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Original subtitles

Mamãe!

Cecile, querida.

Cecile, lembra-se de Madame de Merteuil?

Mas, sim, é claro.

Que jovem mais linda.

Quando te vi pela última vez, era apenas uma garotinha.

Madame, é verdade que vou casar?

Quem te disse?

Todo mundo está falando.

Eu não deveria dizer nada

mas sim, é verdade.

- Com quem? - Não posso dizer.

- Por favor, madame. - Quero dizer, eu não sei.

Sua mãe tem sido tão misteriosa.

Mas você pode tentar descobrir, por favor?

É muito bom ver Cecile tão empolgada com o casamento.

Sim, ela está muito empolgada.

- Quase me preocupa. - Por quê?

Ela está no convento desde que tinha 11 anos de idade.

Ela é tão inocente, tão despreparada.

Contanto que seu marido não ligue...

Pelo contrário. Ele parece obcecado com sua pureza e virgindade.

Quem é ele?

Foi ele que sugeriu que ela ficasse no convento até o casamento.

Isso é muito inteligente. Gosto disso em um homem.

Quem é ele?

Prefiro não dizer.

Concordei em deixá-lo fazer o pronunciamento.

Entendo.

Querida, gostaria que você passasse algum tempo com Cecile.

Ela poderia aprender muito com você.

Quero que comece esse casamento tão inocente quanto ela é

e tão sábia quanto você é.

Fico lisonjeada.

Cecile.

Vê como seguro meu lequê?

Sim.

- Visconde. - Madame.

Mademoiselle.

Não vai me apresentar a sua encantadora amiga?

Cecile, se permitir que sua mão seja segurada por muito tempo...

os homens vão entender isso como um sinal de encorajamento.

É sua primeira ópera, mademoiselle?

Devo responder?

Se você responder...

um homem pode entender como um convite.

Se não responder, um cavalheiro saberá que deve ir embora.

Então o que devo fazer?

O que você quer fazer?

Sim, esta é minha primeira ópera.

- Nunca estive em uma. - Você canta?

Monsieur de Valmont, posso ter uma palavrinha com o senhor?

Aquela jovem é filha de minha prima

Madame de Volanges.

Ele está prestes a se casar, e está sob minha proteção.

Portanto, fique longe dela.

Quanto anos você disse que ela tem?

Quinze, seu monstro.

Só queria que você soubesse que vou deixar Paris por um tempo.

Aonde está indo?

Quer mesmo saber?

Se quiser me contar.

Vou visitar minha velha tia.

Sua velha tia.

Minha velha tia, sim.

Qual a idade de sua velha tia?

Você a conhece. Madame de Rosemonde.

Madame de Rosemonde ainda está viva?

Se cansar de bancar a dama de companhia, sabe onde me encontrar.

E se vier, ficarei muito feliz.

Muito feliz.

Lembranças a Madame de Rosemonde.

Quem era aquele?

Cecile, aquele homem é muito ruim para a reputação de uma jovem.

Sua mãe nem deve saber que ele estava em nosso camarote.

Ele é seu amante?

Cecile...

Não se faz perguntas assim.

Certamente não para uma viúva.

Viúvas não têm amantes?

Não, não têm.

Mais.

Mais?

Eu quero mais.

Então

talvez tenha que arrumar outro amante.

Não.

Estou muito feliz com o que tenho.

Ainda não se entediou?

Inexplicavelmente entediada.

Quando vou lhe ver novamente?

Segunda?

Segunda não posso.

- Terça? - Terça...

Receio que não.

Quarta?

Eu te aviso.

Está se encontrando com mais alguém?

É claro que não.

Não, é Lá na mão direita, não Si-bemol.

- Madame! - Não. Não pare.

Este é...

Perdão.

- Chevalier de Danceny. - Sim, Danceny.

Ele está me dando aulas de música.

- Nervosa? - Madame, sinta meu coração.

Não seja boba. Todos vão adorar.

Não é isso.

É meu marido, meu noivo.

Sei que ele vai estar lá. Sei que minha mãe o convidou.

Pode tentar descobrir quem é ele?

Por favor?

Minha querida.

Cecile está tão nervosa. Pobrezinha.

Ela acredita que o noivo está aqui. Está?

Viu? Como ela sabe disso? Ela é tão esperta.

- Não disse nada a ela. - Qual deles é?

- Vai manter segredo? - Claro.

Venha. Vou lhe apresentar, mas...

Por que ele é tão misterioso?

Acho que ele tem uma amante, e está tendo problemas para se livrar dela.

Disseram que ela é uma...

Entendo.

Monsieur de Gercourt, posso lhe apresentar a Madame de Merteuil?

Vocês dois se conhecem?

Conhecemos?

Se você se lembra que sim, madame

sua memória deve ser melhor do que a minha.

Então suponho que não.

Não poderia ter feito escolha melhor, querida.

"Um cavaleiro passando pela clareira"

"Encontrou uma linda moça"

"E com o sol brilhando"

"Ele cortejou a bela dama"

"'Senhor, siga seu caminho' disse a donzela"

"'Meu senhor chegou hoje para me tomar como noiva"

"'Existem outras, outras rosas"

"'Deixe-me para meu senhor e parta'"

"Ele não acreditou que fosse verdade"

"Jurou que ganharia a moça"

"Mas o senhor veio e matou"

"O cavaleiro e a bela dama"

"Amigos, apesar de sua rosa ser tão bela..."

Ela é tão adorável.

Não consigo nem sentir ciúmes.

Desejo a vocês toda a felicidade do mundo.

Obrigado.

Adorável.

Ela está...

apenas repousando, senhor.

- Devo... - Não.

Vamos para fora.

É minha vez?

Lembra de mim?

É claro.

- Refresque minha memória. - Sou Madame de Merteuil.

É claro que é, querida.

- Acabei de chegar. - Eu sei.

Onde está minha mesa?

Onde estão todos?

Senhor.

Ali está ela.

Empurre.

Posso lhe convidar para um passeio?

Não, não pode.

- Por que não? - Não sei nadar.

Eu também não.

Não. Meu marido nunca me perdoaria se eu me afogasse.

- Onde está seu marido, madame? - Em Rouen.

- Vocês moram em Rouen? - Não. Moramos em Paris.

Meu marido é juiz e tem um importante caso em Rouen.

Ama seu marido, madame?

Sim, muito.

- Então por que não está com ele? - Porque visito minha tia.

Além do que, quando trabalha em casos importantes, ele prefere ficar só.

- Trabalha muito em casos importantes? - Sim, muito.

- Então deve ser uma mulher excepcional. - Não, é que...

- Não sou excepcional. Por quê? - Por amar um marido sempre ausente.

- É casado, Monsieur de Valmont? - Não.

Estou apaixonado.

- Está apaixonado. - Sim.

- Então por que não está com ela? - Estou com ela.

Estou falando com ela agora mesmo.

- Não deveria ter dito isso. - Por quê? É errado se apaixonar?

Não, contanto que o sentimento seja mútuo e legítimo.

Isso significa que não me ama?

Claro que não o amo.

Não faça isso!

Monsieur de Valmont!

Monsieur de Valmont, por favor!

Não faça isso. Me assustou.

Que importa se eu me afogar? Você não me ama.

Às vezes, meus amigos dizem que sou ingênua, mas...

não sou boba a ponto não ver o que você quer.

É? O que eu quero?

Se não parar de falar assim, não podemos ser amigos.

Tudo o que quero é estar perto de você

e ouvir você repetindo que não me ama de jeito nenhum.

Não.

Não sou esperta o bastante para conversar com você.

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Socorro! Socorro!

Visconde.

O que aconteceu?

Um acidente.

Então você veio.

Obrigado, Azolan. Não preciso de você.

Sim, ele precisa.

Prepare suas roupas de viagem e empacote o resto.

- Vamos para Paris. - Espere.

Espere.

- Por quê? - Preciso de você em Paris

muito.

Pode ir.

O que é?

Lembra da minha priminha, da ópera?

Sim.

- Lembra que ela ia se casar? - Sim.

Adivinhe com quem.

Como posso adivinhar?

Monsieur de Gercourt.

Aonde me encaixo?

Você é o único que pode me ajudar.

Quer que eu o desafie para um duelo?

Visconde, para o que tenho em mente

preciso de você bem vivo.

Sabe, pequena Cecile...

Ela me lembra tanto de mim mesma quando eu tinha 15 anos.

Ela é tão ingênua, inocente

pura.

Sim?

Quero que você dê um fim nisso.

Quero que você tire a virgindade dela.

Quero que Gercourt descubra em sua noite de núpcias

que ele não chegou primeiro.

Quero que ele seja motivo de chacota em Paris.

Quer que eu seduza uma garotinha

que não viu nada

que não sabe de nada

que provavelmente cai no chão sozinha?

Não precisa de mim. Qualquer um pode fazer isso.

Achei que gostasse dela. Pensei que estava lhe fazendo um favor.

Além disso, não posso ir a Paris agora.

- Por quê? - O ar aqui está tão fresco.

E os pássaros cantam. Nunca se ouve os pássaros em Paris.

Quem é ela?

Posso mudar de assunto, madame?

Mude o que quiser, querida.

Ama o seu marido?

Sim.

Sim, eu o amo muito.

Então por que está aqui?

Por que não está com ele?

Receio que a Marquesa e eu temos a mesma curiosidade banal.

Parece que o marido de Madame de Tourvel prefere ficar sozinho quando trabalha.

Os homens sempre dizem que preferem ficar sozinhos, mas amo meu marido.

Então, vou aonde ele vai.

- Por amor? - E por que mais?

Medo, talvez?

Medo? De quê?

- De que possa ficar tentada. - Quer dizer, que eu fique tentado.

Silêncio, meu amor.

Está insinuando que eu possa ser infiel a meu marido?

Não agora, mas, se estivesse sozinha...

Monsieur de Valmont, o senhor não entende as mulheres.

Está certa.

Se uma mulher quer um pouco de aventura, não precisa estar sozinha.

Ela pode fazer isso bem embaixo do nariz do marido.

Não é verdade, madame?

Não foi isso que eu quis dizer, madame.

Monsieur de Valmont, eu sei que algumas mulheres podem ser fracas

mas

acredite, existem mulheres que sempre serão verdadeiras.

Disparate!

Uma mulher verdadeira é uma contradição em termos.

Nem sempre.

Acredito que algumas mulheres permanecem verdadeiras.

Eu as acho fascinantes.

Os homens geralmente acham.

Percebi isso.

Por quê?

Porque os homens estão sempre correndo atrás de suas visões.

Eles querem que sejamos anjos.

Mas na cama, querem que sejamos demônios.

Sim, de fato.

Mas sempre vem a surpresa pela manhã

quando você acorda nos braços de uma mulher normal.

Concorda, Visconde?

Acreditei nisso por um bom tempo.

- E não acredita mais? - Não.

Me parece, Visconde, que acredita em uma coisa em Paris

e em outra no interior.

Talvez acredite em uma coisa quando estou apaixonado e em outra quando não estou.

É algo em que tenho pensado durante a tarde inteira.

Se pudesse escolher entre todas as damas presentes

nos braços de qual passaria a noite?

Não. Isso não é justo com Monsieur de Valmont.

A questão é

qual das damas gostaria de passar a noite com ele?

Todas gostaríamos?

Eu não.

Eu não.

Não acho que a pergunta mereça ser respondida.

Suponho que só sobrou eu.

- Boa noite. - Boa noite.

Valmont...

Você me desaponta.

É isso o que o mantém aqui? Diga-me.

Está mesmo ficando apaixonado?

Isso te deixaria com ciúmes?

Na verdade, não.

- Por que não? - Porque está perdendo seu tempo.

- Eu não acho. - Nunca a terá.

O que você quer apostar?

O que quiser.

Você.

Seu corpo.

E se você perder?

O que quiser.

Eu quero que você

se tranque em um mosteiro, passe cinzas no corpo

e se arrependa de todos os seus pecados.

Aceito.

Boa noite, meu pequeno monge.

Receio que ficará muito solitário.

Lembre-se de mim em suas orações.

Fico pensando em uma coisa que você disse no jantar.

Disse tantas coisas.

Tinha a ver com o nariz do seu marido.

E eu achei que você não estivesse interessado.

Onde esteve? Procurei por você desesperadamente.

- O que aconteceu? - É horrível.

- É Cecile. - O quê?

Venha.

Eu lhe mostrei o cabinete que dei à Cecile?

É uma peça exótica.

Eu disse a ela, "Você pode trancar todos os seus segredos aí dentro".

Sabe o que ela disse?

"Mamãe, você sabe que nunca vai ficar trancado."

Não é a coisa mais doce que uma filha pode dizer à mãe?

Sim.

Está trancado.

- Tenho uma cópia da chave, é claro. - É claro.

Então olhei lá dentro.

Sabe o que descobri?

Cartas de amor.

- Do... - Do miserável professor de música.

- Aquele menino? - Aquela cobra!

O que você fez?

Nada.

Cecile não sabe que eu li as cartas.

Não quero que saiba que eu tenho uma chave.

- O noivo dela sabe disso? - Claro que não.

Por que não me deixa falar com ela para ver o que descubro?

Sim?

Cecile.

Madame! Onde esteve? Fiquei com saudades.

Como você está linda!

Obrigada.

Temos que ir à ópera novamente qualquer dia desses.

Adoraria. Foi tão maravilhoso ver tudo aquilo.

E aqueles candelabros e a música.

Você deveria pedir a seu professor para lhe ensinar algumas canções da ópera.

Farei isso.

Está contente com seu professor de música?

Ele é excelente, e...

Sim?

Não posso lhe dizer.

Cecile

se formos ser amigas

devemos confiar completamente uma na outra.

Ele me escreve cartas.

Escreve?

Ele escreve tão bonito, madame.

O que ele diz?

Não sei, na verdade.

Ele tem todos esses sentimentos.

Ele está triste.

Tem anseios.

Você o ama, Cecile?

Não.

Devo responder a ele?

Se você não o ama

seria muito errado encorajá-lo.

Mas, madame, eu menti.

Eu menti para a senhora. Eu o amo. Estou tão apaixonada.

Não quero casar com meu marido, madame.

Ele é velho e feio.

Eu amo Danceny.

Por favor, madame, ajude-me. Não sei o que fazer.

Vamos escrever uma carta à Danceny.

Já escrevi uma.

Posso vê-la?

Você não está dizendo o que quer dizer a ele, Cecile.

Pegue sua pena.

- Como você o chama? - Chevalier.

Querido Chevalier...

Seu amor me dá coragem para seguir meu coração.

Anseio por encontrá-lo em algum lugar

onde finalmente possamos ficar a sós.

Nosso maior obstáculo é minha mãe.

- Então? - Não há com que se preocupar.

Você acha?

Você não vai acreditar como é tudo tão inocente.

Sério?

Por exemplo, sabe como as cartas são trocadas?

- Como? - Mas por favor

Cecile não pode saber que eu lhe contei.

Querida.

Eles as colocam nas cordas da harpa.

"Lamente o destino de uma bela donzela"

"Vagando com medo pelos campos e bosques"

"É inútil gastar todas as suas energias"

"Ou fugir quando um pastor se aproxima"

"Se à noite, enquanto retorna para casa"

"Aquele que a viu então aparecer"

"Ela deve se render a meus poderes mágicos"

"Não pode ter esperanças de manter sua flor em segurança"

"Não importa o quanto ela tente"

"Sou um grande mago, um mago sou"

"Sou um grande mago, um mago sou"

Quando praticar, mademoiselle, tem que tomar cuidado com esta passagem.

É...

Um-dois-três.

Seu ritmo está tremendo um pouco.

Tem que tentar mantê-lo firme.

Sua filha é uma aluna maravilhosa, madame.

Retire a capa, Emile.

Por que, mamãe?

O que é isso?

O que é isso?

Não sei.

É uma carta, madame.

Uma carta que escrevi a sua filha.

Ela não sabe de nada. Ela diz a verdade.

Fico feliz em ouvir isso, pelo menos.

Espere por mim aqui, sim, meu jovem? Venha, Cecile.

Venha.

Sente-se.

Agora me diga a verdade.

Você sabia da carta, não sabia?

Não. Juro que não sabia.

- Essa é a primeira carta que ele escreveu? - Sim.

Então por que está trancando seu cabinete?

Está trancado?

Me dê a chave.

Não sei onde está.

Está pendurada no seu pescoço.

Desculpe, mamãe.

Perdoe-me. Por favor. Desculpe.

Por favor, mamãe, perdoe-me.

Madame...

Jovem, você abusou da minha hospitalidade

e da inocência da minha criança.

Nunca será admitido nesta casa novamente.

Aqui estão as cartas que teve a audácia de dar à minha filha.

Quero que me envie as cartas que ela lhe escreveu e quero isso hoje.

- Pode ir. - Mas, madame...

Não quero ser obrigada a chamar meu empregado.

Madame, só quero que saiba que nunca abusei de sua hospitalidade

e nunca devolverei as cartas que Cecile me escreveu.

Nelas, ele abriu seu coração para mim, não para você.

Não trairei a confiança dela.

Isso significa mais para mim do que toda a sua raiva.

Adeus.

Não!

Chevalier!

Lenbra-se de mim?

Tenho uma carta de Cecile para você.

Minha querida Cecile

ficar a sós com você é meu maior desejo.

E Madame de Merteuil

bolou um plano para nos encontrarmos.

Ela vai explicar todos os detalhes a você.

Vou convidar você e sua mãe para a ópera.

Mas mamãe me proibiu até de sair de casa por duas semanas.

Precisamente.

É por isso que você vai recusar meu convite

como uma boa menina

para que sua mãe não suspeite de nada.

Entendeu?

Sim.

Então, quando sua mãe e eu

estivermos saindo para a ópera

você virá correndo e dirá...

Mamãe!

Mamãe, posso ir com você?

Por favor? Eu prometo... mamãe.

Deixe-me ir com você! Por favor! Eu quero ir tanto!

Por favor?

Meu anjo, não pense que não te amo, mas sei muito bem o que você fez

então pare de agir como uma criança e volte para seu quarto.

Aqui está seu vestido.

Vamos trocar de roupa primeiro.

Por quê?

Porque quero que fique linda. Você não?

Quer que eu vista isso?

Madame de Merteuil fez especialmente para você.

Verdade?

Quem mora aqui?

Ninguém.

Tome um gole, mademoiselle.

Madame de Merteuil tem um gosto tão exótico.

Minhas pernas estão aparecendo.

Elas são tão belas.

Mademoiselle, você está deslumbrante!

Mademoiselle, percebe que nunca ficamos sozinhos antes?

Sim.

Por favor, leia agora.

Chevalier, isto é um poema.

Não. É uma canção que você conhece. Eu só escrevi uma nova letra.

Você fica. Fica.

- Qual o problema? - Não consigo ficar quieta.

Fico pensando em Cecile.

Partiu meu coração vê-la sofrendo tanto.

Tenho que ir para casa. Você fica.

"Amor"

"Se vier para mim"

"Serei fiel a ti"

"Dois amantes fiéis somos nós..."

Não. Está cometendo o mesmo erro de novo.

É Lá na mão direita, não Si-bemol.

É uma canção longa, Chevalier?

Tem mais 12 versos.

Então?

Que idiota!

"Amor"

"Flores brotam em meu coração..."

Desculpe interromper. Cecile tem que ir.

Cecile, vista-se.

- Por quê? - Vista-se.

- Sua mãe está indo para casa. - Meu Deus!

- Não entre em pânico, mas temos que nos apressar. -Madame.

- Podemos confiar em sua empregada? - Madame!

Sua mãe vai interrogá-la.

- Sim? - Queremos nos casar.

- É verdade? - Sim, é.

É?

Acho que sim.

Vai nos ajudar, por favor?

Isso é hora de discutir casamento?

Cecile!

- Martine! - Sim, madame?

Aonde está Cecile?

Cecile?

Ela está

ela foi...

Aonde está ela?

Esteve em seu posto a noite toda?

Sim, madame.

- Alguém entrou? - Não, madame.

Martine.

Sim, madame?

Ela foi ver aquele professor de música?

Não sei, madame. Ela não fala mais comigo.

Ela só fala com Madame de Merteuil agora.

E ela...

Ela...

Emile.

Mamãe. Perdoe-me, por favor.

Eu queria tanto estar com você!

Querida, não seja tão dura com ela. Ela está tão arrependida.

- Mamãe. - Cecile.

Claro que te perdoo.

Por favor, mamãe. Desculpe.

Perdão, por favor!

Talvez

eu apenas não a compreenda.

Você acha que ela está preparada para casar?

É claro que está.

Eu até pensei

em mandá-la de volta ao convento.

Não.

Não.

Eu a tiraria de Paris por um tempo.

Se quiser, eu posso levá-la ao interior.

Não é fácil encontrá-la.

Tenho uma surpresa para você.

Monsieur de Valmont

tenho que lhe falar.

- Conheço um lugar. Mê dê sua mão. - Não.

Não.

Por que nunca me disse?

- O quê? - Que é uma arqueira tão brilhante.

- O que está falando? - Vou lhe mostrar. Mê dê sua mão.

Sou uma arqueira brilhante?

Você verá. Vamos.

Azolan.

O que está esperando?

Bons meninos.

Aqui, senhor.

- Mas nunca atirei uma flecha na vida. - Ponha sua mão aqui

e sua outra mão aqui.

Isso.

- Pronta? - Sim.

Agora solte.

Que tiro!

Sabia que tinha razão.

Você é uma brilhante arqueira.

Agora, se você pegasse esta moeda

e jogasse no mato, o que acha que aconteceria?

- Posso ler uma coisa para você? - Sim.

Esta carta é de uma grande amiga minha.

"Toda a sua vida, Monsieur de Valmont foi e é..."

"... um mestre consagrado da arte da sedução."

"Centenas de mulheres, e não estou exagerando, madame..."

"... pagaram por isso."

"Ele encantou suas incontáveis vítimas..."

"... planejando cada gesto, cada palavra, cada sorriso..."

"... em um esquema sangue frio..."

"... que só tinha um propósito sujo:"

"destruir a honra da mulher."

Isso é verdade?

Quem escreveu isso?

É verdade?

Monsieur de Valmont, não perca seu tempo comigo.

Eu não sou, e nunca serei, uma dessas mulheres.

Eu sei disso.

Então, por que continua tentando?

Nem eu sei.

Visconde.

Posso oferecer uma carona?

Veja quem trouxe comigo.

- Você se lembra de minha prima. - Boa tarde.

Quer se juntar a nós?

Ataque!

Defesa.

Ataque!

Defesa.

Ataque.

Defesa.

Próximo.

Próximo

- Qual o seu nome, jovem? - Chevalier de Danceny.

Belo pulso. Fico contente que queira se juntar a meu regimento.

Não quero, senhor.

Próximo.

Que pena que ele não tem filhos.

As crianças adoram meu sobrinho.

Não sou criança!

É claro que não. Você é um cavaleiro defendendo a honra desta donzela.

Ataque!

Madame?

Conhece Monsieur de Valmont há muito tempo, não conhece?

Sim. Há muito tempo.

Que tipo de homem ele é?

Ele é...

Se eu tivesse um irmão, queria que fosse igual a Valmont.

Acha que um homem pode mudar?

Quantos anos você tem?

22.

Posso lhe dar um conselho?

Sim.

Acho que deve sair daqui, madame.

Acho que deve se juntar a seu marido.

Por que diz isso?

Está apaixonada por Monsieur de Valmont?

Certamente que não.

Isso é bom.

Desculpe. Sinto muito.

Porque ele está apaixonado por você, sabia?

Estou morrendo.

Estou morrendo. Perdoe meus pecados. Tenha misericórdia!

- Estou morrendo. Perdoe-me! - Ele está morto! Eu o matei.

Eu venci!

Boa noite, meus queridos.

- Boa noite. - Boa noite.

Não reconheço você. Olhe para ela.

Como pode resistir a isso?

Por favor, não comece com isso de novo.

Como está indo com a pequena Tourvel?

Quer cancelar nossa aposta?

Certamente que não.

- Não está ficando sério demais? - Do que está falando?

De amor, meu anjo.

Do que mais?

Tenho que escrever uma carta para Danceny.

Tudo bem.

Tudo bem. Você não tem que guardar segredos dele.

Ele é nosso amigo.

Você poderia ler depois que eu terminar e me dizer se está tudo certo?

Por que não pergunta à Monsieur de Valmont?

Ele sabe o que os homens gostam de ouvir.

Poderia, monsieur?

Claro que ele pode. Agora suba e comece sua carta.

- Ele já vai subir para te ajudar. - Tudo bem.

Você nunca para, não é?

Tudo o que estou pedindo é que ajude a pobre criança a escrever uma carta.

Monsieur de Valmont.

- Posso lhe falar um momento? - É claro.

Entre.

- Sente-se, por favor. - Monsieur de Valmont?

- Sim? - Não, por favor não me interrompa.

Eu nunca lhe diria o que fazer

mas...

Por favor...

Vá embora.

Por favor, vá embora.

Sei que sou eu que devo ir embora.

Sei que é meu dever, mas não tenho força.

Não posso continuar assim.

Quando sento, você senta ao meu lado. Quando falo, você responde.

Fico com vergonha em sua companhia, e todo mundo vê.

Mas quando...

quando estou só...

Por favor, vá embora. Eu imploro.

Por favor.

Por favor, vá.

É isso o que você quer?

Você quer que eu diga

que não quero que você se vá?

Não posso dizer isso. Não posso!

Não!

Certo. Vamos ver o que você tem.

Não.

Isso não é maneira de escrever uma carta de amor.

Pegue uma outra folha.

Querida madame...

Monsieur le Chevalier.

Errei em lhe dar meu coração?

- "Errei" com dois "Rs"? - Dois "Rs, " sim.

Por que sinto

agora que não estou mais com você

que te amo

ainda mais?

Por que sou assombrado por seu rosto

a cada minuto acordado

e a cada minuto dormido

de minhas noites?

Falei para parar de escrever?

Não.

Então continue.

Desde que lhe conheci, não consigo pensar em mais ninguém.

Sei que me ama

e rezo para que seu amor dure.

Se tivéssemos outro momento a sós

sei que me pegaria em seus braços

e anseio por estar com você.

Anseio por estar com você.

Você é surda?

Não.

Então continue escrevendo.

Anseio por compartilhar

todos aqueles momentos doces.

Agora

apenas sonho com eles.

E quanto mais tempo fico sem você

mais vivos meus sonhos se tornam.

Apenas espero

que pense em mim

com a mesma paixão que sinto por você.

Você tem uma melhor maneira de dizer?

Não.

Então?

Um dia

estaremos juntos

e conheceremos as alegrias do amor.

E não existe homem

não existe

deus

que possa impedir isso.

Agora tenho que parar de escrever.

Fecho meus olhos

e você está aqui comigo.

O castelo está silencioso

e eu estou muito feliz.

Eu te amo.

Eu te amo.

Meu Deus. O que aconteceu?

Algo horrível aconteceu, madame.

Algo...

O quê?

Não sei dizer. Tudo aconteceu...

Monsieur de Valmont queria que eu escrevesse

então estava escrevendo uma carta.

E?

Você sabe.

Monsieur de Valmont é um belo escritor, não é?

Acredite, madame.

Eu ficava dizendo não.

Mas continuava fazendo o que ele queria que eu fizesse.

Mas eu não o amo, madame.

De verdade, não amo.

Houve momentos em que

senti como se amasse.

Se minha mãe descobrisse isso...

Cecile.

Você não é mais uma garotinha.

Sim.

Sua mãe não deve saber disso nunca.

Mas ela quer que eu me case com Monsieur de Gercourt.

E?

Você se casa com Monsieur de Gercourt.

Mas eu amo Danceny.

Danceny será seu amante.

Você se casará com Gercourt

e terá Danceny como amante.

Entendeu?

Não.

Não se casa com o amante.

Não?

Desculpe.

Devo parecer tão estúpida para a senhora, madame.

Não.

Você é a primeira pessoa que...

Ninguém nunca falou sobre essas coisas comigo antes.

Eu te amo, Cecile.

Eu te amo também, madame.

Gostou do que fez com Monsieur de Valmont?

Então não tem nada com que se preocupar, Cecile.

Bom dia, madame.

Onde estão todos?

Por que estão todos atrasados?

Lembra-se de mim?

Madame de Volanges.

Eu sei.

Eu vim de Paris.

Por quê?

Vim para levar minha filha para casa.

Você sabe. Cecile.

Ela é tão fofinha. Nós todos a adoramos.

Sim?

Cecile!

Mamãe.

Bom dia, senhoras.

Madame, que surpresa encantadora.

Marquesa.

Mademoiselle, deixe-nos ver suas mãos.

Chama isso de limpas?

Vá. Rápido.

Estamos tão apaixonadas por sua filha. Ela é um tesouro.

- Você deve ter muito orgulho. - Certamente que sim, monsieur.

Eu hesitaria em casá-la com um homem que ela não ama.

- Perdão? - Acho que ficaria com vergonha.

Acho que sei o que é melhor para a felicidade de minha filha, monsieur.

Mas não consegue ver que ela está apaixonada por outro homem?

Você está...

- Está falando do professor de harpa? - Sim.

Está sugerindo que Cecile deve se casar com aquele menino?

Exatamente.

Está perdendo a consciência?

Não se pode construir um casamento duradouro

nas fantasias de uma menina de 15 anos.

Por que não?

Olhe à sua volta.

Olhe para todas as tragédias causadas pela ilusão do amor.

É tão trágico como quando uma mãe destrói a vida de sua filha.

Visconde, você não entende nada de casamentos arranjados.

Nunca nem foi casado.

Esses laços geralmente são muito fortes.

E você ficaria surpreso. Eles geralmente levam à verdadeira felicidade.

Minha doce menina.

Se eu entendi direito o que essas pessoas estão dizendo

você tem um dilema.

- Tenho? - Diga-me, se pudesse escolher

você preferiria se casar com Monsieur de...

- Gercourt. - Exato. Gercourt.

Ou com o outro

aquele da harpa?

Eu faria o que mamãe quisesse.

Mas não é isso o que minha tia está perguntando. Esqueça a mamãe.

Se tivesse escolha, quem você escolheria? Você, só você.

Acho que me casaria com Monsieur de Gercourt

e teria Monsieur de Danceny como amante?

E mamãe teria um grande escândalo em suas mãos.

Então o dilema está resolvido.

Vamos comer.

Não vamos esperar Madame de Tourvel?

Madame quem? Sim, é claro. Madame de Tourvel.

Ela voltou para Paris esta manhã.

Não sei porque.

Foi tudo tão inesperado

e ela estava em tal estado.

Tive dificuldades em voltar a dormir depois que nos despedimos.

O que ele disse?

Não sei! Sou surda deste ouvido.

Não diga a ninguém que voltei.

Durma.

Durma.

Deixe-me ficar aqui e olhar para você.

Noite após noite, tinha que fechar meus olhos para ver seu rosto.

- Prefere que eu fique quieta? - Não.

Quer que lhe traga um pouco de leite?

Uma taça de vinho?

O que você quer? Diga-me.

Seu cavalo está no estábulo.

Diga alguma coisa.

Qualquer coisa. Quero ouvir sua voz.

Quando seu marido retorna?

Isso não importa mais.

Escrevi uma carta para ele enquanto você dormia.

Disse tudo.

- Posso ver a carta? - Já foi. Não podia esperar.

Não. Não se mexa.

Vou preparar algo para você.

Vou esperar por você.

Quero te servir.

"Minha querida..."

"... sinto tanta ternura por você..."

"... que não posso olhar para você quando descobrir a verdade."

"Você estava certa."

"Por alguns momentos ilusórios, pensei que poderia mudar."

"Agora sei que não posso."

"Desejo que encontre outro amante..."

"... um que a mereça..."

"... e agradeço por aquilo que me deu."

Visconde!

Nem tive a chance de agradecer pela bondade que mostrou a Cecile.

- Foi um prazer. - Não.

O prazer foi meu.

Marquesa.

Você perdeu a aposta.

Não.

Sim.

Estou muito impressionada.

Como foi?

Maravilhoso.

Melhor do que Cecile?

Sim.

Melhor do que eu?

Ninguém se compara a você.

Isso é verdade.

Na verdade, não podia esperar para ganhar minha recompensa.

- Que recompensa? - Esqueceu nossa aposta?

- Valmont, foi apenas uma piada. - Não para mim.

Por favor!

Você se trancaria em um mosteiro se tivesse perdido?

- Mas não perdi. - Mas se perdesse.

Se. Isso não é nem uma questão.

É sim. Imagine que você perdeu.

- Mas eu ganhei. - lmagine!

Não tente mudar de assunto.

E eu sou algo que alguém ganha em uma aposta?

Sim. Porque você aceitou.

Eu sei. Você ganhou, mas se tivesse perdido...

- Mas não perdi! - Eu sei, pelo amor amor de Deus.

O que você está dizendo? Eu ganhei, e tenho direito de recolher meu prêmio!

Agora você está parecendo um marido.

Quer saber porque eu nunca casei de novo?

Para que ninguém pudesse dizer que tem qualquer direito sobre mim.

Está confundindo apostas e casamentos, madame.

É preciso honrar uma aposta.

Você não me quer?

Você teve sua chance.

Sim?

Obrigada, Victoire.

Desculpe, mas você tem que sair agora.

Mostre-me a carta.

- Visconde. - Mostre-me a carta.

Certamente.

Aqui está.

Isto é uma declaração de guerra?

Se assim quiser.

- Monsieur de Valmont? - Sim.

Sou Chevalier de Danceny.

Senhor, estou infinitamente grato por me trazer a carta de Cecile.

Seria bondoso o bastante para levar minha resposta?

É importante que eu tenha uma resposta o mais rápido possível.

Vou entregar pessoalmente.

Monsieur de Valmont.

Devo anunciá-lo?

Eu me anunciarei.

- Quem está aí? - Valmont.

Diz que quer morrer por mim.

Parece que ele te ama.

Está me perguntando se deve desafiar Monsieur de Gercourt para um duelo.

Você ainda o ama?

Acredite, senhor, tenho tentado não amá-lo.

Rezo a Deus o tempo todo para me fazer esquecê-lo.

Mas como rezo o tempo todo

penso nele o tempo todo.

Então você só tem uma escolha.

Qual?

- Temos que escrever outra carta a Danceny. -Sim.

Mas...

Nós só vamos escrever, não é, senhor?

Sim.

Sim, só vamos escrever.

Obrigada.

Acredito que a única maneira de evitarmos esse casamento

é fugirmos juntos agora.

É?

Sim, é.

Mas a perspectiva de uma vida em um país estrangeiro

me assusta.

Sim, assusta.

- Quem é? - Sou eu, querida.

Tenho alguém comigo.

Não vou perturbá-la muito tempo.

Só um minuto, mamãe.

É bondade sua fazer isso.

Discuti os preparativos do casamento com ela

mas deixei o pronunciamento final para você, é lógico.

Sim, mamãe.

Mademoiselle.

Espero que este pequeno presente lhe agrade.

Obrigada.

- Posso abrir? - Por favor, abra.

É lindo!

Obrigada. Veja, mamãe.

Ficará contente em saber que nosso casamento

será celebrado na capela real, com o próprio rei entre os presentes.

Damas, foi um prazer.

Obrigada, querido.

Você ouviu isso do rei?

Então este é o fim de Danceny?

Não.

Acho que devo ser firme comigo mesma agora

não devo?

Deve.

Onde estávamos?

"Mas a perspectiva de uma vida em um país estrangeiro me assusta."

Por outro lado...

"Madame de Merteuil acha que devo me casar com Gercourt..."

"... e ter você com amante."

"Você acha que esse é um bom conselho? E você aceitaria?"

O que é?

Obrigado, senhor.

Não poderia agradecê-lo o suficiente.

- Sim? -Madame, Chevalier de Danceny está chamando.

Leve-o para o salão.

Chevalier.

Estava pensando em você. Temos muito o que conversar.

Quero mandar uma carta para Cecile, madame.

Sem dúvida. Ficarei feliz em ajudá-lo. Sente-se.

Não, madame. Sente-se.

A senhora escreve e eu dito.

Será sua carta para Cecile.

Minha carta?

Interessante. Nunca tentamos isso.

Estou pronta.

Querida Cecile.

Devo me desculpar pelo conselho que lhe dei.

Jovem

esse não é meu estilo. Me desculpe.

Continue escrevendo.

Se realmente ama seu Danceny

tanto quanto acredito que ama

então seria um crime se casar com outro alguém.

Está ótimo.

Está ótimo, mas...

Posso fazer uma pergunta?

Sim.

Quantos anos você tem?

Tenho 17.

Por que quer ser um marido

quando pode ser um amante?

Continue escrevendo.

Por que não deixa toda a chatice do casamento com Gercourt

e fica com a emoção do amor para você?

- Continue escrevendo, eu disse. - Vou continuar.

Mas...

você realmente se julga capaz de me matar?

O quê?

Senhor, venha rápido e olhe pela janela.

Deixei bem claro que o senhor não estava, mas ela ainda está lá.

O que quer que eu faça?

Por que veio?

O que acha que vai descobrir aqui?

Que você me ama.

Quer que eu minta para você?

Sim.

Onde está ela?

Ela saiu.

Ela me acordou. Ainda estava escuro.

- Ela disse alguma coisa? - Não.

Não estou para ninguém.

É Monsieur de Valmont.

Leve-o ao salão.

Deve ter muita coragem, Visconde

de vir aqui depois de mandar

aquele professor de harpa lunático para me matar.

Peço desculpas por isso.

Foi uma tolice.

Me sinto horrível.

Está surpreso?

Você é um homem horrível.

Acha que um homem pode mudar?

Sim.

Para pior.

Acho que você é tão horrível quanto eu.

Sou.

É por isso que nunca devemos ser inimigos.

Devemos sempre ser amigos

bons amigos.

- Mais do que isso. - Amantes?

Mais ainda.

Você não está propondo casamento?

E se estivesse?

Mas isso é maravilhoso.

Maravilhoso.

Diga-me.

Qual de nós vai trair o outro primeiro, desta vez?

Desculpe.

Senti tanto a sua falta.

Ainda te amo, sabia?

Não é solitário quando não há ninguém para compartilhar os segredos?

Sou sim.

Quer compartilhar meu mais novo segredo?

Sim.

Venha.

Expliquei a Monsieur de Danceny

que Cecile perdeu a virgindade em seus braços

mas ele não acreditou.

Então, já que você está aqui

se importaria em contar a ele pessoalmente?

Eu quero isso.

- Mas o mesmo dinheiro... - Não! Isso!

Sim, senhor.

Desculpe, monsieur. Madame de Volanges...

- O quê? - Não posso deixá-lo entrar, monsieur.

Ordens estritas.

Não.

Não, monsieur, é sério. Posso perder meu emprego.

- Quem é? - É Valmont.

Estamos partindo agora.

Temos que ir agora. Neste minuto.

Ninguem deve lhe reconhecer. Estamos viajando juntos como dois homens.

Entendeu? Vamos como dois homens. Disfarçados.

E Danceny já está esperando.

Ele está no interior. É muito longe.

- Temos que ir agora, neste minuto. - Não, ele não está.

Sim, ele está.

Não está.

Visconde.

Achei que era hora de Cecile conhecer a verdade.

Monsieur de Valmont, vai deixar esta casa imediatamente.

Monsieur de Valmont?

Sou Baron de Segur, e este é Chevalier de Malpoix.

Chevalier de Danceny lhe espera ao raiar de amanhã neste local.

Somos as testemunhas dele. Contamos com sua discrição.

Encontrarei-o lá.

Você!

Sim, você.

E ele.

Ele!

E ele!

Sente!

Sente!

Bom menino.

Senhor.

Senhor, tem certeza que está disposto para um duelo?

Senhor.

Cavalheiros.

Senhor, onde estão suas testemunhas?

Monsieur le Duc, quer se aproximar por favor?

Monsieur le Baron.

Apresse-se. Vamos, não tenha medo.

Apresse-se.

Senhor.

Seria vergonhoso para mim combatê-lo nessas condições.

E o que faremos, mandamos buscar nossas harpas?

Se me oferecer suas desculpas, ficarei feliz em perdoá-lo.

Minhas desculpas?

Quer minhas desculpas?

Depois de tudo o que fiz a você

nunca me perdoará.

Você.

Defenda-se.

Madame.

Madame, posso lhe contar um segredo?

Um segredo que nunca contei a ninguém.

Sim, minha criança.

Acho que estou grávida.

Tenho certeza que estou.

É de...

Valmont?

Meu anjo.

Meu doce anjo.

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