All language subtitles for L.Arte.Della.Gioia.S01E06.Episodio.6.ITA.1080p.NOW.WEB-DL.DDP5.1.DD5.1.H264-UBi

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Original subtitles

A ARTE DA ALEGRIA

Ent�o, n�o me sigas.

N�o aguento mais.

N�o consigo ficar confort�vel.

J� n�o consigo mexer esta parte do corpo, olha.

Se tapar a cara, vou ajud�-la.

O qu�?

- Se tapar a cara, vou ajudar... - Para com isso!

Para de ser rid�cula, est�s obcecada, Maudit.

N�o v�s que n�o vem ningu�m a nossa casa h� meses?

E tu?

Devias ligar j� ao m�dico.

Quero que ele te trate antes que a crian�a cres�a demasiado.

N�o tenhas medo.

S� vais perder um pouco de sangue, nada de grave.

Cresceste no campo, tens uma constitui��o forte.

Vais recuperar num instante.

Tu n�o sabes estas coisas, mas eu sei.

Eu sei.

S� vais perder um pouco de sangue, nada de grave.

Vai fazer-lhe bem.

Ai.

Dev�amos chamar trabalhadores o mais depressa poss�vel.

Desde que os jardineiros deixaram de vir, as �rvores perderam a forma.

E a casa tamb�m precisa...

Durante quanto tempo queres continuar a torturar-me? Basta.

O que me importa?

- O que me importa? - Lamento.

- Ela est� assim t�o doente? - Receio que sim.

Tenho tanto medo por ela.

Vou continuar a cuidar dela sozinha. Ela pediu-me.

Ningu�m...

Repito, ningu�m pode entrar no quarto dela.

� a �nica forma de impedir que a infe��o alastre.

Como � que ela foi infetada?

- � uma doen�a trai�oeira. - Sempre tivemos cuidado.

Permanece em objetos e superf�cies. N�o se lembram do que disse o m�dico?

V� l�. Tenho muito que fazer.

"Os sintomas de envenenamento s�o membranas mucosas secas,

dificuldade em engolir, pele seca e ruborizada,

febre, taquicardia, excita��o, confus�o,

alucina��es, espasmos,

sonol�ncia, coma...

...e paragem cardiorrespirat�ria."

Isto � para a circula��o sangu�nea, princesa.

- As dores de corpo melhoraram, certo? - Sim.

Por exemplo... Eu consigo fazer isto. Antes n�o conseguia.

�timo.

Mas sinto-me estranha. N�o trouxeste vinho?

H� uma garrafa de Rosolio na mesa de cabeceira, � esquerda.

Sabes...

Dormir sozinha tanto tempo n�o � divertido.

Tens de te consolar.

Vai buscar um copo para ti tamb�m. V� l�.

Est� bem. Mas depois dou-lhe mais ch� de ervas.

Mas dormir sozinha tamb�m tem vantagens.

Sobretudo de manh�.

O pr�ncipe...

...parecia um rel�gio su��o.

Assim que acordava, estava pronto.

Era imposs�vel, ele esgotava-me.

Ou melhor, deixava-me exausta. "Faz isto, faz aquilo..."

�s vezes, tentava dizer que n�o, mas ele amuava.

Ent�o, para manter a paz...

N�o, porque temos de ser informadas

sobre o tamanho antes de casar.

Tudo nele era enorme.

Ele tinha uma pila enorme.

N�o, a s�rio...

Era... assim, mais ou menos.

Quando a vi pela primeira vez, perguntei-me: "Como vou conseguir?

N�o vai caber."

Mas cabia.

Eu at� gostava.

E a Leonora

tinha o mesmo desejo do pai.

Gostava de seduzir.

Ela gostava disso.

Mas era mulher.

Se fosse homem, teria sido uma qualidade.

Ela tinha...

...uma beleza de dois lados.

Delicada.

E mort�fera.

� isso, en passant...

Cabra!

Cabra!

Est�s a dormir?

Tenho fome.

Eu tamb�m.

Vamos.

Aonde?

Confia em mim.

Olha.

Este � o sal�o de baile.

� bonito, n�o �? Vamos.

- Esta � a sala pequena. - Sim, sim.

Esta � a sala de jantar.

Esta � a sala de estar cor-de-rosa.

Este � o sal�o do pav�o.

Anda, anda.

Esta � a sala de estar azul-clara.

O que fazes aqui?

- Quero ver a maman. Estou preocupada. - O qu�?

- Quero ver a maman. Estou preocupada. - O que te disse?

- O que me disseste? - P�e a m�scara.

- Tenho o direito de a ver, n�o tenho? - P�e a m�scara.

N�o percebes que � perigoso? O que te deu?

Tive um pesadelo.

- Tenho saudades da maman. - Para de lhe chamar isso.

� tua av�.

Porque n�o deixas as criadas cuidarem dela?

Se queres arriscar ficar infetada, porque n�o farei o mesmo?

Estive sempre com ela.

Al�m disso, sou extremamente cuidadosa, acredita.

Estou a tentar proteger-te.

Seja como for, sou forte.

Beatrice, por favor.

Vai para o teu quarto.

Bom dia.

D�i-me a barriga.

Tenho a garganta seca, parece lixa.

D�-me algo para beber.

Esteve algu�m contigo esta noite?

Era uma crian�a.

Cheirava-me a p� de talco.

Ou melhor, cheirava-me a suor misturado com p� de talco.

N�o foi um sonho...

Desobedeces-me sempre, Modesta.

N�o, o que est� a dizer...

Quando � que o m�dico finalmente vem?

Ele nunca foi muito veloz,

mas fazer-nos esperar � muito suspeito, n�o �?

Est� muito ocupado com a epidemia em curso, n�o � f�cil encontr�-lo.

- Pedi para entregarem uma mensagem... - N�o insistas, Modesta.

J� nasceram monstruosidades suficientes.

Ningu�m voltar� a usar o nosso nome. E n�o me contradigas.

Porque castigar-te-ei mesmo quando morrer.

Tenho o poder para te castigar mesmo quando morrer!

Escrevi-o no meu testamento. "Sem herdeiros."

Caso contr�rio, perder�s tudo.

Lembra-me de que tenho de o entregar pessoalmente ao not�rio.

Se me disser onde est�, posso entregar-lho.

Eu disse pessoalmente, querida.

Quem tiver um filho, perder� tudo.

Vai tudo para a caridade.

S� te restar� o t�tulo. Que engra�ado!

Uma princesa vagabunda, talvez at� com um filho deformado.

Estava novamente sob o poder dela.

D�-me algo para beber, v� l�.

V� l�.

Estava numa alhada.

Sil�ncio!

Sil�ncio!

Ela estava paralisada naquela cama, como num trono,

e eu estava aos p�s dela.

Mais uma vez, ela conseguiu impor-me a sua vontade.

Com licen�a.

E tinha-o escrito preto no branco.

Eu precisava de tr�guas.

Precisava de tempo.

Tinha de o encontrar a todo o custo

e livrar-me dele.

N�o queria que ela vivesse nem morresse.

Que mulher!

Ela estava firme na sua decis�o.

Eu admirava-a. Verdadeiramente.

Vou apanhar-te, palerma.

Aqui est�s.

- Apanhei-te, palerma. - Modesta.

- Apanhei-te. - Despacha-te.

J� vou!

J� vou!

Tenho de ir trabalhar.

Fica aqui, venho buscar-te mais tarde.

Esperem!

- Esperem! - Anda, Modesta! Anda, vamos!

- Entra. - Desculpe, queria limpar um pouco.

- N�o vem c� ningu�m h� muito tempo. - For�a.

N�o toques a�. Estou a consultar um livro de Medicina.

- N�o. - Continua a limpar.

Queria vir limpar mais cedo, mas a princesa chamou-me.

O que disseste?

Queria vir limpar mais cedo, mas a princesa chamou-me.

E tu viste-a?

Ouvi a campainha dela tocar repetidamente.

O que havia de fazer? Corri l� para cima, temi o pior.

Nem cinco minutos posso sair?

Tive cuidado, n�o toquei em nada, mantive a dist�ncia.

Ela precisava do m�dico, por isso, mandei algu�m cham�-lo.

Parecia ansiosa. Limitei-me a fazer o que ela pediu.

Quando chega o m�dico?

Amanh�, imagino eu.

Excel�ncia.

� verdade.

Roubei.

Roubei sempre a alegria que desejava.

De tudo e de todos.

Eles tinham Deus, eu desejava a vida.

Opunham-se � vida com palavras como "mal", "inferno",

"obedi�ncia", "pecado".

Continuei a repetir: "Odeio. Odeio-a!"

Quanto mais odiava, melhor me sentia.

Devia ter sido mais cautelosa. J� tinha cometido demasiados erros.

Senti a morte da Leonora a pairar pela casa.

Pensei que a tinha trazido.

E que com ela tivessem vindo os meus mortos.

Estava farta de fingir ser obediente, princesa.

E de ouvir: "Vais ver...

N�o � nada de mais.

S� vais perder um pouco de sangue, mas tens uma constitui��o forte."

Isso n�o vai acontecer.

Esta crian�a ser� a primeira coisa minha.

N�o � caridade de ningu�m.

Sou o teu �ltimo entrave.

Sim.

Vais perder tudo, sabes disso?

Passo bem sem o seu dinheiro.

Os seus confortos.

Preocupa-me a Beatrice.

E o Ippolito. N�o s� o meu filho.

Temos de viver.

E n�o ficar presos nestes muros de morte.

�s louca.

- Queres viver. - Contra o seu desejo de morte.

- Pensei que me amavas. - Claro que a amo.

Juro.

Quem me dera ser igual a si.

Igual a quem?

Quem sou eu?

Aqui...

...nos quartos, pronta para receber os meus familiares falecidos.

Eu sou...

...a Princesa Brandiforti.

Mas amanh�?

J� consigo ouvir o alvoro�o.

A multid�o...

...em frente �s portas do edif�cio.

C�es.

Como tu.

T�o ferozes como tu.

Mas n�o t�o corajosos.

Eles pedem, imploram...

...por uma nova Sic�lia.

Uma nova It�lia.

Um novo homem.

Em nome da justi�a.

Todo este movimento, toda esta preocupa��o...

Numa tentativa de agarrar um pouco de vida.

De a defender at� ao extremo, que pena.

Que pena.

Esta velhice...

...n�o passa de uma ru�na total.

Se soubesses como eu era alegre!

Eu ria-me, ria-me e ria-me.

Cheia de alegria.

Assim seja. D�-me algo para beber.

Tenho o direito de morrer, n�o tenho?

- Ajuda-me... - Sim.

Vou buscar ajuda.

Esta maldita peste...

Pobre princesa, nem teve um funeral como deve ser.

- Don Antonio - Carmine.

- Que perda, Don Carmine. Que perda. - Ela era uma grande mulher.

- Saro. - Don Carmine.

Ningu�m vai trabalhar tr�s dias.

Estamos de luto.

Agora estou sozinha, Modesta.

Ela era a minha �nica m�e verdadeira, agora n�o tenho ningu�m.

Est�o todos mortos.

Estou aqui para ti.

Estou aqui.

Beatrice.

Sei como te sentes.

Sei como � perder algu�m que amamos.

Mas n�o estamos sozinhas.

Bom dia, minha senhora.

- Onde � a casa de Don Carmine? - Ali.

- Leva-a ao Don Carmine. - Venha, eu levo-a l�.

Obrigada.

Ele est� com uma pessoa. Entre, por favor.

Quem � o senhor?

Chamo-me Vincenzo, princesa. Sou filho do Carmine.

Ele vem j�.

Est� a falar com um colega soldado do meu irm�o.

Trouxe-nos uma carta do Mattia. Est�vamos ambos na guerra.

Voltei h� umas semanas, mas n�o tivemos not�cias do Mattia.

Sente-se. Quer um copo de �gua?

- Sim, obrigada. - Vou j� busc�-lo.

Tamb�m teve uma medalha.

Venha comigo, temos de brindar a isso. Vincenzo.

Ele est� em N�poles, vai voltar.

At� recebeu uma medalha.

Princesa. Sente-se.

- Ofereceste-lhe alguma coisa? - �gua, mas...

�timo. Vai � taberna. D� um copo de vinho a este jovem.

Ele trouxe alegria a esta casa.

- Adeus, Excel�ncia. - V�o, eu vou l� ter.

- Obrigado, Don Carmine. - Adeus. Que Deus o aben�oe.

Pensei ter perdido o meu filho.

Afinal, est�o ambos bem.

Estes �ltimos anos foram um inferno.

Tens dois filhos?

Claro, sou um homem adulto.

Nunca me disseste.

A tua mulher?

Sim, a Lucia.

Ela est� aqui?

Morreu h� dez anos. Que descanse em paz.

Criei os meus filhos sozinho.

Como ela teria feito.

Carmine...

Estou � espera de um filho teu.

Diz alguma coisa.

Gostas de estar gr�vida?

Significa que a linhagem Brandiforti vai continuar.

N�o ter� o meu nome.

Ser� uma crian�a com mais sorte.

Nunca mais voltes a minha casa.

Os meus filhos n�o podem saber da minha fraqueza.

- Fraqueza? - Ainda �s muito nova.

Tu e o Vincenzo s�o quase da mesma idade.

E s� percebeste isso agora?

Foste tu que me procuraste naquela noite, n�o te esque�as.

Foi preciso dois quererem.

O que queres?

O testamento.

Sabes tudo sobre os neg�cios da princesa. Onde est�?

Minha menina linda...

Ela nunca negligencia os neg�cios.

N�o sou a tua menina.

Onde est�?

N�o o encontro.

Amanh�, vou � casa e resolvo tudo.

Convoca o not�rio.

E o Don Antonio.

E o m�dico.

E talvez at� os criados.

Agora vai.

Vai, est� a escurecer.

N�o quero que andes na rua � noite.

Vai, por favor.

A alma aben�oada da sua respeitada m�e...

Senhores.

Sei que � estranho, mas a princesa nunca me falou de um testamento.

Ouvi-o com os meus pr�prios ouvidos.

Seja como for, ela n�o deixou instru��es.

N�o entendo, como � poss�vel? A princesa era uma muito cuidadosa.

- Precisamente. - N�o quero ser...

...inoportuno, mas procuraram bem?

Com todo o respeito, doutor, vir�mos a casa do avesso.

At� procurei dentro dos vasos.

Nem estava no quarto do Pr�ncipe Jacopo, que era o preferido dela.

Ent�o, a princesa nunca deve ter escrito um testamento.

Afinal, conhecemo-la, adorava pregar partidas.

Digam aos criados para procurarem em todo o lado. No jardim...

A princesa disse-me pessoalmente muitas vezes

que deixaria uma certa quantia...

Claro, a princesa tamb�m me disse que deixaria uma certa quantia,

que eu, obviamente, daria aos necessitados.

O restauro da nossa torre sineira.

- Princesa Beatrice, lembra-se? - E o hospital?

Senhores, basta, parem. O corpo dela ainda est� quente.

Um pouco de respeito.

N�o temos o testamento.

- O que se faz nestes casos? - Bem...

A menos que encontrem o testamento,

como o Pr�ncipe Ippolito � o �nico filho homem vivo da Princesa Gaia,

ele � o herdeiro leg�timo.

Claro que, tendo em conta as condi��es do pr�ncipe,

a Sra. Modesta vai gerir os bens.

Recordo que o pr�ncipe � capaz de inten��o e vontade.

Por isso, princesa, espero que ele seja informado desta decis�o.

Claro, Pietro, f�-lo-emos juntos.

Sejamos racionais.

A Sra. Modesta � a �nica que foi pr�xima da princesa at� ao fim.

Decerto ouviu o testamento da sogra.

Ela sabe aquilo a que todos t�m direito.

- Bem dito, Carmine. - Correto.

Sim.

A Princesa Gaia disse-me que queria deixar...

Desculpe, mas n�o a consigo ouvir.

A nossa falecida princesa disse-me que queria deixar alguns bens

� igreja de Don Antonio e ao hospital.

Ela nunca teria deixado de fora

as pessoas que lhe foram fi�is e pr�ximas ao longo destes anos.

- Claro. - Don Gaetano, De Ciuceis,

Pietro, Viva�a, Don Carmine.

- Eu? - Claro.

A Princesa Beatrice ter� naturalmente direito a uma pens�o vital�cia.

Uma pens�o vital�cia?

Sim.

Est� bem.

Se j� n�o precisam de mim, permitam-me retirar-me.

Claro, Beatrice.

Continuem a tapar as bocas e os narizes.

Est� bem.

Senhores, por favor, deixem-me a s�s com o Carmine.

Temos de tratar de tudo antes de irmos para Cat�nia.

- Cuide-se. - Obrigada.

Com a sua permiss�o...

Ent�o?

Como te sentes nessa cadeira?

Parece desconfort�vel.

Precisas de muita pr�tica,

porque uma rajada de vento pode atirar-te do assento.

Nunca falas claramente comigo.

No teu lugar...

...evitava a mudan�a fren�tica para a cidade.

� de loucos. Digo-te porqu�. Por dois motivos.

Primeiro, Cat�nia est� muito mais infestada do que a prov�ncia.

E depois porque seria melhor apareceres

acompanhada por um jovem Brandiforti.

Possivelmente um homem. Quem sabe?

O novo pr�ncipe pode calar toda a gente.

E j� ningu�m procuraria isto.

A princesa deu-me o testamento.

Pobre mulher, confiou em mim.

Mas eu vou dar-to.

Nem na tua sombra confies.

O que se passa, Modesta? N�o tens nada a dizer?

Odeias-me e n�o me queres agradar.

N�o me vais agradecer?

Para ti.

Abre as janelas.

Deixa entrar ar fresco.

Esta casa precisa.

Como imaginas Cat�nia?

O meu pai devia levar-me l�.

Como uma cidade linda.

Grande.

Cheia de lojas.

Teatros, edif�cios.

Grandes navios no mar.

Deixa-me olhar-te nos olhos.

Para perceber como � o mar.

N�o acredito que est�s aqui.

Beatrice?

Aonde vais?

Vou levar flores ao quarto da maman.

- J� nem olhas para mim. - Porque olharia?

N�o fazes nada a n�o ser comer e dormir.

Passas o dia todo num estado de aus�ncia idiota.

Est�s gorda.

N�o estou gorda, estou gr�vida.

Rapaz ou rapariga, sai agora.

O Salvador chama-te para a luz.

Virgem Maria deu � luz o Salvador. Deu � luz sem dor.

Cristo nasceu da Virgem, Cristo chama-te para vires ao mundo.

Sai, sai agora, sai agora.

Rapaz ou rapariga, sai agora.

O Salvador chama-te para a luz.

Virgem Maria deu � luz o Salvador.

Manda-me o Diabo e faz-me arder!

Eriprando.

Demos-te um nome horr�vel.

Que se passa, meu filho?

Porque est�s sempre a dormir?

Queres que preparemos o teu ber�o

Chega de bater com as portas, est�s a acord�-lo!

Continuas a recusar ver o teu sobrinho, o meu filho.

E continuas a evitar-me.

A Viva�a disse-me que o est�s a amamentar.

� uma afronta.

Uma mulher respeit�vel teria contratado uma ama de leite.

Se queres guerra, Beatrice, estou pronta para a travar.

Seja como for, vais para Cat�nia.

Queres conhecer a sociedade.

Mas todos sabem que vens de nenhures, apesar de agora teres um t�tulo.

Ter�s sempre este cheiro a pobreza contigo.

O teu casamento � um esc�ndalo, o teu marido � aleijado.

E tu cheiras a bruxa.

Fora!

Fora deste quarto!

Levanta-te!

Fora!

Fora!

- Larga-me! - Mexe-te!

J� n�o est� a chorar.

Sai!

E fecha a porta.

� um beb�, Beatrice.

Alguma vez viste um beb� nesta casa de mortos?

Aproxima-te.

Tens assim tanto medo da vida?

Que vida, Modesta?

Esta � a tua vida, n�o a minha.

� o teu beb�, o teu marido, a tua heran�a.

Alguma vez pensas em mim?

Alguma vez pensas em mim?

Em Cat�nia, serei apenas a tua pobre e pat�tica cunhada.

Uma solteirona, que depende da fam�lia.

N�o me restar� nada.

Nem a minha juventude.

Nem o teu amor.

Pensei que me amavas.

- Pensei que me amavas. - Mas eu amo.

�s a minha alegria.

Est�s na minha alma.

S� quero que sejas feliz e que te sintas protegida.

N�o me abandones, imploro-te.

Meu amor.

Meu amor. � a mam�.

Uma can��o de embalar

O teu pai est� a chegar

E ele traz-te sementes

De alecrim e manjeric�o

Obrigada.

Ela � a Viva�a.

A Gaia deu-lhe essa alcunha, por isso, � o que lhe chamamos.

- Bom dia. - Bom dia.

Ela faz parte da fam�lia.

S�o a Vincenzina e a Santina.

- Bom dia, pr�ncipe. - Excel�ncia.

Bom dia.

- Bom dia. - Ele � o Salvo.

- Bom dia. - Bom dia.

- S�o tantos. - Anda.

Est� tudo bem.

� o Giuseppe, substituiu o Antonio.

- E ela � a Teresa. - Encantada.

A irm� dela est� na cozinha, apresento-ta depois.

Agora beija-lhe a m�o como ensai�mos.

E esta � a Ines. Acabou de chegar do norte de It�lia.

- De Turim, Vossa Excel�ncia. - V�o passar muito tempo juntos.

Far-te-� companhia quando estou com o beb� ou a trabalhar.

Podemos ir passear, ler. Formei-me em Ensino em Turim.

Seria um prazer.

Obrigada.

Anda.

Gostas dela?

Bom dia, tio Ippolito.

Sou a Beatrice, a tua sobrinha.

Beatrice, finalmente. A Modesta falou-me muito de ti.

Vamos. Preparei um almo�o l� fora para celebrarmos.

Princesas, j� vos apresentei o meu sobrinho?

- O seu sobrinho? - Sim. O meu sobrinho, Guglielmo.

- Que palavra � essa? - Ao pequeno-almo�o?

� "bagna c�uda".

"Bagna ca...?"

Carmine!

Carmine! Anda!

Meu Deus, este vento. Moscas e vento.

Aqui estou eu.

- Sauda��es a esta bela companhia. - Bom dia, Carmine.

Vem conhecer o pr�ncipe.

- Foi para isso que vim. Como est�o? - Don Carmine.

- Conhece o meu sobrinho, Guglielmo? - Prazer em conhec�-lo.

Ele � bonito. Que tez, olhem para ele.

- Parab�ns, Excel�ncia. - Obrigada.

Trouxe um presente para o pr�ncipe.

- Como o chamaram? - Eriprando, como o pai da maman.

� justo.

Parab�ns, pr�ncipe.

Obrigado.

Lamento despedir-me desta bela companhia, o dever chama.

Os campos esperam, h� muito a fazer.

- Fica, Carmine. Temos muita comida. - N�o posso, lamento.

N�o queres ficar mais um pouco?

Eu acompanho-te.

Temos muito que falar. Estiveste ausente muito tempo.

- Mandarei preparar o cavalo. - Princesa...

N�o � preciso abandonar os seus convidados.

E deu � luz recentemente. Andar a cavalo n�o lhe far� bem.

- Sim, n�o seria sensato. - Ele tem raz�o, Maudit.

- Montar � perigoso. - Sim, � perigoso.

N�o queres comer nada, Carmine?

Finjam que aceitei.

- Divirtam-se. - Bom dia.

- Adeus. - Adeus.

Que cavalinho t�o bonito.

Desculpe?

Desculpe, viu o Don Carmine?

O Don Carmine, viu-o?

Ele � surdo, n�o te ouve.

Est�s escondido?

Pensei que ias trabalhar.

Deves ter algo muito importante para me dizer.

Vou-me embora, Carmine.

Vou mudar-me para Cat�nia.

� o que tu querias.

Tamb�m vais expor o Pr�ncipe Ippolito na cidade?

� frente dos senhores?

Vais acorrentar o monstro para que todos se concentrem nele.

E n�o saibam quem realmente �s.

O Ippolito n�o tem motivo para viver preso.

Imaginar � uma coisa, ver � outra.

Agora que todos viram como ele �, perdeste a tua autoridade.

N�o entendes, n�o preciso de autoridade.

- N�o quero ser patroa de ningu�m. - Queres ser criada, agora?

Nem criada, nem patroa. De que est�s a falar?

Eu e a falecida princesa confi�mos em ti.

Mas parece que �s s� uma mulher. E pregui�osa.

- J� te fartaste de trabalhar? - Isso � problema meu.

N�o gosto deste trabalho. Quero estudar.

- Vou vender o terreno. - Como assim, queres estudar?

Ent�o, sou s� uma mulher pregui�osa, como dizes.

Como queiras, velho.

N�o digo mais nada.

Mas quando se souber que queres vender o terreno,

ningu�m te dar� o seu valor real, percebes?

Ent�o, compra-o tu.

Cumpre o teu plano 20 anos depois. Tens dinheiro, n�o tens?

�s esperta. Mas nunca roubei nada.

Trabalhei muito e ganhei tudo o que tenho.

Enquanto o pr�ncipe e os filhos...

E n�o quero falar mal dos mortos,

mas s� brincavam com os livros enquanto eu trabalhava.

Ir�s a Cat�nia?

Ir�s visitar-me?

O que faria eu na cidade?

Sou do campo, � aqui que perten�o.

Vou deixar-te em paz.

Para, menina, para.

Acabou-se o tempo da despreocupa��o.

Estarei sempre do teu lado.

Nunca te enganarei.

Mas tens de ficar calma.

E esquecer.

O Carmine esqueceu.

Sempre ao seu dispor, princesa.

O que dizes?

Feliz por estarmos finalmente em Cat�nia?

- Princesa. - Bom dia.

Calma, eu ajudo-a.

- Bem-vinda. - Bem-vinda.

Esta � a Princesa Modesta.

- Modesta, bem-vinda. - Como foi a viagem?

Obrigada. Obrigada.

Meu amor... Tapa-o.

Sim...

Tonta, se queres assim tanto saber como � o mar...

...fica � vontade.

PARA O TIO CARLO

Tradu��o: Cl�udia Pereira

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