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''N�s somos a ra�a superior. Os escravos devem trabalhar para n�s.
''Quando n�o forem mais necess�rios, podem morrer. Eles n�o precisam de aten��o m�dica.
''Deixe que eles usem m�todos contraceptivos e abortem sempre que poss�vel.
''A educa��o � perigosa. Uma pessoa educada � um inimigo em potencial.
''Deixe-os praticar a sua religi�o apenas como uma divers�o.
''Eles devem receber apenas a alimenta��o suficiente para mant�-los vivos''.
(Instru��es de Martin Bormann para a ocupa��o da Ucr�nia)
Discurso para o Instituto de Tecnologia da Calif�rnia pelo cientista James Donner:
''O mundo desenvolvido n�o se identifica com os famintos da �ndia ou do Brasil.
''N�s os vemos como esp�cies diferentes, e, de fato, eles s�o.
''Nos pr�ximos 100 anos, n�s encontraremos formas adequadas de lidar com eles.
''Eles s�o simplesmente animais. Eles constituem uma doen�a maligna.
''Resultado: As na��es ricas e fortes devorar�o as pobres e fracas".
Olhe-me agora...
N�o estou com medo... n�o tenho medo deles.
Eles v�o ser punidos!
Meu filho e minha filha morreram.
Ignacio, j� � tarde. V� dormir.
Meus tr�s filhos est�o mortos. Meu pequeno Pascual...
Agora estou sozinho...
Paulina, voc� traz m� sorte.
Todas as nossas crian�as morreram.
Eu n�o trago m� sorte.
Eu disse para n�o ir para l�, n�o confiar neles.
Agora eu vou morrer sozinho.
N�o fale assim... v� dormir.
Por que voc� os ouviu?
Largue-me. Pare com isso.
Olhe para voc�, seu b�bado...
SANGUE DO CONDOR.
Com a participa��o dos camponeses de Kaata.
Roteiro e montagem de Jorge Sanjin�s.
Produzido por Ricardo Rada.
Dirigido por Jorge Sanjin�s.
Paulina, por que est� com raiva de mim?
N�s podemos ir enterrar os bonequinhos l� na nossa montanha.
N�o se zangue comigo.
Venha, vamos.
Bom dia... Bom dia.
Fomos procur�-lo, Chefe.
Talvez o Superintendente saiba sobre isso.
Ele tem um olhar estranho nos olhos.
Vamos fazer uma reuni�o e discutir o que fazer.
Voc� � o chefe da comunidade. Voc� n�o pode ir?
Eu vou at� a cidade e converso com eles.
Ent�o n�s descobriremos.
Corra. V� em frente, fuja!
N�o corra! Eles v�o matar voc�!
Eles o mataram.
Sinto muito, meu amigo. Foi sem querer.
�ndio est�pido!
�ndio? O que voc� sabe sobre mim?
Eu n�o sou �ndio, porra!
Ignacio, como voc� est�, irm�o?
N�o muito bem.
O que aconteceu?
O que eles fizeram com ele, Paulina?
Traga-o para dentro.
Cuidado, irm�o.
H� quanto tempo ele est� assim?
Desde ontem � tarde...
...voltando do campo.
Paulina, devemos lev�-lo ao hospital.
Mas n�s n�o temos dinheiro.
Quem fez isso? Onde?
A pol�cia atirou nele, Sixto.
Eles sempre trazem-nos tarde demais.
N�s vamos ter que operar.
- H� algum parente? - Sim, doutor. Eles est�o l� fora.
Traga-os aqui.
Entrem, o doutor quer v�-los.
- Voc� � parente do paciente? - Ele � meu irm�o, doutor.
- Ela � esposa dele? - Sim, doutor.
O estado dele � muito grave. Por que demoraram para traz�-lo?
Eles percorreram um caminho muito longo. Jornada de um dia.
Precisamos de sangue antes de podermos operar.
Voc�s mesmos podem doar.
E n�s temos que pagar por este medicamento?
N�o � compat�vel.
O sangue do paciente n�o � compat�vel, nem com a esposa, nem com voc�.
Voc� deve encontrar um doador...
...ou ent�o comprar o sangue.
Dev�amos ter feito uma oferenda a Terra primeiro.
N�o h� adivinhos aqui.
Esqueceram-se dos deuses na cidade.
O que faremos agora, Sixto?
O sangue custa 350 pesos.
E eu s� ganho 200 por m�s.
Poder�amos vender estes ornamentos de prata.
Precisamos de muito mais do que n�s conseguir�amos por eles.
Diga-me o que aconteceu com ele.
Eu sou o irm�o dele, eu devo saber.
Bem, eu vou te dizer.
T�nhamos tr�s filhos e est�vamos muito felizes.
Ignacio trabalhava duro.
�ramos queridos e respeitados.
As crian�as eram saud�veis.
Ajudavam a cuidar das ovelhas.
Ent�o, a epidemia chegou e os tr�s morreram.
Foi quando Ignacio foi eleito l�der da comunidade.
Quem poderia ter imaginado tal trag�dia como a que pairava sobre n�s?
Houve uma grande festa.
Paulina, esta folha � voc�.
Vamos ver o que lhe aguarda.
- Est� tudo bem! - � mesmo? Isso � bom.
Voc� leva uma boa vida, Paulina.
Agora deixe as folhas nos dizerem...
se mais crian�as vir�o.
M�e Coca...
diga-nos sobre as crian�as.
Esta folha � Paulina.
Esta � para as crian�as.
Algo est� bloqueado dentro dela.
Param as crian�as.
Sente-se, av�.
Bom dia, av�, como vai?
Seu filho lhe sa�da.
Por favor, mastigue Coca comigo.
Por favor, aceite esta Coca.
Que os deuses aben�oem esta casa.
Estamos indignados pelo que o adivinho disse-nos.
Como � poss�vel uma mulher jovem n�o ter mais filhos?
H� algo de errado com Paulina?
Agora temos que decidir o que deve ser feito.
Talvez algum inimigo lan�ou um feiti�o sobre Paulina.
N�s n�o temos inimigos.
Acho que eles deveriam ir e fazer uma oferenda aos deuses.
Eles devem ir ao santu�rio...
...e Paulina deve oferecer alimentos para a montanha.
Eu acho que n�o � nada disso.
Eu acho que o mal foi trazido � nossa comunidade pelos gringos.
Gringos trazem desgra�a!
- Por favor, venha aqui. - Senhor...
Voc� pode vender alguns ovos para n�s?
Obrigada.
S� isso? Tr�s? Precisamos de todos, diga a ela.
- Venda-nos todos eles. - Eu n�o posso vender todos.
Por que n�o vende todos?
N�s vamos dar-lhe um bom pre�o...
N�o, n�o � uma quest�o de pre�o.
N�s vamos pagar-lhe bem.
Voc� � Paulina.
- Paulina Yanahuaya? - Sim.
Voc� sabe quem somos, n�o �?
Por que voc� n�o nos vende os ovos?
Precisamos deles para o nosso centro. Por favor, venda-os a n�s, Paulina.
N�o posso vend�-los, senhor.
Estou levando-os para o mercado. Outras pessoas tamb�m precisam deles.
Deixe pra l�! Estamos perdendo o nosso tempo.
Se voc� vender para n�s, voc� n�o tem que ir ao mercado.
Como voc� est�, Sixto?
S� um minuto, compadre.
Estou com pressa, comadre.
Como tem passado? N�s n�o vemos voc� h� tempos! Alguma coisa errada?
Sim, algo terr�vel aconteceu.
- A mesa seis quer uma refei��o diferente... - Por que n�o pediram direito?
Um momento, compadre.
- N�o... N�o vou comer... - A patroa mandou...
Voc� n�o est� com fome? V� em frente, coma.
Voc� estava dizendo... uma desgra�a?
Meu irm�o chegou da nossa aldeia. Ele est� muito ferido.
O gelo chegou. V� olhar.
N�o h� m�dico l�...
N�s levamos ele para o hospital...
...mas Ignacio est� muito ferido.
Paulina trouxe-o at� aqui e agora eles t�m de oper�-lo.
Precisamos de dinheiro para comprar sangue.
Ah, dinheiro... sempre o dinheiro. Onde vou arrumar dinheiro?
Tenho que pagar o gelo, a carne...
Se voc� me pedisse h� uma semana...
As pessoas de Muyupampa tamb�m perderam muitas crian�as na epidemia.
Que tipo de doen�a � essa que leva os nossos pequeninos?
Quanto tempo faz que a sua sobrinha ganhou um filho?
Um ano e meio atr�s.
Ela quer mais um outro.
Onde ela teve seu �ltimo filho?
Na maternidade mantida pelos estrangeiros.
Estes cavalheiros gringos vieram para ajudar a sua comunidade.
Ent�o, por favor cooperem com eles e ou�am o que dizem.
Estou lhes pedindo como representante governamental nesta comunidade.
Nosso centro funciona h� um ano e meio...
Eles querem que voc�s e suas esposas v�o ao centro para o tratamento.
N�s do Corpo de Progresso viemos...
atrav�s de muitos sacrif�cios pr�prios...
...para que voc�s possam desenvolver-se.
Agora, n�s temos algumas roupas aqui.
Presentes para as crian�as desta comunidade.
Estas roupas foram dadas...
...pelos filhos dos estrangeiros...
...que moram em La Paz.
N�s as trouxemos para que seus filhos...
...possam ter roupas como essas tamb�m.
Levantem-se, todos voc�s.
Vamos l�, fa�am uma fila.
Depressa, depressa.
Elas s�o de segunda m�o mas parecem novas.
Venham, sigam em frente.
- Bem, meu amigo... feliz? - Sim, feliz.
Pachamama, M�e Terra...
Que este c�lice sagrado e a nossa m�sica da fertilidade...
...nos ajude a superar este mal.
�, deuses da montanha, fa�am a esposa de Ignacio e as demais...
...terem filhos novamente.
Pachamama, deuses da montanha...
Ajudem a nossa ra�a a sobreviver.
Ei, Jim, apare�a!
O que voc� quer?
Olha! Eles devolveram as roupas!
Merda!
Apenas a inje��o, doutor...
Aqui est�, doutor.
- N�o trouxeram o rem�dio ainda? - Ainda n�o, doutor.
Se n�o operarmos...
Ela n�o fala Espanhol, doutor. S� Qu�chua.
Algu�m aqui fala Qu�chua?
Sim, doutor. Este menino � de Catavi. Ele fala Qu�chua.
Garotinho, pergunte-lhe quando o cunhado dela ir� trazer o medicamento.
Se ele n�o troux�-los em breve...
...o marido dela vai morrer.
Precisamos do sangue com urg�ncia. Ela deve pedir a ele para se apressar.
- Como foi? - Nada, doutor.
Eu tentei de tudo. Mas eu s� consegui 20 pesos.
20 pesos? Mas n�o podemos fazer nada com 20 pesos.
O que podemos fazer, doutor? Ajude-nos.
Por favor, ajude-nos.
O que podemos fazer?
Talvez consigamos alguma coisa...
Vou dar-lhe um cart�o para o Dr. Mill�n.
Vou ligar pra ele. Talvez consigamos um pouco de sangue de sua cl�nica.
Voc� vai ter que se apressar...
Apresse-se!
Ignacio, voc� perdeu a sua l�ngua hoje?
Mesmo as lhamas dizem algo quando passam.
O que voc� quer, senhor?
Esteve na maternidade?
Estou voltando de l�.
J� � hora, voc� tem que saber isso.
Os gringos dizem que voc� n�o est� ajudando-os...
Eu n�o quero nada com eles.
Devo ir agora, senhor.
Adeus, Ignacio.
Onde podemos encontrar Ignacio, o l�der da aldeia?
O que ele est� fazendo l� em cima?
Ele est� preenchendo-se de luz.
Senhora, h� um homem esperando para ver o Doutor.
Voc� sabe que ele n�o est�.
Ele quer falar com voc�.
Bem, diga-lhe para esperar ent�o.
A Senhora diz que voc� ter� que esperar...
Meu marido est� fora em um almo�o.
� urgente, Senhora. Dr. Moreno precisa de sangue para o meu irm�o.
Ele me deu uma nota.
Ah sim, o Dr. Moreno ligou.
Mas meu marido n�o me deixou nenhum recado.
Onde posso encontr�-lo, Senhora? Preciso de sangue para o meu irm�o.
Bem, vou lev�-lo, mas voc� vai ter que esperar.
D� a volta e entre na parte de tr�s, por favor.
Eu n�o deveria ter trazido voc�...
N�o entre. Espere no carro.
Que os dem�nios e esp�ritos malignos, que est�o nos afligindo, desapare�am.
Que os nossos problemas desapare�am como esta fuma�a.
Que a nossa oferenda seja agrad�vel aos Deuses da montanha.
Martina Sapaza morreu esta tarde...
...na maternidade dos gringos.
Algo muito mal est� acontecendo naquele local.
As pessoas em Muyu nos disseram que as mulheres j� n�o podem ter filhos.
O mesmo mal aflige todas as comunidades por aqui.
Faremos o que as folhas de coca nos disserem.
M�e Coca, explique-nos o que est� acontecendo.
Voc� nunca nos decepciona.
Agora, vamos ver...
As folhas das mulheres e das crian�as est�o sempre viradas.
E as folhas dos gringos...
...est�o sempre pr�ximas � morte.
As folhas dizem claramente...
Os gringos est�o semeando a morte...
...nos ventres de nossas mulheres.
Sabemos o que est�o fazendo aqui.
Ei, porque est�o fazendo isso conosco?
Voc�s est�o semeando a morte nos ventres de nossas mulheres.
Eles parecem saber de tudo!
Sil�ncio, gringo! Vou falar primeiro.
Voc�s trazem o mal para n�s.
N�o, n�o. Voc�s n�o entendem. Deixem-me explicar.
Diga a eles, s� esterilizamos as mulheres com muitos filhos!
� por causa de voc�s que nossas mulheres n�o t�m mais filhos.
N�s faremos com voc�s o que fizeram para n�s.
Voc�s n�o podem fazer isso...
Meu trabalho � cient�fico...
Minha embaixada ir� castig�-los.
Ministro da Sa�de...
... Presidente do C�mara T�cnica de Assist�ncia...
... Senhoras e Senhores.
Eu tenho grande prazer em oferecer este banquete...
...em homenagem aos quatro ilustres especialistas em sa�de...
...que vieram ao nosso pa�s para nos ajudar.
Doutores... Donald Pinkus.. Diana Soares...
Robert Jones e Karen Sedelman.
Nosso pa�s precisa de coopera��o internacional e financiamento...
Felizmente, recebemos a generosa e construtiva ajuda...
...que planeja o nosso desenvolvimento e contribui para isso.
� claro que n�o seguimos o ritmo de progresso.
Temos de compreender as raz�es disso e n�o nos sentirmos inferiores...
- Deixe-me entrar. Eu preciso ver algu�m. - N�o, voc� n�o pode.
- Voc� n�o pode ir l�! - Deixe-me ir.
Estes paladinos da ci�ncia...
...cuja �nica preocupa��o � transmitir conhecimentos...
...mostram-nos que devemos substituir...
...nossos feiticeiros emplumados...
...com homens de ci�ncia.
Em nosso pa�s...
...n�s tamb�m temos este tipo de homens.
- O que voc� quer, rapaz? - Quero falar com o Dr. Mill�n.
Voc� n�o v� que ele est� ocupado?
O que esse homem quer?
Ele � o que o Dr. Rivas enviou.
Logo ser� tarde demais.
- Espere at� eu terminar. - Eu n�o posso esperar mais, doutor.
Perdoem-me...
� medida que marchamos a longa e gloriosa estrada...
...que leva o Mundo Livre para o desenvolvimento...
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