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Você sempre diz que, quando seus pais morreram,
sua avó cuidou de você.
Mas você cuidou dela muito mais.
Você tem cuidado das pessoas a vida toda.
É só o que você faz. Porque gosta.
Mas tem um lado negativo.
Você tem o dom de atrair pessoas com problemas
e se tornar indispensável pra elas.
Mas ser indispensável é cansativo.
Por isso, quando quer sair, quando se cansa,
acaba machucando-as.
E pode machucá-las de verdade.
Foi o que aconteceu.
- Vou à polícia. - Não.
Vão me interrogar.
E daí? Alguém viu você entrar no carro?
Acho que não.
Te viram na ponte?
Não sei.
Vamos supor que não.
Direi que te peguei na festa e que não nos separamos um segundo.
É o que vamos dizer.
Com quantos transou desde o término?
Para o carro! Quero sair!
2 MENSAGENS NÃO LIDAS
ELMER BOM DIA!
QUER DAR UMA VOLTA NO MEU CONVERSÍVEL?
ELMER O QUE VAI FAZER HOJE?
TENHO UMA VISITA AO MUSEU COM AS CRIANÇAS
ELMER TENHO UM PLANO INCRÍVEL PRA HOJE À NOITE
Só uma mãe poderia entender a dor que eu sentia naquele momento.
VIOLETA: VOU ME ENCONTRAR COM MINHAS AMIGAS… NOITE DAS GAROTAS!
Não conseguia dormir pensando em como recuperar meu filho.
FICA PRA PRÓXIMA!
E descobri que a solução estava bem na minha frente.
Elmer tinha um coração, como dizem, novinho em folha.
Eu só precisava dar um empurrãozinho nele pra que ele aprendesse do jeito difícil
que amar alguém significa sofrer também.
ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com
É óbvio que vivem em Pontevedra ou nas redondezas.
Acha que é um assassino em série?
Não dá calafrio falar "assassino em série"?
Sim.
Como se alguém soprasse na nuca.
Melhor entregar o caso a Homicídios.
Não. O caso ainda não é sólido o suficiente.
Tem razão.
Vamos investigar mais.
Está bem.
O que sabe sobre assassinos em série?
Há um tempo, li um livro de um especialista do FBI.
E você?
Nada.
Parece que vamos precisar de ajuda.
Essa necessidade de poder e controle
deixa psicopatas mais propensos a atos antissociais,
já que muitas das características
que têm um papel importante em inibir o comportamento violento
ou estão diminuídas neles ou simplesmente inexistem.
Obrigado pela atenção.
Até semana que vem.
- Boa tarde. - Olá.
Investigadores Torres e Carrera da Polícia de Pontevedra.
Como posso ajudar?
Pode ver estes documentos e nos dar sua opinião?
Não acho que seja o trabalho de um psicopata criminoso.
Como chegou a essa conclusão?
Um psicopata comete crimes movido por um impulso interior
que o faz escolher sempre o mesmo tipo de vítima.
Aqui, vocês têm
três mulheres de diferentes idades e traços físicos.
E seis homens que não têm características comuns entre si.
O grupo é muito heterogêneo.
Poderia ser um psicopata que gosta de heterogêneo?
Não. E o intervalo de tempo entre os desaparecimentos
não é típico desse tipo de psicopata.
O responsável por essas mortes não é um assassino em série.
As vítimas não têm ligação entre si.
O motivo dos assassinatos deve ser diferente também.
Alguém pode ter tido um motivo pra acabar com suas vidas.
Mas essa pessoa não precisa ser o assassino.
Só fizeram o trabalho.
- É um profissional. - Um profissional?
- Um narcotraficante diversificando. - Ou alguém que fez o 1º trabalho e ficou.
- Pela comida e pelo sol. - Seja o que for.
Acharam um mercado e uma oportunidade de negócios.
Nem tanto. Foram nove assassinatos em sete anos.
Pode ter havido mais. E o preço depende da demanda.
O que você estudou?
Economia, em Santiago.
Por onde começamos?
Pelo final.
Vamos descobrir quem tinha motivo pra matar Mon Santís e o nadador.
Certo.
Dá a mão pra Carlota.
Certo. Quem quer ir ao museu?
- Eu! - Eu! Muito bem.
Venham por aqui, todos juntos. Não soltem.
- Olá. - Olá. Como vai?
Olá. Quem quer conhecer Trea, a garota pré-histórica?
- Oba! - Eu!
- Pode ficar de olho neles? - Sim.
Fiquem com ele um minuto. Já volto, está bem? Vão.
- Olá. - Olá.
O que faz aqui?
Estava na área e lembrei que você vinha ao museu.
Queria dizer uma coisa, então vim.
Não posso te ver agora. Estou com as crianças.
Tenho um plano pra esta noite. Você vai amar.
Hoje não posso. Já te disse.
Mas ainda não falei o que é.
Quero te mostrar as aldeias onde viviam…
Importa-se de levá-los pra dentro?
- Já vou. - Sem problema.
Já vou, crianças. Comportem-se.
- Certo. - Certo.
Há uma chuva de meteoros esta noite. O céu está limpo. Será incrível de ver.
Esse fenômeno não acontece com frequência.
Pensei em irmos juntos ao cabo pra ver. Que tal?
Não posso. Tenho planos com minhas amigas. Já falei.
A chuva de meteoros é hoje. Não tem amanhã.
Elas podem esperar. Pode vê-las amanhã.
Está me colocando numa situação incômoda.
Está com raiva? Está, sim.
Sim, estou com raiva.
Não gosto que apareça sem avisar.
E quando estou trabalhando. Não é o momento.
Me desculpa.
Estamos bem. Está tudo bem, certo?
Mas precisa respeitar meu espaço.
Entendeu?
Certo. Depois nos falamos.
- Tchau. - Tchau.
E se, digamos, Elmer perder as faculdades
e não puder autorizar a operação?
O que acontece?
Precisamos do consentimento expresso dele.
Não me julgue. Só estou muito preocupada.
Não se preocupe. Não te julgo.
Tivemos outros casos de pacientes que recusaram tratamento
e, quase sempre, a razão vence no final.
Eu adoraria que isso acontecesse, mas…
Você viu, meu filho é estranho. Ele foge da norma.
Pelo que vejo da relação de vocês, você é importante pro Elmer.
Sei que poderá convencê-lo.
Ele parece intenso demais, doutor.
À medida que o tumor progredir,
suas emoções se tornarão cada vez mais extremas.
O que ele odeia hoje, pode amar amanhã, e vice-versa.
Elmer, se eu soubesse que você ficaria, eu teria feito o jantar.
Não, tudo bem.
Eu te entendo, filho. De verdade.
Mas acho que você também precisa se esforçar pra me entender.
- Você estragou um momento bem especial. - Eu sei.
Só não entendo o que está fazendo aqui
em vez de correr atrás dela.
Aqui está você, preso com sua mãe horrível?
Ela vai ver as amigas hoje.
Isso é estranho, não?
Por quê?
Porque, quando você se apaixona, só quer estar com essa pessoa.
É assim.
Quem se importa com as amigas?
- Não. - Não acho que seja estranho.
Bem, se você diz que não há problema…
- Não há. - Sim, exato.
A pergunta é se ela sente o mesmo por você.
E isso não é uma dúvida, certo?
Não, não é.
- Saúde. - Saúde.
- À noite das garotas. - Saúde!
Vou ao banheiro. A cerveja passa direto.
Foi uma cerveja. Só uma.
- Ela está dançando. - Dançando. Essa garota.
E o jardineiro?
Elmer.
Sim, Elmer.
É um pouco estranho ele aparecer no trabalho. Dá arrepios.
Eu não devia ter te contado.
Até parece!
Parece que ele está muito obcecado por você.
Tipo Xoan.
Eles não têm nada a ver.
A culpa é sua, porra!
Você é doente!
Saiba que só quero te proteger.
Eu sei.
Obrigada, mas estou bem.
Sinto que está cometendo os mesmos erros. Mas sempre há consequências.
O que está tentando dizer?
Quando a coisa fica feia, sou eu que te ajudo.
Que comentário de merda.
Sabela está aguentando bem pra idade dela, não acham?
Não tem papel no banheiro. O banheiro é pra lá.
Eita.
- Olá. Bom dia. - Bom dia.
- Investigadora Carrera, certo? - Isso.
Como você está?
Bem, foi um duro golpe.
- Mas estamos superando, devagar. - Que bom ouvir isso.
Só vim pra falar sobre o caso do seu marido.
Foi encontrado?
Vasculhamos a costa, o fundo do estuário… Nada.
Decidiram cancelar a busca. Sinto muito.
Sei que fizeram o que podiam.
E agradeço muito.
É um pouco estranho, não é?
O quê?
O mar não ter devolvido o corpo.
Bem…
essas coisas acontecem às vezes.
É.
Decidimos manter a investigação aberta mesmo assim.
Obrigada.
Por quê?
Porque não descartamos outras possibilidades.
Sabe se seu marido tinha inimigos, alguém que queria machucá-lo?
Não que eu saiba.
Ele não mencionou nada pra mim.
Se pensar em mais alguma coisa, por menor que seja, me liga.
Eu agradeço.
Obrigado.
Falei com um dos amigos de Mon.
Não tinha problemas com ninguém, exceto com Violeta.
- Certo. - Tiveram momentos tensos.
Ela mentiu, mas parece pouco pra mandar matar alguém.
Tem algo melhor?
Falei com a esposa do nadador. Parece dez anos mais nova
e não parecia chateada com a suspensão da busca pelo corpo.
- Ela não sente falta dele? - O filho também não.
Fui até a casa deles, falei com os vizinhos…
O nadador era um bruto.
Há pouco tempo, uma ambulância foi buscar o garoto.
Então ele é covarde e abusador.
Um bom motivo pra querer alguém morto.
ABUSADOR
Olá.
Olá. Como está?
Bem.
Passei por aqui milhares de vezes e nunca entrei. É…
É um lugar maravilhoso.
- Vem, quero te mostrar uma coisa. - Certo.
Uau, que incrível!
Sim. Esta é uma rocha artificial.
Pode trazer as crianças quando quiser. É um ótimo lugar pra uma excursão.
Sim, elas adorariam.
- E crianças adoram sujar as mãos. - Sim.
Podem me ajudar a procurar minhocas. Elas se escondem nesta época do ano.
Aqui estão elas.
- Você tem nojo? - Não sou fã.
Vem cá.
- Como foi ontem com suas amigas? - Ótimo.
Nos divertimos muito.
E como foi ver as estrelas?
Ótimo.
Pensei em você.
Agora tenho que colocá-las aqui.
As minhocas ajudam a arejar a terra.
As plantas florescem mais saudáveis.
QUERO CONVERSAR
A terra não é compactada.
VAMOS NOS VER?
Ninguém vai trazê-las aqui. Tem que ser a gente.
Algum problema?
ESTÁ TUDO BEM
Nada, não.
É a Catuxa. Discutimos ontem, e ela quer me ver e conversar.
Você falou que se divertiram muito.
Sim. O que isso tem a ver?
VAMOS AO PARQUE EM UMA HORA.
- Nada. Você que disse, não eu. - Sim.
Pensei que passaríamos a manhã juntos.
Eu sei, mas preciso falar com ela. É importante.
Conversamos depois, está bem?
Tchau. Vamos, Milky.
Vamos.
Vamos.
O conselho do cassino não podia dizer não.
Não.
Então nós temos…
Temos um espaço pra realizar o leilão beneficente.
- Que ótima notícia. - Mal posso esperar pra ver.
Me desculpa, mas tenho que ir.
Bom garoto. Solta.
Sinto muito, está bem?
Eu não devia ter dito aquelas coisas. Falei demais e…
Não foi minha intenção que soasse tão mal.
Também sinto muito.
Tenho andado ansiosa, e ontem perdi a cabeça.
Mas está tudo bem.
Isso.
Milky? Olá.
Lembra de mim?
Toma. Você lembra?
Você vem comigo? Tenho mais.
Vem comigo.
Somos amigas ou não? Não sei.
- O que você acha? - Não sei. Você nem me abraçou.
- Me deixou no vácuo. - Coitada, precisa de um abraço.
- Nossa. - Pronto. Ótimo.
- Você é tão má. Credo. - Não sou.
- Onde está o Milky? - Não sei.
- Você jogou a bola, né? - Sim, pra lá.
- Pra lá? - Sim.
- Milky? - Milky? Vem, me dá.
Milky?
Milky?
- Vem aqui. - Milky?
- Milky! - Vem!
Vem, amor!
Olá. Com licença, viram um cachorro?
Ele é pequeno, branco e tem manchas marrons.
Estávamos jogando bola ali. Não o viram?
- Não, não vimos nada. - Não.
Não entendo. Ele sempre vem quando eu chamo.
E se tiver sido levado?
- O que você quer? - Conheço o caminho.
Milky?
Milky?
Milky?
Por que está gritando assim?
Cadê meu cachorro?
Não gosto de animais.
Me dão alergia.
Se você fez algo com ele, vai se arrepender.
Não duvido.
Foi o que fez com Xoan, né?
Cadê meu cachorro?
Cadê o Milky?
Está bem.
Direi o que aconteceu.
- Posso te levar pra casa? - O que faz aqui, Xoan?
Um amigo me disse que estava na festa. Pensei em conversarmos.
Não. Acabei de chamar um táxi.
Cancela. Quero dizer uma coisa pra saber o que você acha.
- Xoan. - Você sempre me deu bons conselhos.
Podemos conversar como amigos.
Vamos. Entra.
Por favor.
Eu não devia ter entrado no carro. Cometi um erro.
Você disse à polícia que não estava na ponte.
Eu menti.
Vou consertar o barco do meu pai.
Quando estiver pronto, quero viajar pelo mundo.
Legal.
Você iria comigo?
Não.
Xoan, é o seu sonho. Não é o meu.
Sim.
Seu sonho é ficar longe de mim um tempo, né?
- Não começa. - Pra voltar pros garotos do remo.
- Com quantos transou desde o término? - Cem.
Transei com 100. O que acha?
Acho que é uma puta.
Para o carro. Quero sair.
O que está fazendo? Para.
Xoan, para o carro! Quero sair!
Para o carro. Está me dando medo, Xoan! Para o carro, cara!
- É você que me faz dizer essas coisas. - Para o carro!
- Ninguém vai te amar como eu. - Espero que ninguém me ame como você.
Não aguento mais, cara, entendeu?
Nunca vou voltar com você. Para o carro agora!
Não vê que quase nos matou?
A culpa é sua, porra!
- Se quer morrer, faz isso sozinho. - É exatamente o que vou fazer!
Olha pra mim! Violeta!
Olha pra mim!
Olha pra mim!
Vai, pula!
- Pula! Quero ver você fazer isso. - Quer me ver me matar?
Sei que não pulará. Você é um bebezão. Te conheço muito bem, Xoan!
Só quer atenção. É o que faz, implora por atenção.
Você é um filhinho da mamãe!
Você é uma puta, Violeta.
É uma puta.
E vai morrer sozinha.
Foi um acidente.
Xoan!
Por que não contou tudo isso à polícia?
Fiquei com medo.
Achei que não acreditariam em mim.
Vai embora.
E o Milky?
Sabela, cadê o Milky? Me devolve.
Por favor.
Só quero que sinta uma fração da dor que sinto.
Vagabunda.
Aí está seu cachorro.
Ela acreditou ou não?
Não sei.
Violeta!
Pula! Anda, porra!
Você é um merda.
Você é uma puta, Violeta.
É uma puta.
E vai morrer sozinha.
Mãe, sério?
Faz tempo que não dançamos.
…de um novo dia
…que você e eu
Ainda podemos ser felizes
Se nos deixarem
…perto do céu
Lembra quando eu te fazia dançar comigo quando era pequeno?
E você me abraçava assim.
Suas amigas eram meu público.
Aplaudiam quando eu terminava.
Eu te amo muito, filho.
Também te amo, mãe.
Vai ficar pro jantar?
Não sei.
Deixei algo lá.
LIGANDO… VIOLETA
Olá. É a Violeta.
Não posso responder. Deixe sua mensagem após o sinal.
- Acha que fizemos a coisa certa? - Claro!
Sabela não tem provas. E é a palavra dela contra a sua.
E sempre vou te apoiar.
Obrigada.
Não quero ver ninguém.
Bem, o homem do momento.
- A Violeta está? - Não, saiu.
- Aonde foi? - Não sei. Saiu faz tempo.
Estou ligando. Ela não atende. Não responde às mensagens.
- Ela está aí? - Não.
- É o telefone dela. - Ela esqueceu aqui.
- Me deixa entrar. - Não.
- Preciso falar com ela. - Não interessa o que precisa.
Não quer me ver? Não me atende nem responde às mensagens.
- Não entendo. - Tive um dia de merda, Elmer.
É isso.
O que houve?
Agora não importa.
Não estou sempre disponível na hora que você quer.
Não tenho que explicar tudo que faço pra você.
Só quero que me diga se há um problema entre nós.
Está bem, mas não estou bem agora.
Podemos ter essa conversa outra hora?
Por favor.
Eu te ligo.
Está bem?
A decisão é sua.
Obrigada.
Boa noite.
Encontrei aquela garota hoje.
Esse assunto está complicado, mas está encaminhado.
Meu Xoan faria 30 anos em duas semanas.
Se ela não sumir até lá,
vou à polícia dizer tudo o que sei sobre você.
Não seria muito sensato da sua parte, Sra. Costeira.
Duas semanas.
Boa noite.
- Tem algo pra limpar óculos? - Não sei, olha no porta-luvas.
O que é isto?
Coisas que não consigo deixar de pegar.
- Pra quê? - Nada. É um TOC.
Andei pensando no que você disse.
Sobre eu ser uma pessoa desaparecida.
- Falei sem pensar. Estava com raiva. - Sim, mas tinha razão.
O pior é que ninguém me forçou a desaparecer.
Essas duas últimas semanas
foram as melhores semanas de trabalho que tive há anos.
As minhas também.
Droga!
O JARDINEIRO ÁRVORES E PLANTAS
Uma policial me visitou.
Eles suspeitam de algo.
Pegue um carrinho.
Um carrinho.
Como foi a visita?
- Vão encerrar as buscas pelo corpo. - Ótimo.
Ótimo. Pegue outra.
Em três meses, o caso vai juntar poeira e ser arquivado.
Não, eles não vão arquivar o caso.
- Como sabe? - Ela me disse.
Perguntou se eu conhecia alguém que queria machucá-lo.
E o que você disse? Pegue outra.
Que eu não conhecia.
Desde que não fale, não podem provar nada.
Se me investigarem, vão descobrir sobre o garoto
e o dinheiro, e vão me pegar.
O garoto é hiperativo e cai muito. Ele se machuca.
E você está viciada em jogos. É só o que precisa dizer.
Você confia demais em mim.
Se te pegarem e condenarem,
o garoto vai acabar vivendo com a família do pai.
A decisão é sua.
Vou te dar uma destas.
Com isto e isto? O que acha?
Adorável.
Vai ficar muito bom.
Vamos. Muito bem, meninas. Aguentem firme, vamos.
Vamos, estiquem as pernas.
Estiquem. Vamos.
Muito bem, isso.
Vamos terminar. Hora de se trocar.
- Tomar banho e sair? - Não vou a lugar algum.
Uma noite com as amigas é a melhor coisa após um término.
Não terminamos.
Não terminaram,
mas, pelo jeito que está remando, eu diria que está considerando.
Meu conselho? É melhor terminar antes de se apegar demais.
Você é tão direta.
Certo.
E encher a cara vai me ajudar a esquecer, né?
Entre outras coisas.
- Certo? - Certo, vamos.
Não acha curioso?
A viúva do nadador compra plantas na loja da mãe do cara
que estava lá quando Mon desapareceu.
É tudo muito circunstancial.
Ela tem uma van com uma porta lateral igual à do meu padeiro.
Mas não podemos situá-lo lá.
Não temos testemunhas nem provas. Nem um rastro.
Espera aí.
Torres, achei isto a poucos metros do carro de Mon.
- O que é? - Já vai descobrir.
Olha.
Irrigador automático.
Ele estava lá.
Fez Mon Santís desaparecer.
Ainda acha que aquela mulher foi comprar plantas no viveiro?
Ela tem um negócio paralelo às plantas.
Encontramos.
Vamos comemorar?
Tem certeza?
Sim.
E você?
- Um contra um! - Merda.
- Shot! - Shot, mas não comprarei.
Não, bebe isto. Fiz há um tempo.
A polícia está fazendo perguntas sobre o nadador.
- Certo. - Temos que ter cuidado, Elmer.
Vou ter.
Está preocupado?
Não.
Qual é o problema?
Não é isso. É…
O que foi? É aquela garota de novo?
- Ela não está bem. - Qual é o problema dela?
- Não sei, mas ela não está bem. - Não há nada de errado com ela, Elmer.
Ela está muito feliz.
- E daí? Não significa nada. - Não?
Alguém que diz uma coisa e faz outra?
Não está certo, Elmer.
O que eu faço? Não sei nada sobre relações pessoais.
Vou te explicar, filho.
Quando uma pessoa se interessa por você,
sente algo por você ou gosta de você, ela quer passar tempo com você.
Se não tem tempo pra você, significa que não está interessada.
E me dói, Elmer.
Porque você tomou uma decisão bem difícil.
Me dói que ela não retribua seu amor do mesmo jeito.
Um, dois, três!
Legendas: Bruno Spinosa Tiussi
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