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APROVEITE QUALQUER CHARLIE CHAPLIN
QUE VOC� TENHA A SORTE DE ENCONTRAR,
MAS N�O TENTE MOLD�-LOS EM ALGO TANG�VEL.
EXISTEM MUITOS DELE.
ESCRITOR E AMIGO
Dezembro de 1916.
A Society for Physical Research,
cujas publica��es incluem Fantasmas do Vivos
e A Personalidade Humana e sua Sobreviv�ncia � Morte Corporal,
relatou um fen�meno extraordin�rio.
O Sr. Charlie Chaplin, o comediante dos filmes,
foi visto em centenas de lugares...
simultaneamente.
'ONDA PS�QUICA' INVADE OS EUA
Do Atl�ntico ao Pac�fico,
Da fronteira canadense ao Golfo.
As pessoas esperavam para ver o Sr. Chaplin.
Na mesma hora, multid�es se reuniam em hot�is de todo o pa�s.
"Voc� est� com Chaplin-oia?", indagava um jornal.
Outros falavam da "febre Chaplin".
"Loucura Chaplin".
"Charlie-mania".
"Chaplinite", dizia uma manchete, "se espalhou pelos Estados Unidos."
S�sias, r�plicas e imitadores inundaram o mercado.
Competi��es de s�sias surgiram no mundo todo.
LIBERDADE
POL�CIA CONTROLA MULTID�O
Dizem que o pr�prio Chaplin entrou em uma competi��o...
e ficou em 20 lugar.
CUIDADO COM IMITADORES!
As pessoas exigiam saber...
quem era o verdadeiro Charlie Chaplin.
O VERDADEIRO CHARLIE CHAPLIN?
Quando pensamos no Charlie Chaplin,
imaginamos este homem.
Este � o momento em que ele surge na tela pela primeira vez.
E ele olha para n�s.
Ele reaparece pouco depois em outros filmes.
Aqui est� ele de novo.
E aqui.
E ele continua olhando para n�s.
Mas este n�o � o Charlie Chaplin.
Este homem n�o tem nome.
Ele n�o tem um endere�o fixo.
N�o tem fam�lia.
N�o existe num ponto fixo no espa�o nem no tempo.
N�o podemos encontr�-lo.
As �nicas constantes s�o o chap�u, a bengala, as botas e o bigode.
�s vezes s� o bigode.
Ent�o quem � ele?
Ele foi chamado de Homenzinho,
Carlitos,
o vagabundo.
Ele � um personagem interpretado por Charlie Chaplin.
Carlitos tornou Chaplin
mais famoso do que qualquer rei, rainha ou imperador.
Mais famoso do que qualquer fil�sofo, artista ou figura religiosa.
Famoso de uma maneira que ningu�m jamais foi.
Chaplin � Carlitos,
e Carlitos � Chaplin.
N�o d� para ver um...
sem olhar para o outro.
Eles contam a hist�ria um do outro.
Ent�o por onde come�amos?
MINHA AUTOBIOGRAFIA
� assim que o Chaplin come�a.
EU NASCI NO DIA 16 DE ABRIL DE 1889
1 DE JANEIRO DE 1889
O ano de 1889 come�ou com um eclipse total do Sol.
Naquele ano, a Torre Eiffel foi aberta para o p�blico.
Adolf Hitler nasceu.
Em Kyoto, a Nintendo foi fundada.
Eles faziam cartas.
Postes el�tricos foram instalados em Londres...
onde Jack, o Estripador, continuava � solta.
A pizza marguerita foi inventada.
Ainda estavam aprimorando o avi�o.
� assim que os filmes eram em 1889.
Esta � a grava��o de uma voz humana,
de um canto de p�ssaro,
de uma m�sica.
O filme cresceu com Chaplin.
CINEMA
Capturando as ruas de Londres em que ele caminhava quando crian�a.
As crian�as com quem ele brincava.
FUNERAIS BARATOS
Eu conheci Charlie quando ele era um garotinho.
Esta � a voz de Effie Wisdom...
ENTREVISTA FEITA POR KEVIN BROWNLOW, 1983
Eu brincava com ele na rua.
Em Lambeth Walk.
...gravada em fita quando ela tinha 92 anos.
Sra. Wisdom. 28 de fevereiro de 1983.
Eu sou a mais velha daqui.
Eu nasci em 1891.
Minha m�e teve 19 filhos. Dezenove!
Tinha-se muitos filhos na �poca.
As pessoas n�o tinham mais nada para fazer, n�?
N�o existia telefone nem televis�o, ent�o eles faziam sacanagem, n�o �?
Quanto de leite voc� quer? Fique � vontade.
Obrigado.
Conheci o Charlie quando eu tinha cinco anos, e ele, sete.
Minha tia morava em Kennington, ao lado da Sra. Chaplin e dos dois filhos dela.
Estou falando de antes da Primeira Guerra.
Antes de ele ir para a Am�rica.
Ele me chamava de prima.
Ele dizia: "Quando minha prima Effie vem?"
Claro que eu sentia pena dele. Ele s� usava roupas esfarrapadas.
Ele tinha um sotaque como o seu ou o sotaque dele era...
N�o, ele falava assim como eu. �, ele n�o pronunciava o H.
Voc� leu o livro do Charlie?
N�o, n�o li. N�o.
Veja s�. Me mostre isso.
� a� mesmo. Rua Fitzalan.
-Ao lado da f�brica de picles? -�. Tinha lixeiras do lado de fora.
Aqui est� ele.
� ele. � ele mesmo.
Como ele era?
Ele era um garotinho ador�vel, mas muito temperamental.
Muito, muito temperamental.
MEU PAI
-E este � o pai dele. -Sim.
O pai e a m�e trabalhavam no ramo do teatro.
MINHA M�E
O marido a deserdou.
Ele fugiu e a deixou. Foi embora com uma corista.
Eles a mandaram para um hosp�cio, sabe?
Claro que n�o tinha ningu�m para cuidar do Charlie.
N�o existia previd�ncia social naquela �poca.
N�o existia bolsa para crian�a, leite de gra�a. Nada.
ABRIGO
E este � o abrigo onde ele morava.
Isso.
� terr�vel a forma como aqueles meninos sofreram.
Alguma vez voc� os viu pedindo esmola na rua?
Sim.
Uma coisa eu digo: ele estava sempre com fome.
Mas o Charlie sempre foi engra�ado.
Ele vestia uma cal�a velha, um chap�u, um casaco e pegava uma bengala.
E todas as crian�as morriam de rir dele.
A primeira vez que eu vi o Charlie no palco
foi no Canterbury, na Rua Westminster Bridge.
Ele tinha uns 15 anos.
E todo mundo aplaudiu porque ele era muito engra�ado.
E Fred Karno o viu...
e ofereceu coloc�-lo em Mumming Birds.
Foi assim que ele come�ou.
N�o ganhavam muito dinheiro...
mas estavam sempre no topo das atra��es.
ANTES DO MEU SUCESSO
E, em 1910, ele foi me visitar e disse:
"Eu vou para a Am�rica, mas n�o vou te esquecer."
Demorou 12 dias para a Karno Company atravessar o Atl�ntico.
Doze dias num navio boiadeiro infestado de ratos.
� primeira vista da terra,
um jovem se inclinou na balaustrada
e gritou...
AM�RICA!
ESTOU CHEGANDO PARA TE CONQUISTAR!
TODO HOMEM, MULHER E CRIAN�A TER� MEU NOME NOS L�BIOS -
Embarcaram numa turn� extenuante pelo continente.
Fazendo tr�s apresenta��es por dia.
O estilo de com�dia-pastel�o de Fred Karno era intensamente f�sico.
O TROPE�O
Ele ensinava os comediantes a trope�ar.
CAIR PARA TR�S
Como cair, escorregar e cair.
Como levar um soco.
Como cair da escada.
Eram os melhores do ramo.
E aonde quer que eles fossem...
um comediante se destacava.
O B�BADO COMEDIANTES DE FRED KARNO
Mas os colegas n�o conseguiam decifr�-lo.
Longe dos palcos, ele era quieto, mal-humorado e recluso.
Geralmente tinha apar�ncia desleixada.
E ent�o, sem dar nenhum aviso, ele se vestia de maneira impec�vel.
Ele aprendeu sozinho a tocar violoncelo, falar grego antigo e fazer ioga.
Mas, acima de tudo, ele jurou que n�o voltaria pobre.
Na Calif�rnia,
uma cartomante disse que logo ele entraria num ramo novo...
ENTRARIA NUM RAMO NOVO
...no qual ganharia uma tremenda fortuna.
TREMENDA FORTUNA!
Diziam que havia fortunas a serem feitas nos Estados Unidos.
O crescimento do petr�leo criou milion�rios do dia para a noite.
Henry Ford criou a moderna linha de montagem.
RESTAURANTE
E cinemas foram abertos nas cidades de todo o pa�s.
Exibiam com�dias o dia todo.
CINEMA COSY CORNER
Chaplin n�o ficou impressionado com os filmes.
Ele achava que seria uma moda passageira.
O Sr. Chaplin entrou para o ramo cinematogr�fico puramente por acidente.
Essa � a voz de Mack Sennett, pioneiro da com�dia cinematogr�fica,
fundador da Keystone Studios,
especialistas em guerra de torta e persegui��es em alta velocidade.
As garotas de mai� de Mack Sennett.
Os policiais de Keystone.
Eu tinha um comediante trabalhando para mim.
O nome dele era Ford Sterling. Ele era chefe dos policiais de Keystone.
Um dia, Sterling se demitiu.
E eu disse: "Ah, droga."
De repente o Sennett precisava de um protagonista novo.
Pensei logo num comediante
que eu tinha visto num espet�culo ingl�s chamado,
"A Night in the London Music Hall."
Naquele momento eu n�o me lembrava do nome
mas enviei um telegrama para Nova York para encontrar esse homem.
E eu disse que o nome dele era Champion, Chaprin, ou Chambers,
ou algo do g�nero.
Ent�o eles procuraram
e encontraram-no numa pequena cidade na Pensilv�nia.
OIL CITY, PENSILV�NIA
Sennett ofereceu US$ 150 por semana.
Tr�s vezes o valor que ele estava ganhando.
16 DE DEZEMBRO DE 1913
Ele decidiu que ficaria l� por um ano.
PRESIDENTE
E se Ford Sterling tivesse continuado comigo,
provavelmente Chaplin teria retornado � Inglaterra
e ter�amos perdido o maior comediante que j� vimos.
A primeira vez que entrei nos est�dios da Keystone...
eu estava muito nervoso.
Eu tinha 24 anos, mas tinha cara de 18.
Este � Chaplin contando a hist�ria em 1966 para a "Life Magazine".
�UDIO DA ENTREVISTA
Mas Sennett era um homem maravilhoso...
Foi uma das �nicas vezes que Chaplin admitiu um gravador
dentro dessas paredes.
Posso pedir para me contar,
eu j� li v�rias vers�es at� hoje,
sobre o momento em que voc� criou o traje do Carlitos?
A pergunta de um milh�o de d�lares.
Ele ouviu essa pergunta in�meras vezes de jornalistas...
Minha vers�o, garanto a voc�. � a mais aut�ntica.
...e tamb�m de advogados.
Esse homem parece familiar.
O chap�u. O bigode.
Mas esse n�o � Charlie Chaplin.
Na d�cada 1920,
esse homem lan�ou uma s�rie de imita��es de filmes de Chaplin
sob o nome "Charles Aplin".
TERR�VEL PESADELO
Chaplin processou Aplin.
E o julgamento investigou a fundo as origens do Carlitos.
CHAMA-SE "CHARLIE APLIN"
Primeiro Aplin alegou que n�o estava imitando Chaplin.
Ele estava imitando Billy West...
...o famoso s�sia de Chaplin.
"O Chaplin de Aplin n�o � Chaplin", alegava Aplin.
O Chaplin de Aplin � uma imita��o de uma imita��o de Chaplin.
Al�m disso, se algu�m deveria ser julgado por imita��o, dizia Aplin,
era o Chaplin.
Dois colegas da companhia de Fred Karno, Fred Kitchen e Belly Ritchie,
alegavam que o Carlitos de Chaplin era uma imita��o de personagens deles.
"Eu fui o primeiro", disse Ritchie,
que passou a ganhar a vida produzindo imita��es de filmes de Chaplin.
BANCO
Mas Aplin e Chaplin, Ritchie e Kitchen,
estavam seguindo a grande onda de comediantes andarilhos...
que se apresentava em circuitos de vaudeville
desde o final do s�culo 19.
Esses comediantes se inspiravam em andarilhos de verdade.
ANDARILHO SUBINDO NO TREM ANDARILHOS BRIGANDO
Os andarilhos que viajavam pela Am�rica em busca de trabalho.
Os sem-teto com quem Chaplin cresceu nas ruas de Londres.
Era mais prov�vel que esses homens vissem o interior de uma cela de cadeia
do que um est�dio de filme.
Mas, na vers�o de Chaplin,
a cria��o do andarilho dele foi algo espont�neo.
Tudo aconteceu por causa de uma emerg�ncia.
Ele tinha feito sua estreia no cinema.
Uma c�pia clara do antecessor, Ford Streling.
E as cr�ticas...
n�o foram boas.
"COMEDIANTE BOBO E FAJUTO"
"UM FIASCO"
Eu quase fui demitido.
Eles iam me demitir.
E eu n�o tinha a menor ideia do que fazer.
CAMARIM
Fui ao departamento de figurino.
Sem nenhum ideia preconcebida.
Eu pensei: "Bem, vou escolher tudo em contradi��o."
Cal�as largas, casaco justo. Cabe�a grande, chap�u pequeno.
Uma bengala. E um par de sapatos andarilhos e grandes.
Na verdade, os sapatos eram do Sterling,
a cal�a era do Fatty Arbuckle
e o chap�u era do pai de algu�m,
O traje n�o foi roubado,
mas montado de forma aleat�ria com pe�as de outros figurinos.
Eu vesti aquelas pe�as
sem nenhum conceito de caracteriza��o.
Mas, quando voc� se viu, qual foi a sua primeira rea��o?
"Isto serve."
E assim chegamos aqui.
Fevereiro de 1914.
O momento em que ele apareceu na tela pela primeira vez
e olhou para n�s.
E, desta vez, as cr�ticas n�o foram t�o ruins.
"SENSACIONAL!"
"CHAPLIN � UM COMEDIANTE NATO!"
Assim que eu vestia aquelas roupas...
eu me sentia muito livre.
Eu podia fazer qualquer loucura que quisesse.
CARLITOS RIVAL NO AMOR
NOVA COLOCA��O DE CARLITOS
CARLITOS DENTISTA
DINAMITE E PASTEL
CAMPE�O NO BOXE
O BANCO
CARLITOS NO TEATRO
O CARLITOS
O BOMBEIRO
O CARLITOS
Quando foi o primeiro momento que voc� soube que era famoso?
Eu fui para Nova York.
E eu parei Nova York.
A manchete: "Ele est� aqui!"
"ELE EST� AQUI!"
As pessoas diziam: "Meu Deus, voc� n�o vai acreditar!"
"Nova York toda est� te imitando."
Diziam: "Ele anda assim."
Pessoas da alta sociedade iam �queles cinemas baratos...
AQUI HOJE
...para ver aquele homenzinho de bigode.
E n�o era s� Nova York.
Por que a febre Chaplin se espalhou pelo mundo todo?
O que havia de especial naquele pequeno andarilho?
VIDA DE CACHORRO
Bem, ele era engra�ado.
Ele podia pegar qualquer situa��o...
e torn�-la engra�ada.
CARLITOS PRESIDI�RIO
Mas era mais do que isso.
Em uma sociedade fortemente definida por classe,
Carlitos n�o apenas enfrentava o sistema...
como ainda dava um pontap� nele.
O IMIGRANTE
Para os milh�es de migrantes que sonhavam com uma vida nova,
o Carlitos era algu�m sem uma na��o.
Algu�m que n�o tinha um idioma,
mas que falava com todo mundo.
CARLITOS NAS TRINCHEIRAS
E, em um mundo dividido por um amargo conflito,
o Carlitos os fazia rir, n�o importava de que lado estavam.
O Carlitos desafiava os limites da identidade.
Ele misturava g�nero e sexualidade.
CAMAS LIMPAS $ 0,10
Ele passava por cima da autoridade e da classe.
Ele era um z�-ningu�m.
E ele pertencia a todo mundo.
No abrigo, Chaplin sonhava em ficar rico,
famoso e adorado.
Agora ele era o ator mais bem pago do mundo.
O homem mais famoso vivo.
Ele dizia: "Toda a adula��o n�o � para mim.
� para o homenzinho."
SR. CHARLES CHAPLIN O HOMEM QUE VOC� N�O CONHECE
A primeira impress�o eram os olhos.
Eles podiam ser t�o calorosos e t�o frios em uma fra��o de segundo.
ESCRITOR/AMIGO
Porque ele era encantador.
Charlie era um grande exibicionista.
ATOR/AMIGO
Muito extravagante. Ele fazia um grande espet�culo.
Ele adorava falar sobre qualquer assunto.
Fingia que era politicamente rebelde e radical.
E ele fazia as pessoas acharem
que era um leitor muito profundo.
Acho que ele lia a primeira p�gina de v�rios livros
e fazia todos acharem que tinha lido tudo.
Charlie sempre estava atuando.
ATRIZ
Sempre atuando. Sempre sendo um artista.
Ele n�o queria que as pessoas conhecessem o verdadeiro Charlie.
� normal ser inseguro com uma inf�ncia como a dele.
Ele achava que ningu�m o amava.
ATRIZ/SEGUNDA ESPOSA
Ele nunca acreditava.
Dizia: "Por que algu�m me amaria?"
N�o sou psiquiatra, mas � f�cil ver que...
ele ainda tinha medo de ficar pobre.
ASSISTENTE DE DIRE��O
N�o importava quanto dinheiro tivesse.
Ele ainda tinha medo de ficar pobre.
A maioria das pessoas que fazem muito sucesso
na juventude...
Isso costuma destru�-las.
Destru�-las ou transform�-las. Pode transform�-las.
Em poucos anos, Chaplin construiu o pr�prio est�dio dele,
fundou uma distribuidora...
e se livrou da depend�ncia de financiadores.
Ele n�o seguia uma agenda.
Ele nem sequer seguia um roteiro.
Ele come�ava com uma ideia vaga e a repetia...
v�rias vezes at� ficar engra�ado.
Os atores eram instru�dos a fazer cada gesto exatamente como ele fazia,
como se fossem meras extens�es do corpo dele.
Cada nuance, cada olhar, ele fazia primeiro.
O assistente dizia
que, se ele pudesse fazer todo o trabalho no set sozinho,
ele faria.
Ele escrevia, dirigia, produzia, editava, fazia a trilha e estrelava.
Ele at� se arriscava no cabelo e na maquiagem.
Finalmente, quando tinha o controle total,
ele deu in�cio ao projeto mais ambicioso at� ent�o.
O GAROTO
UM FILME COM UM SORRISO - E TALVEZ UMA L�GRIMA.
� a hist�ria de uma crian�a abandonada...
de uma m�e solteira...
muito pobre para cuidar dele.
POR FAVOR, AME E CUIDE DESTE PEQUENO �RF�O
SETEMBRO
Em outra vida, o menino foi encaminhado para o abrigo.
ABRIGO PARA �RF�OS
Mas, nesta vers�o, quando as autoridades chegam para lev�-lo...
ele n�o vai sem lutar.
CHARLIE VOLTA PARA CASA "A TERRA QUE ELE MAIS AMA."
Fazia oito anos que ele tinha sa�do de Londres.
E, quando ele finalmente voltou,
ouviu uma voz conhecida.
"Oi, Charles. Como voc� est�?"
"Ah", ele disse. "Oi, Effie, como vai?"
Claro, minha tia morava onde as lixeiras ficavam na cal�ada.
Quando o Rolls Royce dele apareceu com um motorista,
as pessoas quase quebraram o pesco�o!
Eu disse: "Voc� est� falando com um sotaque elegante. Por qu�?"
E ele disse: "Tive que fazer isso. Fiz aulas de elocu��o. Me obrigaram."
Ent�o eu disse...
"Voc� n�o cresceu muito, n�?"
Ele se encontrou de volta no s�t�o da Pownall Terrace, 3.
Quatro paredes que a fam�lia Chaplin chamou de "lar".
Onde a m�e de Chaplin, Hannah,
o divertia com as fantasias e as imita��es dela.
Onde ela lutou para pagar as contas
depois que a voz e a carreira no teatro falharam.
Ela sentou nesta janela e disse a Charlie que via fantasmas l� fora...
antes de ser arrastada para o hosp�cio.
E a m�e de Charlie n�o tinha sa�do de Londres.
Ela estava vivendo numa casa de repouso.
Quando Charlie voltou para os Estados Unidos,
ele a levou junto.
Mas ela oscilava entre os mundos.
O presente e o passado pareciam se confundir.
Quando ela viu o filho vestido de andarilho, disse: "Charlie.
Preciso comprar um terno novo pra voc�."
Enquanto isso, o filho dela estava fazendo um �pico de Hollywood.
EM BUSCA DO OURO
Um filme que leva o Carlitos
at� os confins da Terra.
Mas os temas...
s�o mais pessoais.
Este � um teste para ver como minha voz fica gravada no filme.
Voc� est� ouvindo um filme com falas e movimentos.
Acreditamos que uma nova arte ser� criado.
O in�cio de uma nova era do cinema.
De repente a for�a do Carlitos se tornou a fraqueza dele.
Ele n�o podia falar.
Que idioma ele falaria?
Que dialeto?
Em 1928, a Warner cancelou todos os projetos mudos.
Em 1929, a Fox fez o mesmo.
Em 1930...
todos os grandes est�dios faziam filmes falados.
OLHA QUEM EST� FALANDO!
Um a um, os contempor�neos de Charlie come�aram a falaram.
O GORDO E O MAGRO
Primeiro, o Gordo e o Magro.
Meu ba� est� pronto, e eu parto para a Am�rica do Sul esta noite.
Depois Harold Lloyd.
OU�A HAROLD FALAR!
-Eu n�o sei o que dizer. -Isso n�o � nenhuma novidade, querido.
FILMES FALADOS
Depois Buster Keaton.
Eu tenho muita coisa para dizer,
e voc� tem muita coisa para ouvir.
A revolu��o das falas tinha chegado.
Est� vivo!
O p�blico estava vidrado em qualquer coisa que falasse.
Esperem um pouco! Voc� ainda n�o ouviram.
Mas Chaplin decidiu fazer o impens�vel.
Ele ia fazer um filme mudo.
Como a maioria das com�dias rom�nticas, Luzes da Cidade come�a com um engano.
Uma florista cega confunde o Carlitos com um milion�rio.
Parece simples no papel, mas n�o tinha papel nenhum.
Chaplin trabalhou sem roteiro.
E esta cena levou Chaplin e todos em volta dele...
� beira da loucura.
Pode nos falar sobre as filmagens daquela sequ�ncia?
Minha nossa...
ATRIZ
Ele fez a mesma cena in�meras vezes.
Eu acho que, se ele n�o soubesse o que fazer a seguir,
ele simplesmente repetia a mesma cena at� pensar no que fazer.
Chaplin agonizou com a cena da identidade equivocada.
� o cora��o do filme. Tinha que ficar bom.
Ele era perfeccionista.
E, para n�s, muitas vezes parecia exatamente igual.
Quando ele dizia "fim de cena", n�s respir�vamos aliviados.
E ent�o ele dizia: "Talvez s� mais uma vez."
O que estava dando errado para voc� regravar tudo?
D�i em mim se n�o fica bom, sabe?
RELAT�RIO DE PRODU��O
DIAS DE FILMAGEM PARADO: 17, TRABALHO: 7, TOTAL: 24
Faz�amos o trabalho um dia de cada vez.
N�o estava dando certo. Por que n�o estava dando certo?
E se o rico comprasse uma flor primeiro?
E ent�o... N�o.
Talvez fosse a Virginia Cherrill.
Ela dizia: "Uma flor, senhor?" E eu: "Ningu�m fala 'flor' assim."
"Uma flor, senhor?"
"Uma flor, senhor?"
Olhando muito para cima, ou muito cedo, ou...
Ou se ela esperasse um segundo!
Depois 270 dias de filmagem...
O Charlie me demitiu.
Era a Cherrill. N�o era a garota certa. Ele precisava de uma florista, e r�pido.
Vai custar uma fortuna para regravar tudo.
GEORGIA HALE NO ELENCO.
Ele contrata Georgia Hale, a protagonista de Em Busca do Ouro.
Ele disse: "Vou regravar Luzes da Cidade com voc�."
ATRIZ
"Vou regravar tudo com voc�."
Mas... N�o, Hale tamb�m n�o era a pessoa certa.
Ele testou outras atrizes.
Elas simplesmente n�o eram...
Talvez a Cherrill fosse a pessoa certa.
Ele implorou para a Cherrill voltar.
J� era o 534 dia de filmagem.
Mas eles ainda n�o tinham a cena da flor.
Ele tinha feito um filme inteiro em torno desse equ�voco de identidade...
e n�o estava dando certo.
Ent�o ele teve a ideia.
Uma porta batendo.
A chave para o desafiador filme mudo do Chaplin...
era um som.
"Voc� pegou, senhor?"
"Espere o seu troco, senhor."
Falar � uma coisa artificial.
Enquanto que o movimento � t�o pr�ximo da natureza...
quanto um p�ssaro que voa.
A voz � muito bonita,
mas n�o � t�o maravilhosa
quanto o sil�ncio
de algu�m apenas olhando.
"Voc�?"
"Voc� consegue ver agora?"
"Sim, eu consigo ver agora."
Na estreia, 50.000 pessoas compareceram
na esperan�a de ver o Carlitos e a florista.
E alguns especulavam que o romance podia n�o estar confinado �s telonas.
Muitas pessoas achavam que eu era namorada dele, mas n�o.
Eu era muito velha. Eu tinha 20 anos.
As quatro esposas de Chaplin eram jovens atrizes.
Tr�s eram adolescentes.
Pedi para a autora deste livro nos visitar.
MINHA VIDA COM CHAPLIN
O nome dela � Lita Grey Chaplin.
Temos imagens apenas de uma das esposas.
Ela foi a segunda esposa de Charlie Chaplin...
Em 1966, ela lan�ou um livro de mem�rias revelador.
� um livro controverso e sensacional. E aqui est� Lita Grey Chaplin.
Estou curioso, Lita, para saber por que voc� escreveu este livro.
Tive uma compuls�o para escrev�-lo.
Senti que a hist�ria precisava ser contada.
Ou melhor, que eu tivesse que cont�-la.
Eu tinha vivido muitos anos com a hist�ria falsa.
Voc� estrelou em um dos filmes dele. Ou apareceu em um dos filmes dele.
O Garoto. Quando eu tinha 12 anos.
Quantos anos voc� tinha quando casou com ele?
-Ou isso � segredo? -Dezesseis.
E estava tentando uma carreira no cinema?
Sim. Eu tinha come�ado em Em Busca do Ouro, mas...
n�o pude concluir o filme.
Charlie levava dois anos para fazer um filme,
e, durante esse tempo, n�s nos envolvemos de tal forma
que eu n�o tive como concluir o filme.
Uma adolescente gr�vida de um filho de Chaplin.
A primeira esposa dele, Mildred Harris, passou por algo parecido.
Ela se divorciou de Chaplin, citando "crueldade mental".
E as coisas n�o come�aram muito melhores para a Lita.
N�s casamos no M�xico,
porque o Charlie n�o queria que falassem muito sobre o casamento.
Ele estava bem amargurado no in�cio.
No caminho de volta no trem, ele foi muito arrogante.
Est�vamos na plataforma entre os vag�es,
enquanto o trem estava em movimento.
E ele disse: "Pod�amos acabar com isto
se voc� pulasse."
Dois anos depois, Lita pediu o div�rcio...
...e guarda total dos dois filhos.
LITA COM OS DOIS FILHOS QUE TEVE DO CHARLIE
Foi, at� aquele momento,
o div�rcio mais caro na hist�ria de Hollywood.
DIV�RCIO DE US$ 1.000.000 DA ESPOSA DE CHAPLIN
A peti��o foi t�o sensacional
que come�aram a vender c�pias nas ruas.
REPUGNANTE SEDU��O
CRUELDADE EXTREMA
Lita o descreveu como um ad�ltero que tra�a abertamente e compulsivamente.
SOFRIMENTO SEXO
Ela alegava que ele era paranoico e ciumento.
Que tinha acessos de raiva, grampeava o quarto dela...
PERDA DE SONO CRUEL E DESUMANO
...apontava armas para ela.
AMEA�A DE MORTE
Ela disse que ele tentou pression�-la a fazer um aborto clandestino.
"SE LIVRADO"
Chaplin chamava Lita de "chantagista",
"interesseira", "vagabundinha".
Os jornais a chamavam de "Noivinha" de Chaplin.
"Esposa Menina".
SETEMBRO DE 1927
E numa carta de apoio ao genial Chaplin...
OBRIGADO, SOMOS SEUS HUMILDES SERVOS.
...30 intelectuais europeus a taxaram como "mulher idiota".
VACA
Vaca, puta, verme, parasita.
PARASITA
Uma parte do p�blico achava que eu estava errada no caso do div�rcio.
Que ele era um coitado maltratado,
um homenzinho pat�tico com tanto sofrimento
e que eu e minha fam�lia �ramos interesseiros
e todo esse tipo de coisa.
E aquilo foi...
Aquilo me fez senti mal,
porque eu sabia que uma parte do p�blico acreditava naquilo
porque idolatrava o Charlie.
Durante muitos anos,
Lita lutou contra a depress�o e o alcoolismo.
MINHA VIDA COM CHAPLIN
Ela tentou esclarecer a hist�ria em entrevistas,
mas o t�pico frequentemente voltava para a genialidade de Chaplin.
UM G�NIO PODE SER UM MARIDO?
Mesmo ap�s a morte dela,
as biografias de Chaplin continuaram a caracteriz�-la
como uma adolescente manipuladora e sedutora.
Chaplin, em sua autobiografia...
MINHA AUTOBIOGRAFIA
...dedicou apenas tr�s frases � Lita.
N�O VOU ENTRAR EM DETALHES.
Ele nunca a menciona pelo nome.
N�o vou falar sobre essas coisas, porque...
eu n�o devo isso a ningu�m.
Esta coisa n�o � um confession�rio.
A hist�ria da Lita � chocante.
Mas para Chaplin...
n�o mudou nada.
LUZES DA CIDADE
BERLIM
VENEZA
"CHARLOT" EM PARIS
Mas muita coisa tinha mudado.
O otimismo da d�cada de 1920 desabou.
VIVA A UNIDADE DA ESPANHA
E, em toda parada na turn� de Chaplin...
ele via os estragos da grande depress�o.
O FASCISMO ESPALHA TERROR FIQUE LONGE
Comunistas e fascistas lutavam nas ruas.
As filas para ver Luzes da Cidade eram confundidas com filas de p�o.
SOP�O
DESEMPREGADO
Em Londres com Mahatma Gandhi,
ele discutiu pobreza, explora��o e o mau uso das m�quinas.
TUMULTOS! FILAS DE P�O INTERROMPIDAS
Um filme come�ou a ganhar forma na cabe�a de Chaplin.
TEMPOS MODERNOS
UMA HIST�RIA SOBRE A IND�STRIA,
SOBRE TRABALHO INDIVIDUAL -
A HUMANIDADE EM BUSCA DA FELICIDADE.
UNI-VOS
LIBERDADE
LIBERDADE OU MORTE
TEMPOS MODERNOS
N�mero um na bilheteria brit�nica.
Um sucesso nos Estados Unidos.
Aclamado na Uni�o Sovi�tica.
Mas em um pa�s o filme foi totalmente proibido.
Munique. 15 anos antes.
Um homenzinho marchou pela rua,
balan�ando no ar com algum tipo de bengala.
A apar�ncia c�mica dele chamava a aten��o.
Especialmente o not�vel bigode de broxa.
Ele parecia muito familiar.
"Quem � esse homenzinho engra�ado?", algu�m perguntou.
Ele era o l�der de um grupo pol�tico extremista.
"Pense", disse Chaplin alguns anos depois.
"Ele � o louco, eu sou o comediante,
mas poderia ter sido o contr�rio."
M�E E FILHO
Chaplin e Hitler nasceram com quatro dias de diferen�a.
Os dois cresceram adorando a m�e e ressentindo o pai b�bado.
Os dois conheceram a pobreza.
Um interpretava um andarilho nas telonas...
enquanto o outro era um sem-teto nas ruas de Viena.
Os dois eram motivados por uma fervorosa intensidade e ambi��o
misturada com autopiedade.
HITLER NO PODER
O som amea�ava a arte de Chaplin,
mas foi o que impulsionou Hitler.
Os dois eram artistas hipnotizantes.
Sabiam como comandar a multid�o por meio de gestos exagerados
e apelos emocionais intensificados.
Os dois incitavam rea��es intensas, quase f�sicas,
em suas audi�ncias.
Chaplin os fazia rir.
Hitler os levava ao del�rio.
E, claro, tinha o bigode.
Mas quando Chaplin e Hitler olhavam um para o outro...
o que eles viam?
Os nazistas odiavam Chaplin.
Eles o rotulavam como judeu e o usavam na propaganda antissemita.
O judeu Chaplin foi recebido durante a visita dele a Berlim.
Muitos alem�es sem saber aplaudiram o judeu estrangeiro.
O inimigo mortal da ra�a deles.
Nenhum podia escapar das compara��es com o outro.
E ent�o, enquanto Hitler comemorava seu anivers�rio de 50 anos
com um desfile militar em Berlim,
Chaplin estava trabalhando no roteiro do filme mais recente dele.
O GRANDE DITADOR
As filmagens come�aram na semana em que
a Inglaterra declarou guerra � Alemanha.
Nesse filme, Chaplin atenua as diferen�as entre ele e Hitler
interpretando o ditador Adenoid Hynkel.
BARBEIRO
Mas tamb�m � uma hist�ria sobre s�sias.
Ele interpreta ao mesmo tempo o barbeiro judeu...
Antes de fecharmos o ponto, termine isto. Tome.
JUDEU
V�. Pinte a janela.
Ora, seu...
Chaplin, que n�o era judeu,
finalmente alinhou o Carlitos com uma identidade...
uma minoria perseguida que enfrentava a extermina��o.
JUDEU
Quando voc� fez aquele filme, Hitler n�o era
totalmente reconhecido pelo que ele era.
N�o, isso � verdade.
NOVA YORK, 1939
No �ltimo discurso, pensei:
"Bem, este � o momento do discurso final."
O mundo espera a sua palavra.
LIBERDADE
Tirar a peruca e dizer: "Senhoras e senhores,
espero que tenham gostado do filme,
mas, ao mesmo tempo, h� uma trag�dia terr�vel acontecendo."
No final do filme,
Carlitos � confundido com o ditador...
e � obrigado a se dirigir ao mundo.
Quando o maior personagem c�mico de todos os tempos finalmente falou,
n�o foi para contar uma piada.
Sinto muito. Mas eu n�o quero ser um imperador.
Esse n�o � o meu of�cio.
Eu n�o quero governar nem conquistar ningu�m.
Quero ajudar todo mundo, se poss�vel.
Judeus, gentios, negros, brancos.
Todos queremos ajudar uns aos outros. Os seres humanos s�o assim.
Desejamos viver pela felicidade, n�o pelo sofrimento alheio.
N�o queremos odiar nem desprezar uns aos outros.
Neste humano, h� lugar para todos,
e a terra � farta e pode prover para todo mundo.
O caminho da vida pode ser livre e lindo.
Mas n�s nos perdemos. A cobi�a envenenou a almas dos homens,
dividiu o mundo com �dio,
nos fez marchar a passo de ganso para a mis�ria e a carnificina.
N�s desenvolvemos a velocidade, mas nos trancamos.
A m�quina, que produz abund�ncia, nos deixou na mis�ria.
Nosso conhecimento nos tornou c�nicos. Nossa inteligente, duros e cru�is.
N�s pensamos muito e sentimos pouco.
Voc�s, o povo, t�m o poder de tornar esta vida livre e bela,
de fazer esta vida ser uma aventura maravilhosa.
Ent�o, em nome da democracia, usemos esse poder. Unamo-nos!
Lutemos por um mundo novo!
Um mundo decente que dar� a todos uma oportunidade de trabalho,
que dar� � juventude um futuro e � velhice, seguran�a.
Pela promessa dessas coisas, os brutos chegaram ao poder,
mas eles mentem, n�o cumprem a promessa, e n�o v�o cumprir!
Os ditadores se libertam, mas escravizam o povo!
Lutemos agora para cumprir essa promessa!
Lutemos para libertar o mundo!
Para acabar com as fronteiras nacionais.
Para acabar com a gan�ncia, com o �dio e a intoler�ncia.
Lutemos por um mundo de raz�o.
Um mundo em que a ci�ncia e o progresso conduzam os homens � felicidade.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Chaplin sabia que o Carlitos n�o sobreviveria �quilo.
Ao quebrar o sil�ncio,
ele alterou a cria��o.
Mas, depois de 25 anos no traje de Carlitos,
ser� que Chaplin podia ter certeza
de que ressurgiria inteiro?
Ser� que um podia existir...
sem o outro?
O ano era 1947.
Charlie Chaplin deu uma coletiva
no Hotel Gotham, em Nova York.
Ele ia lan�ar o filme novo dele.
O primeiro sem o Carlitos.
Mas como ele sabia...
ningu�m estava l� para falar do filme.
Charles Chaplin.
COLETIVA DE IMPRENSA
GRAVA��O DE �UDIO, 1947
Obrigado, senhoras e senhores da imprensa.
N�o vou desperdi�ar o tempo de voc�s.
Vou dizer apenas: que comece a carnificina.
Sr. Chaplin, houve muitas hist�rias no passado
acusando voc�, mais ou menos, de ser um apreciador,
um simpatizante do comunismo.
Pode responder � uma pergunta direta? Voc� � comunista?
Ent�o como n�s chegamos aqui?
O Grande Ditadorfoi um enorme sucesso
e o discurso final atraiu tanta aten��o
que Chaplin foi convidado a repeti-lo
na inaugura��o do presidente Franklin D. Roosevelt.
Voc�s, o povo, t�m o poder de tornar esta vida livre e bela,
de tornar esta vida uma aventura maravilhosa,
ent�o, em nome da democracia, usemos esse nome. Unamo-nos!
Em um evento beneficente em prol da russa,
ele vou convidado para falar durante quatro minutos.
Precisamos de uma unidade.
Ele falou durante 40 minutos.
E s� pela for�a da unidade podemos vencer esta guerra.
Ele se empolgou e improvisou.
Eu acho que, se isso for comunismo,
h� muitas pessoas nos Estados Unidos que votar�o a favor dele.
Depois de esperar tanto tempo para quebrar o sil�ncio,
Chaplin n�o conseguia parar de falar.
Dei um discurso em Chicago
e falei que, embora as pessoas sejam anticomunistas,
eu vou ser comunista.
Precisamos ter toda a for�a do capitalismo em prol do comunismo
para conseguirmos chegar � vit�ria.
E... as pessoas estavam come�ando a escutar.
INFORMA��O SOBRE CHARLES CHAPLIN
DEPARTAMENTO DE JUSTI�A
Sob as ordens do famoso diretor
J. Edgar Hoover,
o FBI iniciou uma ampla investiga��o
nos poss�veis la�os de Chaplin
com o movimento comunista internacional.
TODO COMUNISTA � UM ESPI�O DE MOSCOU
A amea�a vermelha estava presente,
do Capitol Hill a Hollywood.
O comunismo, na realidade, � semelhante a uma doen�a
que se espalha como uma epidemia.
E, como uma epidemia,
uma quarentena � necess�ria para impedi-la de contaminar esta na��o.
Atores, escritores e cineastas foram arrastados
para o Comit� de Atividades Antiamericanas.
Voc� � ou j� foi integrante do Partido Comunista?
Qual � a sua opini�o sobre o comunismo?
Acho que eles devem ser expulsos.
Por mim, todos seriam enviados para a R�ssia...
ATOR
...ou para outro lugar desagrad�vel.
Dez foram detidos por se recusar a depor.
Centenas foram para a lista proibitiva.
Derrubar um grande astro seria uma grande proeza para Hoover.
E n�o tinha ningu�m maior do que Charlie Chaplin.
Voc� � integrante do Partido Comunista?
Pode responder � uma pergunta? � comunista?
Eu n�o sou comunista.
Simpatizante, foi a pergunta.
Um simpatizante do comunismo? Qualifique isso de novo.
N�o sei o que voc� quer dizer com isso.
Pode definir sua atual cren�a pol�tica, senhor?
Meu cargo � comediante,
artista e produtor de filmes.
Nunca fui integrante de nenhum partido pol�tico
e nunca votei na minha vida.
Mas essa resposta n�o satisfez Hoover.
FBI
Sob a lente do FBI, Chaplin se tornou n�o s� um comunista...
COMUNISTA SUBVERSIVO
...mas um estrangeiro subversivo,
homossexual e judeu.
JUDEU
Isso nos diz muito mais sobre o FBI do que sobre Chaplin.
Estavam atr�s de algum podre.
PERVERS�O SEXUAL ADULT�RIO
E, neste departamento...
...eles tinham uma poderosa aliada.
Oi, pessoal. Aqui � Hedda Hopper falando de Hollywood,
o lugar maravilhoso onde todos querem morar, mas raramente conseguem.
A coluna de fofocas da Hedda Hopper era lida por 32 milh�es de americanos.
Ela tinha o poder de transformar ou destruir carreiras,
e ela odiava comunistas.
Ele disse para Hoover:
"Eu gostaria de expulsar cada um daqueles ratos do pa�s.
Come�ando pelo Charlie Chaplin."
DIVIS�O DE IDENTIFICA��O FBI
O arquivo mostra que a rela��o de Hopper e Hoover
era mais ou menos circular.
Hopper enchia a coluna com fofocas sobre Chaplin,
que eram dadas a ela pelo FBI.
Charlie Chaplin est� dividindo a aten��o dele...
Depois, o FBI citava a coluna no arquivo contra Chaplin.
Charlie Chaplin � chamado de "encanto das debutantes".
A m�quina se autoalimentava.
...sobre comunistas em Hollywood.
ALEGA��ES
As provas, no entanto, continuavam circunstanciais.
DESCREDITADO
-At� que um dia... -Tem um homem em particular...
...Hopper conhece uma jovem chamada Joan Barry.
Em 1941, Joan chegou em Hollywood como uma jovem aspirante a atriz.
Charlie Chaplin se interessou por ela.
Ele disse que podia fazer dela uma estrela.
Agora ela estava gr�vida e precisava de ajuda.
Hopper e Hoover perceberam uma oportunidade.
TRIBUNAL SUPERIOR DA CALIF�RNIA
Chaplin foi levado a tribunal para provar que era o pai,
e Hopper garantiu que o caso todo fosse mostrado semanalmente...
O CASO DE CHAPLIN E DA GAROTA
...na imprensa tabloide.
O promotor detonou Chaplin.
Ele revelou que Chaplin obrigou Barry a fazer dois abortos clandestinos
e o acusou de d�cadas de comportamento predat�rio.
Tr�s julgamentos extenuantes depois...
um exame de sangue sugeriu que ele podia n�o ser o pai.
POSS�VEL IMPOSS�VEL
Mas era tarde demais.
A mar� finalmente tinha virado.
CHAPLIN COMO VIL�O
Foi uma grande vit�ria para a imprensa da direita e para o FBI.
Mas e quanto � Joan Barry?
Onde isso a deixou?
Alguns anos depois, ela foi internada num hospital psiqui�trico.
N�o houve mais nenhum sinal dela.
E agora estava aberta a temporada de ca�a ao Charlie Chaplin.
Queremos saber se citaram voc� corretamente?
Desculpe, o que est� contestando?
Estou contestando sua posi��o de n�o ter sentimentos patri�ticos
por este ou qualquer outro pa�s.
Voc� trabalhou aqui. Voc� ganhou dinheiro aqui.
N�o participou da �ltima guerra quando devia ter estado na Gr�-Bretanha,
segundo um jornal que eu li.
Voc�, como residente que fatura o nosso dinheiro, devia ter feito mais.
� um tanto quanto ditatorial da sua parte
dizer como eu deveria praticar o meu patriotismo.
Eu tenho patriotismo.
E o meu patriotismo n�o pertence a uma classe.
Ele pertence a todo o mundo.
� pena do mundo todo e �s pessoas comuns.
Ali�s, espero que todos voc�s tenham visto Monsieur Verdoux.
O CHAPLIN MUDOU! E VOC�?
Acho que podemos encerrar.
Acho que cobrimos todo o assunto.
-Sr. Chaplin. -Sim, Grace.
Acho que voc� tem todo o direito de ter as suas cren�as individuais.
Mas eu tenho uma obje��o.
Voc� deixou de ser um bom comediante desde que come�ou a passar mensagens.
-N�o estou ouvindo. -Voc� deixou de ser um bom comediante.
Estou dizendo que voc� deixou de ser um bom comediante
desde que come�ou a passar mensagens.
Voc� est� falhando com o p�blico.
O HOMEM QUE HOLLYWOOD ODEIA
BOICOTEM CHAPLIN
VERDOUXPROIBIDO
No meio de todos esses esc�ndalos...
ele se casou de novo.
Oona O'Neill.
Minha m�e era muito nova quando o conheceu.
Ela tinha 17 anos, e ele, 52, eu acho.
Eles se apaixonaram e, quando ela fez 18 anos, eles casaram.
Todos achavam que ela era s� uma vagabunda
e que sumiria em breve.
FILHA
Eles eram loucos um pelo outro.
A �nica opini�o que ele ouvia era a da minha m�e.
Ele n�o fazia nada sem ela, sem a aprova��o dela.
FILHO
Ela era o sol.
Ela irradiava calor.
Mas o pr�ximo filme dele, Luzes da Ribalta,
mostrava uma ansiedade subjacente.
No filme, ele � um comediante j� mais velho...
COMEDIANTE ANDARILHO
...antes renomado por interpretar um adorado personagem andarilho
cujo p�blico...
agora o abandonou.
No dia 17 de setembro de 1952,
a fam�lia Chaplin partiu dos Estados Unidos
para ir � estreia europeia.
Depois de dois dias de viagem...
DEPORTAR CHAPLIN
A not�cia mais sensacional
� a partida de Chaplin para Londres.
Agentes da imigra��o sugerem
que o comediante poder� ter dificuldade para voltar, se quiser.
O procurador-geral,
James P. McGranery, soube que Chaplin esteve...
Acusado de dar declara��es que indicariam
uma atitude suspeita e zombeteira
em rela��o a um pa�s cuja hospitalidade graciosa o enriqueceu.
O Dep. de Justi�a decidiu que Chaplin n�o voltaria...
DEPORTEM CHAPLIN
...a menos que ele provasse o "valor moral" dele.
Isso estava sendo planejado h� anos.
Os inimigos dele tentaram de tudo.
Mas, no final,
s� esperaram ele viajar.
Chaplin vendeu o est�dio em Hollywood e mudou para a Su��a.
Ele mudou a fam�lia para uma grande propriedade
cercada pelos Alpes.
A frase que eu mais me lembro de ele dizer...
FILHA
"Eu n�o sou ressentido com os EUA.
Eu n�o sou ressentido com os EUA.
Ressentido com os EUA? Eu n�o sou ressentido com os EUA."
Ele dizia tanto isso
que a gente come�ava duvidar.
E Chaplin foi obrigado a se adaptar ao novo papel dele...
de pai.
Meu pai n�o era Charlie Chaplin.
Eu sabia que era a mesma pessoa, mas os dois n�o eram nada parecidos.
A menos quando ele tinha uma plateia, a� se transformava no Charlie Chaplin.
Aquele outro homem. O homem dos filmes.
Este � o Charlie Chaplin que vemos nos v�deos caseiros da fam�lia.
Um palha�o alegre, que aparecia assim que a c�mera come�ava a gravar.
Meu �nico desejo na inf�ncia
era ter uma conversa a s�s com meu pai.
FILHA
S� n�s dois.
Ele era inacess�vel de muitas maneiras.
"Seu pai est� trabalhando. N�o o perturbe.
Ele vai perder a inspira��o."
Nosso mundo girava em torno do bem-estar do meu pai.
Eu tinha um pouco de medo do meu pai.
FILHO
Ele era muito poderoso de certa forma.
N�o dava para discutir com ele, porque ele nunca estava errado.
Ele acabava sufocando todo mundo que se aproximava muito dele.
Ele n�o conseguia evitar.
Por isso eu sa� de casa bem novo.
E eu acho que as minhas irm�s tamb�m.
Chaplin fez dois filmes no ex�lio.
Mas nenhum trouxe o retorno que ele esperava.
Ele me disse:
"Eu era muito famoso. Eu costumava ser muito famoso."
Era importante para ele.
� claro que era importante para ele.
Ele precisava de uma plateia. Ele era um comediante.
Ele precisava de uma plateia.
Corre��o: me parece
que a felicidade est� mais dif�cil.
Par�grafo novo. Escrever um livro.
Havia uma grande controv�rsia na imprensa...
Nos dias atuais, n�s aceitamos saber...
V�rgula. Par�grafo. E cap�tulo novo.
...de inconsci�ncia.
MINHA AUTOBIOGRAFIA N�O REVISADA
Nas p�ginas das mem�rias dele,
Chaplin revistou mais uma vez as ruas por onde ele andava quando era menino.
As ruas que ele assombra como um homem velho.
LOJAS DE M�VEIS ANTIGOS
As ruas que ele revisitou v�rias vezes...
BRECH�
...como Carlitos.
EMPR�STIMO
ITENS USADOS COMPRA E VENDA
BOLOS LYONS
O antigo bairro Lambeth.
Ele reconstruiu o bairro no est�dio em Hollywood.
Os port�es do Kennington Park.
Chaplin teve um encontro aqui com o primeiro amor dele.
� onde o Carlitos conhece a florista.
E o s�t�o da Rua Pownall Terrace, 3,
onde o jovem Charlie viu a sa�de da m�e definhar.
� o s�t�o de O Garoto.
E se Charlie n�o tinha se esquecido do passado,
o passado com certeza n�o tinha se esquecido dele.
Quando Hollywood organizou uma grande reconcilia��o no Oscar,
parecia uma oferta para voltar o rel�gio.
Quando ele foi nomeado cavaleiro em 1975,
as pessoas ainda procuravam vest�gios do homenzinho.
Sir Charlie saiu do Pal�cio n�o com a famosa bengala dele,
mas apoiado em uma bengala tradicional.
Ele vai completar 86 anos e sentou numa cadeira de rodas na nomea��o.
Ser� que tem algu�m...
que consegue olhar para um sem ver o outro?
A �ltima vez em que eu vi o Charlie foi perto da Elephant and Castle.
Tinham constru�do um bar chamado The Charlie Chaplin.
-Voc� j� viu? -J� estive l�.
Voc� viu a bengala e o chap�u?
Falei: "Viu no South London?"
"Chaplin nunca viu o bar em homenagem a ele
e vai conhec�-lo."
Ent�o eu fui at� l�.
Claro que tinha uma multid�o de pessoas. Sabe, eu n�o o reconheci.
Ele estava numa cadeira de rodas.
Ele estava numa cadeira de rodas.
Tinha um ajudante empurrando.
Ent�o eu me aproximei dele.
Claro que todos olharam para mim, n�o �? Todo mundo olhou para mim.
Eu disse para ele: "Oi, querido. Se lembra da Effie?"
Ele disse: "Se me lembro da Effie? Rua Fitzalan."
Ele disse: "Ah, � claro que me lembro."
E eu disse: "Bem, Charlie...
Todos estamos envelhecendo, querido. N�o �?"
Quando perguntamos pelo verdadeiro Charlie Chaplin,
mil vozes respondem.
Se cuide.
Algumas s�o mais altas do que outras.
Bem, a minha vers�o � a mais aut�ntica.
Algumas s�o ocultas.
FBI
Algumas lutam para serem ouvidas.
E outras...
continuam mudas.
Eu acho que, se tinha algu�m que conseguia decifrar o meu pai
ou entend�-lo,
era a minha m�e.
A voz da minha m�e n�o existe.
N�o h� nada com ela.
Nenhuma entrevista gravada.
Com certeza ela tinha di�rios. Ela tinha di�rios.
Escrever era a forma de ela escapar.
Ela escrevia furiosamente. Escrevia continuamente.
Nos �ltimos anos de vida,
ela passou muito tempo destruindo...
destruindo o que ela tinha escrito.
Ela devia ser muito solit�ria.
Imagino que era muito solit�rio ser a mulher do Charlie Chaplin.
Aquele grande desejo que eu tinha
de ter uma conversa a s�s com o meu pai...
FILHA
Eu deixei aquilo de lado.
Pensei: "Isso � rid�culo. Nunca vai acontecer."
E, quando eu desisti daquele sonho,
foi quando aconteceu.
Uma conversa a s�s com o meu pai.
Eu tinha crescido com o �cone.
Mas o homem... Eu n�o fazia ideia de quem era o homem.
Ele falou sobre ter muitas d�vidas.
Ele disse que tinha tido d�vidas a vida toda.
Ele realizou o sonho da vida dele,
mas acho que nunca superou as d�vidas.
Algu�m consegue esquecer o lugar de onde vem?
Acho que ele nunca nos abandona.
CHARLIE CHAPLIN MOROU AQUI
Se voc�s ficarem quietos
Vou contar sobre um homem
Que era pobre, carente e esfarrapado
Ele n�o era do tipo que se esquivava Estava em busca de trabalho
Mas ouvia a mesma hist�ria em todo lugar
"Andarilho, continue andando
N�o h� nada aqui para voc�
Se eu te pegar aqui de novo
Voc� vai para a cadeia
Continue andando � o melhor que pode fazer"
Ele subiu e desceu a rua
At� que os sapatos sa�ram dos p�s
Em uma casa, ele viu uma mulher Fazendo um ensopado
E ele disse: "Como vai?
Posso cortar lenha para voc�?"
O que a mulher disse Deixou-o muito triste
"Andarilho, continue andando
N�o h� nada para voc� aqui
Se eu te pegar aqui de novo
Voc� vai para a cadeia
Continue andando � o melhor que pode fazer"
Do outro lado da rua, ele leu um cartaz
"Trabalhe para Jesus", dizia
E ele pensou: "Esta � a minha chance, vou tentar"
E ele se ajoelhou no ch�o
At� os joelhos doerem
Mas na hora de comer Ele ouviu o pregador exclamar
"Andarilho, continue andando
N�o h� nada para voc� aqui
Se eu te pegar aqui de novo
Voc� vai para a cadeia
Continue andando � o melhor que pode fazer"
No final da rua, encontrou um policial E o policial o fez parar
E perguntou: "Quando voc� chegou � cidade?
Venha comigo at� o juiz"
Mas o juiz disse: "Ah, caramba
Mendigos que n�o t�m dinheiro N�o precisam vir aqui
Andarilho, continue andando
N�o h� nada para voc� aqui
Se eu te pegar aqui de novo
Voc� vai para a cadeia
Continue andando � o melhor que pode fazer"
Finalmente chegou o dia feliz
Em que a vida dele acabou
Ele tinha certeza De que iria para o C�u quando morresse
Quando chegou �s portas do C�u
S�o Pedro, o velho malvado
Bateu as portas na cara dele E exclamou alto
"Andarilho, continue andando
N�o h� nada para voc� aqui
Se eu te pegar aqui de novo
Voc� vai para a cadeia
Continue andando � o melhor que pode fazer
Continue andando � o melhor que pode fazer"
Legenda do usu�rio "Distanasia" Resync por Jaf em 23/10/2023
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