogo.

N�o tanto quanto trago para ele.

Os 10 mil s�o 10 mil que n�o v�o para meu bolso.

- Repito, meu dinheiro... - Seu dinheiro � meu dinheiro.

� mesmo?

Dever�amos falar sobre limitar suas gorjetas.

Quer se reunir com os outros jogadores,

que na minha declara��o de renda eu chamo de clientes,

e discutir sobre um teto para meus ganhos?

Isso mesmo.

Ser� o caso antitruste mais acompanhado nos EUA.

Ali, naquela hora, de repente,

eu perdi o jogo.

Ter�a-feira seguinte, noite do jogo.

Ele esperou at� eu estar indo para o hotel

para me mandar uma mensagem.

Disse: "Hoje jogaremos na casa do Dave.

"N�o precisa vir."

Eu j� sabia a verdade antes de atender a liga��o seguinte.

Voc� est� totalmente fodida.

N�o existe a palavra "verticalidade".

No livro, p�gina 152, quando perde o jogo em L.A.

e vem a Nova York, voc� admira a verticalidade da cidade.

- Existe a palavra. - Em Nova York,

voc� fala sobre jogos que varam a noite, duas noites,

ficar acordada durante dias, mas n�o menciona drogas.

Havia drogas. Parei h� dois anos.

N�o p�s isso no livro.

Quer saber, n�o estou pagando 250 mil

por uma resenha de leitor.

At� agora, n�o me pagou por nada.

Mandei-lhe um e-mail sobre verticalidade

no dicion�rio Merriam-Webster.

Qual o adiantamento num livro como este?

Adiantamento?

Depende.

Se garantir aos editores certos elementos,

posso conseguir 1,5 milh�o.

Deve dobrar isso com as vendas e direitos suplementares.

- Que tipo de elementos? - Precisa usar nomes reais.

- Eli. - Tem um cara

que se senta em frente � Starbucks com um...

um cartaz de papel�o escrito: "Veterano do Vietn�".

Toda manh� dou uma moeda para ele.

A �nica diferen�a entre voc� e ele

� que voc� tem uma hist�ria.

Tenho certeza absoluta

que o cara do Vietn� tem uma hist�ria melhor.

Voc� tem algo valioso.

Escreva sua hist�ria e eu lhe consigo 1,5 milh�o,

e isso � s� o piso.

V� com tudo ou v� morar com sua m�e.

Pelo resto da sua vida.

E se eu...

E se eu dissesse aos editores que eu...

nomearei os jogadores j� revelados

no depoimento de Brad Marion?

Todos os quatro?

Usarei os nomes reais de quem j� foi identificado

por Bad Brad, e ent�o?

Voc� passou 8 anos em Hollywood e 2 em Nova York

� frente da mais exclusiva

glamorosa e decadente toca masculina do mundo.

Ent�o, que nomes os editores podem conseguir com voc�?

Meu adiantamento foi de 35 mil.

A primeira coisa que farei � reduzir seu papel na acusa��o,

baixando de 12 para 10 pontos.

O que � redu��o de papel?

Vou argumentar que voc� era...

uma funcion�ria contratada e demitida pelos jogadores.

- Sem chance. - Acho que temos uma boa chance.

Sem chance de eu permitir.

- Por que n�o? - N�o � verdade.

Vou explicar o sistema de pontos.

Sei como �.

Os pontos correspondem

� recomenda��o de senten�a do promotor.

Tenta-se reduzir os pontos baseado em v�rios fatores,

como, digamos, hist�rico criminal,

que eu n�o tenho,

ou se o r�u teve um papel secund�rio, o que n�o tive.

Acha que � hora de se gabar?

- Constru� do nada. - N�o, j� havia jogo

no Cobra quando chegou l�.

Falo do jogo de Nova York, que constru� do nada.

N�o podiam me demitir, garanti disso. Ent�o, n�o.

- Eu n�o estava ouvindo. - N�o permito

que tente reduzir a acusa��o.

N�o permito que anule toda minha carreira.

- N�o ligo para isso. - Fiz um sucesso...

Quer ter filhos?

Est� interessada em ter uma fam�lia?

- Muito. - Se n�o reduzir uns pontos,

a recomenda��o de senten�a ser� de 8 a 12 anos,

sem contar que podem acus�-la de lavagem de dinheiro.

- Lavagem de dinheiro? - Quando trocou

- o dos russos por fichas. - N�o sabia

- a origem... - Ache 12 pessoas

que acreditem que voc� n�o sabia

quem eles eram e de onde vinha o dinheiro.

Ent�o, � isso.

Voc� era uma gar�onete servindo bebidas.

Me convenci de que perder o jogo em L.A.

n�o tinha import�ncia.

Era para ser s� uma aventura

e um jeito de conhecer pessoas influentes.

E consegui poupar mais de 200 mil.

Mas isso foi uma barreira fr�gil que constru�

para evitar a humilha��o e depress�o

que eu sabia que viriam.

Tinha que terminar algum dia.

Mas pensei que a decis�o seria minha.

O jogo me deu uma identidade,

respeito,

e um lugar definido

num mundo que era inacess�vel

e me foi tirado num segundo impensado.

Tornei-me irrelevante

e esquecida do dia para a noite.

Havia duas semanas que eu tinha perdido o jogo

quando marquei uma consulta com uma pessoa,

porque agora a humilha��o e a depress�o

tinham virado uma raiva cega pela minha impot�ncia

diante dos caprichos injustos dos homens.

Ali n�o havia regras.

As a��es n�o se pautavam pelo certo ou errado,

s� pelo ego e vaidade.

Caprichos ego�stas, sem ligar para as consequ�ncias.

Nem respeito nem justi�a.

E aquelas risadinhas na liga��o do Jogador X.

Voc� est� totalmente fodida.

N�o podia perder para aquele merdinha

e n�o queria que um analista me fizesse sentir bem.

Sabe o que me faz sentir bem quando estou perdendo?

Ganhar.

Peguei um avi�o para Nova York.

Wall Street, Avenida Madison,

Quinta Avenida, o Dakota, o San Remo...

Os jogadores estavam aqui,

s� precisei p�r a isca no anzol.

Deste vez, n�o tinha estrelas do cinema.

Desta vez, usei modelos da "Playboy".

Mas n�o eram modelos quaisquer.

Jesse era uma porto-riquenha estonteante

que cresceu trabalhando em sal�es de jogos e jogava bem.

Eu poderia financi�-la, infiltr�-la em outras mesas

- e ca�ar jogadores. - Pronta para faturar?

Shelby sabia programar

e checava antecedentes melhor do que os federais.

Esta � sua conta no Citibank.

Winston era filha de um diplomata americano.

Morou em nove pa�ses diferentes

e tinha os e-mails de metade da fam�lia real saudita.

De quem � o maior jogo em Manhattan?

Em qualquer noite, Teddy Chin ou Tooty Tiscano.

- Isso em Manhattan. - O que quer dizer?

O maior jogo de Nova York � no Brooklyn.

Judeus russos. Cacifes de 100 mil.

Ningu�m organiza o jogo, simplesmente jogam e pagam.

N�o pod�amos prometer esbarr�es em estrelas do cinema,

mas Nova York tem algo que Hollywood n�o tem.

O time dos Yankees.

E havia um certo ianque

para quem todo homem nos EUA faria fila para perder.

N�o diga o nome em voz alta.

Escreva num guardanapo, amasse-o

e ponha num copo com �gua, para verem a tinta dissolver.

- � mesmo necess�rio? - N�o, n�o absolutamente.

Dizemos que o jogo come�ar� quando?

Digam que ser� uma vez por semana,

daqui a seis meses, num lugar que n�o podem dizer agora.

Tem uma lista de espera longa, mas...

a Molly est� por aqui,

vou apresent�-lo para ela.

Cacife de 50 mil, aposta obrigat�ria de 5 mil?

Isso, cinquenta...

Mol? Cacife de 50 mil?

N�o. 250 mil.

Isso vai fazer barulho.

Dar� para se ouvir na Rodeo Drive, em L.A.

A Costa Dourada de Long Island foi o lar dos Vanderbilt,

Roosevelt, Whitney, J.P. Morgan e F.W. Woolworth.

� imposs�vel conseguir um lugar,

mas posso falar com a Molly.

Era uma festa beneficente de 10 mil por pessoa

para pagar as reformas no East Hampton Iate Clube.

Molly est� por a�.

Posso apresent�-lo, mas n�o garanto nada.

Falando s�rio. Se h� um evento de caridade

para moradores dos Hamptons que t�m iates,

no meu neg�cio, � chamado de um rico ambiente-alvo.

Fique sabendo que o cacife � de 250 mil.

250 mil � quase o pre�o do meu segundo carro.

Suas amigas ir�o aos jogos?

Foram s� sete semanas recrutando

at� termos dez jogadores e sete na lista de espera.

E nesses c�rculos,

foi mais que o bastante para come�ar a mitologia.

De manh�, jogadores estariam contando e ouvindo

hist�rias sobre este jogo em Londres,

- T�quio e Dubai. - Aposto tudo.

No final daquele ano, declarei uma renda

de 4,773 milh�es.

Cada centavo era legal e registrado.

Eu era a maior operadora de jogos do mundo.

Era tudo gorjeta.

Eu ainda n�o pegava um percentual.

Ainda n�o tinha chamado sem querer

membros de uma organiza��o criminosa russa.

No in�cio, eu usava drogas para ficar acordada.

Primeiro, Adderall.

Mas s� Adderall n�o foi mais suficiente.

Ent�o, coca, Valium, Vicodin, Percocet e mais Adderall.

Aluguei uma cobertura

e pus TVs de plasma para quem apostava em esportes.

Os jogos com apostas baixas eram �s quartas,

quintas e domingos na minha cobertura,

e �s ter�as tinha o grande jogo, no Plaza.

�s 19h, vinham os carteadores, a mesa era montada e polida,

e dez cadeiras postas em volta, a exatos 30 cm uma da outra.

Tinha fichas personalizadas e dois carteadores se alternando

de hora em hora, com uma nova equipe a cada 12 horas.

Os cassinos descobriram que certos aromas

induzem as pessoas a fazer grandes apostas.

Eles espalham esses perfumes pela ventila��o.

Mandei fazer velas personalizadas.

Eu tinha uma nova carteadora, chamada B.

Nada tipo Beatrice, s� a letra B.

Ela trabalhou em sal�es de jogos ordin�rios, e ficamos amigas.

V� com calma.

Quem joga alto n�o gosta de m�os r�pidas.

Cartear com sarcasmo. Legal.

Voc� tem que fazer. N�o fazer � loucura.

Voc� deve saber disso.

Voc� ficou descoberta quatro ou cinco vezes.

Voc� tem centenas de milhares de d�lares voando.

Nunca mais vai ver esse dinheiro.

B vinha sugerindo isso havia tempos.

E sugeriu de novo por causa de um incidente dias antes.

- Oi, Cole. - Oi.

- Entre. - Obrigado. Tem meu cheque?

Tenho.

- Aqui est�. - Obrigado.

Posso mostrar-lhe algo na TV?

Na verdade, estou meio apressado.

� s� um segundo. Sente-se.

Este � o jogo da �ltima ter�a-feira.

Merda, Molly, se os caras descobrem

que tem c�meras, v�o surtar.

�. � voc� na cadeira sete.

- Veja seu monte de fichas. - Tenho um t�xi...

Veja o hor�rio, 1h06 da madrugada.

Vamos para 1h07.

� 1h07, voc� perde a m�o para o Boosty.

- O que � isso? - 1h08.

N�o h� registro de voc� comprar mais fichas entre 1h07 e 1h08,

mas veja s�... Seu monte est� maior.

- Posso explicar, � s�... - OK, vamos voltar.

Nesta tela tem a troca do carteador,

enquanto nesta tela...

E aqui est�.

Por isso n�o consigo encontrar 57 mil desse jogo das quintas.

At� m�quinas autom�ticas de caf� tem c�meras.

Aqui, milh�o troca de m�os a cada dois minutos, imbecil.

Pensava que n�o fico de olho na mesa?

Relaxe.

- Eu devo dinheiro. - Eu sei.

E o seu fundo fiduci�rio?

Meus pais precisam autorizar retiradas altas.

E eles me matariam. Voc� n�o sabe como �.

Ningu�m percebe que garotos com fundos

- tamb�m sofrem nesta economia. - Sei que errei.

Precisou pensar muito para descobrir?

- Quero dizer... - OK, em primeiro lugar,

quem falsificou as fichas est� te enganando.

Eles sabem que h� marcas nas fichas,

t�m um peso exato, marcas infravermelhas...

Respire. Em segundo,

n�o tente isso em outras mesas.

Se fizer isso, eles mostrar�o sua raiva

de um jeito bem diferente do meu.

Voc� me deve 57 mil.

Quando pagar, leva a fita, mas at� l�,

n�o vai jogar na mesa de ningu�m.

Ent�o, ter�a � noite, B voltou ao assunto.

� loucura ficar descoberta.

N�o se trata de se, mas quando.

V�o quebrar voc�.

Seu risco � insano.

Se eu pegar comiss�o, o jogo n�o ser� mais legal.

E se n�o puder cobrir, o jogo n�o existir� mais.

Voc� � a banca agora.

Voc� est� garantindo o jogo.

Se vir uma m�o que n�o quer,

apenas olhe para mim,

indique um n�mero

e eu tiro da mesa.

A maioria dos operadores fica nos 5%.

- Vejo voc� l�. - Vejo voc� l�.

Duas semanas depois por volta de 2h,

houve uma mesa

com aposta inicial de 1,3 milh�o.

- Pago. - e cinco apostadores dentro.

Esperava que a aposta tirasse quatro da jogada.

200 mil.

Aumento 100 mil.

300 mil para o senhor.

Pago.

Agora havia 2,1 milh�es na mesa.

300 mil para o senhor.

Mais 200 mil.

2,6 milh�es.

3 milh�es.

Ela tinha raz�o,

eu estava aumentando o cr�dito, n�meros altos.

E Harlan Eustice j� havia me intimidado.

Se eu n�o pudesse pagar, seria o fim do jogo.

Eu era a banca.

E foi r�pido assim que tomei a decis�o.

E t�o r�pido quanto, B calculou 2% do monte

e tirou da mesa.

E foi isso.

Peguei uma porcentagem,

violando o C�digo Penal dos EUA de 1955.

Hora de apresentar Douglas Downey,

pois Downey vai nos guiar pelo resto do caminho.

Downey era um b�bado que ficava depois do jogo

enquanto eu fazia os registros.

Era dif�cil entend�-lo quando b�bado

e o in�cio das conversas dele

parecia t�tulo de romances policiais.

V�tima das circunst�ncias.

�.

Hist�ria da, voc� sabe...

da minha proverbial... voc� sabe...

- Vida? - Vida.

Ele falava sobre o casamento.

Eu casei jovem, Mol.

Casei jovem e est�pido.

Se eu tivesse nascido em Greenwich

em vez de Flushing...

E sobre o desejo de uma vida melhor.

Em New Canaan?

Se tivesse ido para...

Rye Country Day, Princeton.

Que vida teria...

Que esposa teria.

Eu seria um garanh�o.

V�tima das circunst�ncias.

Mol, � isso que sempre te digo.

Bem pensado.

E ele falava sobre outro jogo do qual participou.

Foi o jogo de Brooklyn.

O jogo de Brighton Beach, que durava a noite e o dia todo.

O jogo que era preenchido pelos russos.

Sou o �nico irland�s que eles deixam jogar.

S�o os caras mais simp�ticos que j� conheci, Mol.

Um noite, Douglas Downey perdeu 80 mil no meu jogo

e n�o tinha dinheiro.

Winston, pode liberar a sala?

Claro.

Vejo voc� amanh�.

Voc� ganhou 190 mil semana passada.

- Devo a Teddy Chin e Tooty. - Tudo bem.

E apostas em esportes. Sou um vencedor.

Preso no corpo de um...

- Pare. - Certo.

O jogo de Brooklyn.

� verdade o que ouvi?

O que voc� ouviu?

Os russos t�m bolsos fundos, s�o ruins no p�quer,

se divertem, pagam na hora e usam casaco e gravata.

� tudo verdade.

Traga alguns desses jogadores

e deixo voc� jogar at� pagar os 80 mil.

Perdedor, era o que eu ia dizer.

Vencedor preso no corpo

- de um perdedor. - Eu sei.

Entendi. Pode trazer uns jogadores?

Sou o �nico irland�s que eles deixam jogar.

Entende o acordo que estou te oferecendo?

N�o, estou dizendo isso porque voc� � irlandesa

e talvez n�o queiram jogar com voc�.

Sou o �nico irland�s que eles deixam jogar.

N�o sou irlandesa.

- N�o �? - N�o.

Molly Bloom?

Est� pensando na personagem de James Joyce.

Sempre pensei que voc� fosse irlandesa.

N�o sou. Pode trazer uns jogadores?

- N�o h� um livro famoso? - Certo, Douglas.

Concentre-se. Sim, o livro de James Joyce

� Ulisses, com a personagem Molly Bloom

e por isso acha que sou irlandesa

mas est� na hora de deixar para l�.

Pode trazer uns jogadores de Brighton Beach?

Se n�o � irlandesa, o que voc� �?

Sou uma judia russa.

Na semana seguinte, recebi novos jogadores.

Mike foi o primeiro a chegar.

- Boa noite, sou Jesse. - Mike Davidov.

Mike era dono de uma rede de hospitais

e j� havia feito uma transfer�ncia banc�ria.

Os irm�os Gershen foram os pr�ximos.

Illya e Alexey.

Eles exportavam a�o para a China.

Alexey levou 250 mil em dinheiro na mochila.

Sr. Habib, boa noite. Sou Shelby.

Sou Shelly, s� muda uma letra.

E sou milion�rio, talvez j� tenha te visto pelada.

N�o, voc� se lembraria.

E Shelly Habib.

A fam�lia Habib � dona da maior cole��o

de arte cl�ssica do mundo,

avaliada em 3 bilh�es de d�lares

e Shelly administra a Galeria Helly na Av. Madison.

N�o pude trazer dinheiro vivo hoje

pois os bancos estavam fechados quando acordei.

Ent�o espero que aceite isso como garantia.

Isso �... um Monet aut�ntico.

S� tirei da parede.

Voc� veio at� aqui trazendo um Monet.

Vim de carro. E tenho seguran�as.

Certo. Shelly, preciso que voc�...

Preciso que tire esse...

- O que, quatro? - Sete.

Tire esse quadro de 7 milh�es daqui agora mesmo.

E o seu, imagino,

- seguran�a armado... - Claro.

n�o pode ficar na porta.

Resolva isso, volte

e eu aumento seu cr�dito para 1 milh�o e meio.

Voc� � uma mulher muito bonita.

E tenha cuidado com o quadro.

Sempre.

Mike, Illya, Alexey e Shelly.

Foram os jogadores que Doug Downey levou.

Como avisado, jogaram � vontade,

se divertiram, perderam para os regulares

e pagaram na hora.

As pessoas perguntaram:

"N�o tinha como saber que alguns dos jogadores

est�o ligados ao mais sombrio, mortal,

e inalcan��vel sindicato do crime organizado?"

N�o. N�o tinha.

Vou apostar tudo.

C�DIGO FEDERAL SERVI�OS

Queria ter not�cias melhores.

Harrison Wellstone n�o topou a redu��o de pena?

N�o.

N�o acreditou que eu era gar�onete?

N�o.

Ser� que � porque eu n�o era?

Tentei, e voc� nem est� me pagando para isso.

- E agora? - O governo tem interesse

em voc� como testemunha.

- N�o me diga. - Molly.

- Quem poderia imaginar? - Vamos conversar.

Ser� breve, pois n�o sei nada que possa ajudar.

N�o sabe nada que condene os russos,

mas sabe coisas que podem ajudar.

Sabia que 97% de casos federais nem chegam a julgamento?

Mesmo sendo pequena a chance de condena��o.

Tudo bem se quiser ir a julgamento

mas vai te custar em torno de 3,5 milh�es de d�lares.

Que a Justi�a sabe que n�o tenho

pois todo o meu dinheiro foi confiscado,

o que podem fazer sem mandado

j� que minha propriedade n�o tem presun��o de inoc�ncia.

Ent�o, depois de ser presa por 17 agentes

com armas autom�ticas,

totalmente necess�rio e n�o para me intimidar,

tenho dois dias para contratar um advogado

e ir ao tribunal do outro lado do pa�s.

Se est� insinuando que tudo foi feito

para te persuadir a admitir a culpa, est� certa.

Ent�o me diga como posso ajudar, pois sinto que devo isso a eles.

Falando em dever,

o le�o me taxou pelo dinheiro que apreenderam.

Est� brin...

Est� bem, nada disso importa.

Al�m de pegarem meu dinheiro, preciso dar meu dinheiro.

- Ou pegam de novo. - Nada disso importa.

- Precisava ser dito. - N�o.

Para ficar claro, n�o est� interessada

em fazer acordo com os promotores.

Se eu tivesse um testemunho que condenaria um cara mau,

ningu�m precisaria me coagir a cooperar.

Mas n�o tenho. N�o tenho nada.

Tenho rumores, fofocas.

Tenho o mesmo valor para os promotores

que tenho para Hollywood.

Estou aqui para garantir

que o New York Post cubra o julgamento.

Eu s� vendo os ingressos.

O que n�o � menos valioso para a acusa��o

ent�o queremos uma vantagem

para conseguir uma senten�a favor�vel

ou, melhor ainda, imunidade total.

O qu�?

Ei, querida.

- Ei, Stella. - Oi.

O que ele mandou voc� fazer agora?

Um artigo sobre 3 poemas com tema comum.

N�o um artigo, dois par�grafos.

- Quais poemas? - - "Close", "Rush" e "Walls".

Conhe�o esses. Qual o tema comum?

T�tulos com uma palavra.

E se acha qualificado para ensinar poesia?

Espere. Sim.

Quando quiser fugir de casa, pode morar comigo.

A� voc� descobre que ela n�o tem casa

e voc� volta para mim.

Est� bom. �timo.

Coma alguma coisa e comece seu dever de casa.

Est� bem, a gente se v�.

A lei n�o te pro�be de dar na cabe�a dele.

Claro que sim, a primeira coisa que ensinei.

V�.

Meu pai costumava nos dar trabalho extra.

Posso fazer uma pergunta?

Acha que sou muito duro com ela?

Conheci uma garota de 22 anos quando me mudei para LA.

Algu�m arranjou um fim de semana

com ela em Londres.

Sabe quanto ela ganhou?

Pelo fim de semana? 5 mil.

Uma bolsa.

Uma bolsa da Chanel que ela queria.

O que estiver oferecendo a Stella,

dobre.

Onde fica seu pai nisso tudo?

Quer dizer fisicamente?

Est� no Colorado.

Seus pais ainda est�o juntos?

N�o.

Voc� e seu pai s�o pr�ximos?

N�o.

Ele era duro com voc�?

Sabe quantas meninas t�m um pai exigente nas Olimp�adas?

- Todas? - Isso mesmo.

Eu era dura com ele.

Como assim?

Eu era malcriada.

Os pais n�o ligam.

- Eu come�ava brigas com ele. - Por qu�?

Voc� estava mentindo!

Por que eu come�ava brigas com ele?

�.

Eu te coloquei na faculdade.

Eu criei as crian�as.

Eu fiz... meu Deus, fiz tudo.

N�o.

N�o, ou�a voc�.

Voc� s� me trai.

E mente para mim e para as crian�as.

Voc� mente para sua esposa e para seus filhos.

N�o sei.

Para constar,

a lei de 1955, que sou acusada de burlar,

define jogatina como apostas em jogos de azar.

- Sim. - P�quer n�o � jogo de azar.

Roleta � um jogo de azar.

P�quer � um jogo de habilidade.

- Ainda assim, se voc�... - Direi tudo

o que quiserem saber sobre mim.

Sobre mim.

S� isso.

Sabe Brad Marion?

O fundo especulativo de 700 milh�es dele

n�o era o que podemos chamar de... real.

Era um esquema Ponzi.

Ele declarou falsos lucros por anos.

Ele nem estava registrado na SEC.

Com o dinheiro dado por amigos e fam�lia,

e jogadores do p�quer,

comprou v�rias casas de praia em Malibu,

um hangar cheio de carros,

outro com um avi�o,

e a vida que ele queria.

Quando foi preso, tinha 740 d�lares no banco.

Brad cooperou com o FBI e deu horas de depoimento

sobre v�rios assuntos,

incluindo a perda, 3 anos antes, de 5,2 milh�es,

num jogo de p�quer clandestino

gerenciado por uma garota chamada Molly Bloom.

Disse que eu o havia induzido a jogar em apostas de risco.

Quero te apresentar a Brad Marion.

E que, com meu incentivo, ele havia se tornado viciado.

Que me transformou num viciado em apostas.

Brad, talvez n�o seja para voc�.

Advogados federais foram chamados para recobrar

o quanto pudessem do dinheiro investido.

Recebi uma intima��o e voei para LA para depor.

Pode confirmar se os nomes na lista

jogaram p�quer com Brad Marion?

Essa lista foi fornecida por Brad Marion?

S� preciso que confirme, para registro,

que seu jogo inclu�a esses nomes.

Entendi, o que quero registrar

� que n�o fui eu que forneci a lista.

Os nomes foram fornecidos por Brad Marion.

Ent�o, sob juramento...

Sim. Posso confirmar que a lista est� correta.

Deram uma escolha aos jogadores de LA e a mim.

Testemunhar um contra o outro em tribunal aberto

ou ajudar a ressarcir as v�timas do esquema de Brad.

Preenchi um cheque ao governo no valor de 500 mil.

E nalgum escrit�rio do FBI em Nova York,

algu�m estava fixando minha foto na parede.

Eu gerenciava 5 jogos por semana.

�s vezes em dois lugares numa s� noite.

E, a essa altura, eu estava viciada em drogas.

Adderrall, Zolpiden, Alprazolam, coca�na,

�lcool, Diazepam, Lorazepam, Trazodona...

Tudo que pudesse me deixar acordada por alguns dias

e me apagar por algumas horas.

Mas n�o estava mais tomando para ficar acordada.

Estava escuro e sem amigos onde eu estava.

Sentia que estava num buraco t�o fundo,

que poderia me perder.

N�o parecia depress�o, parecia mais violento.

Estava cansada de viver na fraternidade

que constru� para os degenerados.

Eu estava cansada da gan�ncia.

Da minha, n�o da deles. De todos.

Estava cansada de estar sempre chapada.

Estava cansada de viver na �rea cinzenta.

N�o conseguia me reconhecer e o que eu reconheci,

eu n�o suportava.

Uma noite, ap�s um jogo,

Douglas Downey me surpreendeu com uma confiss�o,

depois de come�ar outra hist�ria de detetive.

Baleado no rio.

- Eu quero dizer uma coisa. - Diga.

- Eu quero dizer uma coisa. - Est� bem.

- Vou simplesmente dizer. - Beleza.

Porque h� um poema, um famoso...

Um poema sobre...

pensamentos n�o expressados.

Duas estradas emergiram da floresta.

Eles explodem?

Eu n�o sei.

Voc� gosta de poesia?

Gostava at� agora. Vou te ligar...

Estou apaixonado por voc�.

- Isso n�o est� acontecendo. - Simples e direto.

Voc� � a mulher com quem eu sempre sonhei

- e tenho sonhado... - Pode parar.

Escute aqui, Douglas.

Sou a mulher que todos voc�s sonharam.

Sou a antiesposa. Eu encorajo seus jogos,

tenho modelos servindo bebidas,

que simultaneamente criam a impress�o

de que pode conquistar uma mulher quando quiser.

� legal para voc� aqui.

Sabe quem foi Circe?

Circe.

- Jogava no Teddy Chin? - N�o.

Circe n�o jogou no Teddy.

Ela era a deusa grega da feiti�aria

e deu um banquete aos homens com vinho e mel.

Depois os transformou em porcos.

- Por qu�? - Pergunta fant�stica.

Eu nunca faria isso com voc�.

Voc� n�o entendeu nada, mas tudo bem.

- Molly... - Shelby e Winston v�o fechar.

Vejo voc� na semana que vem.

Aqui est�.

- Obrigada, Randy. - Obrigado, Molly.

- Bom dia. - Bom dia, Pat.

Pat era meu motorista e seguran�a.

- Direto para casa? - Isso.

N�o nos conhec�amos al�m do necess�rio,

mas eu gostava dele. �ramos amigos.

Eu costumava ser uma atleta de competi��o.

- N�o sei se sabia disso. - Que esporte?

Esqui.

Estilo livre.

Voc� era boa?

Eu n�o sei.

Pat me pediu um favor.

Citou pessoas do fundo de investimento

em Nova Jersey que queriam jogar

e ele ganharia pontos com eles se nos encontr�ssemos.

Aceitei e marcamos o encontro para �s 17h de uma quinta-feira

no bar Four Seasons,

sabendo que se fossem honestos,

reconheceriam algu�m na multid�o no happy hour do Four Seasons

logo ap�s o fechamento.

Mas eu n�o precisava ser t�o esperta assim.

Eles n�o eram pessoas das finan�as,

eles eram do elenco de Jersey Boys.

Olharam pelo bar conscientemente,

estavam fora do seu habitat.

Caras dur�es tentam parecer dur�es quando est�o inseguros.

Eu tinha um palpite do que queriam

e teria que acabar com a reuni�o logo,

mas sem ser grossa com Joey Bag-a-Donuts

e o Secaucus Sal.

- Prazer, sou Molly Bloom. - John G.

- E voc� �? - Paul.

Como pedimos uma bebida?

N�o lembro o que o outro cara pediu,

mas nunca esquecerei o que John G pediu.

Ele olhou com autoridade para o gar�om,

de bem com a elite de Manhattan e disse:

Vou querer um Martini de ma��.

- Certo. - Ent�o, como foi sua semana?

Minha semana? Foi boa, obrigada.

Pat disse que podem estar interessados num jogo.

Queremos fazer uma parceria com voc�.

- Conversamos com Tooty, Will... - Teddy Chin.

Teddy Chin.

Tamb�m fazemos uns trabalhinhos com eles.

Podemos deixar sua vida mais f�cil.

Ningu�m vai te ferrar.

Ningu�m vai enganar voc�.

Eu agrade�o a oferta, mas, de verdade,

estou bem, eu n�o tenho uma lista grande de endividados.

- Sinto-me segura. - Voc� mentiu a�.

Ao dizer que n�o tem uma lista grande de endividados.

Voc� tem 2,8 milh�es nas ruas agora,

neste exato momento, n�s pesquisamos.

Esse dinheiro deveria estar em suas m�os porque � seu.

� seu.

E se n�o tem esse dinheiro,

voc� tem que tirar do seu bolso para pagar as vit�rias.

Companheiros, desculpe,

� apenas um jogo amig�vel com apostas mais altas.

Mas foi muito bom conhec�-los.

Avisem-me se tiver algo que eu possa fazer por voc�s.

Eu gosto de fazer favores.

As bebidas s�o por minha conta.

H� alguns vazios na minha mem�ria,

que dizem ser comum quando se tem um evento.

Por exemplo, n�o lembro de onde eu estava vindo

quando cheguei ao meu pr�dio.

S� que meu porteiro, Reggie, recebeu encomendas para mim.

Chegaram coisas para voc�, eu as subirei.

Obrigada. Era a primeira noite de folga

entre o Natal e o Ano Novo.

E meu plano era tomar um banho

e tentar n�o usar drogas.

Reggie veio trazer meus pacotes.

Desculpe, est� no quarto...

Espere! Espere um pouco, eu...

Fica quietinha.

- Voc� me entendeu? - Eu tenho dinheiro.

- Tudo em dinheiro vivo. - Onde?

- No cofre. - Onde fica?

- Est� no arm�rio. - Mostre.

Coloque o dinheiro e as joias numa bolsa.

As barras de ouro tamb�m.

- Por favor. - Abra a boca.

Abra a boca.

Eles n�o fizeram uma oferta. N�o foi uma sugest�o.

Este ser� seu �nico lembrete.

Sua m�e mora sozinha em Telluride, Colorado.

Certo?

Certo?

Certo, Molly?

- Ela n�o mora mais l�. - Mora sim.

Eu n�o podia chamar um m�dico ou ir a um pronto-socorro.

Eles olhariam para mim e chamariam a pol�cia.

Meus olhos estavam inchados e roxos.

Meus l�bios estavam cortados e sangrando.

N�o conseguia sentir meu rosto.

Pat tinha marcado a reuni�o.

Por causa dele, eles sabiam onde eu morava.

Fiquei no meu apartamento por duas semanas,

esperando meu rosto sarar.

E esperando pela liga��o que eu sabia que viria.

Mas a liga��o n�o veio.

Onde estava a liga��o do John G?

"Ent�o, talvez, j� mudou de ideia?"

Depois de 10 dias, eu abri minha porta pela primeira vez.

As pessoas voltavam para a cidade

ap�s o Ano Novo em Cabo, St. Bart e South Beach.

Meu telefone estava cheio de "Quando ser� o pr�ximo jogo?"

Mas nada do John G.

E ent�o, ali na primeira p�gina do New York Times

de oito dias atr�s...

"Quase 125 presos na Investiga��o da M�fia".

Ou esses caras estavam se escondendo,

ou estavam presos.

�s vezes, Deus age r�pido.

Meu rosto sarou o bastante para uma maquiagem

esconder os hematomas que restavam.

Eu organizei uma semana de jogos.

Uma semana de jogos

para conseguir os 2,8 milh�es que eu devia

e ent�o eu estava fora, chega disso.

Uma semana de jogos �picos.

Eu tinha alguns jogadores londrinos na cidade

e os russos tinham amigos visitantes de Moscou.

Jesse e Shelby j� haviam come�ado o jogo no Plaza

e informaram forte a��o imediata.

Eu estava de sa�da quando o telefone tocou.

Era Douglas Downey.

Estou a caminho, Doug.

Espere. Molly, espere. Estou me escondendo no banheiro.

Preciso que acredite em mim, est� bem?

- Banheiro de quem? - Acredite em mim porque...

Na su�te, no Plaza.

Por que se esconde no banheiro?

Eu nunca falaria nada sobre voc� para eles.

Eu falei: "Querem que eu v� adiante,

querem que eu v� a outros lugares, eu vou.

Mas n�o falo nada sobre Molly, n�o podem mexer com ela.

S� com os russos."

Kay, voc� est� b�bado, e est� meio dif�cil te entender,

ent�o nos vemos daqui a pouco.

Eu estava, eu estava...

Eu fui acusado de fraude imobili�ria.

Foi riscado da minha ficha, por isso voc� n�o sabe.

Voc� disse fraude imobili�ria?

Eu nunca os ajudaria com um caso contra voc�.

Eu nunca forneceria nada contra voc� para eles.

Eu cometeria perj�rio antes de fazer isso.

Foi uma besteira, em 2006.

Se tivesse sido preso, eu saberia.

- Foi uma besteira. - Doug.

Eu disse a eles que iria adiante, a outros lugares.

Mas contra voc�, n�o. Eu te amo.

- Eu te amo... - Douglas, recomponha-se.

Riscaram da sua ficha porque � informante?

Eu devia ter contado?

Essa pergunta me assombrar� todos os meus dias...

- Por que est� no banheiro? - Para sempre, Molly.

Saiba para sempre que eu estava tentando te proteger.

A cinco quadras dali, o FBI invadiu meu jogo.

Esperava que a entrada estivesse lotada de caras

usando uniformes, mas n�o estava.

- Srta. Bloom, quanto tempo. - Pois �.

Voc� precisa de um t�xi?

Acho que nunca subiu com a encomenda.

Talvez n�o tenha dado muita gorjeta antes do Natal.

E ent�o voc� entrou num t�xi, foi para o JFK,

- e foi na sua m�e em Denver. - Telluride.

Minha m�e mora em Telluride. Isso foi h� dois anos.

No t�xi, a caminho do aeroporto, verifiquei meu saldo banc�rio.

Deveria ter pouco mais de 4 milh�es,

mas o saldo mostrava que n�o tinha nada

e havia uma nota para contatar o Departamento de Justi�a.

Quero mencionar que ela se internou por conta pr�pria

na reabilita��o de 28 dias, e est� s�bria e limpa h� 2 anos.

N�o interessa. Suas empregadas s�o garotas de programa?

N�o, senhor.

Nunca trocaram sexo por dinheiro?

- N�o. - E voc�?

- N�o. - Acho que ele falava comigo.

Eu quis dizer que ela n�o responder� isso.

- Viemos aqui... - Eu sei.

- Viemos aqui... - � extraoficial.

- N�o �. - V� um esten�grafo aqui?

Digo isso porque n�o h� nada aqui,

mas podem usar as informa��es ouvidas

e n�o damos as informa��es de gra�a.

Estou sentado nessa mesa h� cinco horas,

esperando a oportunidade de suplicar para fazer o certo,

enquanto imploro � minha cliente h� tr�s semanas,

para agir em seu pr�prio interesse.

E nada disso deve ser dif�cil.

Viemos aqui para que conhe�am a Molly Bloom

e descubram, como eu,

que n�o � a pessoa que a imprensa criou.

Ela n�o est� sob acusa��o federal por causa da imprensa.

E para mim, voc�s vieram aqui

para descobrirmos se ela ir� colaborar

com o governo para prender algumas pessoas ruins.

- N�o. - N�o est� disposta a cooperar?

N�o, eu nunca troquei sexo por dinheiro.

Ainda n�o sei se isso � oficial, mas se for,

eu quero ter certeza que conste isso a�.

Parece que durante a carreira de organizadora de jogos,

voc� investiga cuidadosamente os jogadores?

- Sim. - Mas deixou dois caras jogarem

- sem saber que eram ligados? - E um informante do FBI,

que vergonha.

Eu estava chapada no final e...

fazendo mal meu trabalho.

Tamb�m adicionarei isso na minha experi�ncia limitada

com a m�fia russa,

eles n�o se apresentam de cara como mafiosos.

Minha experi�ncia com a m�fia italiana...

Ajude-nos.

N�o sei nada que possa ajud�-los.

- E se soubesse... - Sabe sim.

Pode nos dizer todos os detalhes que sabe.

Que Druzhinsky usava um Patek Philippe de 100 mil

e dirigiu um Phantom. Ou que Illya Gershen apareceu

com 250 mil numa mochila,

e quanto Shelly ganhava nas apostas esportivas.

Era proibido fazer apostas esportivas

dentro da sala.

Eles teriam que sair.

Ent�o n�o sei quanto algu�m ganhava ou...

Agora est� dizendo que sabia das apostas esportivas?

N�o. O fato de sa�rem de l�

poderia ser s� para fazer liga��es.

- Molly? - Sim, senhor.

Eu n�o acredito em voc�.

Somente nas intercepta��es do celular do Mike Davidov,

apenas no Davidov, seu nome aparece 19 vezes.

"Precisamos de Molly", "Pegue Molly", "Traga Molly".

Isso sugere que voc� � importante para o neg�cio

e por isso n�o creio

que algu�m inteligente como voc�...

Eles est�o falando de drogas.

"Pegue Molly", "Traga Molly", "Precisamos de Molly", �...

Eles est�o falando sobre a droga, ecstasy.

Por dois anos, meu escrit�rio era do lado do seu,

j� vi voc� cometer algumas idiotices

mas nunca vi um promotor fazer isso

do jeito que acabou de fazer.

Agrade�a aos deuses por n�o ter evid�ncia f�sica dessa troca.

- Escute, Harry. - Vai me fazer implorar

- para fazer a coisa certa? - Ela n�o faz parte

de um processo do ato R.I.C.O. Voc�s enlouqueceram?

Ela n�o faz parte de um processo mafioso,

s� levou comiss�o nuns jogos, por sete meses, h� 2 anos!

E por qu�? Porque estava dando cr�dito em milh�es

e n�o queria usar a for�a para cobrar.

Ela teve oportunidade atr�s de oportunidade

para se beneficiar grandemente apenas contando

as hist�rias verdadeiras que conhece.

Eu tenho as imagens forenses de 2007.

E estou falando de mensagens de texto,

e-mails, estrelas de cinema, do rock, atletas,

bilion�rios, tudo expl�cito, alguns casados, com filhos,

E isso � s� a ponta do iceberg.

E o cara que ficou perto assim

de ser o Embaixador dos EUA em M�naco?

Ele � retirado da considera��o no �ltimo minuto.

Ningu�m sabe por qu�. Ela sabe.

CEOs com amantes de idade universit�ria,

um VP de um banco de investimento

queria que colocassem um baralho marcado no jogo,

um chefe de est�dio mandou mensagem

dizendo que um certo astro era negro demais para ele,

J. Edgar Hoover n�o passou por essa merda em Bobby!

Ela poderia ter escrito um livro e viver das vendas dele,

f�cil, ela tem o bilhete da loteria vencedor

e n�o vai resgatar o dinheiro.

Seu escrit�rio pegou todo o dinheiro que ela tem

num maldito confisco e coloca a Receita atr�s dela

para taxar o que voc�s confiscaram?

J� estive nessas reuni�es de estrat�gia.

Voc�s a quebraram para n�o ter como se defender.

E agora ela tem a oportunidade de garantir a liberdade dela

"fornecendo detalhes" e ainda assim ela n�o o faz.

Esta mulher n�o faz parte de processos do ato R.I.C.O.,

ela � uma atleta renomada.

Ent�o, sim, Harrison,

estou implorando para fazer a coisa certa.

Ela n�o sabe nada sobre os tr�s Petes.

Nada sobre Rachniana.

Nada sobre R.G.O. ou fraude de seguros.

Aqui entre n�s, estivemos na frente desse juiz

28 vezes como promotores e em nenhum caso

ele desviou das nossas recomenda��es de senten�a,

ele n�o vai come�ar agora.

Sei que colocaram esfor�os nessa apreens�o por tr�s anos,

e n�o h� quem n�o queira ver os mafiosos sendo presos,

incluindo, especialmente, a �nica pessoa na sala

que teve um mafioso enfiando uma arma na boca dela.

Liberdade condicional. Servi�o comunit�rio.

Ou melhor, considere que ela s� gerenciou um jogo de p�quer,

exatamente do jeito que todo cassino dos EUA faz

e retirem essas malditas acusa��es.

Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

N�o.

N�o h� mais nada que ela gostaria de acrescentar.

Gostaria de falar com Charlie em particular,

se concordar com isso.

Sim. Por que n�o vai jantar por uma hora

e me encontra no escrit�rio?

- Desculpe? - Queria um cachorro-quente?

Vou querer um pretzel, por favor.

Tudo o que precisa � de um carinho para fazer

Ir embora, ir embora Ir embora

Tudo o que tenho que fazer � amar voc�

Tudo o que tenho que ser � ser feliz

Aqui est�.

Oi. Gostaria de alugar um par de patins,

n�mero 36, mas n�o tenho dinheiro.

Estas s�o luvas Chanel de couro, custam 800 d�lares.

- Vou d�-las em troca. - Luvas de 800 d�lares?

E mant�m suas m�os quentes como as de 10 d�lares.

- Mo�a, voc� est� bem? - Estou.

Estou desinvestindo.

Esses sonhos continuam

Quando eu fecho meus olhos

A cada segundo da noite

Eu vivo outra vida

Esses sonhos

Cuidado.

Ei! Vai devagar!

Mo�a, vai devagar!

Vem me pegar.

Anda, vem me pegar!

Vai devagar!

- Dobre seus joelhos. - Pai?

Voc� est� bem?

- Desculpe por isso. - Eu pego voc�.

- Desculpe. - Vou te tirar da pista, agora!

Como est�?

O que est� fazendo em Nova York?

Como sabia que eu estava aqui?

- Sou m�dico da mente. - Pai.

Estou aqui em Nova York porque voc� est� aqui.

Liguei para a sua m�e no hotel e ela disse que estava aqui.

N�o � grande coisa, mas pelo que vi ali,

acho que est� tendo um colapso nervoso.

Que estranho. N�o imagino o motivo.

Provavelmente pela pris�o

e por n�o saber o que vem a seguir.

Velhote, voc� n�o reconhece sarcasmo?

Voc� reconhece?

Aqui, beba isso.

Sou alco�latra, n�o posso beber,

- valeu por lembrar. - � chocolate quente.

Tudo bem.

E para fins de diagn�stico,

voc� acha que estamos num coquetel agora?

Est� vendo gar�ons com bandejas de champanhe?

Quero verificar seu pulso.

Encontrou um pulso?

Sim, s� estou admirando o meu rel�gio.

Posso v�-lo se aquecendo mas n�o tenho a carga emocional

para defender meu usual "comportamento irrespons�vel".

Eu sei, recebi seu e-mail.

Sei que n�o sou bem-vindo na sua vida como seu pai,

mas deveria saber que n�o ligo se sou bem-vindo ou n�o.

Mas n�o estou aqui no papel de pai.

Sou indiferente ao fato de seu pai viver ou morrer.

Sou um terapeuta muito caro

e vim dar a voc� uma sess�o gratuita.

Acha que o que eu preciso agora � de um terapeuta?

Acho.

Preciso voltar ao escrit�rio do meu advogado logo.

Voc� gosta do seu advogado?

N�o estava pedindo dinheiro quando te liguei, pai.

Eu s� precisava do meu pai.

Que pena que voc� faz parte do pacote.

Sim, Tiny Tim, voc� cresceu num lago

e esquiou por todo o mundo, as pens�es eram dif�ceis?

- Eu preciso ir. - Molly.

- Eu tenho que ir. - Molly, sente aqui, porra!

Tudo bem, vamos fazer tr�s anos de terapia em tr�s minutos.

Como?

Farei o que pacientes imploram para terapeutas fazerem h� anos,

s� vou te dar as respostas.

- Para qu�? - Comecemos por essa:

Por que uma jovem que, aos 22 anos,

e tem um curr�culo de ouro,

por que ela organiza jogos de p�quer?

Por que eu escolhi ganhar muito dinheiro?

- Que dif�cil de entender. - Queria ter sucesso em tudo.

Se fosse para a faculdade de Direito,

voc� j� teria seu escrit�rio agora.

Por que fez a outra coisa no lugar disso?

Eu n�o sei.

Drogas.

Voc� n�o come�ou a usar drogas at� o final.

Elas n�o eram o problema, eram o rem�dio.

Foi para que voc� pudesse controlar homens poderosos.

Seu v�cio era ter poder em cima de homens poderosos.

- � o que acha de verdade? - N�o.

Eu tenho certeza.

Voc� completou agora seu primeiro ano de terapia.

Eu vi uma oportunidade, n�o era sobre voc�.

N�o, n�o era s� sobre mim.

- N�o foi nada sobre voc�. - Foi.

Segundo ano, segunda pergunta.

Voc� acha que foi um bom marido?

Por que se importa?

Porque era casado com minha m�e.

Eu me importo porque meu pai � um idiota.

Parab�ns, voc� completou o Ano Dois.

E para constar, seu pai criou tr�s filhos

com sal�rio de professor universit�rio.

Um deles � bicampe�o ol�mpico,

o convocado primeiro do Philadelphia Eagles

e um grande filantropo.

O outro � um cirurgi�o cardiotor�cico no Mass General

e a terceira construiu um neg�cio multimilion�rio

usando n�o muito mais do que a intelig�ncia dela.

Estou prestes a me declarar culpada no tribunal.

Ningu�m � perfeito.

O fato � que fiz algumas coisas certas.

�ltima pergunta.

- N�o, preciso ir. - A �ltima pergunta, Mol.

Vou responder mas voc� precisa perguntar.

Voc� tem que perguntar.

Por que n�o gostava de mim como gosta dos meus irm�os?

A� est�.

Eu gostava.

S� de vez em quando pareceu que eu n�o gostava.

- S� pareceu que n�o gostava? - Sim.

Isso � uma mentira digna da Lista 1 de drogas.

Por que s� pareceu... Por qu�...

Eu tinha um problema de atitude. Eu respondia.

Quebrei algumas regras, � normal em adolescentes.

Usava o telefone ap�s o toque de recolher,

- peguei seu carro escondido... - E entrou num McDonald's.

- H� castigos para isso... - N�o disse McDonald's?

N�o entendeu o significado de drive-thru?

Virou uma pessoa diferente,

- sua voz, seu rosto. - Porque sabia que voc� sabia.

N�o ouvi o que voc� disse.

Eu disse que sabia que voc� sabia.

Voc� sabia que eu sabia o qu�?

O que voc� acha dos conceitos a seguir?

Vou falando para voc�. Casamento.

� uma cilada.

Que eu estava traindo sua m�e.

Eu sabia que voc� sabia.

- Sociedade. - � uma piada.

N�o, eu n�o sabia at� ter 20 anos.

- Pessoas. - N�o confio nas pessoas.

N�o, voc� sabia desde os cinco anos.

Voc� me viu no meu carro e n�o sabia o que havia visto.

N�o tenho nenhum her�i.

Voc� sabia, querida.

E eu sabia que voc� sabia, e � por isso...

Foi assim que eu reagi � vergonha.

E voc� reagiu demonstrando

um grande desprezo por mim,

dirigindo meu carro at� um McDonald's.

E querer ter poder sobre homens poderosos?

N�o.

Isso foi s� uma isca para te deixar brava.

- Voc� � um... - Voc� ro�ou num graveto.

Est� bem?

H� doze anos, voc� ro�ou num graveto.

Chance de 1 em 1 milh�o. Voc� ro�ou num graveto.

Foi isso que voc� fez de errado.

A� est� sua sess�o.

� engra�ado como se vai mais r�pido

quando n�o se cobra por hora.

Sou seu pai.

Tentar compreender o quanto eu te amo

seria como tentar visualizar o tamanho do universo.

Eu n�o sabia

que voc� havia sido espancada at� ler no seu livro.

Foi muito dif�cil saber disso.

Quero que saiba

que vou contratar algu�m para achar quem fez

e contratarei outro para mat�-lo.

- Nem sequer brinque com isso. - N�o brinco.

Eu n�o era ladra de carteiras, pai, foi a m�fia.

N�o me importa se � o l�der do Hamas.

Algu�m p�s a m�o em voc�. Eles v�o sofrer.

- Pai, eu estou bem. - N�o, eles v�o sofrer.

Pai, est� tudo bem comigo.

N�o. Eles v�o sofr...

� verdade, estou bem.

- Sabia... - N�o vi voc�.

Sabe como cheira o centro da nossa gal�xia?

Cheira a rum e framboesa.

O centro da gal�xia cont�m formiato de etila.

� o mesmo g�s que d� cheiro ao rum

e o sabor �s framboesas.

Como sabe dessas coisas?

Eu surfava na internet durante as jogatinas.

E comecei a fazer cursos online.

Faltam 12 cr�ditos para me graduar em astronomia.

Nem sei se fui inscrita.

Quero agradecer pelo que disse hoje � noite.

Foi Stella...

quem me pediu para ser seu advogado.

Ela leu o livro,

eu a acusei de ler lixo, mas ela...

Defendeu o livro com afinco.

E depois, defendeu voc�.

Para ela, voc� � o modelo.

Vou aceitar isso para ela.

H� uma nova oferta � mesa.

O que �?

Entregaremos os discos r�gidos.

N�o pesquei.

Entregaremos imagens periciadas de e-mails e textos

- em troca de... - Troca?

O que poderiam oferecer para mim fazer isso?

Eu escrevi, �...

Seu dinheiro de volta.

Devolvem todo seu dinheiro com juros.

D� mais de 5 milh�es de d�lares.

Por isso foi a primeira coisa que pegaram?

Para me oferecerem de volta?

�! Por isso, vale a pena se formos a julgamento

voc� teria de entregar

as imagens periciadas na instru��o.

� diferente de entregar voluntariamente.

Claro, mas n�o � mais volunt�rio de verdade

quando a alternativa � a pris�o.

� o que ir�o recomendar, 42 meses.

Por que est� evitando meu olhar?

Estou olhando voc� de frente, sim.

� o que eu devia fazer segundo voc�.

Me deixar� evitar sua pris�o.

- J� viu o que tem nos HDs. - Claro! Claro.

Bem mais do que tra�os.

Sim, mas ter� imunidade completa.

E todo seu dinheiro de volta.

Ser� a primeira r� a sair andando da corte

melhor do que quando entrou.

Haver� carreiras destru�das,

fam�lias,

vi�vas, de costa a costa...

Quando um cara rico vai para a cadeia,

o dinheiro dele � espalhado.

O advogado dele sabe como cuidar disso.

Espalha o dinheiro dele.

Do seu n�o sobrou nada.

As colegas de pris�o em institui��es federais

n�o cometeram crimes financeiros.

S�o traficantes. S�o estupradas pelos guardas.

Voc�! Voc� n�o ser� um an�nima, Molly.

Voc� ser� um alvo!

Crian�as ler�o SMS do pai

dizendo que nunca desejou ter filhos.

Esses caras...

Quem s�o esses caras?

Por que est� nisso sozinha? Onde est�o seus amigos.

Onde est� um cara dizendo:

"Sabe, Molly, sei que faz de tudo para salvar minha vida,

o que posso fazer por voc�? Um sandu�che?"

Onde est�o, Molly? Guarda os segredos deles.

Onde est� quem voc� est� protegendo

n�o contando a hist�ria toda no livro?

Impedindo que acusem Brad Marion,

n�o pegando de volta 5 milh�es de d�lares,

indo para a cadeia?

Onde foi parar todo mundo?

N�o protejo o nome deles e sim o meu, Charlie.

Que �timo! Mas n�o temos direito ao luxo da integridade.

- Deve fazer o acordo. - N�o.

Fica fora da cadeia, tem o dinheiro de volta,

paga as d�vidas e come�a vida nova.

- N�o! - � uma autopuni��o

- por nomear 5 caras num livro? - N�o �.

N�o h� nada errado no que fez.

Joguei 4 pessoas embaixo de um �nibus

por 35 mil d�lares. Sei que evita falar disso ao promotor.

- N�o fale isso. - Tirei vantagem

de viciados em jogo.

Meu mais brilhante achado, Donnie Silverman perdeu

- 6 milh�es na minha mesa, - Molly, pare.

mudou para a Fl�rida,

arranjou trabalho como professor substituto e se enforcou

- na ducha. - � culpa sua?

- Silverman morto. - N�o � culpa sua.

Harlan Eustice na cadeia em Nevada, j� saiu, tomara.

Mas n�o � por isso que digo n�o.

- � n�o? - Meu nome vem da minha av�.

- Dane-se. - Molly Dubin Bloom.

O meu � ficaremos aqui a noite toda at� que entenda,

que todos est�o se danando com seu belo nome.

- Pois eu fa�o quest�o. - Por qu�?

- Porque sim! - Por qu�?

- Porque sim. - Conte por qu�?!

Porque foi s� o que sobrou no meu caso.

Por que � meu nome em jogo!

"E eu nunca terei outro."

Agora me vem com As Bruxas de Salem?

Claro, � direito de cada um, � �timo.

� �timo.

Quero ir �quele tribunal...

e me declarar culpada.

Nada de acordos.

Nada de trocas.

Est� bem segura disso?

Sim.

Todos em p�.

Os neg�cios no tribunal d�o in�cio.

Nos defend�amos perante o Honor�vel Juiz Dustin Foxman

e a acusa��o forneceu os nomes para registro.

Harrison Wellstone, assistente de promotor federal pelo...

A pauta foi aberta

e algumas instru��es pro forma foram dadas ao tribunal

Seguiu-se uma s�rie de perguntas duma lista

posta frente ao juiz. Seu nome?

Molly Dubin Bloom.

Qual � sua idade?

Tomou drogas, rem�dios ou p�lulas,

ou tomou bebida alco�lica nas �ltimas 48 horas?

- Sudafed. - H� alguma raz�o

para que tome Sudafed

que interferiria no que acontecer� hoje aqui?

Foram 87 perguntas as exigidas a me fazer

antes de me declarar culpada.

- Est� em perfeita consci�ncia? - Estou.

- Entende o que se passar� hoje? - Entendo.

Sob a Constitui��o e Leis dos EUA

a senhoria tem direito � defesa das acusa��es.

- Entende isso? - Sim, senhor juiz.

- E entende isso? - Sim, senhor.

Neste julgamento a senhorita seria presumida inocente

e n�o haveria provas de que era inocente,

- a senhorita entende isto? - Sim, senhor.

Sim, senhor juiz. Sim, senhor.

Declarando-se culpada, eu aceito seu pleito,

desistir� de qualquer direito a apela��o,

incluindo todos os demais direitos que enumerei,

- entende isto? - Sim, senhor.

Entende que foi penalizada em 20 anos

por operar um neg�cio de jogo ilegal

violando o T�tulo 18 do C�digo Civil dos EUA,

- Se��es 1955 e 2? - Sim, entendo.

Por entender tudo o que eu disse,

quer agora apresentar seu pleito?

Sim, senhor.

Como se declara em rela��o �s acusa��es?

Culpada, senhor juiz.

Sua declara��o foi registrada

e pode se sentar.

Antes de irmos para a fase da senten�a,

eu queria trocar umas palavras com os defensores, por favor.

E ent�o, algo aconteceu.

Perdoe-me, Sr. Jaffey, apenas os do governo.

Sim, senhor.

O que est� acontecendo?

O que eles est�o fazendo?

Espere para ver.

O qu�?

Poderia a defesa, por favor, ficar em p� para a senten�a?

Baseado em toda a informa��o dispon�vel,

esta corte manifesta seu desacordo

com a senten�a recomendada pelo governo.

Este tribunal situa-se

� dist�ncia de uma 'cuspida' de Wall Street.

Sei do que falo por experi�ncia pessoal

tentando cuspir nela.

Os homens e mulheres que ali trabalham

cometem crimes mais s�rios no almo�o, hoje,

que a r� teria cometido na acusa��o que sofre.

Simplesmente n�o vejo como o povo

e a causa da justi�a seriam satisfeitas

trancando Molly Bloom numa pris�o.

Foi t�o simples quanto eu encomendar um almo�o.

Srta. Bloom,

esta corte a sentencia

a 200 horas de servi�o comunit�rio,

um ano de liberdade condicional, exames antidrogas

e 200 mil d�lares de multa.

Este caso est� encerrado.

E foi assim.

Eu estava chorando e abra�ando,

e fazendo piadas com meus irm�os.

Falando s�rio sobre como ningu�m mexe com os Blooms

e conversando racionalmente sobre milagres de Natal.

Fil�s e cerveja comprados por meu pai

e reencena��es completas.

E em meio a isso, t�o agradecida quanto se est�,

a realidade come�a a assustar como uma mar�.

E esta � a primeira vez que chega o pensamento...

"O que fazer agora?"

Vamos descer pela pista.

Precisamos de uma prancha ou uma maca.

Sou uma criminosa.

35 anos, desempregada,

e acusada de conluio com a m�fia.

Gente, saiam da frente!

Afastem-se, afastem-se.

Devo ao governo perto de 2 milh�es de d�lares

em impostos estimados que foram confiscados

mais a multa de 200 mil d�lares.

E � melhor crer que vir�o busc�-los.

Com licen�a!

Para tr�s, por favor.

Devo 250 mil d�lares em despesas legais.

N�o sei o que diria numa entrevista de emprego,

ou mesmo se conseguiria uma entrevista dessas.

Nunca mais poderia votar.

Um kit de primeiros socorros!

E por alguma raz�o,

sou proibida de ir ao Canad�.

Molly, est� nos ouvindo?

P�lvis est�vel.

O pai dela est� aqui.

- E os sinais vitais? - Est� reagindo.

- Abra os olhos se ouve. - Est� consciente.

Molly, que dia � hoje?

Fique deitada. Precisa de um hospital.

Que dia?

Pai, estou bem.

N�o se mexa, Molly. Solte meu bra�o.

- Tenta se levantar? - Isso!

Ela quer ficar de p�.

Nossas c�meras n�o podem ir l�, n�o d� para saber...

E Tracy pode nos atualizar l� de baixo?

- Ela est� se levantando. - Est�!

- Certeza? - Sim.

Ent�o, vamos l�.

Vemos que a ajudam a ficar em p�.

Molly Bloom � com certeza irm� de Jeremy Bloom,

que det�m o lugar de n� 1 no ranking.

Aquele � o treinador dela de sempre, Ted Keene

e o pai dela.

Ela se refez de um acidente quando s� tinha 13 anos.

Devem estar se perguntando sobre o esfor�o psicol�gico

ap�s chegar t�o perto e perder tudo agora.

Saiu algo de bom disso?

Na verdade, n�o.

56 M. BLOOM FINAL:

56 M. BLOOM FINAL: N�O TERMINOU

Mas aprendi algo que me encoraja.

Sou muito dif�cil de matar.

Conhecemos ambos, gente que nunca superou isso.

Eu n�o sei se a jovem que vimos

est� entre essas pessoas.

Talvez a vejamos competindo de novo,

mas creio que ela, n�s veremos.

Winston Churchill definiu o sucesso como:

A habilidade de superar um fracasso ap�s o outro

sem perda de entusiasmo.

Ent�o,

acho que sou a que aposta demais.

Ela voltar�.

A pr�xima a partir � Whitney Summerhill,

atualmente em 12� lugar, ap�s...

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.