Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
UM FILME DE ALI ASGARI & ALIREZA KHATAMI
CRÔNICAS DO IRÃ
TEERÃ
DAVI
- E a certidão de nascimento? - Está aí
embaixo.
E o comprovante de pagamento?
Está aqui.
Obrigado.
Certo. E qual nome escolheu para seu filho?
Davi.
- Davi? - Isso.
- Está falando sério? - Estou.
Você vive no Irã?
Por quê?
- Vive mesmo? - Vivo.
Se vive aqui no Irã, deveria saber que seu filho
não pode se chamar Davi.
Por que não?
Porque não é iraniano.
E daí?
Não pode.
Por que não pode?
Porque promoveria uma cultura estrangeira.
Não entendo seu raciocínio.
-Você mora no Irã e quer dar -Mas...
um nome ocidental ao seu filho.
É como se um europeu botasse um nome iraniano no filho dele.
Não faz sentido.
Mas minha esposa
gosta muito desse nome.
Gostar não é o bastante.
Essa não é uma razão aceitável.
Por que não?
Porque não é.
Por que Davi?
É o nome do autor favorito dela.
Ninguém bota o nome de seu autor favorito em seu filho.
- Por que não? - Porque não é possível.
Talvez alguém goste do poeta iraniano Vahshi Bafghi.
Você chamaria seu filho de Vahshi?
Vahshi e Davi são muito diferentes.
Não vemos diferença.
Nós já concordamos com esse nome.
Não poderia abrir uma exceção?
Por que não escolhe o nome do seu autor favorito?
Porque, na verdade, não gostamos do nome dele.
- Qual nome? - Não gostamos do nome.
- Diga o nome. - Gholam Hossein Saaedi.
- Gholam Hossein? - Isso.
Gholam Hossein é ótimo. Um nome tão lindo.
Não é melhor que Davi?
Não gostamos de Gholam Hossein. Nós gostamos de Davi.
Davi não é permitido, mas dá para usar Hossein sem Gholam.
Assim, você terá um lindo nome religioso,
que homenageia seu autor favorito.
E que acaba tendo metade do nome do seu autor favorito!
Mas é um nome árabe, não iraniano.
Desde que seja um nome religioso, não tem problema.
Davi também é nome religioso.
Eu não acho.
É o mesmo que Davood, mas com pronúncia diferente.
Eles dizem Davood para Davi, então dizemos Davi para Davood?
Mas ambos têm o mesmo significado.
Se o significado é o mesmo, por que não escolher Davood?
Davood é uma opção aceitável.
Preferimos Davi. Não gostamos de Davood.
Como eu disse, Davi não é permitido.
Será que você não pode me ajudar?
Irmão, não depende de mim.
Temos uma lista de nomes aprovados,
e Davi não está nela.
Então escolha qualquer um Davood, Hossein ou Gholam Hossein.
Imagine nomear seu filho Gholam Hossein
e dizer “Gholam Hossein, venha cá”.
Você chamaria seu próprio filho de Gholam Hossein?
Você sugeriu Gholam Hossein, eu não disse isso.
Eu não sugeri Gholam Hossein.
Você me perguntou qual era o meu autor favorito,
e eu disse Gholam Hossein Saaedi.
Eu não sugeri.
De qualquer modo, você mencionou isso, não eu.
Eu também sugeri Davood.
Quer que eu sugira outro nome?
Não, senhor.
Queremos o nome que eu disse.
- Deixe-me dar outra sugestão. - Não, não precisa.
Por que você está irritado? Estou aqui para ajudar.
Não, obrigado.
O que devemos fazer agora? Quer pensar um pouco mais?
Ou consultar sua esposa?
Só seja um pouco mais rápido,
para não deixarmos os outros esperando.
Davi realmente não é possível?
Não, senhor. Quantas vezes preciso dizer?
SELENA
Por favor, venha até aqui. Veja se gosta desses modelos.
Vocês têm a parte do véu também?
Sim, temos o conjunto completo para a cerimônia de obrigação.
Vou levar esse para minha filha. Uma cor alegre.
Qual ficaria mais adequado para ela?
Talvez cinza ou azul marinho.
Mas o véu precisa ser de uma cor clara.
Ela gosta de cores alegres: Vermelho, amarelo, verde...
Não, o vermelho não é possível.
Mas você pode colocar uma faixa vermelha no véu.
Faixa? O que quer dizer?
Como se fosse uma faixa na testa,
com alguma frase escrita.
Não, senhora. Isso era do tempo da guerra.
Mas algumas pessoas ainda compram.
Peça para ela provar um casaco, e vamos combinar as cores.
Selena?
Selena, querida?
- Oi. - Qual dessas cores você gosta?
De nenhuma delas.
Você precisa escolher uma.
Por quê? Eu não gosto nem um pouco.
Na cerimônia da sua escola, precisa usar uma dessas cores.
Veja, esse cinza é lindo.
O véu vem por cima.
Então vamos levar um vermelho.
Ela está certa. Podemos escolher outra cor?
Não, se virem o vermelho por baixo, vão mandá-la para casa.
Esse cinza é lindo.
Venha, experimente esse.
Ficou legal!
Abaixe os ombros.
O tamanho está bom.
Vá dar uma olhadinha.
Por que tenho que usar isso?
O que há de errado com minhas roupas?
Pare de reclamar. É uma regra da escola.
Use suas roupas em casa e nas festas,
mas, na escola, precisa usar esse uniforme.
Esse lenço azul combina bem com esse tom de cinza.
- Não tô vendo azul nenhum. - É um azul clarinho.
Tire esse aí. Experimente essa cor bege.
Vamos, experimente esse aqui.
Credo!
Vamos ajustá-lo.
Não, o cabelo dela não pode aparecer.
- Olha como ela fica linda! - Uma graça.
Vá olhar.
- Ficou grande? - Não, está bom.
- Está muito grande. - Não, o tamanho está bom.
Se estiver muito curto, eles vão reprovar
e mandá-la para casa.
- Não sei se outro ficaria melhor. - Que tal colocar a bandana?
Não, não, nada de bandana.
Senhora, é uma cerimônia de obrigação. O cabelo deve estar totalmente coberto.
Eu sei disso.
Também temos um véu que já vem com um lenço preso.
Talvez ela fique mais à vontade assim.
Está bem.
Vou querer um desconto, tá?
Vou ver um bom desconto para a senhora.
Queria lhe mostrar um véu que acabou de chegar.
Sr. Hasan?-Oi?
pode trazer o véu clarinho para crianças?
Aquele com bordado de fita.-Já levo.
Ele tem um tom de verde e é lindo.
Também temos o tapete de oração que combina.
Disseram que bastava o véu para a cerimônia de obrigação.
Bom, fica a seu critério,
mas como suas coleguinhas estão levando o conjunto,
- achei que também ia querer. - Aqui está.
Esse tecido é o melhor de todos, basta lavar e usar.
Vai durar sete gerações.
Querida, venha provar esse aqui.
Vem cá.
Como é isso?
- Ele tem mangas? - Tem, sim.
As mangas são florais.
Vamos desamassar aqui.
Que lindo!
Não olhe para mim. Olhe-se no espelho!
Só dá para ver meus olhos no espelho.
Coloque essa tiara de flores.
Ela complementará seu lenço.
Venha cá.
Pronto, olha isso.
Que gracinha.
- Se é tão bonito, por que não usa? - Bom, eu fiz a minha parte!
É a sua vez agora!
Tá, você gostou?
Também temos tapetes de oração de veludo com desenho de fita.
- Qual é o mais barato? - Esse aqui.
- Só tem esse? - Mãe, posso tirar isso?
Esse tapete não é caro. Custa cem mil.
Não precisamos do tapete.
Só o conjunto com o lenço e um desconto também.
É, claro. Vamos até o caixa.
ARAM
Sim, senhora.
Você tem namorado?
Não, senhora. Quem disse isso?
Não minta para mim.
Não estou mentindo. Diria se tivesse um namorado.
Então quem era aquele cara?
Quem, senhora?
Aquele de motocicleta que te deixou aqui.
Ninguém me deixou aqui.
- Ninguém te deu carona? - Não.
Como veio para a escola?
De táxi.
Por que não pegou o ônibus escolar?
Eu dormi demais.
Não, você não dormiu demais.
Você queria vir de motocicleta com aquele garoto.
Que garoto?
Aquele de motocicleta que te deixou aqui.
Ninguém me deixou aqui. A senhora viu alguém?
Eu não vi, mas o Sr. Jalil viu.
Como ele poderia ver alguma coisa? Ele é cego.
Cuidado com a língua!
Ele não é cego. Ele tem a visão limitada.
Os óculos dele são tão grossos!
Ele mal vê um metro à frente! Como me reconheceria?
Ele vê o que precisa ver. É por isso que ele está aqui.
Achei que estivesse aqui para limpar a escola.
Isso não é da sua conta.
Como ele sabe que era eu? Tem quinhentas meninas nessa escola,
todas vestidas com o mesmo uniforme.
Ele tem certeza de que era você.
Como ele tem certeza?
Ele te reconheceu pelo seu jeito de andar.
Qual é o meu jeito de andar?
Você anda gingando.
O que a senhora quer dizer?
Que você anda com os dedos dos pés apontando para fora,
- como uma pata. - E sou a única que anda assim?
Está dizendo que ele está mentindo?
Não estou dizendo isso.
Mas ele deve ter se enganado por causa da visão limitada.
Ele nunca se engana.
Além disso, não foi a sua primeira vez.
Por que o Sr. Jalil lembra de como eu ando?
Deixe-me ver a sua cabeça.
Mostre a sua cabeça.
- Para que, senhora? - Deixe-me ver.
Você pintou o cabelo?
Não, senhora. É naturalmente dessa cor.
Está olhando nos meus olhos e mentindo?
Você pintou o cabelo.
Não, acredite em mim, ele fica dessa cor à luz do dia.
Você é uma camaleoa?
Venha cá.
Venha cá.
Tire o lenço da cabeça.
Tire agora!
Isso não é tintura?
Seu cabelo é naturalmente azul?
Sente-se. Vou te botar na linha hoje.
Mentirosa sem vergonha.
Qual é o nome do garoto?
Que garoto? Juro que não tem garoto nenhum.
Você está mentindo e jurando, sua idiota?
Tá legal, pintei meu cabelo e um garoto me deixou aqui.
- E daí? - Não fale assim comigo.
Como eu falei?
De forma rude e irritada.
Não sou rude. Quando digo a verdade, não acredita em mim.
Eu te deixaria ir embora, se tivesse me dito a verdade.
Acha que está lidando com uma imbecil?
Senhora, o que quer que eu diga para me deixar em paz?
Já disse para você se comportar!
Vou ligar para o seu pai.
Você explica para ele.
Não, senhora, por favor.
- Não, por quê? - Eu imploro.
Seu pai precisa saber que em vez de vir à escola,
está andando por aí com rapazes de motocicleta.
Por favor, desligue. Eu vou contar a verdade.
E aí?
Tudo o que o Sr. Jalil disse é verdade.
Então, quem é esse garoto?
Por favor, não o envolva nisso.
Não vou envolvê-lo. Só quero saber o nome dele.
Mohammed.
Mohammed de quê?
Mohammed Amiri.
Senhora, prometeu não ligar!
Seu pai precisa saber que tem uma filha displicente.
Senhora, desligue. Preciso contar outra coisa também.
Diga.
Mohammed e eu fomos ao Parque Qeytariyeh na quarta.
E?
- Quer que eu conte o resto? - Quero.
Eu filmei a senhora.
Eu não estava o Parque Qeytariyeh na quarta.
Estava lá, sim. E, na verdade, não estava sozinha.
Posso pegar meu celular e lhe mostrar.
Que absurdo é esse?
Está bem. É um absurdo.
Ligue para o meu pai.
Não sou como a senhora. Não quebro minhas promessas.
Não vou contar a ninguém.
Agora, se me dá licença.
SADAF
A senhora poderia atualizar?
Parece que estamos com um problema de internet.
Vocês também têm problemas de internet?
Às vezes, desconecta. Vamos esperar um minuto.
Achei que vocês controlavam ela.
Não é bem assim.
Alô, Sra. Shabani,
poderia enviar o arquivo de novo?
Ainda não chegou. É, do 206 prata, 88.
Obrigada.
Tchau.
Tenho certeza de que é um erro.
Quantos carros 206 existem com o mesmo número de placa?
Não era o meu carro.
As câmeras registraram.
É impossível. Nem tenho cabelo para mostrar.
Não tire o capuz. Coloque de volta!
Estamos só você e eu. Qual é o problema?
Não, tem câmeras aqui. Os “irmãos” podem ver.
Nossas câmeras não cometem erros.
Não estou dizendo que suas câmeras cometeram um erro.
Levaram meu telefone lá pra baixo. Se não, eu mostraria as fotos.
Meu cabelo já está curto há algum tempo.
Talvez não fosse você ao volante.
A questão é que a motorista não usava o véu.
Não é possível. Não empresto meu carro para ninguém.
- Veremos quando o arquivo chegar. - Está bem.
Vocês não avisam antes de rebocar o carro?
Você foi avisada uma vez, mas não apareceu.
Não recebi nenhuma mensagem de texto.
Sei a que horas viu a mensagem e está me dizendo que não recebeu?
Conseguem ver quando eu abro minhas mensagens?
Sabemos de muitas coisas.
A mensagem foi enviada...
no dia 23,
às 1h34,
e você abriu às 1h35.
Você é bem rápida com seu celular!
Trabalho em um app de transporte. Preciso ser rápida no celular.
Então recebeu nossas mensagens.
Não recebi nenhuma mensagem do departamento de trânsito.
Juro por quem você quiser.
Já que é familiarizada com a crença, por que removeu seu hijab?
Já disse que não era eu.
Talvez tenha emprestado o carro e se esquecido.
Senhora, estou lhe dizendo.
Eu não empresto meu carro para ninguém.
Eu ganho a vida com esse carro.
Então não empresto para ninguém.
Talvez tenha se esquecido. De todo modo, está registrado aqui.
Vou lhe provar isso quando o arquivo chegar.
Vamos assumir que não cobri meu cabelo.
O meu carro não é meu espaço privado?
Quem disse que o seu carro é seu espaço privado?
Não é?
Não! Os carros têm janelas e pode-se ver o interior.
Minha casa tem janelas e pode-se ver o interior.
Não é um espaço privado?
- Se o interior estiver visível, não é. - É a minha casa!
Não pode fazer tudo o que quiser na sua casa.
Não, não é um espaço privado.
O que constitui um espaço privado nesse país?
Não quero discutir política com você. Não sou uma pessoa política.
Só estou fazendo o meu trabalho.
Também não estou discutindo política.
Mas seu trabalho está me privando do meu sustento.
Se vocês confiscarem meu carro,
e eu não conseguir fazer o próximo pagamento,
vou perdê-lo.
Se o seu veículo é a sua fonte de renda,
não cometa um crime dentro dele!
Simples.
Do que está falando?
Mostrar o cabelo é crime.
E se o lenço da cabeça escorregar?
Não vai escorregar, se você não quiser.
- E se escorregar? - Aí, você se torna uma criminosa.
Assim, simplesmente?
Acha que o meu lenço escorrega?
O quê?
Estou perguntando: O meu escorrega? Digo, o lenço da minha cabeça.
Não.
Veja, uso grampos para prendê-lo.
Desde a madrugada, me inclino mil vezes,
mas ele não escorrega.
Ele não vai escorregar, se você não quiser.
Eu nem tenho cabelo para usar grampos.
- A foto chegou. - Posso ver?
Pode,
vou te mostrar.
Pronto.
Esse aqui é o seu veículo?
É ele, sim.
Certo.
E essa mulher ao volante,
está usando um hijab?
Não é uma mulher. É o meu irmão.
- É o seu irmão? - É, sim. Ele tem cabelo longo.
Vocês são o inverso um do outro?
Você raspa o seu cabelo e o cabelo dele é comprido?
O tamanho do cabelo é um crime também?
Poderia ser.
Como sei que não é uma mulher?
Como eu sei que é um homem?
Obviamente que é um homem. Como é que são os homens?
Bem, ele precisa vir pessoalmente para provar isso.
Mas como assim?
Estou dizendo que pela foto,
essa pessoa que está dirigindo não me parece ser um homem.
É um homem. É o meu irmão.
Se eu pegar meu celular, posso mostrar as fotos dele.
Não, você pode me mostrar a foto de qualquer pessoa,
e dizer que é seu irmão.
O que importa é a pessoa ao volante
vir aqui pessoalmente. O mais breve possível!
- Então ele precisa vir aqui? - É, ele precisa vir aqui.
Senhora Shabani,
ela já terminou aqui.
Por favor, mande a próxima pessoa.
E para o almoço,
o que temos?
Tá, mande logo a próxima.
FAEZEH
Devo colocar meu endereço residencial também?
Por favor, responda todas as perguntas.
Pronto.
Obrigado.
Desculpe, mas lendo o anúncio, não entendi o que a empresa faz.
Eu vou lhe dizer.
Bem, nossa empresa é do ramo da construção.
Nosso trabalho é fazer edifícios resistentes a terremotos.
Teerã está sobre uma enorme falha, o que nos deixa bastante ocupados.
Temos duas fábricas de última geração,
sem concorrentes no Irã.
Por isso, gosto de pensar que somos nosso próprio concorrente.
Eu preciso ser seletivo em relação aos nossos funcionários.
Porque nossos clientes são muito seletivos.
Isso é ótimo.
E nós cuidamos dos nossos funcionários.
Nós cuidamos do seguro e do pacote de benefícios.
Nós temos até licença maternidade aqui.
Não acho que nenhum outro lugar daria
licença maternidade como nós.
Sim, isso é realmente excelente.
- Você tem alguma outra dúvida? - Não, obrigada.
- Posso fazer algumas perguntas? - Claro.
- Ah, você mora em Karaj? - É o endereço do meu pai.
Qual é o seu endereço?
Eu não tenho casa própria no momento.
- Você tem 30 anos mesmo? - Sim.
Está brincando?
- Eu não teria adivinhado. - Obrigada.
Então domina o Word e sabe digitar.
Sim, digitava tudo lá.
- Como é a sua digitação em inglês? - Eu digito em inglês também.
Como é o seu inglês?
É muito bom. Faço aulas de nível avançado agora.
Se houver uma conversa, você entende?
Sim, posso praticamente conversar.
Praticamente?
Está bem.
“Você é muito bonita”. O que isso significa?
Você não disse que sabe inglês?
É simples. “Você é muito bonita”.
Isso significa. “Você é muito bonita”.
Acha mesmo? Obrigado.
Estou lhe dando a tradução.
Por que está tão séria?
Relaxe!
Eu não estou séria.
Poderia me falar um pouco mais sobre o emprego?
Tem condições excelentes.
Não se preocupe.
Quero dizer as horas de trabalho, licença remunerada, salário, etc.
Eu sei o que você quer dizer.
É uma empresa privada.
Eu estabeleço as condições.
Tudo depende de você.
Tem uma funcionária que trabalha 10 horas
e fins de semana também.
Já tem 6 meses e ela ainda não foi contratada.
Para ser honesto, estou pensando em mandá-la embora.
Mas tem outra
que trabalha 3-4 horas por dia e faz seu próprio horário.
Mas estou satisfeito com ela e já a contratei em tempo integral.
Está vendo?
Só depende de você.
Se eu estiver satisfeito, as condições são boas.
Se você for uma boa garota, vai dar tudo certo.
Entende o que quero dizer?
- Seus lábios parecem secos. - Não, obrigada.
- Por favor! - Não, obrigada.
É orgânico. Não fique tímida.
Não, obrigada.
Com licença, só uma coisa.
Como moro em Karaj, preciso voltar de metrô.
Posso sair às 16h?
Isso complica as coisas.
Mas vou
pensar em algo para você.
Obrigada.
- Você é casada? - Não.
Vi que não usa aliança, achei que não era casada.
E namorado?
Isso está relacionado ao trabalho?
Se estou perguntando, significa que está relacionado.
- Você tem? - O quê?
Namorado. Você tem namorado?
Não, não tenho.
Por quê?
Você é tão bonita. Você não gosta de homens?
Qual é a relação com o trabalho?
Eu disse que tem relação.
Tudo o que eu pergunto está relacionado.
Você poderia responder minha pergunta ou não?
Eu tenho um noivo.
Agora há pouco, você não tinha namorado,
de repente, você tem um noivo?
- Você tem um noivo mesmo? - Tenho.
Está bem.
Você é comprometida?
Sim, sou. Tem alguma outra pergunta?
Por que você está com pressa?
- Está quente aqui? - Não, não está.
Sim. Está, sim. Você está suando.
Tire seu lenço. Essa é uma empresa privada.
O uso do hijab não é obrigatório aqui.
Tire. Relaxe.
- Não. Estou bem. - Seremos colegas.
Vamos, relaxe!
Vamos lá. Tire seu lenço.
Eu preciso ir.
Ei, onde você vai? Ainda estamos falando! Seja educada!
Estou falando com você.
Vim aqui para a entrevista de emprego.
Essa é a entrevista de emprego. Venha, sente-se.
Venha, sente-se! Por favor! Trouxe o suco para você.
Beba seu suco e depois vá embora.
Anda, venha se sentar.
Venha!
Beba seu suco.
Eu não quero. Obrigada.
Se soubesse com quem está falando, não iria embora!
Todos me imploram por cinco minutos, para que eu faça algo por eles.
Você me insulta.
- Não insultei ninguém. - Isso não é um insulto?
Sentada aí discordando de tudo o que eu digo.
Você não se valoriza.
Uma assinatura minha basta para você começar amanhã.
Você queria sair às 16h? Saia às 15h.
Venha sempre que quiser, saia quando quiser.
O que mais você quer?
Você está ouvindo?
Venha se sentar aqui ao meu lado. Venha.
Venha aqui!
Me dê sua mão.
- Me dê sua mão. - Para quê?
Está fazendo perguntas de novo!
Quer trabalhar comigo ou não?
Me dê sua mão. Eu não mordo.
- Me dê sua mão. - Eu preciso ir.
Quem diabos você pensa que é? Vá se foder!
Você não merece isso aqui.
Cadela!
FARBOD
Senhor Farbod Akhtari.
Já consultou um psiquiatra antes?
Psiquiatra ou psicólogo?
- Não há diferença. - Bem, há uma diferença.
Eu determino a diferença.
Não, nunca fui.
E a um psicólogo?
O que isso têm a ver com fato de eu dirigir ou não?
Precisamos saber se apresenta algum distúrbio mental específico
antes de emitirmos sua licença.
Não, nunca procurei um psicólogo.
Está tomando algum remédio?
Que tipo de remédio?
Qualquer tipo.
Eu tomo antiácidos.
Por quê?
Você é estourado?
Todo mundo que toma antiácidos
tem temperamento explosivo?
Gastrite é causada sobretudo por estresse.
Conhece alguém nessa cidade que não tenha estresse?
Então, você é estressado.
Não!
Falava de uma maneira geral.
Não generalize.
Toma algum medicamento relacionado à saúde mental?
Não.
E drogas?
O que quer dizer com drogas?
Narcóticos. Você usa?
Não, juro pelo livro sagrado.
Essas perguntas te deixam nervoso?
Não. Suas perguntas são estranhas.
O que há de estranho nelas?
Não são normais.
Vim aqui tirar minha carteira de motorista.
Disse que tomei antiácidos,
e você diz que sou estourado.
- Você é uma pessoa normal? - Sou anormal?
Aqui diz que você tem tatuagens.
Quem tem tatuagens é anormal?
Estou sentado aqui para determinar isso.
Você é psicólogo?
Deixe-me ver suas tatuagens.
É uma tatuagem simples.
Deixe-me ver.
Não é grande coisa. É um poema.
Eu preciso ver.
Levante sua mão.
- O que está escrito? - Eu disse, é um poema.
- Leia. - Você já viu.
Não, leia. Há um motivo para isso.
Isso é um exame de faculdade?
Estou dizendo para você ler.
“Estou bêbado e você está louca. Quem nos levará para casa?”
Isso é normal para você?
É um poema.
Eu sei que é um poema, mas isso é normal?
Alguém normal escreve isso em seu próprio corpo?
É um verso de Rumi.
Rumi tem muitos poemas lindos.
É, tem mesmo.
Esse também é lindo.
Ele tem coisas melhores.
- É verdade. - Não abaixe a manga.
Parece que tem mais lá pra cima.
Não é nada.
Levante, quero ver.
Anda.
Levantou a manga toda?
Leia o que tem escrito aí.
“Quantas vezes eu te disse para beber menos?”
Você gosta mesmo desse poema.
Gosto.
Mostre-me seu outro braço.
Não tem nada, senhor.
Levante a manga.
É o verso seguinte do poema?
É.
Onde escreveu o resto?
Levante a camisa. Deixe-me ver.
Por quê?
Não escreveu para ser lido?
Então vamos ler.
Escrevi só para mim.
Se fosse só para você, teria escrito em seu diário.
Levante a camisa.
Está por todo o seu corpo?
São todos os versos.
Devo ler para você?
Tire sua camisa.
O quê?
Tire sua camisa. Preciso ler tudo.
É tudo a mesma coisa.
Eu quero ver.
Quer me ver pelado?
Preciso concluir meu relatório.
Diga no seu relatório que tenho tatuagens no corpo todo.
Não posso escrever sem ver.
Se eu tirar, vai me dar a carteira?
Bem, tire e veremos.
Olha, se vai negar meu pedido, me diga logo.
Dois anos.
Dois anos?
A cada dois anos, tenho de vir aqui ficar nu na sua frente?
Você não é obrigado a ter uma carteira de motorista.
- Que camiseta é essa? - Mickey Mouse.
Quantos anos você tem?
Estava por baixo da camisa, para que ninguém visse.
Mas você sabe o que está vestindo!
É normal
um adulto usar uma camiseta do Mickey Mouse?
Se não é bom, por que a TV mostra?
É para crianças, não para você.
Eu também assistia quando era criança.
Não é normal. Tire a camisa.
Mostre-me suas costas.
Dói fazer uma tatuagem?
Por quê? Quer fazer uma?
Não deixou nenhum espaço livre e vem me dizer que é normal?
Não é normal para mim.
Disse que se eu tirasse a camisa, me daria a carteira de dois anos.
Tatuou lá embaixo também?
SIAMAK
- Olá. - Olá.
Já preenchi.
Obrigado.
Por favor, sente-se.
Sr. Siamak Dalvand.
Sim.
Bem, seu currículo é meio...
Está tudo escrito aí.
Há quanto tempo está sem emprego?
Já tem cinco meses.
Certo.
Por que foi dispensado?
A fábrica não estava recebendo matérias-primas,
e tiveram que reduzir a força de trabalho.
Mas por que te demitiram?
Disseram que não precisávamos ir mais.
Essas coisas não são aleatórias. Deve ter tido um motivo.
Não, senhor. Muitas pessoas foram demitidas.
Não fui só eu.
Era um emprego temporário?
Sim. Ninguém era funcionário.
- Quanto tempo durou o seu contrato? - Três anos.
Nosso contrato aqui é de um ano.
Se for selecionado, vamos te chamar
para um período de experiência de três meses.
Se ficarmos satisfeitos, assinaremos um contrato de um ano.
Por mim, tudo bem.
Você é muçulmano xiita, certo?
Sim.
Quantos pilares existem na religião xiita?
Cinco.
Certo.
São cinco.
Mas quais são?
Unidade, profecia, ressurreição, justiça divina e sucessão.
E quais são os auxiliares da fé?
Orações, jejum, dar esmolas aos pobres, etc.
Só isso?
Peregrinação do Hajj?
Está me perguntando?
- Peregrinação do Hajj. - O que mais?
Jihad?
Certo.
Não me lembro agora.
São muitos mais, tá?
- Você reza? - Sim.
Vai às orações de sexta-feira?
Vou, se não estiver trabalhando.
Disse que está desempregado há cinco meses.
Sou vendedor ambulante.
O que você vende?
Vendo meias no metrô.
Muito bem.
O trabalho não é motivo de vergonha.
Quais capítulos do Alcorão você sabe de cor?
Eu conheço o Kosar.
Mas esse tem apenas três versos. Todo mundo sabe esse.
- Tem quatro versos. - São três.
Você conta o Bismillah como verso?
Não. Desculpe.
- O Bismillah não conta. - Claro.
O que mais? Conhece algum outro capítulo?
Por exemplo, Al Zelzelah?
Sim, mas não estou me lembrando agora.
Como é que não conhece um capítulo tão lindo?
Sabe de qual capítulo estou falando?
Sim, é sobre um terremoto.
Está brincando?
É sobre o dia do julgamento.
Sabe o que isso significa?
“Quando a terra executar seu tremor predestinado.
Alá é o Maior!
Imagine mil bombas atômicas
caindo sobre a Terra de uma vez!
O que poderia acontecer?
Alá é o Maior!"
Sabe o que isso significa?
Não.
"As pessoas, atônitas, perguntam: O que está acontecendo?
Naquele dia..." E o capítulo termina assim:
“Quem tiver feito o bem, seja do peso de um átomo, o verá.
E quem tiver feito o mal, seja do peso de um átomo, será punido”.
Você entendeu?
- Sim, é muito bonito. - É muito bonito. Muito bonito.
Estou surpreso que nunca tenha ouvido isso.
Eu já ouvi.
Não ouviu, não.
De qualquer forma,
você se lava antes das orações?
Sim.
Certo. Então se lave.
Aqui?
É, aqui e agora.
Aqui está a água. Se lave agora.
Está bem.
Sentado?
Você se lava sentado?
Não.
Primeiro, lavamos as mãos.
Não me explique. Eu sei como fazer.
Apenas faça.
Você fez a intenção?
Fiz, no meu coração.
Tudo bem. Continue.
Você se lava com a manga abaixada?
Imaginei que você soubesse.
Pronto.
Desculpe.
Braço esquerdo primeiro?
Desculpe.
Estava distraído.
Todas as áreas devem ficar
totalmente molhadas.
Limpeza da cabeça.
Devo tirar os sapatos?
Não precisa.
Pé esquerdo, pé direito.
Pronto.
É isso.
Não se sente.
Foi o bastante.
Terminamos por aqui.
- Devo sair? - Sim, por favor.
- Obrigado. - De nada.
Entra.
Com licença, vocês me avisam?
Só ligaremos se quisermos te contratar.
Pode ir.
- Até logo. - Adeus.
ALI
Nunca foi emitida nenhuma autorização de filmagem para você.
Só uma permissão informal.
Então não tem nenhum problema com a sinopse do filme?
Não. Não temos problemas com a sinopse.
Então me deem a permissão para que eu possa continuar filmando.
Qual é o problema com o filme?
O roteiro.
Disse que não tinha nenhum problema e agora me diz que é o roteiro?
Quando dizemos que não temos problemas,
queremos dizer que não há nenhum problema em você fazer um filme.
Mas o tipo de filme que você faz importa.
Senhor Chegini, já se passaram dois anos.
Três investidores desistiram.
Se tinha problemas no roteiro, deveriam ter me dito antes.
As condições mudaram.
As questões culturais mudam todos os dias.
Devemos nos adaptar aos tempos
e às condições sociais e políticas.
Esse roteiro não contém crítica política, nem crítica social,
e nenhuma imagem negativa do país.
Não tem nenhuma mulher sem hijab.
Não tem nem mulher no roteiro!
Tudo isso está no roteiro, e você sabe disso.
O roteiro é sobre o meu pai.
É o mais pessoal possível.
Que Deus abençoe o seu pai.
Você fala em reverenciar a figura paterna.
E aí, no seu roteiro, a figura paterna é insultada.
E, no fim, você mata o pai.
Isso não pode.
Você não pode matar o pai no roteiro.
Sr. Chegini, o título do filme é “Coisas que Você Mata”.
E está dizendo que não posso matar o pai?
Veja, o título também é um problema.
Precisa ser mudado.
A história do parricídio vem sendo contada da Grécia antiga até hoje.
- Está em Édipo, esteve em Hamlet... - Hamlet! É, eu sei de tudo isso.
O problema é que compara a cultura iraniano-islâmica com a ocidental.
Estamos tentando frear a hegemonia da cultura ocidental.
Não. Vocês estão freando o meu filme. Não o Ocidente!
Ninguém está proibindo o seu filme.
Seu roteiro precisa de alguns tratamentos.
Escuta,
Você é como um irmão para mim.
Quero que faça o seu filme. Estou na área cultural há vinte anos.
Até o ano passado, estava no Ministério dos Transportes.
Bem, também trabalhando em questões culturais lá.
O Ministério dos Transporte também precisa de cultura.
Retire o parricídio do seu roteiro,
mude o título e me entregue até terça-feira,
e eu mesmo vou discutir isso na comissão.
Faça como eu digo.
E por favor, tome seu chá. Está esfriando.
Não posso mudar o título.
Não consigo escrever assim.
Você é um escritor.
Precisa ser criativo.
Temos muitos mestres no nosso cinema.
Todos eles fizeram filmes sob essas mesmas regras
e ganharam muitos prêmios.
Retire as páginas de 16 a 28 e os problemas serão resolvidos.
- Pronto. - Ótimo!
Certo, não existe mais pai.
Mas esses personagens estão procurando pelo pai.
O que devo fazer com eles?
Bem, escreva que o pai viajou.
Considere isso minha ajuda.
Mas o pai assassinou a mãe!
Por que a mãe deveria morrer?
- Porque o marido bateu nela. - Ele não deveria bater nela.
Ele não deveria bater nela.
Eu gostaria que ele não tivesse feito isso.
Ouça, Sr. Chegini,
na minha vida real, meu pai batia na minha mãe.
Rapaz,
você não está fazendo um documentário.
Estou escrevendo a história da minha vida.
Ninguém conta sua vida pessoal na tela grande.
Isso não é normal.
Não sei contar nenhuma história além da minha própria história.
Por que não?
Todos esses grandes escritores contam histórias, boas histórias.
Você deveria contar uma boa história também.
O que é uma boa história?
Conte uma história do Alcorão.
Do livro do primeiro Shia Imam.
Se eu escrever uma história
do Alcorão Sagrado, vai me dar permissão para filmar?
Por que não?
Ligo pessoalmente
para a Fundação Farabi de Cinema para conseguir seu equipamento.
Tome seu chá, por favor. Ele já esfriou.
Ouça, vou escrever uma história sobre Joseph,
o profeta do Alcorão.
Uma cena exatamente igual à do livro sagrado.
A esposa de Potifar está sozinha na sala.
Vou chamar Hediyeh Tehrani para interpretar essa mulher.
Joseph entra na sala.
Escalarei Parsa Piroozfar para o papel.
Ele tem olhos verdes.
A esposa de Potifar tenta flertar com Joseph e seduzi-lo.
Joseph tenta fugir.
A esposa de Potifar agarra Joseph pela camisa, rasgando-a.
De repente, Potifar entra na sala.
Vou escalar Sharifinia para interpretá-lo.
Você me daria permissão para fazer isso?
Ouça, o livro sagrado é um milagre.
Você não pode imitar o milagre ao pé da letra.
Precisa fazer algo inspirado nele.
Você me daria permissão ou não?
Você não está me ouvindo.
Precisa fazer uma adaptação do Alcorão.
Não pode traduzi-lo palavra por palavra em uma história.
- Então não vai me dar a permissão? - Não está ouvindo o que estou dizendo.
- Não vai permitir. - Você não ouviu.
Entendeu o que eu disse?
O pai não bate mais na mãe,
ela não vai para o hospital
e aí, ela não morre.
Nenhum assassinato acontece.
Isso é ótimo.
Só um pequeno problema.
O personagem policial é retratado negativamente.
Não, ele tem uma personalidade multidimensional.
Ele tem lados bons e lados ruins.
Perfeito que ele seja multidimensional.
Nós gostamos disso.
Mas mostre também suas outras dimensões.
Que outras dimensões gostaria que eu mostrasse?
Peraí! Você quer que eu escreva o roteiro para você?
MEHRI
Com licença, senhor.
- Olá. - Olá.
Como posso ajudá-la?
Trouxeram meu cachorro para cá?
Trouxeram seu cachorro para cá?
Sim.
- Quem trouxe? - Seus colegas.
Meus colegas não trazem cachorros para cá. Deve estar enganada.
Disseram que estavam levando para a delegacia do décimo distrito.
Eram dois policiais e estavam de moto.
Como é possível andar de moto carregando um cachorro?
Meu cachorro é pequeno.
Eles colocaram o cachorro entre os dois,
e bem diante dos meus olhos, levaram meu bebezinho.
Disseram que vinham para essa delegacia?
Sim. Disseram que estão coletando animais da cidade.
A polícia não está fazendo nenhuma operação desse tipo agora.
Então já se pode passear com cães de novo?
Não, não estou dizendo isso.
Mas a polícia não está recolhendo os animais de estimação.
Então, quem levou meu bebê?
Não sei, senhora. Podem ser de muitas organizações.
Para onde devo ir agora?
Não sei, senhora.
Eu imploro, por favor.
Isso aqui não é uma delegacia de polícia?
Se vocês não me ajudarem, quem vai fazer isso?
Eles levaram meu cachorro à força.
Esse cachorro é tudo na minha vida.
Por favor, eu imploro. Ajude-me a encontrá-lo.
Senhora, nessa cidade, nem quem se perde,
consegue ser encontrado. E a senhora vem
procurar por um cachorro?
Eu imploro. Por favor, me ajude.
Ah, não. O que foi?
Por que a senhora está chorando?
Ao menos me diga onde procurá-lo.
A senhora sabe que os cães são impuros.
São ilegais. A polícia irá pegá-los.
Arrume outro animal de estimação.
O que quer dizer com impuro?
Levaram meu cachorro e devo arrumar outro animal de estimação?
É, arranje um canário.
Ele vai cantar para você
e custa menos pra alimentar.
Para que me serviria um canário?
Não sei, senhora. Pode ir agora.
Adeus!
Minoo!
Esse é o meu bebê! Minoo! Meu bebê!
Estou aqui, querido.
Viu só? Meu bebê está aqui. Minoo, não tenha medo.
- A mamãe está aqui. - Pare de gritar!
- Já disse que ele não está aqui. - Está sim!
Eu chamo e ele me responde.
- Não é o seu cachorro. Não grite. - Ele está aqui. Minoo!
- Eu disse para não gritar! - Não tenha medo.
Já disse que não é seu cachorro! Pare de gritar: "Minoo, Minoo!"
Mas eu chamo e ele responde! Por que está mentindo para mim?
Você pegou meu cachorro e ele está morrendo de medo.
Senhora, é um cão policial!
Desde quando a polícia está usando Chihuahuas?
O que é um Chihuahua?
É uma raça de cachorro. Pequenininha assim!
Não é nem um Chihuahua, nem o Minoo.
É um Pastor Alemão. Pastor Alemão!
O latido soa como o de uma galinha. Está me dizendo que é um pastor?
Que absurdo é esse?
Não vou embora até pegar meu cachorro.
Está bem. Só causará problemas para si mesma.
Eu não me importo. Vou ficar até achar o meu cachorro.
Minoo!
Minoo! Não tenha medo, querido!
Viu só? Viu só? Ele está aqui!
Meu Deus! A senhora não vai desistir, né?
Qual era a cor do seu cachorro?
Branco.
Bem, não é o seu cachorro.
Mas ele responde quando eu chamo.
Espere um minuto.
Nader, traga o pequenino que latiu a manhã toda.
Esse é o seu cachorro?
Ai, meu Deus. Não é ele.
Não.
Mas ele respondia quando eu chamava o meu cachorro.
Esse carinha latiu a manhã toda.
Ele responde a qualquer chamado.
Minoo!
Ronaldo!
Ele late para qualquer coisa.
Desculpe, eu te chamei de mentiroso.
Eu lamento.
Vá até a delegacia do segundo distrito antes do meio-dia.
Eles recolhem os cães às 14h.
Eu fui lá mais cedo. Disseram que ele não estava lá.
Eu realmente não sei. Adeus.
Senhora!
Senhora, venha aqui um momento.
Não quer levar esse cachorro no lugar do seu?
Não, querido.
Preciso encontrar meu próprio cachorro.
Não posso levar o cachorro de outra pessoa.
Daqui a pouco vai ser meio-dia.
Vão levar todos os cães embora.
Faça uma boa ação.
Se seu cão for encontrado, terá um amiguinho para brincar.
E o tutor dele?
Não se preocupe com isso.
Se alguém aparecer por aqui, darei o seu número.
E aí a pessoa pode lhe procurar.
Você pode, por favor, dar mais uma olhada
se tem outro cachorrinho lá atrás?
Não tem cachorrinhos lá. Eu já olhei.
Leve esse aqui mesmo.
É a coisa certa a fazer.
Está bem.
Anote meu número de celular.
- A senhora está de carro? - Sim, estacionei em frente.
Encoste no beco, ao lado da pastelaria.
Vou levar o cachorro até lá.
CRÔNICAS DO IRÃ
Tradução: EDUARDO RIECHE
Legendagem: SIN FRONTERAS FILMES
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.