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É um caminho difícil
para os jovens atores de Hollywood.
Ela estava com atrizes e atores famosos.
Tinha conseguido.
Martin! Martin!
Eu disse: "Tô falando sério, ela é como a Queen Latifa,
uma Queen Latifa mais nova."
Ela participou de uma comédia estrelando Martin Lawrence
e também esteve em "Judging Amy."
Ela estava praticamente no auge da vida dela, sabe?
No pico.
Até quando você consegue...
As coisas podem começar a desmoronar.
O LADO OBSCURO DA FAMA.
Como você está?
Eu estava nervoso por fazer essa entrevista
baseado nas coisas que aconteceram
e nas coisas que estavam envolvidas em tudo.
Mas, eu sinto que...
eu tive uma conexão íntima com a Tara,
nessas partes complexas da vida dela.
No meu primeiro ano, eu fazia parte de um coral.
Na hora do almoço eu ia pra sala de música,
para tocar piano.
Eu estava tocando o piano de cauda...
e aí eu senti que tinha alguém ali comigo, me olhando...
eu olhei para cima
e foi a primeira vez que eu vi a Tara.
Ela era a jovem mulher mais linda
que eu já tinha visto na vida toda
e... depois disso, a gente virou inseparável.
A gente não tinha grana,
então não fazíamos muita coisa,
mas... fazíamos juntos.
Eu lembro quando a Tara chegou na aula.
A Tara queria ser uma estrela desde o início,
WENDY SARNOFF, PROFESSORA DE MÚSICA DA TARA
Ela só não sabia que tipo de estrela.
Ela era seu próprio desafio.
Vivia uma vida desafiadora.
Tara Correa-McMullen...
esse foi o nome artístico que ela escolheu.
Quando criança seu nome era Shalvah McMullen.
Ela era fascinada por Hollywood.
Mas, a Tara era filha de mãe solo,
o pai não estava no cenário.
Com certeza não podiam arcar
com aulas de canto e dança e balé
e essas coisas que crianças normalmente fazem
principalmente a caminho de Hollywood.
Quando eu conheci ela,
eu sabia que ela estava morando em um hotel...
que ficava perto da escola.
A mãe dela estava buscando...
uma agência de talentos na época,
e ela ouviu que estavam precisando
de uma pessoa para fazer um papel.
Estavam precisando de atriz jovem...
para fazer o papel da única jogadora mulher
participando em um time de basquete só de meninos
em um filme.
As crianças entravam e saíam da sala de seleção
e ninguém era escolhido.
De repente a mãe da Tara teve um estalo
e ela pensou: "Espera aí..."
Ela perguntou se a filha dela podia entrar e ler para eles.
Foi meio que... um tiro no escuro.
Quando a Tara entrou para a audição,
não tiveram dúvidas.
Ela conseguiu o papel.
Eu não fazia ideia do quão séria era a coisa.
E só quando eu fui até o set...
que eu vi que ela realmente fazia parte de um filme mesmo.
A Tara foi escalada para "A Hora da Virada,"
um filme de comédia esportiva de 2005
estrelada por Martin Lawrence.
Martin! Martin!
Eu estava animado com o filme.
Tipo, tinha o "Beans" de "Even Stevens,"
eu podia ver o Martin Lawrence.
Parecia tudo muito natural para a Tara.
Até a atuação dela, estava natural.
Ai!
Se contar pra alguém que eu tô estudando,
acabo com você.
Se você vir o filme, ela era meio que azeda e doce,
e é a forma de descrever a personalidade real dela.
Ela era um doce quando queria, mas podia ser bem amarga.
Em "A Hora da Virada"
ela estava praticamente no auge da vida dela, sabe?
No pico.
Ela começou a ganhar dinheiro.
Então os lugares pra onde íamos
quando estávamos quebrados,
a gente tinha dinheiro pra realmente aproveitar.
Voltamos para Hollywood
mas, dessa vez, não ficamos rodando no Universal,
nós entramos no parque temático.
Foi superdivertido.
Eu conheci ela na sala da equipe,
da igreja que frequentávamos, na época.
Ela era misteriosa e bastante interessante.
Dava pra ver que ela guardava muitas coisas pra si mesma.
Quando "A Hora da Virada" estreou
eu fiquei... muito surpresa
porque eu nem sabia que ela era atriz.
E eu literalmente achava
que ela ia ser a próxima Keke Palmer,
alguma coisa do tipo.
Eu fiquei simplesmente pasma com ela.
Eu sou escritora, primeiramente...
e também sou produtora de séries.
Minha primeira série foi "Providence,"
eu fiz "Touch - Visões do Futuro"
com o Kiefer Sutherland... e "UnREAL"
e eu sou a produtora executiva de "Judging Amy."
"Judging Amy" era um drama de relacionamento
baseado na vida de Amy Brenneman, a atriz.
Sua mãe era juíza de tribunal de menores.
A Amy fazia a juíza.
Foi um bom programa para a CBS
e indicado ao Emmy.
Tyne Daly era nomeada praticamente todo ano,
e a Amy também.
Eu tinha orgulho por fazer parte disso.
Quando eu cheguei, na quinta temporada, em 2003,
houve um espírito de renovação,
e eu acho que isso traz vida nova,
e, por exemplo, um escritor chamado Barry O'Brien
criou a personagem da Graciela.
Graciela Reyes era uma menina...
parte de uma gangue.
E... eles encontram uma faca na mochila dela,
então ela acaba sendo levada para o tribunal da juíza Amy.
Foi bem difícil escalar essa personagem,
porque precisávamos de alguém
que parecesse membro de uma gangue,
mas era uma... criança.
Mas quando vimos a Tara,
na mesma hora, soubemos que ia ser ela.
Tá bem. Todo mundo em seus lugares.
Tá, silêncio no set.
Em um dos primeiros episódios,
a Amy pergunta... para a Graciela...
Você está em uma gangue?
E, em vez de dizer o que era a fala original,
a Tara disse...
Tenho meus contatos.
Ela não perguntou, ela só usou outra linguagem...
que ficou muito autêntica... e muito viva,
e nós achamos que era bem melhor.
Quando escrevemos uma série, a gente pesquisa
e tenta deixar o mais autêntico possível,
mas a verdade...
é que somos escritores de Los Angeles
escrevendo sobre uma criança de gangue
e quando ela entrou, ela deu vida à personagem.
Ela tinha um olhar firme
que fazia a gente sentir aquele "beleza, ela é...
ela é capaz de algumas coisas"
mas ao mesmo tempo, era uma criança.
Eu disse: "Tô falando sério, ela é como a Queen Latifa,
uma Queen Latifa mais nova."
A gente queria que ela fizesse um episódio,
era uma convidada em um episódio.
Mas quando vimos e trabalhamos com ela,
isso... funcionou tão bem que fizemos a sexta temporada
em torno do relacionamento da personagem dela e da Amy.
Esse foi o impacto enorme que ela teve.
Nós queríamos ela na maioria,
ou em todos os episódios da temporada seis,
e teriam sido 22.
Ela era a estrutura da nossa sexta temporada.
Quando crianças recebem essas oportunidades incríveis
é como jogar uma pedra em um lago.
Vão indo de uma para a outra, para a outra.
A Tara entrou em uma série enorme de Hollywood.
Ela tinha conseguido.
Ela estava com atrizes e atores famosos.
Ela estava seguindo o caminho dela.
Mas ela tinha uma alma muito frágil.
E quando ela alcançou essa posição
de um grande sucesso
e pediram para ela voltar,
o que dava suporte
para aquela alma extremamente frágil?
Quando ela entrou na série,
ela não estava mais na minha sala.
Não estava mais na escola.
Nós filmávamos todos os dias,
cada episódio com oito dias de gravação,
e a Tara estava em uns três
ou quatro dias desses oito.
Ela completou os primeiros episódios
que tínhamos para ela
e aí chegou um episódio
que ela estava gravando, e, então...
eu recebi uma ligação do set porque ela tinha saído do set.
Ela tinha deixado o estúdio.
Tinha deixado o terreno da Fox.
Ninguém sabia onde ela estava.
VERÃO DE 2005.
A gente estava procurando ela
e, é claro, isso é prejudicial
e era um gasto de dezenas de milhares de dólares
por ela não estar lá.
Ela apareceu na minha casa...
e tinha uma pessoa acompanhando ela,
e foi quando a gente terminou,
daí as coisas foram ladeira abaixo.
Parecia que ela tinha se envolvido
com a turma errada.
A mãe dela falou que ela estava namorando um cara...
que era um mau elemento.
Ela pediu para tentarmos afastá-los.
Foi aí que o problema começou.
Como parte do meu trabalho com homicídios,
eu estava na Unidade de Inteligência de Gangues,
e pude investigar membros de gangues
dentro e fora de custódia.
Durante a minha investigação,
eu descobri que a Tara era namorada do Christopher Avery.
CHRISTOPHER AVERY, NAMORADO DA TARA
Eu tive contato com o Chris e com a mãe dele
em... algumas ocasiões.
Eu sabia em que atividades ele estava envolvido.
E veio na minha cabeça: "Ai, meu Deus!"
O Chris era notável e bem conhecido
por ser um membro de gangue.
Ele vivia envolvido em tiroteios,
roubos, assaltos.
Ele era uma pessoa bastante instável.
Tinha ocorrido um tiroteio...
em frente a um complexo de apartamentos
que as pessoas chamam de "The Blues."
Alguns tiros...
e uma pessoa talvez tivesse sido baleada.
Havia rumores de que ele que tinha atirado...
no "The Blues,"
onde os "Crips" passavam o tempo.
Aquele ali é o "The Blues."
O Chris era uma pessoa perigosa.
Eu não esperava por isso
porque eu ficava pensando que ela era uma criança,
que era uma atriz.
Ela já tinha uma carreira
que as crianças fariam qualquer coisa pra ter.
E, do nada, tudo mudou.
O nosso relacionamento durou mais ou menos um ano e meio.
Antes do término, ela usava vestidos de verão,
calças que cabiam direito, camisetas,
e então, à medida que ela foi mudando,
o guarda-roupa dela ficou mais escuro...
mais sombrio.
Ela não usou necessariamente essas palavras:
"Eu estou em uma gangue,"
mas ela falava das pessoas que ela andava,
e dava pra ver que ela estava bastante envolvida
na vida de gangues.
É uma loucura que ela tenha... sido uma pessoa
que interpretava membro de gangue
e era tão atraída assim a esse tipo de... vida.
O que atrai os jovens
é a sensação de poder.
Os jovens querem muito ser reconhecidos,
principalmente nas redes sociais.
E eles sentem que podem obter uma exposição...
se andarem com membros de gangue
e fizerem coisas erradas.
O que eles não veem... são
as coisas que acontecem depois.
Eles não veem... o impacto que têm,
não só em sua própria família,
mas nas pessoas que são afetadas...
quando eles fazem suas vítimas.
Eles sentem que ganham fama na rua.
Quando você vem de uma área pobre,
é vulnerável,
e está buscando... uma vida melhor
e o senso de pertencimento,
gangues são atrativos...
porque eles te oferecem aquele senso de...
"Estamos aqui por você."
Muitos atores mirins saem do eixo em Hollywood.
Há um... preço pela fama.
E eles acabam se entregando às drogas,
ao álcool, às doenças mentais, à violência.
Alguns até são mortos,
alguns acabam na prisão e têm problemas com a lei.
Existem casos que... todos nós conhecemos,
como Britney Spears, por exemplo, Lindsay Lohan...
A Tara recebeu um presente incrível...
de uma oportunidade
não só... de ser reconhecida em Hollywood,
mas de tirar a família dela...
de uma condição de muita pobreza.
Mas, infelizmente, a vida de gangue...
foi bem mais influente... e atrativa.
A mãe dela saiu daquele bairro.
Eles tentaram levar a Tara com eles,
mas ela... não quis.
Quando alguém está no seu programa,
vira parte da família.
As pessoas sentiram a responsabilidade
de ajudar da forma que pudéssemos.
Nós tentamos ajudá-la a sair da situação que ela estava,
mas é claro que não estávamos preparados para fazer isso,
não fomos treinados para isso.
Mas... era algo totalmente diferente.
A vida dela estava em risco.
Muitas pessoas que estavam no elenco de "Judging Amy"
tentaram se reunir para levar ela
para um lugar seguro.
Mas naquela hora já era tarde demais.
Teve um dia em que ela apareceu na minha casa...
e ela estava usando óculos escuros.
Quando ela tirou os óculos,
eu vi que ambos os olhos estavam roxos
e o rosto dela estava arranhado.
Eu provavelmente deveria ter falado com um adulto.
Mas eu achei, sendo adolescente,
que eu podia lidar com a situação
e não podia.
E quando aquilo aconteceu...
eu me toquei de que era um caso muito mais sério...
do que só uma jovem que se achava legal demais
para estar em um programa como aquele.
Era uma jovem em perigo.
Parte de mim sentiu
que se pudéssemos trazê-la para qualquer coisa,
talvez ela voltasse,
e aí talvez ela saísse daquilo.
Talvez afastássemos ela daquilo,
mesmo que fosse só um pouco.
Nós marcamos uma reunião com os representantes dela
e com a mãe dela,
e... eles disseram que ela não queria mais fazer a série.
E aquilo foi como uma bomba para nós.
E, a minha mente, como produtora, já pensou:
"A temporada inteira foi construída
ao redor dessa personagem."
Como íamos... nos ajustar
se não conseguíssemos trazer ela de volta?
Finalmente convencemos ela de conversar com a gente
e, antes de ela chegar lá...
eu e o Barry, o escritor que criou a personagem dela,
sentamos no meu escritório e montamos fichas,
os escritores usam essas fichas para poder...
estruturar o enredo.
Pensamos: "Se conseguirmos tê-la em todos os episódios...
que planejamos,
contaremos a história assim.
Se conseguirmos... tê-la em cinco episódios,
contaremos a história assim..."
Três episódios, dois episódios.
Então, quando ela chegou... tínhamos algumas ideias...
Tentamos convencer ela e fazer a série
por ter muito dinheiro envolvido,
mas é claro que não era a prioridade dela.
E ela ficou falando que não podia fazer, não podia voltar.
E falamos que podia sim
e que ajudaríamos ela no que fosse.
Eu senti que ela tinha vergonha
de interpretar uma membro de gangue na TV
mas não de ser uma de verdade.
Mas era mais do que isso.
Era mais do que isso.
Ela ficou falando que tinha feito uma coisa...
que não tinha mais volta.
Que já era.
Ela falou: "Depois do que fiz, acabou."
Ela nunca... contou o que foi,
mas ela disse... algo como:
"Depois do que eu fiz, acabou."
Ela não fez cena.
Foi como falar que era real, que era perigoso,
que ela tinha ultrapassado os limites
e não ia ficar tudo bem.
Ela disse que o namorado dela...
era importante na gangue.
CHRISTOPHER AVERY, NAMORADO DA TARA
Foi aí que eu pude ter a certeza
de que era tudo verdade,
mas continuei... pensando que era só uma fase,
que ela ia... superar isso.
Os rumores eram que ela tinha matado alguém.
A iniciação em gangues passa por diversas mudanças
ao longo do tempo.
Às vezes eles vão a um bairro inimigo
e a pessoa tem que atirar
em um membro da gangue inimiga.
Era difícil de imaginar... que ela teria matado alguém.
Era difícil de imaginar aquela menina fazendo isso.
Isso quebrou o meu coração... de mãe...
ouvir uma menina tão jovem e talentosa...
dizer que tinha acabado.
Parecia tudo um grande um erro,
como um caminho perigoso.
Como mãe, você vive morrendo de medo
dos seus filhos se... envolverem com alguém
que vai acabar levando eles pro mau caminho.
Você sabe que eles não são aquelas pessoas de verdade,
mas podem se desviar por tempo suficiente
pra bagunçar as vidas deles.
Foi... isso que eu senti com a Tara.
Ela tinha muitas coisas a favor dela, por um lado,
mas se apaixonar aos 16 anos, e todo aquele perigo...
Você não compreende. Você acha que é imortal.
E eu acho que isso afetou ela.
A série é sobre ajudar jovens em apuros,
e... nós tínhamos uma jovem no elenco...
que estava em apuros.
E ela estava com problemas maiores
do que nós éramos treinados para lidar.
Mas o que nós sabíamos era que íamos ajudar
de qualquer forma que... pudéssemos.
E nós com certeza tentamos.
No final, não pudemos fazer muita coisa.
Eu ficava torcendo para só uma fase
e pra ela voltar depois.
Mas, é, é óbvio que não era o caso.
No fim daquela reunião,
ela concordou em voltar por um dia.
Nós falamos: "Tá bem. Um dia."
Então agendamos imediatamente,
e... eu disse: "Eu vou estar lá com você...
o dia inteiro, a cada minuto."
Eu e o Barry escolhemos...
as três cenas que gravaríamos naquele dia.
Nós tínhamos escrito cenas com muito poucos diálogos,
porque não sabíamos o que ela seria capaz de fazer.
Eu tinha medo de que ela não fosse aparecer.
Mas, quando ela chegou lá,
eu notei... como ela estava profundamente perturbada.
Por que acha que a Tara voltou no último dia?
É uma ótima pergunta.
Eu acho que a Tara voltou para gravar o último dia...
porque ela era uma boa menina
e não queria nos desapontar ainda mais
do que já tinha desapontado.
Tinha uma tensão muito forte...
no último dia.
A equipe sabia que era um evento especial,
que tivemos que mudar o nosso calendário
e que isso tinha sido por uma razão específica.
Nós aumentamos a segurança
para ela se sentir confortável,
e para todos se sentirem assim também.
Eu acho... que eu queria que ela sentisse que...
naquela hora, éramos um suporte.
E aquele era o momento em que poderíamos ser um.
Eu lembro de sentar com ela nos bastidores,
no estúdio de som, estava escuro
e ela... ficou falando que já era.
E eu repetia...
que não precisava ser assim, que queríamos ela lá
e estávamos ali para ajudar no que fosse.
Como qualquer um que lembra
como é ter um namorado aos 16 anos, sabe...
Não é uma tarefa fácil.
Sempre dão preferência ao namorado,
e foi isso... que aconteceu.
Naquele dia...
Assim, eu era a produtora
e estava lá para garantir que as filmagens fossem feitas
e se precisasse... reescrever algo na hora, eu estava lá.
Mas eu, eu sou mãe.
E estava ali olhando para uma menina de 16 anos.
Parecia que a qualquer momento ela ia desabar em lágrimas.
E parecia que...
a qualquer momento eu também ia.
Nós filmamos naquele dia e ela fez todas as cenas.
E a última cena que filmamos...
foi uma cena dela usando um macacão laranja,
a roupa de prisão, e algemada,
na fila para entrar no ônibus com outros... prisioneiros.
Dava pra ver no rosto dela
que estava chocada por estar fazendo...
um programa de TV
e ela... estar em outro lugar
que não aquele.
Pelo menos, parecia isso.
E que era a última vez que íamos vê-la.
Estávamos editando o episódio,
a personagem entra no ônibus
e é enviada para uma prisão de adultos,
e no fim, ela é morta na cadeia...
por um membro de uma gangue rival.
A história sempre seria sobre uma jovem...
que é vítima do sistema,
e precisa ser... corrigida.
E ela sempre morreria.
Depois de terminarmos as filmagens,
eu disse ao meu amigo escritor:
"Eu só espero que não tenhamos que colocar um 'em memória'
nesse episódio,
porque eu não sei quanto tempo
ela vai continuar aqui."
21 DE OUTUBRO DE 2005. 19H30.
Eu estava em casa... Parecia que ia chover.
Estava... uma vibe sinistra.
Me ligaram...
dizendo que o departamento recebeu uma ligação
sobre três vítimas de um tiroteio
naquele complexo.
O tiroteio aconteceu aqui.
Quando eu cheguei, estava um caos.
Tinham mais ou menos 20 ou 30 pessoas.
Curiosos...
Gente especulando o que tinha ocorrido...
Equipes de emergência entrando e saindo,
policiais procurando testemunhas,
fazendo varredura no bairro.
Os policiais que chegaram primeiro encontraram
cerca de oito estojos de munição 7.62
gastos na calçada.
Conforme eu me aproximava da entrada
desse complexo de apartamentos,
eu vi que as paredes desse lado
estavam repletas de balas,
assim como o teto.
O policial me disse... que um grupo de pessoas...
estava sentado no canteiro aqui,
não tinha isso, na época,
e... o carro do suspeito parou no meio da rua,
e quando uma das vítimas percebeu
o suspeito saindo do veículo com um rifle,
ele começou a empurrar todo mundo
para dentro do complexo,
para evitar ser baleado.
Aí ele levou cerca de... dois ou três tiros nas costas.
Foram três vítimas...
Um homem na casa dos 20 anos,
que tinha recebido dois tiros nas costas.
Outro homem na casa dos 20 anos,
que tinha recebido dois tiros na lateral do corpo.
E uma mulher que tinha 15, 16 anos.
Ela estava bem aqui.
Ela foi baleada cinco vezes.
Ela foi transportada
para um hospital próximo de lá,
mas... não resistiu.
Os outros dois estavam em condição estável
naquele momento.
O sentimento geral era de preocupação, angústia.
Muitas pessoas estavam abaladas
porque uma menina tinha sido baleada.
Ela não estava com nenhuma identificação.
Eu fiquei na cena por umas duas horas,
estava prestes a sair...
Aí fui abordado por uma pessoa...
que me disse que a garota tinha feito um filme.
E aí ela me deu uma fita VHS do filme.
Era "A Hora da Virada", com Martin Lawrence.
Quando eu estava revendo o filme,
eu notei que a vítima estava no elenco.
Fui ver os créditos
e descobri que o nome dela era Tara Correa-McMullen.
Eu fiquei em negação
porque a vida dela acabou cedo demais.
Fizeram um memorial na igreja que a gente frequentava.
E todo mundo estava com o coração partido.
Foi muito devastador ouvir que uma pessoa tão boa
tinha morrido de uma forma tão trágica.
Infelizmente, no meu trabalho,
a maneira como descobrimos a morte de um aluno...
é através de outros alunos.
E nós vemos eles arrasados.
A Tara podia ter sido qualquer coisa que quisesse.
Onde ela estava?
Por que não tinha voltado para a minha sala de aula...
pra visitar?
Por que não tinha voltado para contar...
o que tinha conquistado na vida dela?
É pra isso que eu dou aulas.
Preciso de uma pausa.
- Desculpa por isso. - Imagina!
Eu só queria que ela entrasse na minha sala.
Eu acho que ela poderia ter sido
uma atriz fantástica.
Eu acho que ela podia ter sido uma estrela.
Eu acho que a história dela acabou cedo demais.
Tinham muitas coisas na minha cabeça,
porque não fazia sentido.
Por que ela estava lá?
Por que ela estava andando com aquelas pessoas?
Eu me perguntava
se o Chris estava por trás do tiroteio.
CHRISTOPHER AVERY, NAMORADO DA TARA
Nada fazia sentido.
Ao longo da investigação,
começamos a colaborar com a polícia de Los Angeles.
Descobrimos que ocorreram dois tiroteios...
antes daquele,
mas que... foram na jurisdição da polícia de Los Angeles.
Eles foram dentro de, no máximo, 2 km.
Esse aqui, e esse aqui.
Parece que houve uma série de tiroteios
que começou no dia anterior,
e resultou na morte da Tara McMullen,
em Inglewood.
20 DE OUTUBRO DE 2005.
UM DIA ANTES DO HOMICÍDIO DA TARA.
E, por volta das sete horas da noite,
na West 84th Street,
dois homens estavam trabalhando juntos
em um carro,
quando outro carro se aproximou.
Atiraram neles...
E depois fugiram.
Nenhum dos dois se machucou e ninguém morreu.
Cerca de dez minutos... depois disso,
houve outro tiroteio em 21 de outubro.
Dessa vez, uma pessoa morreu e uma ficou ferida.
Então dentro de 24 horas
houve três tiroteios e duas mortes.
Um dos moradores foi para o portão para olhar,
e viu uma caminhonete prateada
indo embora do local.
No dia seguinte, por volta das oito horas da manhã,
a Polícia de Los Angeles me ligou.
Eles me informaram
que tinham três pessoas sob custódia...
que estavam dentro de uma Toyota Tundra cinza,
que estava na mesma área do tiroteio do dia anterior.
E um deles era Damien Watts,
que se referia a si mesmo como Little Chopper.
É uma escolha interessante para um apelido,
porque também é usado como apelido
para um fuzil de assalto,
que aparentemente foi o que ele usou nos tiroteios.
Os promotores nunca precisam provar o motivo de um crime,
mas, é claro, que todos queriam saber...
por que Damien Watts mataria Tara McMullen aleatoriamente
no dia 21 de outubro.
O motivo não é um elemento do assassinato,
então, a acusação não é obrigada
a provar o motivo.
Mas é claro que todo jurado... sempre quer saber o porquê.
Em assassinatos de gangues,
um dos primeiros... motivos que analisamos,
tanto na defesa quanto na acusação,
é se... foi uma retaliação.
Quando eu ouvi essa história pela primeira vez,
eu já... me perguntei... se eram gangues inimigas.
E, com certeza, eram.
O Damien era da "Rollin' 60s"
e a Tara era parte do "Centinela Park Family,"
que é da "Bloods."
Não sabemos qual era o nível de envolvimento da Tara,
e nem quais eram suas atividades
ou a afiliação dela.
Mas sabemos com certeza que ela namorava...
um cara chamado Chris, que era de uma gangue.
Depois de fazer uma investigação intensa,
vi que o alvo não era a Tara.
O alvo era provavelmente, Christopher Avery.
Durante a investigação, enquanto eu avaliava,
vi que na verdade tivemos quatro vítimas no tiroteio...
em vez de três.
Uma vítima não sofreu nenhum ferimento à bala...
e fugiu do local antes da chegada dos policiais.
E essa foi Christopher Avery.
O Chris tinha fugido para o complexo de apartamentos
e, de alguma forma...
a porta de segurança bateu...
deixando os outros três do lado de fora.
Ele deixou a namorada para ser morta.
Agora, foi intencional?
Eu não sei.
Havia rumores de que tinha sido ele
quem atirou no "The Blues,"
que é o complexo onde a gangue rival se reunia,
e falaram que tinha um outro indivíduo
com ele no momento, que estava de moletom.
Mas ninguém conseguiu identificar essa pessoa.
Não tem nenhuma evidência...
que tenha revelado que a Tara puxou o gatilho.
Eu nunca tive uma testemunha mostrando...
envolvimento no tiroteio,
além dos rumores que estavam nas ruas.
Eu acho que o tiroteio...
foi uma retaliação para o Chris.
Eu estava no julgamento do Damien Watts...
do começo ao fim de tudo.
O Damien estava indiferente, calmo,
ele... não demonstrava nenhum interesse.
Um dos moradores da área do tiroteio
identificou o Damien Watts em diversos momentos,
e isso inclui a audiência preliminar,
uma linha de fotos, uma fila pessoalmente
e, finalmente, no julgamento,
e... deu total certeza de que tinha sido ele.
Damien Watts foi o atirador em todos os três tiroteios
no período de 24 horas
entre os dias 20 e 21 de outubro.
DAMIEN WATTS FOI CONSIDERADO CULPADO
POR DUAS ACUSAÇÕES DE HOMICÍDIO
E DIVERSAS ACUSAÇÕES DE TENTATIVA DE HOMICÍDIO.
ELE FOI CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA.
QUATRO ANOS APÓS O HOMICÍDIO DA TARA,
CHRISTOPHER AVERY FOI MORTO.
A melhor forma que eu posso descrever
o que a Tara representa pra mim,
é que ela foi o fim da minha infância...
e começo da minha vida.
MAURICE TIPTON, EX-NAMORADO DA TARA
Foi muito difícil de processar.
Depois do funeral eu pude ir ver ela
antes de... ela ser cremada.
E foi aí que eu finalmente deixei as lágrimas caírem.
Doeu por muito tempo.
A Tara foi o meu primeiro amor.
Eu sinto que eu fui a pessoa mais próxima dela.
Mas eu sei que ela também se sentia da mesma forma.
Ela deixou isso claro...
me colocando como beneficiário...
do seguro de vida dela.
Ela me colocou com 60% e os pais dela com 40%.
Eu era a família dela e a rede de suporte.
No fim das contas,
eu acho que a Tara era uma pessoa incompreendida.
Já faz 25 anos que eu sou escritora.
Eu sou fascinada pelo que os humanos fazem,
e... eu não acho que existam pessoas ruins.
Todo mundo tem uma história de origem
e todo mundo tem um motivo para ser como é.
Não estou falando que é tudo aceitável.
Só quero dizer todo mundo chega aqui...
por certas circunstâncias.
A Tara que conhecemos no início,
e eu acho... que foi por acidente,
achou o lugar dela... no nosso mundo.
Ela se encontrou como atriz.
Mas ela seguiu um caminho muito ruim.
Eu acho que Hollywood não tinha como salvar a Tara.
Podíamos dar estabilidade para a família,
mas do jeito que ela estava naquele momento,
não ia bastar afastá-la daquilo.
E eu vi que a criança que ela tinha sido
ainda estava ali dentro.
Ainda estava lá.
Ela era uma luz forte
e é bom que ela seja lembrada.
NA ÉPOCA DA MORTE DA TARA,
SUA FAMÍLIA EMITIU UMA DECLARAÇÃO
DE QUE TARA NÃO HAVIA FEITO PARTE DE UMA GANGUE.
A FAMÍLIA NÃO RESPONDEU
À TENTATIVA DE CONTATO DA PRODUÇÃO PARA COMENTÁRIOS.
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