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Zulu
Eu tinha 13 anos naquela �poca.
Eu estava andando na estrada at� o fim.
Eu n�o levei um tiro, ent�o fui sozinho buscar ajuda.
Eu ouvi um tiro.
A bala passou perto de mim e caiu no ch�o.
Eu n�o sabia de onde estavam atirando,
mas deviam estar atr�s de mim.
A� eu me abaixei e me escondi em um arbusto.
Eu ouvia tiros.
Havia uma guerra nas montanhas.
Eu fiquei com medo.
Eu n�o sabia o que fazer.
Eu estava em choque.
MASSACRE NO VALE DOS M�RMONS
LA MORA, SONORA
4 DE NOVEMBRO DE 2019
Foi uma manh� agitada.
DIA DO ATAQUE
Viaj�vamos para Le Bar�n.
Tinha um casamento.
�amos ver nossas tias e tios.
Est�vamos viajando com Rhonita, Christina...
e minha m�e.
O carro da Rhonita quebrou...
ent�o levamos os filhos dela para La Mora.
Como trouxemos Rhonita de volta,
n�o est�vamos mais viajando juntos.
Est�vamos sozinhos.
Minha m�e e eu na frente...
meus irm�os, Devin e Trevor, e as outras crian�as iam atr�s.
Christina tinha sa�do antes. Ela com a filhinha, Faith.
Quando pegamos a estrada,
a Christina estava muito � frente.
Est�vamos viajando e,
depois de uma hora e meia de viagem ou mais...
vimos o carro da Christina.
Paramos perto do carro dela, e ela estava no ch�o.
E, antes da minha m�e ir ver o que estava acontecendo,
a gente ouviu um tiro.
As balas atingiram o carro, e uma crian�a foi baleada.
Minha m�e tentou ligar o carro, mas ele n�o pegava.
Ela gritava: "Abaixem-se! Abaixem-se!",
porque as crian�as estavam agitadas.
Ela estava nos protegendo.
Atiraram na minha m�e.
A gente ficou pensando no que fazer.
E, antes de decidirmos, abriram a porta...
Parados! Parados!
...e um homem apontou a arma para o meu rosto.
Fica parada!
Acredito que Deus nos ajudou naquele momento,
porque n�s pedimos.
Finalmente abaixaram as armas quando viram que �ramos crian�as
ou por algum outro motivo e foram embora.
Deixaram a gente l�.
Parece que passou muito tempo, mas foram s� alguns minutos.
� dif�cil, mas meu irm�o Cody levou um tiro no rosto, e eu vi.
Foi muito triste. Todas as crian�as gritando e...
Meu irm�o mais novo, Trevor, foi assassinado,
e meu outro irm�o, Rogan, estava na frente comigo.
Meu irm�ozinho se abaixou comigo...
mas morreu.
Minha m�e tamb�m morreu.
Fui atingida no p�.
E n�o � nada agrad�vel.
McKenzie foi atingido no bra�o.
Meu irm�o Cody era quem mais tinha problemas de locomo��o.
Eu tinha que carreg�-lo com uma almofada.
Jake e Devin n�o se feriram.
Pouco tempo depois, come�amos a andar.
Eu estava com o meu irm�o mais novo, Brixon, e...
ent�o percebi como todos estavam.
Todos estavam feridos, e n�o poder�amos ir muito longe.
N�s andamos por uns 20 minutos, e n�o consegui continuar.
T�nhamos que voltar para a fazenda.
Percebemos que n�o conseguir�amos.
Sentamos embaixo de uma �rvore na beira da estrada.
Eu n�o sabia o que fazer.
Ent�o eu disse que ia pois eu n�o estava ferido.
Eu ia sozinho buscar ajuda e voltar.
Eu falei: "Por favor, n�o v�. Ser� que ainda est�o por a�?"
Ele falou: "Kylie, eu vou." E foi embora.
Senti a responsabilidade de ser a irm� mais velha.
Eu sempre cuidei das crian�as.
Em novembro, faz muito frio aqui.
Na verdade, � congelante, e nenhum dos meus irm�os
estava de manga comprida ou casaco.
Chegou um momento que todos dormiram, menos eu.
Eu n�o queria que eles dormissem
pois eu tinha medo de eles n�o acordarem.
�s vezes eu via se estavam respirando.
LA MORA
Ningu�m viu Christina e Dawna na fazenda.
Christina n�o est� aqui em casa. Por que ela n�o viria aqui?
Ela estaria aqui.
Dawna n�o est� em casa
e estaria aqui se j� tivesse voltado.
N�o sabemos onde elas est�o.
Eu, por ser agente de seguran�a p�blica municipal,
estava em Bavispe.
Eu estava protegendo
e evacuando as creches, escolas,
fechando com�rcios como mercados e lojas.
Eu estava fazendo as pessoas se recolherem...
porque a gente n�o sabia o que estava acontecendo.
Eu me escondi por um tempo em um arbusto,
e n�o atiraram, a� pensei que n�o estavam me vendo.
Depois de um tempo, eu levantei e andei at� La Mora.
Eu ainda estava chocado, muito chocado,
tentando processar tudo.
17:48
N�s fomos e voltamos de La Mora at� o desvio algumas vezes
durante o dia.
E faltando 20 minutos para escurecer,
est�vamos saindo de La Mora...
e vimos o Devin correndo pela estrada
para La Mora.
Estava correndo para se salvar.
Cansado, desidratado.
Est�vamos na estrada, indo at� a Christina,
e a Christina estava morta, no ch�o.
- E atiraram em n�s. - E o beb� dela?
E o beb�? Na verdade, n�o sabemos do beb�.
N�o olhamos dentro do carro.
Mas a Christina est� morta.
- Quantas crian�as s�o? Cinco? - S�o cinco.
E est�o escondidas?
- Devem estar. - Est�o todas machucadas?
Quem levou tiro? Qual est� mais ferida?
A Cody. Levou um tiro no rosto.
- Quem? - A Cody.
Levou um tiro bem aqui no rosto.
Vou levar voc� para a minha m�e. V�o cuidar de voc� l�.
- Diga onde as crian�as est�o. - � melhor eu ir com voc�s.
Est�o perto de uma �rvore. N�o sei bem.
- Chama todos. - Eu vou junto.
Manda mensagem e chama todos. Pegue meu celular.
Come�aram a atirar no carro e mataram a Dawna e o beb�.
E atiraram no outro carro antes de pararem.
A Dawna gritava para as crian�as abaixarem.
As crian�as est�o escondidas em uma �rvore.
Precisamos busc�-las.
A� pegamos rifles de ca�a e voltamos para a estrada.
Eu estava com medo pela minha fam�lia
amigos e parentes.
Me pediram para eu ir e eu n�o fui.
Eu disse que j� tinha visto o suficiente.
Faz�amos o que precisava para pegar as crian�as.
BEM-VINDO � BAVISPE
Em Bavispe, recebi uma liga��o de Matthew Lamport
dizendo que uma crian�a tinha aparecido
e o encontraram na estrada.
N�s t�nhamos que partir para o resgate.
Sa� correndo de Bavispe para vir a La Morita.
E a� eu encontrei dois carros
do ex�rcito mexicano e pedi apoio para eles.
18:10
Est�vamos em Pancho Villa quando acharam o Devin.
Foi a primeira informa��o de que alguns estavam vivos.
Achamos o Devin.
Ele estava correndo para casa para buscar ajuda.
Pode imaginar, como pai,
o que estava passando pela minha cabe�a...
Meus filhos estavam feridos,
alguns tinham morrido
e minha mulher tinha morrido.
Eu estava em choque e n�o conversei com ningu�m.
Eu estava determinado a buscar meus filhos que estavam vivos.
Os minutos passavam como se fossem horas e dias,
e ningu�m respondia, n�o diziam nada.
Depois de muito tempo, se desesperaram e disseram:
"Vamos, vamos, vamos logo!"
E ent�o n�s sa�mos.
Quem liga ao que os militares est�o dizendo?
N�o corremos mais perigo do que aquelas pobres crian�as.
Elas com certeza podem morrer
e, se ningu�m mais for at� l�, eu e meus irm�os vamos.
Decidimos seguir em frente.
Como ningu�m conhecia as estradas,
eu decidi ir no carro da frente
com alguns federais armados
e subimos a colina.
Como est�o as coisas, Julian?
Nesse momento, estamos correndo com o m�ximo de pessoas
para procurar as crian�as perdidas.
- O helic�ptero n�o chegou? - N�o chegou.
Estamos com alguns soldados e federais
e estamos subindo a serra
tentando encontrar as crian�as desaparecidas.
Comentou Julian LeBaron
que sabia que as outras duas mulheres desaparecidas
tamb�m foram assassinadas,
segundo uma das crian�as que conseguiu escapar.
A hist�ria muda r�pido.
Tem muita coisa chegando na reda��o agora.
Tr�s mulheres e seis crian�as, agora confirmadas mortas,
depois de terem sido baleadas a caminho de um casamento.
18:10
Naquela hora, a McKenzie queria ir.
Eu falei: "Sem chance. Voc� n�o vai n�o."
Ela tinha dez anos.
Essa menininha, que levou um tiro no bra�o,
me perguntou cinco vezes se podia ir,
mesmo sabendo que podia se machucar.
Queria andar quil�metros para pedir ajuda.
Eu amo a minha irm�zinha.
Tinha f� que Deus a protegeria,
porque, se Ele a quisesse morta, j� a teria matado.
Ent�o ela desceu por ali.
Eu fiquei l�, a irm� mais velha,
com os meus irm�os menores, imaginando se iam sobreviver.
Naquela hora eu tive medo de sangrarem at� a morte.
E perceberem que a m�e tinha morrido
seria horr�vel.
Pensei em como lidar com tudo e n�o sabia como ajud�-los.
Quando eu finalmente cheguei no entroncamento
para pegar a estrada,
os familiares j� estavam me esperando.
Na verdade, a ambul�ncia tamb�m j� estava l�.
Foi quando entramos na estrada.
A essa altura j� estava praticamente escuro.
18:50
Est�vamos indo com o Christian,
a ambul�ncia e um ve�culo militar atr�s dela.
Ao entrar, eu j� estava muito tenso,
porque l� a natureza j� tem riscos
dos dois lados e para onde vai.
Quando entramos na estrada,
ela parecia n�o acabar.
Tamb�m n�o pod�amos andar
em alta velocidade
porque n�o sab�amos o que encontrar�amos no caminho.
Fomos com as sirenes ligadas, com os far�is altos,
fazendo muito barulho,
j� que n�o t�nhamos o refor�o adequado
para um conflito,
caso os criminosos acabassem aparecendo.
19:30
Eu estava segurando o meu irm�o
e ouvia pessoas gritando.
Naquela hora eu fiquei com muito medo.
Estava pronta para pegar meus irm�os e nos esconder.
Quando chamaram o meu nome, a� meu cora��o parou.
Tinha muitas luzes de todos os carros.
Fiquei muito aliviada.
De certa forma, fiquei muito feliz.
N�s vimos as crian�as e estavam sentadas
na estrada debaixo de uma �rvore.
E a� fomos chegando perto e elas estavam dormindo.
E quando chegamos a uns seis metros,
a� elas nos viram e se levantaram chorando.
A mesma coisa aconteceu comigo,
fiquei muito triste.
Quando vi o menino com um tiro na cabe�a,
senti muita raiva
e muita tristeza.
Os militares e o comandante
pegaram as crian�as
e as levaram � ambul�ncia.
O m�dico come�ou a trabalhar...
O mais r�pido poss�vel, para conter as hemorragias.
Dois homens me ajudaram, pois n�o dava para andar,
e levaram o meu irm�o mais novo.
Muitas pessoas chegaram,
e nos levaram � ambul�ncia.
Tudo isso aconteceu muito r�pido.
O qu�? Avise pelo r�dio o que aconteceu.
Um deles tinha uns seis ferimentos de bala.
Foi atingido seis vezes.
Um outro foi ferido no rosto, que estava todo aberto.
Foi o mais impactante.
Foi atingido por estilha�os de todas as partes.
Cody est� muito ferido, levou um tiro no rosto.
Xander levou um tiro nas costas, e Kylie levou um no p�.
Os tr�s, o beb� e os outros dois,
n�o levaram tiros.
Aqueles que estavam bem
para voltar a La Mora,
por n�o estarem feridos,
foram em outro carro.
Levei o beb�, Brixon.
BRIXON LANGFORD, FILHO DE DANNA E DAVID LANGFORD
Levei ele no meu carro,
para dar comida,
porque ainda n�o havia comido e estava chorando.
E percebemos que ele estava com uma grande ferida no peito.
MENSAGEM NO GRUPO DA FAM�LIA
Brixon foi ferido, e est� sendo levado ao hospital.
N�o haviam percebido. Est�o indo agora.
Fomos levados em ambul�ncia,
em caminhonetes, no que tinham,
ao hospital de Bavispe.
Perguntei se j� podia ver McKenzie,
porque pensei que a haviam pegado no caminho,
mas disseram que n�o a haviam visto.
MENSAGEM DE VOZ GRUPO DA FAM�LIA
Falta uma.
McKenzie foi caminhando, h� cerca de uma hora.
Estamos dirigindo devagar, para tentar encontr�-la,
mas precisamos de toda ajuda poss�vel
aqui na montanha, para encontr�-la.
McKenzie est� desaparecida. Rezem por ela.
Saiu andando, e ainda n�o foi encontrada.
KENDRA MILLER CUNHADA DE RHONITA
OITO E DEZ DA NOITE
Depois do que aconteceu,
cheguei exausto em casa, sem querer falar com ningu�m.
Mas disseram que McKenzie havia desaparecido
e que precisava ser encontrada.
Ao ouvir aqueles...
KENNY MILLER SOGRO DE RHONITA
�udios...
N�o sei, sinto que devo destacar...
O amor que todos os "envolvidos",
digamos assim, demonstraram contra aquela atrocidade.
Colocaram sua vida em perigo,
para salvar aquelas crian�as e aquelas fam�lias.
Por isso, decidi ajudar a procur�-la.
Peguei uma estrada antiga
como atalho, at� um riacho.
� claro que estava totalmente escuro.
Conforme me aproximava do riacho,
havia muitas luzes de ambul�ncias,
de pol�cias, de soldados.
Muitas pessoas estavam voltando
do resgate das crian�as.
Eram de Sonora
e eram do nosso lado, familiares e soldados.
O que me preocupou mesmo foi
que, no fim da estrada, tinha uma ladeira
e havia muitos lugares para se perder.
Ela n�o tinha ideia para onde ir
e perderia de vista as luzes da cidade.
OITO E QUINZE DA NOITE
Quando cruzamos a fronteira de Chihuahua e Sonora,
a um ou dois quil�metros descendo o barranco...
Presenciamos uma cena horr�vel.
Quando encontramos
o cad�ver da Christina fora do pr�prio carro,
ela estava quase que de bru�os,
em uma vala, com a porta escancarada,
do lado do carro.
Toquei nela, para sentir a respira��o,
mas j� estava morta.
Passei do lado do carro dela
e vi uma cadeirinha de beb� na parte de tr�s.
Levantei a manta que a cobria.
A cadeira tinha quatro furos de bala,
que rodearam a coitadinha.
Encontramos uma beb� viva!
JULIAN LEBARON, 4 DE NOVEMBRO DE 2019
Era Faith, a beb� de Christina.
Estava viva
e de olhos abertos, olhando-nos.
Deve ter chorado umas nove horas naquela cadeirinha.
E...
Eu a carreguei
e a levei at� a minha tia Shalom.
A beb� foi trazida em uma cadeirinha.
Era a Faith.
SHALOM TUCKER M�E DE RHONITA
Ningu�m acreditava que ainda estava viva.
Tirei o cinto dela.
Estava molhada, da cabe�a aos p�s.
E n�o estava chorando.
Foi estranho. Quando a tirei da cadeira,
ela come�ou a chorar de novo.
"Agora tenho a quem chorar".
Foi um milagre.
O nome dela diz tudo.
Faith.
A beb� de Christina est� viva! Louvado seja Deus!
Estamos com Faith. Ela est� viva.
Meu Deus, que incr�vel! Quem imaginaria?
CONNIE LEBARON SOGRA DE CHRISTINA
Foi um enorme presente.
Elevou nosso �nimo.
�quela hora da noite,
tamb�m pens�vamos que ela estaria morta.
Ent�o...
Quando percebemos que ela ainda estava viva...
N�o h� palavras para descrever aquela emo��o.
As emo��es foram...
Durante a vida,
a maioria das pessoas n�o experimenta nada parecido.
Durante uma vida toda.
Mas ainda est�vamos em uma situa��o ruim.
Fui at� o carro de Dawna,
que estava a 20 ou 30 metros
do carro de Christina, mais abaixo na colina.
E...
Foi uma coisa horr�vel, brutal.
Minha prima Dawna estava...
atr�s do volante do carro.
Estava toda baleada e r�gida.
E o filho dela, Rogan...
o coitadinho estava ali,
baleado e r�gido.
E Trevor, filho de Dawna...
Estava no banco de tr�s e foi atingido tantas vezes
que n�o dava para saber se havia uma ou duas crian�as,
se era menino ou menina, n�o dava. Eram s� peda�os.
Aquilo foi brutal.
Eu estava no banco de tr�s, com Shalom.
Comecei a descer,
mas Julian tentou me manter no carro.
N�o queria que eu visse, mas eu fui, mesmo assim,
e vi minha esposa no volante.
Lembro de abrir a porta traseira.
Foi um desastre.
N�o fiquei tanto tempo ali.
Adri�n e Shalom se apressaram,
para chegar no carro da filha.
Eu precisava saber se meus filhos estavam vivos.
E nos avisaram sobre o sumi�o de McKenzie.
Falamos para os militares que faltava uma menina.
Julian, soube que encontraram algumas crian�as.
Sim, encontraram. Um levou um tiro na bochecha,
e outro foi ferido no p�. Dois foram assassinados.
At� agora, acho que s�o seis resgatados.
Tem uma menina desaparecida. Estamos procurando por ela.
H� pouco tempo, falei com o promotor.
V�o disponibilizar um helic�ptero para amanh�.
- Como foi o apoio, essa tarde? - Um helic�ptero para amanh�?
Estamos procurando a menina, desde �s seis da manh�.
� uma menina de oito anos. Para que um helic�ptero?
Decidi continuar dirigindo pela estrada normal
e descer at� o riacho.
21:10
Ent�o, quando peguei a estrada,
percebi algo interessante.
As �nicas luzes que davam para ver algum povoado,
j� que est�vamos no alto,
eram de Bavispe. Se pegasse aquele caminho,
daria direto em Bavispe.
Dirigi at� encontrar terra fofa.
Parecia terra de ac�quia. Ent�o, desci e vi pegadas.
Uma cal�ada, outra descal�a.
Est�vamos na trilha.
Voltei para o carro e fui at� outro ponto fofo.
Parei, vi mais pegadas. Fiz isso mais quatro ou cinco vezes.
De repente...
Vi a silhueta dela, andando.
Pulei do carro, sem nem puxar o freio de m�o,
e corri at� ela.
Ficou parada, pensando
"Quem � voc�?".
Ela perguntou isso.
"Sou seu tio Kenny". "Meu tio Kenny?"
"Sou". E ela me abra�ou.
Foi...
Ela...
Dava para sentir o al�vio dela.
Em outras palavras,
ela se livrou de um calv�rio.
Ela havia caminhado tr�s horas na escurid�o.
Foi atingida no bra�o
e teve que caminhar
s� com um dos sapatos.
O outro n�o estava mais no p�.
Disse que viu uma cobra, jogou o sapato no animal
e continuou correndo.
Levei-a para o carro
e a enrolei em uma manta.
Ela parecia sorrir o tempo todo.
Liguei para David
e disse
que a encontramos.
Era a �ltima desaparecida.
Ent�o, ligamos,
para contar que hav�amos encontrado McKenzie,
que era a �nica que faltava.
MENSAGEM DE VOZ GRUPO DA FAM�LIA
Encontramos McKenzie com vida. Ela est� bem. Meu Deus!
Sab�amos que havia crian�as vivas, abrigadas.
Mas t�nhamos urg�ncia
de chegar aos corpos de Rhonita e das crian�as.
Est�o saindo, porque a beb� est� chorando,
porque ainda n�o comeu. Est�o voltando.
Come�amos a seguir em frente,
procurar onde estava Nita.
Em uns dez minutos, paramos.
Estava um pouco escuro.
Eu estava balan�ando a menina, para ela parar de chorar.
E perguntei a Adri�n
"Por que paramos de novo?" Estava desesperada.
Ele disse que hav�amos chegado ao carro.
Eu n�o queria descer.
E...
De repente, algu�m abriu a porta
e me tirou a crian�a. N�o sei nem quem foi.
Eu n�o tinha tanta certeza
que queria passar por aquilo.
Est� bem aqui, encontramos.
Vamos dar uma olhada no carro.
Como ser� que isso foi acontecer?
Ainda dava para ver a fuma�a dos pneus,
que estavam acabando de queimar.
Comecei a me aproximar.
Estava completamente queimado, n�o dava para ver nada.
Acendi a luz do celular,
porque queria ver.
Comecei a mover o celular por todo o carro,
tentando ver mais alguma coisa.
E vi que ela baixou todo o banco,
tentando desviar das balas.
Estava completamente carbonizado.
Lembro de colocar a m�o
na janela do motorista,
para tocar na minha filha,
para me despedir dela.
Temos seis crian�as.
Precisamos lev�-las a um hospital.
As pessoas exigiam explica��es.
Baleados e incinerados, a sangue-frio.
O Departamento de Estado n�o diz por que isso aconteceu.
Por que fariam aquilo com mulheres e crian�as?
Seria um erro de identifica��o?
Ou foi um ataque deliberado a cidad�os americanos?
N�o dava para ignorar o fato de serem americanos.
As fam�lias se despedem de tr�s mulheres e seis filhos.
NO PR�XIMO EPIS�DIO
O Governo n�o manda nas nossas comunidades.
Me ofereci ao M�xico para entrar e acabar com tudo.
O que est� acontecendo?
Por que esses carros est�o se tornando alvos?
Os primeiros ind�cios nos garantem
que n�o se trata de uma delinqu�ncia virtual.
Come�aram a surgir mais conspira��es.
Can't find what you're looking for?
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